Thursday, March 31, 2005

e-mail

Oh no, cuttiest nerd back on track!

Glad to hear about you getting on with the new job. Soon it won't be "new" anymore.

I'm fine, work's ok (better than yesterday so far) and life is "not too bad" (you English...)

I just came from Galore Cards and got a birthday card to my sis that (***censurado por motivos de SURPRESA maior***). She'll love it!

The house is ok, though the toilet is leaking and we all find it disgusting to try to fix it so we don't.

And this weekend I might try to swim with the wetsuit which I borrowed from my cousin Lucia, a very pathetic-like situation, as I'll swim in a warm swimming pool. I'll be St George's Swimming Pool new bully. Oh well, who cares?

Would you like to meet up some time next week?

ice, ice baby

Eu realmente viajei. Meu celular toca mais que homem em onibus lotado. A qualquer hora, mas especialmente no trabalho. E eu, que nao costumo ser “that tapada”, nao percebi. Mas ontem estourou: uma de minhas chefes me chamou num canto e disse que o celular tem que parar de tocar um pouco. Sim, porque obviamente todo mundo perde a concentracao se no meio das formulas do Excel comeca a tocar “Ice Ice Baby” (ringtone de que deveras me orgulho). Sim, ontem levei um PITO. Nada demais, mas o suficiente para me deixar desgostosa. Odeio, odeeeeeio levar bronca. Ta, eu sei que isso todo mundo odeia, mas tenho certeza de que odeio mais que a media. Fico o dia inteiro de mau humor, gosto ruim na boca, nao vendo a hora do tempo passar – e ele custa a passar.

Sendo assim, ladies and gents amados, quando resolverem me ligar, tentem acertar depois do trabalho, a partir das 17h (13h aih) ou na hora do almoço (umas 9h aih). Oquei? Oquei.

**

Finalmente eu e Chris resolvemos assumir nosso nao-namoro. Porque, nunca vi isso, foi um parto bem maior assumir que nao eramos mais namorados do que assumir que eramos. Geralmente eh o contrario.

Mas eu nao fiquei aliviada como achei que ficaria. Na verdade ainda nao sei se fiz bem. Claro que eu lembro do tanto que reclamei dele aqui no blog, para meus amigos e ateh para ele mesmo. Mas de repente nao sei. Ele foi tao fofo comigo no dia em que terminamos que no dia seguinte eu ja me vi mandando uma text message ridicula para ele: “I fucking miss you already”. Que historia eh essa? Um dia depois que consigo terminar um namoro que ja era faz tempo, em vez de me sentir aliviada, solto essa batatada. Fora que logo depois esqueci que tinha mandado. Foi puro impulso de crappy day. Estava bem mais ou menos no onibus, ao encontro de Marinella e Ernesto. Mas aih foi. Soh que mais tarde ele me ligou e aih ficamos meio assim, sem saber o que falar. Eu nao quero zoar o cara, poxa. Sei que nao daremos certo. Mas fazer o que se ele faz falta agora? Faz. Como as ruas de Sampa, estou com o coracao esburacado de tanta chuva. O Chris foi o coitado do prefeito que sofreu impeachment mas que periga voltar por falta de novo lider no governo.

Tenho coracao de criança, que precisa ser embalado. Em duas semanas e 6 dias alguem bem amado deve estar por aqui para tentar dar um jeito nisso.

Enquanto isso, estou toda almofadada pelas minhas amadas Fruba & Bobby. Deus foi um megafofo ao por essas criaturinhas dentro da minha vida.

Monday, March 28, 2005

hot or not?

Fazia, sei lá, 10 anos que eu não brincava de quente ou frio com ovo de páscoa Escondido pela casa. Era 10h da manhã de domingo e a Lucia, minha prima, surge pulando feliz na porta da cozinha – ela, que tem 34 anos, pula mais criança que eu. Todo mundo procurando ovos de páscoa naquela casinha de brinquedo do uncle Hans. Ir para Brighton nesta Páscoa foi a melhor coisa que fiz. O tempo estava lindo, como vocês podem ver pelas minhas fotos (vai ser na base do ctrl C ctrl V mesmo): http://pg.photos.yahoo.com/ph/jornalpuc/album?.dir=/9482&.src=ph&.tok=phripvCB7pKMIq5T

Brighton já está lotada e vibrante com o verão que ainda vai demorar um pouco, mas não tanto pra chegar. Cheguei a ver três pessoas no mar, nadando. Desconfio de que estavam se afogando, porque ninguém em sã consciência entraria num mar gelado daqueles. Mesmo. Eu, peixa que sou, fui até a água em minhas novíssimas havaianas amarelas trazidas pela amada Bobby do Brasil, para sentir a temperatura da água. O resultado foi que não senti porque estava tão, mas tããão gelada que em segundos meus dedos já nem se mexiam, congelados. Todos os ossos atingidos e adjacentes doendo, encolhidos, imóveis, horrível. Sem a menor, eu disse menor? Não, sem a mais ínfima microscópica chance de entrar na água. Incompreensível qualquer ser vivo que não as seagulls (português, pelamordedeus?) estar no mar se não fosse para se afogar.

Mas disso eu já sabia. Fui mesmo para cheirar o mar, ver, me hipnotizar. O mar, meu maior e mais sagrado templo. Cheguei cedo de propósito. Disse à Elaine, empregada do meu tio-avô, que só chegaria em Brighton às 18h, justamente para poder ficar horas a fio olhando o mar, ouvindo o mar, cheirando o mar, esperando ele me lavar por dentro, esperando ele me curar. Logicamente fiquei apenas uma hora em Brighton e já me estressei. Muito cheio. Aquela merda de praia de pedras, sabe deus por quê, inspira marmanjos e velhotes (todos incondicionalmente do sexo masculino) a ficarem atirando pedrinhas dois ou três metros à frente, com o nobre propósito de não fazer absolutamente nada. Nem divertido é. Só atrapalha pessoas que, como eu, gostariam de relaxar, pensar, paz, paz, só um pouco de paz. Mas não. Aquele tec-terererec-tec-tec o tempo todo no canto dos meus ouvidos sempre me lembrando que a qualquer momento eu poderia levar uma pedrada na cabeça.

Fui para Rottingdean, então, que já é perto de casa e a praia é bem mais calma. Ali sim. Liguei meu iPod, o sol batendo leve, sem queimar, mas deixando tudo quentinho em volta de mim. Ainda teve uma família que se acocorou bem do meu lado com três menininhas baxtant espuletas e gritonas. Mas relevei porque em 10 minutos elas saíram correndo para espantar gaivotas.

O sol ainda estava relativamente alto quando resolvi desmontar barraca. Peguei tudo, uma caminhada de meia hora com mala e cuia (de onde veio a cuia dessa expressão? Coisa mais feia!) morro acima. Cheguei, Elaine já me esperava. Tudo certo, Elaine se vai. Termino de ler o livro que comecei naquele mesmo dia, Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante, da Clarah, que Piu mais amada do mundo me deu. Comecei outro, Amestrando Orgasmos, do Ruy Castro, que Bobbynha me trouxe do Brasil para meu aniversário.

Dia seguinte já tinha destino programado na minha cabeça. Todas as vezes que fui pra Brighton fiquei restrita ao circuito Brighton-Rottingdean-Ovingdean. Dessa vez resolvi aproveitar o dia para o outro lado, e descobri várias vilinhas (Seaford, Peacehaven, Newhaven, Saltdean), e a bela Eastbourne, onde gastei mais tempo. Mais praia (para ver, ouvir e cheirar) e de quebra comprinhas necessárias: aniversário de Piu à frente; aniversário de Bobby atrás. Desodorante que tinha esquecido de levar. E algumas comprinhas desnecessárias também. Ugh. Mês pesadim esse, viu? Em todos os aspectos, inclusive no financeiro.

Cheguei em casa, esperei, esperei, esperei uncle Hans chegar. Ele demorou um pouco e adormeci na sala. Do nada. Isso é muito estranho. Quem me conhece sabe que eu não sou disso, a não ser sob efeito das *dorgas* - e esse não foi o caso. Mas chegaram. E depois chegou a Lucia com seu namorado Neil. Uma família pouco original a minha, hehehe… Uma odiável piada interna, liga não.

Todos reunidos, gostoso, quentinho. Dia seguinte, domingo de Páscoa, me vi num dilemma. Queria passar a Páscoa com tio Hans. Isso era minha prioridade. Mas aí a família resolveu se separar. Odile e tio Hans foram ao cemitério visitar o túmulo da falecida esposa do meu tio e de seu filho Andrew, marido de Odile. Enquanto isso, Lucia e Neil iam a um delicioso passeio até a praia, passando pelo windmill, marca registrada de Rottingdean. Fiquei entre o dever e o querer, e optei pelo querer. Minha terapeuta ficaria orgulhosa de mim, tenho certeza. Fui passear com Lucia e Neil. O Neil extremamente parecido com o Neal, marido da minha mãe que por sua vez – surprise, surprise – também se chama Lucia.

De lá reencontramos Odile e Hans para almoçar e aí chegou ao fim minha estadia em Brighton. Eu poderia ter ficado mais um dia, já que hoje (segunda) é feriado aqui. Mas eu tinha meus afazeres e queria nadar hoje também – menina aplicada, nadei sexta antes de viajar.

**

Entrou o horário de verão aqui. A distância de horário em relação ao Brasil aumentou (agora são 4 horas), os dias estão mais adoráveis. Sol, juro. E dias que morrem às 19:30h. Tá começando a ficar bom de novo. Benzadeus, achei que nunca mais.

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Bobbynha voltou do Brasil. Com uma mala duas vezes seu peso, nem veio para casa: foi direto para a casa do John, já que lá a estação de metro tem elevador. O John está em Paris. Logo, Bobbynha sozinha por lá, sentindo falta da matracagem, saca o telefone e nem hesita: vem para cá, dorme aqui essa noite! E eu fui sem pestanejar. Saudades demais daquela guria. Ganhei dois pijamas, duas calcinhas, um par de havaianas e dois livros, sim, porque Bobby tem TOC e nem sabe, vem tudo aos pares. Tagarelamos até meia-noite. Nem vi o tempo passar. Contei as 72643238365874 de coisas que aconteceram. Ela, então, contou as 7836587653826520 de coisas dela. Imagino que quando nos encontrarmos no Brasil vai ser muito engraçado. Nos conhecemos aqui, construimos nossa vida juntas aqui, mas o país de origem das duas é estranho ao nosso relacionamento. Vai ser divertidíssimo, tenho certeza.

No dia seguinte ela iria a Paris, onde John está morando agora. Antes de partir, claro, Bobby é Bobby e fez despencar o estrado da cama (comigo em cima). Calma, nada do que mentes poluídas possam estar pensando. Ela resolveu subir na cama para fechar a persiana, que ficava do meu lado. A cama não agüentou sua delicadeza, despencou, gritamos, gargalhamos e ela nem percebeu que eu estava mais ou menos no formato de uma bengala, com os pés praticamente no chão. Consertamos e gargalhamos sob especulações típicas de Bobbuxa: “essa cama não era assim; quem será que o John anda comendo aqui?”

Ela voltou, ela voltou.

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Notícias piscinescas: hoje, pela primeira vez em 10 meses, resolvi cronometrar meu tempo em 800m, já que o triathlon das Singers se aproxima (o primeiro será em 12 de junho, em Oxford). Eu achei que faria bem mais feio. Não é nem perto do que um dia fiz, mas 13 cravados não decepcionam. Decepcionam?

testando novas fotas

Eu disse que só no ano que vem, mas naturalmente mudei de idéia.

Wednesday, March 23, 2005

ultimas

Olha soh, as coisas aos poucos melhoram. Aos poucos. Segunda-feira começou toda trocada, toda errada. Para começar, cai no chao. Assim mesmo, como nao acontecia a, sei la, quatro anos. Cai no chao. Na verdade rolei a escada. Dois degraus, o suficiente para estrupiar uma perna ja deveras estrupiada. Um tombo esquisito e desnecessario. Dois minutos para me recuperar. Ja estava atrasada para o trabalho quando, tudo pronto, nao acho meu ticket de onibus. Começo a escarafunchar a bolsa e em pouco tempo ja passo para o criado-mudo, bolso dos agasalhos, mesinha central da sala, cozinha, nada. Volto para a bolsa e ei-lo la, soberado, rindo malicioso. Saio ventando – dentro do possivel, mancando mais que compasso – para o ponto de onibus. Demora, demora, demora. Primeiro onibus passa reto. Lotado. Aqui tambem tem dessas coisas. Inacreditavel como uma manha pode ser tao cagada. Espera mais, mais, mais, outro onibus, dessa vez subivel.

Mas sabe-se la porque, Londres resolveu parar. Mandei um text message pra minha chefe, dizendo que atrasaria um pouco. No worries, ela disse. Cheguei no trabalho e entao finalmente as coisas começaram a normalizar.

Aa noite sai finalmente para conversar com o Chris. Foi outro parto para encontra-lo. Liguei dizendo que estava em Holborn Station esperando por ele. Ele saiu do trabalho ao meu encontro, mas me liga dez minutos depois dizendo que tinha se enganado e em vez de Holborn Station, tinha ido para Chancery Lane Station. Em seu power walk brit style, foi ate Holborn. Disse que estava na frente do Sainsbury. Fui ateh o Sainsbury e nao o achei. Liguei pra ele de novo, cheguei a trocar Sainsbury com Seinfeld (Eh serio. Eu disse: “no, no, I am in front of Seinfeld, where are you?”, para o qual ele soh respondeu: “what?!” naquele very british indeed way). De qualquer maneira, nao conseguia ve-lo. Combinamos de nos encontrar na saida 1 de Holborn Station entao. Quando chego la, descubro o que rolou... EU estava em Chancery Lane Station desde o começo, achando que estava em Holborn. Depois de rir sem parar – os britanicos nao entendem muito bem o que eh isso – combinei de ficar na saida 1 de Chancery Lane Station sem me mexer, quietinha.

Depois de uma hora do combinado, conseguimos nos encontrar. O desencontro todo na verdade ajudou a quebrar o gelo. Um desencontro que tornou bem melhor o encontro. Nao consegui fechar o livro. Ele foi extremamente doce, extremamente atencioso, extremamente namorado. E eu decidi que nao preciso decidir nada agora. Posso me dar esse luxo. Simplesmente desdecidir. Eu tinha dito que terminaria tudo e agora nao sei mais. Ainda quero terminar, acho que nao temos futuro juntos. Mas isso nao significa que tudo tem que terminar agora, se agora nao eh a melhor hora.

Ontem, um pouco melhor. Nao cai, nao perdi meu ticket, nao perdi o onibus. Encontrei Marinella depois do trabalho para mais um cineminha baaaasico. Dessa vez, Somersault, um filme aussie meio clichezento demais, mas bonitinho. Uma coisa meio modelo drogada revoltada adolescente foge de casa e vira hippie. Nao, ne?

Depois do filme fomos no Mac (porque eh o que ta dando pra gastar nesse fim de mes). Marinella eh uma companhia deliciosa.

No onibus de volta para casa, telefonema do Chris e da Fru. Nao estou tao sozinha afinal.

Mas hoje o dia promete ser lindo. Usei oculos escuros pela primeira vez em meses. Almocei com uma amiga de babae que me faz lembrar babae. E hoje, claro, chega minha amada Bobby. Como demorou! Vou enche-la de apertoes e mordidas. Nao vejo a hora de ouvir aquela matraquinha falar ateh eu adormecer.

A mareh baixando faz com que as coisas todas ja nao gritem tanto para mim. Antes, qualquer buzina era ensurdecedora, qualquer cor era fosforescente, qualquer tempero era forte demais, qualquer temperatura era a errada. Eu estava toda perola recem-saida da ostra. Cansou. Agora as coisas estao com um contorno mais real. A vida grita muito de qualquer maneira e isso foge ao nosso controle; se o ser humano nao fosse adaptavel, ja estariamos extintos.

Sunday, March 20, 2005

streets of London

Email mandado à Bobby anteontem:

Bobbuxa, minha amada, tens lido meu blog? Pois devia. Tem coisa de vc lá.

Inaceitável eu não ter te mandado um email ontem, no capricho. Queria te ligar, mas não tenho o número. Queria na verdade te abraçar muito e dizer, como vc me disse few months ago, “hoje o dia é seu, gata, fazeso que quiseres!” Queria também ter minha pequenina loirinha das bolasde gude no lugar dos olhos me olhando com ternura e me abraçando, e me dando apoio, porque, amiga, tá foda demais. Tudo se despedaçando na minha vida. Primeiro, a morte do meu avô (acho que vou escrever “a morte do meu avô” mais mil vezes e ainda assim vou achar que não sou eu quem está escrevendo, ou que logo mais acordo dessa merda de pesadelo), depois, termino o namoro (ou “dou um tempo”) com o Chris, e ontem recebo um email da minha “tia” dizendo que o uncle Hans, aquele fofuxo da ONU, irmão do meu vô que morreu (ai, de novo), está no hospital. Vomitando sangue. Não bebe nem come nada. Vou pra Brighton visitá-lo no domingo.

Uma vida de cabeça para baixo. Um quebra-cabeça com as peças trocadas, uma cidade inteira de ruas sem saída. É assim que está minha vida. Tive um proto-ataque (essa é nova) de pânico no sábado, foi horrível. Essa noite sonhei que estava tendo outro ataque. Bobbynha, você não sabe a falta que me faz. Tô parecendo uma apaixonada, mas vc não tem idéia de como o quarto está grande sem você! A casa silenciosa, os filmes que assistimos transcorrem inteirinhos sem interrupção. Really boring.

Mas tudo bem, tudo bem, fico aqui mentalizando que vc já tá chegando (outro trecho apaixonado, hahaha) e que poderemos comemorar seu niver londrinamente. Hoje foi o dia mais quente do ano. Chegou a 20 graus. Pessoas sentadas no lado de fora dos pubs, calor mesmo. Inacreditável. Londres está toda quente para sua volta, minha amiga!

Não vejo a hora. Adorei as novidades todas. Vc deve estar sendo uuuultramimada pelo seu Alberto. Faz bem ele. Alguém tem que me substituir.

Amiga linda, parabéns pelos seus 25 anos (eu sei, eu sei, mas é negar até a morte), você, como sabes, é a irmã do meio. Não é a posição mais divertida, mas pelo menos você aprendeu antes que viver nem sempre é legal. Eu aprendo um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Um poquinho agora. Mas vai passar.

Parabéns minha amada preferida. Poderia continuar batucando aqui no teclado por horas a fio, vc sabe, as palavras nunca se esgotam e, pior, nunca são suficientes. Tenho mil coisas embotadas que precisam desabrochar. Volta logo pra me ajudar.

Te amo.

Beijos mil,

Bibi.


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Acabei a faxina, estou quase pronta para nadar novamente. O sol parou de brilhar, claro, vivo em Londres agora, must remember.

Ouvindo, neste exato mmomento Streets of London, uma das melhores de Sinead O’Connor. How can you tell me you’re lonely, and safer here, the sun won’t shine? Let me take you by the hand and lead through the streets of London, I’ll show you something to make your change your mind.

Novamente sozinha. Bobby ainda longe, Fru foi para a França esquiar. Ando sem fome, mas nada preocupante – como sempre. Pelo contrário, estou começando a perder o excesso que ganhei quando comecei a ser responsável pelas comidas que compro.

Amanhã devo encontrar com o Chris. É o primeiro dia de trabalho dele, último do relacionamento. Andei pensando, conversei com algumas pessoas a respeito, Piu, Fru, Julinho, Maureen (a fofa da minha chefe), Tatyana (que senta ao meu lado no trabalho) e outras. Ninguém emitiu opinião concreta, mas a soma dos conselhos que recebi e dos que eu mesma me dei me levaram à decisão.

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Semana curta. Sexta e segunda não trabalho. Com uma forcinha de Iemanjá (será que ela viaja tão longe?) pegarei praia e sol em Brighton. Mar no máximo para as pontinhas dos dedinhos do pé.

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Decidi hoje, lavando louça: escrever não é a arte de falar mentira fazendo-a passar por verdade, mas de falar verdades camufladas de mentira.

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Ainda contando com o tempo-tempo-mano-véio para acordar a cada dia com menos dificuldade de entender que acordei, e não que comecei a sonhar. Falta um tanto ainda, eu sei.

Saturday, March 19, 2005

hoje eu recebi esse email

A idéia: fazer valer minha presença nesse negócio de Orkut; conhecer alguém decente que nunca, nem fodendo, trombaria comigo pessoalmente-assim-do-nada -- porque o destino é um cretino que só coloca gente tosca no meu caminho.

A ressalva: não dava pra imaginar conseguir alguma coisa assim em qualquer buraco. A comunidade Nova Literatura Brasileira me pareceu razoável pra começar as buscas. Esse nome, sei lá, me faz lembrar de uma gente boa, despirocada; me remete ao Mirisola, à Lady Averbuck, ao Bernardo Carvalho, ao Ruffato... Quem gostasse e conhecesse e pudesse falar comigo sobre esse povo obviamente tinha um tempero. Um quê.

Você, Bia, estava lá. Em destaque. O perfil do rostozinho focando o nada, absolutamente completa. Seria uma imbecibilidade se não me apresentasse; se não pusesse minha carona feliz e veraneia pra dizer, e aí, pô, tímido como só eu; é que... não deu pra resistir.


Hoje eu até cheguei a acreditar que tudo uma hora vai voltar ao normal à medida que consegui ficar feliz com uma coisa assim, pequena. Dessas que justamente por serem pequenas nos deixam feliz. Hoje eu fui nadar, e nadei bem, e bastante, e e estava um sol delicioso, e fui passear na beira do Thames e acabei deitando num banco com meu iPod na mão e meu celular na barriga, graças a Deus tocando sem parar. Um amado atrás do outro me ligando.

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Primeiro acontecimento do dia: minha tia me liga de Brighton dizendo que meu tio avô - irmão do meu avô que faleceu - tinha saído do hospital. Isso mesmo: em apenas dois dias ele entrou no hospital vomitando sangue e já teve alta. 94 aninhos, aquele sem vergonha tem. O que alguém faz com tanta vida assim? Alguém eu não sei. Ele fez coisas que a maioria levaria 400 anos. Ele é meu orgulho por aqui. E quem o conhece e conhece toda a sua história, entende bem porquê. E passa a ficar orgulhoso só de o ter conhecido.

Mas ele foi forte. Imagino que a morte do irmão o tenha abalado, claro, apesar de ele me assegurar do contrário no telefone. Estou decidida e já combinei com minha tia: vou passar a Páscoa em Brighton, com ele e o resto da família.

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Falta um mês e um dia para eu ver babãe de carne e osso, ao vivo e a cores (meio embaçado, claro, vai ser inevitável).

Voa, voa tempo...

paciencia no chao

Então as fotos não funcionaram no blog. Beleza, tentarei de novo ano que vem.

Wednesday, March 16, 2005

testando fotinhas no blog!



Num busão em Oxford Street. Uh!

o tunel no fim da luz

Parece que finalmente estou entendendo que estou passando por um dos momentos mais delicados da minha vida. Já passei por zilhões de crises, fundadas e infundadas. Depressões, chiliques, you name it. Mas essa é a primeira vez que passo por uma crise em toda a sua complexidade. Uma crise que existe soberana. Apesar de muitos amados me lembrarem de que não estou sozinha o tempo todo, é difícil. É a primeira vez que minha vida está uma zona e eu tenho que arrumar a bagunça sozinha. E além de arrumar minha bagunça interna, tenho que arrumar a externa também. Toda uma vida que acontece dentro de mim, e outra fora de mim. E cismam em tentar me fazer entender de que são as mesmas, mas não me convencem, não me convencem.

A morte do meu avô, pelo incrível que pareça, ainda não está cimentada. Me pego de repente “lembrando” que realmente ele se foi e me dá uma vontade monstra de me jogar no chão e chorar. Aí passa uma criança loirinha, os cachinhos tonhonhoim, rebolando, bochechuda, na minha direção, e eu logo me esqueço, e lembro do quanto quero ter um filho, e o quanto preciso crescer ainda, e o quanto ao mesmo tempo já cresci. Gosto de pensar que meu avô, onde estiver, vai estar orgulhoso.

Mas voltando, estou passando por um dos momentos mais difíceis que já tive de encarar aqui. Claro que houve outros doídos, como o término do namoro, a sensação de urgência de sair da casa do meu tio por causa da bruxa, e mais um ou outro. Mas é a primeira vez que me bateu uma vontade quase instintiva de pegar um avião e voltar pro Brasil, nem que para me arrepender em uma semana. Aí lembro que estou sob contrato, que tenho contas a quitar, que, enfim, sou gente grande. E gosto de morar aqui.

O negócio é que, como sempre, as coisas embolaram. O término do namoro com o Chris teve um efeito maior do que eu esperava. Provavelmente porque estou fragilizada. Mas hoje me peguei ligando pra ele pra saber-como-vão-as-coisas e no final meio que podemos nos encontrar na sexta-feira. Ele tem uma entrevista de trabalho no Foreign Office, aliás, vaga que eu indiquei para ele. Ele tem chances. Já passou no primeiro pente-fino. Ele fala russo e francês fluentemente, e isso o coloca à frente de uma pá de candidatos. De qualquer forma, ele já está empregado e começa segunda-feira. Um trabalho semelhante ao que ele fazia na empresa em que trabalho – para quem pegou o bonde andando, foi ele quem me entrevistou para uma vaga na empresa.

O negócio é assim: não suporto a idéia de voltar a namorar com ele, mas também não suporto a idéia de ficar longe dele. Eu chamo isso de manha, mimo, ele me mimou, agora dependo um pouco disso. Eu, que aqui não recebo mimo algum. Antes do Chris, era mimada por outro cara fofésimo que durou alguns meses mas minguou – e hoje somos grandes amigos. E enquanto estive sozinha, tinha minhas doses de mimo com minhas amadas flatmates. Aliás, às vezes acho que essa crise só está sendo mesmo braba porque Bobbynha ainda está no Brasil. Esse tempo que não passa. Mas em uma semana ela volta (para viajar de novo, mas tuuuudo bem).

A única coisa que vai de vento em popa é o trabalho. Continuo curtindo muito, adoro minhas colegas e chefes, adoro o clima da empresa, adoro o que faço. Muitas vezes as jornadas são exaustivas, temos deadlines a cumprir, targets, além das tarefas diárias de praxe. Fora que estou aprendendo na marra (mesmo) a ser organizada. Não há a menor possibilidade de se dar bem no Marketing sem ser organizada. Eu tenho vários lapsos de memória, coisas como, puta merda, será que eu mandei o email pra fulana MESMO? Será que esqueci algo importantíssimo? Será que mudei as datas das cartas? Enfim, tudo vira um problema monstro quando temos mania de perfeição (não aquela que todo mundo tem; mania mesmo). Está sendo deveras importante passar por isso.

E a verdade é que, resumindo, não sobra oportunidade para ficar desesperada. Quando penso que a vida tá foda, que essa é a hora perfeita para me meter debaixo do cobertor em posição fetal, eu lembro que tem conta de luz, eletricidade, telefone, banda-larga, celular, gás, natação, council tax e, claro, o aluguel. Lembro que seres humanos também têm a estranha necessidade de se alimentar, de se limpar, de se dar um ou outro regalito. E que portanto viver é caro bagarái então preciso fazer valer meu ticket.

Monday, March 14, 2005

antes soh

Saí do trabalho e fui direto pro médico. Terceira visita. Já comecei a perder a paciência. Uma fila imensa. Mil mulheres com mil véus para tapar a cara. Mil crianças com caras de adultas. Cheiro de suor de curry. O zoológico em sua forma mais humana. Ou uma sala de espera em sua forma mais zoológica. Finalmente entrei na fila para um ortopedista. Se eu tiver sorte, em duas semanas. Se tiver azar, só deus sabe.

Dia estranho também. Demorou uma meia hora depois que acordei para lembrar que tinha terminado com o Chris. Cheguei no trabalho e não resisti. Entrei no blog dele (cuja URL por razões óbvias não serão postadas) e senti um gelado. Eu não sabia que ele ficaria tão ressentido. Ele não me pareceu ressentido quando saiu daqui ontem. Esses ingleses sabem como ninguém como se robotizar. De qualquer maneira, ele sabe que eu entraria no blog dele uma hora ou outra. E se pensou que reagindo da forma furiosa com que reagiu ele vai me reconquistar ele apostou no cavalo azarão que continua sendo azarão. Sou do tipo que até toma – e às vezes precisa tomar – porrada, mas não no final. No final eu já não tô sensívedl a porrada. No final qualquer alfinetada não motiva mais que pena.

Um dia um pouco melhor esse. Falei no Messenger com pessoas amadas (sim, amadas). Ontem ainda recebi telefonema de dois brasileirinhos preciosos, Bathatha e Nickão.

A verdade é que estou chateada por ter machucado tanto o Chris. Juro que fiz tudo do jeito mais doce que sei fazer, mas tem horas que você pode ser quindim que cai azedo. Oh well, aí já foge do meu alcance, concordam?

Vou dormir. Chega. São 22h aqui e meus olhos já estão operando em meia fase.

Sunday, March 13, 2005

adendo

Excluam minha família de qualquer crítica que possa ter sido detectada no post abaixo. Essas, pessoas top amadas e preferidas, estão além de qualquer crítica e logicamente foram maravilhosas comigo. Me fez lembrar de toda a sorte que tenho. Passei na frente de um país inteiro na fila para escolher a família lá no céu.

Como escalar um poço sem alguém para jogar a cordinha

Diretamente do meu brinquedo lindo, informo que estou voltando ao trilho aos poucos.

Descarrilhada braba, acompanhada de uma certa decepção também. Pessoinhas que costumo citar como amadas e preferidas: quem está longe também sofre de luto. Acabo de descobrir e gostaria de dividir com vocês. Pode parecer estranho, mas chorei muito todos esses dias e ontem tive mais uma clássica ameaça de ataque de pânico. Nada com que já não esteja acostumada, certo? Errado. Uma pessoa jamais se acostuma à ataques de pânico. À tristeza, sim. Todo mundo conhece alguém viciado em tristeza. Mas mais uma vez, pessoinhas amadas e preferidas, este não é o meu caso.

Então, um lembretinho para esses amigos, para minhas pessoas preferidas e amadas manterem essa digna e rara posição: vocês fizeram falta. Não estavam lá quando precisei. Não se dignaram a ligar (por que achavam que eu preferia ficar “sozinha” na hora em que mais me senti sozinha? Por que ligar para Londres é difícil e caro e tem horários trocados? Por que é difícil ligar para alguém sabendo que a voz do outro lado do telefone não vai estgar vibrando?), um ou outro mandou email. A maioria dos que se comunicaram comigo aproveitou o “ensejo” quando entrei no Messenger para aproveitar que eu já tava lá mesmo e falar tudo aquilo que deveriam ter tomado a iniciativa de falar. De me reconfortar.

Foi-se. O tempo passou e não me venham com o ombro quando minha cabeça já é capaz de ficar parada sobre meu pescoço. Nada pior do que alguém vindo te dar toda a atenção quando na verdade toda essa atenção só teria tido valor se fosse na hora certa. E já não foi, no matter how hard you try now.

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Estou comendo um iogurte de rhubarb (alguém sabe o que é isso???), vendo um documentario sobre filmes x-rated na BBC e ruminando o que fiz há apenas alguns minutos. Terminei com o Chris. Na verdade, pedi um tempo. E apesar de ter ficado num bode cão durante esse fim de semana (ele teve o dom de sair para “tomar um chá e fumar um cigarro” quando eu estava prestes a ter o ataque de pânico), confesso que não foi fácil. Odeio isso de machucar as pessoas. Já fui mais tranqüila em relação a isso, mas quando você lembra o quanto dói estar do outro lado, é bem cuzão ser tranqüilo.

De qualquer forma, ficamos de nos falar. Na verdade, eu fiquei de ligar. E vou ligar. Ao contrário da maioria dos caras que ficaram retidos no meu pente finíssimo. Ele foi e é especial. Mas de repente não vale o sacrifício dos fins de semana.

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Rivotril correndo na veia depois de meses. Babei. E dormi como fazia tempo que não acontecia. Na verdade, menos que um ataque de pânico, tive tipo um acesso nervoso, tremedeira, choro compulsivo, enfim, um carnaval às plenas 3am de hoje. Inferno.

Mas passou. (Novamente, sem comiserações tardias, façavor.)

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Você já viu Mar Adentro? Não? Trouxa…

Tuesday, March 08, 2005

floco de neve

Lendo John Fante, outro dia, me emocionei. O avo do personagem de 1933 Was a Bad Year tinha morrido e ele tinha lido em algum lugar que quando uma pessoa morre, elas se transformam em flocos de neve. Uma imagem infantil, mas bonita. Uma imagem daquelas que mae conta para filho novo quando tem que se deparar com a morte pela primeira vez e precisa entender que a pessoa foi, mas continua no ar. Uma imagem daquelas para refletir as dores e tentar sentir menos dor. Principalmente porque nesse mesmo dia estava nevando aqui em Londres. E porque meu avo ja estava dormindo um dos seus ultimos sonos vivos.

Chorei um pouquinho ao ler o trecho. Nao era para ser um trecho emocionante at all, mas foi tao certo no contexto que nao tive como nao olhar para a neve caindo tao silenciosa, tao serena, e nao pensar que em breve ela seria para mim a partida do meu avo.

Oito de março, hoje, o dia em que recebi um telefonema da minha Piu com a voz macia, macia. Um macio que doi. Macio que amacia antes da queda. Minha pergunta foi soh para tornar tudo mais facil para ela.

Ai, Piu, ele morreu?

Morreu, Bi.

Um longo silencio, metade quentinho, metade gelado. A voz dela estava calma. Estranhamente calma. Nao aa toa horas depois me ligou aos prantos. Tudo voltando aa sua cabecinha linda e forte. O quentinho de quase alivio, porque toda vez que o telefone tocava eu morria um pouco. E gelado porque ainda eh dificil acreditar. Eh tudo muito surreal. Estar aqui, nao ter passado pelo processo de ve-lo no hospital, de ver a situaçao piorando, ainda me da sustos quando penso que nao tenho meu velhinho mais ao meu alcance.

Sabe, minha familia eh pequena. Eu nao tenho muita gente proxima. Somos apenas eu, minha irma, meus pais e meus avos maternos. Soh. O resto da familia estah espalhada por ai (alguns por aqui). Mas o que considero familia eh soh isso mesmo. Tirar assim um pedacinho de uma familia tao pequena eh como morder uma migalha. Mas eh isso que nos faz forte. Saber que somos tao poucos e cuidamos tao bem de nos mesmos. O amor que sinto por cada pessoinha eh ridiculamente grande e concentrado. Tirar um deles de mim eh tirar dinheiro de pobre.

E ele entao se foi. Ha alguns anos, sentei para ouvir toda a sua historia. Foram uns 5 ou 6 encontros longos, cada um deles gravado numa fitinha daquelas de gravador amador. Tenho-as guardadas no Brasil, mas nao preciso recupera-las para cita-lo ipsis literis. Ele disse que apos a morte nao havia nada. Era apenas como dormir para sempre. Simples assim. Nao acreditava em outra vida, nem em ceu e inferno, nem em nada que tentasse embriagar uma mente cartesiana daquelas. Fechar os olhos e descansar. Nada mais empirico, comparar a morte com o sono porque sono eh uma mostra real a que os cientistas podem se prender. Meu avo, meu amado ser enrugadinho, meu xodo, nasceu e viveu cientista. Mas de repente, agora que estah lah para provar que a ciencia se mostrou insuficiente, ele nao vira poeta?

Friday, March 04, 2005

my million dollar grandpa

Ontem sai do trabalho e fui direto assistir Million Dollar Baby. Que grande merda eu fiz. Nao, o filme eh otimo, adorei, ateh ousei me sentir na pele da boxeadora por causa dos treinos exaustivos. Claro que eu me achei ao me sentir como ela, mas aconteceu. Aureos tempos de horas de treino diarias na nataçao.

A merda foi ter assistido agora, num periodo tao critico. Falei com babae ontem e recebi email de Piu e babai. Eles meio que combinaram de me contar tudo, nao esconder nada, mas ao mesmo tempo tentar mostrar que estao bem, que eh o ciclo natural da vida, que ele viveu coisas demais ja e que nao merece sofrer a essa altura. Eu concordo, claro. Concordo como um burrico que nao tem muito para onde ir numa estrada de terra que leva nada a lugar nenhum. Aquele concordar nao-tem-outro-jeito-mesmo. A verdade eh que ontem, apos o filme, a ficha finalmente começou a cair.

Voltei para casa em prantos, falando com o Chris no telefone, o onibus inteiro naquele silencio acolhedor, condescendente, ingles. O Chris falou tudo o que eu sabia mas precisava ouvir. Tambem conseguiu me fazer rir. Me fez prometer que ficaria bem. Me garantiu que almoçariamos juntos hoje, ouviu meus lamentos mais tolos, “I’m being selfish, I know! I’m horrible!”, “No, babe, you’re not being selfish at all. You’re suffering a loss, that’s all”, “Yeah, you’re right, I just wanted, you know?, to say goodbye to him”, “I know, babe, but try to think of him as he were when you left”. Enfim, quem me conhece sabe que eu sei ser um pain in the ass quando estou triste. Nao aceito conselhos, nao aceito palavras superfluas, nao aceito pena. Mas dele eu aceitei isso tudo. E e senti deliciosamente (dentro do possivel, claro) leve depois.

Cheguei em casa saltando as poças congeladas na rua. Encontrei Frufru, meu anjinho acolhedor. Me abraçou, me falou mais do mesmo, e eu adorei ouvir. Aquela pequena me faz bem.

Dormi cedo porque tenho tido que acordar cedo esses dias, tenho que telefonar para a Asia e la eh final de expediente quando aqui o galo ainda nem cantou. Ninguem merece o sotaque tailandes. O vietnamita tambem eh duro de encarar.

Mas tudo isso eh otimo porque me mantem ocupada. O Chris me perguntou se eu iria trabalhar hoje. Claro que sim, eu disse. Nao consigo nem pensar em passar por tudo isso em casa. Cabeça vazia, oficina do diabo. A Fru me perguntou se eu queria ir para o Brasil. Claro que nao, eu disse. Nao consigo imaginar a mistura grotesca que seria a profunda felicidade de encontrar as pessoas que mais amo na vida, com a profunda tristeza da iminencia de uma perda. Simplesmente nao combina. Nao cai bem. Pesa do estomago de todo mundo. E quem me conhece sabe bem o que acontece se meu estomago começa a reclamar.

Mas, meus amados, estou melhor. Hoje acordei inchada, olho fechadinho, sabe?, aquela cara de briguei-feio-com-meu-namorado-ontem-a-noite. Mas ja estou back on track. Muito trabalho, um fim de semana aa frente, amanha chega meu laptop, vou ver meu gatinho, vou me ocupar. E tentar pensar no meu velhinho mais amado com toda a ternura que houver neste mundo. E nao eh pouca. Eu amo aquele serzinho enrugado. E se ele morrer, nao vou deixar de ama-lo nem um cilio. Finally, slowly a ficha estah caindo. E isso eh tudo de que preciso. O resto nao estah a meu alcance.

Tuesday, March 01, 2005

pelo direito de nao desmoronar

Gribada de dovo. Que bosta. Nunca fui assim, e de repente em um mes peguei duas gripe. Palhaçada.

Atualizaçoes. Vou comprar um Mac. Powerbook, nada zero quilometro porque tenho medo do que eh novo. Usado. Pouco, mas usado. Por gente confiavel. Sabado ja estarei com o pequeno (ainda sem nome) em casa. Assim que me adaptar direitinho vou estar de volta ao fascinante mudo do MSN. Falar com pessoas queridas muito. Muito queridas e falar muito.

Acabo de fazer assinatura para broadband. Como tudo eh facil aqui... Ateh pegar gripe eh facil, facil.

Desacredito que em menos de dois meses vou estar me afofando com babae!!! Disse a ela agora pouco que nove meses eh tempo demais longe de quem me teve dentro de si por exatamente o mesmo tempo.

Logo mais faz nove meses que da terra brasilis me mandei. Passarinhos verdes me contaram que Bobby chorou compulsivamente quando aterrissou em Salvador, na semana passada, depois de um ano e pouco de Inglaterra. Tiveram que trazer lenços e tudo mais, parece. Ela eh assim. Quase trinta e chora de fazer bico.

Aqui, contrato assinado, entrevista para o National Insurance Number feita, agora eh soh esperar. Contrato com o landlord tambem foi assinado finalmente. Porque finalmente ele cumpriu o que prometeu. Tudo nos conformes.

Periodo de serenidade, apesar da turbulencia interna. Vovo ainda estah na UTI. Melhora daqui e piora de la. Falei com babae e Piu no telefone e as duas demonstraram uma certa perda de esperanças. Estando aqui, longe, nao podendo julgar, soh posso mesmo eh olhar atraves dos olhos delas. Seja o que for, estou pensando no meu velhinho, mandando minha energia positiva, mandando calma, tranquilidade, mandando ondas de amor para ele nao se sentir sozinho, mandando quentinhos para ele nao sentir frio, mandando minha alegria para que ele nao tenha medo. De ficar ou de ir.