Thursday, September 29, 2005

depois do afeto

Apesar de ter metido o pé na jaca no meu regime, tenho me sentido linda. Gatinhos na área. Alguns mais, alguns menos, alguns novos e alguns velhos. O Chris, por exemplo, resolveu reaparecer. Combinamos de nos ver semana passada. Fomos num pub no final da tarde, depois do trabalho de ambos. Conversamos muito, tudo muito divertido, ele fofo, eu fofa, somos fofos afinal. Aí no final fomos nos despedir e, tchuf, o moço atola a mão na minha bunda. Ah, Chris, não é assim que se faz. Tudo errado.

Definitivamente passado.

Meu atual foco não é Manager, não é Malandro, não é Chris. É o Mr Austrália.

Tá. Pode ser a maior cagada dos últimos tempos (e olha que pra ser maior cagada nos últimos tempos tem que feder meeeesmo), mas, cara, tá foda. E se digo que está é porque está mesmo. Fruquinha amiga e leitora assídua não me deixa mentir e estava presente no digníssimo housewarming que fizemos aqui. Ela conheceu meus novos flatmates e aprovou o mocinho, claro, ele é todo aprovável. Provável, na conotação, ahn, gastronômica da palavra.

Mas pára, Bia, pára. Não bom. Ele mora com você e vai morar com você por sabe deus quanto tempo mais. Ele vai trazer menininhas para dormir no quarto dele. Eu pretendo muito decentemente trazer rapazinhos para dormir no meu quarto. Não vai ser legal ver olhos injetados de ciúmes de nenhuma parte. Não quero correr o risco de me sentir incomodada com a idéia de trazer algum carinha em casa, nem com a idéia de vê-lo chegar com uma sirigaita. Assim sendo, declaro e assino aqui que só darei o próximo passo (que promete ser deliciosamente cheio de beijos e amassos, ufff) se for para fazer direito. Brincar sério, se é que vocês me entendem.

Mudemos de assunto e só voltemos a este quando eu tiver NOTÍCIAS, e não POSSIBILIDADES.

Fui a uma entrevista na segunda-feira. Não gostei. Serviu para eu conhecer Kingston, ao sul de Wimbledon. Uma gracinha de vila. Mas não rolará ir todo dia para lá, ainda mais que não achei o lugar tão bacana assim. O negócio é que eles gostaram de mim, e querem me ver novamente, e eu não quero e não sei ainda o que vou fazer. Aí quarta tive outra entrevista, em Highgate Village, uma coooooisa de região, norte de Londres, próximo de Hampstead, ladeirinhas, casas vitorianas, praças de paralelepípedos, tudo pequeno, tudo lindo. Adorei o trampo. Tô na expectativa de que dê certo. Mesmo. Amanh㘘tenho outra entrevista, dessa vez para salva-vidas, para um trampo que paga bem melhor. Dinheiro é coisa do bem. Todo mundo merece.

E segunda-feira tem uma surpresa. Além do curso, que está indo muito bem, e que vocês poderão acompanhar mais de perto no meu blog recém-nascido. A surpresa fica para quando ela deixar de ser POSSIBILIDADE e virar FATO, ok? Cansei de me iludir e iludir vocês, fofos leitores.

E é isso. Minha vida está quase boa de novo. Nota 6.0. Falta bastante tempero, mas os ingredientes básicos já estão cozinhando.

Wednesday, September 28, 2005

o sétimo filho

Queridos, amados, conhecidos, desconhecidos: hoje pari meu sétimo filho eletrônico. Desta vez, nasceu nerd, de óculos e livro em punhos, com bafo de quem fica muito tempo sem falar, com teorias por trás de qualquer prática. Meu primeiro filho gringo, inclusive. Educadinho a falar inglês desde o nascimento. Meu filho acadêmico. Na verdade, nasceu como lição de casa do curso que comecei a fazer na University of London na última segunda-feira. Evitem morte prematura: visitem, leiam e comentem.

Ele está aqui, ó: Blame it on Media!

Friday, September 23, 2005

working my arse out

Basicamente sumi e basicamente serei breve agora porque estou trabalhando muito mais que um dia sonhei. E isso porque, entre outras coisas, não tenho dinheiro para comprar um iPod nano como o que comprei alguns dias atrás. Foi tão fácil... Entrei no site da Apple Store, nenhuma taxa de entrega, algumas AirMiles colecionáveis e a lembrança de como eu e meu iPod Shuffle nos dávamos bem antes de ser seqüestrado sem pedido de resgate.

Depois de mais uma semana de self-pity (juro que tentei evitar, mas aconteceu), resolvi me dar esse *treat*. E para me dar esse treat, tive que sacrificar dias de merecida bundação para trabalhar como ontem, por exemplo, das 6:30h às 21:30h, com meia hora de intervalo, o tempo de subir no metrô e ir de um trampo ao outro.

Ridículo, babaca, sem graça. Mas foi. Trabalho logo mais e o fim de semana inteiro e a semana inteira, claro. Esse iPod nano é bom ser a coisa mais *fofa* dos últimos tempos, porque me custou bem mais que £140 no final. Custou um tequinho da minha saúde.

Novamente, aquele blablablá: estou atrasada em meus emails, posts, escritos, falados, telefonemas, tudo. Não sei se um dia chegarei a ficar realmente em dia com tudo. Desconfio que não, mas tento não falar isso muito alto em caso de eu ouvir. O eu obsessivo-compulsivo que não agüenta nada pendente, nem mesmo uma vontade mínima de fazer xixi. Não muito longe do ódio de existir na forma humana, que permite estar consciente de que há uma vontade de fazer xixi; há, portanto, a necessidade de uma privada e, preferivelmente, um rolo de papel higiênico.

Ai, tô pirando demais. Mesmo meus leitores mais costumazes não devem estar entendendo nada. Não os culpo: eu também já não entendo mais.

Saturday, September 17, 2005

aonde foi parar minha casa ou a metáfora do ponto de ônibus

Outro dia estava saindo do trabalho, no ponto de ônibus, e um cara senta ao meu lado. Distraído, ele não viu o ônibus dele chegando e quase partindo. Levantou esbaforido e saiu correndo. Eu gritei, ei, moço, não esquece sua sacola! E ele respondeu "sorry". Tudo bem que inglês pede desculpas até por respirar mas a questão é que, em vez de agradecer, ele se desculpou. Como se fosse uma ofensa esquecer uma sacolinha, uma dessas small brown bags, no banco do ponto de ônibus. Como se, enfim, eu fosse achar que naquela sacolinha de papel estivesse uma bomba.

Aqui está assim. Uma neura sem tamanho, mas não sem fundamento. Agora Londres é parte do crescente número de cidades *com histórico*. Enquanto qualquer cidade for *sem histórico* de terrorismo, nenhuma precaução é justificada, qualquer alerta é alarde, uma ameaça é só uma ameaça e uma sacola esquecida e recuperada é agradecida, e não desculpada.

Claro que somado ao fato de morar numa cidade *com histórico* está minha desilusão com o rumo que minha vida tomou aqui. Não estou querendo soar fatalista; tudo pode mudar e as coisas podem parecer menos negras ou até coloridas dentro de alguns meses. Mas por enquanto meu gráfico está caminhando para a abcissa.

Essa semana, inclusive, bati meu recorde. Não consegui o mestrado, não consegui Reader's Digest, não consegui IMP, nem uma noite, er, quentinha ao lado do Malandro consegui. Ficamos assistindo devedê. Supimpa. Devedê my ass, meu filho.

Três da manhã e lá fui eu de volta para casa de táxi, pensando que de fato tudo o que realmente quero não tem acontecido. Onde eu errei? O que está faltando? O que está sobrando? Quantas voltas mais o mundo precisa dar para começar a girar para o lado contrário - o certo? Quando todos esses nãos vão fazer algum sentido? Estou esperando a hora em que vai me dar o tal do clique. Que vou entender por que, como todos dizem, tudo aconteceu de forma a me contrariar mas só porque lá na frente vai fazer sentido. Estou esperando para ligar os pontos. Estou há meses com o lápis na mão. Espero que na hora em que houver pontos a ser ligados *lá na frente* eu não tenha quebrado a ponta.

De repente me senti sozinha de novo. Bobbynha me mandando text messages de L.A., aquela fofa. Fruquinha me afofando o quanto pode, aquela fofa. Mas ainda assim me sinto sozinha. Todas as pessoas importantes na minha vida estão longe de mim. Não sobrou uma, UMA. Todas moram no meu coração, mas eu quero *tocá-las*. Beijar molhado a bochecha da minha mãe, arrancar o nariz da minha irmã, balançar a lela do meu pai,mordiscar a bochecha da Bathatha, passar a mão na testinha enrugada da minha avó, beijar a careca do meu avô (que saudade, que saudade), beijar o olho do Putão, apertar o queixo da Cá, esmagar o braço da Dé, e apertar tantos outros braços e testas de tantos fofos com braços e testas apertáveis. Minhas saudades começam a sair pelos poros, no suor, no movimento rápido dos olhos, nos suspiros mais e mais freqüentes, em lágrimas que inevitavelmente me escapam - já nem luto mais.

Que medo de desabar mesmo.

Thursday, September 15, 2005

babylon

Sem aviso a vida desaba. Um precipício raso, mas ainda assim precipício. Eu prometo não gritar quando chegar a hora de me atirar. Porque todas as decepções que eu podia ter esse ano não cabem num grito, nem o fazem valer a pena. Cair nem seria assim tão ruim, para quem se estatelou sem sair do lugar.

O mestrado não vai rolar. Basicamente, o diretor do curso acha meu inglês escrito fraco para um curso dentro do Departamento de Inglês. E, agora, looking back, concordo com ele. Não quero estudar aqui, investir tempo e dinheiro, para ser aluna nota 5.0. Nunca fui, nunca quero ser.

Agora é hora de repensar minha vida aqui. Não vim pra Londres pra ser salva-vidas. No matter how cool alguns acham, esse trabalho é bem entediante. Então, o negócio é tentar entender o que está me esperando aqui realmente. Quero ficar mais um tempo aqui. Minha hora ainda não chegou. Tenho alguns trabalhos esperando resposta. Reader's Digest obviamente não vai rolar, mas ainda não recebi resposta da outra empresa, IMP. E tem ainda outras coisas. Estou pensando em fazer short courses, para continuar pensando. Não quero parar de pensar, porque eu sem pensar, ou pensando para dentro, sou um perigo. Atestado por minha psiquiatra.

**

E depois de chorar pra burro com a falha no mestrado, resolvi, no bom e velho estilo I'm-a-survivor, sacudir. Let go your heart, let go your head. O mundo continua desabando, eu continuo me estatelando sem sair do lugar, o precipício canta meu nome, mas eu não vou. Ainda não.

Hoje vou sair com o Malandro. Não sei aonde vamos, não sei sobre o que conversaremos, não sei se vou continuar curtindo a idéia de curti-lo, não sei. E estou adorando a idéia de não saber.

Depois conto do Manager. Estou atrasada e preciso tomar um banho caprichado hoje. Porque termino o trampo às 22h30 e de lá vou encontrar o Malandro e sei que a noite vai ser só uma criança.

Sunday, September 11, 2005

cyberlove

Não. Não é isso que vocês estão pensando. Não encontrei um amor virtual. É o mundo virtual que eu amo. Essa é uma declaração de amor à internet. Internet, obrigada por você existir e me manter tão próxima a um passado amado, aos amados de ontem e hoje e sempre. Aos leitores que nem me conhecem e mandam ondinhas de amor - eu sei, eu sinto.

Estou com internet em casa. No meu colo, para ser exata. Enquanto Mr Austrália e Mr Suécia assistem a Dogville no DVD, digito freneticamente.

Minha vida está em apnéia até amanhã, quando muita coisa vai ficar clara na minha vida. Amanhã sai a resposta do mestrado. Se rolar, começo a estudar já no mês que vem. Isso significa que tenho que ler, em um mês, uns 7 livros, entre eles Ulysses. Sim, sim. Se rolar o mestrado estarei pretty much fucked até sabe deus quando. De qualquer maneira, não quero que nada atrapalhe minha ida ao Brasil. Mesmo que tenha que levar livros & cia a tiracolo.

**[pausa para comentário urgente] Gente, o australiano deitou aqui do meu lado, a cabeça a uma régua escolar de distância. Puta vontade de fazer um cafuné. Ele é um fofo. [/pausa para comentário urgente]**

A entrevista de sexta, a segunda que fiz na Reader's Digest, foi uma bosta. Quer dizer, isso foi o que eu achei. Jamais me contrataria se tivesse assistido àquela apresentação. Tive brancos, ri de nervoso, troquei palavras, coisa mais difícil que é embromar em inglês. Não que eu tivesse a intenção de embromar, mas entrevista de emprego precisa ter uns floreamentos. Você não responde simplesmente "não". Responde "não, mas acho que se x e y colaborarem, ou se z não atrapalhar, e se o alfabeto inteiro estiver disposto, aí acho que pode ser. Mas, a priori, não".

Pois foi isso. Me enrolei no meu próprio nariz de cera. Maldição jornalística.

Mas esqueçamos. Passou, foi, zupt, sumiu. Agora é só esperar. Esperar a resposta do mestrado. Esperar a resposta da IMP. Esperar a resposta da Reader's Digest. Sabe que até estou começando a gostar de esperar. Porque quando todas as respostas chegarem, todas todas, aí sim vou ter que começar a tomar decisões. E não são das mais fáceis. E não são das mais superficiais. São decisões de gente grande saindo de uma cabeça que cisma em continuar bebê, sempre que possível. E o sempre que possível está se tornando quase impossível. Quanto mais o tempo passa aqui, mais me sinto uma senhora. Tantas responsabilidades, tantas preocupações, tanto a pensar, decidir, unir, excluir, telefonemas a fazer, coração para aquietar, minha saúde, compras, o aluguel, trabalho demais, e no entanto estou aqui, sentada na sala com dois rapazes deitados, assistindo a um filme quietinhos, enquanto digito e nada, nada além de digitar, nada além de vomitar pelos dedos, ocupa minha cabeça.

Uma senhora. Crescer é isso. Saber que o mundo desaba sobre seus ombros todos os dias, e nem por isso você deixa de regar sua planta, ou fazer seu café com calma, ou assistir a um programa favorito, ou escrever num blog que é mero engano de Google para tantos leitores.

Voltei.

Tuesday, September 06, 2005

a place called home

Desde ontem um bolo na garganta. Um medo de tanta coisa acontecer em tao pouco tempo e nao ter ninguem para olhar serenamente de fora. Sim, estou sozinha. Digo, me sentindo sozinha. Sozinha mesmo eu nunca estou. Minha casa estah sempre cheia, meu trabalho eh com pessoas o tempo todo, minhas viagens de trem sao regadas a mensagens e telefonemas. Mas estou meio sozinha.

Acabo de sair da Goldsmiths. Basicamente, preciso provar que sou capaz de escrever um trabalho academico em ingles. Se conseguir fazer isso, nos proximos dois dias estou dentro. Sim, eles me ofereceram a vaga de mestrado. Fui aceita. Claro, com a condicao de poder provar que sou capaz de escrever. Eu. Capaz de escrever. Vou arrebentar meu computador. Ele quer 6 paginas. Farei 12. E nao quero nenhum native speaker corrigindo meus desabafos. Eu e eu apenas. Eu e o desafio. Vou escrever. Dai, apenas continuem torcendo.

Tenho toda essa mistura de medo e felicidade tipica de novos tempos, e nao tenho com quem dividir. Bobby na Franca, Fru em Budapeste e eu aqui, meio perdida, meio achada, feliz e assustada, correndo parada.

Ainda sem internet em casa. Puta merda, minha gente, puta merda.

Respirem por mim, porque eu, nos proximos dias, estou prendendo o ar com medo de ele, tambem, me escapulir para sempre, perdido entre as coisas que vem e vao tao depressa na minha vida.