Aproveitando os ultimos minutos do meu lunch break para atualizacoes.
* Talvez, mas soh talvez, aconteca algo muito bom. E vou deixar assim. Soh falo quando acontecer.
* Ontem fui nadar na St George’s. Fiquei com saudade dos meus tempos de pindaiba. Mas estou tao melhor longe de la… Depois que deixamos um emprego somos capazes de medir muito melhor quao exploratorio ele foi.
* Falei. Finalmente falei. Desentalou. Falei para o pessoal que devo em breve sair da casa. Agora eh soh uma questao de avisar oficialmente. E, depois, comecar tudo de novo: procura casa, vai atras de corrector, procura alguem para ficar no meu lugar na outra casa, visita, nao gosta, visita, gosta mas nao pega. Ja tenho que entrar no clima.
* Fim de semana muito bom. Sabado trabalhei na Cannons, depois fui no cinema com Broo, Re, amigos e meus flatmates. Assistimos a Walk the Line, o filme de Johnny Cash. Olha, eu nem sabia quem era Johnny Cash. Juro. Mas sai do cinema ja pensando em que musicas baixar. A-do-rei. Nem sei se eh fidedigno ou nao. Eh uma biografia, tipo Ray, mas eu vi tudo como historinha porque nao conhecia o cara. E soh de ver o Joaquin Phoenix atuando ja valendo.
* Domingo fui pra Windsor com Broo. Uma vilazinha toda bonequinha, cheia de historia. Casas tortas, ruas de pedra e, claro, um castelo espetacular. Ficamos umas 3 horas la dentro e parecia que eu tinha voltado no tempo, que realmente estava vivendo dentro daquela realidade. Recomendo.
* Estou querendo muito mesmo que o que eu quero que de certo, de.
* Continuo uma pilha de ansiedade. Subi de novo o remedio. Em breve devo aquietar, senao sou capaz de explodir com um peido.
Wednesday, February 08, 2006
Friday, February 03, 2006
extremamente tudo
Eu sou idiota ou o que? Estava relendo emails que mandei desde que cheguei aqui em Londres. Sou idiota ou o que? Deus, como mudei. Como fui anta. Como engolia os mais gordos e nojentos dos sapos. Mas no comeco, no comeco foi quando fui mais feliz. Quem eh que inventa o que eh idiota e o que nao eh? Fui a mais idiota das idiotas nas mais felizes ocasioes. E talvez a propria idiotice tenha ajudado.
Por que teimamos em nao sermos idiotas? Qual o problema em nao ver se nao ver te faz mais feliz? Por que queremos ver tudo se uma hora vamos morrer e tudo o que vimos nao vai mais significar nada?
Meus momentos mais doces sao aqueles em que fui idiota. Hoje olho para traz quase com tristeza. Eh engracado isso. A gente sente tristeza quando pensa num tempo em que eramos felizes. Por que nao apenas ser feliz aqui e agora? Por que a lembranca de algo bom eh sempre triste? Serah porque esse algo soh existe em forma de lembranca? Serah porque eh um tempo irrecuperavel? Serah que eh porque perdemos a capacidade de ser feliz como antes? Ou serah que nos decepcionamos com nossa idiotice?
Eu me decepciono com minhas idiotices. Acho que eh por isso que ja comecei a escrever meia duzia de livros e nunca terminei. Sempre passa o tempo, um tempo suficiente para eu idiotizar o passado e tudo o que fui um dia, tudo o que vivi, tudo o que escrevi. Tudo que era profundo fica mais raso que um pires.
**
Essa madrugada aconteceu. De novo.
**
Ontem joguei na loteria. De novo.
**
Hoje vou encontrar o Michael. Michael eh o velhinho irlandes que conheci no onibus em Dublin. Michael me ligou exatamente quando eu estava deitada, de olhos fechados, pedindo que meu falecido avo me mandasse forcas para enfrentar mais uma noite, mais um dia, mais uma semana. Michael foi o mensageiro. Depois que ele ligou, eu consegui dormir. Eu entendi a mensagem.
Por que teimamos em nao sermos idiotas? Qual o problema em nao ver se nao ver te faz mais feliz? Por que queremos ver tudo se uma hora vamos morrer e tudo o que vimos nao vai mais significar nada?
Meus momentos mais doces sao aqueles em que fui idiota. Hoje olho para traz quase com tristeza. Eh engracado isso. A gente sente tristeza quando pensa num tempo em que eramos felizes. Por que nao apenas ser feliz aqui e agora? Por que a lembranca de algo bom eh sempre triste? Serah porque esse algo soh existe em forma de lembranca? Serah porque eh um tempo irrecuperavel? Serah que eh porque perdemos a capacidade de ser feliz como antes? Ou serah que nos decepcionamos com nossa idiotice?
Eu me decepciono com minhas idiotices. Acho que eh por isso que ja comecei a escrever meia duzia de livros e nunca terminei. Sempre passa o tempo, um tempo suficiente para eu idiotizar o passado e tudo o que fui um dia, tudo o que vivi, tudo o que escrevi. Tudo que era profundo fica mais raso que um pires.
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Essa madrugada aconteceu. De novo.
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Ontem joguei na loteria. De novo.
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Hoje vou encontrar o Michael. Michael eh o velhinho irlandes que conheci no onibus em Dublin. Michael me ligou exatamente quando eu estava deitada, de olhos fechados, pedindo que meu falecido avo me mandasse forcas para enfrentar mais uma noite, mais um dia, mais uma semana. Michael foi o mensageiro. Depois que ele ligou, eu consegui dormir. Eu entendi a mensagem.
Thursday, February 02, 2006
mais uma vez, o horror
A gente acha que vai comecar a esquentar, mas ainda esfria, esfria, esfria. A gente acha que estah tudo bem, mas nao estah, nao estah, nao estah. Ontem tive um quase-ataque de panico no trem de volta do trabalho. Estava falando no cellular com a Broo. “Broo, nao to bem. Panico. Eh, agora. Como? Olha, nao to conseguindo falar. Preciso desligar. Sim, me cuido. Ta, podexa. Vou esperar. Beijos”. Fui o resto da viagem suando frio, coracao aceleradissimo, respiracao com o controle de um cavalo selvagem. A sensacao de que todos aqueles ingleses me olhavam espantados, o que obviamente nao aconteceu. A sensacao de que quando o trem chegasse em Waterloo eu nao iria conseguir levantar do meu assento e que teria de ir de volta ateh Kingston. A sensacao de que minhas pernas dobrariam se eu tentasse ficar em pe.
O trem chegou, eu sai. Comprei um cookie porque achei que poderia ser fraqueza. Tenho comido pouco. Ateh melhorei depois do cookie, mas o bolo na garganta nao estava tao saboroso. Cheguei em casa, comi um negocinho e fui dormir. Oito da noite fui dormir. Na verdade fui ler. Nao parei ateh terminar o livro, The Secret History, uma delicia de thriller. Isso era la pelas dez e meia jah. Com a ajuda do Nosso Senhor do Rivotril, dormi. Acordei mais leve, mais calma, mais serena mesmo. Fiquei menos irritada com as Pessoas Que Empurram, uma classe especialmente desprezivel de seres humanos. Nao corri sem precisar correr. Nao li o Metro News, mas meu novo livro, The Reader, do Bernhard Schlink, que meu tio John me deu de Natal.
Cheguei no trabalho e nao pirei nos deadlines, porque aqui ninguem pira. Deadline eh algo meramente hipotetico, quase inalcancavel. Tenho que parar com essa mania de fazer tudo direito. Se todo mundo fizesse tudo direito tambem, o mundo nao estaria uma zona.
**
Fui na cadimia essa semana. Resolvi dar as caras e bracadas. Logicamente, para tanto, terei que continuar trabalhando de salva-vidas la, now and then. Nesse sabado, por exemplo, vou trabalhar das 12.30 as 18.30. E soh. Pretendo voltar aos meus exercicios. Nao foi promessa de ano novo nem nada. Sempre pratiquei esportes e nesse caso nao preciso fazer promessas para depois dizer que eh impossivel cumpri-las.
**
Se tudo der certo, se nao estiver tao frio, tao cinza, tao fodido, domingo eu e Broo vamos a Windsor para conhecer o castelo. Sempre quis.
**
A busca pela casa perfeita ainda nao comecou. Semana que vem devo anunciar minha saida aos queridos flatmates. Liberdade = poder de escolha = perda de algo. Por que queremos ser tao livres eu sempre me perguntei.
**
Desencanei de catar os farelos de mim. Acho que o vento vai se encarregar de levar tudo para o lugar certo. Enquanto isso, pego um cinema, saio para jantar, vou trabalhar. Tudo que me tire de orbita sem me meter num zenite.
O trem chegou, eu sai. Comprei um cookie porque achei que poderia ser fraqueza. Tenho comido pouco. Ateh melhorei depois do cookie, mas o bolo na garganta nao estava tao saboroso. Cheguei em casa, comi um negocinho e fui dormir. Oito da noite fui dormir. Na verdade fui ler. Nao parei ateh terminar o livro, The Secret History, uma delicia de thriller. Isso era la pelas dez e meia jah. Com a ajuda do Nosso Senhor do Rivotril, dormi. Acordei mais leve, mais calma, mais serena mesmo. Fiquei menos irritada com as Pessoas Que Empurram, uma classe especialmente desprezivel de seres humanos. Nao corri sem precisar correr. Nao li o Metro News, mas meu novo livro, The Reader, do Bernhard Schlink, que meu tio John me deu de Natal.
Cheguei no trabalho e nao pirei nos deadlines, porque aqui ninguem pira. Deadline eh algo meramente hipotetico, quase inalcancavel. Tenho que parar com essa mania de fazer tudo direito. Se todo mundo fizesse tudo direito tambem, o mundo nao estaria uma zona.
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Fui na cadimia essa semana. Resolvi dar as caras e bracadas. Logicamente, para tanto, terei que continuar trabalhando de salva-vidas la, now and then. Nesse sabado, por exemplo, vou trabalhar das 12.30 as 18.30. E soh. Pretendo voltar aos meus exercicios. Nao foi promessa de ano novo nem nada. Sempre pratiquei esportes e nesse caso nao preciso fazer promessas para depois dizer que eh impossivel cumpri-las.
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Se tudo der certo, se nao estiver tao frio, tao cinza, tao fodido, domingo eu e Broo vamos a Windsor para conhecer o castelo. Sempre quis.
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A busca pela casa perfeita ainda nao comecou. Semana que vem devo anunciar minha saida aos queridos flatmates. Liberdade = poder de escolha = perda de algo. Por que queremos ser tao livres eu sempre me perguntei.
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Desencanei de catar os farelos de mim. Acho que o vento vai se encarregar de levar tudo para o lugar certo. Enquanto isso, pego um cinema, saio para jantar, vou trabalhar. Tudo que me tire de orbita sem me meter num zenite.
Sunday, January 29, 2006
livruras
Não esqueci, não. Aqui a listinha dos lidos de 2005. Eu queria ter lido mais, mas confesso que 2005 foi um ano sem tempo para o ócio ou para qualquer coisa que não fosse trabalho. Também foi um ano de ler muito jornal e pouco livro. Mas ainda assim, lá vai, com título, autor e meu comentário prepotente. Em negrito, os campeões:
1) Eternidade – Ferreira de Castro – Demorei para lembrar que livro era este. Só recomendo para quem não quero bem.
2) 1933 Was a Bad Year - John Fante - Em espetacular forma. Amo ele anyway.
3) Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante - Clarah Averbuck - coisas que já tinha lido.
4) Morte no Paraíso - Alberto Dines - Livro do chefinho; sou parcialíssima para julgar…
5) Oracle Night - Paul Auster - Uma das melhores descobertas desse ano.
6) A Tapas e Pontapés – Diogo Mainardi – Passei a odiá-lo menos. Mas não deixei de odiá-lo.
7) On the Road – Jack Kerouac – Esperava mais. Mas acho que esperava demais.
8) Amestrando Orgasmos – Ruy Castro – nhé…
9) O Vendedor de Passados – José Eduardo Agualusa – Simples e bonito.
10) Vida de Gato – Clarah Averbuck – Ela já me emocionou mais.
11) Sonhos de Bunker Hill – John Fante – Amo ele. Lindo, lindo.
12) I am Charlotte Simmons - Tom Wolfe - Acho que o melhor desse ano.
13) Se Um Viajante Numa Noite de Inverno – Italo Calvino – Legal e difícil.
14) Memórias de Minhas Putas Tristes – G. García Márquez – Ele é outro amado...
15) Emma – Jane Austen – Esperei demais dela. Ainda não terminei o livro
16) As Intermitências da Morte – José Saramago – Parei na metade. Ele, que foi o melhor de 2004, conseguiu ser o pior de 2005, empatado com o primeiro do ano.
1) Eternidade – Ferreira de Castro – Demorei para lembrar que livro era este. Só recomendo para quem não quero bem.
2) 1933 Was a Bad Year - John Fante - Em espetacular forma. Amo ele anyway.
3) Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante - Clarah Averbuck - coisas que já tinha lido.
4) Morte no Paraíso - Alberto Dines - Livro do chefinho; sou parcialíssima para julgar…
5) Oracle Night - Paul Auster - Uma das melhores descobertas desse ano.
6) A Tapas e Pontapés – Diogo Mainardi – Passei a odiá-lo menos. Mas não deixei de odiá-lo.
7) On the Road – Jack Kerouac – Esperava mais. Mas acho que esperava demais.
8) Amestrando Orgasmos – Ruy Castro – nhé…
9) O Vendedor de Passados – José Eduardo Agualusa – Simples e bonito.
10) Vida de Gato – Clarah Averbuck – Ela já me emocionou mais.
11) Sonhos de Bunker Hill – John Fante – Amo ele. Lindo, lindo.
12) I am Charlotte Simmons - Tom Wolfe - Acho que o melhor desse ano.
13) Se Um Viajante Numa Noite de Inverno – Italo Calvino – Legal e difícil.
14) Memórias de Minhas Putas Tristes – G. García Márquez – Ele é outro amado...
15) Emma – Jane Austen – Esperei demais dela. Ainda não terminei o livro
16) As Intermitências da Morte – José Saramago – Parei na metade. Ele, que foi o melhor de 2004, conseguiu ser o pior de 2005, empatado com o primeiro do ano.
Friday, January 27, 2006
farelos de mim
OLA. Mais um dia inutil, para ser bem sincera. Estou dependendo de varias pessoas fazerem o trabalho delas para depois eu poder fazer o meu. Estou esperando meu chefe me chamar para uma reuniao. Ja falei para ele que estou sem nada para fazer, mas ele nao captou a mensagem.
Well, then.
Hoje joguei na loteria. Quer dizer, na Euro Million. Sao, sei la, cem milhoes de pounds. Joguei soh para ter algo em que pensar.
Hoje tambem reservei meus tickets para Paris em julho, quando minha Piu vem. Eh meu presente de aniversario para ela. Passagem e estadia em Paris de quinta a domingo.
Ontem fui na despedida do Joao, um amigo de uma amiga de uma amiga. Ele foi morar em Barcelona.
Ontem dormi na casa da Broo. Eu amo futon, ja disse isso aqui?
Esse fim de semana vou ter que fazer o cacete do ensaio para meu curso de Imprensa Britanica. Fora isso, quero ver se vou no Greenwich Market.
Tenho tentado comprar coisas pelo eBay mas sempre vem um nerd e compra um minuto antes do leilao terminar. Aa merda.
Estou combinando de ir para Manchester com a Randa, a sueca com quem trabalho, um desses fins de semana.
Ando sem fome e sem fazer exercicio. Ando com sono demais. Ando muito de salto e isso cansa.
Coisas soltas, assim. Desparafusadas. Nada que una nada com nada. Deixo farelos de mim por onde passo, mas farelos nao fazem falta. Eu nao deveria me preocupar. Mas sempre fui de procurar farelos. Talvez um jeito de ter tudo sempre como foi. Justo eu, que joguei fora o tudo-igual para ficar com o what-the-hell. Nossa Senhora da Adrenalina. Minha deusa, minha lastima.
Baixei meu remedio para panico. Fiz merda?
Well, then.
Hoje joguei na loteria. Quer dizer, na Euro Million. Sao, sei la, cem milhoes de pounds. Joguei soh para ter algo em que pensar.
Hoje tambem reservei meus tickets para Paris em julho, quando minha Piu vem. Eh meu presente de aniversario para ela. Passagem e estadia em Paris de quinta a domingo.
Ontem fui na despedida do Joao, um amigo de uma amiga de uma amiga. Ele foi morar em Barcelona.
Ontem dormi na casa da Broo. Eu amo futon, ja disse isso aqui?
Esse fim de semana vou ter que fazer o cacete do ensaio para meu curso de Imprensa Britanica. Fora isso, quero ver se vou no Greenwich Market.
Tenho tentado comprar coisas pelo eBay mas sempre vem um nerd e compra um minuto antes do leilao terminar. Aa merda.
Estou combinando de ir para Manchester com a Randa, a sueca com quem trabalho, um desses fins de semana.
Ando sem fome e sem fazer exercicio. Ando com sono demais. Ando muito de salto e isso cansa.
Coisas soltas, assim. Desparafusadas. Nada que una nada com nada. Deixo farelos de mim por onde passo, mas farelos nao fazem falta. Eu nao deveria me preocupar. Mas sempre fui de procurar farelos. Talvez um jeito de ter tudo sempre como foi. Justo eu, que joguei fora o tudo-igual para ficar com o what-the-hell. Nossa Senhora da Adrenalina. Minha deusa, minha lastima.
Baixei meu remedio para panico. Fiz merda?
Wednesday, January 25, 2006
someday somehow I’m gonna make it alright but not right now
Eu não sei se está dando muito certo essa história de ter cortado minhas *dorgas* ao meio. Tenho andado esquisita. Irritadiça, pensativa, emotiva, cheia de dores imaginárias. Neste exato momento, estou quase deprimida e a ponto de arrebentar meu PowerBook se ele continuar corrigindo meus escritinhos em português para algum termo próximo em inglês.
Coisas assim.
Ontem o dia foi um cu. Hoje melhorou. Ontem eu teria pulado da Vauxhall Bridge não fosse o convite da Broo para dormir na casa dela. Fui mesmo sem estar com minhas *dorgas* amadas comigo. Aí, claro, hoje me senti ainda mais esquisita. Mas as cagadas diminuiram.
Resumindo: ontem peguei o trem errado. Meu trem sempre sai da plataforma 4 de Waterloo. Sempre. E eu nunca vou trabalhar ouvindo música porque é muito cedo para me alienar. Nunca. Aí o que aconteceu? O sempre e o nunca viraram exceção ao mesmo tempo. O trem que saía da plataforma 4 ia para Guilford, e não para Shepperton como é de costume. E eu estava ouvindo fervorosamente meu iPod, e não me contentando em ler a fundo uma cópia do Metro News como de costume. Então peguei o trem errado e não tive a chance de ouvir no microfone que havia feito cagada.
Fui descobrir quando já estava num lugar chamado Worcester Park. Não perguntem. Aí desci desesperada. Gelo na espinha, no nariz, no pé. Frio em todo lugar. Gelado. Tudo congelado em volta. Tudo branco de gelo. E eu gelada dentro e fora. Fui para o outro lado da plataforma e voltei para Raynes Park, onde eu sabia que passaria um trem bom para mim. Aí, ta-dáaaaa, chego em Raynes Park quando meu trem já partia. Óquei, pensei, aguardarei o próximo. Eis que ta-dáaaaa, o próximo foi cancelado. Sabe o Nosso Senhor das Ferrovias por quê. Aí começa a bater aquela combinação lamentável de desespero com indignação. Pego um trem até New Malden, onde eu teria que achar um ônibus que chegasse até o trabalho mesmo não tendo a mais puta idéia de onde estivesse.
Saí do trem já atrasada, claro. Eram 9 e pouquinho, eu devia já estar sentadinha na minha baia, mas nãaaao, nãaaaao. Claro que não. Estava correndo atrás de um ônibus que partia exatamente quando eu consegui abrir espaço entre os carros para atravessar correndo a rua. Ele foi, eu fiquei. Foram mais 15 minutos de espera até o próximo busão.
Liguei pro trabalho para me sentir menos ansiosa. Afinal, baixei as *dorgas*, tenho que pegar leve comigo. Quando o ônibus chega, lotado.
Olha, não vou contar o dia inteiro porque vou deprimir meus amados vocezinhos. Vou resumir: cheguei 45 minutos atrasada no trabalho, tive dor de barriga daquelas de apertar os olhos de dor e de se dobrar no meio quando o chefe te chama para ver um negocinho. E também, na volta, meu salto quebrou. E vocês vão dizer, pô, Bibinha, isso é sorte, podia ter acontecido no começo do dia. O negócio é que eu não estava indo para casa. Estava indo ver uma casa. Andar, andar, andar. O que mais se faz em Londres, mas não com um salto quebrado no pé. Maldita bota de Franca.
Então cansei de me foder e resolvi dormir na casa da Broo mesmo sem remedies. Uma revolução, ficar sem meus remédios. Decisões, decisões. Hoje o dia foi melhor. Ontem eu tive vontade de chorar quando vi uma ratazana nas ruas de Camberwell. Por que ali, comigo, para me enojar? Por que bem naquela hora que eu não queria mais nada me arrepiando o pescoço? Tudo frio, tudo desconfortável. Eu só queria me afundar num mundo de almofadas com cheirinho de família e uma bacia quente para fazer escalda-pé. Era só isso que me faria a pessoa mais feliz.
Mas o dia acabou. Tirei o sapato quebrado. Tentei colar. Desisti. Quase chorei por causa do frio. Mas depois ficou tudo bem. Vai ficar tudo bem. Nothing’s wrong just as long as you know that someday I will.
Coisas assim.
Ontem o dia foi um cu. Hoje melhorou. Ontem eu teria pulado da Vauxhall Bridge não fosse o convite da Broo para dormir na casa dela. Fui mesmo sem estar com minhas *dorgas* amadas comigo. Aí, claro, hoje me senti ainda mais esquisita. Mas as cagadas diminuiram.
Resumindo: ontem peguei o trem errado. Meu trem sempre sai da plataforma 4 de Waterloo. Sempre. E eu nunca vou trabalhar ouvindo música porque é muito cedo para me alienar. Nunca. Aí o que aconteceu? O sempre e o nunca viraram exceção ao mesmo tempo. O trem que saía da plataforma 4 ia para Guilford, e não para Shepperton como é de costume. E eu estava ouvindo fervorosamente meu iPod, e não me contentando em ler a fundo uma cópia do Metro News como de costume. Então peguei o trem errado e não tive a chance de ouvir no microfone que havia feito cagada.
Fui descobrir quando já estava num lugar chamado Worcester Park. Não perguntem. Aí desci desesperada. Gelo na espinha, no nariz, no pé. Frio em todo lugar. Gelado. Tudo congelado em volta. Tudo branco de gelo. E eu gelada dentro e fora. Fui para o outro lado da plataforma e voltei para Raynes Park, onde eu sabia que passaria um trem bom para mim. Aí, ta-dáaaaa, chego em Raynes Park quando meu trem já partia. Óquei, pensei, aguardarei o próximo. Eis que ta-dáaaaa, o próximo foi cancelado. Sabe o Nosso Senhor das Ferrovias por quê. Aí começa a bater aquela combinação lamentável de desespero com indignação. Pego um trem até New Malden, onde eu teria que achar um ônibus que chegasse até o trabalho mesmo não tendo a mais puta idéia de onde estivesse.
Saí do trem já atrasada, claro. Eram 9 e pouquinho, eu devia já estar sentadinha na minha baia, mas nãaaao, nãaaaao. Claro que não. Estava correndo atrás de um ônibus que partia exatamente quando eu consegui abrir espaço entre os carros para atravessar correndo a rua. Ele foi, eu fiquei. Foram mais 15 minutos de espera até o próximo busão.
Liguei pro trabalho para me sentir menos ansiosa. Afinal, baixei as *dorgas*, tenho que pegar leve comigo. Quando o ônibus chega, lotado.
Olha, não vou contar o dia inteiro porque vou deprimir meus amados vocezinhos. Vou resumir: cheguei 45 minutos atrasada no trabalho, tive dor de barriga daquelas de apertar os olhos de dor e de se dobrar no meio quando o chefe te chama para ver um negocinho. E também, na volta, meu salto quebrou. E vocês vão dizer, pô, Bibinha, isso é sorte, podia ter acontecido no começo do dia. O negócio é que eu não estava indo para casa. Estava indo ver uma casa. Andar, andar, andar. O que mais se faz em Londres, mas não com um salto quebrado no pé. Maldita bota de Franca.
Então cansei de me foder e resolvi dormir na casa da Broo mesmo sem remedies. Uma revolução, ficar sem meus remédios. Decisões, decisões. Hoje o dia foi melhor. Ontem eu tive vontade de chorar quando vi uma ratazana nas ruas de Camberwell. Por que ali, comigo, para me enojar? Por que bem naquela hora que eu não queria mais nada me arrepiando o pescoço? Tudo frio, tudo desconfortável. Eu só queria me afundar num mundo de almofadas com cheirinho de família e uma bacia quente para fazer escalda-pé. Era só isso que me faria a pessoa mais feliz.
Mas o dia acabou. Tirei o sapato quebrado. Tentei colar. Desisti. Quase chorei por causa do frio. Mas depois ficou tudo bem. Vai ficar tudo bem. Nothing’s wrong just as long as you know that someday I will.
Monday, January 23, 2006
you only tell me you love me when you’re drunk
Fim de semana muito bom. Como esperado, joelho roxo, bunda dolorida. Adorei patinar no gelo com a amada Broo. Eu patinava muito sobre rodas quando era mais nova, entao nao tive grandes problemas para me adaptar. Mas devia fazer, sei la, 15 anos que eu nao patinava no gelo. Esqueci como eh gostoso cair sabendo que se vai cair.
Depois teve jantar la em casa. Comemoracao tardia e londrina do meu aniversario. Mr Australia cozinhou. Todo mundo ficou bebado – menos eu –, aquela palhacada de sempre. Fomos dormir tumultuadissimos depois de um jogo da verdade em que o que mais se fez foi mentir.
Domingo mal pus o focinho para fora de casa. Um frio de doer apesar do sol. Voou.
**
E ele estah tomando forma. Meu bebe. Serah que vou finalmente parir?
**
Fotos para todos os gostos.
Tem o album Cannons Health Club, estrelando eu e o pessoal da cadmia em que eu salva-vidava; tem o album Brasil Dez/Jan 2006, que dispensa explicacoes, e tem o album British Birthday, de anteontem.
Depois teve jantar la em casa. Comemoracao tardia e londrina do meu aniversario. Mr Australia cozinhou. Todo mundo ficou bebado – menos eu –, aquela palhacada de sempre. Fomos dormir tumultuadissimos depois de um jogo da verdade em que o que mais se fez foi mentir.
Domingo mal pus o focinho para fora de casa. Um frio de doer apesar do sol. Voou.
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E ele estah tomando forma. Meu bebe. Serah que vou finalmente parir?
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Fotos para todos os gostos.
Tem o album Cannons Health Club, estrelando eu e o pessoal da cadmia em que eu salva-vidava; tem o album Brasil Dez/Jan 2006, que dispensa explicacoes, e tem o album British Birthday, de anteontem.
Thursday, January 19, 2006
nao abra porta para desconhecidos; nao feche portas desconhecidas
Ah, claro que estranhei, neh? Assim como esse post meio que comeca do meio, minha ida e volta ao Brasil comecou do meio e terminou no meio. Parece que arrancaram um segmento da minha cabeca. Cheguei ai e tudo estava tao, mas tao igual (menos o tunel da Faria Lima) que foi como apertar pause e depois de um ano e meio apertar play novamente.
E, sinceramente, egoista ou nao, quero que seja sempre assim. Porque muito pior que a sensacao de que nada mudou, eh a sensacao de que tudo mudou e voce nao estava la para acompanhar.
A volta foi estranha. No aviao, aquela sorte bem tipica de pegar um lugar no meio da coluna do meio; de um lado um gordo folgado e frances, do outro uma brasileira tagarela e fedida. E o Lexotan fez o papel de Deus na minha vida durante oito horas. Dormi por oito horas num voo lotado. Para completar, um moleque sentado no banco da frente (obviamente deitando a cadeira no meio da refeicao) e outro no banco de tras (obviamente me chutando como se eu fosse seu pior inimigo ensacado). Cheguei em Paris e fui pro albergue. Fica numa area boa. O albergue eh OK. Nada do outro mundo. Passeei, me diverti com a grossura dos parisienses – porque eh tanta que uma hora fica engracada – e jantei num café desses bem tipicos.
Depois fui dormer, exausta. Eram 7 da noite. Acordei as 10pm e nao conseguia mais dormir. Fiquei lendo. Chegaram as minhas companheiras de quarto, duas australianas gente finissima, Vanessa e Jamina. Elas estao rodando a Europa e em uma semana voltam para a Australia. Elas odeiam homens e acharam os caixas na Hungria muito lentos. Elas tem varias opinioes engracadas. Aih uma hora cansei e dormi. No dia seguinte, sai de mansinho. Tudo correu liso. Albergue do lado do Gare du Nord e de la ateh o Charles de Gaulle foi um pulo.
Cheguei em Londres no meio da tarde de um domingo devagar e cinza. Casa silenciosa, soh Mr Suecia em casa, no banho. All good. Voltei. Voltei a acordar as 6:30h para pegar o trem das 8:12h saindo de Waterloo e chegando em Kingston meia hora depois. Voltei a fingir que sei o que estou fazendo e eles voltaram a acreditar. Voltei e aqui tambem rolou uma tecla pause. Sobre minha mesa, tudo igual, exceto um envelope com um voucher de £10 do Marks & Spencer que os diretores me deram de aniversario. Parece que eh sempre assim por aqui.
Por fora, tudo bem. Por dentro eh que pega. Ter ido ao Brasil foi muito bom. Mais do que deveria ser. Estou sentindo muita falta, muita mesmo. Estou sozinha. Ao mesmo tempo nao estou. Estou com companhias superficiais. Hoje a Broo chega. Ja deve ter chegado. Se nao houvesse Broo aqui eu tava fodida, acho. E no final do mes a Bobby chega. Logo mais, se nao houvesse Bobby aqui eu tava fodida, acho, tambem.
Estou com queimacao no estomago, um nervo pincado nas costas e comeco de enxaqueca. Estou com sono. Estou querendo que chegue sabado logo para patinar no gelo e depois contar tudo aqui, porque vai ter muito com que se deleitar. Estou cansada, mas ainda assim quero muitas coisas que vao acontecer. E soh vao acontecer porque eu quero.
E, sinceramente, egoista ou nao, quero que seja sempre assim. Porque muito pior que a sensacao de que nada mudou, eh a sensacao de que tudo mudou e voce nao estava la para acompanhar.
A volta foi estranha. No aviao, aquela sorte bem tipica de pegar um lugar no meio da coluna do meio; de um lado um gordo folgado e frances, do outro uma brasileira tagarela e fedida. E o Lexotan fez o papel de Deus na minha vida durante oito horas. Dormi por oito horas num voo lotado. Para completar, um moleque sentado no banco da frente (obviamente deitando a cadeira no meio da refeicao) e outro no banco de tras (obviamente me chutando como se eu fosse seu pior inimigo ensacado). Cheguei em Paris e fui pro albergue. Fica numa area boa. O albergue eh OK. Nada do outro mundo. Passeei, me diverti com a grossura dos parisienses – porque eh tanta que uma hora fica engracada – e jantei num café desses bem tipicos.
Depois fui dormer, exausta. Eram 7 da noite. Acordei as 10pm e nao conseguia mais dormir. Fiquei lendo. Chegaram as minhas companheiras de quarto, duas australianas gente finissima, Vanessa e Jamina. Elas estao rodando a Europa e em uma semana voltam para a Australia. Elas odeiam homens e acharam os caixas na Hungria muito lentos. Elas tem varias opinioes engracadas. Aih uma hora cansei e dormi. No dia seguinte, sai de mansinho. Tudo correu liso. Albergue do lado do Gare du Nord e de la ateh o Charles de Gaulle foi um pulo.
Cheguei em Londres no meio da tarde de um domingo devagar e cinza. Casa silenciosa, soh Mr Suecia em casa, no banho. All good. Voltei. Voltei a acordar as 6:30h para pegar o trem das 8:12h saindo de Waterloo e chegando em Kingston meia hora depois. Voltei a fingir que sei o que estou fazendo e eles voltaram a acreditar. Voltei e aqui tambem rolou uma tecla pause. Sobre minha mesa, tudo igual, exceto um envelope com um voucher de £10 do Marks & Spencer que os diretores me deram de aniversario. Parece que eh sempre assim por aqui.
Por fora, tudo bem. Por dentro eh que pega. Ter ido ao Brasil foi muito bom. Mais do que deveria ser. Estou sentindo muita falta, muita mesmo. Estou sozinha. Ao mesmo tempo nao estou. Estou com companhias superficiais. Hoje a Broo chega. Ja deve ter chegado. Se nao houvesse Broo aqui eu tava fodida, acho. E no final do mes a Bobby chega. Logo mais, se nao houvesse Bobby aqui eu tava fodida, acho, tambem.
Estou com queimacao no estomago, um nervo pincado nas costas e comeco de enxaqueca. Estou com sono. Estou querendo que chegue sabado logo para patinar no gelo e depois contar tudo aqui, porque vai ter muito com que se deleitar. Estou cansada, mas ainda assim quero muitas coisas que vao acontecer. E soh vao acontecer porque eu quero.
Wednesday, January 11, 2006
Tuesday, January 10, 2006
bouncing
Então enterramos 2005, o pior ano que me fez melhor. Não estou querendo que esse ano seja de repente a realização de todos os não-feitos do ano passado. Tem que ser como regime. Esqueça o dia anterior para que hoje dê certo. E o que é a passagem de ano senão o simples dormir e acordar num novo dia? Inventamos que é importante, então vamos todos embarcar nisso. Virar o ano pode ser muito sem graça e muito especial. É como Deus.
Ainda no Brasil, já tendo que me despedir. Não gosto de iludir. “Mas ainda nos vemos, né?” “Olha, acho que não. Dê cá um abraço e até a próxima”. Porque brasileiro sempre diz “ainda nos vemos” mesmo na véspera do mundo acabar. E misturados à despedida, ainda estou marcando encontros pela primeira vez. Pessoas que ainda não vi e que vou ver já de saída.
E pessoas que conheci aqui. Algo que nem passou pela minha cabeça. Conhecer pessoas aqui. Eu vim para rever. Descobri que rever quase não existe. Existe ver. E conhecer. Nunca mais vou me iludir que sou capaz de deitar os olhos duas vezes sobre a mesma coisa, o mesmo lugar, a mesma pessoa. Meus olhos são olhos de primeira vez. O barulho dessa cidade me machuca. A luz me machuca. A proximidade me incomoda. E eu amo tudo o que machuca e incomoda aqui. Porque machuca e incomoda como eu gostaria que machucassem e incomodassem todas as coisas que machucam e incomodam.
Se tudo fosse assim, eu choraria de ver uma flor morrer, e nada mais sangraria. Saudades de um tempo de inércia que jamais vai voltar porque acostumei com a adrenalina. Acostumei com subir e descer e ter o estômago dançando numa cavidade que suporta dois estômagos.
Puta merda, não estou escrevendo nada com nada. É que minha cabeça está meio virada mesmo. Acordo cedo sem motivo. Fico pensando no que me espera em Londres e no que me deixa em Sampa – porque eu não estou deixando Sampa; Sampa é que me deixa ir, quase me cospe. Mr Austrália me mandou email agradecendo as fotos que mandei de uma festinha que demos. E falou que está com saudades. E eu também estou. Não só dele, claro. Dele e de tudo o que é minha vida lá. Das pessoas, da luta diária para não afundar no espiral da solidão, na luta diária para achar tempo e força para arrumar a casa, na luta diária para chegar a tempo de ter tempo.
Aqui a luta é outra. É luta para preencher vazios. De alguma forma sempre falta algo importante. De repente é algo que me faz falta e eu ainda nem sei. Algo que desconheço, mas que tenho em Londres. Lá, de alguma maneira, me sinto mais preenchida. Enquanto que aqui, me sinto amada. Vai ver é isso. Lá eu sei que posso pedir amor. Faz sentido pedir amor. Aqui, não. Aqui o amor transborda e ainda assim não é suficiente. Mas transborda, então nem dá para pedir mais. O amor que não acaba e que nunca é suficiente.
**
Ubatuba foi tudo menos Ubachuva. Eu, minha Piu e minha Bathatha pegamos praia todos os dias. Nadei todos dias até a ponta das Toninhas. Vi tartarugas, arraias e, quase juro, um golfinho.
Pedi a benção do mar. Pedi para ele me lavar, me fazer mais pura, me fazer mais leve. Pedi para ele levar para os fundos tudo o que escorre e eu teimo em engolir de novo. Tudo o que escorre porque é desnecessário. O que transborda porque é excesso. E eu cismo em trazer de volta, eu cismo em recolher o que cai, na vã ilusão de que um dia o que sobra vai faltar. Pedi para o mar levar para os fundos tudo o que ele pode precisar e que exista em mim. Porque não quero só receber. Quero dar para abrir espaço para receber mais. Eu e o mar num escravos-de-jó eterno, é o que eu quero.
Chorei para ele. Devolvi com minha lágrima um pouco do sal que tirei. Prometi voltar mesmo que ele não lembre da minha cara. Mesmo que mais eu, menos eu, nada mude. O sol nasça e a maré desça e depois suba e o sol se ponha como em todos os dias. E a moça da fotótica continue a mesma, e a moça da loja azul também, agora com um filhinho, e a minha empregada também, igual, igual, totalmente diferente, meus olhos virgens desesperados para reter. Sei que quando for, metade fica, metade vai. Mas ainda assim eu vou inteira. Saudades não é a falta de algo. É o excesso desse algo em forma de pensamento.
Ainda no Brasil, já tendo que me despedir. Não gosto de iludir. “Mas ainda nos vemos, né?” “Olha, acho que não. Dê cá um abraço e até a próxima”. Porque brasileiro sempre diz “ainda nos vemos” mesmo na véspera do mundo acabar. E misturados à despedida, ainda estou marcando encontros pela primeira vez. Pessoas que ainda não vi e que vou ver já de saída.
E pessoas que conheci aqui. Algo que nem passou pela minha cabeça. Conhecer pessoas aqui. Eu vim para rever. Descobri que rever quase não existe. Existe ver. E conhecer. Nunca mais vou me iludir que sou capaz de deitar os olhos duas vezes sobre a mesma coisa, o mesmo lugar, a mesma pessoa. Meus olhos são olhos de primeira vez. O barulho dessa cidade me machuca. A luz me machuca. A proximidade me incomoda. E eu amo tudo o que machuca e incomoda aqui. Porque machuca e incomoda como eu gostaria que machucassem e incomodassem todas as coisas que machucam e incomodam.
Se tudo fosse assim, eu choraria de ver uma flor morrer, e nada mais sangraria. Saudades de um tempo de inércia que jamais vai voltar porque acostumei com a adrenalina. Acostumei com subir e descer e ter o estômago dançando numa cavidade que suporta dois estômagos.
Puta merda, não estou escrevendo nada com nada. É que minha cabeça está meio virada mesmo. Acordo cedo sem motivo. Fico pensando no que me espera em Londres e no que me deixa em Sampa – porque eu não estou deixando Sampa; Sampa é que me deixa ir, quase me cospe. Mr Austrália me mandou email agradecendo as fotos que mandei de uma festinha que demos. E falou que está com saudades. E eu também estou. Não só dele, claro. Dele e de tudo o que é minha vida lá. Das pessoas, da luta diária para não afundar no espiral da solidão, na luta diária para achar tempo e força para arrumar a casa, na luta diária para chegar a tempo de ter tempo.
Aqui a luta é outra. É luta para preencher vazios. De alguma forma sempre falta algo importante. De repente é algo que me faz falta e eu ainda nem sei. Algo que desconheço, mas que tenho em Londres. Lá, de alguma maneira, me sinto mais preenchida. Enquanto que aqui, me sinto amada. Vai ver é isso. Lá eu sei que posso pedir amor. Faz sentido pedir amor. Aqui, não. Aqui o amor transborda e ainda assim não é suficiente. Mas transborda, então nem dá para pedir mais. O amor que não acaba e que nunca é suficiente.
**
Ubatuba foi tudo menos Ubachuva. Eu, minha Piu e minha Bathatha pegamos praia todos os dias. Nadei todos dias até a ponta das Toninhas. Vi tartarugas, arraias e, quase juro, um golfinho.
Pedi a benção do mar. Pedi para ele me lavar, me fazer mais pura, me fazer mais leve. Pedi para ele levar para os fundos tudo o que escorre e eu teimo em engolir de novo. Tudo o que escorre porque é desnecessário. O que transborda porque é excesso. E eu cismo em trazer de volta, eu cismo em recolher o que cai, na vã ilusão de que um dia o que sobra vai faltar. Pedi para o mar levar para os fundos tudo o que ele pode precisar e que exista em mim. Porque não quero só receber. Quero dar para abrir espaço para receber mais. Eu e o mar num escravos-de-jó eterno, é o que eu quero.
Chorei para ele. Devolvi com minha lágrima um pouco do sal que tirei. Prometi voltar mesmo que ele não lembre da minha cara. Mesmo que mais eu, menos eu, nada mude. O sol nasça e a maré desça e depois suba e o sol se ponha como em todos os dias. E a moça da fotótica continue a mesma, e a moça da loja azul também, agora com um filhinho, e a minha empregada também, igual, igual, totalmente diferente, meus olhos virgens desesperados para reter. Sei que quando for, metade fica, metade vai. Mas ainda assim eu vou inteira. Saudades não é a falta de algo. É o excesso desse algo em forma de pensamento.
Friday, December 30, 2005
fade in Brazil
Cheguei como se chegasse a uma reencarnação. Uma volta a uma vida que é minha e não me pertence. Essa foi a primeira impressão. Passados os primeiros sustos do passado, estou amando estar aqui. Estou amando o cheiro, as pessoas falando português a minha volta, até o calor, que costuma me irritar. Os pássaros que realmente cantam (lá, costumo dizer, eles são 'polite' demais para cantar), barulho de martelos - obras, obras, essa cidade nunca mais pára de crescer -, no começo tudo gritava. Agora estou me reacostumando. Os buracos no asfalto não são tão estarrecedores e as favelas não são mais outro mundo. É parte do meu mundo. Sempre foi. Muito foda chegar aqui com olhos virgens, olhos de bebê, desacostumado com o que é feio, pobre, sujo. Com o que é indecente mas se passa por decente. Como é que o brasileiro nem se abala mais? Como é que eu não me abalava? Será que vou ser para sempre uma sócio-chata se resolver voltar?
Estou amando tudo aqui. Amando as dores, até. Se sinto dor, é porque isso aqui ainda é meu. Se sinto dor, também sinto que eu ligo, sim, que é meu país que está fodido, apesar do futebol.
E tem todo mundo, né? As pessoas que vi. As pessoas com quem falei. Gente remota cuja voz reconheci. Gente próxima cuja voz desconheci - e doeu saber que um ano e meio é tempo suficiente para esquecer da voz de gente que eu amo. E toda aquela legião de amados querendo porque querendo me ver. E a legião de amados que decepcionam - olha, continuo amando vocês, mas amor não é eterno, não temos mais 15 anos, façavor de cultivar.
Foi especial ver tanta gente no happy hour queridamente organizado por minha irmã. Foi especial ver que cada rostinho mudou tanto e continua igual. Que as vidas mudaram tanto e continuam iguais. Que eu mesma, a seus olhos, mudei tanto e continuo igual.
Ainda não acabou. Estou no começo de tudo. Viajando, pegando uma cor. Combinando de encontrar e reencontrar pessoas que nem sei se vão realmente me ver. Eu quero encontrar todas.
Agora, puramente, um feliz 2006 para quem está por aqui. Celebremos a tragédia que foi 2005. Pior que esse ano não dá para ser. Que venha 2006, então, um ano que já chega mimado e cheio de expectativas. Um ano que traz consigo a obrigação de ser melhor. A obrigação de ser saudável e inesquecível. Vai ser.
Estou amando tudo aqui. Amando as dores, até. Se sinto dor, é porque isso aqui ainda é meu. Se sinto dor, também sinto que eu ligo, sim, que é meu país que está fodido, apesar do futebol.
E tem todo mundo, né? As pessoas que vi. As pessoas com quem falei. Gente remota cuja voz reconheci. Gente próxima cuja voz desconheci - e doeu saber que um ano e meio é tempo suficiente para esquecer da voz de gente que eu amo. E toda aquela legião de amados querendo porque querendo me ver. E a legião de amados que decepcionam - olha, continuo amando vocês, mas amor não é eterno, não temos mais 15 anos, façavor de cultivar.
Foi especial ver tanta gente no happy hour queridamente organizado por minha irmã. Foi especial ver que cada rostinho mudou tanto e continua igual. Que as vidas mudaram tanto e continuam iguais. Que eu mesma, a seus olhos, mudei tanto e continuo igual.
Ainda não acabou. Estou no começo de tudo. Viajando, pegando uma cor. Combinando de encontrar e reencontrar pessoas que nem sei se vão realmente me ver. Eu quero encontrar todas.
Agora, puramente, um feliz 2006 para quem está por aqui. Celebremos a tragédia que foi 2005. Pior que esse ano não dá para ser. Que venha 2006, então, um ano que já chega mimado e cheio de expectativas. Um ano que traz consigo a obrigação de ser melhor. A obrigação de ser saudável e inesquecível. Vai ser.
Monday, December 19, 2005
esperando na janela
Que estranho... Eu jurava que tinha escrito outro post. Devo ter sonhado. Ultimamente meus sonhos tem invadido a realidade. Soh consigo descobrir quando algo assim acontece. Essa noite, sonhei que vomitava. Um vomito pequeno, que dava para segurar na boca. Acordei checando o travesseiro.
Estou ridiculamente ansiosa. Fico checando se lembrei de tudo o tempo todo. Sinto falta de ar de pensar nas coisinhas brasileiras que vou estar fazendo em breve. Amanha eu embarco, depois de amanha estou ai, a 12 horas de distancia, no sol, na poluicao, na pobreza, no biquini. Vou para ver se volto, tambem. Vou para testar. Vou para ver se eh possivel ser ainda mais feliz ou ainda mais triste. Vou para carregar coisas e recarregar baterias.
e depois volto. Mas agora nao eh hora de pensar nisso. Agora eh hora de pensar em nao perder o trem para o aeroporto, nao perder o check-in, nao perder a cabeca. Depois, cuidar para nao desmaiar, ou vomitar, ou panicar.
E depois cuidar do sol, que vai estar forte mesmo que esteja fraco, porque minha pele se acostumou com tudo o que eh cinza e frio. Mesmo apos a burrada de sabado, quando inventei de fazer bronzeamento artificial sem saber direito o que estava fazendo (como quase tudo o que faco). Me meti na cama, 12 minutos, nao passei nada. Resultado: fiquei roxa. Inteirinha, ja que a porra da sunbed eh para se ir pelada. Mas ja melhorou, quase passou.
Nao vejo a hora de estar com voces!
Estou ridiculamente ansiosa. Fico checando se lembrei de tudo o tempo todo. Sinto falta de ar de pensar nas coisinhas brasileiras que vou estar fazendo em breve. Amanha eu embarco, depois de amanha estou ai, a 12 horas de distancia, no sol, na poluicao, na pobreza, no biquini. Vou para ver se volto, tambem. Vou para testar. Vou para ver se eh possivel ser ainda mais feliz ou ainda mais triste. Vou para carregar coisas e recarregar baterias.
e depois volto. Mas agora nao eh hora de pensar nisso. Agora eh hora de pensar em nao perder o trem para o aeroporto, nao perder o check-in, nao perder a cabeca. Depois, cuidar para nao desmaiar, ou vomitar, ou panicar.
E depois cuidar do sol, que vai estar forte mesmo que esteja fraco, porque minha pele se acostumou com tudo o que eh cinza e frio. Mesmo apos a burrada de sabado, quando inventei de fazer bronzeamento artificial sem saber direito o que estava fazendo (como quase tudo o que faco). Me meti na cama, 12 minutos, nao passei nada. Resultado: fiquei roxa. Inteirinha, ja que a porra da sunbed eh para se ir pelada. Mas ja melhorou, quase passou.
Nao vejo a hora de estar com voces!
Monday, December 12, 2005
Menos um
Menos um. Foi a temperatura nessa madrugada. E a idiota saiu sem cachecol. Minha cabeca estah assim. Funciona em meia-fase. Lembro de coisas extremamente esqueciveis; esqueco as memoraveis. Ansiedade eh isso.
Ja comprei quase tudo que queria comprar, mas ainda falta. Acho que vai sempre faltar. Acho que vou chegar no Brasil e lembrar que tenho alguem muito especial de quem nao lembrei quando estava aqui.
Estah dificil fazer qualquer coisa e eu soh falto implorar pro meu chefe me passar trabalho para fazer o tempo passar. Mas no momento ele estah comentando comigo como o ceu perto da casa dele ficou preto com as cinzas do petroleo da explosao de ontem. Alias, nada mudou. Ninguem morreu, todo mundo foi trabalhar, nenhum drama, really. Estamos mais longe do protocolo de Kyoto talvez. Uma pena.
E o fim de semana foi bom. Sexta fui a Wimbledon depois do trabalho. Comprei um sobretudo vermelho e deixei o cartao de credito na loja (tipico). Babai, babae, sem panica: estah lah, guardadinho, no cofre. Vou buscar hoje, exatamente na hora em que estiver me atrasando para ir ao curso da Birkbeck.
Na sexta mesmo fui a Greenwich com Mr Australia e uma amiga do trabalho que eu queria que encaixasse com ele. Acabou que nao rolou. Sim, juro, nao tem mais nada a ver, eu e ele. Ele continua um fofo. Mas nada a ver. Mesmo. Passou.
E depois foi casa e cama. Dormi ateh meio-dia de sabado. Fui encontrar Broo, Re e o Ma (que eh o alguma coisa da Broo) para fazer compras de natal. O inferno, o inferno. Primeiro, a patetica ideia de ir a Harrods. O inferno. Logo desistimos. Andamos, andamos, acabei comprando muito do que queria, mas nao do jeito que queria. Foi uma coisa meio deixa-eu-comprar-logo-para-me-livrar, em vez de compras com carinho. Sad but true. Devia ter me prevenido e feito compras antes.
Aih sabadanoite fomos para casa de Broo, onde a festa ficou por conta das calories: pizza e Banoffee pie (torta de banana e toffee, ouch!). E la se foi, lancado ao espaco, mais uma tentative de chegar ao Brasil um cheirinho mais fina.
Domingo trabalhei. Trabalhei, trabalhei, trabalhei. Cheguei em casa e cozinhei. Assisti a um filme que ja havia assistido. Um domingo igual aos outros.
E estou aqui, agora, esperando meu chefe revisar meu ingles para uma propaganda que eu quero mandar ainda essa semana. Enquanto isso ele fala de quao feliz estah porque a BBC vai reprisar a serie preferida dele.
Eu deveria ficar feliz, nao? Todo mundo fica feliz quando tem um chefe assim, que trabalha um ‘cadim, conversa um ‘cadim. Acho que estou de fato ansiosa demais.
Ja comprei quase tudo que queria comprar, mas ainda falta. Acho que vai sempre faltar. Acho que vou chegar no Brasil e lembrar que tenho alguem muito especial de quem nao lembrei quando estava aqui.
Estah dificil fazer qualquer coisa e eu soh falto implorar pro meu chefe me passar trabalho para fazer o tempo passar. Mas no momento ele estah comentando comigo como o ceu perto da casa dele ficou preto com as cinzas do petroleo da explosao de ontem. Alias, nada mudou. Ninguem morreu, todo mundo foi trabalhar, nenhum drama, really. Estamos mais longe do protocolo de Kyoto talvez. Uma pena.
E o fim de semana foi bom. Sexta fui a Wimbledon depois do trabalho. Comprei um sobretudo vermelho e deixei o cartao de credito na loja (tipico). Babai, babae, sem panica: estah lah, guardadinho, no cofre. Vou buscar hoje, exatamente na hora em que estiver me atrasando para ir ao curso da Birkbeck.
Na sexta mesmo fui a Greenwich com Mr Australia e uma amiga do trabalho que eu queria que encaixasse com ele. Acabou que nao rolou. Sim, juro, nao tem mais nada a ver, eu e ele. Ele continua um fofo. Mas nada a ver. Mesmo. Passou.
E depois foi casa e cama. Dormi ateh meio-dia de sabado. Fui encontrar Broo, Re e o Ma (que eh o alguma coisa da Broo) para fazer compras de natal. O inferno, o inferno. Primeiro, a patetica ideia de ir a Harrods. O inferno. Logo desistimos. Andamos, andamos, acabei comprando muito do que queria, mas nao do jeito que queria. Foi uma coisa meio deixa-eu-comprar-logo-para-me-livrar, em vez de compras com carinho. Sad but true. Devia ter me prevenido e feito compras antes.
Aih sabadanoite fomos para casa de Broo, onde a festa ficou por conta das calories: pizza e Banoffee pie (torta de banana e toffee, ouch!). E la se foi, lancado ao espaco, mais uma tentative de chegar ao Brasil um cheirinho mais fina.
Domingo trabalhei. Trabalhei, trabalhei, trabalhei. Cheguei em casa e cozinhei. Assisti a um filme que ja havia assistido. Um domingo igual aos outros.
E estou aqui, agora, esperando meu chefe revisar meu ingles para uma propaganda que eu quero mandar ainda essa semana. Enquanto isso ele fala de quao feliz estah porque a BBC vai reprisar a serie preferida dele.
Eu deveria ficar feliz, nao? Todo mundo fica feliz quando tem um chefe assim, que trabalha um ‘cadim, conversa um ‘cadim. Acho que estou de fato ansiosa demais.
Thursday, December 08, 2005
a farsa
Eu estou evitando de todas as maneiras me considerer uma farsa. Anoto tudo o que aprendo, faco tudo o que me pedem, estou sempre alerta e solicita. Aprendo rapido, faco perguntas inteligentes, respondo o que o chefe quer ouvir. Voce nao quer um funcionario assim? Essa sou eu. Eu e minha tentative de nao me achar uma farsa. Mas acho que ela eh inerente ao ser humano (ou “cerumano”, como li uma vez). Ja se passaram mais de tres horas do meu dia no trabalho e nao fiz absolutamente nada porque nao ha nada a fazzer. Preciso esperar meu chefe terminar o que for que ele tenha que terminar para poder seguir com explicacoes sobre minha campanha. Ja fiz tudo o que podia fazer, agora ele precisa me pegar pela mao e ir.
Enquanto isso nao acontece, fico navegando, lendo artigos de todo o genero, atualizando um ou outro email, indo ao banheiro, tomando café. E ai fica bem dificil nao ser inundada pela pesarosa sensacao de ser uma farsa.
Voltemos aos meus impulsos ansioliticos. Eu nao estou mais me aguentando para ir ao Brasil. Nao penso em outra coisa. Uma pentelha. Vira e mexe recebo um convite para uma festa no dia 20/12 e abro aquele sorrisao: “Oh, sorry, I’m not gonna make it, I’ll be flying by then!” Ou para o Natal ou para o Ano Novo. Varios convites. Minha prima Emily me convidou par air para o sulo ds Franca. Meu tio me chamou para a Madeira. Fora os convites de festinha em Londres. Mas nenhum deles me deu agua na boca. Nada como ir pra minha terrinha, onde la em casa eh la em casa mesmo.
**
Falando em ansiedade, uma outra agitacao foi aliviada. Ontem fui conhecer a casa nova do Chris. E, er, conheci a casa do Chris. Foi bom.
Enquanto isso nao acontece, fico navegando, lendo artigos de todo o genero, atualizando um ou outro email, indo ao banheiro, tomando café. E ai fica bem dificil nao ser inundada pela pesarosa sensacao de ser uma farsa.
Voltemos aos meus impulsos ansioliticos. Eu nao estou mais me aguentando para ir ao Brasil. Nao penso em outra coisa. Uma pentelha. Vira e mexe recebo um convite para uma festa no dia 20/12 e abro aquele sorrisao: “Oh, sorry, I’m not gonna make it, I’ll be flying by then!” Ou para o Natal ou para o Ano Novo. Varios convites. Minha prima Emily me convidou par air para o sulo ds Franca. Meu tio me chamou para a Madeira. Fora os convites de festinha em Londres. Mas nenhum deles me deu agua na boca. Nada como ir pra minha terrinha, onde la em casa eh la em casa mesmo.
**
Falando em ansiedade, uma outra agitacao foi aliviada. Ontem fui conhecer a casa nova do Chris. E, er, conheci a casa do Chris. Foi bom.
Tuesday, December 06, 2005
tudo de novo no front
O sumico tem explicacao obvia: trabalho, trabalho, trabalho. Animo zero de chegar em casa e ligar o computador depois de oito horas com olhos grudados na tela. Mas ca estou, sorrateiramente escrevendo no meu lunch break. Para voces terem uma ideia do quanto valem. Parte do meu lunch break vale muito.
Estah tudo bem aqui na WK. A responsabilidade que tenho que assumir eh grande, bem maior do que estava acostumada em meu antigo emprego, onde era apenas uma assistente de Marketing. Agora, tenho meus produtos, um budget, um target. Tudo dependendo de mim. Nao faco ideia do que esteja fazendo mas estou gostando mesmo assim. Ganho bem, as pessoas aqui sao legais e quero aprender a fazer essa coisa direito. Precisa mais?
Faltam 15 dias para eu chegar na terrinha. Duas semanas e um dia. Todo mundo disse que passaria rapido. Ateh agora, parece que o tempo se arrasta, tenta segurar nas paredes, luta contra passer, luta para ficar. Mas me disseram que a ultima semana passa ventando e voce acaba nao fazendo tudo o que tem que fazer. Tomara.
E agora vou la comer. Essa semana deve ser toda agitadinha. Drinks, jantares, Xmas Parties. Vamos ver se eu aguento.
Estah tudo bem aqui na WK. A responsabilidade que tenho que assumir eh grande, bem maior do que estava acostumada em meu antigo emprego, onde era apenas uma assistente de Marketing. Agora, tenho meus produtos, um budget, um target. Tudo dependendo de mim. Nao faco ideia do que esteja fazendo mas estou gostando mesmo assim. Ganho bem, as pessoas aqui sao legais e quero aprender a fazer essa coisa direito. Precisa mais?
Faltam 15 dias para eu chegar na terrinha. Duas semanas e um dia. Todo mundo disse que passaria rapido. Ateh agora, parece que o tempo se arrasta, tenta segurar nas paredes, luta contra passer, luta para ficar. Mas me disseram que a ultima semana passa ventando e voce acaba nao fazendo tudo o que tem que fazer. Tomara.
E agora vou la comer. Essa semana deve ser toda agitadinha. Drinks, jantares, Xmas Parties. Vamos ver se eu aguento.
Wednesday, November 30, 2005
o sorriso no rosto cansado
Começou a ventar mesmo e meu coração não pára mais. Quanto mais quieta eu fico, menos escuto. Não deveria ser assim. Mas eu vou tirar o dedão da tecla espaço. Vou revolucionar essa merdinha de mundo meu.
Amanhã começo o novo trabalho. Vai dar certo mesmo que dê errado. A três semanas de ir para o Brasil, fica difícil tirar o sorriso do meu rosto cansado.
Mas vez ou outra acontece.
A gente sempre recebe as notícias mais doídas quando não agüentamos mais doer? Tá certo que eu tenho doído pouco, mas simplesmente porque minha cota para esse ano foi atingida, tipo, no primeiro semestre. E tudo o que houve de ruim no segundo semestre fica de quitação da dívida da vida para comigo para 2006. Eu deixei que a vida me fodesse de propósito, para fazer do que vem agora algo mais especial.
Eu desci degraus despencando. Está na hora descer como uma mocinha. Não preciso ser arrastada para a realidade. Vou sozinha, a meu tempo, o sorriso no rosto cansado.
Acho que estou viciada em saudades. Cada vez que chega mais perto de eu matá-la, mais eu a sinto pulsando, quase que uma entidade fora de mim que me assombra e me testa e me sangra.
Meu estômago, um poço de adrenalina com caroços de expectativa e medo. Será que ainda sou eu mesma para quem me conheceu antes de eu vir para cá? Sou tão volúvel assim? Gosto das mesmas coisas? Me incomodo com os mesmos cheiros? Escrevo do mesmo jeito? Me digam, escrevo do mesmo jeito?
Amanhã começo o novo trabalho. Vai dar certo mesmo que dê errado. A três semanas de ir para o Brasil, fica difícil tirar o sorriso do meu rosto cansado.
Mas vez ou outra acontece.
A gente sempre recebe as notícias mais doídas quando não agüentamos mais doer? Tá certo que eu tenho doído pouco, mas simplesmente porque minha cota para esse ano foi atingida, tipo, no primeiro semestre. E tudo o que houve de ruim no segundo semestre fica de quitação da dívida da vida para comigo para 2006. Eu deixei que a vida me fodesse de propósito, para fazer do que vem agora algo mais especial.
Eu desci degraus despencando. Está na hora descer como uma mocinha. Não preciso ser arrastada para a realidade. Vou sozinha, a meu tempo, o sorriso no rosto cansado.
Acho que estou viciada em saudades. Cada vez que chega mais perto de eu matá-la, mais eu a sinto pulsando, quase que uma entidade fora de mim que me assombra e me testa e me sangra.
Meu estômago, um poço de adrenalina com caroços de expectativa e medo. Será que ainda sou eu mesma para quem me conheceu antes de eu vir para cá? Sou tão volúvel assim? Gosto das mesmas coisas? Me incomodo com os mesmos cheiros? Escrevo do mesmo jeito? Me digam, escrevo do mesmo jeito?
Escócia e Irlanda
Achem o álbum "Escocia e...", cuja capa duas meninas fofas e bochechudas ilustram. O link é esse aqui. Divirtam-se!
Monday, November 28, 2005
das coisas escondidas atrás da cabeça
Hoje saía do curso de Imprensa Britânica na University of London com minha colega Emma, uma garota brilhante que anunciou que conseguiu um novo emprego numa revista financeira. Ela disse que, apesar de o emprego ser legal, ela vai começar lá embaixo, na base da hierarquia. E eu, sem nem perceber, soltei uma verdade linda, que deveria, inclusive, servir para mim: "É bem melhor olhar para o topo da montanha com preguiça de escalar, mas enfim escalar; que ser jogada no meio da escalada e ficar o tempo todo com medo de cair, afinal você ainda não conhece a montanha".
Que bonito. Ela olhou para mim. Eu calei a boca e olhei para ela. Ela sorriu: "For fuck's sake, é a mais pura verdade".
Eu queria muitas vezes entender as coisas que eu falo como as outras pessoas entendem. É legal me ver de fora, parece. Eu também quero achar legal.
E falando em curso, recebi meu essay de volta, corrigido ou, como prefere o professor, "comentado". Com nota e tudo. Dizem as boas línguas que minha nota foi das mais altas. O comentário foi favorável mesmo, com críticas esperadas, como das minhas longas (e portuguesas) frases e da minha vontade de querer dizer várias coisas ao mesmo tempo. Sim, sim, sou ansiosa até em ensaios.
Mas tá beleza. Fiquei satisfeita com o resultado. "Um ótimo começo", disse Prof. Caplan.
**
Vocês têm noção de que em 23 dias estou aí? Meda, pânica, horrora, desespera, socorra, não vou conseguir nem a pau nem a pedra emagrecer como queria. Hoje mesmo, do alto de meu regime, engoli quase sem sentir o gosto um pedaço de bolo de chocolate pelo aniversário da Louise, uma Manager lá da Cannons.
E agora começo a pensar no que levar para o Brasil. Não tenho roupas de verão. Não tenho idéias. Não tenho nem vontade. Quero fazer uma mochila e ir. E só depois me preocupar em como voltar. Mas não vai ser assim. De uma coisa eu sei: vou contrabandear Havaianas. Comprar a dérreal e vender a £8. Aiai.
E já podem ir me informando quando estarão por Sampa para me visitar. Fim de ano toido mundo zarpa, mas quero todos os meus amados comigo, pelo menos por um fim de semana. Façavor então. Meu aniversário, 11 de janeiro, podem reservar. Quem disser que não pode vai realmente me emputecer. Vocês sabem (ou não) do que sou capaz emputecida.
**
Quinta-feira começo meu novo emprego. Vamos chamá-lo de WK, para deixar tudo mais fácil (o nome da maledeta é Wolters Kluwer, no one deserves ter que escrever isso toda vez). Tô meio que borrando as calças. Uma mistura de ansiedade boa, recomeço; com uma ansiedade ruim, traumas da nossa amiga BMI. Um medo daqueles bem Bia de não estar de acordo com as expectativas alheias. De novamente me descobrir uma farsa de, yadda yadda, lá vou eu outra vez me convencer de que o mundo está errado de me ver como sou, na pretensão autista de saber, só eu, quem realmente sou.
Não, de novo não. Prometo evitar doravante.
**
Fim de semana todo gostoso, a não ser por um detalhe de domingo à noite. Sábado aquela palhaçada de ter que trabalhar. Eu fiquei meio doente, estranha, não sei. Resistência baixa, me arrastei pela academia e pela piscina e pelo clientes, com um sorriso doído no rosto. O corpo todo dolorido, implorando sossego. Claro que não dei. Saí do trabalho às 6pm e fui para Leicester Square, encontrar Broo e Renata para comermos um japa. Olha, que japa fenomenal aquele. Então fizemos umas extravagâncias em lojinhas e viemos aqui para casa. Elas se divertiram com a Sky. Eu, já mais para lá do que para cá, despenquei.
Dia seguinte fomos a Greenwich. Olha, desculpem, quem não vai a Greenwich não conhece Londres direito. Sério. E agora Greenwich fica walking distance de casa. Um mercado liiiiindo, cheio de coisas compráveis (eu me segurei, foram só dois livrinhos). Um parque todo cores de outono, esquilos, crianças almofadadas e cachorros correndo atrás do rabo de outros cachorros. Aquela cena de cinema. Subimos até o Royal Observatory, onde passa o meridiano de Greenwich, e ficamos com um pé no oriente e o outro no ocidente, e o mundo realmente parecia que estava prestes a mudar toda vez que eu passava para o outro lado. Um balé de iminências na minha cabeça.
Voltamos para casa, onde Mr Austrália cozinharia seu Lamb Perfeito. Na verdade, ele já cozinhou melhores. Mas a abóbora estava algo assim entre o sublime e o carnal. Alucinantemente bom, como nunca cogitamos ser possível com uma abóbora.
Comemos, tudo muito bom, tudo muito bem. Aquela horinha pós-refeição e tal. Fomos para fora de casa. Frio. Entramos. Quente. Sentei. Comecei a me sentir estranha. Eis o detalhe de domingo à noite que impediu que meu fim de semana fosse, enfim, depois de muito tempo, finalmente, bom.
Pânico. Mas dessa vez foi sério. Me tranquei no banheiro. Tudo sumiu, comecei a suar, respirar acelerado, meu coração gelado no meio do meu sangue quente. O peito apertado e ao mesmo tempo querendo estourar minha pele. Tudo desconfortável no saco que carrega meus órgãos. Sentei na provada. Sentei no chão. Levantei. Sentei de novo. Me olhei no espelho. BRANCA. Comecei a chorar, aquele choro seco de desespero. Vou ficar aqui até passar. Melhorou. Desço. Piorou. Mas não subo. Fico. Sento. Tento entender. Broo e Rê cada uma com uma mão. As palavras saindo da minha boca bem antes do que o planejado. Ou chegando aos meus ouvidos depois do que deveriam.
Tentei ignorar, mas minha mão tremia. Um tremor forte, que chegou a me impedir de dar uma garfada no doce que as meninas tentaram me enfiar goela abaixo.
Nada pior que estar atenta a todo e qualquer potencial problema no seu corpo. Pânico, entre outras coisas, é fechar o ouvido para o que está fora, fechar a cabeça para as razões do mundo, e criar suas próprias razões e sensações, e diagnosticar, e ouvir apenas o que se passa dentro. Autismo mesmo. Não queria me ver nesse estado.
Agora PASSOU. Não precisam se preocupar. E eu tive todo o suporte de que precisei.
**
Myriam de volta ao Brasil. Mais uma que se vai.
**
Se eu realmente conseguir encontrar no Brasil todo mundo que está falando que eu vou encontrar, vai ser difícil voltar...
Que bonito. Ela olhou para mim. Eu calei a boca e olhei para ela. Ela sorriu: "For fuck's sake, é a mais pura verdade".
Eu queria muitas vezes entender as coisas que eu falo como as outras pessoas entendem. É legal me ver de fora, parece. Eu também quero achar legal.
E falando em curso, recebi meu essay de volta, corrigido ou, como prefere o professor, "comentado". Com nota e tudo. Dizem as boas línguas que minha nota foi das mais altas. O comentário foi favorável mesmo, com críticas esperadas, como das minhas longas (e portuguesas) frases e da minha vontade de querer dizer várias coisas ao mesmo tempo. Sim, sim, sou ansiosa até em ensaios.
Mas tá beleza. Fiquei satisfeita com o resultado. "Um ótimo começo", disse Prof. Caplan.
**
Vocês têm noção de que em 23 dias estou aí? Meda, pânica, horrora, desespera, socorra, não vou conseguir nem a pau nem a pedra emagrecer como queria. Hoje mesmo, do alto de meu regime, engoli quase sem sentir o gosto um pedaço de bolo de chocolate pelo aniversário da Louise, uma Manager lá da Cannons.
E agora começo a pensar no que levar para o Brasil. Não tenho roupas de verão. Não tenho idéias. Não tenho nem vontade. Quero fazer uma mochila e ir. E só depois me preocupar em como voltar. Mas não vai ser assim. De uma coisa eu sei: vou contrabandear Havaianas. Comprar a dérreal e vender a £8. Aiai.
E já podem ir me informando quando estarão por Sampa para me visitar. Fim de ano toido mundo zarpa, mas quero todos os meus amados comigo, pelo menos por um fim de semana. Façavor então. Meu aniversário, 11 de janeiro, podem reservar. Quem disser que não pode vai realmente me emputecer. Vocês sabem (ou não) do que sou capaz emputecida.
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Quinta-feira começo meu novo emprego. Vamos chamá-lo de WK, para deixar tudo mais fácil (o nome da maledeta é Wolters Kluwer, no one deserves ter que escrever isso toda vez). Tô meio que borrando as calças. Uma mistura de ansiedade boa, recomeço; com uma ansiedade ruim, traumas da nossa amiga BMI. Um medo daqueles bem Bia de não estar de acordo com as expectativas alheias. De novamente me descobrir uma farsa de, yadda yadda, lá vou eu outra vez me convencer de que o mundo está errado de me ver como sou, na pretensão autista de saber, só eu, quem realmente sou.
Não, de novo não. Prometo evitar doravante.
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Fim de semana todo gostoso, a não ser por um detalhe de domingo à noite. Sábado aquela palhaçada de ter que trabalhar. Eu fiquei meio doente, estranha, não sei. Resistência baixa, me arrastei pela academia e pela piscina e pelo clientes, com um sorriso doído no rosto. O corpo todo dolorido, implorando sossego. Claro que não dei. Saí do trabalho às 6pm e fui para Leicester Square, encontrar Broo e Renata para comermos um japa. Olha, que japa fenomenal aquele. Então fizemos umas extravagâncias em lojinhas e viemos aqui para casa. Elas se divertiram com a Sky. Eu, já mais para lá do que para cá, despenquei.
Dia seguinte fomos a Greenwich. Olha, desculpem, quem não vai a Greenwich não conhece Londres direito. Sério. E agora Greenwich fica walking distance de casa. Um mercado liiiiindo, cheio de coisas compráveis (eu me segurei, foram só dois livrinhos). Um parque todo cores de outono, esquilos, crianças almofadadas e cachorros correndo atrás do rabo de outros cachorros. Aquela cena de cinema. Subimos até o Royal Observatory, onde passa o meridiano de Greenwich, e ficamos com um pé no oriente e o outro no ocidente, e o mundo realmente parecia que estava prestes a mudar toda vez que eu passava para o outro lado. Um balé de iminências na minha cabeça.
Voltamos para casa, onde Mr Austrália cozinharia seu Lamb Perfeito. Na verdade, ele já cozinhou melhores. Mas a abóbora estava algo assim entre o sublime e o carnal. Alucinantemente bom, como nunca cogitamos ser possível com uma abóbora.
Comemos, tudo muito bom, tudo muito bem. Aquela horinha pós-refeição e tal. Fomos para fora de casa. Frio. Entramos. Quente. Sentei. Comecei a me sentir estranha. Eis o detalhe de domingo à noite que impediu que meu fim de semana fosse, enfim, depois de muito tempo, finalmente, bom.
Pânico. Mas dessa vez foi sério. Me tranquei no banheiro. Tudo sumiu, comecei a suar, respirar acelerado, meu coração gelado no meio do meu sangue quente. O peito apertado e ao mesmo tempo querendo estourar minha pele. Tudo desconfortável no saco que carrega meus órgãos. Sentei na provada. Sentei no chão. Levantei. Sentei de novo. Me olhei no espelho. BRANCA. Comecei a chorar, aquele choro seco de desespero. Vou ficar aqui até passar. Melhorou. Desço. Piorou. Mas não subo. Fico. Sento. Tento entender. Broo e Rê cada uma com uma mão. As palavras saindo da minha boca bem antes do que o planejado. Ou chegando aos meus ouvidos depois do que deveriam.
Tentei ignorar, mas minha mão tremia. Um tremor forte, que chegou a me impedir de dar uma garfada no doce que as meninas tentaram me enfiar goela abaixo.
Nada pior que estar atenta a todo e qualquer potencial problema no seu corpo. Pânico, entre outras coisas, é fechar o ouvido para o que está fora, fechar a cabeça para as razões do mundo, e criar suas próprias razões e sensações, e diagnosticar, e ouvir apenas o que se passa dentro. Autismo mesmo. Não queria me ver nesse estado.
Agora PASSOU. Não precisam se preocupar. E eu tive todo o suporte de que precisei.
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Myriam de volta ao Brasil. Mais uma que se vai.
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Se eu realmente conseguir encontrar no Brasil todo mundo que está falando que eu vou encontrar, vai ser difícil voltar...
Wednesday, November 23, 2005
fim de outono
Voltar foi difícil. Sinal de que a viagem foi boa. Boa demais. Edinburgo é uma cidade absurdamente fofa, é toda escurinha, como se fosse de brinquedo, tirada de uma história da carochinha mesmo. Dizem que a cidade é assombrada - mais um de seus charmes. Ela é fria, mas o povo é quente. Acho que por sobrevivência eles têm que ser mesmo. Dias ainda mais curtos que os londrinos, mas sol, sol, céu sem uma única nuvem. Poçass d'água congeladas, tartan para todos os lados, gaita de fole tocando em todo lugar, homens de saia - eu nunca pensei que fosse achar homem de saia charmoso. Ainda quero voltar para a Escócia, visitar os lagos de Inverness e dar um pulo em Glasgow. Quem sabe numa época um pouquinho mais quente.
Irlanda também é linda. Para falar a verdade mesmo, foi meio decepcionante. Acho que eu tava esperando demais. Mas fizemos tudo conforme o figurino. Visitamos igrejas e castelos, batemos muita perna, fomos em pubs na fábrica da Guiness em Dublin e beijamos a pedra de Blarney, no castelo de Blarney, o melhor programa da viagem, na minha opinião - mesmo minha câmera digital tendo despencado uns 20m, do alto da torre do castelo. Fiquei amiga de um velhinho no ônibus de Dublin a Cork, um velhinho veterinário e fazendeiro que mora numa cidade perdida no centro da Irlanda. Conhecemos pessoas estranhas também pelos albergues. Albergue é albergue, né, minha gente... Aquela palhaçada de chegar no quarto e ter gente dormindo na sua cama, ou de não suportar os cheiros do próximo, tudo esperado e, obviamente, concretizado.
Broo é uma ótima companhia de viagem. Temos o mesmo pique, as mesmas vontades, as mesmas neuras e o mesmo timing. Claro que ela sempre demora mais para se vestir, mas isso desde que vim ao mundo é assim. Não sou de muita enrolação e já cresci sabendo esperar o outro que, dentro de sua humanidade, não faz tudo voando feito eu.
Fotos em breve no meu albinho virtual.
Ah, e o trampo na editora foi confirmado. A partir de 1o. de dezembro sou uma executivammmmm de marketingmmmmmmm. Palmas para mim, que vou ao Brasil sem precisar em como correr atrás do prejú quando voltar.
Faltam 28 dias. Estou começando a ficar assustada.
Irlanda também é linda. Para falar a verdade mesmo, foi meio decepcionante. Acho que eu tava esperando demais. Mas fizemos tudo conforme o figurino. Visitamos igrejas e castelos, batemos muita perna, fomos em pubs na fábrica da Guiness em Dublin e beijamos a pedra de Blarney, no castelo de Blarney, o melhor programa da viagem, na minha opinião - mesmo minha câmera digital tendo despencado uns 20m, do alto da torre do castelo. Fiquei amiga de um velhinho no ônibus de Dublin a Cork, um velhinho veterinário e fazendeiro que mora numa cidade perdida no centro da Irlanda. Conhecemos pessoas estranhas também pelos albergues. Albergue é albergue, né, minha gente... Aquela palhaçada de chegar no quarto e ter gente dormindo na sua cama, ou de não suportar os cheiros do próximo, tudo esperado e, obviamente, concretizado.
Broo é uma ótima companhia de viagem. Temos o mesmo pique, as mesmas vontades, as mesmas neuras e o mesmo timing. Claro que ela sempre demora mais para se vestir, mas isso desde que vim ao mundo é assim. Não sou de muita enrolação e já cresci sabendo esperar o outro que, dentro de sua humanidade, não faz tudo voando feito eu.
Fotos em breve no meu albinho virtual.
Ah, e o trampo na editora foi confirmado. A partir de 1o. de dezembro sou uma executivammmmm de marketingmmmmmmm. Palmas para mim, que vou ao Brasil sem precisar em como correr atrás do prejú quando voltar.
Faltam 28 dias. Estou começando a ficar assustada.
Tuesday, November 15, 2005
antes de partir
Último post antes de ir para Escócia + Irlanda. Vocês querem saber a previsão do tempo?
Quinta-feira, snow showers em Edinburgh, onde chegamos. Sexta, sol (sensação térmica de 0oC). Sábado, mostly cloudy em Dublin (pelo menos a temperatura é de 4 a 11oC). Domingo e segunda alternando nuvens e sol em Cork, temperatura sobe (6 a 10oC, maravilha).
Pelo menos não vai chover, segundo os meteorologistas.
Estou toda empacotada já. Meu agasalho mais quente (e um dos mais feios também) já está separado. Meias-calças de lã, bota de neve comprada no Brasil (?), pijama de flanela, gorro, cachecóis, tudo, não estou esquecendo nada. Sou dessas pessoas irritantes que sabem que não esqueceram nada antes de viajar, ao contrário de quase toda a humanidade. Como sou especial.
Amanhã vou trabalhar com a mala já. Saio de lá e vou para a Bru, onde passo a noite - ou metade dela, já que acordamos às 5h para ir ao aeroporto. Não vejo a hora. Eu mereço tanto. Mas taaaanto.
Quando voltar prometo relatos detalhados. Podem cobrar.
Quinta-feira, snow showers em Edinburgh, onde chegamos. Sexta, sol (sensação térmica de 0oC). Sábado, mostly cloudy em Dublin (pelo menos a temperatura é de 4 a 11oC). Domingo e segunda alternando nuvens e sol em Cork, temperatura sobe (6 a 10oC, maravilha).
Pelo menos não vai chover, segundo os meteorologistas.
Estou toda empacotada já. Meu agasalho mais quente (e um dos mais feios também) já está separado. Meias-calças de lã, bota de neve comprada no Brasil (?), pijama de flanela, gorro, cachecóis, tudo, não estou esquecendo nada. Sou dessas pessoas irritantes que sabem que não esqueceram nada antes de viajar, ao contrário de quase toda a humanidade. Como sou especial.
Amanhã vou trabalhar com a mala já. Saio de lá e vou para a Bru, onde passo a noite - ou metade dela, já que acordamos às 5h para ir ao aeroporto. Não vejo a hora. Eu mereço tanto. Mas taaaanto.
Quando voltar prometo relatos detalhados. Podem cobrar.
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