Thursday, December 28, 2006

merda

Escrevi um monte e esse blogger idiota apagou.

Resumindo: feliz ano novo.

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Tá. Passados alguns minutos de ira e barriga vazia. Eu tinha dito várias coisas fofas sobre o ano novo, e sobre meus dias em Campos do Jordão, e sobre os por vir em Boiçucanga, e sobre emails que ainda não foram respondidos mas que serão, e sobre saudades.

Não vou escrever tudo de novo. Mas quem me conhece só precisa dos tópicos para saber exatamente o que vou dizer. E feliz ano novo de novo.

Tuesday, December 26, 2006

até depois

As novidades são, resumidamente, as seguintes:

* Estou finalmente queimada. Mais do que gostaria, apesar do fator 38 do bloqueador solar. Diz que é pra passar mais de uma vez, né? É que eu não gosto.

* O natal foi bem tradicional. Ganhei cachecóis, sempre bem vindos, da tia Miriam.

* Amanhã cedinho estou indo para Campos do Jordão. Nadar, andar a cavalo e saltar de asa-delta se a profecia se realizar. Eu não acredito muito em profecias, mas que seria dugarái, isso seria.

Sunday, December 24, 2006

bom natal, e boa noite

Apesar da chuva que tem me irritado como a qualquer um em meu lugar ocorreria, estou amando tudo aqui. Hoje diz que é natal. Vou na Bathatha, é claro. Ontem fui no Salve Jorge, conhecer o boteco a que minha irmã vai toda semana. Ontem também, fui na piscina, e hoje também. Também fui na Saraiva e comprei dois livros pra mim. Tudo garante um ano muy hispânico para mim em termos de leitura.

Diz que é natal e eu ainda não tive uma brilhante idéia para fazer o embrulho do presente das meninas. Pensei em jornal, pensei em papel alumínio, tudo bem low key. Pensei em procurar algo guardado nas gavetas que não sei mais o que guardam. Preguiça de revirar. Sempre acabo fazendo alguma cagada no natal na casa da Bathatha. Alguns anos atrás foi o doce de banana que inventei de fazer e confundi a canela com pimenta do reino. E levei o doce assim mesmo. E todo mundo adorou.

Acho que se eu embrulhar o presente em papel filme vão achar arty. Sempre enganei bem.

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Ano passado vi bem mais gente. Umas 20 pessoas devem ter ido no meu bota-dentro. Esse ano diminuiu. É triste, mas incrivelmente esperado. Quem não é meu já foi. Quem é, sempre será.

E quem está faltando, façavor de me ligar. Você e você e você e você, que não lêem meu blog, têm o número.

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Voltei hoje, então repito. Feliz natal a todos. Não faça cara de caneca se ganhar uma caneca de presente. E se beber não dirija. E se dirigir dê carona. E se a noite ficar um saco, cante Esquadros baixinho na cabeça. E se não adiantar, diga boa noite a todos e vá dormir. E decida que 2007 será o ano em que você não se forçará a nada de que não precise.

Saturday, December 23, 2006

da terrinha

Tudo indicava que o dia 20/12 seria mais um daqueles dias em que tudo dá errado, já que é o dia em que vou viajar. Dessa vez meu realismo me fez pessimista. Errei em todas as previsões. Comecei o dia bem, cheguei no trabalho em ponto, trabalhei bem durante todo o dia, pulei o almoço e às 2.30pm já estava indo para casa, terminar de arrumar nada, porque já estava tudo arrumado mas eu ansiosa não conseguia admitir.

Fiquei fazendo hora mesmo, sem entender minha pressa em sair do trabalho, minha pressa em fazer tudo really. Ansiedade pura. Fui para o aeroporto bem antes com medo das cagadas de antemão. Já sou ressabiada. E na verdade foi bom porque o metrô estava todo merdoso como era de se esperar. Mas cheguei a tempo de ir com calma. Cheguei lá e deu de cara com a Rapha, uma amiga da Bru que também virou minha amiga. Coincidência pura já que estaríamos no mesmo vôo e só não sentamos uma ao lado da outra porque os dois bebezões queria ir na janela. E no final das contas, foi até bom. Tive o rabo sem precedentes de não ter ninguém ao meu lado de forma que pude usufruir de maneira mais completas os inigualáveis efeitos do amigo Lexotan. Claro que atrás de mim um rapaz em seus 11 anos, cheio de gordurinhas e cara de peste, se pôs a chutar meu banco. Mas como cansei dessa vida, logo antes do avião decolar virei para trás e falei pra não começar pelamordedeus. O menino até me chutou depois algumas vezes, e eu me vingava deitando o banco ao máximo, o que o emputecia já que ele estava na última fileira e seu banco não deitava. Haha. Duas pessoas com a mesma idade mental, claramente.

E deu tudo certo. Vi um capítulo de Friends antes do jantar, jantei antes de capotar, tomei café antes de aterrissar. Foi tudo rápido e quase indolor. Pouca fila na alfândega, nada a declarar, sinal verde, minha mãe e minha irmã me esperando, abraços, aê brasilzão, calor, sol, buzina, fumaça, cadê o carro. Cadê o carro? Claro, estava sendo resgatada do aeroporto por duas mulheres tão quanto ou mais ansiosas que eu. Não se lembraram de ver onde deixaram o carro. Demorou uma meia hora para elas atinarem que o carro estava exatamente onde eu falei que deveria estar assim que chegamos no estacionamento. Mais uma hora e meia no trânsito *goshtoso* da marginal. Brasilzão. Homens sem camisa dirigindo caminhões e girando o pescoço para ver qualquer par de pernas nos carros ao lado. Brasilzão. Carros cortando, tirando finas. Brasilzão. Escorts 86 soltando fumaça preta, buracos na rua, vendedores ambulantes tirando proveito do caos do Natal para andar tranqüilamente por entre os carros em plena marginal. Pessoas tirando caca de nariz e jogando a meleca pela janela. Brasilzão. Finalmente cheguei.

Em casa, quase tudo igual. Um ou outro quadro de babãe pendurado na parede, uma mesinha e um abajour novos, nova torradeira, novas toalhas, novos azuleijos na beira da piscina. Tudo salta aos olhos.

Esqueci onde ficavam os copos, esqueci meu atalho preferido pra chegar à Rua dos Pinheiros. Esqueci nomes de atores e atrizes. Esqueci que se dá gorjeta em cabeleireiro.

Estou amando cada minuto, mesmo aqueles que parecem perdidos. Exatamente como era antes. O tempo passa mais devagar, os sorrisos ficam mais tempo nos rostos, as noites parecem mais descansadas. Tudo na minha cabeça, mas é assim. É mais real quando é só na minha cabeça.

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Ontem foi meu bota-dentro e amei cada pessoinha que foi e cada papo, e cada novidade, e cada minuto mesmo. Que saudade, que saudade. Eu nem sabia para onde olhar, de onde ouvir, para quem falar. Eu deveria virar dez, na verdade.

Inclusive, para as fofas que me cobraram, minha lista de livros de 2006 sairá em breve, quando eu voltar pra Londres, já que tá naquele computador.

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Ainda não pude aproveitar todo o calor brasileiro de que todos me falaram. Hoje, por exemplo, só choveu. Deu para dar um pulinho e umas braçadas reles na piscina do prédio. Não muitas porque tinha acabado de comer (arroz, feijão, farofa de banana e frango, sorry). E tomei um nada de sol que deve ter me queimado porque estou um papel.

E já deu para conhecer o consultório (nem tão) novo da minha irmã, e a casa (nem tão nova) do Putão, e passear na João Cachoeira, e no Extra, e comer Temaki e comprar blusinha, e comprar saia, e ver minha vó que parece cinco anos mais velha a cada ano. Toda pequena, toda enrugada, chorando e rindo ao mesmo tempo. Já não faz mais diferença.

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Ontem cheguei do bota-dentro e resolvi olhar quem estava online. E quem estava era quem eu queria. Adorei. E deu saudades. Estranho. Preciso morder bochechas.

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Feliz natal, se eu não voltar aqui amanhã.

Wednesday, December 20, 2006

últimos acordes

Que sensação mais estranha, meu deus. Estou indo, tchau Londres, tchau frio, tchau trabalho. Estou indo ver tanta gente que eu amo. Estou indo e estou com medo. Deve ser medo da ansiedade que vou passar. Sou patética.

Planos. Não quero fazer muitos mas eles aparecem e exigem uma posição. E embora eu dê risada, é uma risada meio de nervoso, porque sei que se não planejar vou apenas perder meu tempo. E não tenho muito.

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Dizem que está quente demais enquanto aqui eu digo que está frio demais. Um choque, desconfio. Um choque não apenas térmico. Aqui tá frio, mas por dentro eu tô quentinha. Estou acostumada com choques térmicos e outros choques também.

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Tentarei atualizar isso aqui enquanto estiver no Brasil mas não quero garantir nada. Não cobrem.

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O sistema de comentários voltou a funcionar. E para quem reclamava que meus posts apareciam cortados no final, isso também deve ter sido consertado.

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Vou embora! Stay gold.

Monday, December 18, 2006

testando

O novo sistema do Blogger.com. Porque sou uma garota que crê em versões betas.

quase lá

Pronto, pronto. Aqui está. Nada aconteceu, não fui seqüestrada, não estou tendo crises existenciais, não esqueci minha senha no Blogger. Gente mimada.

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Meu último fim de semana aqui antes de ir para a terrinha foi bom. Me fez pensar muito, apesar de ter passado rápido. Me fez pensar o quanto estou bem aqui agora. Depois em outro lugar, não sei. Agora tá bom. Aqui tá bom. Aqui agora tá doce sem perder as borboletas, you know what I mean.

Não fiz muita coisa mas fiz muita coisa. Frio apertando mas realmente não estou preocupada. Ficar grudada é a solução. No que quer que emita calor.

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Depois de amanhã. Estou aqui repassando over and over tudo o que tenho que fazer até quarta. Hoje, por exemplo, vou passar no médico e arrumar as malas - quando tudo o que eu queria era dormir, dormir, dormir. Por que ficamos com mais sono quanto mais o tempo passa? Minha nova moda é dormir no meio dos filmes, algo que nunca fazia antes (a não ser dopada, claro). Meu deus do céu, vou fazer 27 anos.

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Alguém tire os malditos chocolates da minha frente. Alguém os faça parar de correr para minha boca. Alguém me explique porque comi todas as minhas unhas. Alguém concorde comigo que meu remédio vai ter que subir porque tá foda. Alguém?

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Para quem não está sabendo ainda, dia 22/12, sexta, vai ter festinha para moi no Corleone. Quem quiser mais detalhes me manda um email. Vou estar lá, bonitinha, bufando de calor e sorrindo muito.

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Eu estou muito feliz de ir pro Brasil. Mas eu também vou ficar com saudades. *Você* sabe do que eu tô falando.

Wednesday, December 13, 2006

party mood

Hoje é dia de festa de gala. Como se não bastassem três garrafas de vinho e uma de champagne, os fornecedores ainda gastam os tubos nos levando para jantar. O de hoje, em especial, promete, por ser black-tie. A inglesada aqui está em pólvora. Vestidos e smokings, escovas no cabelo, inclusive eu, que não ia me dar a trabalho algum, acabei comprando um vestido longo.

Saio daqui e, junto com mais duas colegas, vamos a casa de uma outra, onde nos vestiremos e iremos para o lugar, um galpão em Cobham. Até na volta nossos fornecedores pensaram: vão pagar táxi para levar todo mundo para casa. Haja grana.

Pior é que eu nem tava a fim de ir nem nada, mas já que entrei nesse barco, vou com ele até o final. Me animei. Trouxe estojo de maquiagem e meia-calça (ugh), vários pares de brinco para experimentar e receber (ou não) aplausos de minhas fiéis colegas.

Viram, até minha escrita ficou mais fútil.

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Sim, é verdade, o sistema de comentários não está funcionando. Sim, pode ser que seja a primeira manifestação do meu inferno astral. Not that bothered, really.

Querem falar algo? Me escrevam! Aliás tem um monte de gente que lê meu blog calado. Chegou a hora de se manifestar! Estou de ótimo humor.

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Em uma semana estarei voando. E como estarei lexotanicamente dopada, é como se hoje já fosse amanhã. Entenderam?

Tuesday, December 12, 2006

lembrança da Suiça

quick thought of the day

Dizem os místicos que meu inferno astral começou ontem. E digo eu que se o que começou ontem foi inferno astral, já sei para onde quero ir quando eu morrer.

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Senhoras e senhores, eis que passou por mim o fim de semana mais estranho deste ano. Consegui sentir coisas opostas ao mesmo tempo e não surtar. Palmas para mim.

Nove dias e estou no Brasil. Oito e estou voando. Não dá para acreditar.

Thursday, December 07, 2006

loads of sugar in my bowl

Então começou a temporada de festas, também conhecida como temporada dos quilos a mais ou temporada do não reclama que a comida é de graça. Ano passado foi assim. E a associação dessas festas com minha expectativa de ir ao Brasil é direta. Acho que o dia em que não passar o final de ano no Brasil, ainda assim, vou sentir que vou, já que as festas de fim de ano me lembram essa ansiedade.

Ansiedade, ansiedade, ansiedade. Ontem eu cosegui controlar. Mas essa é que é a merda. Eu *tenho* que controlar. Ela não é controlada sozinha. Eu *tenho* que prestar atenção, eu *tenho* que me desgastar. É que nem andar de salto. Eu tenho que prestar atenção quando ando de salto porque, sendo double-jointed, viro o pé com a facilidade e indoloridade com que pisco. O único detalhe é que vira e mexe caio no chão. O mesmo acontece com a ansiedade.

Mas chega de falar no diabo, porque assim é só ele na minha vida. Ano que vem vou re-focar meus pensamentos. Todo ano falo isso. Mas ano que vem, ano que vem. O livro, ano que vem. E perder os quilos ingleses que ganhei, ano que vem. E cozinhar mais e nadar mais, ano que vem. Mais potássio e menos carboidratos, ano que vem.

Dois mil e sete vai ser uma beleza. Muni’dimais.

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Ontem reli alguns textos meus. Sabe, às vezes eu tenho uns repentes divinos. Mas é muito de vez em quando. Eu preciso me concentrar em não querer ser isso ou aquilo. Preciso mexer menos no cabelo e mais no que realmente interessa. Preciso esquecer que o tempo passa e que é isso que mata, é isso que mata e cura também. Preciso esquecer que sou levada na maioria das vezes, embora acredite piamente que levo.

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Tive um sonho lindo esta noite. Eu me hospedava num hotel com minha família, mas eles iam para um lado e eu ia para outro. Eu estava num lugar de montanhas com neve, e passeava sozinha num trenó que ia escorregando pelas montanhas. Eu via paisagens lindas que lembrava de ter visto antes em cartões postais. Um dia nublado, mas claro. Eu acima das nuvens e muito frio na barriga. Eu conhecia a ilha inteira e no final conseguia voltar pra casa.

Lembrei do sonho quando escovava os dentes, de olhos fechados. Foi bom.

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Ontem eu comecei um processo novo na minha cabeça. Meu pequeno Projeto de Bem Com a Vida. Ando me estressando com muita facilidade sobre coisas de que não tenho controle. Vamos ver se dá certo. Na real, vamos ver o quanto dura.

Wednesday, December 06, 2006

de volta ao presente

Deve ser a expectativa de ir pro Brasil. É, deve ser. Nenhum chocolate é suficientemente doce, nenhum abraço é suficientemente apertado, nenhum grito é suficientemente agudo, nenhum sono é suficientemente pesado.

Ontem, no trem, de novo. Um saco. Não sei nem porque ainda me abalo. A gente tinha que se acostumar com coisas que fazem parte da vida, não? Não, comigo não. As coisas que fazem parte da vida sempre voltam como se chegassem pela primeira vez. O inferno do desconhecido embora eu já esteja cansada de conhecer. O negócio é que é questão de sabedoria. E é isso que me falta.

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Minha Piu me insistiu para colocar alguns dos diálogos que tivemos dia desses aqui no blog mas, minha pequena, eles não ficam tão bem escritos quanto falados. Tem nada não.

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Fui nadar na segunda-feira, depois de semanas parada. Que vergonha, que fiasco. Mas foi bom rever todo mundo. Só foi ruim perceber o quanto fiquei fora de forma. Depois de uma hora de treino tive que sair. Não era cansaço cardiovascular. Era cansaço muscular.

O foda é que tá ficando muito frio.

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Preciso comprar um vestido de festa. Que saco. Nunca gostei de ter que comprar roupa. Experimentei um ou outro vestido numa loja legalzinha daqui. E daí que fiquei parecendo um bolo de noiva. Sei não, se pá vou chocar aparecendo no jantar de gala de calça de moletom.
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Vou nada.

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Catorze dias para eu me mandar. Vocês não estão entendendo. Tudo isso, essa falta de extremos, ou essa falta de mansidão que satisfaça, todo o turbilhão e as lágrimas que saem em forma de riso nervoso, e os risos que saem só nos olhos, pinicando o nariz, tudo isso só pode ter a ver com minha ida para a terrinha.

Preciso confessar uma coisa. Da última vez que fui ao Brasil, senti mais como se estivesse voltando para casa. Acho que é normal, né? Acho que é normal, sim. O tempo define o que é seu, o que não é mais, e o que nunca foi. Mas obviamente minha empolgação não é menor. Talvez diferente. Mais madura. Vou ficar menos tempo, vou ter que escolher mais. Vou ter que me dividir e me multiplicar. E além de tudo, vou ter que descansar. Porque estou exausta. Não sei bem de quê, mas estou exausta.

Ah, e para deixar registrado, estou feliz. 2006 foi um ano dugarái. (Babái, dugarái é só uma versão adaptada de “do caralho”, tá?) E quem está por aqui lendo e ajudou na “caralhice” do ano, você e você e você e você, nem preciso dizer nada, néam? I’m chuffed.

Monday, December 04, 2006

de quinta para frente

Vamos lá, acabar logo com esse diário pós-bordo, que já dando no saco e tem mil novas coisas para escrever.

Quinta, 23/11

Acordar cedo mais uma vez, e aproveitar o último dia do Alexandre. Não temos do que reclamar. Primeiro fomos a Grindewald (ou algo assim, o tempo está passando e vou esquecendo dos nomes). De lá fomos a Lucerna, uma vilinha toda linda, com um lago famoso no meio. Rodamos a cidade a pé e de carro, e subimos o morro para ver uma muralha medieval, tudo sempre muito bom. Bom demais. Naquele dia o Alexandre voltaria para Londres e eu continuaria a viagem sozinha, mas a verdade é que eu queria que ele continuasse lá comigo até o final. Mas ele, diferentemente de mim, é um mocinho muito dos responsáveis. De Lucerna continuamos passando por estradas estoanteantemente belas até chegar em Genebra. Antes disso, inclusive, quase fomos parados pela polícia na estrada. Mas isso é outra história. Sim, outra história.

Em Genebra foi meio caos. Alexandre tinha hora para chegar no aeroporto e eu não tinha albergue reservado nem nada, como sempre fazendo tudo torto, pela metade, avacalhado. O único albergue que achei na cidade estava lotado. Sorte é que ficava perto do segundo único albergue da cidade. Foi para lá que fui, já aflita porque o Alexandre ia perder o avião (apesar de que nem teria sido tão ruim assim, hohoho). Cheguei no albergue e uma excursão de 734876273 de italianos estava na minha frente, gritando, gesticulando, atrasando tudo. Eu já não estava no melhor dos humores. Mas respirei, relaxei, esperei. Bonitinha. Como era de se esperar. Consegui uma cama num quarto de seis. Foi tranqüilo, mais do que eu pensei que seria.

Sexta 24/11

Acordei às 7 da manhã porque em albergue é assim, um acorda, o outro acorda também e tudo acontece numa sucessão de sacolas do tipo barulhentas, e coisas que caem e luzes que acendem e celulares, malditos celulares (lembrando que eu havia perdido o meu, logo estava sem alarme, logo precisaria das sacolas barulhentas e das coisas que caem e das luzes que acendem para acordar a tempo de ir para Basel no dia seguinte e pegar o vôo de volta pra Londres).

Às 8h já estava na rua passeando. Grande erro, grande erro. Comecei a andar desenfreadamente. Andei em todas as ruas possíveis e imagináveis (algumas mais de uma vez) do centro histórico. Vi a catedral, vi casas onde moraram pessoas famosas, fui em tudo o que meu guia sublinhava. Chegou meio-dia e eu tinha visto tudo o que queria. E estava exausta. Sentei para tomar um café por meia hora. Continuava exausta. Andei mais um pouco para ver se era psicológico. Não era. Decidi dar um tempo. Ir pro albergue, sei lá, tomar um banho, tentar carregar meu iPod. A vida tem outra cor com iPod nos ouvidos.

Cheguei lá e bati com a cara na porta. O albergue ficava *fechado* até 2pm. Tive que tomar mais uma café, fazer hora mesmo, comprar besteiras. Cheguei no albergue, tomei banho, deixei meu iPod, o Nano Singer, carregando, pronto, melhor assim.

Saí de novo. Dessa vez passeei pelo parque à beira da Baía de Genebra, onde tem o Jardim Botânico e, mais além, a Universidade de Genebra e, mais além ainda, a ONU e outros órgãos internacionais. Uma delícia. Andei muito, andei demais, meu joelho doía, meu tornozelo também, mas tudo estava ficando cada vez melhor. Ao final do passeio, uma dor feliz de ter que voltar tudo a pé para o albergue. Cheguei lá exausta de novo, 5pm. Resolvi ler um pouquinho, só um pouquinho, terminar meu livro. Dormi. Acordei às 8pm, de novo com a corda toda. Me vesti e fui passear pela Rue Mont Blanc. Bati mais perna. Voltei umas 10pm e achei que seria difícil dormir de novo. Não foi.

Sábado, 25/11

Dia de partir. Acordei às 8am e tive que sair em jejum já que havia perdido o cartãozinho do café-da-manhã. A estação do trem de Genebra ficava a uns 10 minutos a pé de onde eu estava. Peguei o trem que ia direto a Basel. Duas horas de viagem, estou eu em Basel, nos achados e perdidos, perguntando do meu celular, fazendo mímica porque a mocinha não falava inglês. Eu – não – celular. Eu – cadê – celular. Uma hora ela entendeu e me deu um website pra entrar. Eu já sabia que o telefone tinha virado história.

Peguei um ônibus de lá até o aeroporto onde esperei horas e horas e horas. Voei ao lado de um alemão simpático que tentou me acalmar (não sei por que fiquei ansiosa com a decolagem) e me impressionar com seus estudos de árabe. Pegamos também o ônibus para Victoria, onde expliquei para o gajo como ir aonde ele precisava ir. Cheguei em casa, feliz de estar em casa, mas mais feliz por ter tido uma semana incrível, com mil histórias para contar, outras que não se sai contando, mas que estão guardadas aqui.

Voltarei, logo, para a Suíça.

Friday, December 01, 2006

ouvindo agora e sorrindo de leve

I can't believe that life's so complex
When I just want to sit here and watch you undress

Does it have to be a life full of dread
I wanna chase you round the table, I wanna touch your head

I can't believe that the axis turns on suffering
When you taste so good

You're the only story that I never told
You're my dirty little secret, wanna keep you so


Quando nada mais torcer seu estômago, ouça PJ Harvey.

Quando tudo torcer seu estômago mas mesmo assim você quer mais, ouça PJ Harvey.

Só não ouça PJ Harvey quando você quer almofadas em todas as quinas da vida.