Thursday, January 27, 2011

as melhores noites

Chegar em casa após um dia cheio de trabalho. Largar a bolsa para abraçar minha buñuela o mais rápido possível senão eu morro. Estender a rede na varanda e pentear minha buñuela, também conhecida como Maya. No fog arroxeado do twilight, um ou outro raio no céu. Ligar o iPod no som e começar a cozinhar. Esperar o marido chegar suado de esporte. Receber mil beijinhos de amor e gratidão. Servir e me servir. E depois não ligar a TV, nem acender as luzes, nem fechar as janelas. Deixar que a brisa da noite limpe minhas dobras sujas, meus meandros de isopor - ou algo ainda mais leve e espaçoso -, meus recalques de bosta seca - ou algo ainda mais abrasivo e desprezível.

Terminar de cozinhar e beber um golinho de Madeira, e fazer careta pois não gosto do gosto, mas gosto da lembrança que o Madeira me traz. E lembrar que esse ano, disseram por aí, será meu grande ano. E lembrar que estou colhendo, além de semear. E lembrar que preciso jogar os ombros mais para traz e endireitar a pisada, para ficar ainda mais feliz. E que preciso emagrecer, mas sem neuras, e que preciso juntar dinheiro, mas sem neuras, e que preciso aprender a dormir menos, ou a sentir menos sono. E que preciso ver menos TV e ouvir mais música e ler mais livros, mas sem neuras. E talvez eu fosse um pouco mais feliz se tentasse entender mais as pessoas e suas limitações, além de conseguir não enxergar defeitos que a todo custo estão tentando ser escondidos.

Até a saudade que sinto de Londres me faz feliz. Lembro da saudade que tinha do Brasil, principalmente da minha família. E como é bom saber que eles estão a poucos quilômetros. E como é bom ter Londres para lembrar.

Já faz quase 1 mês que o ano começou, mas para mim, realmente, só está começando agora.

Faz 2 meses que meu gatinho mais amado morreu. A verdade é que ainda penso nele todo dia, mas nem todos me levam às lágrimas, só os dias mais sensíveis, como hoje.

Faz pouco tempo que fiz aniversário e pela primeira vez em muito tempo, as pessoas fodas que realmente importam me ligaram. Todas elas. Aquelas que eu escolheria para salvar de uma catástrofe. Foi bom. Tenho poucos amigos. Bem poucos. Mas, damn, eles são os melhores e para eles tento ser sempre a melhor (que posso, anyway).

Faz calor demais, mas a brisa deixa tudo meio sexy, meio perdido, meio calmo e meio doce.
Para ficar perfeito, só faltou chover.