Wednesday, February 28, 2007

recorte

Eu ainda hei de fazer uma lista de elogios desprendido pelo meu técnico de natação, Tony. Ele deve achar que é poesia mas sai tão, tão brega, minha gente. Ontem, por exemplo, ele disse que eu devo ser “the most good-looking jellyfish in Brazil”. Hein?! Era pra eu me sentir lisonjeada? Não sei se agradeço ou mando-o às favas. No final, indecisa, apenas rio nervosamente. Ele é um cara engraçado. Fazia meses que não me via e quando me viu, eu tava toda encolhidinha, já esperando uma puta bronca, visto que o commitment de qualquer atleta com o clube tem que ser de no mínimo 3 vezes por semana. E mais uma vez fiquei surpresa. Ele abriu um largo sorriso: “Beatriz, we missed you!” E começou a destilar elogios rasgados e bregas, demasiado bregas. Tão bregas que não me faziam corar.

Aí virei pro Derek e desnecessariamente concluí que nada mudou. Só minha natação, que está lastimável.

**

Angústia passandinho. Passar que nem macho nunca passa porque é inerente mesmo. Mas deu aquela aquietada. Falar com meu amor ruivo sempre, sempre ajuda. Impressionante.

- Olha, fica bem, viu? Quando começar a ter pensamentos obsessivos, lembre que você não tem controle, imagine-se recortando com uma tesoura cada um deles.
- Mas eu sou ruim de tesoura, corto tudo torto, lembra quando...
- Tá. Então imagine lançando-os no mar para bem longe.
- Ok, vou imaginar. É isso que você fala pros seus pacientes pequenos com TOC?
- É.

É ou não é um cristal, essa minha Piu?

Tuesday, February 27, 2007

todo ano, o ano todo

Preciso engavetar minha vida, só um pouquinho, só agora, não é definitivo, não se preocupem. Porque senão esqueço onde pus o quê. Então vou organizar por ordem de prioridade. Ok, o que vem primeiro? Eu não sei.

**

Mas meu deus do céu, que se exploda a Britney Spears e a careca dela. E o piercing e a tattoo e as tentativas de suicídio. E o que mais ela venha a fazer para aparecer. Por que todo mundo se importa? Será que é por isso que eu desencanei de ler jornal? Faça-me o favor.

**

Estou indo para minha sexta casa londrina. Deus dai-me forças.

**

Hoje faz um ano que o tio Hans nos deixou. Ele foi e com ele a unidade da família. Faz um ano que não vejo minhas primas. Ele não ia gostar de saber disso.

**

Há um ano, eu sobre o carnaval:

Enquanto todos ao sul do Equador derretem em pre-carnaval, aqui neva. Nevou o dia todo. Vai nevar de noite. Ha algo de errado com o aquecedor la de casa e eu nao sei como consertar.

Aqui neva, no Brasil frita. Porque esse contraste, depois de um ano e sete meses, ainda me deixa tonta?

Estao todos ai em ritmo de Carnaval, eu sei. Os jornais ja dao as noticias do transito e do quao estupido eh deixar para “descer” na hora que todo mundo “desce”.

Na Folha de hoje, um Cony bastante bairrista me mata de inveja: “o carioca está vivendo sua ‘finest hour’, meio avacalhada, mas gostosamente sua, intransferível”. A deliciosa avacalhacao carioca. Por que tudo o que eh avacalhado seduz? Talvez porque nada eh levado a serio. Nem quem eh seduzido.

Mas eu nao vou morrer de inveja porque nunca fui de Carnaval. Amanha, por sinal, irei a uma festa anti-carnaval na Toca dos Mongos, carinhosa alcunha para a casa do Ernesto & Cia Ltda. Se estivesse no Brasil, provavelmente me enfiaria num cinema com ar-condicionado por quarto dias.

Alem disso, a Pascoa ja estah chegando. Ou nao. Mas como eh meu proximo breque na vida, ja tenho que ir me envolvendo. Vamos eu, Broo, Mr Australia, Mr Suecia e um amigo de Mr Australia que chamaremos de Kangoroo. E talvez mais uma pessoinha linda, neam, pessoinha linda? Para onde? Para ca.

Como as coisas mudam. And still they remain the same: a mesma pessoinha linda vem para ca neeeeeessa pascoa.

Sunday, February 25, 2007

pale eyes

Eu não sei direito o que me fez tão mal hoje. Posso apenas desconfiar, e desconfio que tenha a ver com o fato de eu ter tudo o que quero aqui, agora. Isso de estar feliz e completa está overrated. Acho que sou mais feliz quando não consigo alcançar completamente a felicidade.

Várias vezes quis engatinhar em direção à porta certa mas não fui por saber que era a porta certa. Uma vida reta não me anima, não me incita, não me faz feliz. Estou feliz e talvez esse seja o problema. Onde está aquele brilho de luta nos meus olhos? Aquele sorriso de cansaço após a luta? O prazer de me jogar num sofa depois de correr por horas? Na verdade preciso reclamar de algo e, não tendo nada de que reclamar, reclamo da falta que reclamar faz.

Ou então, estou inquieta por algum motivo que realmente ainda não descobri, que vai muito além da minha dita sensibilidade absoluta. Resumindo: eu fugindo de mim. E correndo atrás de absolutamente todo o resto.

**

Não consegui falar com minha Xuána esse fim de semana. Fez falta. Mas a culpa foi minha. Também tem feito falta a natação, e a culpa também é minha. Eu decidi que agora a vida vai ter que voltar a me pertencer. Só pode ser esse o fundo de tanta angústia.

Talvez, também, falte celebrar à altura. Falta que outros voem tão alto quanto eu, para aproveitarmos e dividirmos os mesmos, insuportáveis e deliciosos vácuos no estômago.

**

Falando no telefone agora pouco com um novo e já muito querido amigo, descobri que passo a imagem errada o tempo todo. Para cada pessoa sou um personagem completamente diferente e para ninguém sou multifacetada. Um quê de esquizofrenia que deve assolar todos.

De qualquer maneira, paro para pensar no que sou e no que passo. No que fico e no que vou. Fico pensando, arrancando cutículas que não existem, pensando, pensando em como me tornei o que me tornei. E em quê, afinal, me tornei? Eu não sei definir. Talvez porque não haja definição. Eu, que sempre precisei me agarrar a definições, agora preciso entender que sou um ser completamente indefinido, plural, sem gênero, sem grau.

Acho que no fundo é só mais um deep and painful Sunday blues.

**

Escher teve a ousadia de prever meu sonho da semana passada. O sonho envolvia um cego que tentava me aterrorizar e no começo conseguia, mas depois passei a ignorá-lo. Eu era parte de uma gincana em grupo para achar a saída de uma casa, mas o grupo debandou e eu fiquei sozinha. E desde o começo eu não queria participar de gincana alguma, só que, aparentemente, eu não tinha muita escolha.








**

Voltando à conversa com o amigo: acho que descobri a raiz da minha angústia. E ela não tem nada a ver com o que escrevi antes. Ela tem a ver com o fato de eu estar de certa forma me sentindo obrigada a coisas que na verdade POSSO escolher. Puta merda, viu? Quando foi que as coisas foram complicar assim? Parece cabelo na piscina: quando você menos espera, o nó está lá e, se não desembaraçado a tempo, pode não ter saída senão tosar.

Isso não. Amo meus nós. Amo cobri-los com fios retos mas saber secretamente da existência de um emaranhado protegido, um quebra-cabeça cabeludo a que só eu tenho acesso.

Eu adoro acessos exclusivos. Mas preciso aceitar que não fui eu quem montei o acesso. Essa é a parte difícil.

**

Não acredito muito em palavras-chave, ou em segredos. Mas se houvesse um que me impedisse de rasgar, eu acataria de bom grado. Odeio rasgar. Mas é inevitável. Queria ter nascido tapada.

Friday, February 23, 2007

pingos

Fim de semana aí.
Resfriado sondando terreno. O problema é que eu espirro muito alto.
Tanta coisa para falar para tanta gente.
Não sou tão sábia assim.
Mas eu tento. Porque gosto de compartilhar o que aprendi, mesmo sendo diferente do que tudo o que já se viveu.
(No fundo, é sempre igual.)
E sou intrometida também. E gosto de ajudar, porque muitas vezes consigo.
Minha mãe foi pros EUA.
Não tive nem saco de passar rímel hoje. É bom porque posso coçar os olhos sem causar estragos.
Ontem à noite foi muito bom. Bendita sou eu entre as mulheres.
Não, não posso reclamar. E nem reclamo.
Vou no Ikea com Byrifoy amanhã. Eu não desgosto desses programas.
De repente até encontro algo, mas não estou procurando. Alguém se lembra? Sou daquele tipo irritante que não procura e acha.
Irritante mesmo. Vira e mexe penso em me benzer.
Aí penso que sentimento pequeno não sobe nem meu tornozelo.
Sou folgada demais.
E melhora a cada dia.
.
.
.
Odeio ver coisas caindo pela janela. Tipo dinheiro, tipo saúde, tipo amor. Mesmo que haja razão. Esse mundo é todo desperdício. E gosto de ficar embaixo, com uma rede, tentando salvar os abstratos suicidas. Só que, abstratos que são, não são pescáveis com rede. Preciso inventar uma fórmula mais efetiva. Capaz de segurar não só dinheiro.Porque essa é a menor de todas as perdas.

Thursday, February 22, 2007

antes de mim

Uma gripe na porta. Na verdade não sei se é um refriado que nunca sara ou se são vários, um sucedendo o outro. Nem sei se importa.

Sobrevivi a ontem. Em grande estilo, ouso dizer. A entrevista foi muito bem, apesar de achar que minhas chances de pegar o emprego são restritas porque um colega aqui do trabalho também foi fazer entrevista para a mesma vaga e, apesar de todo o meu carisma e brasilidade, ele tem anos e anos de experiência, além de um diploma de Marketing (o CIM) reluzindo nos dentes. Então fica mais complicado. De qualquer maneira, uma boa experiência.

E o contrato com a casa. Deu tudo certo, mais certo do que eu esperava. O aluguel vai ser mais barato e eu serei uma pessoa mais feliz, quero crer.

**

A bomba que ninguém esperava: acho que vou largar o Wandsworth Swimming Club. Não sei ainda, mas é que já tava difícil de ir nadar morando perto do clube (que fica em Barnes), imagine só quando eu for pra Stockwell? Meio inviável. Não sei ainda, não decidi nada, mas a idéia está amadurecendo e talvez eu tente achar outro clube mais perto do meu novo lar. A conferir.

**

Primeiro foi a música estourando em toooooodo o Brasil. Agora, outra novidade, vou virar colunista de revista para brasileiros que vivem na Europa. Esse é o plano pelo menos e, pelo que pude ver, é sério. Conto mais quando houver mais o que contar.

**

Essa é uma mensagem abstrata para uma pessoa específica que está sempre por aqui conferindo qualquer coisa: não existe verdadeira conquista sem suor. Não existe acerto sem erro. Não existe certo sem errado. Não existe o não perdoar e não existe o adeus absoluto. Os extremos não estão por aí para serem alcançados, mas sim para servirem de trave. Onde vai ser o gol é problema seu. Mas extremo é trave, é entrave, e não vida. Cada pedra que estiver agora atrás de você, te fez mais forte. No final, seja lá qual for, você será capaz de atravessar montanhas em um pulo. Não desiste não.

Tuesday, February 20, 2007

uma casa muito engraçada

Pronto, pronto. Está resolvido. Fechamos a casa. Vai ser em Stockwell. Um downgrade de Fulham, mas um upgrade da minha conta bancária. Amanhã vamos assinar contrato com o landlord, direto, sem agência, sem mil taxas. E hoje comecei o doloroso processo de pedir meu depósito de volta para a Dona Vaca. Aquela.

Amanhã, também, antes de assinar o contrato, tenho uma entrevista de emprego. Ou seja, é bom eu ficar serena. Há potencial para o Mal – if you know what I mean.

Enquanto isso, hoje, Flá vem até Kingston me ajudar a carregar umas crates que estou despreocupadamente roubando por algumas semanas, até nossa mudança. Pedi pro cara do trabalho, um loser aí que, entre outras coisas de igual importância, cuida de caixas, e ele disse que não tinha para emprestar. Ele, a autoridade em caixas. Aí eu achei, né? Se achei é porque tinha. Roubo, mas devolvo. Igual fiz com o ar condicionado do albergue de Paris.
.
.
.
Minha casa nova fica de frente para um parque. Dentro do meu quarto tem um canto de 1 metro quadrado. Dentro dele, um chuveiro. Minha casa nova tem cara de casa. E tem cara de que fica insuportavelmente quente no verão. Minha casa nova tem dois banheiros e três quartos. Minha nova flatmate é mexicana e se chama Adriana e é arquiteta. Minha velha flatmate é a Flá. Meu novo vizinho vai ser o Lino - o filho que ainda não tive. Vou estar bem mais perto do byrifoy também. E minha estação de metrô mais próxima tem duas linhas, Victoria e Northern line. Foi lá, em Stockwell, que o Jean Charles de Menezes foi assassinado pela polícia.

**

O que eu faço com tanto sono? Sono é uma maldição dos deuses, um castigo aos pecados. Não há nada pior que o sono não-satisfeito. Minha maior tortura seria uma vida em sono. Atualmente, apesar de estar feliz e muito bem, tenho sono. Muito sono. Estou cansada. Não sei direito porquê. Estou muito cansada. Acho que já estou precisando de férias. Acho que preciso de mais férias que a média da população economicamente ativa.

Acho que preciso me encarar mais de frente. Sono é esquiva.

(Porque se for só castigo eu não agüento.)

**

Olha só, já estão eliminados a procura de casa e os acertos da Páscoa. Pronto. Inspira, conta até 4, expira, conta até 4. Faltando apenas: assinar contrato, conseguir meu depósito de volta, fazer a mudança, achar um hotel na França que não esteja lotado, pagar tudo, pagar pagar pagar, desbloquear meu online banking porque deu tilt, esqueci minha senha e bloqueei meu acesso. Uf. De novo, inspira, conta até 4, expira, conta até 4.

Monday, February 19, 2007

meu, seu, eu

Não me interessa muito o fim do mundo, dado que não acredito nem em seu começo, nem em seu fim. Também não me interessa o que foi esquecido. Foi esquecido porque não interessa.

Existem o meu interesse e o seu interesse. E existem o começo e fim do meu mundo e o começo e fim do seu mundo. Eles não andam juntos.

A gente, sim.

E é por isso que nos sentimos tão, tão sozinhos. E é por isso que enxugar as lágrimas não ajuda. E é por isso, finalmente, que aprendi a conviver com o sentimento de solidão, assim como aprendi a conviver com o sentimento de apreensão. Vão sempre estar ali, o negócio é adaptar.

carnaval inglês


Está tudo girando, e eu nem bebi. Eu nem bebo, e eu nem me droguei. O fim de semana foi bom, muito bom. Mais uma vez. Já estou ficando sem graça, eu sei, mas foi bom e sem razão específica. Talvez, mais uma vez, pela companhia.

E sempre foi assim, quem me acompanha sabe: a graça do meu blog é inversamente proporcional à graça da minha vida. Pelo menos tem sempre algo bom em meio à desgraça.

**

É canaval, é a doce ilusão. Aqui tivemos uma festa muito boa no sábado. A fantasia. Fui de taxi. Não, não, fui de busão à festa, mas minha fantasia era de taxi. Ó:


fotos by Peds


Foi legal. Todo mundo me parava pra cantar a musica da Angélica. E é isso. Fim de carnaval.

**

A história é a seguinte: lá pelos tortuosos idos de 2002 resolvi que iria escrever letras de música, mesmo não entendendo porcaria alguma de como se faz melodias. Escrevia poesias que conseguia imaginar sendo cantadas. Só. E aí, cinco anos depois, aconteceu. Uma das músicas foi parar na boca de uma cantora que participou do Ídolos aí no Brasil. E está no novo CD dela. Mas não vou explicar mais porque tenho vergonha. E para quem pergunta sobre royalties eu digo e, se necessário for, repito: não sei, e não sei se tô a fim de ir atrás para saber.

**

Tem um lado meu que está muito bem preenchido no momento. Talvez seja por isso, meus queridos, que não esteja tanto aí, com vocês. Mas vou voltar. Quero que saibam que estou feliz, e que é uma felicidade independente. Não entendam mal, eu jamais esqueceria vocês. Jamais. Eu apenas estou bem o suficiente para não precisar de colo. Amanhã, como vocês já sabem, tudo pode mudar. E eu sei direitinho quem estará lá, pronto para me receber. E quem não.

Friday, February 16, 2007

sangria desatada

Sexta de novo, finalmente.
Essa semana foi muito boa.
Nada de muito especial. Uma ou outra pequena coisa.
The little things that cheer me up – muitas vezes mais que as big things.
Seja uma notícia inesperada, ou uma frase solta sem querer, cheia de sentido, ou uma possibilidade de ganhar mais, além de uma outra possibilidade de gastar menos.

A única coisa chatinha é que continuo sangrando. Há, xover, 18 dias.
.
.
.
Sexta-feira. Nada é problema.

**

Agora chega de enrolar. Vou bookar a Páscoa e desse fim de semana não passa. Vamos para Bretanha, não lembro se já disse. St Malo. Uma cidade murada medieval na costa noroeste da França.

Bom, pela companhia, o lugar pode ser mais triste que Birmingham e mais chuvoso que Seattle e mais sem graça que a vida de um padre, que ainda assim vai ser dugarái.

**

Começou a saga de procurar casa para morar. Pelo menos essa em que estou durou um ano. Para Londres, foi meu recorde.

**

Passei meu lunch break andando por parques e falando com minha Piu no telefone. Como é bom conversar com minha vermelha. Ela anda por caminhos que já andei. E eu ando por caminhos que ela já andou. E a gente conta desses caminhos uma para outra de forma a não nos sentirmos ETs neste mundo.

**

Viu, vocês já ouviram falar da Pollyana Papel? Então.

Wednesday, February 14, 2007

the man

I had hardly any patience with the serious work of life which, now that it stood between me and my desire, seemed to me child's play, ugly monotonous child's play.

James Joyce in Dubliners

um pouco mais do diario de minha Xuaaana

São Paulo, 1o de janeiro de 87

Os meus números da sorte vão ser 5 e 9

Minha Bia querida rosa dourada, você e enfeitada de cristal, nas nuvens do céu no mar verde, na terra marrom você canta alegremente. As rosas da terra a terra do homem o homem de Deus e deus do céu. Todos te vê e apreciam a sua bondade, carinho belesa e mais coisas. Seus olhos verdes seus lábios rosados e seu loiro cabelo e sua manchinha são reparados. Você é uma gatona

São Paulo, 18 de maio de 87

Poesia para Helga (*Helga era a melhor amiga de Xuaaaana na escola*).
É sempre bom ter uma amiga japonesa, com olhos puxados, baixinhha, morena e educada.
Os jardins ela aprecia as flores e a naturesa que corre com o passar do tempo. O mar, deus, O céu e a naturesa não são ilusão de uma pessoa. Viagem miragem, quem eu sonho toda noite.

São Paulo 22 de maio de 87

(*D. Iracy foi a odiosa e odiada professora de matemática de minha Xuaaaana*).

Que injustiça da D. Iracy ela ensinou divisão do termo mais difícil e logo depois da prova
Que é isso “Mancha”?
E depois se manda, pede licensa.
Para falar a verdade nunca gostei dela
Smak

**

I'm gonna fucking die de fofura dessa vermelha. Deus me ajude a ler essas coisas e permanecer sana longe dela. Minha doce Piu.

Tuesday, February 13, 2007

A quinze minutos do fim de uma terça

Tanta coisa na minha cabeça, tanta coisa pra resolver
Mudança de casa feriado idas e vindas e o fim de semana
E outras coisas que não lembro mais
Além de uma campanha nova, sobre um assunto novo
Tanta, tanta coisa
Telefonemas que não quero, mas tenho que retornar
Telefonemas que quero, mas não tenho que retornar
And yet, aqui estou
A quinze minutos do fim de uma terça
Lendo Bukowski
Adiando um pouquinho a minha existência
Sem no entanto me afastar um pouquinho da morte.

Sunday, February 11, 2007

love today

Eu tento disfarçar que percebo tantas coisas porque senão pareço uma louca, mas o negócio é que percebo. Assim como sou sensível demais ao tato, sou sensível demais a qualquer coisa que diga respeito a mim vindo de fora. É quase autista, pode me fazer muito mal, mas no momento me faz muito, muito bem. Porque estou percebendo exatamente o que eu queria perceber. Estou feliz.

E se eu resolver colocar a letra de música que não me sai da cabeça, aí eu estrago tudo mesmo. Para mim, de vergonha, de exagero, de loucura. Para mim. Só digo que essa história de que quem não sabe o que procura não vê o que acha é a maior falácia da história. Eu nunca sei o que procuro mas sempre, infalivelmente, vejo o que acho. E, muito fortunadamente, poucas vezes me enganei.

**

Decidi que não tenho mais paciência para pessoas medíocres a minha volta – e, acreditem, são muitas. Deus vomitará os mornos.

**

Metadinha, metadinha

Ufff.

**

Foi Heráclito quem disse, não se entra duas vezes no mesmo rio. Esquecemos que não é só porque o rio não é o mesmo a cada segundo que passa. Mas também porque o homem já não é o mesmo. Sic transit gloria mundi, meu bem. Anotar: não se deixar deslumbrar tão facilmente, mas nem por isso ser morna a ponto de ser vomitada por Deus.

Se for para rodar sem sair do lugar, que seja bem rápido, para depois cair no chão e poder ao menos rir da própria miséria.

**

E se eu sonhar que sou uma borboleta e ela sonhar que sou eu: Quem é o humano e quem é a borboleta? O que é sonho e o que é realidade?

Wednesday, February 07, 2007

you're biryfoy, it's true

Eu TINHA que copiar. Transcrito ipsis literis. Trechos do diário de 7 anos de minha Piu. Impagável, impagável. Não leiam no trabalho porque os chefes vão perceber que vocês não estão trabalhando. Eu avisei.

5 de dezembro de 1985
7 anos
A Bia 5.

Querido diário
Como eu me sinto é isso que eu quero te dizer eu amo esta vida hoje vai ser um dia maravilhozo eu quero que essa vida passe rápido e continue se esforçando e em 1986 vai ser melhor do que esse ano
Obrigada

*

Querido diário
A Bia 5
7 anos

Eu me sinto muito felis só tem um probleminha e que minha irma me bate muito mais ela as veses ela é muito legal minha irmã se chama Bia e quem me deu esse diário foi a mamãe Lucia eu escrevo nesse diário porque eu posso escrever todos os meus segredinhos eu tenho de segredo de esperar a minha irmã dormir para ir para a sala e receber cosiguinha.

*

Querido diário,
18 de janeiro de 1986

Vamos começar a 4a série. Que difícil! estou dando graças a Deus que o César vai embora. Ele é muito chato. Não gosto dele. A Sabrina e a Thais elas são muito mais legais quando estão sem o Cesar, sabe diario eu a Juliana a Bia a Sabrina e a Thaís nós vamos comer hoje juntas e a tia Branca que vai levar. E amanhã a Sabrina vem dormir em casa comigo (1a vez) E a Bia vai dormir com a Thaís (1a vez)

*

Querido Diário
4/11 de 1986
A Bia 5
7 anos

Querido Diário eu quero nesse mundo que todos sejam felizes e alegres por que quem é bom eu gosto de todos. As vezes eu faço negócios com a mamãe para a Bia não saber. Agora Diário eu quero falar minha grande verdade, eu tenho dois namorados um é um japonês que é um gatão e o outro é um gatão que se chama Adriano. Quando eu comecei a namorar foi na festa da Paulinha foi na brincadeira de casamento chinês Que era assim um menino ou uma menina fechava os olhos ficava de pé e rodava em quem o dedo para tem que dá um beijo um abraço um aperto de mãe e um passeio assim que eu comecei a namora!!!

Obrigada Diário.

*

Querido Diário
9 de setembro de 1988

I'Am straberry
I'Laik straberry
I'Love straberry
I's good straberry
Well, you understandi?
She, my sister,is very very duck!
I'Am very, very (expert)
Oh! No, my sister is very very byrifoy! Sory!
Kiss me, J.

Monday, February 05, 2007

um post dedicado

Fim de semana mais uma vez bom. Sexta fizemos surpresa pra Flá no restaurante em que ela está trabalhando. Na verdade não foi bem surpresa porque ela viu meu nome na lista de reservas e, convenhamos, não há muitas Beatrizes por aqui. E a mesa que era para três virou seis. E a noite voi deveras aprazível.

Sábado fui fazer programa de turista com o Rafa, amigo da Flá que mora em Berlim e veio com a namorada conhecer Londres. Os dois são uns doces, divertidíssimos mesmo. Também encontrei com um amigo inglês que mora fora de Londres mas veio passar o dia na capitar. Um sol delicioso, apesar do frio.

O resto do fim de semana vocês já sabem, foi todo indoors. Com as dores e delícias de se estar indoors. Mas mais delícias que dores. Bem mais. É.

Ontem tinha tudo pra não ser nada, mas foi muito bom.

E descobri que gosto de comida da Eritréia, e não é só porque se come com a mão.

De qualquer forma, o inverno precisa acabar.

**

Amanhã vou ver o jogo de Brasil vs. Portugal no Emirates Stadium. Vai ser uma grande partida. É um amistoso. Está sold out. Sim, uma grande partida, um grande desafio (esse da multidão contra mim, que fique claro).

**

Minhas unhas demoram tanto para crescer e tão pouco para serem destroçadas. Pelo menos eu destroço bonitinho.

**

Eu disse que escreveria um post direcionado, como nunca faço. Ou raras vezes. Muitas vezes não escrevo nada com nada porque as palavras saem meio psicografadas, uma verborragia que pode ser uma bobagem sem tamanho, mas que no final das contas, por alguma razão, faz sentido para quem lê. Acho que por isso que este blog tem a audiência que tem. Other than that eu realmente não entendo.

Mas eu disse que, por mais que parecesse, os posts anteriores não foram dirigidos a ninguém em específico. Juro que não foram. Algumas pessoas querem ler nas entrelinhas quando o que há nas entrelinhas são apenas espaços em branco, ou então algo que nem eu enxergo.

Mas desta vez, não. Este último pedacinho de post é dedicado a alguém que nos últimos três meses (e um teco) só me fez bem. And no more needs to be said. Mesmo eu tendo milhares de palavras entupindo a porta de emergência. Eu gosto assim.

Mesmo porque se eu deixasse realmente, *realmente* fluir, aí sim seria tido como louca.

Thursday, February 01, 2007

efemérides

“Família muda e vende tudo.”

Vocês me acham curiosa mas não sabem o quanto tremo nas bases quando leio essas placas. Acho que só me mudei pra Londres porque viria sozinha. Não ia agüentar a minha adaptação e a de todo o resto.

Porque eu não ligo de me sentir sozinha. Eu ligo de me sentir sozinha em meio aos meus queridos.

**

Belo dia, belo dia. Menos dores hoje, mas ainda não me sinto confortável em subir escadas. O lance, amigos, é que moro no segundo andar e trabalho no primeiro. Logo, contando saídas pra almoço e tal, subo e desço um total de, no mínimo, 5 andares por dia. É pouco, se você estiver inteira.

**

Ouvindo agora.

Hello, I’ve waited here for you, everlong
Tonight, I throw myself into
and out of the red, out of her head, she sang

Come down and waste away with me, down with me
Slow how, you wanted it to be,
I’m over my head, out of her head, she sang
And I wonder
when I sing along with you
if everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again

The only thing I’ll ever ask of you
You’ve got to promise not to stop when I say when, she sang

Breathe out, so I can breathe you in, hold you in
And now, I know you’ve always been
out of your head, out of my head, I sang

And I wonder
When I sing along with you
If everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again

The only thing I’ll ever ask of you
You’ve got to promise not to stop when I say when, she sang

And I wonder
If everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again
The only thing I’ll ever ask of you
You’ve got to promise not to stop when I say when

**

Ontem fui ver Blood Diamond. O melhor filme de 2007 so far. Podem falar o que quiserem, Hollywood fede a pombo, Leo Di Caprio fede a estopa, clichés fedem throughout the movie. Eu adorei. E levanta uma questão sobre venda de diamantes de que eu, pessoalmente, não estava a par.

E eu até quis soltar uma ou outra lagrimazinha porque o filme é chorável. Mas acho que estava cansada demais para chorar.

Outra coincidência foi que o filme mostra em determinado o World Food Programme da ONU, fundado pelo querido e much missed Sir Hans Singer, tio avô de vossa interlocutora. E foi nesse mesmo cinema que, em março do ano passado, recebi a notícia de que o tio Hans tinha morrido.

**

Eu jamais teria a pretensão de conseguir me expressar inteiramente a ninguém. As palavras transbordam mas mesmo assim, mesmo assim, isso não é nada. Sou um mangue de pensamentos desconexos. Se você tentar passar por mim, é capaz que afunde. Mas a bem da verdade, pode ser que opte por mudar de caminho.

Eu, de minha parte, não posso fazer nada. Só entender que lá veio e lá foi mais um.

Eu, de minha parte, pressiono um lábio contra o outro, para segurar talvez o riso, de ver as histórias todas se repetindo; talvez o choro, de me ver, mais uma vez, fria e sozinha: a desescolhida.