Tuesday, October 31, 2006

life's short but sweet for certain

Sonhei que entrava numa piscine escura e cheia de bichos escuros. Nadava um pouco. Não estava exatamente à vontade, mas não importava muito. Nadei, e os bichos começaram a sair da piscina. Marrons. Sumiam, subiam em árvores, e eu continuava nadando. Era um dia cinza. Meu pai me assistia de longe. Nadei, nadei, nadei, até que estivesse eu e apenas eu na piscina. Não foi um sonho ruim.

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Talvez por não ser negona essa voz de Nina Simone fique patética em mim. Estou tomando pastilhas, para ver se volto a ser mocinha. Enquanto isso eu sigo cantando baixinho, pra não assustar os transeuntes: do I move you?

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Voltamos uma hora. Saio do trabalho e já está escuro. É apenas o começo de mais um inverno londrino. Hoje, Halloween, o começo das sombras compridas. Boo.

Monday, October 30, 2006

…and pleases me

Eu nem deveria falar muito. Eu queria falar muito though.

Porque quando chove, inunda.

Mas eu não deveria falar e, for a change, devo fazer o que deveria, e não o que quero. Porque fazer o que quero é uma delícia até a hora que acaba e chega a conta.

O fim de semana? Em uma palavra? Surreal. Surreal bom, que fique claro. Mas surreal. Todas as noites mal dormidas. Mais uma vez, happy and bleeding como eu gosto, já que nunca mais vou saber o que é ser feliz apenas. Que jorra sangue então. Vamos fazer bem feito. Eu não estou aqui para assistir todo mundo passando. Eu estou aqui para passar também. E não me iludo que haverá no fim do caminho alguém esperando que eu pare. E não iludo ninguém também ameaçando desacelerar. Não quero dormir sempre bem, nem sempre mal. Não quero um coração sempre abaixo dos 100bpm. Não quero também sempre acima.

Ah, e odeio mais ou menos também.

Não quero e odeio demais, e sempre me iludo de que sou o oposto, de que amo e quero e só digo sim.

Mentira.

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Vi a peça do Kevin Spacey e, não sei se foi a peça ou a companhia, mas dei umas piscadas de mais de um minuto, desconfio. Três horas de peça em que só se fala, fala, fala. Três personagens. Nada muda. Só se fala. E falar não resolve nada, a gente sabe. E só se fala com sotaque irlandês e dos EUA do começo do século.

Não tinha jeito. Não tinha.

Vi uns filmes também, mas acho que não estava no clima de entender nada. Li pouco por falta de tempo para deixar os olhos abertos e parados.

Passeei. Sim, andei de bicicleta, eu confesso. Comprei uma bicicleta, eu confesso. Não quero saber de babãe e Piu achando que eu vou morrer. Não vou, tá? É só uma bicicleta.

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Estou sem voz e feliz. Na verdade, voz grossa. Nina Simone na vitrola. Sempre, sempre bom.

Thursday, October 26, 2006

feliz com éfe minúsculo

Às vezes sinto que a vida tá tão boa que eu preciso reclamar, só para poder mostrar ao mundo e aos demônios que mesmo estando tão feliz eu não estou tão feliz. Só para efeito de driblagem mesmo. Porque a verdade é que não posso reclamar. Estou caindo de sono e quasi-gripada. Estou com frio a maior parte do tempo. Quando não estou com frio, estou com calor. Nunca estou apenas. E estou feliz. Talvez não seja, ainda, a Felicidade, dessas com efe maiúsculo. Mas é felicidade. Efêmera, plástica, alienante, ouso dizer até traiçoeira. Mas felicidade pode ser qualquer coisa se ainda assim for felicidade.

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Ontem recebi uma notícia que me arrepiou a espinha. Uma das minhas melhores amigas, a Cá, está grávida. Depois apenas alguns meses de casamento. Como ela queria. Exatamente como ela queria. Eu tenho mil perguntas pra fazer. E quero ouvir sua vozinha, para ver se está diferente ou se continua fofa e infantil. Quero que ela fale “estojo” para mim como só ela sabe. Quando eu for pro Brasil eu vou poder ver o little bump que já vai estar lá. Eu não me agüento. Esses dois, a Cá e o Rô, são muito fofos. Eles vão dar à luz a mais fofa das criaturas. E eu não vou estar por perto para ser a amiga preferida da mamãe. Mas não pensemos nisso, não. Minha Cá vai ser babãe e eu é que tô aqui, quase explodindo, querendo abraçá-los muito mas, na falta da presença física, eu abraço a mim mesma. Não é a mesma coisa, mas já alivia.

O negócio é que falta de abraço e de choro de alegria da dor no coração.

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Mudanças internas. Pessoinhas indo e vindo, nessa ordem, porque não cabe mais ninguém vindo sem alguém antes indo. Tô completamente lotada. Se um quer entrar, tem que esperar o outro sair.

Engraçado é que ainda assim a gente se pega pensando em quem saiu por livre e espontânea vontade, em vez de dar as boas vindas em quem quer entrar e fazer *o bem*. Ah, eu não tô sabendo explicar. Talvez porque não esteja sabendo entender.

(Mas a gente sempre pensa mais em quem partiu do que em quem está aqui. Ser humano vive de passado e, paradoxalmente, morre de saudade.)

Anyway, outras coisas eu já entendi, porque sagacidade é meu outro nome. Seja bem vindo e, diferentemente deles, vê se fica para uma temporada, assim, mais longa, néam? Porque não dá para conhecer um país só em algumas semanas. É preciso anos, e mesmo assim... Explicando, bem vindo ao meu país, que já afugentou multidões. Vez ou outra rola um terremoto, um tornado, um deslizamento, nada que mate, mas assusta e eu vou entender se você picar a mula. Só não vou gostar. É só o que quero dizer.

Sunday, October 22, 2006

happy and bleeding

Talvez eu tenha desistido cedo demais. Mas sou impaciente, preciso resolver tudo antes de começar a doer, porque eu suporto a mais intense das tristezas, mas não agüento a mais sutil das angústias.

Você me angustiava e é por isso que tive que deixar tudo para trás. Talvez você nem saiba e me ache louca. Talvez você nem saiba que sou capaz de querer tanto calada. Estou mal acostumada. Geralmente quieta consigo o que quero. Com você não, mas ao invés de me mudar, você só me deu preguiça. Não vou correr atrás porque meu joelho dói. Assim sendo, deixa eu explicar: não é que a fila anda; a fila *já andou*.

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E falando em impaciência, também não tenho saco para pensar demais sobre coisas simples. Acabei de bookar minha viagem para Alemanha e Suíça. Saio de Londres dia 18/11 direto para Munique, onde devo encontrar a Fezinha, amiga de colégio. Tenho certeza que vai ser demais, porque perdemos muito o contato mas sempre gostamos muito uma da outra. Devo ficar em Munique uns dois dias e, de lá, seguir para oeste, pegar a Baviera de trem ou ônibus, parar em Heidelberg para uma noite, continuar, parar onde me der na telha até chegar na Suíça pelo sudoeste. Aí descer até Interlaken, passar uns dois dias lá também, passar por Lucerna e chegar em Basel, onde pego o vôo de volta a Londres no dia 25/11.

Com quem eu vou? Que eu saiba, com mais ninguém. A não ser que alguém se junte a mim de última hora, há tempos quero a experiência de viajar sozinha. Companhia é sempre bom, mas minha companhia já é ótima.

Não sei. Bookei. O resto acontecerá sozinho.

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Mais uma semana recheada. Está difícil achar um espaço pra natação, mas quando sobra, nado bem. E quando não sobra, é por um ótimo motivo. Ótimo motivo.

Vidinha boa.

Monday, October 16, 2006

16 de outubro

Tá, tá. Parem de reclamar. Estou aqui, bem, ou pelo menos viva e tirando um sarro, sempre. Debochada que só. Sobrevivi à semana do cão. Fluoxetina já deita confortável e rola suave nas minhas veias. Até suave demais. Dá um soniiiinho. Mas já estou quase normal. Completamente normal talvez na próxima encarnação. Tenho fé. Não sou uma alma danada.

Um pouquinho, talvez.

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Hoje, né? Se ele estivesse aqui ainda, eu teria lhe enchido de beijos. Se ele estivesse aqui ainda eu ansearia por ouvir sua voz. Se ele estivesse aqui ainda eu daria um presente, não é todo dia que se faz 94 anos. Se ele estivesse aqui ainda eu lamentaria não estar ao seu lado.

Ele não está mais aqui, mas fiz todas essas coisas mesmo assim. Mandei beijos, anseio por ouvir sua voz, darei-lhe um presente hoje à noite - quietinha, na cama, olhando para a foto mais linda do mundo que me encara toda noite - e lamento não estar ao seu lado. De alguma maneira inexplicavelmente forte ele ainda vive dentro de mim. Enquanto houver memórias, há você, vô. As velinhas já se apagaram todas, mas ainda assim, meu amor, feliz aniversário.

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Ei, você, você mesmo, don’t you look at me with worried eyes, all I know is I wanna be with you. Que gracinha que ele tava ontem, meu deus do céu. Que merda de cara linda.

Mas tô na minha, tô na minha. Na minha e na de outros, mas não na sua. Só que, olha, a porta tá encostada. Se você tentar abrir, consegue. OLHA A DICA ESCANCARADA COMO VOCÊ GOSTA! Seize it, babe, seize it.

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O sol brilha. Mas já tá frio. Logo mais o sol já nem esquentará mais e, mais uma vez, tenho que recorrer à lã de cordeiro para me aquecer. Porque se for contar com qualquer outra forma de aquecimento morrerei de hipotermia. E, aqui entre nós, nunca fui de colocar minha vida no calor dos outros. Calor alheio será bem vindo mas, sorry, não insubstituível. No final das contas, sou eu quem aqueço o cobertor que me aquece. Todos os cobertores de nada adiantarão se não houver calor aqui dentro. Vamos lá, força.

Monday, October 09, 2006

fluoxo intenso

Esse foi um dos fins de semanas mais estranhos da minha vida. Eu tive o dom de marcar programas com mais ou menos 7 pessoas diferentes, e, como de costume, fui deixando combinado after combinado pelo caminho. Mas foi diferente dessa vez. Sexta fui nadar. Achei que estaria com disposição para sair depois já que o pessoal tinha ido para um pub em Piccadilly. Mas nadei mal. O corpo pesado, fazia cada chegada me arrastando, não ornava mesmo. Saí do treino na metade. Fui para casa e não conseguia pensar em sair apesar de ter tido dito para uma galera que iria.

Instead, fiquei em casa. Sozinha, mas não completamente. Fiquei uma hora no telefone. Com quem? Ah, conto depois. Para quem merece saber.

Dormi quase tão pesado quanto nadei. Acordei com o telefone e era a tia Eva, amiga da minha mãe de décadas. Marcamos de nos encontrar em Leicester Square. Querida Flá veio junto, claro. Mandamos um Busaba delicioso. Meio spicy. Me deu uma leve diarréia. Pequenos sustos nossos de cada dia. Poderia ser, mas não foi. Era algo mais.

Calma.

Passeamos depois do almoço por Trafalgar Square, St Martins-in-the-fields e tal. Encontramos o Chris, que continua absolutamente igual. Me deu uma vela de presente que lia “they didnt have your name”. Tendeu? Todo engraçadinho. Ele tava vestindo uma jaqueta muito fedida. Mas eu não falei nada, juro. Doce Chris não muda. Carente que só.

E aí chegou a noite e fomos para mais uma festa na Casa Oval. O sono começou a pesar novamente, mas era um sono quase químico. Não existe sono assim sem ser sono induzido. Eu olhava para as pessoas e tinha medo de piscar no meio das conversas, porque achava que se piscasse não abriria mais os olhos até o dia seguinte. Até bate desesperinho de não ter forças para voltar para casa. Mas em Londres a gente sempre tira força de algum buraco. Cheguei em casa às 4am, convencida de que a noite fora ótima. Foi, sim.

E domingo foi mais um domingo. Acordei tarde, fui para minha antiga casa no leste encontrar meus ex-flatmates (leia-se Mr Australia apenas). Sei lá. Nada. Foi legal ir na minha ex-casa, mas meio estranho ver que as novas moradoras se adaptaram tão bem, e que uma delas mora no quarto que foi meu, e que uma delas inclusive vez ou outra escapole para debaixo do edredon do Mr Australia. Sim, ele me contou. Mas não teve o efeito desejado. Eu estava numb.

Calma.

Fomos apenas eu e Mr Australia no cinema. Assistir The Departed, o novo do Scorcese. Adoramos. Muito tiro e sangue e inteligência. Eu quase dormi nas partes silenciosas.

Numb.

Foi na volta para casa que percebi que havia algo errado. Aí lembrei que mudei de medicação e que sou uma fodida de pular de um remédio para o outro como se mudasse de marca de bala. Claro, sem ninguém para me guiar eu faço tudo do jeito merdoso que sempre fiz. Sistem a público de saúde. Não pago nada mas me fodo.

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Mas passou, viu? Ou vai passar. Estou no trabalho sem a menor chance de fazer qualquer coisa. Consegui aprovar uns panfletos e emendar umas cartas e corrigir uns erros e foi isso. Meu dia poderia ter sido feito em meia hora. Cá estou, três da tarde, ensaiando como dizer para o meu chefe que estou me sentindo meio mal e quero ir para casa, sem passar por louca ou mentirosa. Sou um pouco dos dois, mas se ele acreditasse que era apenas enxaqueca, ficaria mais fácil para todo mundo.

É isso.

Off I go.

Tuesday, October 03, 2006

restos do dia

Um sono, mas um so-no. Inacreditável. Tenho dormido bem, toda noite a noite toda. Não há razão para ficar cansada. A tiróide vai bem, obrigada. Nada de novo no front. Espero que não seja uma gripe de emboscada.

Mas hoje eu vou nadar, enquanto a gripe não vem.

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Claro que sim. Eu sempre digo sim. Você já devia saber.

Mas também devia saber que, assim como com você, com os outros também é assim.

Você tinha tudo para ser exclusividade.

Não é mais. Continua querido, mas agora é um querido entre muitos. Back to zero.

Monday, October 02, 2006

debaixo d'água

Um pouco mais calma, obrigada.

Fim de semana cheio de festas e sonhos. De verdade. Fui a muitas festas e dormi tanto que tive os mais diversos sonhos e pesadelos. Inclusive sonhei que morava numa casa meio selvagem, com gatos e plantas subindo pelas paredes. E sonhei que nunca conseguia chegar à escola porque o ônibus demorava ou porque me batia desespero e, o mais gostoso de todos, sonhei que respirava debaixo d’água, e dormia por 20 minutos no fundo de uma piscina. Só de lembrar me encho de paz.

E festas. A primeira na casa Oval, a segunda na casa do Henrique. Ambas muito boas.

Também comprei produtos de Aloe Vera que a Broo tá vendendo. Carinhos, mas parecem bons.

E ainda estou com aquele apertozinho chato no coração, mas está passando. Há de me surpreender a rapidez com que vai passar.

Uma pena acabar assim.