Friday, January 28, 2005

desculpe o mal jeito

Eu nao entendo, nao entendo. Ja faz quase oito meses que ca estou. Ja encontrei e desencontrei varias pessoas interessantes, ja me dei chances e regalias. Ja cheguei a quase gostar. A quase pensar que acharia meu turning point. Mas todas as vezes eu olhei em volta e nao via nada. Poucos minutos e eu constatava que tudo o que eu via era apenas a ilusao de algo que brilhou. Eu olhando para a janela ensolarada e fechando os olhos depois, e vendo uma janela no fundo vermelho de minhas palpebras, sem poder pega-la, porque nao eh real, porque soh existe mesmo na minha retina. E eu tento acreditar que nao, porque doi demais saber que eh possivel se amar soh de lembrancas, mas eh, nao posso fazer nada, soh amar. A gente se joga numa moita de espinhos meio que esperando que eles facam cocegas, e eles nunca vao fazer, mesmo que eu feche os olhos. E mesmo assim, ainda vale a pena ter se jogado, para ver que machuca mesmo.

Nao sei se tudo o que vivo aqui estah insano demais, diferente demais, distante demais do que eu costumava ser. De repente penso que a qualquer momento posso acordar no Brasil. Que no momento estou apenas trancada num sonho que ainda nao achou a portinhola de saida. Isso tudo aqui eh teatro. Londres eh um mundo de artistas num palco nublado e frio. Soh o Brasil eh real. Soh a luta diaria do povo que julgo meu, mesmo sem ser.

E eh por isso que eu disse que nao eh justo com a gente. E que eu tenho tanta coisa para viver com voce ainda, que nao consigo imaginar que nossas vidas vao se ajeitando com a ausencia do outro. Nao eh justo, entende?

Mas, se voce me permite, ainda assim vou continuar te amando. Nao sei ateh quando, nao sei mesmo. Mas agora posso te garantir que sim. E que se vc me dissesse que estah vindo para cah amanha eu ia dizer para vir correndo porque ja nao da mais, que depois de amanha eu posso estar morta, vai saber?, e que eu cuidaria de vc. Isso continua valendo. Sempre. Ateh sempre mudar de vento.

Wednesday, January 26, 2005

de nada e de tudo

Aprender a viver nao eh facil. Cair no chao, levantar e cair de novo. Sempre o cair de novo. Sempre para voce nunca mais se animar quando levantar. Mas eh levantar que juramos que nao vamos mais cair. E caimos. Eu ainda nao cai. Mas aprendi um pouquinhozinho a viver, e sei que de nada adianta achar que vou ver tudo assim sempre. Fico com medo de uma vida boa assim. Nenhuma vida eh menos que um trem. Indo para algum lugar sempre, e sempre deixando algum lugar. Nao ha gira-gira. Nao ha fim e comeco de linha. Ou nao que a gente consiga enxergar. A gente, povo miope.

Foda-se isso.

Estou trabalhando demais. Mas gostando demais tambem. Hoje tenho jantar com uma tia velha, amanha tenho jantar com uns tiozoes da AON (culpa da Fru) e sexta tenho a festa do Steeeeve, aqui do trabalho, a que vou com o Chris. Vai ser legal. Vamos nos “assumir” para o pessoal do escritorio. Ui!

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Enquanto isso, o mala da agencia imobiliaria fica me ligando para saber cada peido do processo de aceitacao do contrato. Ta, ta, se estivesse no Brasil eu provavelmente reclamaria do contrario, da falta de atencao. Mas o cara de fato eh mala a valer. Para terem uma ideia, me prendeu por duas horas em um papo chato pra burro sobre o metodo revolucionario que ele desenvolveu para ensinar linguas (juro, juro). E hoje ficou a se lamuriar no telefone porque nao consegue abrir uma reles conta no banco (ahaha, ja vi esse filme antes, hein, Frufru?!).

Se deus quiser essa semana estah tudo finalizado.

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Em tempo: estou com uma bandage no joelho. Recomendacao da DOTORA, que disse que eu devo ter “machucado sem perceber”. Tao ta intao.

E com minha tireoide tudo muito bem, obrigada (YAAAAY!).

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Nao ha nada que esteja ocupando mais meus pensamentos do que a vinda da minha familia para ca. Mamae vem em abril e estamos entre visitar o sul da Espanha ou o sul da Franca. Papai e Piu vem em julho e vamos todos para a Madeira. Ahhh… O paraiso eh la.

Falo mais depois. To indo!

Sunday, January 23, 2005

324 cable street

Ontem foi uma das noites mais frias que tive aqui. Teria nevado, nao fosse o ceu limpo. Os dias aqui tem sido maravilhosos. Puta sol, apesar do puta frio. E os dias vao ficando mais longo aa medida que o inverno avanca.

E em meio a essas pequenas alegrias, uma grande: achamos nossa casa. Mudamos dentro de uma semana. Eh linda, a casa. Assim que mudarmos e nos aseentarmos, mando fotos. Quer dizer, assim que nos mudarmos, assentarmos, eu tiver um computador e uma linha telefonica. This may take a while.

Aos poucos estou esvaziando o computador do Richard, gravando o que precisa ser gravado, e morrendo de medo de perder algo no computador. E eu sei que vou perder coisas no computador. Mas tudo bem. Nao sei porque cismo em confiar nessa maquina.

Estamos fazendo planos. Escrivaninha de frente para a varanda, onde poremos plantinhas. Mais para frente penso em comprar umas cadeiras de sol. Por que nao? O verao estah a poucos meses daqui.

Vamos arrumar cada centimetro do sofa, cada utensilio da cozinha, vamos tirar e por vinte vezes, vamos pendurar nossos quadros, vamos deixar aquilo com a nossa cara. Esta eh a primeira vez na minha vida em que posso, junto com minhas queridas, decorar uma casa inteira. Eu nunca pensei que curtiria tanto a ideia. Eh isso. Nas minhas proximas compras de super ja estao na lista mudinhas de plantas.

Vou cuidar da casa e de mim como se fossem meus proprios filhos. Porque tenho certeza de que cuidaria de um filho mil vezes mais que de mim.

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Ponto alto da noite de ontem, que foi a melhor dos ultimos meses, talvez perdendo apenas para a Xmas party: ouvir meu gringo cantando "eu preciso dizer que te amo". E depois dizer "but, really, I mean it".

Friday, January 21, 2005

por essas e outras...

...Que eu adoro a Inglaterra

"Segundo as mais recentes estatísticas, entre abril de 2002 e março de 2003, 4 mil pessoas levaram bala aqui na Grã-Bretanha. Dessas, 81 morreram. Para os britânicos, 81 é muito." - Ivan Lessa na BBC Brasil, hoje.

Thursday, January 20, 2005

dialogos memoraveis do Messenger -- fazia tempo!!

Biba says: hola
Biba says: viste as fotos do meu niver?
Herrmann says: viste
Biba says: hahaha, viu tua cara de mongo?
Herrmann says:O arquivo que você está procurando está inacessível.
Por favor, entre com sua ID Yahoo! e senha e tente novamente, ou verifique com o dono do arquivo.
Biba says: http://br.pg.photos.yahoo.com/ph/claytonadjair/album?.dir=/ff00&.src=ph&.tok=phIXkZCBg5zL6r7b
Biba says: ta veno?
Herrmann says: to
Herrmann says: a foto dos presentes
Biba says: hehehe, ficou legal, ne?
Biba says: gostou?
Biba says: tem uma que parece que eu vou te abocanhar e que vc ta deprimido ao mesmo tempo
Biba says:aloaaaaaaaa??
Biba says: da pra nao me ignorar?
Herrmann says: to no telefone
Biba says: COM QUEM?
Herrmann says: com a minha noiva
Biba says: vai se foder
Biba says: desliga
Herrmann says: ta louca
Biba says: agora
Biba says: quem eh a mocreia?
Herrmann says: vc não conhece
Herrmann says: (adoro falar essa frase)
Herrmann says: to falando com os meus pais
Herrmann says: (porra)
Biba says: ahhhhhh bom
Biba says: fala pra eles que eu to mandando um beijo
Herrmann says: claro q não. Vc não os conhece
Biba says: nao faz mal, eh pra mandar
Herrmann says: vou dizer que vc mandou eles tomarem no cu
Biba says: eles curtem?
Biba says: se curtirem, ta valendo

Wednesday, January 19, 2005

armless, harmless

Para enfrentar essa crise de bom humor, nada como uma enxaqueca. Primeiro dia do cio eh sempre assim. E eu sempre reluto em tomar remedio e sempre me arrependo de relutar, porque acabo tomando tarde demais e praticamente nao faz efeito. Uma coisa assim parecida com minha insistencia em ir a peh ao trabalho mesmo com o joelho estourado. Nao fosse assim, tambem, nao seria eu.

O frio estah ridiculo – e eh por causa dele que deixei de ir e vir caminhando do trabalho, nao por causa do joelho – mas os dias estao bonitos. Ja se passou quase um mes desse 2005. Dificil. Bobbynha vai pro Brasil em fevereiro. Nos temos que achar uma casa nova (temos, temos, temos, e rapido) enquanto equilibramos o resto: conta de agua que nao foi paga, conta de luz que nao foi paga, papeis importantes sempre no meio de outros lixaveis, em suma, paralelepipedos bruscos em nosso chao de marmore.

Pelo menos tenho nadado, para dar paz.

(Ainda estou atras da minha inspiracao, mas eh dificil quando tudo vai bem.)

E estou namorando. Na verdade, fui *namoradada*, entendem? Nao quis por nenhum rotulo, quem pos foi ele. E eu deixei passar. Num jeito assim bem Biba de ser, eu sou a namorada dele, mas ele nao eh meu namorado. Mas como estou tentando abandonar a testosterona que domina minhas entranhas, vamos chama-lo namorado tambem. Namorado, namorado, namorado, namorado (exercicio de dessensibilizacao, sorry). Nao estou apaixonada, mas estou tentando really hard. De qualquer forma, eh bom olhar para ele quando ele estah, e quando nao estah, sentir saudadinha – ele mora em Essex, entao vem pra Londres no maximo uma vez por semana. E sempre que ele vem eh legal. Porque ele eh legal, e lindinho, e divertido, e carinhoso. Porque ele diz “moia eu seca ieu” cantando Marisa Monte. E porque eu tive o dom de fazer tudo errado no comeco e isso nao mudar nada afinal.

Sim, estah tudo em paz. Nao tenho tido sobressaltos, tampouco tenho sentindo falta deles. Nao tenho tido a necessidade de enlouquecer por momentos, como sempre tive. Nao estou precisando desesperadamente de uma barra de chocolate. Nao estou com sono demais, nem de menos. De repente uma hora isso me incomoda. Enquanto isso, nada como ser livre para nao ser uma coisa ou outra. Nada como poder apenas ser, em vez de se definir por nao seres. Nada como contrariar a regra estando de acordo com ela.

Sunday, January 16, 2005

livros 2004

Livros 2004

Vai funcionar assim. Em negrito os que valem muito a pena ler. Em verde os top 3. Em vermelho os que decepcionaram. E um breve comentario sobre cada.

1 – A Sangue Frio – Truman Capote --> Os olhos nao desgrudam das paginas.

2 – A Revolução dos Bichos – George Orwell --> Legal, mas eu devia ter lido com mais contexto.

3 – O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde --> Legalzim, mas overrated.

4 – O Deus das Pequenas Coisas – Arundathi Roy --> A maior surpresa do ano e um dos melhores livros que ja li na vida. Nao deixem a vida passar sem ler essa joia.

5 – Valsa Negra – Patricia Mello --> Ja li melhores dela.

6 – Contos D’Escárnio. Textos Grotescos – Hilda Hilst --> Tambem ja li bem melhores dela. Mas continua entre minhas favoritas.

7 – Budapeste – Chico Buarque --> Agradabilissima surpresa.

8 – Crônicas de Repórter – Pedro Bial --> Nheh.

9 – The Old Man and the Sea – Ernest Hemingway --> Belissimo livro, mas Por Quem os Sinos Dobram me comoveu bem mais. Still, esse eh de emocionar.
10 – Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago --> Eu ja esperava que fosse amar, mas achava que ja tinha conhecido todos os escritores capazes de me mostrar um mundo novo. Estava certa ateh ler este livro.


11 – Uma Questão Pessoal – Kenzaburo Oe --> Tenho serios problemas com a literatura japonesa.

12 – O Mesmo Mar – Amós Oz --> Sempre bom, agora mais poetico e absurdamente inovador. Ele eh foda.

13 – Love is a Dog from Hell – Charles Bukowsky --> Poesia de figado. Tem que ler no original.

14 – Vida e Época de Michael K. – J.M. Coetzee --> Outra bela descoberta. Comeca devagar, mas quando pega... Vale a pena o esforco. A vida na Africa do Sul.

15 – Verão no Aquário – Lygia Fagundes Telles --> Paixao que descobri este ano.

16 – James Lins, o playboy que não deu certo – Mario Prata --> Um coco. Mal escrito e sem graca. Uma das maiores perdas de tempo do ano, senao a maior.

17 – A Mulher do Próximo – Gay Talese --> Belissimo trabalho investigativo sobre a sexualidade nos EUA do seculo 20, mas meio cansativo.

18 – Bestiário – Julio Cortazar --> Bela introducao ao trabalho dele. Uma serie de contos. Surrealismo completamente imaginavel. Jogo da amarelinha fica para 2005.

19 – Meia Vida – V.S. Naipaul --> Bonitinho, mas nada ASSIM.

20 – Primavera Eterna – Paula Foschia --> Estreia brilhante da Paulinha. Uma obra despretenciosa e pretenciosa ao mesmo tempo. Simples, mas encantadora. Estou esperando o segundo.

21 – O Cabotino – Paulo Polzonoff Jr --> Ja esse, achei pretencioso demais...

22 – A Arte de Viajar – Alan de Botton --> Boa leitura para leave on a jetplane. Leve e realista.

23 – The Girl with a Pearl Earring – Tracy Chevalier --> Uma perola.

24 – Falling Angels – Tracy Chevalier --> Virei fan da Tracy Chevalier com esse. Ultra-sensivel, envolvente, daqueles que voce odeia porque uma hora vai acabar.

25 – The Virgin Blue – Tracy Chevalier --> Esse soh eh vermelho porque li logo depois de Falling Angels e nao ha a menor comparacao. Tracy aqui nao estava inspirada.

26 – Memoirs of a Geisha – Arthur Golden --> Esse estaria no top 5 ou 10. Um livro para abrir a cabeca e entender outras realidades paralelas aa sua, e tao reais quanto.

27 – I Don’t Need You Anymore – Arthur Miller --> Achei meio dificil. Foi interessante para eu largar a mao de me achar e reconhecer que ainda nao domino o ingles tanto assim.

28 - The Story of the Dog in the Night Time --> Um livro lindo, facil, doce, doce sobre um autista e suas conquistas. Uma otima obra para fechar o ano.

Thursday, January 13, 2005

adeus, maloca

Dias lindos esses que passaram meu aniversario. Dia 11 foi um daqueles dias bem londrinos. Chuva e frio e vento e cinza. Mas foi delicioso. Aa 0h Bobbuxa e Fruquinha pularam em mim. No dia seguinte, primeira supresa do dia, uncle John deixou um presente na porta de casa: um lenco italiano marrrravilhoso e duas barras de chocolate que incrivelmente ainda duram. Em seguida, estava prestes a sair para o trabalho e Fruquinha vem toda molenga de sono com outro presente na mao: um livro pelo qual estava me descabelando. “I am Charlotte Simmons”, nova bomba de Tom Wolfe. Alias, ainda to vendo minha lista de livros 2004 comentada - nao esqueci.

Chego no trabalho e um e outro telefonema, e mensagens no celular, e mensagens no orkut, e e-mails. Aquela delicia. Depois almoco no tailandes com o pessoal do trabalho. E depois presente conjunto do pessoal daqui: um conjunto de xicaras e pires e um frother - fazedor de espuma de leite; nao sei se tem algum nome mais resumido para isso – alem de um par de brincos. Veio todo mundo na minha mesa, me ver ficar vermelha e repetir alucinadamente, cada vez como se fosse a primeira, “oh, thank you guys, thank you so much!”

Saio do trabalho e vou encontrar com meu gatinho, que me deu um DVD e um cartao muuuuito fofo. E chego em casa e fico mais feliz com meu gatinho. Ai chega Fru, e Ernesto, e Bobby. E fomos jantar. E nem foi estranho. Foi bem legal ateh. Dia acabou leve, como eu queria. Foi inteiro bom. Nao foi um mundo girando ao contrario, porque nem eh para ser. Foi um dia normal que diziam ser meu e eu aceitei e aproveitei, apesar de nao acreditar.

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Novidade buemba, buemba: vou ter que deixar meu lar, doce lar. Sim, Ricky estarah de volta em poucas semanas e teremos que achar algo bax-Tante rapido. Ja comecei a alucinar, como muitos devem saber. Nao paro de pensar, fico mandando zilhoes de e-mails e marcando visitas e montando planilhas no Excel. Mas ha de dar tudo certo. Deus da o frio conforme o cobertor (“e pra esquece nois cantemo assim: saudosa malocaaaa, maloca querida, dindindom di nois passemo dias feliz de nossa vida”).

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Minhas calcas novas sao lindas. Meu emprego eh curticao pura. Meu gatinho estah gamado e eu curto olhar para ele. Minhas flatmates sao as melhores do mundo. Poderia estar melhor? Desculpem, quando minha vida ta boa fico menos inspirada. Eh assim mesmo.

Monday, January 10, 2005

amanha

Eu sei que voces sabem. Eu sei que tudo estah em suspenso ateh amanha. Que todos estao guardando palavras para usa-las de surpresa. Para falar que lembrou, para me deixar feliz. Amanha vai ser o dia de telefonemas inesperados. De almocar com os colegas da empresa e de jantar com as amigas do peito, meu gatinho junto, de terno e gravata porque eu mereco.

Amanha, previsivelmente, vou me surpreender. Com quem eu achava que nao estava nem aih e estah. E com que eu achava que estava aqui comigo e nao estah. Vou rir e tentar nao chorar. Mas sempre que eu tento nao chorar eu considero na verdade que chorei. Apenas as lagrimas escorrem para dentro e a bola na garganta nao se desfaz.

Mas amanha vai ser legal porque nao espero nada de ninguem. Nao espero que seja um dia especial como esperava em todos os outros anos da minha vida. Nao espero mesmo. Engracado isso. Porque a unica diferenca deste para os outros onzes de janeiro eh minha posicao geografica. E de repente esse detalhe mudou tudo. Amanha eh um dia normal, apenas com mais demonstracoes de amor. E eu tentarei really hard focar as lembrancas que aconteceram em vez das que deixaram de acontecer. Porque quando voce estah longe o medo de ser esquecida eh ainda mais forte. E talves por causa desse medo eh que estou tentando fazer de amanha apenas um teco mais que uma data qualquer.

Minha terapeuta reprovaria, mas isso ainda, AINDA, nao mudou. Talvez no proximo eu seja capaz de espernear se nao for como eu quero. Por ora, vai ser nice and easy, para aguentar os tranquinhos.

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Fim de semana delicioso. Comecou na sexta-feira, com uma conversa deliciosa e necessaria com Frufru antes da minha nadada. Sabado, dia frio porem bonito, fui com Frufru na Oxford Street. A itnencao era comprar agendas 2005, calendario e *artigos desportivos* no Decathlon. No final, comprei uma paulada de calcas sociais porque as minhas 02 estao furadas na coxa esquerda, sabe deus por que. Comprei tambem uma saia e um blaser, paletoh, whatever. Tudo com ajuda de minha assessora de moda, claro. A noite foi bem gostosa tambem. Do Kick Bar, em Old Street, fomos num bar chamado Smiths of Smithfield, em Farringdon. Muito legal. Faria minha festa lah nao fechasse meia-noite e meia.

De la as meninas seguiram ao Fabrik, que eh do lado. Eu fui para casa com meu gatinho. Claro que ateh chegar em casa duas horas se passaram e tivemos que levar a tiracolo tres lesbicas e um negao que ria histericamente, berrava e babava depois de ingerir doses desconhecidas de uma tal de Philosopher’s Stone – algo beeeem melhor que “Magic Mushrooms”, segundo nosso amigo. E no meio da saga, uma das lesbicas agarrou o negao e os dois comecaram a trepar no meio da rua. Mas juro que nao vou entrar em detalhes. Foi deprimente. Para terminar, o onibus estava tao cheio que perdi o ponto. Eu e meu gatinho descemos um ponto depois e eu me revoltei com a maldita bota. Tirei no meio da rua e pisar num chao gelado e sujo unca foi tao reconfortante. Essa eh minha vida. Essas coisas acontecem o tempo todo.

Pelo menos foi bom chegar em casa. Tendeu?

Domingo. Acordamos tarde. Tarde mesmo. Ficamos vendo Alan Partridge. Depois fomos ao cinema. Eu, Fru, Marinella e Caue. Vimos The Corporatio, que eh bem legal, mas comprido demais. Acabei inevitavelmente pestanejando (minha nova mania; eu nao era assim). Acabamos a noite num bar-balada que em minutos me deu sono. Acabou o fim de semana e eu gostei. Fazia tempo que nao era assim, inteiro bom.

Thursday, January 06, 2005

Natal, Paris, tsunami, aumento, ano novo, vida mesma e tudo bem

Demorou, mas voltei. A virada do ano nao foi como as outras, que costumam pesar. Sempre me senti na obrigacao de fazer algo novo quando muda o ano, mas acho que 2004 foi um ano tao alucinado e surreal que me dei ao deleite de quase nao sentir a entrada de 2005. Se eu quero alguma mudanca, a mais radical ha que ser o marasmo.

Mas nao quero marasmo. O Natal foi bom, o ano novo, melhor. Fiquei assustada com o tsunami que abateu o sul da Asia. Ainda mais que eu e as meninas estavamos planejando nossa ida para a Tailandia para daqui a um mes mais ou menos, e nosso roteiro incluiria Pukhet e Phi Phi, duas das areas gravemente afetadas, onde, leu-se, varios turistas morreram ou estao desaparecidos. Meda, panica, horrora.

Sobre Paris, eh o seguinte: fiquei apaixonada pela cidade. Pelas ruas, pelas cores, pelas arvores, pelos predios, pelo cheiro, tudo, tudo. Soh nao me encantei foi com o povo parisiense. Muito pelo contrario. Quis chutar sacos e socar peitos mais que nunca. Nunca vi tanta gente arrogante, grossa, mal humorada e mal comida no mundo. O parisiense definitivamente nao merece a cidade em que mora.

Sou zilhoes de vezes mais Londres.

Mas eh claro que me diverti ateh a tampa. O albergue eh uma bosta? Que bom, mais uma desculpa para sair da cama cedinho e soh voltar mesmo para capotar. Pegamos dias lindos e vi tudo aquilo que esperam que eu veja. O que eu nao vi e esperam que eu veja eu vou fingir que vi porque nao to com saco de ouvir sermaozinho de quem acha que Paris se resume a essa ou aquela atracao, muitas das quais nem tao surpreendentes assim.

O que de melhor tirei da viagem, alem das fotos, foram novas amizades. Os fofos do Dani e do Clayton chegaram para ficar. Eles moram em Londres tambem e foram meus roommates no albergue. A viagem nao teria sido tao encantadora sem esses dois. Eles voltaram para Londres um dia antes de mim e ja fiquei com saudade.

A noite de reveillon, como nao poderia deixar de ser, foi na Champs Elisees. Uma multidao infindavel, comparavel, senao superior, aa multidao do reveillon em Copacabana. E os fogos, apesar de nao tao numerosos, foram dos mais bonitos que ja vi, de uns tipos que realmente emocionaram. Nao tinha como nao gritar. Nao tinha como nao acreditar que um ano estava nascendo e com ele toda uma esperanca meio burrinha, mas nao podemos fazer nada.

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Ganhei aumento no trabalho, hooray!, mas a responsabilidade tambem aumentou. Ausencias por aqui serao esperadas e antecipadamente justificadas.

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E as saidas com o gatinho, “aquele”, estao mais assiduas. Nao estou apaixonada, mas estou curtindo muito. Gosto da sinceridade dos ingleses. Cresci em meio aa malandragem do brasileiro e fiquei escaldada demais. Nao vou fazer um ingles pagar as consequencias dos danos causados pelos brasileiros. Vou trata-lo com carinho, dentro do que eu chamo de carinho.

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Algumas coisas mudandinho no mestrado. Aguardem. Ainda estou esquentando. Inclusive para escrever aqui. Porque mao enferruja, ne?