Tuesday, November 30, 2004

bright mind

E aqui estou novamente, ainda arrotando o almoco e escrevendo freneticamente para aproveitar os 22 minutos que me faltam para voltar aa enxada. Voces que me conhecem sabe o quanto me irrita nao poder extravasar minhas palavras. Mas, sim, estou escrevendo e devo aproveitar o tempo porque agora ja faltam apenas 21 minutos.

O fim de semana em Brighton foi delicioso. Quase perfeito. Aqula casinha lindamente simples e empoeirada, em Ovingdean, chega a me emocionar. Tantas historias, cada cantinho da casa parece ter seus segredos, omitidos naquela sabedoria serena dos idosos. Aquele sorriso meigo e sabio, que esconde algo e que deixa escondido mesmo, porque eh assim que tem que ser.

Pudera, faz 30 anos que aquela casa pertence ao tio Hans, meu tio avo, que comemorou ontem 94 aninhos. A plenos pulmoes, porque ele apagou a vela e eu vi. E com uma cabeca impressionante. Todas as condecoracoes e premios que ele ja ganhou na vida ainda sao insuficientes para refletir o brilho vivido que ele traz nos olhos. O brilho de quem aproveitou cada segundo desses 94 anos para realmente mudar alguma coisa. O brilho transparente dos que fazem, nao dos que fingem. Os que fingem, essa grande maioria na qual me incluo, nunca trarao esse brilho tao verdadeiro nos olhos. Brilho de vitoria independentemente do quao reconhecida pelos outros ela foi. Tio Hans foi um desses. Chairman da ONU, uma paulada de livros publicados sobre economia em paises subdesenvolvidos (quando falar em "paises subdesenvolvidos" nao era o pecado moral que eh hoje), morou em paises estapafurdios (dois anos na Etiopia, just to mention one), indicacao ao Nobel da Economia... Ah, claro, tambem foi condecorado pela rainha e eh Sir aqui.

E a casa dele cisma em sustentar um ar de que o que realmente importou estah alem disso tudo. De que isso foi consequencia apenas de uma mente bem-usadamente brilhante. Porque de nada adianta apenas o brilho se ele for pro lado errado.

Depois de um sabado perfeito ao lado dos queridos Nickao e Frufru, em que passeamos na praia, fomos para o pier, almocamos fish & chips, visitamos o Pavilion (casa de praia da familia real ridiculamente grande e rica e intimidadora e bela e brega) e terminamos num bom e velho pub, o domingo foi aquele dia familia. Acordei cedo, fiquei preenchendo o rascunho do meu application form para o mestrado, e logo chegou Elaine, a senhoura simpatica que ateh hoje nao sei bem o que faz. Ela eh uma especie de empregada-agragada da familia.

Ela trouxe um batalhao de coisas, faixa de Happy Birthday, bolo enfeitado, velas etc. Mais adiante chegou o tio Hans com a Odile, viuva do filho do tio Hans. O velhinho veio segurando sua bengala, de chapeuzinho, bem devagar, olhando para o topo da escada de vez em quando, onde eu o esperava para dar um abraco. Naquela hora vi meu avo. A mesma expressao, o mesmo chapeu, ateh a mesma bengala. Tudo igual ("mas ele eh mais bonito", diria meu avo).

Mais adiante chegaram Lucia e Joanna, uma surpresa deliciosa. Sao netas do tio Hans; logo, minhas primas em algum grau. Eu achei que nao me daria muito bem com elas, nem sei bem porque. Aquelas coisas de crianca que vai conhecer amiguinho novo e fica ressabiado. Elas sao uns amores, e ja combinamos de montar um time de triatlo. O Singer Team. Eu nado, Jo pedala e Lucia corre. Elas sao assim tipo eu, gostam dessas doideiras. A Lucia, por exemplo, passou dois anos viajando o mundo de bicicleta, desde Paquistao, Turquia, India, Nova Zelandia, ateh coast-to-coast nos EUA. E a Jo decidiu que vai ser courrier. Ha dez anos ela pedala entregando encomendas em Londres. E ama. As duas ja correram maratona juntas vestidas de nao-entendi-o-que, mas pareceu engracado. Foram expulsas e soh puderam voltar a competir agora.

Uma familia normal.

Foi uma delicia me sentir mais perto de outro lado da familia tambem. Ateh agora, meu contato havia sido quase todo com o lado Blandy. Aos poucos vou descobrindo o quanto o lado Singer eh forte em mim. De alguma forma, em alguma sombra do olhar, achei que pareco um pouco com a Lucia. Foi estranho.

Mas a ideia do Singer Team brilha. Vamos levar adiante.

O almoco estava delicioso. Soh verduras e paes, porque Jo e Lucia sao vegan.

Depois muito, muito papo. Em parte regado pelo delicioso vinho do porto Blandy, de que tive de bebericar um teco, afinal estavamos celebrando e eu havia trazido o vinho. Tudo devidamente registrado nesta fotinha de Frufru.

E eu sei que tinha muita coisa acontecendo no mundo naquela hora. Mas para mim, eu estava satisfeita em pensar que era soh aquilo mesmo. Serenidade. Fim de semana revigorante para enfrentar mais uma semana pauleira.

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Ai, mais dois minutos.

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Pena que logo na segunda-feira, ontem mesmo, sofri uma decepcao. Daquelas pequenas e grandes ao mesmo tempo. Aquelas little things that kill. Mas xaprala. Ninguem mandou nascer sensivel e atravessar pessoas com o olhar e compreender o que eu nunca deveria precisar saber.

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Reveillon possivelmente mudando de rumos. Vamos ver. Essa historia ta comecando a me encher a paciencia. Capaz de pegar minha trouxa e ir sozinha para onde bem entender. E voces sabem que eu me divertiria, nao sabem?

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Acabou. Triiiiimmmmmmm, fim de recreio.

mural

Pessoinhas que estao com a ideia de jerico de vir para Londres no final do ano, tem um ape disponivel do dia... Bom, vou colar e postar a mensagem da minha amada Bobby. Eh ela quem ta organizando. O lugar eh show.

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Tem um flat bem bacana de um amigo, que estara disponivel do dia 18/12 a 09/01. O ap. tem um quarto grandao, sala e cozinha idem, DVD e CD player, entre outras amenidades. Fica perto de Russel Square e ele quer por volta de 400 pilas. Se alguem souber de algum louco que esteja vindo a Londres nesta epoca do ano...
beijinhos agradecidos em voces todos.

A very nice flat will be available from the 18th of december to the 9th of january. Massive bedroom, living room and kitchen. DVD and CD Player amongst other amenities.
£400 for the whole period, bills included. Please let me know in case you have this crazy mate of yours willing to come to London by this time of the year. The flat is near Russel Square tube station. Cheers!


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Quem quer vir me ver poe o dedo a-li, que ja vai fe-char. Um, dois...

Thursday, November 25, 2004

da serie "you bitch..."

Preciso montar a serie "cuzonices em Londres". Tenho me superado. Outro dia estavamos tentando explicar pros nossos amiguinhos do Times o que eh a interjeicao "opa!", que aqui se fala "oi!". Ai virei para eles, seria, e disse que se ele quisesse parecer realmente cool, tinha que falar "opa-lala". Eu sustentaria minha cuzonice ad eternum se Fruba e Bobby nao tivessem caido na gargalhada.

I don't wanna come back down from this cloud

Yes, 'cause it's taken me all this time to find out what I REALLY need. Nao digo que tenho tudo o que quero hoje, mas, hoje, gosto de tudo o que tenho. Gosto do que sou hoje, 25 de novembro. Amanha nao sei, sou uma gangorra ambulante, y'all know that. Mas hoje estah tudo perfeito.

Trabalhando muito? Sim. Mas recebendo o merecido.

Saudades de todos? Sim. Muitas. Mas lido cada vez melhor com isso.

Homens? Sim. Obrigada. Tem novidade... A serem reveladas para very, VERY important people. Adianto que ontem sai do trabalho aas 6pm e soh cheguei em casa aas 9pm.

Perspectivas de curto prazo? Sim. Amanha vou para Brighton com Fruba e Nickao, para o aniversario do meu tio avo.

E medio prazo? Sim. Comeco do ano que vem, se deus quiser, consigo entrar no mestrado que tanto quero - Literatura e Modernidade na London Metropolitan University.

Longo prazo? Nao. Esse eu odeio porque sempre me trai, entao finjo que nao existe. Minha vida se restringe aas perspectivas do proximo meio ano.

Vejam que nova Biba eu virei. Hoje, planejo meio ano; antes, planejava meia vida. E percebi que no final, das duas maneiras chego no mesmo lugar. Mas, hoje, sem sofrer tanto.

Qualquer diferenca em relacao aa minha vida aqui e no Brasil eh mero precipicio.

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Outra boa nova: quem me acompanha de outros carnavais (leia-se blogs) sabe que meu carro foi roubado em 2002 no estacionamento de um bar na Vila Olimpia. Pois o caso finalmente andou. Gracas a meu otimo advogado e aa Bathathonilda, minha testemunha, e aa propria causa que eh indiscutivelmente a meu favor, foi um sucesso. Logo sai o julgamento em primeira instancia - o que nao significa muita coisa porque os bastards devem recorrer. Mas o que importa eh que ha 99.98% de ser a meu favor. Resta esperar (anos? Ai.).

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Eh amada ou nao eh, essa minha irma?

Furo n'água

Hoje é o terceiro dia seguido que consigo fazer natação. Já estou sentindo a técnica e o ritmo voltando. Já até entrei naquelas de não deixar os outros me passarem (obviamente uma mania herdada pelo meu querido pai). Hoje, em seguida, resolvi fazer aula de hidro na turma da minha mãe. O que são aquelas senhorinhas espivetadas falando "Uhu!"? E o que é minha mãe jogando água na minha cara e me corrigindo (só eu fazendo o exercício errado)? Não é muito fofo?

Outro dia estava comentando com a Bobby que minha Piuzinha deve vir em julho. Ela ficou toda empolgada, porque eu falo tanto, mas taaaanto da minha ruivinha que ela ja a ama sem conhece-la. Ficamos planejando a disposicao dos colchoes e a farra. Eu quero eh que meu sono se exploda. Serio mesmo. Ainda mais se eu nanar do lado da minha Piu.

Wednesday, November 24, 2004

corra, Biba, corra

Tah foda, meus caros. Muito trabalho, pouco tempo para as coisas que realmente importam: bagunca. Virei da noite pro dia uma mulher daquelas que anda em linha reta, maxilar duro, soh falta a pastinha de couro na mao.

E hoje foi um marco. Hoje, aas 7:15h, hora em que saio de casa para vir trabalhar, levei um susto: escuro. Tudo escuro. Juro para voces que ateh ontem estava claro, e hoje escuro. Mesma hora, mesma cidade, mesmo trajeto, mesmo humor. Escuro. Foi clareando aa medida que caminhava meus 45 minutos. Mas o que importa eh que de repente eu entro e saio do trabalho e estah escuro. Me falaram que seria assim, mas eu ainda nao tinha realmente passado pela experiencia. Me assustei, mas nem foi tao ruim assim. Minha vida tem estado muito boa ultimamente para ser estragada por um simples sol (heh!).

E por ora eh soh porque preciso trabalhar.

Monday, November 22, 2004

colheita

Aos que torcem por mim: orgulhem-se.

Aos que nao: invejem-se.

Fui promovida. A partir de 13/12, quando fecho o meu trabalho na area de pesquisa, passo a fazer parte da equipe de marketing. Estou muito, muito feliz. E menos cega para poder fazer planos.

Plantei e reguei. Nada mais natural que colher. Quentinho bom no peito, apesar do frio la fora.

Saturday, November 20, 2004

o que fazer em caso de frio

Ligue o Messenger. E deixe-se inundar.

vc é foda viu. vc tem muitas coisas que busco na vida. tipo eternidade. é, vc será eterna, não sabia?

fotos

Pessoal, as fotos mais fantasticas do meu fotoblog acabam se ser uploadadas. entrem e deem uma olhada no que a Fruba fez com Notting Hill.

Tuesday, November 16, 2004

cinco meses

Ja se foram cinco meses. Cinco meses que parecem ter voado e parado no tempo ao mesmo tempo. Parece que foi ontem a despedida aterrorizante aa qual achei que nao fosse sobreviver. Parece que foi ontem que deixei a promessa de um amor tranquilo para tras. Que deixei Juona-babai-babae, trio que mais amo na face da Terra. Que deixei Fruba sabendo reencontra-la em alguns meses. Que deixei a Thatha, o Putao, a natacao, putz, a natacao. Tudo bem que tem piscina aqui, mas nada que se compare com A natacao no Brasil. Treino de verdade, tecnico carrasco e amado pegando no peh. Caimbras alegres. O proto-orgasmo da exaustao fisica.

Deixei a Ligia e sua panela. O milagre que eh poder acordar sem despertador. Deixei meus avos, velhinhos tao velhinhos que ameixa jah eh pouco. Deixei a terapia, a piscina no predio, as idas ao Extra depois de nadar, as visitas fortuitas aa loja azul. O biscoito de polvilho de toda quarta. E o requeijao, de que pensei que sentiria muito mais falta na verdade.

Ao mesmo tempo, parece uma eternidade ter me separado de pessoas tao queridas. Parecem anos que conheco a Bobby. E o Ernesto. E uncle John e Rols e Paige. E muitos mais. Parece que sou antiga aqui na empresa. Parece que aprendi a nao sentir meus ossos para ignorar o frio.

Sei como funciona quase tudo. Sei atravessar a rua. Sei dos costumes e descostumes. Sei tirar proveito disso. E, apesar de ja terem se passado cinco meses, essa cidade grande e fria ainda tem o poder de me encantar. Soh saio daqui quando devora-la. E quando por ela for devorada. Inundada. Ateh voltar a sentir os ossos e a dor e a alegria de ser sozinha e feliz, independente e carente. Os paradoxos que estao sempre por tras da cortina da minha vida. Cabe a mim descortina-los pelo simples prazer de desobnubilar. Porque nao ha nada que eu possa fazer.

Ultimamente tenho estado angustiada. Aquela velha historia que desencadeia nossas crises aos 12 anos. E para mim nunca passou. Angustiada porque nunca dah para saber como seria a vida se tudo fosse diferente, se houvesse algum imprevisto. Morro de medo de historias como as minhas, sem imprevistos. Eu pude escolher sem ser impedida por forcas maiores. Eu escolhi um caminho e nunca vou saber se eh o certo - nao, nao, na verdade eu o tracei, e soh caminhando eh que ele virou caminho. Mas Frost aih embaixo ha de concordar comigo que o caminho que escolhi foi o menos caminhado. Agora estou esperando a diferenca.


THE ROAD NOT TAKEN

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood and I -
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.


--ROBERT FROST

Friday, November 12, 2004

tres dias

Essa semana tenho tentado fazer varias coisas e nao tenho conseguido. A primeira delas foi nadar. Passei meio mal a semana inteira, provavelmente porque a pilula anticoncepcional que comecei a tomar aqui eh diferente da que eu tomava no Brasil, cujo estoque durou ateh o fim de semana passado. Nao sei se eh mais forte ou se eh efeito colateral por eu ter tomado tres pilulas em seguida na segunda para compensar os dias forcadamente pulados, mas soh agora estou me adaptando.

A segunda foi participar de um momento tipicamente ingles, a comemoracao do Remembrance Day, que foi ontem. Aas 6pm teria uma apresentacao de avioes que jogariam milhoes de poppys (umas florzinhas de plastico que representam a data). Eu e mais uma cacetada de gente na Millenium Bridge, estranhamente em silencio (no Brasil em cinco minutos comecaria uma roda de samba e viraria festa popular, aqui eu conversava aos sussurros com meu amigo romeno do trabalho que foi comigo). E la se foram centenas, senao milhares de pessoas para cima daquela ponte que, se voce nao conhece, procure ver foto – parece que vai cair se mais de cinco pessoas resolvem cruzar ao mesmo tempo. Remembrance Day, registre-se, eh o dia dedicado aa memoria dos mortos ingleses na 1a. Guerra Mundial.

A terceira tem sido bom que eu nao faca. Esse orkut, vou te contar, me tira do serio. Ja me proporcionou coisas maravilhosas, mas tambem que tem o dom de te fazer saber o que voce nao quer saber… Puta merda. Fico me segurando para nao escrever o que me sobe aas ventas, viu?

E a ultima foi ontem. Tentei entrevistar meu tio para o artigo que estou fazendo e nao rolou. Tentarei novamente no domingo, sobrinha mala que sou.

***

Planos: hoje preciso nadar muito. Por varios motivos. Preciso extravasar. Tudo indica que a balada rolara debaixo d’agua. Antes disso, entrevista com o desparafusado Timur para meu artiguete pro OI.

Amanha eh dia de ver babai pela primeira vez via webcam. Vai ser emocionante. Depois vou a Camdem Town encontrar a turma do barulho do Flat 1, 26 Cannon Street Road (vulgo minha casa), e a noite eh uma incognita. Talvez o Robin ligue, talvez as meninas tenham alguma ideia, talvez vamos ter que inventar na hora e talvez eu bodeie.

Domingo tem almocinho dos Blandy na casa do uncle John. Depois de meses vou rever os fofos do Rols e da Paige, meus primos preferidos (porque a Paige ja virou minha prima, querendo ou nao).

Em algum momento terei de achar tempo pro artiguete pro OI que estou escrevendo, pra minhas nadadas, pra reposicao semanal do sono ridiculo que tenho sentido… Acho que eh isso.

***

Decidi o presente que vou me dar. Um fan heater. Nao sei qual a traducao disso no Brasil, mas seria algo como um ventilador que esquenta e que voce pluga em qualquer tomada. Tem um desses no escritorio, que eu divido com a polaca folgada, e sinto que preciso de um desses no meu quarto, ja que ontem tive espasmos de frio debaixo do edredon, antes de esquentar para dormir. Tortura, nunca mais!

Thursday, November 11, 2004

fotos

Queridos, novas fotinhas aqui. E visitem diariamente porque tem novas fotos todos os dias!

Wednesday, November 10, 2004

um pouco de mim que voce nao deve saber

Apesar de tudo, me julgo uma pessoa normal.

Odeio desenho animado e quando era pequena nao comia brigadeiro, soh cajuzinho. Hoje como brigadeiro (soh para deixar os cajuzinhos para criancas como eu, neam?).

A musica do "elefante incomoda muita gente" me dah falta de ar. Varias coisas triviais, alias, me dao falta de ar.

Tenho horror a ser interrompida, mas ja consigo lidar melhor com isso. Odeio repetir tudo duas vezes.

Adoro nao poder ir numa balada (putz, meu, desculpa, nao posso!).

Nao sou grande fan de museus (ooooooooohhhhh), mas amo cinema e, principalmente, literatura. Teatro nao me apraz tanto tampouco, mas eh melhor que museu.

Gosto de banana em todas as comidas.

Odeio pessoas que lembram detalhes. Odeio esquecer.

Adoro dar presentes mas prefiro receber. Adoro ser ajudada, mas prefiro ajudar (para nao ter dividas a quitar).

Adoro bolo e odeio ovo. Adoro ouvir "bolho" em vez de "bolo".

Adoro que leiam o que escrevi; odeio quando me pedem para ler algo que escreveram.

Adoro cheiro de gasolina e de cola de sapateiro.

Odeio gente se pendurando em mim; adoro quem se apoia e me apoia ao mesmo tempo.

Odeio cobrancas, insistencias e gente que grita. Adoro musica gritada.

Gosto do mar mais que da terra. Amo nadar mas nao sou fan de cooper. Tenho medo de pedalar na rua. Nao confio em meu equilibrio. E gosto de tudo que envolva bola. Ou bolas.

Adoro malicia bem aplicada. Odeio ouvir piadas (as vezes me dao falta de ar tambem).

Nao sou anjo de ninguem, nem diabo. Sou apenas anjavel e diabavel.

Respiro mal, mas nado maratonas. Tenho ataques de panico, mas me considero corajosa.

Amo aprender sozinha; odeio aprendizado forcado.

Concentro-me com muita facilidade. Irrito-me tambem.

Tenho uma facilidade raras vezes vistas para aprender linguas. Tenho dificuldades igualmente monstras para desenhar.

Ballet e boneca nao marcaram minha infancia. Carimbol e natacao, sim. Quebrei a clavicula aos nove brincando de duro-ou-mole-americano no predio. Minha mae achou que fosse soh um mal jeito e me fez levantar o braco com toda a forca para "por no lugar".

Queria odiar menos, mas eh dificil.

Odeio ir ao banco e adoro voltar.

Descobri ha pouco o amor doce. Aquele que nao parece causar danos tao grandes ao te abandonar, mas cuja dor fica e fica e nao passa nunca, nunca mesmo, impressionante, ateh ter a pessoa novamente. Descobri que amo o amor doce e odeio o atirado. Antes era o contrario.

Sinto falta de um teclado com acentos; nao sinto tanta falta quanto deveria de muitas coisas (e pessoas). Descobri que meu amor por lugares eh muito forte. Mas que jamais superarah meu amor por pessoas. Ufa, ainda bem.

Amo viajar, mas amo tambem voltar. Odeio despedidas e adoro surpresas. Adoro fazer mala, mas odeio desfazer (geralmente faco um bolao e meto tudo na roupa-suja).

arfa, arfa, arafat...

...E morre logo, porra.

Tuesday, November 09, 2004

da licenca, essa vai especialmente...

... pra pessoa que mais amo no mundo. E nao estou sendo hiperbolica.

I came across a cache of old photos
And invitations to teenage parties
"Dress in white" one said, with quotations
From someone's wife, a famous writer
In the nineteen-twenties
When you're young you find inspiration
In anyone who's ever gone

And opened up a closing door
She said: "We were never feeling bored

'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end"

When I went I left from the station
With a haversack and some trepidation
Someone said: "If you're not careful
You'll have nothing left and nothing to care for

In the nineteen-seventies"
But I sat back and looking forward
My shoes were high and I had scored
I'd bolted through a closing door
I would never find myself feeling bored

'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves

And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend


Now I sit with different faces
In rented rooms and foreign places
All the people I was kissing
Some are here and some are missing
In the nineteen-nineties
I never dreamt that I would get to be
The creature that I always meant to be
But I thought in spite of dreams
You'd be sitting somewhere here with me


'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend

And we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never being boring
We were never being bored
'Cause we were never being boring
We were never being bored


Meu xuxu, que bom que o show foi delirante. Tenho lembrado demais de voce quando ouco PSB no CD que voce me gravou e nao sai da casinha do computador. Te amo hoje mais que ontem, menos que amanha.

Monday, November 08, 2004

acabaram-se as pilulas

Entre outras perolas, meu fim de semana foi permeado pela constante lembranca de minha estabanadice. Fui pegando no fundo do sacolao as cartelas de pilula, totalmente alheia ao fato de que elas, sim, acabam, e que elas sao, sim, importantes para meu equilibrio em toda a abrangencia possivel da palavra equilibrio. Acabaram e eu nao tinha mais e aqui eh assim: nao se preveniu se fodeu. Farmacia nao abre de domingo. Voce tem que ir no hospital. Ai voce chega no hospital, espera uns cinco minutos ateh alguem na recepcao aparecer, e explica que precisa de pilulas contraceptivas, for Christ's sake. Entao ela te olha meio puzzled e pergunta se eu quero a pilula do dia seguinte. E eu explico que nao, minha gentil senhora, preciso tomar as pilulas regulares, questoes hormonais, you know, eh bem importante. E ela responde mecanicamente que se nao eh uma emergencia, tem que esperar ateh segunda. Mas segunda eu trabalho das 8h aas 18h e para comprar a porra da pilula precisa duma porra duma prescricao medica (juro) e soh consigo isso no meu GP que abre as 9h e nem sei se o medico podera me atender de imediato. Essa eh a realidade.

Ainda bem que tenho duas flores para me ajudar. Se deus quiser o pepino estarah resolvido ainda hoje.

Fora isso, sexta-feira perdi a hora. Acordei com luz na cara, uma novidade, aas 10h da manha. Despertador nao tocou. Nao entendi nada, ele estava marcando sabado. Fui ateh meu celular e tinha um SMS da minha chefe. "You ok? It's Kate." Liguei para ela com a voz embargada e ao mesmo tempo estridente, se eh que voces conseguem imaginar. Expliquei o que aconteceu: quando fui mudar do horario de verao para o de inverno, mudei sem querer a data tambem. Uma anta de tetas. Mas passou, cheguei esbaforida no escritorio, suando, cara de sono, fome. Fui ovacionada com uma salva de palmas de meus colegas. Eu realmente mereci. Para completar a tarde, um argentino folgado, general manager de alguma coisa, me liga para "entender melhor" a pesquisa e resolve se engracar, porque argentino precisa manter a fama. Mas voce eh brasileira e faz o que ai? O papinho foi indo, eu tentando voltar para o foco, e o senhor me manda a seguinte pertola: "soh mais uma pergunta, voce eh bonita?" Comecei a gargalhar, nao consegui me conter. Essas coisas soh acontecem comigo mesmo. Eu aqui na Inglaterra, o cara la na Argentina, e me xavecando! Minha chefe me olhou torto, afinal, que porra eu poderia estar falando com um suposto cliente para gargalhar daquele jeito ao telefone? Expliquei tudo e fui ainda mais zoada por meus coleguinhas da batata na boca.

Mas de resto estah tuuuuudo bem. Sexta fomos num pub local e assisti a Clube da Luta. Sabado foi dia de compras e de quase terminar meu livro (maravilhoso, leiam Memorias de uma Geisha se tiverem a chance). A noite foi aniversario da fofa da Karina e mais uma vez rimos ateh a barriga entortar. Uma delicia.

O domingo passou voando, ja que acordei aas 14h, mas deu tempo de passar no hospital, ir ateh a casa do Lalo ver o filme do Baaaaatema e tomar umas (cocas light) num bar em Old Street chamado Kick e muito, muito aprazivel.

Apesar da chuva, saldo positivo.

Friday, November 05, 2004

boa e ma noticia

Deus tirador de sarro virou para mim e disse no comeco da semana:

- Tenho uma boa e uma ma noticia para voce essa semana.
- Jura, deus? Manda!
- A ruim eh que Bush ganhara as eleicoes
- Puta merda, mano, ce ta querendo extinguir a raca que voce mesmo criou?
- Nao quer ouvir a boa?
- Ok. Qual eh a boa?
- O estado de saude de Arafat vai piorar.

Happy thoughts if you have any.

Wednesday, November 03, 2004

tudo a seu tempo agora

Ja passei a fase tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Ela tem seu charme, mas cansa. Agora quero curtir a sensacao do coracao batendo tranquilo, e eh atras disso que estou. Tudo a seu tempo agora, ou depois. Soh assim para manter a sanidade agora que estou tendo que trabalhar 10 horas por dia. Entro as 8h e saio as 18h. Logicamente ganho mais $$ com isso. Mas nao quero perigar perder a cabeca para encher o bolso.

Tentarei. Se ficar puxado demais, das duas uma: ou eu falo para parar o trem para eu descer, ou vou ter um ataque de panico que parara o trem por si soh. A terceira alternativa, que deixaria minha terapeuta orgulhosa, seria encarar isso apenas como um teste e na semana que vem pedir para reduzir uma hora do meu horario se eu ficar muito estafada. De qualquer forma, comprar-me-ei um regalito.

***

Estou bem aos poucos voltando a forma natacionistica. Naturalmente nao como antes, afinal nado uma horinha, se muito, quatro ou cinco vezes por semana. Mas soh de sentir o ritmo voltar, ja fico aqui no trabalho ansiosa para chegar em casa e vestir meu maio. Ontem, inclusive, conheci duas brasileiras que moram em Shadwell tambem (ou Shagwell, como gostamos de falar - procure "shag" no dicionario). Parecem legais. Uma delas tem que ser, pois leva o nome de babae, que nem eh tao comum assim na nova geracao.

E depois de tanta serotonina na veia, nao importa tanto a procedencia da agua que cai nas minhas costas.

***

Estou fazendo contagem regressiva para a chegada de babae, provavelmente em abril. Sei que ainda estah meio longe, mas eu sou boa de matematica.

Monday, November 01, 2004

consideracoes sobre um dia que terminou uma bosta

Quando eu era pequena, nao tanto para contar com o mundo todo - ou seja, mamae, papai, "Juona" -, nem tao pouco para nao contar com mais ninguem; eu pensava que o mundo seria insuportavel se dependesse apenas da minha cabeca. Cresci um pouco e vi que estava errada, que minha cabeca nao pode me machucar tanto assim, que ela tambem funciona ao meu favor. Agora, morando fora, sozinha, atirada (escolha minha, claro, e nao me arrependo, se me arrependesse estaria de malas prontas pro Brasil), percebo que eu estava certa quando era pequena.

Por favor, nao se assustem. Adoro ser dramatica e inclusive SOU, mesmo se nao quisesse. Mas hoje, agora pouco, no banho, quando fechei os olhos e pensei que nem de olhos fechados a agua que caia sobre minhas costas era a mesma que caia sobre minhas costas no Brasil, desabei. Desabei um resto. Bom, para resgatar a pureza, nao deixar que se esvaia pelo ralo. Mas ruim porque mexe em alguma coisa no meu labirinto e eu perco totalmente o equilibrio. Vertigem e tontura e volto a ser uma crianca desamparada que soh se sente bem, bem mesmo, se for solucando as entranhas, vomitando pelos olhos, em posicao fetal.

Os ecos de uns tempos tristes e eu mesma falando para mim, tudo voltou. Catorze anos depois e eu ainda faco sentido. Por mais alto que voce levante alguem no colo, nunca, nunca esperar qualquer tipo de reconhecimento, nunca esperar uma flor, nunca esperar mais que um sorriso de mesmo dia, de obrigado-tchau. Preciso exercitar meu lado nulamente budista. Preciso dar e achar que tudo terminou aih, no dar, meu objetivo final. Nada de receber. Mas nao consigo, nao consigo. Alguma logica idiota teima em tentar me convencer de que se eu dei, alguma hora tenho que receber.

Burra, burra, burra.