Friday, March 30, 2007

desestribeiras

Ou as pessoas que me pedem coisa demais, ou eu que ainda não aprendi a ser adulta.

Mas realmente acho que as pessoas tem uma facilidade sem tamanho em PEDIR PEDIR PEDIR. Caralho, vai lá e faz. Minha vida é coordenar o que me é delegado sem por minha vez delegar. Meio complicado, isso. Meio chatinho.

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Parece que no mundo esqueceram o conceito de “convite”. Eu convido e as pessoas ficam sugerindo mudanças. Convite é convite, não a abertura para opções. Chamei para A, você sugere B e, no pequeno período que dura meu pavio, eu te mando tomar no C.

Fica uma coisa meio assim: oi, você quer ir para meu sítio no sábado? Hum, não dá para mudar seu sítio pra praia, não?

Te foder.

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Só um teco, mas só um tequiiiinho de mau humor. Vai passar porque hoje é sexta. Mas mesmo sendo sexta foi um dia estressante. Além disso, acordei tonta e sem vontade de sair da cama (por vários motivos, entre eles por estar tonta).

Além das pessoas pedirem coisa demais, eu também não aprendi a ser adulta.

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Além do fato mais que óbvio ululante de que preciso urgentemente de férias. É sério. Preciso de férias do trabalho, e um pouco de férias de mim, ou do que tenho sido no último mês. Tô cansada, tô cansada. De verdade, tô cansada. Preciso reaprender a ter paciência com os cegos, surdos e mudos. Mas são muitos. E poucos os loucos para contrabalançar.

Falando em férias, meu chefe acabou de vir me dizer que preciso de férias. Me mandou para casa. E disse que além dos meus dias em St Malo eu deveria pegar mais uns dias off. Eu acho que ele está certo. Mas não vou tirar férias agora não. Logo mais, logo mais. Depois de St Malo, só quando meu furacão ruivo chegar.

Eu agüento. Na verdade, agüento muito mais. Só não preciso.

Thursday, March 29, 2007

só mais um livro

Ontem li, de uma tacada só, o Diário de um Magro, do Mario Prata. Ler bobagem é bom de vez em quando. Principalmente para “realizar” que escrever um livro pode ser feito com os pés nas costas. Nunca achei Mario Prata aquilo tudo, e continuo sem achar. Não acho ele tão engraçado, nem tão inteligente, nem tão sagaz. Mas ele me mostrou que com muito pouco se faz um livro. Não um ótimo livro. Só um livro. E que, com um pouco de nome, como é o caso dele, passa-se fácil com esse só-um-livro da 20ª edição.

Eu preciso é aprender a permitir o esculacho. Porque leio e releio meus escritos e naturalmente na terceira leitura acho tudo uma bosta e eu, uma pretenciosa babaca.

Tenho certeza de que o Mario Prata não fica se relendo. Ou então tem um senso de autocrítica invejavelmente baixo.

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De uma hora pra outra todo mundo aqui resolveu falar da escravidão. O Reino Unido “comemorou” (de memorar-junto, não de celebrar) no dia 25 os 200 anos do fim da escravatura. Nunca se falou nada. Aí, porque é “aniversário redondo”, resolveram fazer marketing. Aí veio o Tony Blair e disse so-sorry e pronto, está tudo ok pelos próximos 100 anos.

E segundo o historiador John Oldfield, as desculpas do primeiro-ministro constituem uma homenagem (forçada) aos imigrantes, que são os novos cidadãos do Ocidente.

Homenagem aos imigrantes pelo fim da escravatura? Não entendi. (Sempre fui ruim de história, anyway.)

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Melhorei da gripe. Já quase passou. Após dormir 4h ontem de tarde e mais 8h essa noite. Um Rivotril natural, essa gripe.

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Agora é oficial: Preciso comer mais verdura. Tenho certeza de que essa gripe só veio porque meu sistema imune, de quem sempre me gabei, está no chão, derrotado, chorando pelos cantos. Abandonado. Preciso comer mais verdes. Eu gosto deles, os verdes, só que geralmente eles requerem *preparo*, e quase todo dia tenho arrepios ruins na nuca só de pensar na palavra *preparo*. Mas é preciso. É preciso cuidar bem de mim.

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Tempo voando – Fru chega no domingo, quinta vamos em NOVE para Bretanha. Lá vou eu, mais uma vez, tentar desfazer a idéia que nasceu empiricamente na minha cabeça de que viajar em grupo grande é uma grande merda.

Pode ser divertido.

O problema é que não agüento gente mole. Gente que demora anos-luz para lavar um rosto, que enrola para acordar, que enrola para escolher, que enrola, enrola, enrola. E convenhamos que em um grupo de NOVE sempre vai haver um atrasildo em tudo. Ficar impaciente is a no-no, Beatrissinger.

Remember: holiday!

Wednesday, March 28, 2007

Continuo doente. Tá perdendo a graça.

Friday, March 23, 2007

poucas palavras

Assisti a The Last King of Scotland essa semana. Adorei. A atuação do Whitaker está fenomenal. Um Oscar justo. Alguém mais viu? Alguém não gostou? Tá na moda fazer filme na África? Tudo bem por mim, desde que sejam filmes bons.

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Ontem acordei atrasada.

Mas meu chefe está me amando. Só hoje, uma das campanhas que estou fazendo gerou £40,000. Não é pouco, não.

Eles sempre dão champagne de presente para quem se destaca. Aí há um mês eu tive a brilhante idéia de sugerir que parem de dar champagne e comecem a dar mp3 players. Mandei bem.

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Acho que estou ficando doente. Passei meio mal de noite, mas nada demais. Só que acordei toda torta. Dor nas costas e na garganta e nos olhos. Cansada. É sexta, eu vou parar de reclamar.

Mesmo porque, posso estar doente mas tem quem cuide de mim.

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É complicado viver sem secadora de roupas. É complicado viver sem uma geladeira de tamanho decente para quatro pessoas. É complicado viver sem microondas. É complicado viver sem aspirador de pó numa casa toda de carpete. É complicado. Tá complicado.

Wednesday, March 21, 2007

blow it all

Para quem não sabe, minha vó tá no hospital porque caiu e quebrou o colo do fêmur. Uma quasi-tragédia quando se tem 90 anos. Nada demais, foi operada e já passa bem. Muito bem - segundo minha Piu:

Fui visitar a vovó no hospital. Ela cantou três vezes o hino do Corinthians. Deve estar tudo certo, então.

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Desenterrando pérolas: “Talvez se eu bebesse um pouco, um dia eu saberia o que é estar triste sem sentir tristeza.” – Eu, 2003.

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Na minha hora de almoço fui na Wilkinson’s comprar antipulga.

Estou furiosa com os serviços desse país. Vocês acham que Inglaterra é muito civilizada, né? Nããão, nããão. Estou tentando apenas transferir minha broadband/telephone/TV a cabo para o endereço novo. Aí, pessoas que pensam como eu e você, imaginam que será fácil, afinal, quem quer perder clientes num mercado competitivo como esse das telecomunicações, certo? Errado. Eles querem perder, sim. Eles perderam, inclusive. De uma hora para outra meus dados *sumiram* do banco de dados dele. Sem hesitar, falei, well, my dear, se meus dados sumiram, o Direct Debit também vai sumir. Claro. Vou eu, idiota, ficar pagando por um serviço que não me está sendo fornecido? Cancelei. Cancelado. Cancelado o Direct Debit, que fique claro, porque eu não tenho como cancelar ou transferir uma conta que para eles nem existe.

Palhaçada.

Aí então ligo para a imobiliária para pedir meu depósito de volta. Aqui no UK temos que dar um depósito para o dono do imóvel, para o caso de sairmos da casa antes do contrato terminar. É tipo um cheque-caução, mas bem, bem alto. Na casa em que eu estava em Fulham, eu e Broo tínhamos £810 cada uma. E, vou te dizer, estou tendo um hard time para reaver essa grana.

(Quero que a dona vaca arda bem devagar no mais escuro, profundo e fétido dos infernos.)

Essa é minha vida. Pelo menos comprei o antipulga.

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Hoje estou em um daqueles dias em que gente, de um modo geral, me irrita. Não respira, não chega perto, não conversa, não me olha. Não me enche. Puta merda.

Tá, nem toda gente. Mas quase todo mundo pode enfiar o dedo no cu e rodar!

Tô num puta mau humor. Mas há de passar em algumas horas. Há sim. É só eu parar de ter que falar com os mongolóides dos Customer Services do universo.

Monday, March 19, 2007

send back letters from the Graceland home

Ontem eu mal conseguia me concentrar no livro antes de dormir. Meu quarto tá tão, tão lindo que fico pensando que vou querer ficar nele mais tempo que o recomendado em condições normais de temperatura e pressão.

Agora tenho escrivaninha.

E meus livros todos olham para mim enquanto durmo.

Meu chuveiro é meio frio, mas tudo bem. Enquanto bato os dentes, penso que faz bem para a pele e para a circulação. Aí bato os dentes quase feliz.

O plano para hoje é passar aspirador de pó e trocar a roupa de cama. Feito isso, não preciso fazer mais nada (até começar a baderna de novo).

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Bruno, eu sei que você está aí: pode calibrar o pneu da minha bike, façavô? Foge não.

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Fim de semana muito proveitoso. Além de ajeitar meu quarto, descolei força motriz, de carro e de gente, para buscar minha escrivaninha nova. Teve Guanabara com feijoada na sexta, teve churrasco na Casa Oval no sábado, e teve enrolação e almoço no Nandos no domingo. Foi bom. Mas estou voltando ao regime, pelamor.

E o melhor – essa segunda passou voando.

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Comprei nossa much expected torradeira. Ninguém segura Graceland, alcunha carinhosa dada por Byrifoy a nossa casinha. Graceland é o nome do rancho do Elvis Presley. Daí vocês já têm uma idéia.

Friday, March 16, 2007

22

Eu tinha 22 quando saiu isso aqui:

Dezembrando

Talvez eu tenha sido meio sacana com você
Jamais se deixaria confundir por uma mulher
Foi melhor cairmos fora do caminho
(um do outro).
Até quis te reencontrar, te ligar, dizer um oi,
como
vai.
Mas você estranharia.
Você estranhava muita coisa em mim
Você não trazia poesia no olhar.
Falta de aparatos poéticos da sua cabeça
(quase genial).
A força das palavras em que tropeçamos não causava efeito em você
Preciso, embora doa o coração
Eu nunca gostei de coisas simples anyway
De repente ele não fez mais
(diferença).
De repente minha vida continuava igual, como sempre fora.
De repente ele foi
(uma invenção da minha cabeça).
Vinte minutos e, bom, então a gente se fala
Por alguns instantes achei que fosse uma balsa
A balsa oscilava em mar pouco mareado, mas ainda assim mar.
O leve balanço da balsa.
O balanço que a princípio assusta mas depois embala.
O balanço de uma balsa tão pequena como uma cama
(de solteiro),
que não te dará
(respostas), mas que não mais virará.
Um balanço cativante, que simula o coito.
Um balanço que te leva para outras águas sem você
(perceber). Sempre.
Voz que podia ser de engano
Deus é a resolução
(de uma equação)
É o delírio epifânico do conjunto solução
São vários livros que se abrem e se fecham a todo instante
É que aqui sou eu, sabe? E só.
Não tem ninguém
participando
Conselho de amigo: bico calado.
(ou eu atiro).

Thursday, March 15, 2007

atenção: "clothes!"

Dois sacos de lixo inteiros, cheios até a boca, com uma página de caderno grudada onde se lê “clothes!”, assim, com ponto de exclamação para salientar a urgência. Clothes! Muitas roupas que joguei fora. Muitas delas extremamente usáveis ainda, mas não por mim, que sou uma senhoura de fina classe. Mentira, joguei fora echarpes também. Pensei em guardar para dar para babãe, ela sim uma senhoura de fina classe. Mas aí de repente me deu vontade de me libertar do que quer que fosse que estivesse me prendendo àquelas roupas. E joguei tudo fora. Com o sinal “clothes!” para mostrar que é um saco cheio de coisas úteis, que não é pra ir pra qualquer lixo, que ali tem coisa valiosa para qualquer pessoa, não só para o lixeiro.

“Clothes!”, quase gritando: por favor abra o saco e salve roupas lindas, algumas semi-novas, da morte prematura. Tem de tudo lá: gorros, cachecóis, sobretudos com microfuros – mas ainda assim sobretudos -, restos de perfume, restos de cosméticos, um quadro meio rachado que tenho há anos e nunca pendurei, bolsinhas que não usei, até ceroulas tem. E, pecado dos pecados, um livro. Tem um livro que comecei a ler e larguei no meio e não achei que valia o peso de carregá-lo comigo. Um pecado que não me incomoda. A livros ruins têm que ser dado o devido desvalor.

Vou parar de pensar nos dois sacos “clothes!” agora, *1 2 e já*.

Vou parar de pensar em outras coisas que possam estar contribuindo de maneira direta ou não para o processo mingüante de minha sanidade mental.

*1 2 e já*.

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O que sonhei essa noite? Sonhei que havia uma velha numa piscina, e a velha parou de respirar. Fui até a borda e segurei seu braço direito, mas percebi que, antes de tentar ressuscitá-la, ela voltaria a respirar. E voltou. Deu uma leve tossida e perguntou o que tinha acontecido. Ficou assustada, poderia ter morrido. Eu sentei na beira da piscina e deitei sua cabeça no meu colo. Ela começou a chorar. Fazia tempo que ninguém lhe fazia cafuné. Depois de um tempo começamos a conversar. E aí eu entendi que acabou o ar da velha por causa da solidão.

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Ontem eu fiz tanta, mas tanta coisa. Eu fiz muita coisa mental, eu fiz muita coisa física. O dia durou umas 40 horas e eu terminei o que comecei. Também venci um medo bobo que, na minha cabeça boba, era gigantesco. Venci, então, mais um medo bobamente gigantesco. Eu até conto se você perguntar. É só perguntar com jeito.

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Saudade da minha irmã e da energia que ela irradia. Meu solzinho pontudo e folgado.

E saudade de babãe e babái também. Por que fico assim sempre que minha vida muda? Vontade de voltar para a época em que só mudavam as professoras da escola? Vontade de não ter controle sobre as mudanças? Babãe e Piu é que estão certas: manha, pura manha. Engole esse deschoro.

Tuesday, March 13, 2007

abre abas

Estou cansando. O problema é que demoro a perceber. Aí quando realmente canso, estouro. E estou chegando lá. Talvez esteja na hora de ter uma conversinha, não sei. O negócio é que moro em outro país para ser independente. Quisesse ter alguém mandando em cada peido, teria ficado debaixo da asa da minha família – eles sim sabiam me irritar da maneira certa. Da maneira que preciso ser irritada.

Hoje em dia, não aceito ninguém mandando na minha vida. Aceito sugestões, aceito negociações, mas não aceito ordens. E não aceito ninguém criticando cada passo meu. Sou péssima para aceitar minhas falhas, mas sou pior ainda para aceitar falhas que não são minhas.

Amizade, legal. Mas sem parasitismo.

Vamos lá, cada um cuidando do próprio nariz. Não tem erro.

Pronto, desabafei.

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Passei minha primeira noite na casa nova. Foi melhor do que eu esperava, mas acho que só porque bati o pé para o Byrifoy me fazer companhia. Ele teve que cancelar um “encontro” no mundo de LineAge (não sei o nome do “país”, sorry Byrifoy!) porque eu estava realmente assustada. Não era nada concreto, nem sei o que me deu. Uma daquelas estranhezas que me dão de vez em quando. Medo indefinido. Daqueles que dão mais medo, porque são generalizados, porque cada pedaço seu teme ser atacado a qualquer momento pelo novo. Eu, cercada de coisas novas, sem saber onde fica o interruptor, sem saber se haverá barulhos novos, sem saber se vou chegar no trabalho na hora, fico completamente perdida. E ontem estava assim. Mil coisas na cabeça, um cansaço homérico e justificado, e os olhos arregalados em contradição.

Hoje vou na casa velha, pegar, entre outras coisas, meu computador. Porque eu, com toda essa apreensão, com todo esse medo, estou inspiradíssima. Sempre foi assim.

Saturday, March 10, 2007

chega de brincar de casinha

Eu tive que me dar uma de desentendida para minha própria têmpora em chamas ou não conseguiria arrumar tudo para a mudança amanhã de manhã.

Caralho, como eu tenho tralha.

Eu sublimo tudo, sublimo tudo e vou entuchando. Com um criteriozinho ou outro. Dois sacos de lixo cheios de roupas e bugigangas, muitas das quais nem tirei a etiqueta. Shame, shame.

O negócio é dar uma pausa agora, que o grosso já foi, almoçar, tomar um remédio, quem sabe uma cochilada e depois, Beatrissinger, façavor de terminar. Porque tá quase lá.

Puta merda, cansa.

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Ontem assisti Casino Royale com Byrifoy pela segunda vez. Pela segunda vez adorei. Daniel Craig e seu bico. Aiai.

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Eu tenho idéias brilhantes. Mas elas raramente se aplicam a mim.

Mas pelo menos são brilhantes. Né?

Thursday, March 08, 2007

deschoro

Vou nadar hoje. Preciso. Estou me sentindo um balão. Hoje teve almoço com o pessoal de telesales. Eles atingiram a meta deles e nós participamos da bonança também, embora o vendaval não tenha despencado sobre nossa cabeça.

De qualquer forma, merecemos, sim. Nós montamos as campanhas deles muitas vezes. Um papo longo e chato. Esquece.

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Ontem conversando com Byrifoy tentei lembrar a última vez que chorei. Não foi fácil lembrar. A última que lembro foi num filme, mas isso não vale. Digo choro de verdade, choro com a minha vida, choro pelas minhas causas.

Acho que dei uma derramadinha quando saí do Brasil, no aeroporto mesmo, ao me despedir da família. Depois de me despedir, na verdade. Mas nada alagável.

Antes disso, lembro de ter chorado no natal também, com minha Piu. Mas contando apenas este ano, tudo indica que teremos um ano de deliciosa estiagem.

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Eu entendo se muita gente realmente não entende meu mundo. Andando na rua com a Flá, inventei que um cachorro qualquer, amarrado a um poste do lado de casa, seria meu oráculo. Fiz uma pergunta capsciosa e ele respondeu o que eu mais temia e mais queria “ouvir”.

Aí, no dia seguinte, constatei que o cachorro estava errado, e eu, também, ao querer que ele estivesse certo.

Ufa.

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É engraçado como tem gente que nunca
Jamais
Admite que perdeu.
E apenas que perdeu. Que ninguém sacaneou.
Só a pessoa que
*Simples assim*
Perdeu.

Wednesday, March 07, 2007

Monday, March 05, 2007

tufões

E com o passar do tempo, além de espontânea, vou ficando assim mais sincera. De modo que mesmo que eu queira esconder o quanto você me afeta (e todo o meu afeto), eu já não consigo. Nem no blog.

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Ainda nem chegou Bretanha e já estou querendo bookar a viagem de julho com minha Piu. Vida boa, essa, de cidadã européia. O plano é fazer Berlim e Amsterdã. De trem. Plano ainda.

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O fim de semana foi bom. Nada demais aconteceu. Mas é bom ter um fim de semana tranqüilo precedendo o fim de semana de mudanças. Reservamos o cara da van para o próximo domingo, 10 da manhã. Mudar em Londres deve ser bem mais fácil que no Brasil. Eu não sei julgar porque morei no mesmo apê em Sampa desde os 6 anos de idade, e não tenho lembranças das poucas mudanças que fizemos. Provavelmente porque não participei de nada, desde a compra do apê até a mudança em si, incluindo a disposição dos móveis etc. Fair enough, eu aos seis anos faria do meu quarto um cenário de Alice no País das Maravilhas, com gliter e bola e discos jogados aleatoriamente, tal acurado era meu senso estético.

Agora tenho que cuidar da mudança toda. É um sistema que vale uma animação gráfica, mas meus skills/tempo/saco para fazê-lo me impedem. Seria algo assim:

Decidir mudar --> procurar flatmate --> procurar casa --> achar casa (pode comprometer flatmate) OU achar flatmate (pode comprometer casa) dependendo do que for mais importante, flatmante ou casa --> acordar tudo com o landlord OU agência sem perder a sanidade mental (se perder a sanidade mental, mudar a primeira etapa de “decidir mudar” para “desistir de tudo”) --> acertar a saída com o antigo landlord e recuperar o depósito que demos ao mudar para lá (sem perder a sanidade, porque não vai resolver o problema, e será SEMPRE um problema) --> se a saída for tranqüila, parabéns (me ensina) se não for, perca alguns cabelos lutando pelos seus direitos --> arranjar uma van para fazer a mudança. Se você for pobre, como eu há um ano e pouco, faça a mudança com 7 (sete) viagens de metrô. Mas desconte também mais alguns tufos a menos de cabelo, plus costas estouradas --> uma vez efetuada a mudança e recuperado o depósito, o pior já passou. Mudar todos os 8479873275 de endereços da antiga casa para a nova à tentar ser rápido em descobrir o que é podre na casa nova e começar tuuuudo de novo, uma relação de ódio-ódio com o landlord.

Espero estar sendo muito pessimista. É que nossa experiência anterior foi foda. Não quero me iludir só porque meu novo landlord é meio velho, tem o naris meio torto, é irlandês e é meio fofo. Não, isso não é motivo.

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Sobre minhas portas e janelas, confesso que sempre quis deixá-las abertas, mas ultimamente preferi encostá-las, talvez porque entrou alguém na casa que eu não quero que saia. Mas estão apenas encostadas as portas, e destravadas as janelas. E a luz lá dentro indica que tem gente. E o cheiro indica que tem feijão e abraço quentinhos.

Porque amo demais e quando amo sou insuportavelmente carinhosa.

Mas eu ia dizendo: a porta está encostada. Ninguém precisa arrombar para entrar; ninguém precisa arrombar pra sair. Eu deixo circular. Eu quero movimento além de vento. Dentro fora. Para arejar, mas não a ponto de me sufocar com oxigênio demais.

Friday, March 02, 2007

justiça sujinha

Fiz uma listinha de coisas que preciso fazer no trabalho. Ou que pelo menos gostaria de ter ânimo para fazer. Ao longo dos anos, fui mudando. Antes eu não funcionava de manhã e era uma verdadeira máquina taylorista à tarde. Agora sou o contrário: de manhã funciono a todo vapor, mas chega de tarde e escangalho tudo.

Estou deliciosamente escangalhada, aliás.

Ainda assim hoje vou nadar.

E aquele mal-estar já está passando, já quase passou. Tem gente na minha vida que nem sabe mas tem esse poder. Também ajuda o fato de eu ter feito exercício todos os dias essa semana. Cheguei naquele ponto em que ou encaro o frio, ou encaro a depressão. Tendo passado pelos dois, fico com o primeiro.

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Comprei uma garrafinha térmica que a Flá pediu no Asda. Aí veio sem a borrachinha. Aí eu voltei lá hoje e roubei a borrachinha de outra garrafinha térmica. Chama-se justiça *sujinha* com as próprias mãos. Faço muito disso.

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Aí que hoje é sexta de novo e bochechas serão destroçadas de maneira esporádica throughout the weekend.

Thursday, March 01, 2007

stop the press

É por essas e outras que eu realmente me divirto com o que deveria ser coisa séria. A imprensa brasileira é uma piada! Manchetes de hoje nos principais jornais:

Folha: PIB de Lula empata com o de FHC
Estadão: Brasil cresce só 2,9%, bem abaixo da média mundial
Globo: Brasil cresceu em 2006 metade da média mundial

Entenderam? O Brasil é um país diferente de acordo com o jornal que você lê.