Wednesday, January 25, 2006

someday somehow I’m gonna make it alright but not right now

Eu não sei se está dando muito certo essa história de ter cortado minhas *dorgas* ao meio. Tenho andado esquisita. Irritadiça, pensativa, emotiva, cheia de dores imaginárias. Neste exato momento, estou quase deprimida e a ponto de arrebentar meu PowerBook se ele continuar corrigindo meus escritinhos em português para algum termo próximo em inglês.

Coisas assim.

Ontem o dia foi um cu. Hoje melhorou. Ontem eu teria pulado da Vauxhall Bridge não fosse o convite da Broo para dormir na casa dela. Fui mesmo sem estar com minhas *dorgas* amadas comigo. Aí, claro, hoje me senti ainda mais esquisita. Mas as cagadas diminuiram.

Resumindo: ontem peguei o trem errado. Meu trem sempre sai da plataforma 4 de Waterloo. Sempre. E eu nunca vou trabalhar ouvindo música porque é muito cedo para me alienar. Nunca. Aí o que aconteceu? O sempre e o nunca viraram exceção ao mesmo tempo. O trem que saía da plataforma 4 ia para Guilford, e não para Shepperton como é de costume. E eu estava ouvindo fervorosamente meu iPod, e não me contentando em ler a fundo uma cópia do Metro News como de costume. Então peguei o trem errado e não tive a chance de ouvir no microfone que havia feito cagada.

Fui descobrir quando já estava num lugar chamado Worcester Park. Não perguntem. Aí desci desesperada. Gelo na espinha, no nariz, no pé. Frio em todo lugar. Gelado. Tudo congelado em volta. Tudo branco de gelo. E eu gelada dentro e fora. Fui para o outro lado da plataforma e voltei para Raynes Park, onde eu sabia que passaria um trem bom para mim. Aí, ta-dáaaaa, chego em Raynes Park quando meu trem já partia. Óquei, pensei, aguardarei o próximo. Eis que ta-dáaaaa, o próximo foi cancelado. Sabe o Nosso Senhor das Ferrovias por quê. Aí começa a bater aquela combinação lamentável de desespero com indignação. Pego um trem até New Malden, onde eu teria que achar um ônibus que chegasse até o trabalho mesmo não tendo a mais puta idéia de onde estivesse.

Saí do trem já atrasada, claro. Eram 9 e pouquinho, eu devia já estar sentadinha na minha baia, mas nãaaao, nãaaaao. Claro que não. Estava correndo atrás de um ônibus que partia exatamente quando eu consegui abrir espaço entre os carros para atravessar correndo a rua. Ele foi, eu fiquei. Foram mais 15 minutos de espera até o próximo busão.

Liguei pro trabalho para me sentir menos ansiosa. Afinal, baixei as *dorgas*, tenho que pegar leve comigo. Quando o ônibus chega, lotado.

Olha, não vou contar o dia inteiro porque vou deprimir meus amados vocezinhos. Vou resumir: cheguei 45 minutos atrasada no trabalho, tive dor de barriga daquelas de apertar os olhos de dor e de se dobrar no meio quando o chefe te chama para ver um negocinho. E também, na volta, meu salto quebrou. E vocês vão dizer, pô, Bibinha, isso é sorte, podia ter acontecido no começo do dia. O negócio é que eu não estava indo para casa. Estava indo ver uma casa. Andar, andar, andar. O que mais se faz em Londres, mas não com um salto quebrado no pé. Maldita bota de Franca.

Então cansei de me foder e resolvi dormir na casa da Broo mesmo sem remedies. Uma revolução, ficar sem meus remédios. Decisões, decisões. Hoje o dia foi melhor. Ontem eu tive vontade de chorar quando vi uma ratazana nas ruas de Camberwell. Por que ali, comigo, para me enojar? Por que bem naquela hora que eu não queria mais nada me arrepiando o pescoço? Tudo frio, tudo desconfortável. Eu só queria me afundar num mundo de almofadas com cheirinho de família e uma bacia quente para fazer escalda-pé. Era só isso que me faria a pessoa mais feliz.

Mas o dia acabou. Tirei o sapato quebrado. Tentei colar. Desisti. Quase chorei por causa do frio. Mas depois ficou tudo bem. Vai ficar tudo bem. Nothing’s wrong just as long as you know that someday I will.

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