Friday, August 29, 2008

asas para baixo

De volta a esse lugar que me suga pelos olhos e me cospe todas as noites. Sempre perguntando o que estou fazendo com minha vida, sempre tentando entender como é que há gente que acredita ser feliz aqui e agora. Conversa que só consigo ter com meu umbigo, que não me julga e não é mais ou menos feliz que eu.

Porque ninguém é capaz de genuína e convincentemente me explicar o sentido deste blog, por exemplo, enquanto uma mosca morre de asas para baixo na minha escrivaninha.

Um dia eu tentei ser a melhor. E acreditei que poderia, até. Alguns chegaram a me convencer disso por alguns instantes, e por esses instantes deixei às vezes escorrer lágrimas de alegria. Mas alegria, gente, alegria não é felicidade. Alegria é a esmola que me jogam com desdém sem me olhar no rosto. E eu aceito, claro, for that's all I have for today. E tentar ser a melhor é uma merda sem tamanho, porque não existe melhor, porque posso ser menos que a mosca morta de asas para baixo. Posso ser menos que as anteninhas inertes.

Não sei o que há comigo hoje. Vontade de me mandar ao inferno, mas séria desconfiança de que já estou nele.

**

A viagem para a Espanha foi divina. Madrid é bem legal, mas parte do meu coração ficou em Barcelona. Em algum lugar nos anos deste blog falei que sou uma pessoa altamente apaixonável por lugares, e que isso era bom por um lado, mas acabava me convencendo a me afastar de pessoas igualmente apaixonáveis. Barcelona é mais um exemplo disso. Acho que se a vida não der certo por algum motivo no Brasil e eu pensar em voltar para a Europa daqui a alguns anos, consigo me ver perfeitamente morando lá. Logo mais coloco fotos no meu Flickr. Aqui só algumas palavras mesmo, sobre a cidade que tem absolutamente tudo o que julgo essencial numa cidade, e ainda um charme todo dela. Encantadora. Virei mais uma dessas malas apaixonadas por Barcelona.

Queria escrever mais, mas não tô na pilha agora. Shame.

**

Amanhã vou para Dover com meu homem. Levaremos as bicicletas no trem e passaremos o dia entre cliffs, praias, castelo e ruas pitorescas. O último dia de verão inglês, dizem. Havemos que aproveitar.

Wednesday, August 20, 2008

beijing beijing

e tchau tchau. Férias, mon cheries. Madrid e Barcelona. Volto com minhas pataquadas portuñolas e muito, muito mais! Quinta-feira da semana que vem eu volto. Até lá só atualizo sob tortura.

Aos familiares: estou levando celular, mas como resolvi não pagar mais a conta (longa história, a culpa é daqueles putos da operadora) pode ser que ele morra n'além mar. Neste caso, sosseguem o facho (faixo? faxo? faicho?) e quando der eu mando um alô.

**

Ai, me senti tão amadora nas minhas maratonas aquáticas... Aquelas mulheres nadaram 10km como quem nada 1km. Fiquei boquiaberta. Lindo lindo. E muito nostálgico.

**

Chove...

Friday, August 15, 2008

notícias de ontem

Troco quase nada por tudo. Sempre quis sair ganhando nos meus, como chama mesmo, mucambo? macambo? ando esquecendo de palavras que usava toda semana em português. Como chama aquele esquema de troca dos índios? Era marambo, mumbaque, algo assim.

Enfim, não gosto muito de fazer mau negócio. Seja a inegável raiz judia, seja o medo mesmo, medo de sair perdendo na vida. Aqui e ali, um pouquinho todo dia faz diferença. Eu não gosto de dormir hoje menos do que era quando fui dormir ontem.

**

Ver a natação nas Olimpíadas tem me dado uma coceira sem tamanho. Mas enfim, vai ficar coçando até a carne ficar viva (ela é morta antes disso? perguntas, perguntas). Não há muito, agora, que eu possa fazer.

Meu amado me perguntou se penso em voltar a nadar como antes quando voltar ao Brasil. Well, amor, eu disse, se eu voltar a nadar como antes vou ficar uma gostosa sem tempo e energia para mais nada. Você quer? Eu na verdade não perguntei porque não importaria a resposta. Eu não quero. Gostaria muito de mergulhar sem ser de cabeça, mas nunca me ensinaram e eu nunca senti falta também. Então não sei. Entrar pela beirada, sentindo os dedinhos frios primeiro nunca foi a minha. Mas me enerdecer (c) na natação novamente não vai dar.

**

Na verdade vim aqui escrever porque nada mudou, mas como o tempo passa e o blog vai ficando velho e chato e desatualizado e às moscas, de vez em quando venho aqui jogar poeira e fingir que morar em Londres é sempre tudoaomesmotempoagora e que, uhu, é verão, festival, uau. Não, nunca será assim. Não para mim.

Enfim.

Estava aqui escrevendo e meu amado começou a perguntar sobre o que eu estava escrevendo. E aí falei "depois você lê no blog, oras" e ele gritou agudo e eu perdi a concentração. Então é isso. Até a próxima desatualização.

Monday, August 04, 2008

torcicolo

Sempre cometendo os mesmos erros. Admirando fotografias sem perceber que as pessoas POSAM para elas.

é falso. é artificial. é longe, muito longe do que realmente foi.

e com as cartas a mesma coisa. simplesmente um a tentativa celulósica de diminuir uma distância que não, hon, não diminui. E uma falta de memória, e uma quase vontade de me machucar. não sei porque ainda faço isso comigo, mas é quase incontrolável. amo meu passado e odeio o passado dos outros.

**

Torcicolo significa alguma coisa? Estou com torcicolo. Carreguei umas sacolas muito pesadas na quinta-feira e meu ombro virou um pedaço de pão velho. Aí o ombro foi melhorando e o pescoço travando. Fui fazer massagem e acupuntura hoje e ainda não sei se melhorei. O china me entuxou (?) de coisinhas herbais caras que comprei porque não tava na onda de resistir, sabe?

Mas esse negócio de olhar para trás, Beatriz, não ajuda a melhorar o torcicolo.

Será que eu quero doer? Mas dói tanto... Será que eu gosto? Não pode ser.