Monday, February 21, 2005

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Faz tempo que nao escrevo, eu sei. Faz tempo que nao escrevo aqui, que fique claro. Tenho escrito descontroladamente no meu pequeno notebook – aquele do qual sai uma peteca quando abro, tao brinquedo que eh.

Ontem nevou. Hoje nevou de novo. Fiz festa. Em casa, na rua, no trabalho. Ninguem entendeu, claro. Alem de mim, tinham mais dois macacos pulando felizes na rua, em meio aa neve, ontem aa noite. Eram brasileiros.

A vida estah boa. Fui efetivada. Assino o contrato hoje. Recebi novo aumento. Agora sim eh trabalho de gente grande. Com a grana que vou conseguir juntar vai dar para ir ao Brasil no final do ano, como planejo. Mas sem algazarra porque eh muito cedo ainda. Mil coisas podem me fazer trupicar no meio do caminho. Por enquanto, fica a ideia.

E quando eu for, quero ir sozinha. O Chris ainda nao sabe. Ele me disse outro dia que quer ir ao Brasil comigo, quando eu for. E ele quis dizer o seguinte: “eu vou morar com voce la, se voce resolver voltar”. Meda, panica horrora. Nao senhor. Vou sozinha visitar meus amados e, quando voltar ao Brasil, volto sozinha tambem. Pelo menos eh assim que penso hoje. Eh assim que penso quando estou com ele.

E em breve nao devo mais estar. Fim de semana retrasado foi o estopim. Nao aguentava mais ele me pegando, me beijando, me sufocando. Nao aguento a postura resignada dele. Desempregado que gasta dinheiro com bebida e cigarro. Tem algo mais oposto a mim que isso? Quem me conhece sabe que nao. A relacao comecou ja fadada a terminar.

Ontem eu bem tentei. Mas justo ontem ele foi um amor. Meu avo esta na UTI, em coma, eu aqui desesperada. Um velhinho de mais de 90 anos. Cada vez que minha mae ou minha irma somem por mais de dois dias ja me da um aperto. Elas estao tentando me poupar de um sofrimento e de uma angustia da qual infelizmente nao tenho muita salvaçao. Mas eu entendo. Entendo e tento levar minha vida, tento nao pensar muito, nao divagar. Tenho nadado para espantar a dor. A mesma dor no peito de tantos ataques de panico. O mesmo aperto. A mesma vontade de meter a cabeca para dentro do umbigo. Mas passa. Penso em meu avo a cada minuto. A cada minuto tento me afirmar de que ele vai ficar bem. Seja o que for.

E ontem ele foi um doce. Soh me abraçou. Ficamos deitados no sofa por longos minutos, ele sem me perguntar nada. Sem querer nada de mim. Apenas ali. Vez ou outra beijando minha testa. O que eu precisava. Nao consegui terminar. Ontem foi bom, afinal.

Enquanto isso me ocupo. Depois de enrolar eu e Chris fomos a um restaurante grego delicioso. Hoje vou ao medico ver a porra do joelho de novo e depois encontro Eriquinha para jantar. Amanha tenho aniversario da Marlena depois do trabalho. Quarta vou nadar e me despedir de Bobbynha.

Quinta ainda nao sei, mas farei algo para comemorar o parto do meu National Insurance Number. E sexta quero nadar de novo. Uma semana boa, se for como eu planejo.

Tuesday, February 08, 2005

carnaval, doce ilusao

Carnaval mais nulo que ja passei na vida. Eu nunca fui uma pessoa *carnavalesca* (da lista de palavras que odeio), mas achava legal a alegria de todos em relaçao aa *festança* (outra que odeio). Era soh nao tentarem me fazer sair pulando que eu fico bem. Pra mim, carnaval eh pra assistir enquanto o pais perde o controle. Eu myself odeio perder o controle.

O carnaval fez mais falta do que eu pensei. Me peguei imaginando o que eu teria feito se estivesse no Brasil. Teria ido viajar? Provavelmente. Com quem? Nao sei, mas eu teria uns cinco lugares diferentes, com turmas diferentes, para escolher. Eu acabaria optando por algum lugar de praia em que nao me viessem com ideias furadas de ir em boite pagar $75678467 por um pacote para as quatro noites.

Bobby e Fru, aqui, foram no sabado num carnaval num bairro chamado Vauxhall, no sul de Londres. Parece que foi divertido, muita musica brasileira, caipirinha, gringos, eh claro, mas muito brasileiro tambem. Quase a mesma coisa que na terrinha. Aa exceçao obvia do frio. Carnaval de sobretudo. Tsc, tsc…

Eu nao fui. Fiquei em casa, recebi visitinha do Ernesto, escrevi mais do meu livro (ta graaaande, ta buniiiiito) e fui dormir relativamente cedo. O carnaval para mim foi ter ido no Ikea, na PQP, comprar moveis e utensilios para casa a preco de alguma fruta barata aqui, ja que banana eh artigo de luxo. Comprei tudo o que queria/precisava. Criado-mudo, abajour, facas de corte, travesseiro, despertador (ja perdi duas vezes a hora porque esqueci meu relogio de pulso, atual despertador, em outro comodo), varal de roupas etc. Tudo comprado e montado.

Dormi estranha. Primeiro, a noticia de que vou ser efetivada na empresa. Depois, as compras da casa, minha casa, apesar de alugada. Um medo de permanencia, da falta da saida de emergencia - prato cheio pros meus ataques de panico. Felicidade e angustia misturados. Uma combinaçao esquisita e assustadora. Quem consegue ser feliz mesmo angustiado traz no olhar o mesmo brilho dos sado-masoquistas. E eu nao sou nem sadica, nem masoquista.

Domingo de mais compras. Supermercado. Aa noitinha fui no cinema com Ernesto, Marinella e Fru. Assistimos a Ray Charles. Adorei. Assistam. Fiquei com vontade monstra de comprar os CDs e me descobrir fan.

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Daqui a uma hora tenho o meeting com o big boss. De la sairei com minha efetivaçao na mao. Voces vao ver.

Thursday, February 03, 2005

ontem

Ontem foi dia soh de boas noticias. Inacreditavelmente, em menos de seis meses na empresa, acho que serei promovida novamente. Marketing Executive, da licenca? O melhor de tudo, no entanto, eh o fato de que finalmente vou ser contratada como funcionaria permanente, o que me dara direito a ferias remuneradas e outras regalias merecidas.

Outra boa noticia eh que falamos com o landlord e ele topou resolver quase todas as nossas exigencias, dignissimas, diga-se. Uma cama extra no quarto meu e da Bobby ja que a cama de casal que ele comprou eh minuscula e, das duas uma, ou eu e Bobby nos chutaremos para sempre, ou seremos obrigadas a virar um casal. Quando aparecermos em publico juntas, vamos falar, nao, nao sou lesbica, fui obrigada a ser. Como nenhuma das duas quer isso, o landlord prometeu a segunda cama. Outra exigencia foi do aquecedor, que nao tem a torneirinha para baixar/desligar/aumentar/ligar. Ou seja, no momento a casa estah um forno e nao conseguimos dormir la. Tambem pedimos persiana na janela da Fru, estantes pregadas no banheiro, televisao, trava na minha janela... varias, varias coisas. E ele topou arrumar tudo porque somos brasileiras boas de papo e nada, nada trouxas.

Mais boa noticia? Ta bom. Comprei as passagens para mim e babae irmos para o sul da Espanha em abril. Voamos de Londres a Malaga e de la vamos costeando, passando em Sevilla e pegando um ferry boat para Ibiza. Eu sei, eu sei. Mas um dia voce tambem vai.

Planta e colhe, planta e colhe, planta e colhe. Simples assim.

Mais boa noticia? Nao, nao. Ate tem, mas chega. Isso aqui ta virando solo fertil para urucas alheias. Arre egua, sai para la. Nao quero ninguem com inveja, hein?! Sim, porque apesar de toda essa vida, estou deprimida, mal-amada, exausta, infeliz, chorona, com espinhas na cara, prisao de ventre, manca, fodida, sangrando... Viu? Nao ha nada que invejar.

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A festa do Steeeeve foi bem legal.

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Estou tentando levar a comunidade britanica ao orkut. Voces me acham pretensiosa demais?

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Os dias de errante, de andar para cima e para baixo na rua com panelas, sacolas, malas, muitas malas, estao chegando ao devido fim. Acho que hoje mudamos o resto das coisas para a casa nova. Estou seriamente considerando comprar um notebook hi-tech. Any suggestions? Any objections?

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E meu publico leitor aumenta a cada dia por aqui. Who's to say? Era para ser apenas um poço de relatos, e virou... bom, continua sendo isso, mas nunca tanta gente se interessou por um poço. Voces, que nem me conhecem, que graça tem? De qualquer maneira, muito bem vindos. Sentae, mas sem algazarra. Porque isso aqui nao eh uma democracia. Eh uma ditadura. Eu dito, voce ouve. Calado.

Tuesday, February 01, 2005

mertiolate

O choque que eu levei nao foi um choque por algo que eu nao sabia. Foi um choque por algo que eu conhecia mas tentava ignorar, porque assim doia menos.

E, sabe?, alguns dias depois do tapa na cara, ja estou bem. Uma recuperacao digna de jogador de futebol em vespera de Copa. Nada como terapia intensiva. Se o jogador fode o joelho, precisa cuidar dele 24 horas por dia aas vesperas dos grandes jogos.

Quando me fodem o coracao, mesma coisa. Senao corre o risco de ficar sequelas, voces sabem, coracao manco nao eh coracao bom. De onde vou tirar tantas batidas para uma nova paixao? Por enquanto ele bate manso, em recuperacao. Mas a terapia intensiva deste fim de semana ajudaram.

Chris nao sabe bem o que se passa aqui dentro ainda. Ele eh otimo nisso de nao perguntar. Acho que ele ateh sente, mas tambem prefere nao ouvir.

E no mesmo dia em que disse para alguem que ainda o amava, ouvi do Chris o mesmo. Que dificil. Que ironico. Ele disse que me ama no mesmo dia em que disse que amo outro. Isso eh muito a minha cara. Mas estah na hora de deixar de ser. Estah perdendo a graca me perder aos poucos. Estah perdendo a graca ser a unica a girar na ciranda para o lado errado. Estah perdendo a graca desencontrar de quem pena tanto para me encontrar.

E eh por isso que, do alto de minha petulancia/arrogancia/intolerancia, vou juntar forcas para deixar o que estou vivendo hoje evoluir. Porque passado nao evolui. Passado muitas vezes doi e soh. Cansei de poh.