Sunday, January 29, 2006

livruras

Não esqueci, não. Aqui a listinha dos lidos de 2005. Eu queria ter lido mais, mas confesso que 2005 foi um ano sem tempo para o ócio ou para qualquer coisa que não fosse trabalho. Também foi um ano de ler muito jornal e pouco livro. Mas ainda assim, lá vai, com título, autor e meu comentário prepotente. Em negrito, os campeões:

1) Eternidade – Ferreira de Castro – Demorei para lembrar que livro era este. Só recomendo para quem não quero bem.

2) 1933 Was a Bad Year - John Fante - Em espetacular forma. Amo ele anyway.

3) Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante - Clarah Averbuck - coisas que já tinha lido.

4) Morte no Paraíso - Alberto Dines - Livro do chefinho; sou parcialíssima para julgar…

5) Oracle Night - Paul Auster - Uma das melhores descobertas desse ano.

6) A Tapas e Pontapés – Diogo Mainardi – Passei a odiá-lo menos. Mas não deixei de odiá-lo.

7) On the Road – Jack Kerouac – Esperava mais. Mas acho que esperava demais.

8) Amestrando Orgasmos – Ruy Castro – nhé…

9) O Vendedor de Passados – José Eduardo Agualusa – Simples e bonito.

10) Vida de Gato – Clarah Averbuck – Ela já me emocionou mais.

11) Sonhos de Bunker Hill – John Fante – Amo ele. Lindo, lindo.

12) I am Charlotte Simmons - Tom Wolfe - Acho que o melhor desse ano.

13) Se Um Viajante Numa Noite de Inverno – Italo Calvino – Legal e difícil.

14) Memórias de Minhas Putas Tristes – G. García Márquez – Ele é outro amado...

15) Emma – Jane Austen – Esperei demais dela. Ainda não terminei o livro

16) As Intermitências da Morte – José Saramago – Parei na metade. Ele, que foi o melhor de 2004, conseguiu ser o pior de 2005, empatado com o primeiro do ano.

Friday, January 27, 2006

farelos de mim

OLA. Mais um dia inutil, para ser bem sincera. Estou dependendo de varias pessoas fazerem o trabalho delas para depois eu poder fazer o meu. Estou esperando meu chefe me chamar para uma reuniao. Ja falei para ele que estou sem nada para fazer, mas ele nao captou a mensagem.

Well, then.

Hoje joguei na loteria. Quer dizer, na Euro Million. Sao, sei la, cem milhoes de pounds. Joguei soh para ter algo em que pensar.

Hoje tambem reservei meus tickets para Paris em julho, quando minha Piu vem. Eh meu presente de aniversario para ela. Passagem e estadia em Paris de quinta a domingo.

Ontem fui na despedida do Joao, um amigo de uma amiga de uma amiga. Ele foi morar em Barcelona.

Ontem dormi na casa da Broo. Eu amo futon, ja disse isso aqui?

Esse fim de semana vou ter que fazer o cacete do ensaio para meu curso de Imprensa Britanica. Fora isso, quero ver se vou no Greenwich Market.

Tenho tentado comprar coisas pelo eBay mas sempre vem um nerd e compra um minuto antes do leilao terminar. Aa merda.

Estou combinando de ir para Manchester com a Randa, a sueca com quem trabalho, um desses fins de semana.

Ando sem fome e sem fazer exercicio. Ando com sono demais. Ando muito de salto e isso cansa.

Coisas soltas, assim. Desparafusadas. Nada que una nada com nada. Deixo farelos de mim por onde passo, mas farelos nao fazem falta. Eu nao deveria me preocupar. Mas sempre fui de procurar farelos. Talvez um jeito de ter tudo sempre como foi. Justo eu, que joguei fora o tudo-igual para ficar com o what-the-hell. Nossa Senhora da Adrenalina. Minha deusa, minha lastima.

Baixei meu remedio para panico. Fiz merda?

Wednesday, January 25, 2006

someday somehow I’m gonna make it alright but not right now

Eu não sei se está dando muito certo essa história de ter cortado minhas *dorgas* ao meio. Tenho andado esquisita. Irritadiça, pensativa, emotiva, cheia de dores imaginárias. Neste exato momento, estou quase deprimida e a ponto de arrebentar meu PowerBook se ele continuar corrigindo meus escritinhos em português para algum termo próximo em inglês.

Coisas assim.

Ontem o dia foi um cu. Hoje melhorou. Ontem eu teria pulado da Vauxhall Bridge não fosse o convite da Broo para dormir na casa dela. Fui mesmo sem estar com minhas *dorgas* amadas comigo. Aí, claro, hoje me senti ainda mais esquisita. Mas as cagadas diminuiram.

Resumindo: ontem peguei o trem errado. Meu trem sempre sai da plataforma 4 de Waterloo. Sempre. E eu nunca vou trabalhar ouvindo música porque é muito cedo para me alienar. Nunca. Aí o que aconteceu? O sempre e o nunca viraram exceção ao mesmo tempo. O trem que saía da plataforma 4 ia para Guilford, e não para Shepperton como é de costume. E eu estava ouvindo fervorosamente meu iPod, e não me contentando em ler a fundo uma cópia do Metro News como de costume. Então peguei o trem errado e não tive a chance de ouvir no microfone que havia feito cagada.

Fui descobrir quando já estava num lugar chamado Worcester Park. Não perguntem. Aí desci desesperada. Gelo na espinha, no nariz, no pé. Frio em todo lugar. Gelado. Tudo congelado em volta. Tudo branco de gelo. E eu gelada dentro e fora. Fui para o outro lado da plataforma e voltei para Raynes Park, onde eu sabia que passaria um trem bom para mim. Aí, ta-dáaaaa, chego em Raynes Park quando meu trem já partia. Óquei, pensei, aguardarei o próximo. Eis que ta-dáaaaa, o próximo foi cancelado. Sabe o Nosso Senhor das Ferrovias por quê. Aí começa a bater aquela combinação lamentável de desespero com indignação. Pego um trem até New Malden, onde eu teria que achar um ônibus que chegasse até o trabalho mesmo não tendo a mais puta idéia de onde estivesse.

Saí do trem já atrasada, claro. Eram 9 e pouquinho, eu devia já estar sentadinha na minha baia, mas nãaaao, nãaaaao. Claro que não. Estava correndo atrás de um ônibus que partia exatamente quando eu consegui abrir espaço entre os carros para atravessar correndo a rua. Ele foi, eu fiquei. Foram mais 15 minutos de espera até o próximo busão.

Liguei pro trabalho para me sentir menos ansiosa. Afinal, baixei as *dorgas*, tenho que pegar leve comigo. Quando o ônibus chega, lotado.

Olha, não vou contar o dia inteiro porque vou deprimir meus amados vocezinhos. Vou resumir: cheguei 45 minutos atrasada no trabalho, tive dor de barriga daquelas de apertar os olhos de dor e de se dobrar no meio quando o chefe te chama para ver um negocinho. E também, na volta, meu salto quebrou. E vocês vão dizer, pô, Bibinha, isso é sorte, podia ter acontecido no começo do dia. O negócio é que eu não estava indo para casa. Estava indo ver uma casa. Andar, andar, andar. O que mais se faz em Londres, mas não com um salto quebrado no pé. Maldita bota de Franca.

Então cansei de me foder e resolvi dormir na casa da Broo mesmo sem remedies. Uma revolução, ficar sem meus remédios. Decisões, decisões. Hoje o dia foi melhor. Ontem eu tive vontade de chorar quando vi uma ratazana nas ruas de Camberwell. Por que ali, comigo, para me enojar? Por que bem naquela hora que eu não queria mais nada me arrepiando o pescoço? Tudo frio, tudo desconfortável. Eu só queria me afundar num mundo de almofadas com cheirinho de família e uma bacia quente para fazer escalda-pé. Era só isso que me faria a pessoa mais feliz.

Mas o dia acabou. Tirei o sapato quebrado. Tentei colar. Desisti. Quase chorei por causa do frio. Mas depois ficou tudo bem. Vai ficar tudo bem. Nothing’s wrong just as long as you know that someday I will.

Monday, January 23, 2006

you only tell me you love me when you’re drunk

Fim de semana muito bom. Como esperado, joelho roxo, bunda dolorida. Adorei patinar no gelo com a amada Broo. Eu patinava muito sobre rodas quando era mais nova, entao nao tive grandes problemas para me adaptar. Mas devia fazer, sei la, 15 anos que eu nao patinava no gelo. Esqueci como eh gostoso cair sabendo que se vai cair.

Depois teve jantar la em casa. Comemoracao tardia e londrina do meu aniversario. Mr Australia cozinhou. Todo mundo ficou bebado – menos eu –, aquela palhacada de sempre. Fomos dormir tumultuadissimos depois de um jogo da verdade em que o que mais se fez foi mentir.

Domingo mal pus o focinho para fora de casa. Um frio de doer apesar do sol. Voou.

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E ele estah tomando forma. Meu bebe. Serah que vou finalmente parir?

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Fotos para todos os gostos.

Tem o album Cannons Health Club, estrelando eu e o pessoal da cadmia em que eu salva-vidava; tem o album Brasil Dez/Jan 2006, que dispensa explicacoes, e tem o album British Birthday, de anteontem.

Thursday, January 19, 2006

nao abra porta para desconhecidos; nao feche portas desconhecidas

Ah, claro que estranhei, neh? Assim como esse post meio que comeca do meio, minha ida e volta ao Brasil comecou do meio e terminou no meio. Parece que arrancaram um segmento da minha cabeca. Cheguei ai e tudo estava tao, mas tao igual (menos o tunel da Faria Lima) que foi como apertar pause e depois de um ano e meio apertar play novamente.

E, sinceramente, egoista ou nao, quero que seja sempre assim. Porque muito pior que a sensacao de que nada mudou, eh a sensacao de que tudo mudou e voce nao estava la para acompanhar.

A volta foi estranha. No aviao, aquela sorte bem tipica de pegar um lugar no meio da coluna do meio; de um lado um gordo folgado e frances, do outro uma brasileira tagarela e fedida. E o Lexotan fez o papel de Deus na minha vida durante oito horas. Dormi por oito horas num voo lotado. Para completar, um moleque sentado no banco da frente (obviamente deitando a cadeira no meio da refeicao) e outro no banco de tras (obviamente me chutando como se eu fosse seu pior inimigo ensacado). Cheguei em Paris e fui pro albergue. Fica numa area boa. O albergue eh OK. Nada do outro mundo. Passeei, me diverti com a grossura dos parisienses – porque eh tanta que uma hora fica engracada – e jantei num café desses bem tipicos.

Depois fui dormer, exausta. Eram 7 da noite. Acordei as 10pm e nao conseguia mais dormir. Fiquei lendo. Chegaram as minhas companheiras de quarto, duas australianas gente finissima, Vanessa e Jamina. Elas estao rodando a Europa e em uma semana voltam para a Australia. Elas odeiam homens e acharam os caixas na Hungria muito lentos. Elas tem varias opinioes engracadas. Aih uma hora cansei e dormi. No dia seguinte, sai de mansinho. Tudo correu liso. Albergue do lado do Gare du Nord e de la ateh o Charles de Gaulle foi um pulo.

Cheguei em Londres no meio da tarde de um domingo devagar e cinza. Casa silenciosa, soh Mr Suecia em casa, no banho. All good. Voltei. Voltei a acordar as 6:30h para pegar o trem das 8:12h saindo de Waterloo e chegando em Kingston meia hora depois. Voltei a fingir que sei o que estou fazendo e eles voltaram a acreditar. Voltei e aqui tambem rolou uma tecla pause. Sobre minha mesa, tudo igual, exceto um envelope com um voucher de £10 do Marks & Spencer que os diretores me deram de aniversario. Parece que eh sempre assim por aqui.

Por fora, tudo bem. Por dentro eh que pega. Ter ido ao Brasil foi muito bom. Mais do que deveria ser. Estou sentindo muita falta, muita mesmo. Estou sozinha. Ao mesmo tempo nao estou. Estou com companhias superficiais. Hoje a Broo chega. Ja deve ter chegado. Se nao houvesse Broo aqui eu tava fodida, acho. E no final do mes a Bobby chega. Logo mais, se nao houvesse Bobby aqui eu tava fodida, acho, tambem.

Estou com queimacao no estomago, um nervo pincado nas costas e comeco de enxaqueca. Estou com sono. Estou querendo que chegue sabado logo para patinar no gelo e depois contar tudo aqui, porque vai ter muito com que se deleitar. Estou cansada, mas ainda assim quero muitas coisas que vao acontecer. E soh vao acontecer porque eu quero.

Wednesday, January 11, 2006

meu aniversário

Hoje é o meu aniversário.

E os presentes têm sido generosos.

Tuesday, January 10, 2006

bouncing

Então enterramos 2005, o pior ano que me fez melhor. Não estou querendo que esse ano seja de repente a realização de todos os não-feitos do ano passado. Tem que ser como regime. Esqueça o dia anterior para que hoje dê certo. E o que é a passagem de ano senão o simples dormir e acordar num novo dia? Inventamos que é importante, então vamos todos embarcar nisso. Virar o ano pode ser muito sem graça e muito especial. É como Deus.

Ainda no Brasil, já tendo que me despedir. Não gosto de iludir. “Mas ainda nos vemos, né?” “Olha, acho que não. Dê cá um abraço e até a próxima”. Porque brasileiro sempre diz “ainda nos vemos” mesmo na véspera do mundo acabar. E misturados à despedida, ainda estou marcando encontros pela primeira vez. Pessoas que ainda não vi e que vou ver já de saída.

E pessoas que conheci aqui. Algo que nem passou pela minha cabeça. Conhecer pessoas aqui. Eu vim para rever. Descobri que rever quase não existe. Existe ver. E conhecer. Nunca mais vou me iludir que sou capaz de deitar os olhos duas vezes sobre a mesma coisa, o mesmo lugar, a mesma pessoa. Meus olhos são olhos de primeira vez. O barulho dessa cidade me machuca. A luz me machuca. A proximidade me incomoda. E eu amo tudo o que machuca e incomoda aqui. Porque machuca e incomoda como eu gostaria que machucassem e incomodassem todas as coisas que machucam e incomodam.

Se tudo fosse assim, eu choraria de ver uma flor morrer, e nada mais sangraria. Saudades de um tempo de inércia que jamais vai voltar porque acostumei com a adrenalina. Acostumei com subir e descer e ter o estômago dançando numa cavidade que suporta dois estômagos.

Puta merda, não estou escrevendo nada com nada. É que minha cabeça está meio virada mesmo. Acordo cedo sem motivo. Fico pensando no que me espera em Londres e no que me deixa em Sampa – porque eu não estou deixando Sampa; Sampa é que me deixa ir, quase me cospe. Mr Austrália me mandou email agradecendo as fotos que mandei de uma festinha que demos. E falou que está com saudades. E eu também estou. Não só dele, claro. Dele e de tudo o que é minha vida lá. Das pessoas, da luta diária para não afundar no espiral da solidão, na luta diária para achar tempo e força para arrumar a casa, na luta diária para chegar a tempo de ter tempo.

Aqui a luta é outra. É luta para preencher vazios. De alguma forma sempre falta algo importante. De repente é algo que me faz falta e eu ainda nem sei. Algo que desconheço, mas que tenho em Londres. Lá, de alguma maneira, me sinto mais preenchida. Enquanto que aqui, me sinto amada. Vai ver é isso. Lá eu sei que posso pedir amor. Faz sentido pedir amor. Aqui, não. Aqui o amor transborda e ainda assim não é suficiente. Mas transborda, então nem dá para pedir mais. O amor que não acaba e que nunca é suficiente.

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Ubatuba foi tudo menos Ubachuva. Eu, minha Piu e minha Bathatha pegamos praia todos os dias. Nadei todos dias até a ponta das Toninhas. Vi tartarugas, arraias e, quase juro, um golfinho.

Pedi a benção do mar. Pedi para ele me lavar, me fazer mais pura, me fazer mais leve. Pedi para ele levar para os fundos tudo o que escorre e eu teimo em engolir de novo. Tudo o que escorre porque é desnecessário. O que transborda porque é excesso. E eu cismo em trazer de volta, eu cismo em recolher o que cai, na vã ilusão de que um dia o que sobra vai faltar. Pedi para o mar levar para os fundos tudo o que ele pode precisar e que exista em mim. Porque não quero só receber. Quero dar para abrir espaço para receber mais. Eu e o mar num escravos-de-jó eterno, é o que eu quero.

Chorei para ele. Devolvi com minha lágrima um pouco do sal que tirei. Prometi voltar mesmo que ele não lembre da minha cara. Mesmo que mais eu, menos eu, nada mude. O sol nasça e a maré desça e depois suba e o sol se ponha como em todos os dias. E a moça da fotótica continue a mesma, e a moça da loja azul também, agora com um filhinho, e a minha empregada também, igual, igual, totalmente diferente, meus olhos virgens desesperados para reter. Sei que quando for, metade fica, metade vai. Mas ainda assim eu vou inteira. Saudades não é a falta de algo. É o excesso desse algo em forma de pensamento.