Thursday, February 02, 2006

mais uma vez, o horror

A gente acha que vai comecar a esquentar, mas ainda esfria, esfria, esfria. A gente acha que estah tudo bem, mas nao estah, nao estah, nao estah. Ontem tive um quase-ataque de panico no trem de volta do trabalho. Estava falando no cellular com a Broo. “Broo, nao to bem. Panico. Eh, agora. Como? Olha, nao to conseguindo falar. Preciso desligar. Sim, me cuido. Ta, podexa. Vou esperar. Beijos”. Fui o resto da viagem suando frio, coracao aceleradissimo, respiracao com o controle de um cavalo selvagem. A sensacao de que todos aqueles ingleses me olhavam espantados, o que obviamente nao aconteceu. A sensacao de que quando o trem chegasse em Waterloo eu nao iria conseguir levantar do meu assento e que teria de ir de volta ateh Kingston. A sensacao de que minhas pernas dobrariam se eu tentasse ficar em pe.

O trem chegou, eu sai. Comprei um cookie porque achei que poderia ser fraqueza. Tenho comido pouco. Ateh melhorei depois do cookie, mas o bolo na garganta nao estava tao saboroso. Cheguei em casa, comi um negocinho e fui dormir. Oito da noite fui dormir. Na verdade fui ler. Nao parei ateh terminar o livro, The Secret History, uma delicia de thriller. Isso era la pelas dez e meia jah. Com a ajuda do Nosso Senhor do Rivotril, dormi. Acordei mais leve, mais calma, mais serena mesmo. Fiquei menos irritada com as Pessoas Que Empurram, uma classe especialmente desprezivel de seres humanos. Nao corri sem precisar correr. Nao li o Metro News, mas meu novo livro, The Reader, do Bernhard Schlink, que meu tio John me deu de Natal.

Cheguei no trabalho e nao pirei nos deadlines, porque aqui ninguem pira. Deadline eh algo meramente hipotetico, quase inalcancavel. Tenho que parar com essa mania de fazer tudo direito. Se todo mundo fizesse tudo direito tambem, o mundo nao estaria uma zona.

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Fui na cadimia essa semana. Resolvi dar as caras e bracadas. Logicamente, para tanto, terei que continuar trabalhando de salva-vidas la, now and then. Nesse sabado, por exemplo, vou trabalhar das 12.30 as 18.30. E soh. Pretendo voltar aos meus exercicios. Nao foi promessa de ano novo nem nada. Sempre pratiquei esportes e nesse caso nao preciso fazer promessas para depois dizer que eh impossivel cumpri-las.

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Se tudo der certo, se nao estiver tao frio, tao cinza, tao fodido, domingo eu e Broo vamos a Windsor para conhecer o castelo. Sempre quis.

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A busca pela casa perfeita ainda nao comecou. Semana que vem devo anunciar minha saida aos queridos flatmates. Liberdade = poder de escolha = perda de algo. Por que queremos ser tao livres eu sempre me perguntei.

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Desencanei de catar os farelos de mim. Acho que o vento vai se encarregar de levar tudo para o lugar certo. Enquanto isso, pego um cinema, saio para jantar, vou trabalhar. Tudo que me tire de orbita sem me meter num zenite.

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