Thursday, September 28, 2006

plumas e chumbo

Engraçado é que eu fiz toda uma festa porque finalmente estaria com nova medicação, aí ontem fui no médico e peguei a receita, fui na farmácia e peguei o remédio e, hoje de manhã, na hora de tomar, por algum motivo não tive coragem. Tomei o velho de guerra.

Será que estou mais louca do que pensava?

Sei lá, não é a minha psiquiatra falando e ouvindo por uma hora para depois decidir se os prós superam os contras na troca dos remédios. É uma clínica geral do NHS (o sistema público de saúde daqui) que eu nem escolhi, mas me foi designada, que em cinco minutos de consulta, contando tirar minha pressão e ouvir outras lamúrias (eg tiróide, pílula etc) decide que devo tentar um novo remédio.

Não, não estou louca. Mas vou tentar. Tô com medo porque minha Piu disse que no começo eu vou piorar. Cara, se piorar explode. Sou uma bomba relógio ambulante. Preciso de um nada para estourar. Não, não pode piorar. Ainda não decidi o que vou fazer.

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Os adjetivos que meu técnico usa para se dirigir a mim valem uma listagem. Não sei de onde ele tira. Outro dia ele perguntou para a Flá, que pacientemente assistia ao meu treino, se eu era famosa no Brasil. Mas hein?! Que pergunta é essa, minha gente?

Ontem ele me fala, na saída da piscina: Beatrice, you’re a gift from heaven!

Arregalei os olhos incrédula. Ele não me conhece. I can well be a gift from hell.

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Mais um fim de semana todo agitado. Amanhã tem festa, sábado tem festa, a Broo vem pra Londres, vai ter um “chazinho” lá em casa, só para a mulherada. Esses são os planos. Na real, só deus sabe.

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Voltando a enxergar tons, nada como cores pastéis depois de se ofuscar e só ver preto e branco. A começar pela beleza monótona do cinza, que me mostra que existe vida entre o oito e o oitenta. Repara só que eu não saio mais tanto da linha. Não fico semanas muito bem e semanas muito mal. Não. Minha vida vem se acinzentando e, juro, dou graças a deus. Só depois de uma vida que oscila entre preto e branco é que somos capaz de admirar a monotonia do cinza. Bem vindo. Inunde-me de imensidão imparcial. Ajude-me a não sorrir e nem franzir. Não no espaço de um segundo, pelo menos. Tenho certeza de que ser cinza não é perder o brilho.

E se eu paro e penso em um rosto qualquer, não é no seu rosto que eu penso. Não consigo me reter por muito tempo nas lembranças que você me emprestou. O problema, meu caro, é que tenho tantas lembranças, vivi minha curta vida com tanta riqueza, que é realmente um mérito estar entre as mais remotas. Não é o seu caso (I wish I could say otherwise). Então, toma de volta, eu tenho mais palavras e imagens para ocupar minha cabeça. Na verdade não sei o que fazer com um ou outro respingo de alegria. Penso em jogar para cima e dar a quem primeiro pegar. Penso em rasgar e jogar no lixo reciclável. Penso em mandar empalhar porque um dia vai valer uma fortuna – antigüidades, você sabe, respingos de alegria empoeirados.

Nem sei se essa idéia de confrontar vai dar certo. Você quer ouvir e eu também. Ninguém quer falar. Vai ser um diálogo bastante silencioso. Vamos ouvir a chuva cair e afundar em melancolia e aí sim será o fim. O fim das nossas poucas lembranças. O laço que fecha o embrulho. Pequeno embrulho. De conteúdo frágil e embalagem forte. Plumas numa caixa de chumbo. É assim que vejo o que houve. A bela história poderia flutuar, viajar mundos, papéis e cabeças (inclusive a minha, mil vezes), mas dentro do caixão de chumbo que você escolheu para nossas lembranças, baby, elas vão afundar.

Dê apenas algumas semanas e não se falará mais nisso.

Wednesday, September 27, 2006

rútilos

Meia hora para ir embora. E depois mais uma hora até o médico, onde pego meus exames, faço mais alguns e discuto a troca do medicamento.

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Depois do médico vou nadar, claro. Ainda é segredo porque há grandes chances de eu dar pra trás, mas estou escalada para nadar 100m borboleta nos Speedo Meets de outubro, novembro e dezembro. Isso significa que toda a negada com mais de 17 anos que aspire um dia fazer parte do GB team, estará lá, com garra e sem celulites, para meu desespero.

Sou monga ou o quê?

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De uma coisa estou cada vez mais convencida: não sou uma pessoa lá tão fácil de bancar. E não culpo banana algum por não conseguir. Eu consigo ver uma menina meio morena, cabelo meio comprido, meio magra meio gorda, meio alta meio baixa, constantemente proto-sorridente, meio sentada no colo de cada homem que não soube me bancar. Eu consigo ver uma menina meio burra, meio esperta, meio bonita, mas nem tanto, meio estridente e meio egoísta.

Eu não consigo ver outra coisa.

Eu não consigo me ver plantada, sem brilho e sem vontade, no seu colo. Eu me vejo silenciosa, mas não silenciada. Eu não consigo me ver sem escrever. Eu não consigo pensar em parar de escrever no meu blog porque sei que você lê. Todos os homens que tentaram intereferir no que eu escrevo perderam a batalha. E você não é, nem de longe, o cavaleiro mais valente.

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Ano que vem já estou com duas viagens em planejamento. Uma, em março, para Hungria com a Edina, minha amiga do trabalho. A outra, em junho, para ilhas gregas com pessoas a confirmar. Será um swim trek. Há que dar certo. Porque preciso de algo para me confortar pelo pouco tempo que ficarei na terrinha no final do ano.

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Ontem fiz Reiki. Quer dizer, fui feita Reike. Quem fez foi a Adriana que, toda sweet, foi lá em casa aplicar. Adorei.

Monday, September 25, 2006

doze almas

Cheguei no trabalho. Doze peixes morreram no aquário. O escritório pareceu bem mais morto, apesar do volume de coisas a fazer. E meu chefe meio cabisbaixo. Geralmente ele ilumina qualquer segunda-feira.

Minha mãe está com o pé quebrado, meu pai com rotavírus e minha irmã está, como eu, achando o mundo todo meio estranho, sendo que sabemos deep inside que estranhas somos nós.

Esqueci o guarda-chuva no trabalho sexta-feira e cheguei hoje encharcada. Derrubei um litro de água na minha escrivaninha e quase chorei por isso. Passei o almoço todo lendo Hilda e mais Hilda. Não estou trabalhando. Até agora, só atendi telefonemas. Emendei uma ou outra coisa. E mesmo assim, foi nas coxas. Coisa que odeio fazer. Mas não conseguiria fazer diferente. Hoje é a segunda mais típica da minha vida. Cinza, errada, ressaca de um fim de semana que foi como vinho barato, enxugado da boca com as costas das mãos. Enxugadas as mãos em algum lugar que não lembro, porque nem foi de propósito.

Não consigo parar quieta. Tô com vontade de sentar no colo de alguém e apenas me deixar abraçar em silêncio. Mas como isso não acontece, me contento em resmungar para dentro e balançar as pernas sem parar. Pular de site em site em busca de absolutamente nada, já que não sei o que procuro – então como saber quando encontro? Vontade mesmo era de dormir. Hoje o despertador tocou e eu simplesmente não acreditei que aquela seria a primeira de cinco manhãs em que eu teria que acordar forçada.

Essa semana vou ao médico, ver o resultado dos meus exames e mudar minha medicação para pânico. Minha última chance, já que a ciência e seus dedicados homens ainda não apareceram com nova poção mágica no mercado.

E o fim de semana passou como bala. Quando eu vi, já tinha me atravessado e me jogado de joelhos num chão duro. Mas com todo mundo olhando, claro, eu sorri e fiz piadas e fui a Bia de sempre, embora com *sono*, a nova palavra da moda para mal-humorada. Mas é só isso que vou perder nessa história. Um fim de semana e nada mais. Quem sabe algumas horas de trabalho também. Mas ganho com inspiração; Nada como uma boa derrapada na merda para me inspirar. Obrigada por foder com minha vida de novo! Só assim mesmo para eu desembestar a escrever.

De resto, uma vontade visceral de nadar até o peito rasgar. E é o grande plano to look forward to tonight.

Mas doze peixes morreram no aquário do trabalho. E por isso, e só por isso, estou triste hoje.

alimento da alma

Roberta: oi minha amadinha...re-lendo o seu texto sua coisa
me: pois eh, visceral, ne?
Roberta: que inspirada ne escritorinha favorita. fabulous!!
me: vc achou? que bom
Roberta: chegou a dar um pouco de dor nas axilas
do caralho..
devo me preocupar?
me: ehhehhe
nao, pequena, nao
eu eh que preciso crescer
Roberta: prioridades sao prioridades
adorei essa parte
me: sua fofa
Roberta: É isso então. O oxigênio não chega aos meus membros porque há um coração inteiro a ser levantado. Prioridades são prioridades. Fico então de braços e pernas bambos, inundados de gás carbônico que não sai nem a crises de tosse, nem a natação furiosa, nem a gritos da alma.

ge-ni-al
me: brigada, princesa
vc eh q eh doce
Roberta: eu tbem to em inferno emocional, sonhei com o john
aquele puto
Roberta: ja arruinou meu dia...mas esse cara vai pagar caro, ah vai
te prometo bibi
me: mulheres vingativas, uni-vos!
Roberta: siiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm
e eh indeed um prato que se come frio
eh um carpaccio, um sushi a vinganca
eles hao de pagar (risada de vilao em desenho animado)
me: um gazpacho catarrado
hahahahah
Roberta: eh cheio de catarro!!!
hehehehehe
Roberta: acabei de mandar esse email pra ele, saying are you insane or what?
heheheheheeh
me: vamos mandar essa gente sem expressao morrer engasgada no proprio sentimento
nem q seja de raiva
Roberta: ele vai ter que ler o que tenta esquecer
hahahaha
me: ai deus. nao vai fazer besteira, menininha
Roberta: gente sem expressao eh fria
o pior tipo
Roberta: eu ja to ate comecando a ficar com pena
me: eu tb
perdidinhos
quase sub-humanos

(...)

me: maditos robos
a gente tb deve ser uma aberracao pra gostar de robos como se fosse gente
Roberta: nos too somos aberracoes
temos a missao de salvar o mundo e dar alma aos robos
me: hahahahah
exatamente
mas acho q eles nao querem
estao bem assim
Roberta: uma maldicao que comecou no reinado de julio cesar
me: e so servem pra isso mesmo. serem robos
Roberta: cleopatra mesmo tentou fazer algo e SE FODEU
me: estao ali. fingem que sao felizes ou tristes, fingem que respiram, fingem q se divertem ou se entediam, mas na verdade nao tem nada la
Roberta: na-da
na-da
eu estou exausta desta minha missao
essa eh a ultima vinganca dai deu...pagina virada
me: concordo
pq ficar pendurada num robo pelo sentimento de vinganca eh uma merda. ele nem vai sentir. a dor eh toda sua
Roberta: ele ha de sentir. infelizmente as palavras nao o tocam, ele nem responde
me: ja dizia minha querida Hilda: Embora se mova o trem, tu não te moves de ti.
Roberta: hahahahahahahaha
porque se dizem que a vaca eh pintada..
Roberta: qual a historia behind hilda?
me: Hilda Hilst
a melhor escritora brasileira
e talvez ateh do mundo
Roberta: sabia que vc amava ela
ai que fofa, talvez ateh do mundo
me: talvez
Roberta: meiguinha
me: E hoje, repetindo Bataille:
"Sinto-me livre para fracassar".
Roberta: eu nao gosto de perder...mas nao tenho medo de fracassar
nos duas hj estamos perfeitas para uma praia de inverno na varanda de uma casa de praia com muito cha e cobertor tapando as pernas e falando mal dos que merecem ou dos que nao merecem ser mencionados
me: verdade. aquele vento frio enxugando as lagrimas antes delas cairem
Roberta: que livro da hilda vc tem aqui?
me: aqui acho q soh o Rutilos
Roberta: e as duas tomando cha e divagando, olhando pro mar just for the sake of it
me: ateh ver peixinhos no ceu
Roberta: um dia chuvoso, ne?
me: sim, chuvoso e frio
paia de agasalho de moleton
O vento parou, eis o recado para o outro: sê fiel a ti mesmo e um dia serás livre. Prendem-me.

merda, nao vou conseguir trabalhar direito hj
Roberta: hahahahaha
to rachando o bico pensando justamente isso
me: q merda de cabeca viajante
Roberta: ainda bem que minha reuniao no office eh so amanha, que hj nao vai prestar
me: e romantica pra porra
Roberta: to com minha cabeca em mercurio
ou mergulho
me: pois eh
to indo prum meeting
Roberta: romantica e vingativa: what a weird combination
me: quero me matar
ja volto
Roberta: vai la
nao te mata antes de falar comigo
me: ok. com vc e com a Hilda
Roberta: ela em segundo
me: claro claro! sempre
vc sabe q eu te amo
ela, eu venero
eh diferente
Roberta: ta bom
diferente
nem vem com a veneracao demasiada que eu fico com ciume
hahahahhahaa
as duas merecem hospicio de frente pro mar
eu e tu
deus eh mais
me: hahaha
deus eh dez
e ta do nosso lado
porque somos loucas, mas somos do bem
Roberta: true
somos pobres mas somos limpas
me: isso
e deus da o frio conforme o cobertor. (hahahahha)
mas se pudermos fazer os malditos passarem frio, ah, seria otimo
Roberta: vou pensar o que farei HOJE para um mundo melhor, AKA o que farei para arruinar um pouco o dia dele
Roberta: so tenho duas maneiras de machuca-lo: gastos e pequenos gestos(lembra-lo de quanto o pau dele eh pequeno)

(…)

me: hilario
acabo de derrubar um litro de agua sobre minha escrivaninha
e sobre mim
estou taaao feliz
puta da vida e com frio e feeling sorry for my miserable self
Roberta: dont!!!!
its just a bad day
to indo pra rua nessa puta chuva agora
fica quentinha ai no office que amanha melhora
o que nao nos mata nos deixa mais fortes (e mais traumatizadas, e mais fodidas e menos confiantes etc)
me: tomara meu doce, tomara
Roberta: mas c'est la vie, innit?
me: mas la vie en rose
e eu odeio rosa
sempre fui uma crianca azul
enfim
q horas vc entra hj?
Roberta: eu nao entro hj, minha reuniao eh so amanha e eu nao vou a deli...eu tenho que resolver coisas pessoais, banco do brasil (mandar money br), imobiliaria levar uns documentos e ai meu curso
tudo na rua, um saco, mas amanha sera um novo dia
enquanto isso eu sempre posso me divertir pensando em como foder o j
me: nos juntas somos um perigo, meu deus
Roberta: enfim, acordamos assim hj
mas somos imprevisiveis
amanha podemos estar cagando e andando
going: who the fuck are them?
Roberta: gotta go my love
escreva bastante se puder
ou apenas vomite
tire algum proveito dessa canalhice
me: pode deixar, amada
te amo
Roberta: te amo too
estarei de volta soon
ai falamos mais
beijo na bochecha
rosa
(nao da pra ser azul)

Friday, September 22, 2006

looking out

Fim de semana está aí. Quanta alegria, quanto calor – not! Está chovendo. Foi babãe me deixar para Londres voltar a ser Londres. O plano para amanhã era nadar dos ponds de Hampstead Heath. Digamos que o plano será adiado para...well, ano que vem. Acabou o verão. Agora é de verdade.

Nadarei hoje, menos pelo exercício que pela possibilidade de liberar tensão. Ando extremamente ansiosa. Meu médico aqui, inclusive, quer mudar minha medicação pra pânico. De sertralina para fluoxetina. Eu não sei, né? Sei nada não sinhô. O dotô mandô eu faço ou me esborracho.

Fim de semana promissor. Eu conto, eu conto. Ou não.

Wednesday, September 20, 2006

eixos da loucura

Pela primeira vez em anos eu quero escrever o que sinto e não consigo. Sempre saiu como uma enxurrada. Mas agora estou com os dedos prontos para digitar e não consigo decidir para que lado vou. Estou feliz e triste e tranqüila e ansiosa. Estou tudo ao mesmo tempo. Estou um hotpot de sentimentos, virado à moda da casa. Picadinho ao New Deck. Todos os sabores ao mesmo tempo na minha boca, chamando meu paladar de débil mental.

Disse tchau para babãe, enquanto disse oi para minha vida nos eixos. Eu quero eixos, também. Por mais descarrilhada que seja, ou queira ser, eu preciso ter do que descarrilhar. Se nunca houve trilho, não há como sair do caminho. Para ser louco, há que ser preso.

Mas babãe já foi eixo antes. Onde foi que o trem mudou de trilho que ninguém me avisou? Quando é que ter mãe ou pai ou até minha Piu por perto deixou de ser eixo para ser belvedere? Eu não sei e, como quase tudo, me assusta.

Pronto, consegui.

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A despedida da babãe foi rápida e indolor. Hoje de manhã, saindo pro trabalho. Durou um minuto e meio, creio. Não mais. Foi tempo suficiente para seus olhos encherem de lágrimas, mas não para que escorressem.

Em três meses estarei no Brasil. Três mesezinhos. Nada. Passa logo. Por menos tempo que da última vez, é verdade. Terei que bookar direitinho o espaço de cada querido. Devo chegar na terrinha dia 21 de dezembro e voltar pra cá dia 5 de janeiro. O aniversário será frio, escuro e choroso, mas há que se fazer sacrifícios se os planos para 2007 são (obriguê, Piu!) viajar mais pela Europa.

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Festas festas festas. O timing foi perfeito. Babãe se vai e as festas começam a acontecer novamente por aqui. Se eu fosse um pouco mais umbiguenta, diria que esperaram por mim. Esperaram nada. Good timing, that was. Esse fim de semana e o próximo. Aguardem.

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Saudade, saudade, maldição que terei ao meu lado para o resto da vida. Metade de mim sempre será saudade. A outra metade será saudade sendo matada.

Não sei se são hormônios ou a posição dos astros ou energia em movimento, mas me deu uma vontade gigantesca de dizer que amo quem eu amo. Uma vontade quase urgente. Amo gente demais e isso às vezes atrapalha minha rotina. Me faz largar o que for para me certificar de que minha mensagem foi passada com sucesso para todos os destinatários.

Amo. Sempre amando. Aliás, não à toa, a personagem principal do meu livro chama Amanda. Amor em gerúndio. Condição: amor.

E é por isso que já ouvi Inverno milhares de vezes e continuo querendo chorar toda vez que ouço novamente.

Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só
Num deserto sem saudade sem remorso só
Sem amarras barco embriagado ao mar

Monday, September 18, 2006

uma idéia para deus

De novo aquela puxadinha sem sistema para expelir.

Se eu fosse dizer o que falta ao corpo humano para ser perfeito, diria que falta um cu, ou qualquer buraco equivalente, capaz de expelir angústia. Não seria perfeito?

Pois então, deus, fica aqui minha sugestão para os próximos milhões de anos, se é que até lá o senhor ainda terá saco de continuar fazendo e desfazendo gente.

Pois eu preciso, porque explodo de um jeito todo torto, todo primitivo. Explodo por todos os poros.

Mas enquanto espero deus me envoluir, vou arranjando soluções-tampão, o que, modéstia a parte (ou *modeste a parte* como li outro dia), sei fazer bem.

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Mais um fim de semana cheio de acontecimentos. Se chamássemos fim de semana de começo da semana acho que minha implicància com os domingos estaria 50% resolvida.

Mas voltando. Vou resumir porque senão fica um saco. Sexta ao chegar do trabalho, inspirada, resolvi correr com a Flá. Babãe deu sua caminhada à base do que-belas-flores! Dessa vez, com uma pessoa um pouco mais sensata que eu para estabelecer o ritmo, corri por 20 minutos. Um aproveitamento de 100% sobre a vez que saí correndo pelo parque feito um avestruz para me mostrar para os marmanjos e, apesar de morta, não ia parar na hora em que alguém estivesse vendo. Porque sou o centro do universo, eu sei. Estava o parque todo vendo como corre bem aquela avestruzinha das bochechas vermelhas. Me poupe, né, eguinho?

Do parque pro banho, do banho pro restaurante. Fomos no indiano perto de casa e ganhei todas as calorias que perdi correndo.

Sábado quis me enforcar por acordar às 7:30h e depois de muita manha fomos ao Shakespeare Globe, o teatro em que as peças do Shakespeare eram (e são) encenadas. Muito legal. Muito bonito. E tal. Mas achei caro pro que oferece. Sou mais um dia comprar ingressos para ver uma Macbeth da vida do que ouvir guia engraçadinho tirando sarro da calamidade sanitária de teatros em tempos escatológicos.

De lá caminhamos pelo South Bank até o Borough Market, o queridinho dos businessmen que têm culinária como hobby. Mercado lotado, um monte de gente aproveitando as amostras de degustação para pular o almoço, empurra-empurra quase brasileiro, aquela alegria, aquele calor humano. Eca.

Abreviei o passeio e tratei de sair de lá assim que houvesse brecha. Não precisou muito porque babãe e Flá já estavam de saco cheio do tumulto também. Voltamos ao South Bank, vimos ferinhas e pessoas querendo e conseguindo aparecer. Vimos de tudo e não compramos nada. Ou quase nada.

Babãe derrotada e Flá com amigos em Londres, fui encontrar minha turma, que já nem lembrava mais meu nome. Refresquei a memória e reaprendi alguns nomes também (haha). Foi legal. É bom voltar.

Domingo quis me enforcar por acordar às 11:30h mas me arrumei rapidão para ir a Trafalgar Square, onde ocorria o festival judáico. Foi legal pelas músicas, mas aí entrou uma falação do prefeito, e a feirinha e a comida deixaram a desejar. Rodamos aquilo desviando de policiais óbvios e à paisana, que às dúzias tentaram e conseguiram garantir uma festa sem explosões.

Resolvemos então aproveitar que esse fim de semana foi o London Open House, um evento em que vários prédios da cidade, fechados ao público normalmente, abrem por apenas dois dias para visitas gratuitas. Fomos no New Parliament, em frente ao incansável Big Ben. Foi legal.

E depois mais andanças pelo South Bank, bateria de escola de samba, homens-bonecos, comida, coreano vendendo qualquer coisa que faça barulho e fascine criancinhas. Gente esparramada na grama, comendo um frango ou fumando maconha. Um domingo típico.

Voltamos para casa. Canseira. Um fim de semana inteiro de andanças e até correiranças. Pena que passou tão rápido.

O últibo fim de sebâda com babãe e seus bibos.

Tuesday, September 12, 2006

uma vida inteira pra mim

Ah, então vamos brincar de quem agüenta mais tempo calado? Olha que eu ganho... Olha que você depois vai vir me implorar para pararmos com essa brincadeira de mau gosto.

Mas tudo bem. Tudo bem. Tudo vai ficar bem se no final das contas você disser que ficou com saudades.

Mas vai ter que falar.

I’ve got my feet on the ground and I don’t wanna sleep to dream.

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Vidinha, assim, tranqüila. Babãe na área significa mimos. Café-da-manhã na mesa, supermercado feito, quarto limpo. Coisas que eu normalmente faço quando me sobra uma esquina no tempo. O que raramente acontece porque estou sempre inventando coisas e reclamando da falta de tempo e corneteando para o mundo todo que não quero, não posso, ser apenas mais uma.

Trabalhando, nadando quando dá. Fazendo programas turísticos. Greenwich e Sinatra no sábado, Kew Gardens no domingo. Eu adoro o pretexto de ter visitas para ter que bater perna por essa cidade maravilhosa. Engraçado que quando vim morar em Londres eu nunca tinha posto o pé na cidade, mas de alguma forma sabia que seria a *minha* cidade, que eu viajaria o mundo e continuaria sentindo que moro na melhor cidade do mundo. Eu estava certa. Amo Londres. Viajei para vários lugares da Europa e, por mais que tenha me encantado com muitos, nenhum é tão encantador e tão a miha cara quanto Londres. Aiai. Declarando meu amor à cidade. Não imaginei que iria por aí quando comecei a escrever este post.

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Now now, resolvi que no final do ano eu vou me dar um aumento. Isso porque vou pedir ao chefe e, se ele não der, vou procurar outro. Sendo assim, de qualquer maneira eu vou me dar um aumento, por bem ou por mal. Adoro meu trabalho, adoro as pessoas etc, mas tenho que crescer, néam? Eu já fui promovida. Agora falta ganhar mais.

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E os Master Nationals estão aí, na porta, e eu já estou sendo relativamente cobrada, mas acho que vou me dar uma de João-sem-braço porque não estou com vontade de passar nervoso-vergonha-tristeza. Talvez eu vá assistir e torcer. Go Wandsworth, go. C’est tout.

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Preciso só deixar registradas aqui duas Bobbyces, porque se eu não tomo nota elas se perdem no buraco negro do esquecimento, um triste fim para tão gracioso espetáculo.

O primeiro, há poucas semanas, quando Bobbynha disse que fazendo assim e assado a gente resolve duas coisas *com uma coelhada só*. DOCE. FOFA. MORRI. DOEU. Mas sofri em silêncio com esses sentimentos porque falávamos de algo sério.

E o outro, ontem, em meio a uma conversa com várias flechas e gráficos saindo para todos os lados e apontando para mil coisas que só nós entendemos, ela estava a matutar sobre o nine-eleven e saiu sixteen-nine. Algo assim bem Bobby. Quem a conhece sabe. E custou para ela voltar encontrar os números certos. Dessa vez eu nem me segurei nem nada. Se ela estivesse do meu lado a bochecha sofreria as conseqüências. Ah, sofreria.

Thursday, September 07, 2006

Wednesday, September 06, 2006

paz armada

Meus olhos já não são mais os mesmos. Oito horas por dia na frente do computador já são suficientes para ficarem vermelhos. E eu, teimosa, estou aqui, na frente do computador mais uma vez, escrevendo mais uma vez, porque agora é a hora que dá (tempo e inspiração).

Está tudo corrido. Tenho que me dividir entre o trabalho e a babãe na area. Sei que ela tenta não interferir na minha vida para não me atrapalhar, mas se não interferisse seria até estranho. De qualquer forma, segunda feira fui nadar. E meu técnico, Tony, perguntou se eu havia treinado durante as “ferias” porque eu estava “fit”. Agradeci o elogio mas falei para ele não se iludir. Nadei bem por vontade acumulada de nadar. Acho que fazia uns dez dias que não caía n’água. E 4km passaram sem que eu percebesse. Claro que depois morri e tive cãimbra e yadda yadda. Mas foi a glória. Tentarei amanhã, eu juro. Juro, juro. Que tentarei.

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E depois da pataquada de babãe comprando ingresso para Chicago tendo confundido com Sinatra (eu assisti a Chicago há mais ou menos um mês, quando minha Piu estava aqui), ela garante que dessa vez comprou certo. Sabadanoite. Veremos!

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Ontem, antes de irmos ao teatro (porque, sim, assisti novamente a Chicago, e lembrava de pequenos detalhes que são só detalhes mas que se repetem e fazem, afinal, a diferença), fomos comer num restaurante tailandês. Um filhadaputa pediu um prato com sei lá que veneno mas que fez o nariz de todo mundo escorrer e a garganta de todo mundo coçar. De verdade. All of a sudden o restaurante todo tossia. Uma cena digna de Hiroshima. O horror.

Queria saber que tempero é aquele para o caso de, ah, sei lá, precisar para uma vigancinha, dessas de se pôr em prato que se come frio. Temos sempre que ter uma carta na manga para as necessidades de manter saudável aquele lado maldoso gostosinho.

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Por ora é isso. Tenho dormido com a Flá porque babãe, como poucos sabem, ronca. Quanto? O suficiente para eu dormir com a Flá. Não lembro se já falei da Flá aqui. Irmã da Broo e minha nova flatmate, quem, inclusive, já foi chamada de minha irmã também. Anyway, gosto de pensar que somos, assim, uma pequena família em Londres.

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Sexta-feira vou ao medico. Nada demais, imagino. Problemas e exams de rotina. Há que ser.

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Recebi uma das melhores notícias do ano: a possibilidade REAL de minha Bathatha vir passar um mês, UM MÊS INTEIRINHO comigo. Não poderia querer melhor notícia. Claro que ela vai ficar comigo. Claro que vou tentar faze-la perder o avião de volta. Claro que ela vai se apaixonar por Londres como eu sempre previ e, quem sabe um dia, se planejar para ser, mais uma vez, minha vizinha.

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Tenho sentido bichos caminharem sobre meu corpo. Passo a mão e não tem nada. Mal sinal.