Friday, October 31, 2008

brussels, my cheap love

Em Bruxelas, sem dinheiro. Tudo o que eu tinha eram 30 euros guardados de outras viagens. Chego aqui pra tirar dinheiro e, caralho, nao aceitam meu cartao. Gasto meus ultimos 2 euros num cybercafé MUITO fedido, que também é um off licence, e demoro horas pra digitar porque o teclado é todo trocado. O que fiz com os outros 28 euros, voces perguntam. 7 de viagens de metro, 7 de qlmoco podreira, 5 num gorro que consegui perder no tempo recorde de 2 horas (mentira, esse NAO é o recorde) e mais 7 em um chocolate quente com waffle de Bruxelas (o quadrado com açucar).

O que fiz com meu dia? Andei muito, pela Gran Place, pelos parques que beiram o palacio real, pelas ruelas cheias de waffles e mendigos, pelo overrated Maneken Pis, por uma estatua em que todos passavam a mao e eu passei tb sem saber o que era. Quando cheguei no hotel, logo depois do almoco, dormi. Nao soh para o tempo passar aos que nao tem dinheiro, mas tb porque tive de acordar às 4:50 da matina para pegar o trem. Tive pesadelos nessa soneca da tarde mas ja passou. Pensando agora foi ateh engracado, mas fica para uma ocasiao com teclado decente que esse aqui ja me irritou a alma.

E apesar disso, e apesar de todas as pessoas dizendo pra fazer diferente, gostei de Bruxelas. é meio feia, no sentido de nao fazer muita questao de impressionar, mas ao mesmo tempo tem predios fantasticos espalhados. Tenho certeza de que ha muitas Bruxelas aqui. Meu palpite eh que quem vive aqui nao troca por nada.

E chega que a alma esta explodindo de irritacao com os dedos lentinhos nesse teclado torto.

Beijotchau.

Wednesday, October 29, 2008

singer in the snow

Sim, neve em outubro. Primeira vez que isso acontece em meus 4 anos e meio de Londres. Começou com chuva de granizo, dessas que machucam mesmo (eu sei porque estava na rua, eu e mais alguns desafortunados que andavam por Russell Square num trecho sem toldos ou lojinhas para entrar). Aí virou chuva. Quando saímos eu e ma'boy da casa do Henrique e da Carol para a despedida dela, ainda chovia. Quando jantávamos no Carluccio's para comemorar 2 anos de namoro, nevava. Neve mesmo. Flocos grandes que caem leves. Não foi fácil entender. Achei que não estaria mais em Londres quando caísse a próxima neve. Voltamos para casa; eu, encharcada e feliz.

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Os dias com Bathatha e Léo estão voando. No momento eles estão em Paris e eu trabalhando e resolvendo pendencinhas. Enquanto estavam aqui, fizemos o tradicional rolê turístico. Ficou faltando algumas coisas, tipo British Museum, Science Museum, Natural History Museum, Tate Britain, Hyde Park (pena que perdemos a Speaker's Corner).

Depois de amanhã parto pra Bruxelas de Eurostar e passearemos por lá e por Bruges até segunda.

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Resolvemos ma'boy e eu ir com os meus sogros para a Madeira no final do mês. Passagens compradas, Cliff Bay reservado. Não vejo a hora de voltar ao paraíso. Pela quarta vez em pouco mais de 4 anos. Uma ótima média.

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Quase fechando os tickets da Ásia. Detalhes seguem quando estiver tudo certo! De qualquer forma, agora sinto que é real. Entreguei ontem minha carta de demissão no trabalho. Meu último dia será 4 de janeiro. Agora sim, um proper countdown: 67 days and counting!

Thursday, October 23, 2008

inuteu

Aí que ontem me chacoalharam e depois jogaram num puta evento de Smartphone em Earls Court. Eu, meio do mato, com meu sapatênis Nike e meu coletinho Marks & Spencer surrado e sem dois dos três botões, fui. E fiquei rodando aquela porra e recolhendo brindes quando ninguém olhava, porque eu que não queria que viessem falar comigo.

Um show de desenvolvedores de tecnologias para celulares, minha gente. Empresas de GPS, de câmera de celular, de novos sistemas operacionais, yadda yadda. Não fazia a mais puta idéia do que estava fazendo lá. A não ser, claro, recolher brindes. E só pelo esporte mesmo, porque a maioria dos brindes, depois de conquistados, perderam a graça e foram deixados pra trás nas esquinas escuras do evento.

Aí eu achei o Organiser’s Office e resolvi que eu precisava me fazer útil. Comecei a ajudar a organizar os displays etc. Saí de lá 6 e meia pensando que a hérnia futura da organizadora do evento provelmente será a minha hérnia. Cheguei em casa ainda meio sem entender por que me mandaram pra esse evento. Perda do meu tempo e do dinheiro da empresa, claro, que me paga para fazer essas idiotices. Eu não entendo mesmo o mundo corporativo e estou considerando cada vez mais veementemente tirar um tempo para escrever meu livro e (sobre)viver de frilas.

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Hoje chegam Bathatha e Leo. Logo mais pousam em Heathrow e estarei com o celular por perto caso dê merda na imigração e eu tenha que ir até o aeroporto resgatá-los. Mas não vai dar problema nenhum. Amanhã estou de férias e segunda também, pra passear com os queridos.

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E pirando na viagem pra Ásia. Decidimos mudar de novo o roteiro. Tiramos Austrália e Nova Zelândia para baratear, para aproceitar mais a Ásia e para poder voltar pra Londres antes de ir pro Brasil de vez, de forma que poderemos levar coisas que otherwise despacharíamos por mais uma nota preta.

Estamos pensando em fazer assim: Índia e Nepal por umas 3 semanas, e de um mês e meio a dois meses para o sudeste asiático, incluindo: Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Malásia e Indonésia (Bali e Lombok). Voamos de volta a Londres de Kuala Lumpur ou Singapura. Ficamos de três dias a uma semana em good ol’ England e partimos finalmente para o Brasil.

AAAAHHHH.

Está acontecendo.

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Para os de Londres, estamos vendendo um monte de coisas. Tem algo que queiram comprar? Um liquidificador? Bicicleta? Patins? Máquina fotográfica? Luminárias, abajour, escrivaninha, sofá-cama? AAAAHHHH de novo. Mudamos dia 13 de novembro pra casa do vizinho que vai nos alugar o apê por um mês. Velhinho fofo, recusou-se a nos mostrar o apartamento ontem porque concluiu, depois de confabular com sua senhora, que “8 da noite é muito tarde”. Tem como ser mais vovô amado que isso?

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Que mais... Papito fez aniversário. Ele disse que odeia aniversário mas adora o rebuliço que se faz para ele, tenho certeza. Ele, melhor que ninguém, sabe apreciar uma boa FESTINHA.

Nada de Noah nascer e enquanto isso Bobby vai ficando imensa e inquieta. Angústia! Quero ver a cara do bichinho!

Que mais. Tô de saco cheio do trabalho, mas isso não é mais, isso é velho. Uns dias off vão ajudar a restabelecer o equilíbrio zen (rarrarra) mas ainda assim já comecei a contagem regressiva. Faltam dois meses e bem pouco.

Friday, October 17, 2008

Das mimagens do meu homem

Gente, depois eu é que sou a mimada. Dêem uma séria analisada no diálogo que se sucedeu.

Contexto: eu lendo na cama antes de dormir, homem entra no quarto e...

- Tá frio, né? – ele diz
- Tá. – eu digo
- Ligo o aquecedor?
- Não.
- (pequena pausa para analisar minha resposta e) SE EU QUISER EU LIGO!!!

Posso?

Thursday, October 16, 2008

adjuntos

Dor nas costas do tipo MEDO. Meio que no pulmão. Só sei que não posso morrer antes da minha viagem pela Ásia, antes de voltar pro Brasil, e antes de ser mãe. E antes de escrever um livro. E antes de ser avó, tentando chutar alto. Eu, do alto dos meus 28 anos, já penso em ser avó. Isso é que é gastar neurônios pensando, minha gente.

Bobby está para parir. Todo dia entro no Gtalk e espero ansiosamente bater umas 11, 11 e pouco da manhã (7, 7 e pouco no Brasil) para ver se ela entra. Pra mim, não entrou está parindo. Pequeno Noah virá ao mundo de Bobby a qualquer momento. Como gira esse mundo. Ontem mesmo dividíamos cama e desgraças na desgraçada Shadwell. Éramos pobres e felizes, mesmo quando não éramos (felizes, porque pobres, sempre).

Que mais.

Vou para Ásia só em janeiro. Para compensar a longa espera, vamos viajar por mais tempo do que estipulamos a princípio. Provavelmente dois meses, talvez até um chorinho a mais. Vamos ver. Esse fim de semana vamos na agência ver se compramos o ticket ou pelo menos acertamos o itinerário.

Brasil então, minhas crianças, só em março.

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Faltam 56 pounds pra pagar meu tênis. Que belezura.

E falta uma semana para a vinda de Bathatha e Leo. Nem acredito que essa vaca amada vem!

O que mais falta... 12 dias para eu e meu menino completarmos 2 anos da mais feliz e doce união. Ele ainda não sabe, mas vai me levar para jantar nesse dia.

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Meu primo vai casar. O Rols. Aquele que foi um amado logo que cheguei no UK e me ciceroneou e me enturmou e me afofou.

Conheceu Danielle, 31, nos EUA no deserto de Nevada. Ele ajudou ela a montar sua barraca de acampamento e, voilá, 6 semanas depois eles anunciam o casório, que ocorrerá num cartório em baixo da Golden Gate, em São Francisco, no dia 30 deste mês. Nada de conhecer a família do outro. Só os dois tentando se bastar. Felizes são eles que têm um coração correndo e levando o corpo atrás.

Wednesday, October 15, 2008

aiai.

varias coisas.

varias.

Thursday, October 02, 2008

terceiras pessoas

Quase que não era eu escrevendo o email. Sempre fui assim: quando preciso fazer algo que exija um pouco de guts, resolvo o problema saindo de mim, olhando pra minha vida em terceira pessoa. Sempre funcionou para tirar peso de situações desnecessariamente carregadas. E sempre fiz uma puta tempestade em copo d’água, e sempre matei formiga a tiro de canhão. Se você é assim, dica: saia de você de vez em quando para agüentar as verdadeiras tempestades e as formigas gigantes (er...).

E foi o que fiz quando precisei de um pouco menos de mim e de minha ansiedade para mandar um email pro meu chefe. Coisa boba:

Hi Stuart,

Can we have a quick chat when you have 5 min?

Thanks

E o problema nem foi escrever, o problema foi mandar. Porque agora depende dele responder. E quando ele vier e falar, vamos ali conversar, terei de ir, e terei de falar. Que vou. Não sei quando, mas vou. Antes do final do ano, vou. Vou tentar não demonstrar que na verdade, verdade mesmo, não vejo a hora de sair deste prédio pela última vez. Vai ser estranho e lindo. Vou chorar com o peito apertado e livre, e vou rir do choro e chorar do riso. Sempre mais arregaçado, sempre mais agudo. Eu ainda não sei quanto agüento, mas sei que agüento muito.

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E estava outro dia nos segundos que antecedem o mergulhar no sono, pensando: acho que foi aos 20 anos que realmente parei de crescer e comecei a envelhecer. Eu lembro direitinho quando aconteceu. Foi aterrorizante mas ao mesm tempo libertador. Você descobre sem perceber que já não precisa sofrer tanto para que as coisas aconteçam. Elas agora dependem muito menos de você e muito mais do mundo. Ao mesmo tempo que o mundo não depende nada, nem um cuspe, de você. Duro e libertador.

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Essa noite sonhei com bebês, para variar. Eu tinha uma menina e estava num parque de topless, dando de mamar. E rodava e brincava com minha filha. Eu estava atrasada para alguma coisa, mas resolvi parar para brincar de levantá-la nos meus braços e ela sorria tão doce que eu percebia, com um quentinho doce no coração, que nenhum compromisso era mais importante do que aquele, de ver minha filha sorrir e gastar muito tempo com ela, deixando que todas as urgências, com o tempo, fiquem supérfluas. Foi um sonho indescritivelmente espiritual e encantador.

Depois sonhei com outro bebê, a Manu, filha da Cá. Sonhei que ela era seqüestrada e que nós duas ficávamos desesperadas atrás dela. Que sabíamos quem a tinha levado mas que o sujeito era perigoso e teríamos que sair da festa (rolava uma festa) de mansinho. Esse sonho não foi bom.

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Falando em sonho, ma’boy anda sonambulando novamente. Nada de jogar travesseiros desta vez. Ontem ele acendeu o abajur, ficou em pé em pose de Cristo Redentor. Claro que, com a luz, acordei. Diálogo:

EU: - Tá tudo bem?
ELE: Tudo bem!
EU: Por que você acendeu a luz?
ELE: Hã?
EU: Por que você acendeu a luz?
ELE: Hã?
EU: Por que você acendeu a luz?
ELE: Pra te mostrar!
EU: Mostrar o quê?
ELE: Não sei!
EU: Aiaiai, então deita e apaga a luz.

E ele obedeceu. E, claro, não lembrou de nada no dia seguinte.

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Meu astuto coleguinha Herrmann me mandou:

Blogging: Never before have so many people with so little to say said so much to so few.

Adorei.