Tuesday, December 18, 2012

40 semanas

Que finalmente chegaram.

E eu vim escrever realmente sem a intenção de conseguir escrever qualquer coisa que preste. Não estou inspirada. Estou ansiosa, mas daquela ansiedade que não inspira, apenas faz feliz. E ansiedade que inspira de verdade é daquelas negativas em geral.

Não achei que chegaria tão longe na gestação, mas estou aqui, com 40 semanas de gravidez e sem poder esperar mais. E meu bebê virá e será the end of the world as we know it.

Ficarei sem graça, monotemática, cheirarei a leite azedo e não prestarei atenção nas conversas porque estarei sempre prestando atenção nele. O cabelo ficará desgrenhado, o sovaco e a virilha e as pernas cabeludas, e brigarei com todos a minha volta porque não estou medicada e estarei privada de sono e feia. Talvez eu chore diariamente, preciso considerar essa possibilidade. A depressão pós-parto sempre me assustou, e agora estou prestes a encará-la - ou não.

Olho agora para a prateleira cheia de livros que paira acima da minha cabeça, quase todos ainda não lidos. Quando será que conseguirei ler de novo? E escrever? É tão difícil como falam? Vou poder fazer algum exercício? Preciso muito de exercício! E os seriados, como não ver Dexter ou The Walking Dead? Acima de tudo, e o meu marido? Quem serei eu para ele, e ele para mim? Afinal, it's the end of our world as we know it.

E mesmo com tantas renúncias, uma felicidade iminente. Quando bate o desespero penso na sua carinha, no seu corpinho quente, num risinho banguela que vou conhecer e amar. E tudo melhora. Mas depois volto a pensar em tudo que pode dar errado e a quais erros eu sobreviveria e a  quais não. E daí me lembro que tenho pessoas a minha volta que irão me ajudar, que não preciso ter tanto medo do cansaço. O sexo vai voltar, as possibilidades de sair e encontrar pessoas também. Inclusive conhecer novas pessoas, sim, vai acontecer. É a minha chance de recuperar a fé em novas amizades, algo que, de verdade, não consegui explorar desde que voltei de Londres. As poucas amizades que fiz se mostraram frágeis e superficiais, e na hora de esperar pelo parto, longas e angustiantes horas em que não tenho muito fôlego para fazer nada, estou sozinha. Realmente sozinha.

De fato, estar sozinha nunca foi um problema. O problema é agora precisar de companhia. Nunca precisei (embora as vezes quisesse). Que venham então os próximos dias, semanas e meses, os mais intensos de minha vida. Que mudem minha rotina e me tirem dessa órbita a que não escolhi. Que me mostre outros mundos que não este que chega ao fim.

See you on the other side!

Tuesday, October 09, 2012

30 semanas

30 semanas carregando meu feijão, que agora pesa 1.5kg e me lembra, aos chutes e pontapés, que está lá, e quase chegando aqui.

E vou ficando cada vez mais emotiva e estranhamente lembrando dos meus tempos de blogagem diária. Acho que eu era mais feliz quando as coisas aconteciam comigo e imediatamente eu jé as vias em forma de post. Agora é diferente. As coisas acontecem e em seguida são substituidas por outras coisas que acontecem e não dá tempo de digerir. Elas apenas se sucedem rapidamente e eu dou sorte quando consigo apenas observá-las.

Mas agora, na reta final - deve ser a ocitocina - estou conseguindo demorar um pouco as coisas. Pensar em como vai ser cada pormenor, e desvalorizar coisas grandes, imensas, que podem e devem ser desvalorizadas. Meu deus, como dei atenção a pequenezas nos últimos tempos! Como fui deixar isso acontecer? Como permiti me perder desse jeito? Fiz o que sempre critiquei nos outros: sucumbi. A massa me levou de certa forma, e eu me deixei levar, claro. Porque só vai quem quer.

Mas tudo tem volta nessa vida, nada precisa ser pra sempre. E eis-me aqui pensando com muito mais afinco na música que ninará meu filho do que no projeto que vai me dar mais dinheiro. E é certo pensar assim, é colorido, é leve, é doce. É certo e simples como o parto dos felinos.

É claro que penso em muito mais coisas e paranóias do que cabe em uma cabeça. Mas sei colocar um filtro e focar no que realmente importa, naquele túnel, e naquela pessoinha que vai sair dele e de repente arrastar minha vida junto.

Que seja assim, estou prontinha para ser arrastada. Amor e sangue me transbordando dos olhos e estamina para cair e levantar quantas vezes forem necessárias, contanto que na frente esteja ele, meu leãozinho, me arrastando vida adentro.

Saturday, August 25, 2012

funny times

Olha que se a senha do Gmail não fosse a mesma do blogger era capaz que eu não conseguisse mais entrar aqui.

Mas entrei, voltei, não sei se para ficar ou não. Muita coisa aconteceu neste ano, muita coisa boa, algumas ruins também, como é digno de qualquer ano. O que eu não sabia era que seria um ano de acontecimentos tão grandiosos e que com isso a certeza de que 2013 vai ser igualmente importante, e assim serão vários anos por vir.

Escrevo do sofá e vejo no chão o vômito com que minha gata acaba de me presentear. Incrivelmente a preguiça me vence e deixo a sujeira lá até terminar de escrever. Não há por que correr, a sujeira já foi feita, e o cheiro não chega em mim. Eu vou limpar, mas quando eu quiser. Como tem que ser. Com o vômito da gata e com tudo, ou quase.

São tempos esquisitos. Quase engraçados. Não chove faz muito tempo, a nitidez das coisas quase cega. Ao mesmo tempo por dentro está tudo embaçado. Um turbilhão de pensamentos, de sentimentos, me impede de distinguir o que está acontecendo do que acho que está acontecendo, duas coisas completamente distintas, infelizmente. Questiono meus pensamentos mais racionais, e acho razões para qualquer sentimento desgovernado também. E todo mundo entende, é incrível! Todos os olhos se viram para mim, e nenhum é de desprezo. Alguns de preocupação, outros de inspiração, com certeza muitos de inveja, e isso não é imaginário! É real. Consigo pegar, ver, cheirar. Tem que ser real. E o silêncio que se segue após cada olhar, é ensurdecedor e difícil de interpretar. Algumas vezes quente, outras morbidamente gelado. Sinto-me perto de algumas pessoas como se estivesse dentro de um caixão. Vejam só a ironia!

Por vezes me pergunto se a dose de remédio está adequada. Muito alta? Talvez muito baixa, dadas as circunstâncias. Deixo que cuidem de mim. Não me sinto capaz disso agora. Claro que me sinto vulnerável, mas não é este o centro de minhas preocupações. A órbita está girando em torno de outro planeta, um planeta que não conheço, e é essa minha preocupação. Entender esse planeta e saber que eu, querendo ou não, involuntariamente giro também em torno dele. Para sempre.

Ainda não sei o nome, mas acho que chegamos finalmente em Leonardo. Ele chega em dezembro e a vida mudará para sempre. Estou louca pra conhecer o que será de todos os próximos tempos.

Transbordando de amor e hormônios,

Bia.

Monday, January 09, 2012

lendo demais, escrevendo de menos

Entrei numa daquelas fases insuportáveis em que quase tudo é menos legal que ler. Aí resolvi tomar vergonha na cara e escrever também, porque não adianta a teoria. Nunca adiantou a teoria, pelo menos ela sozinha. Nunca aprendi nada de verdade que não tive a oportunidade de por na prática.

Dizem que sou esse tipo de pessoa, a "Activator", capaz de tornar qualquer plano em execução, que inclusive anseia em colocar em prática as ideias. Mas isso sou eu de terninho, e eu de terninho não interessa aqui. Perco a espontaneidade e até - o horror - a autenticidade.

É por isso que meus textos andam todos *médios*. O que mais odeio, o médio. Prefiro textos pífios que serão lembrados por isso.

***

Não tenho lá muito conteúdo para postar. Claro que há muito acontecendo na minha vida, mas não sei se estou a fim de dividir com vocês. Aqui acabo ficando na superfície mesmo, contando causos e os diz-que da vida. Porque é real de mais. Vocês sabem, e muitos conhecem, a primeira pessoa do singular.

Vou é começar mais um blog. Só preciso matar essa preguiça.

Ou não, e então finalmente dar vazão a tudo em algum livro, aquele que sempre prometo que vai sair e cada vez arranjo uma desculpa diferente para não fazê-lo.