Monday, September 27, 2004

happiness is simple

Dias deliciosamente cheios, esses. A primeira boa noticia da semana passada foi que em apenas tres meses de Inglaterra consegui recuperar toda a grana que havia trazido para ca. A partir de agora, o que eu conseguir juntar eh "lucro". Claro que lucro, para quem nao pensa muito nisso, significa viajar, melhorar de vida, ficar menos ansiosa e se dar pequenos luxos, como a membership na St George’s Swimming Pool, a que vou hoje depois do trabalho.

A segunda coisa boa, logicamente, foi a chegada da minha Frubinha amada. Busca-la em Heathrow foi a melhor coisa que fiz. Nao porque ela estivesse perdida, nem porque eu adoro aeroportos, mas porque foi de alguma forma gratificante ver o tamanho dos olhinhos dela querendo absorver absolutamente tudo: "oia! Onibus de dois andares! Oia! Cabine de telefone vermelha! Oia! Big Ben, Hyde Park, Tamisa! Oia! Oia! Oia!"

A terceira coisa boa ja deriva da chegada da Frubinha, como eu imaginei: ela e Bobby se deram superbem. Eu ja sabia, mas eh sempre bom ver seu dom de perceber afinidades antes delas acontecerem. Elas passaram o dia seguinte inteirinho juntas, tagarelando, passeando, fotografando Londres enquanto eu estava no trabalho. Nesse mesmo dia, fomos num pub perto de casa, chamado Brown Bear, encontrar meu tio John e uns colegas dele do Times. O John me deu um presente que os APERTAVEIS do Rols e da Paige mandaram para a casa nova, uma vela perfumada maravilhosa (nao esquecer de ligar agradecendo).

E os colegas do John, para nosso espanto e regozijo, eram jovens e belos. E do Times - convenhamos, isso eh um turn-on. Robbin e Timur. Ambos fofos, ambos jornalistas internacionais, ambos…e assim vai. Bobby, Fruba e eu ficamos ateh coradas de tanto falar e rir e beber (elas, neam?). Depois ficamos soh nos tres, ja que eles tinham que voltar pro Times pra fechar a edicao do dia seguinte. Mas combinamos de reencontra-los no mesmo dia, la pelas 22:30h, apos o expediente. Continuamos as tres a falar merda e gargalhar desesperadamente e nem vimos o tempo passar. Timur adentra o pub novamente e nos escolta ateh o destino seguinte: outro pub.

O lugar: bem legal. O desafio: permanecer no pub. Isso porque o Timur aprontou algumas e chamou a garconete de fascista na ultima vez em que esteve la, ha um mes. Assim que o viu, a garconete comecou a dar chilique e, bom, em 10 minutos, apos muita discussao, estavamos novamente chutando pedrinhas na rua atras de algum lugar que nos aceitasse.

Fomos para outro pub, de taxi ilegal, cantando musicas brasileiras pro "taxista" indiano. Na parada seguinte, a vitima foi a Bobby. Um velho na porta com cara de Papai Noel do mau segurava desesperadamente a porta de entrada. Comecamos a bater, pedir licenca e tal, Bobby na frente. Quando ela entrou o velho a jogou para fora. Empurrrou mesmo, justo ela que ja levou tanto empurrao de ingles mal educado nas ruas, quando trabalhava como fundraiser. Estavamos a caminho de tentar a porta dos fundos quando veio uma senhoura reforcar a proibicao, grossa no urtimo. Ai eu falei: "nao precisa ser rude, minha senhora, porque aquele senhor ali ja foi o suficiente empurrando minha amiga". Ela pediu desculpas e ficou mais doce. Foda-se, nossa situacao nao mudou ja que nao pudemos entrar.

Continuamos andando, meu peh doendo da porra do salto. Mau humor na porta.
Fomos para Bricklane, uma regiaozinha cool perto de White Chapel, a dez minutos de casa. Finalmente entramos num lugar. Sentamos, conversamos, fomos admoestadas por uns neo-zelandeses folgados bagarai, e voltamos para casa aas gargalhadas, meio perdidas, meio detonadas. Noite boa.

Sabado foi um dia meio bunda. Compras no supermercado ocuparam o resto da tarde em que nao passamos debaixo do edredon falando besteira. Aa noite fomos na casa do meu tio, onde teve lancamento do livro sobre mulheres da Ilha da Madeira. Foi legal rever todos, principalmente Biggles, que continua um espetaculo. Tambem revi Emily e Fiona, primas bem queridas, e outros que sao apenas os outros. Mas aas 9h da noite estava tudo acabado e fomos para nossa proxima parada: Borough High Street, onde varias pessoas de lugares diferentes marcaram de me encontrar e aa Bobby. A salada deu certo. Erica, Sophia e Bruna do meu lado, galera da charity do lado da Bobby, todo mundo legal, todo mundo conversando, interacao, socializacao, nossa, nem esta acredito que sou eu quem estah escrevendo. Mas, sim, socializar foi legal. Ainda mais se for com alguem interessante e queixudo e fofo e desajeitado e com esse sotaque amado. Enfim, foi papo para uma noite e nao rolou troca de telefones porque as meninas, bebadas, resolveram ir embora assim, um dois e ja, na hora que o bonitinho foi pegar uma cerveja no bar. Aaaaaaniway. Elas me devem uma.

Voltamos a peh. Foi um longo caminho. Que obviamente percorremos gargalhando. Frubinha tirou fotos espetaculares que em breve serao postadas no fotoblog.

E entao chegou o domingo. Mais uma lazy Sunday morning, mas aproveitamos a tarde. Apos tentativa frustrada de ir ao Argos da Old Street (estava fechado) comprar armario (!) e outros bricabraques, fomos passear em Liverpool Station e no Spitafield Market, uma coisa assim meio mundomix. Rodamos e rodamos e resolvemos voltar quando as pernas ja estavam bambas.

O fim de semana terminou e eu me perguntei em qual dos tres dias descritos eu ri mais. Impossivel medir. Alegria saindo pelos poros. Eu nem ligo de nao estar inspirada para escrever depois de um fim de semana assim.

Thursday, September 23, 2004

O belo e o mala

Ontem fui para a balada. Cheguei em casa meio xoxa, cansada do trabalho, cansada de dormir pouco, cansada de uma ameaca de ataque de panico (este ultimo diretamente relacionado aos primeiros, naturalmente).

Ao descer do onibus em Clapham, me dei o prazo de uma hora para ir embora. Eu nao imaginei que nao veria a hora passar. Ir numa balada sozinha, sem conhecer ninguem e sem beber nao eh muito promissor. Mesmo assim eu fui. Ja furei algumas vezes com a Emily e o Justin e nao queria furar novamente. O negocio eh que cheguei la e nao tinha ninguem que eu conhecesse. Nenhuma das minhas primas, nada nada. Soh o Justin, que tava la reinaugurando o bar dele, entao obviamente tinha mais o que fazer. Fiquei ali zanzando. Sobe escada, desce escada, visita o banheiro, faz um xixi meia-boca – nem tava com vontade, mas na falta do que fazer… - e uma mocinha comecou a cantar musica ao vivo. Voz e violao. E uma puta voz. Ai comecei a relaxar. Fiquei segurando minha coca-light e logo um sofa perto de mim foi desocupado. Sentei sozinha. Por aproximadamente cinco minutos. Chegaram dois caras engracadissimos, cada um sentou de um lado, e comecaram a passar aquele chaveco furadissimo dos ingleses. Um realmente era ingles. O outro, mais bonitinho, eh sul-africano.

O ingles ficou buzinando um monte de merda no meu ouvido. O quanto as brasileiras sao quentes e tropicais e exuberantes e todo aquele senso comum que me irrita profundamente. O cara passou de divertido para mala em dois minutos. E eh claro que no final das contas quem ficou com meu telefone foi o mala, nao o bonitinho. Para voces visualizarem, o belo era uma versao castanha do Matt Damon. Igualzinho, soh que de cabelo e olhos castanhos. O mala? O mala era um versao piorada e franzina do Pascoal Papagaio em Despedida de Solteiro (qual o nome do ator mesmo?).

De qualquer maneira foi divertido. A beeeeautiful Bea, como o ingles alcoolizado insistia em acentuar, novamente se provou errada na teoria de que se nao sair de casa nao tem como ser ruim. Tambem nao tem como ser bom. E eu sai do Brasil para fugir da mediocridade. Por isso fui. Vou tentar lembrar para uma proxima vez em que eu quase nao for para algum lugar.

**

Em uma hora estou saindo do trabalho, rumo a Heathrow, para buscar a amada Frubinha no aeroporto. Farra pura.

Saturday, September 18, 2004

a primeira vez em que cozinhei para mim

Em Condicoes Normais de Temperatura e Pressao, eu jamais me sujeitaria a reescrever um post imenso e inspirado como os dois que escrevi ontem e perdi. Os dois. Escrevi dois posts sobre assuntos diferentes, em horarios diferentes, com humores diferentes, e tive o dom de perder os dois. Um deles, foi idiotice minha; o outro, idiotice do blogger. Agora chega. Estou no bom e velho WordPad. E vou reescrever um dos posts porque estou no maior bom humor, serotonina estourando nas veias: fui nadar! Acabei de chegar, o cheiro maravilhoso de cloro na pele, as bochechas quentes, a sensacao de flutuar. Estou no ceu. A St George's Swimming Pool fica a exatamente um minuto a pe da minha casa. Mesmo quarteirao, e ainda da para cortar caminho por dentro de uma igreja. Alias, ainda preciso falar da minha relacao com as igrejas daqui, mas fica para um proximo post.

Agora vou contar para voces como foi a primeira vez em que cozinhei para mim mesma. Tudo comecou quando percebi que estava morrendo de fome apos ter apenas um bowl de cereais com leite e um sanduiche xumbrega no estomago desde que acordei. Estava voltando do trabalho e resolvi parar no Safeway. Eu estava decidida: vou cozinhar para mim! Eu queria aproveitar que estava sozinha nesses dias em casa para poder cozinhar fazendo todas as cagadas possiveis e impossiveis sem ninguem ver. E acreditem, consegui. Fiz cagadas pensaveis e impensaveis. Preparem-se para se divertir aas minhas custas.

Eu tinha feito uma listinha das coisas que precisava comprar. Tirei a listinha da mochila, peguei a cesta e comecei a encher. Pao, cereal, leite, tudo perfeito, ate chegar no arroz. Tinha tipo uma JARRA que, no final das contas, sairia bem mais barata a longo prazo do que os sacos menores. Resolvi levar a jarra. Pesava 5kg. Continuei enchendo a cesta, iogurte grego, molho curry, macarrao, frango... A cesta estava bastante pesada, e o arroz eu ja estava levando na outra mao. Fui para o caixa, comecei a empacotar tudo e eu sabia que a volta para casa seria uma longa jornada. Nao imaginei que tao longa. Algumas dezenas de metros do supermercado eu ja tive de parar para ajeitar as sacolas porque daquele jeito nao dava. Passei todas as sacolas para a mao esquerda e fiquei apenas com os 5kg de arroz na direita. Naquela hora eu ja sabia que havia feito merda, mas tinha que seguir em frente.

Cheia de sacola na mao, nao conseguia nem por o cabelo para tras. Quem ja veio a Londres sabe que aqui venta muito. e quem me conhece sabe que nao eh dificil eu ficar descabelada a ponto de parecer uma louca. Pois assim eu estava. Cabelo pelos ares e cara, segurando as sacolas, andando naquele passinho rapido e geek, com ombros caidos, passos curos e firmes, quase uma marcha, e os olhos meio alucinados, meio que dizendo saiam-da-minha-frente-porque-eu-nao-vou-sair-da-sua. Sabem o tipo? pois assim eu estava quando, na metade da jornada, cruzo com o Howard (ou pardal, como eu chamava quando falava dele para minha irma, porque ele tem muita cara de pardal), editor e ex-colega do Times, com quem trabalhei ha alguns meses. Eu sabia que uma hora cruzaria com alguns de meus ex-colegas e ex-chefes. Eu nao imaginei que seria na pior situacao possivel.

How's it going para la, how's it going para ca, estava pesado demais para eu parar para conversar, continuar segurando, e ser simpatica e sorridente. Resolvi colocar as sacolas no chao para falar um minuto com o cara. O problema eh que eu tinha demorado muito para ajeitar as sacolas da forma menos dolorosa possivel em torno do meu pulso, e agora nao podia desfazer todo o arranjo. Sendo assim, continuei conversando com ele, tentando sorrir, cabelo na cara, maos no chao junto com a sacola e bunda para a rua. Naturalmente a conversa nao durou muito, para meu alivio. Segui meu caminho. Ja estava tao pesado que a uma altura dessas eu parava a cada 20 passos para ajeitar as sacolas e descansar o pulso. Numa dessas, puf, o a jarra de arroz estoura. Comeca a voar grao para todo o lado. Resolvi apertar o passo. Atras de mim, uma carreira de arroz na calcada. Meu bom humor ja havia ha muito ido embora a essas alturas. Comecei a praguejar sozinha, soh para parecer um pouco mais lunatica do que eu ja estava parecendo. Meus pes se arrastando. Em determinado momento comecei a chutar as sacolas, achando que ao por um pouco de forca da perna nelas, meus bracos ficariam mais aliviados. Em momento algum eu me perguntei quanto ao absurdo dessa teoria, mas na hora ela fez o maior sentido do mundo. Entao segui chutando as sacolas e bufando.

Chegando em casa, abri a porta, joguei tudo no chao. soh quando me livrei do peso eh que percebi o quanto REALMENTE era pesado. Quando fui pegar uma das sacolas com a mao direita, a mesma que carregou a jarra de arroz por longos 20 minutos, uma dor lancinante me impede de me mexer. Abri o pulso. Fodeu. Estou sozinha em casa, nao tenho inscricao no NHS ainda, nem sei onde fica o hospital mais proximo na regiao, vou ser demitida porque nao vou mais conseguir digitar, fodeu fodeu fodeu.

Passada a histeria, comecei a levar sacola por sacola para a cozinha com o braco esquerdo. Sentei. Massageei meu braco enquanto via The Office, uma serie inglesa MUITO boa que PRECISA chegar no Brasil. Hilaria. Dou risada sozinha. A melhor descoberta desde Seinfeld, muitos anos atras.

Ja recuperada, resolvi arregacar as mangas. Ainda sou muito ruim de timing, de forma que o frango no forno ficou pronto anos-luz antes do arroz. Mas tudo ia bem quando comecei a ouvir um tsssssss dentro do forno. Abri. Um fumace do caralho. Olhei la dentro e percebi que o frango estava PINGANDO no forno. Otimo, alem de tudo, depois desse circo, vou ter que limpar a sujeira da palhaca. Fui por a mao no frango para ver se estava no ponto (na verdade eu nunca vou saber julgar se determinada comida "estah no ponto", mas eh isso que fazem as pessoas que sabem cozinhar, entao eu imitei). E nessa hora o fogao veio na minha direcao. Juro. Eu pus a mao com o maior cuidado la dentro e o forno me queimou. Uma dor absurda no indicador direito (sempre) e corri para levar o dedo aa boca. No meio do caminho senti o cheiro e descobri que realmente morrer queimada nao eh uma boa ideia. O cheiro de carne torrada eh muito ruim - mas minha ideia de ser cremada continua firme, ja que eu nao vou sentir cheiro nenhum.

Resignada em dor e angustia por ser uma zero aa esquerda na cozinha, desliguei o forno e fiquei esperando impacientemente o arroz cozinhar. Preparei uma saladinha esperta e me servi. Liguei o som. Fiona Apple. Acrescentei o curry ao arroz e experimentei. Eu juro que nunca comi uma comida tao boa em toda a minha vida. Uma comida simples com gosto de inexperiencia e independencia misturados. Algo me diz que jamais esquecerei essa refeicao.

E no final das contas sobrou um pouco para comer no dia seguinte.

Orgulho.

Tuesday, September 14, 2004

happy and bleeding

Estou cansada, uma gripe iminente, o trabalho na frente do computador fodendo meus pulsos e minhas pernas, almoco sanduiche todo dia para gastar menos, o escritorio eh um gelo e tenho que ficar disputando o aquecedor portatil com uma polonesa que senta atras de mim e eh folgada bagarai, e levei meio que uma bofetada no coracao bastante recentemente. E - nao duvidem - eu nunca estive tao feliz por aqui.

No momento estou na MINHA casa. Tudo bem que eh a casa do Ricardo, mas estou pagando aluguel tanto quanto ele, a unica diferenca eh que o contrato ta no nome dele. Soh. De resto, finalmente estou sentindo o sabor da liberdade, da independencia. Agora, sim, posso dizer de peito estufado que ninguem, senao eu mesma, paga minha conta.

Eu sabia que essa sensacao era boa. Mas eu nao sabia que, ao contrario de todas as outras coisas do mundo, a sensacao de viver de fato eh melhor do que quando apenas a imaginamos.

A vida aqui eh tranquila. Hoje o Richard foi pra NY. Ateh entao, eu e Bobby estavamos dividindo a mesma cama. A louca eh sonambula e deu para me fazer cafune no meio da noite. Tenho ido e vindo do trabalho a peh. 45 minutos cada. Por enquanto tranquilo, ainda nao estah frio e tem feito uns dias bonitos. Meto o sapato na mala e vou de tenis, beirando o Tamisa, ja que moro perto do rio e meu trabalho tambem fica aa beira-rio, do mesmo lado. Eh indescritivel. Ateh agora a sorte andou muito a meu lado. Muito mesmo. Da ateh medo de falar e comecar a reverter o efeito.

Essa semana pretendo falar com a Kate, minha boss, para saber se ha algum interesse em postergar o contrato ou me efetivar. Nao custa mostrar que da minha parte, oh yes, ha interesse.

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Aos que estao preocupados, eu anuncio: despreocupem-se.! Voces amados ja deviam saber que sou um ioio ambulante. Subo e desco e subo e desco e me enrolo e desenrolo, mas no final das contas a cordinha continua la.

Estou pronta para outra. Na verdade, ja ha outra. E ja faz tempo.

Friday, September 10, 2004

contagem regressiva

Soh mais tres dias, soh mais tres dias, soh mais tres dias…

Hoje eh dia de comemoracao! Foi meu ultimo café-da-manha em dia de semana aqui. E nao levei nenhuma bronca! Alias, a bruxa anda dulcissima. Ontem me perguntou o que eu queria para o jantar de hoje, porque ela iria fazer algo especial, ja que eh o ultimo jantar em familia em que estarei presente. E, coitada, ela eh toda cagada, disse que ia fazer comida chinesa! Quem me conhece sabe que gosto de todas as cozinhas, MENOS da chinesa. E acho que nao consegui esconder meu nariz torcido, porque ela falou: "bom, vamos pensar em algo legal…"

Hoje, na hora do almoco, fui comprar um vaso de plantas e um pacote de Lindt. Ta bem bonito, acho que eles vao adorar. No fundo vou sentir saudades, porque apesar do terrorismo praticado pela Jane, eu vivia numa especie de mordomia – em momento algum comparavel com a que eu tinha no Brasil, mas mesmo assim mordomia se comparada com a que passarei a nao ter – e estava bem acomodada la. Agora estou me mudando para um lugar em que vou dividir quarto e tentar cavar espaco para guardar minhas roupas. E, putz, to feliz da vida com isso. Serio mesmo. To pondo fe de que vou estar bem mais feliz no aperto que no excesso de espaco.

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Os pesadelos continuam. Ontem eram ratos que subiam no meu colchao, cachorros horriveis que tentavam me comer (no sentido sexual mesmo), eu saindo na estacao de metro errada e desencontrando da minha irma… Hoje o pesadelo foi mais ameno, mas ainda assim pesadelo. Sonhei com um ex-namorado por quem fui apaixonada – acho que a pessoa por quem mais me apaixonei ateh hoje – e de repente olhava para ele e nao sentia nada, e o fato de nao sentir nada me dava desespero, me deixava muito mal, vazia. A sensacao que eu tinha era de que seria melhor estar apaixonada e nao-correspondida do que estar vazia.

Nem requer interpretacoes, neam?

Thursday, September 09, 2004

keep on rocking para seus males espantar

Eu quero informar a todos que, apesar de estar meio ausente no blog, nao estou deixando de escrever. Alem do meu livro romance, estou escrevendo um livro sobre minha experiencia aqui e esta bem legal, modestia aas favas… Nao vai ser soh umbigo, nao, mas se alguem quiser me comparar com a Clarah, apesar de estar redondamente enganado (ja que nao tera lido meu livro e, portanto, estara fazendo um pre-julgamento), eu nao vou me incomodar. Adoro a Clarah, acho que ela escreve bem pra cacete. Digam o que disserem, nao vou mudar minha opiniao.

Mas vamos aas novidades, que eh o que interessa. Os dias voam aqui. Durante a semana, por causa do trabalho; nos fins de semana, porque sempre tem muita coisa para fazer. No tempo livre, fico no meu quarto lendo ou arranjo um programa for a de casa, ja que olhar pra cara da bruxa estah cada vez mais penoso. Ontem por exemplo inventei de ver o Ernesto tocar em Croydon, que eh for a de Londres, depois do trabalho. Ele nem gosta da banda e suspeito que secretamente nem queria que eu tivesse ido ja que ele soh havia feito um (!) ensaio. Soh fiquei sabendo que ele tocaria porque perguntei o que ele ia fazer ontem porque eu nao queria voltar pra casa depois do trabalho, e basicamente me convidei.

Como podem ver, tinha tudo apra ser um porre: sair de Londres no meio da semana, estar em meio a uma porrada de gente que eu nao conhecia, a unica pessoa que eu conhecia nao queria que eu fosse. Pelo incrivel que pareca me diverti. Conheci uma cidade nova, o bar em que a banda tocou eh bem legal e o pessoal da banda tambem, alem de muy gatos.

Minha vontade de evitar a bruxa me empurrou para programas de indio que no final nem foram tao de indio assim. Entendem agora quando eu digo que aquela energia negativa nao me atinge? Sinceramente, nao entendo como meu tio foi casar com aquela lambisgoia.

Soh mais quatro dias, soh mais quatro dias, soh mais quatro dias…

Sunday, September 05, 2004

chororo

Ontem, finalmente, a casa caiu. Ia cair uma hora ou outra, eu sei. Mas o bom eh que caiu, eu cai junto, mas ja estou me levantando. O tempo tem ajudado, apesar de eu ter dito que sol ou chuva nao fariam mais diferenca. Ontem fiquei horas a ver O Tamisa ao lado da Tower Bridge. Mas quase o tempo todo era uma pintura impressionista. Nao consigo lembrar de ter focado aquela paisagem maravilhosa sem que meus olhos estivessem inundados.

Pelo menos pus para fora. Chorei a cota do mes. Sobre o rio, para nao contrariar a natureza. A noite estava linda, apesar de tudo.

Saturday, September 04, 2004

pagina virada

Virei a pagina. Na verdade, viraram por mim, sem que eu tivesse controle. As maos atadas em Londres e o coracao em Sao Paulo, nao tinha como me defender. Perdi o pouco que sobrava de garantia.

O Tiago foi algo maravilhoso que apareceu na minha vida num momento pessimo. Eu ri e chorei da contradicao. Sorte e reves em uma soh situacao eh implacabel.

Nao sei se esse eh o fim da NOSSA historia. Sei apenas que a MINHA em Londres estah apenas comecando.

Ainda ha muito o que arquivar por aqui. Mas de maneira alguma os arquivos antigos cairao no esquecimento. Quem eu amo cotinuo amando. Quem eu estou conhecendo, posso vir a amar. Uma coisa nunca vai excluir a outra.

Pelo que ficou claro, sou uma mulher solteira novamente. Solteira em Londres. E como eu disse, sem querer, para alguem, estou de olho nos SINGLESES. O mundo nao vai parar de girar. Nao agora que eu resolvi subir.