Tuesday, June 17, 2008

crocodilo

"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens."

J. Guimaraes Rosa

Amem.

grasp

Existem algumas maneiras de fazer direito.
Existem muitas, inúmeras maneiras de se fazer errado.
E existe o não fazer.

E o vazio que segue o não fazer.

Mas o pior vazio é o que segue o fazer sem sentido. Fazer, fazer, fazer muito, e perceber que o que se fez era volátil e não muda nada. Nada, nada. E que esse é o princípio da inquietação. Não essa inquietação mundana de todo dia. A Inquietação.

Eu não sei.

Saturday, June 07, 2008

holy hole

Subir as escadarias do meu trabalho e entrar por aquela porta onde sei quem vai estar sentado onde, e ligar o computador e fazer o que sabia que iria fazer ontem, e anteontem. E pensar, claro, pensar. Pensar que nada faz realmente muito sentido. Nada vai MUDAR. Para mim e para o mundo. Aí a vontade de fazer todas as coisas que eu tinha para fazer some. Decido dar uma checada nos meus emails. Praticamente só propaganda. Onde foram parar meus amigos? A culpa é minha? Quando chega a hora do almoço eu preciso sair. Muitas vezes ligar para alguém, mas quem? Tem muita gente que gostaria de receber meu telefonema, mas elas têm o que falar? Elas lembram dos seus sonhos? Elas entendem que cada dia vivido é um morrido?

Não ando muito bem. Ando tropeçando muito. Qualquer coisa me faz chorar, qualquer coisa que me fazia rir antes não tem muita graça mais. Ando com vontade de estudar. Não sei vocês, mas sempre que caio nos meus muitos buracos, tenho vontade de estudar. Até mestrado no Brasil ando considerando, eu que depois da faculdade passei a não acreditar em ensino no termo ortodoxo da palavra. Talvez ainda não acredite e a solução é estudar por conta própria.

Aí eu olho para o meu amor. Ultimamente tão focado no doutorado que quando ele pega o violão para tocar me dá vontade de ser o violão. E me vem aquele medo também. Quando estou como estou, fico destrutiva. Jamais me perdoaria se destruisse uma das poucas coisas bonitas que soube construir. Mas o medo de destruir ajuda a destruir. Ele vai ter que ter paciência comigo. Eu vou ter que ter paciência com o doutorado dele.

Na verdade, estou me oferecendo muitas saídas. Estou tentando cuidar de mim mesmo no buraco. Ontem entrei na academia. Good ol' serotonina, se deus for pai. Semana passada bookei uma viagem a dois para Noruega. É no final do mês. Vamos para Stavanger conhecer os fiordes. Something to look forward to. Também estou fazendo aulas de caiaque no Tâmisa. Uma experiência fantástica e uma nova perspectiva da cidade que, após 4 anos, achava difícil ainda haver. É o que diz o folheto anyway.

But yet... Estou contando mesmo com a ida ao médico no dia 17 de junho. Vou meio de cabeça baixa, me sentindo uma puta loser, mas acho que não é a hora de ficar sem boletas. Para meu desapontamento, e do meu amor também - que embora negue, é claramente contra anti-depressivos. O problema, como disse a ele, é que ele não me conhece sem antidepressivo. Fico não só insuportavelmente ansiosa, como irritadiça (ao extremo: tenho vontade de socar, por exemplo, mulheres andando de salto alto atrás de mim. não perguntem) e muito negativa. Basicamente invirto a polaridade da minha energia. Basicamente, viro uma bosta de pessoa. Eu sem boletas.

Então é isso e chega.