Thursday, December 27, 2007

I'll make the most of it

Vim trabalhar de novo. Só eu, claro. Estou sozinha em todo o meu andar e a sensação de abandono é quase ensurdecedora. Mas vou tocar meu trabalho. Enquanto isso, ouço CBN pela internet. O Heródoto acaba de noticiar que este foi o primeiro natal em não sei quantos anos que não houve nenhum seqüestro registrado na cidade de São Paulo. Uma grande conquista pra cidade, não é mesmo? Mas uma comemoração meio tosca para quem está “do lado de cá”.

**

Byrifoy e eu enfrentamos o terror do Boxing Day em Oxford Street. Guerreiros, conseguimos manter o bom humor e sair da batalha com um par de tênis cada um, pela bagatela de 15 pilas, e um jogo de Wii deveras, deveeeeras divertido e viciante.

Vou dar uma passadinha na Topshop na minha hora de almoço. Oras, tenho que me fazer agrados depois de chegar no trabalho e saber que sou a única em todo o meu andar. É deprimente, gente. As luzes são sensíveis a movimento, então se quero ir até a cozinha fazer um café, tenho que andar abanando os braços, senão tropeço e me esborracho – sozinha.

**

Natal? Foi ótimo. Apesar de muito longe, como disse anteriormente, value a pena. A Dri Pinheiro cozinha muito. Muito mesmo. Cozinha como adulto, sabe? Peru inteiro, , farofa, pernil, risoto, um espetáculo gastronômico. Fizemos inimigo secreto e ganhei um tapa orelhas. Inimigos brandos, esses.

Foi gostoso. Acho que todo mundo meio que escondeu as saudades e a vontade de estar em outro lugar atrás de álcool e otras cositas más. Eu, que não tenho esconderijo, quase estraguei a já branda maquiagem ao falar com a Bathatha quando bateu meia-noite aqui em Londres. Foi estranho. Ninguém comemorou, as pessoas não saíram se abraçando. Da nossa parte, eu e Byrifoy entramos numa bolha e selamos um feliz natal com um beijo rápido. Ou talvez nem isso, ou mais que isso, não lembro. O estranho é que não fazia diferença. Como se fosse um natal de mentira. Gostei, claro, mas gostei como gostaria de uma festa de Halloween em fevereiro. Uma festa boa, mas cujo motivo de comemoração continua vazio.

Que venha o ano novo.

Monday, December 24, 2007

I'll make the most of it

Vim trabalhar de novo. Só eu, claro. Estou sozinha em todo o meu andar e a sensação de abandono é quase ensurdecedora. Mas vou tocar meu trabalho. Enquanto isso, ouço CBN pela internet. O Heródoto acaba de noticiar que este foi o primeiro natal em não sei quantos anos que não houve nenhum seqüestro registrado na cidade de São Paulo. Uma grande conquista pra cidade, não é mesmo? Mas uma comemoração meio tosca para quem está “do lado de cá”.

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Byrifoy e eu enfrentamos o terror do Boxing Day em Oxford Street. Guerreiros, conseguimos manter o bom humor e sair da batalha com um par de tênis cada um, pela bagatela de 15 pilas, e um jogo de Wii deveras, deveeeeras divertido e viciante.

Vou dar uma passadinha na Topshop na minha hora de almoço. Oras, tenho que me fazer agrados depois de chegar no trabalho e saber que sou a única em todo o meu andar. É deprimente, gente. As luzes são sensíveis a movimento, então se quero ir até a cozinha fazer um café, tenho que andar abanando os braços, senão tropeço e me esborracho – sozinha.

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Natal? Foi ótimo. Apesar de muito longe, como disse anteriormente, valeu a pena. A Dri Pinheiro cozinha muito. Muito mesmo. Cozinha como adulto, sabe? Peru inteiro, farofa, pernil, risoto, um espetáculo gastronômico. Fizemos inimigo secreto e ganhei um tapa orelhas. Inimigos brandos, esses.

Foi gostoso. Acho que todo mundo meio que escondeu as saudades e a vontade de estar em outro lugar atrás de álcool e otras cositas más. Eu, que não tenho esconderijo, quase estraguei a já branda maquiagem ao falar com a Bathatha quando bateu meia-noite aqui em Londres. Foi estranho. Ninguém comemorou, as pessoas não saíram se abraçando. Da nossa parte, eu e Byrifoy entramos numa bolha e selamos um feliz natal com um beijo rápido. Ou talvez nem isso, ou mais que isso, não lembro. O estranho é que não fazia diferença. Como se fosse um natal de mentira. Gostei, claro, mas gostei como gostaria de uma festa de Halloween em fevereiro. Uma festa boa, mas cujo motivo de comemoração continua vazio.

Que venha o ano novo.

"trabalhando" no natal

O que mais há para se fazer quando se tem que trabalhar no dia 24 de dezembro? Escrever no blog, claro. E fazer besteira.. O plano do dia é fazer uma coisinha ou outra e depois roubar o aquecedor portátil que não é usado para levar para o pé da minha cama, onde será acolhido com amor por quatro gélidos pés. Sim, roubarei temporariamente. Devolverei no final do inverno. É pequeno para caber numa sacolinha do Sainsbury’s, e vai fazer toda diferença e felicidade de um lar já feliz.

Então é natal. Eu e Byrifoy (esse apelido, de tantos novos que surgiram, já virou um clássico demodê, mas criei a tradição aqui, então assim permanecerá) vamos passar o natal da casa da Dri Pinheiro, uma fofa que mora longe, bem longe. Conosco, uma cambada de brasileiros.

Aaaanyway, falo do natal quando ele acontecer.

Vou falar da Madeira. Foi fantástico. Mesmo. Uma das melhores férias que já tive, senão A melhor. E essa foi minha terceira vez na Madeira. Acho que a companhia influenciou um pouco, hehe. Byrifoy e eu ficamos no Cliff Bay, um hotel sem palavras. Fomos tratados como reis, ficamos na melhor suíte e fomos sujeitos a todas as regalias possíveis e imagináveis. Tínhamos TV de tela plana no quarto. Tínhamos uma cama de casal do tamanho de duas camas de casais. Tínhamos uma varanda que praticamente nos jogava no mar. Tínhamos chuveiro e banheira. Tínhamos vinho de graça (só para constar; o vinho nem foi aberto). O café-da-manhã era um desbunde. Comi french toast todos os dias. Tínhamos duas piscinas para escolher, e mais uma jacuzzi. Tínhamos serviço de quarto duas vezes ao dia. Enfim. Não vou listar mais pormenores senão isso vai parecer meus diários de bordo de quando eu tinha 10 anos e colava uma amostra do papel higiênico do hotel na página. É sério. Easily amused, I was.

E a Madeira. Porra, não preciso falar muito. Quem foi sabe que as fotos do post abaixo não fazem jus ao lugar. Madeira é encantada em tantos aspectos que chega a ser uma sacanagem com o resto do mundo. O clima é perfeito. Tem praia, tem montanha, tem mato, tem cidade. Tudo ao alcance de todos. Povo simples e feliz. Simpático. Comida estupenda. Brisa Maracujá. Byrifoy e eu não acreditávamos que cada dia chegava ao fim sendo mais um dia perfeito. Também fizemos um curso de mergulho. Somos mergulhadores certificados PADI e já estamos atrás de parceiros de viagem para se perder em mares muito d’antes navegados, por favor, porque somos principiantes.

A primeira sugestão amiga foi Egito, da Bea Preguiça. Eu tô dentro. Em algum momento do ano que vem.

Por ora é isso. Vou trabalhar por pelo menos uma horinha. E olhe lá – posso ser bem mal-criada já que não vou ganhar presente de natal anyway.

Friday, December 21, 2007

Friday, December 07, 2007

countdown

Acho que bati o recorde. Dez dias sem escrever, é isso? Estou bem e viva. Nessa ordem. Continuo igual – reclamando do tempo, de sono, de ter que viver em meio a milhões de pessoas que também lamentam viver entre milhões de pessoas. Continuo, no entanto, sorrindo para coisas pequenas que ninguém mais percebe, tenho certeza.

Mas estou sublimando isso tudo porque Byrifoy e eu vamos para Madeira. E é nessa terça! Eu disse ESSA TERÇA – só para garantir que Byrifoy realmente entendeu que não é quinta, como ele achava até ontem.

Vamos ficar no Cliff Bay. Eu sei, eu sei, eu também ficaria com inveja se não estivesse indo. Oito longos dias à beira-mar ou no topo da montanha, o que mais nos aprouver na hora. Estamos também querendo fazer curso de mergulho e finalmente tirar aquele certificado que cobiço há anos. Meu tio Michael vai nos emprestar um carro, então já estamos resolvidos para transporte também.

E chega porque estou cansada e com fome. Viram? Não mudei.

Tuesday, November 27, 2007

numa fria

Uma das noites mais estranhas, ontem. Estava quase caindo no sono, e ouvi a voz do Byrifoy lá na sala. O estranho foi que eu não esperava ouvir a voz dele, mas sim a voz da minha mãe ou da minha irmã, como se ainda estivesse no Brasil. Depois acho que ouvi o Byrifoy falando em espanhol, mas pode ser puro delírio.

Pouco depois acordo encharcada de suor. Abro a janela pra deixar um frio perto de 0 grau entrar. E sabe deus como eu ainda resmunguei qualquer coisa pro Byrifoy quando ele veio dormir de forma que ele foi lá e fechou a janela, pelamordedeus.

Estranho indeed.

**

Ontem fui nadar. Pela primeira vez em quase um ano. Foi ridículo. Me senti humilhada. Não por ninguém, mas por mim mesmo. Porra, eu fazia maratonas aquáticas, nadava quase 2 horas todo dia e competia 10km em mar aberto no campeonato paulista. Que porra é essa? Nadei 10 minutos e meu braço ficou pesado como uma lasanha quatro queijos. Parei um pouco, nadei um pouco. Completei meia hora e saí, sacudindo a cabeça de indignação. Hoje acordei com os tríceps doloridos. Meia hora, meia hora. Por que fui cagar assim?

Claro que quero voltar a nadar, mas cadê o estímulo? Aquela história de que o problema de estar no topo é que a queda é braba é, vacamente, verdade.

Sunday, November 25, 2007

e de novo com vocês, Dri

"Tenho por princípio nunca fechar portas,

mas

como mantê-las abertas
o tempo todo
se em certos dias o vento quer
derrubar tudo."

Eu, que achei que a teria abandonado de vez. Acho que não, que nunca. Acho que Inverno vai sempre congelar meu coração e fazê-lo tal qual uma uva passa. Quase esqueci que o destino sempre me quis só. Mesmo quando bem acompanhada.

Num deserto, sem saudade, sem remorso
Só.

Parece que o inverno aqui está pegando. Mas eu nunca, nunca ignoro meus invernos internos. Preciso entender o que há. Porque há.

Friday, November 16, 2007

mudando sem sair do lugar

Mudei de lugar no trabalho. Continuo fazendo as mesmas coisas, mas agora sento no primeiro andar em vez do segundo. Longe do meu chefe, já que o meu portfólio agora faz parte de um outro. Não entendo por que por aqui as pessoas mudam tanto de lugar fisicamente mas continuam fazendo exatamente as mesmas coisas. Oh well. Deve ser mais um desses gestos corporativos que nunca entendi, nunca vou entender.

Mais um fim de semana chegando, mais uma onda fria, muito fria. Amanhã de tarde devo encontrar o pessoal do meu antigo trabalho. Hoje, apenas uma das pessoas que estarão lá continua trabalhando no mesmo lugar. Aliás, aproveito o ensejo para dizer o quanto estou gostando do meu trabalho. Achei que nunca iria realmente gostar de marketing, mas algo em mim disse pra eu insistir mais um pouco antes de voltar para a vida miserável do jornalismo. E, olha, valeu. Posso dizer que realmente gosto do que faço, que as segundas-feiras não são mais tão tristes e a sextas não mais tão felizes. Tá, claro que sexta-feira é sempre feliz. Mas quando se gosta do que se faz, a vontade de que a semana acabe logo deixa de ser tão intensa. E fazia muito tempo que não sentia isso.

**

Continuo na minha empreitada mestre-cuquística. Essa semana as novidades foram lasanha e brownie. Os dois saíram OK. O Brownie, mais que OK. Soberbo, eu diria.

**

Estou com mania de contar quantos espirros dou por dia. É TOC isso?

Wednesday, November 07, 2007

brainy rush

Nevermind que o curso de francês era pra ser feito todo dia e até agora uma semana se passou e eu fiz vergonhosa uma aula. Tão típico! Hoje quero fazer a segunda. Não. Hoje VOU fazer a segunda. Mas tá difícil sentar no computador de noite depois de passar tantas horas camelando no computador do trabalho. Simplesmente não rola.

Estou cansada. Bem cansada. Não aquele cansaço ruim, de basta dessa vida; um cansaço depois de fazer muita coisa mesmo. Um cansaço justificável e coerente: trabalho, me concentro, canso depois de muitas horas, quero descanso. Nada mais natural. Este é o ciclo do meu dia. Acordo com muito sono, mas com o primeiro galão de café a vida fica mais fácil. Daí só paro mesmo para almoçar (geralmente resolver coisas na rua) e quando termina o batente. Com ocasionais paradas xixícias.

**

Estou quase suportando a idéia de que não há nada me esperando. Que a vida é isso que acontece todo dia e vez ou outra o vento faz mudar de direção. Um pouco mais serena. Nunca o suficiente. Mas mais ou menos convencida de que é isso aí – e, se é isso aí, que eu possa aproveitar sem esperar nada lá na frente.

Odeio ler ou escrever em termos abstratos. Mas tenho certeza de que essa é uma das conclusões mais concretas a que já cheguei desde não sei quando. Muito, for sure.

**

Ah, sim, tem também o caso de fraude de que minha mãe foi vítima. Aquele do seqüestro, batido mas que ainda funciona. Mas não tô a fim de falar disso. Nem um pouco. Já fiquei com o estômago bastante revirado com a história. Além, claro, do natural desânimo de vir do Brasil e um dia talvez voltar.

Wednesday, October 31, 2007

Je allons a appris!

Aí, né, que agora ninguém segura. Que eu fiz esse curso. Que é de marketing integrado e tem um monte de matemática em inglês e é difícil e o difícil é legal. Aí que eu estou com aquela síndrome de cérebro-maravilha e acho que posso tudo. Posso aprender tudo, posso e devo. Aí que eu quero tirar nota alta e fazer a lição de casa e ser a primeira a levantar a mão quando a professora (no caso CEO da empresa) pergunta. E aí que o curso acabou mas eu cismei que quero aprender a fazer os cálculos que não consegui. Aí que estou assim, com mania de aprender. Cheguei em casa e comecei meu curso básico de francês. Nous allons à Nice! Oui, nous allons à Nice. J’aime le soleil, la plage et belle et j’aime le vin!

Disparei. Fodeu. Au revoir.

Monday, October 29, 2007

kicking mood

Ando violenta. A culpa não é minha, mas dos filmes que tenho visto. Na semana passada vi Tropa de Elite. Nesse fim de semana, fui ao cinema ver Eastern Promises (não sei o nome em inglês e nem se já chegou no Brasil, mas se passa em Londres e é sobre a máfia russa que aqui vive).

Gostei muito dos dois. Gostei muito de Tropa de Elite. Se é fiel à realidade ou não, não sei. Se a intenção era ser fidedignou ou não, não sei. Gostei do filme como filme. O Wagner Moura tá, como sempre, muito bom. O enredo cativa e prende. Querendo ou não, o filme mostra um dos catch 22 mais intrínsecos e escrotos do Brasil atual: A classe média/alta que não agüenta mais violência é a mesma que consome drogas e alimenta o tráfico - que naturalmente gera violência.

O diretor é o mesmo de Ônibus 174. Para quem acha mesmo que Tropa de Elite glorifica o BOPE, vai ver o outro filme, este sim de tom jornalístico e compromissado com a verdade.

Eastern Promises, achei muito bom. Byrifoy achou que faltou aprofundar na questão, mas como eu nunca soube nada sobre máfia russa em Londres, a abordagem foi perfeita. 110 minutos que passam sem piscar.

Mas sobre eu andar violenta, não é nada novo. Aquela velha história de não suportar multidões. Estava andando pelo centro de Londres com Byrifoy sábado à noite. Mais de meia-noite e aquela multidão (bêbada) pelas ruas. Frio, tarde, porra, vão para casa! Um inferno, um inferno. Seduz-me e muito a idéia de passar um tempo no countryside. Por ora, pelo menos mais um mês há de se passar até que eu me aventure por Leicester Square e adjacências novamente. Amigos londrinos que lêem este blog, não me chamem para eventos no centrão. É sério, eu não vou. Não sou palhaça e não fico bêbada.

**

Fora isso, a vida tem cheirado a crisântemos. Estou novamente sentindo vontade de escrever, apesar de estar feliz (porque até agora as duas coisas pareciam inversamente proporcionais). E exatamente um ano se passou e continuo apaixonada. Para comemorar, levei Byrifoy para ver os Shaolin Monks lutando Kung Fu. Adorei o espetáculo. E adorei ver que o presente foi bem escolhido.

Wednesday, October 24, 2007

the bitter taste of trauma

Cheguei. Fiquei doente mesmo. Minha mãe foi embora. A vida voltou ao que era. De volta ao trabalho. Muito trabalho.

Praga é linda, mas cheia de contrastes. Se de um lado ainda dá para notar a influência soviética nos modos das pessoas (grooooossas bagarái), eles também caíram de boca no capitalismo, cobrando para uma mera mijada, para tirar fotos, para absolutamente tudo. Não vá para Praga sem dinheiro se você pretende ficar lá mais de um dia – ou está fadado a se entediar. Já com dinheiro, todas as portas se abrem e você descobre uma Praga maravilhosa.

E no começo consegui ignorar minha gripe, mas com o passar do tempo foi ficando mais difícil. Depois de um dia de muito frio em Terezín, cidade vizinha em que ficava um dos principais campos de concentração da então Tchecoslováquia, caí de cama para assim ficar até a hora de ir embora. Pelo menos consegui ver tudo o que queria. Faltou o que não queria mas que poderia me surpreender. Oh well, tenho que me dar por feliz. O hotel era confortável para abarcar uma hóspede deveras resmungona.

O tempo voou naquela cidade de brinquedo. Voltei meio com medo de voltar para alguma coisa que não sei bem o que é. No dia seguinte à minha chegada, não fui trabalhar porque ainda estava gripada. Mas sair para fazer compras no supermercado foi difícil, e não pela gripe. Sair foi difícil. Por algum motivo que não consigo entender, estava com medo de sair na rua. Vejam bem, entendo a sensação; não é a primeira vez. Não entendo apenas a razão. Medo de sair na rua e ter que desviar das pessoas que parecem correr na minha direção? Talvez. Mas não é só isso. Medo de ter esquecido, de ter enlouquecido mais um pouco. De não conseguir trabalhar com a eficiência com que tenho trabalhado. Acho que estou chegando mais perto. Tem a ver com a sensação que tenho toda vez que volto de viagem desde que a merda da Business Monitor fodeu com a minha cabeça quando saí de férias e, quando voltei, tive de enfrentar duas chefes medrosas que precisavam culpar alguém por não ter atingido uma meta que eu não tinha como atingir já que estava viajando.

Maybe I got to the bottom of it, maybe not. Escrever é bom. Quase, quase cheguei perto de começar a esquecer.

Mas enfim, estou de volta ao trabalho e meu chefe disse que a semana em que estive ausente passou sem sustos ou pendências, além de ter tido resultado de vendas bem favorável, para meu alívio e quentinho no coração.

Aquela Business Monitor realmente fodeu com a minha cabeça. Já faz três anos e cá estou, ainda sentindo o aperto no peito e o medo do mundo que eles me impingiram.

Wednesday, October 17, 2007

praga de Praga

OE de PRAGA.

Estou doente.

A cidade eh linda, mas estou doente.

O tempo estah lindo, mas estou doente.

Tudo eh lindo mas estou doente. Eh a primeira vez no ano que fico doente, e tem que ser quando venho pra Praga. Que praga...

Estou adorando. Mas meio que cuspindo sangue. E com dor de cabeca e talvez febre. Mas estou pensando em aplicar aquele meu golpe basico de fingir que nao eh comigo e sair mesmo assim. Ai se amanha estiver pior eu sossego. Eh isso. Soh sossego se piorar. Porra, cidade tao linda e eu de cama? Nao, nao.

Vou sair e soh volto antes da hora para o hotel se estiver muito, muito mal.

Wednesday, October 10, 2007

foca brega, arrogante, supimpa

Continuo sem tempo. Acho que não é mais um estado, e sim uma constante. Mas eu gosto de escrever no blog, mas eu canso às vezes. Mas eu gosto, eu gosto, preciso lembrar que eu gosto. De escrever e de ser lida.

Tá. As novidades. Não muitas. Quer dizer, sempre tem.

Minha mãe chega amanhã. Segunda-feira vamos para Praga por uma semana.

Continuo firme na minha proposta de cozinhar algo novo pelo menos uma vez por semana. Já fiz bolo de cenoura, strogonoff, chicken hot pot (não sei a tradução!) e macarrão ao forno. Até agora tudo deu certo, ou quase. Juro que estou tentando pegar gosto pelo negócio.

Ganhei um bônus pelos meus dois primeiros meses de árdua labuta no emprego novo. Sardinha pra foquinha. Não tô reclamando, não. Vai pagar boa parte dos meus gastos na Ilha da Madeira em dezembro. Sou nojenta ou não sou? Uma foquinha arrogante.

Logo mais Byrifoy e eu completamos um mês na casa nova. E mais um pouquinho completamos um ano juntos. Vou parar de escrever - altos riscos de breguice. Não se enganem though, a breguice está guardada aqui no meu peito e será bastante usada entre quatro paredes.

Supimpa. Minha vida está supimpa.

Monday, October 01, 2007

um pouco

Em resumo, porque continua foda.

- Minha avó morreu. Finalmente a velhinha descansa. Claro que fiquei triste.
- Mudei de casa já faz duas semanas. Estou amando a nova casa, a vizinhança e o novo “roommate”. Claro que estou feliz
- Fiz o primeiro bolo da minha vida. Bolo de cenoura. Ficou “muito bom”, segundo o roommate Byrifoy. “Melhor que o meu”, lembro-o dizer.
- Terminei um freela para o Observatório da Imprensa – um dos motivos da ausência no blog.
- Peguei outro freela de revisão – um dos motivos da minha ausência no blog nos dias vindouros.
- O trabalho vai bem. Trabalho muito mas estou gostando. E sendo reconhecida.
- Em menos de duas semanas binha bãe chega. Em duas semanas, vamos para Praga.
- Temos Wii em casa. E uma freeview box. Mais motivos para ausência.
- Ainda não temos internet – mas o vizinho tem, e, *poor thing*, deixa a rede aberta para parasitas como nós chupinharmos. Mas essa semana já devemos estar dentro da lei de novo, com nossa própria internet.

Friday, September 21, 2007

Injustificável, eu sei.

Mas then again, quem disse que preciso me justificar?

Thursday, September 06, 2007

a senha do inbox dele - ou o passaporte para a merda


Aí um dia eu tive a oportunidade de ver a senha dele. Ele tapou meus olhos, mas eu vi por entre seus dedos. E eu tentei não decorar mas não consegui. E daí fui dormir, e quando acordar quis ter esquecido, mas não esqueci.

A senha. A senha do email. Descobrir senha é hoje o que ouvir na extensão do telefone era há 20 anos e o que procurar marcas de batom, arranhões ou perfumes pouco familiares eram há 30.

E eu “sem querer” memorizei. E fiquei com aquela informação pesando. Eu poderia ler todos os emails dele. Eu poderia escarafunchar cada mensagem enviada, cada mensagem recebida. Eu podia. A Verdade vem dos emails. As maiores Verdades do século 21 foram descobertas fuxicando emails alheios. E justo eu, curiosa, curiosíssima, mas orgulhosa demais para perguntar qualquer coisa, com aquela maldita informação preciosa.

Hoje está tudo bem, mas vai que um dia me bate aquela insegurançazinha, aquele deseperinho, aquele vaziozinho tão mulherzinha? Aí posso recorrer ao poço da Verdade, o inbox dele. Sim, posso! Posso descobrir coisas e passar horas me divertindo ou me flagelando. Até inventar eu posso, sob o pretexto de poder inferir. E ele nunca vai saber.

Mas eu vou. Vou sempre saber. Vou sempre hesitar. Vou sempre desconfiar. Por mais que não queira. E odeio não poder controlar sentimentos tão reptícios. Odeio saber que eles vão estar sempre a espreita.

E num impulso de boa índole, de quem quer que as coisas realmente funcionem, falei assim que lembrei que não havia esquecido: “eu memorizei sua senha”. Ele só acreditou quando eu falei. Franziu a testa meio bravo, mas acho que foi puro reflexo. É chato se sentir desmascarado mesmo quando nada aconteceu. Foi uma desmascarização em potencial. Mas eu fiz o que era certo, o que era direito. E eu sei que no fundo fiz um gesto respeitoso e respeitável.

Ele mudou a senha e eu continuo confortavelmente longe do que nem meu é.

Porque é assim: relacionamento tem sempre milhares de pontos prontos para encrespar, milhares de começos de fins. É muito fácil se deixar seduzir – quem não faria a festa com a senha de email do amado? Mas há conseqüências. Sempre há. E eu não estou a fim de encrespar linhas tão lisas. Com orgulho eu afastei um dos muitos começos de fins que assombram os relacionamentos.

Fui daquele melhor tipo de medroso: o que tem medo de foder com o que está muito, muito bom.

Tuesday, September 04, 2007

filtros

Bem ela não está. Leucemia galopante (que termo, que termo). E quando eu perguntei inocentemente se eu ainda a veria, mamãe respondeu: imagino que não, mas eu entendi: óbvio que não. E aí doeu um pouquinho porque aquela história de que para sempre é tempo demais é clichê mas é verdade. De qualquer maneira, guardo uma foto dela no meu celular. E quando aperta eu dou zoom na foto, ora nos olhinhos quae fechados de tanta ruga, ora na boca cheia de linhas mas com um digno batom, ora na orelhinha que carregou tantos brincos, ora na cabecinha branca e cuidada por fora, desgastada por dentro. Minha vó. Ela ainda não se foi, mas já aperta a saudade e a garganta e o estômago. Afinal, é quase aritmético que não vou mais a ver.

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Contagem regressiva para minha mudança. É domingo, minha gente, é domingo!

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Sobre o post anterior, parem de perguntar, please. Se quisesse falar eu falava. Passou e não me abalou. Só na hora. Agora estou de novo inalterada no caminho que escolhi. Nunca acreditei em uruca anyway.

**

Semana agitada. Ontem fui ver a casa nova mais uma vez, eu e Byrifoy queríamos rever detalhes importantes. É, de fato, uma casa pequena. Terei que deixar coisas pelo caminho. Estou me desfazendo de tranqueiras com um sorriso de orelha a orelha. É bom precisar de menos.

Hoje depois do trabalho, talvez, vou encontrar a Carol, amiga da PUC que veio passar uma semana em Londres. Amanhã é dia de horas de papo com a amada Bobby. Faz ridículos meses que não nos vemos. Quinta eu queria já estar com o contrato da casa assinado, idealmente, para parar de panicar. Nada assinado e em teoria nos mudamos no domingo.

Sexta e sábado – empacotar, empacotar.

Domingo – mudar. E soltar uma grande e merecida bufada ao final do dia.

Thursday, August 30, 2007

sai, uruca!

E a saudade?

“Bia, a única novidade é a saudade. Principalmente saudade de vc nas travessias.
Vc estava nadando muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito...lembra! Prova de 10Km...não é
para qualquer um!”

Saudade do meu técnico brigando comigo. Quando ele manda um email como o acima dói ainda mais. Ele não é de elogiar o certo, ele é de xingar o errado. Assim fico ainda mais longe daquela realidade.

**

Talvez eu mude esse fim de semana, talvez não. Talvez eu vá acampar em Kent, talvez não. Consegui o microondas, vou buscar na sexta. Falta pouco para tudo mudar. Estou feliz.

**

Incrível como tem gente que simplesmente não suporta ver os outros felizes quando estão infelizes. Eu tive o azar de ter uma pessoa dessas tão próxima de mim. Mas fica um conselho: não rola. Já era. Desista. Não gaste sua pouca energia. Tô feliz e forte e além do ponto em que suas pequenices sejam capazes de estragar. É bem maior que você, a minha felicidade. No máximo solto umas fumacinhas de raiva e depois lembro do quanto estou bem, e do quanto você está fodida, e aí a raiva vira pena.

E de novo, de novo você perdeu. Porque se continuar querendo cultivar intrigas, você jamais vai sair da merda, e vai sempre perder, e as merdas que você cultiva hoje vão voltar para te afundar porque você ainda não aprendeu a superá-las, então está fadada a repeti-las. Você é meio burra. E você me cansou. Eu tentei ajudar, agora pouco me importa se a merda te tapa os olhos. Você já não me interessa. Por favor, fique longe de mim e do que é meu. Espalhe sua infelicidade e frustrações, suas faltas de orgasmos e sorrisos, com os pobres coitados que vão ter que te aturar. Eu só terei que agûentar esse veneno por pouco tempo.

Que pena que você virou esse monstro.

A verdade é que fui cabeça-dura – eu devia ter ouvido as pessoas ao meu redor.

Tuesday, August 28, 2007

empty sobbing

E cá estou, mais uma vez, tentando recuperar o tempo perdido. Não vou entrar em detalhes porque em detalhes só se entra quando se escreve todo dia, então não tenho mais esse direito, não agora.

O dia de me mudar para a casa nova parece galopar na minha direção. Eu acho ótimo. Quero mudar logo, me estabelecer logo e parar de, ridícula e injustamente, sentir saudade dele no meio da noite.

Esse fim de semana arrecadamos umas panelas ótimas. Acho que de principal só falta mesmo o microondas.

Ontem foi a festa de dissolução da casa do Byrifoy. Triste e feliz. Eu, bem mais feliz que triste. Mas, claro, vou sentir saudade de chegar lá com saudades. Tem nada não. Guardo as saudades para outras pessoas e situações. Não me faltam aparatos.

**

Minha vó tá mal. Não sei quão mal, mas na idade dela qualquer malzinho já assusta. Foi internada ontem no hospital. Fiquei sabendo no meio da festa na casa do Byrifoy. Estragou, confesso. Fui embora porque não tava mais sendo simpática. Aos que sentiram falta do meu beijinho de tchau (e lêem esse blog quase bissexto), ei-lo aqui, smack, e fiquem contentes.

Parece que ela melhorou um pouco hoje. Princípio de pneumonia nunca é bom. É tão ruim estar longe... Me sinto por fora, meio desolada, mas pelo menos não me sinto sozinha.

Saturday, August 18, 2007

oi

Calma. Não tá fácil arranjar tempo. Na verdade, verdade mesmo, falta inspiração. Como já disse, tem mais coisa acontecendo fora do que dentro, então, pela primeira vez em muito tempo, preciso cuidar de fora e o de dentro vai ter que esperar.

Os highlights são os seguintes:

* Byrifoy e eu achamos casa. Vamos morar em Pimlico, bairro ótimo e central. Mudamos dia 9 no máximo. Não vejo a hora.

* O trabalho novo é bem legal. Bem mais puxado, o que acho ótimo. Ainda não me entrosei muito com o pessoal, mas aqui é assim mesmo. Até te chamarem pra tomar um café em casa pode contar pelo menos um ano.

* Estou pensando em passar esse fim de ano aqui e ir pro Brasil só no começo do ano que vem. A ver.

* Adoro sábado de manhã.

Friday, August 10, 2007

home and away

Tá. Eu sei que bati o recorde. Foda-se. Não tenho tido tempo e nem vontade de escrever. Talvez porque esteja num dos raros momentos em que tem mais coisa acontecendo fora do que dentro de mim.

Trabalho novo. Estou me assentando aos poucos. Curtindo. Ainda sou aquela menina nova, sem amigos, estrangeira, mas foda-se. Sempre foi assim e nunca foi um problema. O trabalho em si está bem legal. Bem mais que o antigo. Claro que o antigo era cheio de pessoas que eu conhecia e de quem gostava. Mas é uma questão de tempo, I know. Aqui, ainda mais que no Brasil, amizade leva muito tempo. E mesmo assim, depois de anos, a intimidade ainda é superficial. Ou é brasileiro que é muito intrometido. Ou um pouco de cada, o que é mais sensato.

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Vou mudar de casa. Resolvemos nas últimas semanas. E “resolvemos” não envolve minhas flatmates, e sim eu e o Byrifoy. Resolvemos tentar morar juntos. Haha, coitado.

Brincadeira.

Sou muito legal e cordata.
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Estamos naquela insanidade de ver casas, ver termos, pensar em todas as possibilidades e limitações, e lá vou eu para minha sétima residência em Londres.

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No mais, o sol brilha e minha mente está quieta sob o cafuné doce da Fluoxetina, minha amante preferida – eu vou embora e ela me recebe de braços abertos quando volto.

Esse fim de semana, além de ver casas, vou ciceronear a Déa, que vem de Paris cheia de bicos passar o fim de semana comigo. A primeira vez que a vejo em mais de três anos. O tempo muda de significado quando se mora fora do Brasil. Ficar sem ver alguém por três anos equivale a três meses quando se está perto. Pensando assim, pelo menos, minha vida fica menos absurda.

E chega. Acho que enferrujei.

Sunday, July 29, 2007

let me be me

Rápido que realmente a vida anda corrida. Se eu não corer também sou engolida. Voltei de Berlim e Amsterdã. Minha irmã voltou pro Brasil. Eu voltei para minha vida aqui. Amanhã começa o trabalho novo e é por isso que está tudo igual e tudo diferente ao mesmo tempo. Diferente, nem preciso explicar; igual, nem preciso explicar.

Ansiosa pra porra. Fluoxetinada novamente, mas ainda assim ansiosa. Levando susto com penas que caem pelo ar na minha frente. Me coçando sem ter coceira. Comendo unha e respirando daquele jeito que algumas pessoas reconhecem já de longe (né, mirrrrmã?).

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E ando apaixonada. Minha paixão vem em ciclos, mas cada vez que ela aperta mais, ela fica mais madura e evolui, evolui. E eu me sinto uma menina com coração de senhora e depois de segundos me sinto senhora com coração de menina. Só não me sinto e sou a mesma coisa. Nunca fui dessas de fazer sentido, nunca vou ser, você nunca vai imaginar exatamente o que se passa na minha cabeça e nem qual a frase seguinte que vou falar. Mas hoje, hoje você soube exatamente quando me abraçar, e me fazer carinho com o pé, e me dizer que está tudo bem, que vai dar tudo certo, e que de uma certa forma, só minha, eu sei ser adorável. E isso bastou. Minha ansiedade continua altíssima, mas agora disputa espaço com meu amor. Um amor que me surpreende todo dia. Eu, de todas as pessoas. Eu, que nunca soube o que era a vida sem ironia. Eu, que nunca sorria meu sorriso mais verdadeiro para homem algum que não fosse meu pai.

Brigada, meu amor.

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Amei Berlim, amei Amsterdã, acho que ouso dizer para desespero e indignação de alguns que gostei mais de Berlim que de Amsterdã. Mas talvez isso seja porque peguei tempo bom em Berlim, e porque lá tem mais coisa pra fazer, e porque tenha muito turista em Amsterdã, e muita turminha de jovens maconheiros querendo pegar mulher. Nada mais enervante, como bem sabem.

Quem sabe um dia desses eu conto como foi a saga da ida no aeroporto. Nunca fiquei tão perto de perder um vôo em toda a minha vida. Mas agora não. Tenho que descansar, relaxar, adormecer docemente porque amanhã será um dia cheio de emoções para esse coração idiota que ainda acelera pelas causas erradas.

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Ouvindo Nina, sempre Nina. Ultimamente como um mantra. Let it be me.

Saturday, July 21, 2007

rapidao

De Berlin. Isso aqui eh foda. Indo pra Amsterdam amanha. ACM morreu e eu quero comemorar. Brasil eh um teco mais leve a partir de hoje. Saudade, como sempre, porque saudade eh sempre metade. Mas adorando. Vendo o tempo voar. Cai da bicicleta duas veyes. A primeira foi culpa da minha irma, que jogou o pneu da bicilceta dela na minha frente. "Parabens, Joana, demorou mas voce conseguiu!", disse eu ainda no chao. A segunda foi culpa minha mesmo. Mas nada demais, nada dramatico. Aquelas quedinhas paradas de quem nao alcanca o chao, sabe? Nao machuca nada alem do ego (porque sao quedas pateticas e lentas, muito lentas, sempre).

Ansiosa para comecar o novo trabalho, mas querendo que as ferias durem meses. Calor. Voltei a tomar a Fluoxetina porque nao tava dando. Mas eu tentei. E foi dificil mas reconheci que tive que voltar. Isso eh ainda mais dificil do que parar de tomar, acreditem. E chega, porque devidamente medicada tenho sono na hora certa e sorrio nas horas de sorrir e sinto frio e calor na medida certa. Sou equilibrada e nao lato para pessoas na rua. Me amo um pouquinho mais que na semana passada, quando ainda nao tinha voltado a tomar remedio.

E eh isso. La se vao 100 euros no trem de amanha. Ha que valer a pena. Fluoxetina, hurray!

Wednesday, July 11, 2007

spinning

Fim de semana foda, muito foda. Foda mesmo. Desculpem, mas foi muito bom. Interiormente bom.

Sexta fui pra Brixton, num café com música brasileira ao vivo que fica dentro de um cinema, o Ritzy. Fomos eu, Tania – a pankeka louca –, o Dani e a irmã dele.

De lá fomos para um outro lugar cujo nome me escapa. Fiquei pouco porque queria ver meu Byrifoy. Cheguei lá, recebi jantar e carinho e dormi no meio de Animals, stand-up comedy do Ricky Gervais que, pelos cinco minutos iniciais, parecia ótima. Mais uma vez, culpa do travesseiro, que vem com um delicioso cafuné embutido.

Sábado, dia lindo. Sol. Me and ma’boy pegamos nossas bikes (bom, ele pegou a do Bruno) e fomos até Battersea Park. Sentamos num banquinho e ficamos vendo a pagoda budista e o Tâmisa e um ao outro, e falamos do futuro e de sonhos e de loucuras que estávamos ou não dispostos a fazer. Eu poderia estar ali com vinte ou 80 anos. Teria sido bom em qualquer época. Voltamos para a casa do Byrifoy para pegar a moto e ir almoçar no Nando’s, uma cadeia de restaurantes portuguesa que faz, entre outras coisas, frangos. Bons frangos.

Domingo teve almoço na casa do uncle John. Byrifoy foi conhecer um pedacinho da minha família inglesa. Foi uma delícia. Matei saudade do meu tio, da Biggles e da outrora dona Bruxa, que agora está um doce, confortavelmente longe de mim.

Voltamos para casa, assistimos mais um filme, Lady in the Water, que eu já tinha visto no cinema mas achava que não. Minha cara.

E aí chegou a segunda. Não fui trabalhar - inventei que estava doente - para pegar minha irmã no aeroporto.

Aí depois eu conto.

Thursday, July 05, 2007

free and cycling

Tá. Vamos lá.

Final de semana em Bristol foi muito bom. Mas não de todo proveitoso, na minha humirde. Não sei se porque o tempo estava uma bosta ou se porque nossos anfitriões não estavam muito a fim de fazer programas de turista, ou se porque realmente não há muito o que fazer em Bristol.

E Bath, poxa, Bath. Vou ter que voltar porque não valeu. Quer dizer, claro que valeu, fui no SPA termal com o Byrifoy e Broo+Ma e foi um tanto idílico. Piscinas aquecidas no teto do SPA (veja foto ao lado), vista para o bucólico e medieval. Mas faltou ver a cidade. Ver e andar. Queria ter visto os banhos romanos, as ruínas, a cidadezinha em si, o rio se tem rio, o castelo se tem castelo, os detalhes que sempre têm. Enfim, fui a Bath mas não fui. Na verdade fui ao SPA de Bath e só. Valeu cada minuto e cada centavo. Mas preciso voltar.

E dormi mal, como um todo.

Mas mesmo assim valeu. Viagens em condições adversas com pessoas, er, desadversas não têm como dar errado.

Resumão: chegamos sexta de noitinha, fomos para a night de Bristol. Tem muitos lugares pra se sair à noite em Bristol porque a cidade tem acho que duas universidades grandes. Fomos ali para a beira do rio, onde tem uma congregação de baladas e, naturalmente, bêbados, gente brigando etc etc. Byrifoy e eu resolvemos jantar num restaurante que é um barco no rio. Adoramos. Íamos para a balada X mas não rolou porque era gay e custava £5, fomos para a balada Y e não entramos porque o Ma brigou com o segurança da porta e porque também custava £5. Quando chegamos na balada W eu já estava bem cansada e o lugar era lotado e não pagava nada para entrar. E eu não entraria nem que para tal me pagassem. Voltamos para casa. Sabadão, íamos passear mas só chovia, só chovia, e ninguém se animou muito (acho que só eu, mas como não teria nenhum cúmplice, desencanei). Só saímos de casa lá pelas 3 da tarde para ir num churrasco que foi legal mas, again, durou tempo demais – pelo menos para um churrasco em que você não conhece ninguém a não ser seu namorado. Chegamos em casa de madrugada. Capotamos. Dia seguinte, manhã completamente perdida, tarde no SPA como já contei, e volta para Londres.

Fim de semana gostoso, sim, mas mais uma vez constatei: gente, como Londres é abençoada! Happy to be here.

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Outro resumão, agora do que se passou durante uma hora no fim da tarde da última quinta-feira:

- chego em Vauxhall, estação de trem em que desço para pegar minha bicicleta e pedalar até minha casa, e constato com aquela cara idiota que minha bicicleta foi roubadda. Queria entender como já que o lock que eu uso era considerado ultra-super-max-hiper-platinum-secure. Enfim, foi-se a magrela de que eu nem gostava tanto.

- saindo de Vauxhall (a pé, claro), um cara na rua empurrando/batendo numa mulher e gritando: “Eu sofri abusos quando tiha seis anos, você está entendendo???”. Ai, mundo. Fiquei ali parada, querendo fazer algo porque o cara estava descontrolado. Ia chamar a polícia quando ele virou as costas para ela e ela então correu atrás dele. Aí achei que o assunto não era mais da minha conta. Mesmo assim, avisei o guardinha da estação que um cara “agressivo” estava agredindo uma mulher na rua.

- chego em casa, uma pessoa oferece uma bicicleta no Freecycle. Mando email contanto que a minha acaba de ser roubada. A pessoa então me responde que não só me dará a bicicleta como virá entregar em casa (!!!) junto com uma caixa de potinhos de geléia (???) – eu sei, não perguntem, eu também não sei.

- falo com a Cá, que acabou de dar à luz a Manu. Aquela vozinha tão familiar, carregada de emoção. Eu já tava mole, amoleci de vez.

- me despeço da Carol, flatmate queridíssima, que está deixando a Graceland e Londres e Inglaterra para passar três meses na França.

Tudo isso em uma hora. Não sou eu que sou estranha com emoções. São as emoções que acontecem todas desproporcional e desconcatenadamente na minha vida.

By the way, a bicicleta é velhinha e provavelmente não vou usar. Ontem comprei minha bicicleta nova. Vou manter a velhinha pra minha irmã usar enquanto estiver aqui, se ela quiser. Depois disso, está up for grabs. Quem quiser um bike velhinha e básica mas funcionando, põe o dedo aqui que já vai fechar.

Minha bicicleta nova é essa aqui, ó:



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Momento de grandes definições na minha cabeça. Friozinho no peito, quentinho no coração. Antíteses sinestésicas, que é para eu testar se essa história de pânico realmente não existe mais.

Ah! Parei a fluoxetina. De vez.

Thursday, June 28, 2007

obsessões do Bem

Agora vou falar um pouco das minhas últimas obsessões. Uma delas se chama Freecycle. Freecycle é uma rede de listas de discussão. Você entra na sua lista local e enconta milhares de pessoas querendo se livrar de coisas, outras querendo, outras levando o que é oferecido, outras dando o que é pedido. E é lindo. Posso dizer com a maior sinceridade que dar é tão bom quanto receber. Estou me desfazendo de coisas que não uso e sei que vão para pessoas que realmente precisam e darão alguma utilidade. Por outro lado, já fui premiada com algumas doações ótimas. Coisas que eu compraria e que me foram dadas, tipo um aquecedor elétrico, um ferro de passar, um colchão de ar para visitar (né Djones?).

Eu recomendo, muito, para quem quer se livrar ou para quem precisa de algo e tá sem grana. Freecycle.org. Tem no mundo inteiro, mas no Brasil ainda é pequeno. Acho que só tem no Rio, Sampa e, se não me engano, Porto Alegre. De qualquer forma, vale a pena entrar no grupo, ler as instruções, e reciclar de graça.

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Pronto, passando o discursinho Madre Teresa (mas levem a sério, Freecycle é mó legal e vira uma obsessãozinha do bem), outra obsessão é o meu joelho, que dói mais a cada semana.

Not much I can do. Já fui em medico, fisioterapeuta, o escambau e a resposta é sempre a mesma, que eu preciso fazer Pilates e/ou RPG. Quem sabe seja hora de então fazer Pilates de fato. Largar a mão de ser teimosa.

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Ontem fui ver o show do David Cross. Quem não o conhece, entre no Youtube e digite David Cross. E abra qualquer vídeo que aparecer. Ele é ótimo. A melhor stand-up comedy desde Seinfeld. Aliás, melhor ainda, vou facilitar. Vejam o vídeo abaixo.



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Amanhã vou pra Bristol, visitar a Broo e o Má e passear com o Byrifoy. Domingo devemos passar o dia em Bath. A previsão? Oras, chuva, é claro. Mas não tô nem aí. Vai ser bom com sol ou chuva.

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Estou prestes a adquirir minha bicicleta nova. A ver.

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Post informativo, quase dissertativo, para compensar a molengueza do anterior (interior?)

Tenho esta irradiante. Estranho isso, logo quando resolvi parar de tomar a fabulosa Fluoxetina.

Monday, June 25, 2007

Manuela

Ela chegou. Meu coração partiu em mil porque eu queria estar lá. Ela chegou e o mundo fiocu um pouquinho menos difícil. Ela trouxe inocência e delicadeza. Como eu sei? Eu não sei. Eu só sinto. Eu queria saber depois de ver, de tocar. Mas talvez não precise. Talvez essa sensação de formigamento no coração seja suficiente. A pequena e abençoada Manuela chegou.

E eu chorei no trabalho vendo as fotos. Quase todas as fotos desfocadas. Quem é que consegue segurar direito uma câmera numa hora dessas? Se fosse focada seria mentirosa. Bem-vinda, Manu, ao primeiro dia da sua vida.

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Essa semana vou ver a standup comedy do David Cross. Vocês não conhecem? Não creio. Se conhecessem, estariam com vontadinha de ir também.

E fim de semana que vem vou com Byrifoy para Bristol e Bath, visitar a Bru e o Ma e tomar um banho nos spas medievais.

Ah, life is good.

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Fim de semana fui meia.
Se não fosse uma outra metade teria sido meia-boca.
Se fosse sozinha seria um copo meio-vazio.
Sendo como foi, fui meia complementada com outra metadinha.
Adorei cada riso e bocejo.
Mesmo quando estava minutos sozinha com a chuva correndo pela janela.
Tédio dividido é meio tédio.
Alegria dividida é dupla alegria.
É quase matematicamente possível ser feliz (quando já se está feliz).

Wednesday, June 20, 2007

bailarina


Tenho congelado no trabalho. O ar condicionado aqui é muito forte. Sei que no alto verão vai ser pecado reclamar. Mas sempre fui um tantinho pecadora. E reclamona.

Mas é sério. Estou com o XALE de uma amiga. Imaginem a cena... Havaianas e XALE. Tá buniiiiito, minha gente. Ê Brasilzão.

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Como estou num momento resgate, tenho tentado falar com queridos no Brasil. Ontem foi a vez da Djones via Skype. Se tudo der certo, ela vem de BsAs pra Europa e, enquanto estiver em Londres com a irmã, ficará hospedada lá em casa. Uma farra.

Depois liguei pra Milão, minha amiga de tantos anos (quase dez, quase dez, como voa!) que está para ter bebê a qualquer momento. Falei com a secretária eletrônica mas hoje recebi um email lindo dela. Vou tentar ligar de novo.

A próxima da fila (em nenhuma ordem específica, sem chiliques!) é a Frubinha, que já me alertou para possíveis novidades piscáveis. Aguarde meu telefonema, viu, sapequinha bolinho-de-carne?

O resto dos meus amigos? Então. Tenho um monte. Muitos dos quais gostaria de ligar também. Mas muitos dos quais não parecem interessados! Então, não há santo que faça milagres, também acabo perdendo interesse. Mas esses amigos sabem quem são, sabem onde me achar, sabem que vou adorar um contatinho e que vou buscar ao máximo não vomitar punições por terem sumido.

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Ontem conheci um dos melhores amigos do Byrifoy, o Tonhão. Ele e a esposa vieram passar a lua-de-mel na Europa e passaram por Londres para ir ao show do Ozzy Osbourne, que foi ontem.

E, sou boba mesmo, é uma delícia entrar assim, aos pouquinhos, na vida do loiro. I’m absolutely loving it. Talvez por isso falte a inspiração. Cadê todo o peso do mundo para eu poder amaldiçoar? Eu não sei.

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Ainda sonho com o dia de acordar e dar de cara com uma declaração de amor. Não eterno, porque há que ser real. Amor de hoje. Amor de muita carne e pouca alma. Amor de alma sem fantasias. Amor entendível, agarrável, perdível, fotografável.

Mas não é assim que funciona. Não existem declarações pedidas.

Vou continuar dançando mesmo sem música.

Monday, June 18, 2007

never quite as it seems

Sexta fui no show da Dolores O’Riordan – para os desavisados, a vocalista do Cranberries; para os perdidos, Cranberries é (era) uma banda irlandesa de rock que foi sucesso nos anos 90. Gente, eu não dava muito. Gosto de Cranberries mas nunca fui alucinada. Fui mais para acompanhar o Byrifoy e perder o medo de shows. Gente, eu adorei. Mesmo. A ponto de agora achar que posso encarar qualquer show (o que sei que não é verdade). Mas foi bom. Quase mágico. Comecei a acreditar em shows, e a não achar um absurdo gastar centenas de reais e/ou libras para sentir a vibração ao vivo (me segurando para não usar a palavra “vibe”, da série palavras-que-odeio).

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Depois de anos sem contato, uma feliz ocorrência. Um email dela que já foi uma grande amiga e que sumiu sem grandes explicações, apesar da minha nem tão assídua insistência. Um desses pequenos afastamentos que vão aumentando sem percebermos até que entrar em contato de novo não faça mas sentido. Mas ela entrou em contato e sentido nunca foi uma palavra forte no meu dicionário. Agora, depois de anos de silêncio, vamos nos encontrar. Talvez em Paris, onde ela vai passar um mês. Talvez aqui em Londres. Talvez, melhor de tudo, em algum outro lugar, onde nenhuma de nós se sinta em casa – a melhor forma de reatar uma amizade quase perdida.

Em agosto, a confirmar.

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Olha só, eu tô tentando ser menos mimada. Eu vou continuar tentando. Pode não funcionar muito, mas você vai ver, estou tentando! É que na verdade sou mimada por mim mesma. Coloco a expectativa no mesmo patamar que colocaria se fosse você em relação a mim. E aí cruzando os dados dá uma grande baderna sem sentido. Ah, mas isso você já sabe. De novo, o sentido. De novo, o estranho sentido.

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Olha, gente, eu não mordo, viu? Quem quiser falar comigo, elogiar o blog ou meu cabelo, pode vir. Eu vou achar legal (embora não acredite na parte do cabelo)

Thursday, June 14, 2007

a faxineira

Eram quase seis e eu já estava atrasada. Tinha que estar às 7pm em Wandsworth Town para assistir a uma palestra. Fui ao banheiro e, ao sair, dou de cara com uma das faxineiras do escritório. Ela não olhou para mim, só eu para ela. Novamente, não foi a cara, não foi nada que ela falou (ela não abriu a boca), mas o jeito de pegar o papel-toalha, de enfiar os braços cruzados por dentro do avental, de lavar as mãos com a planta de um dos pés recostada sobre a lateral da outra perna. Não tive dúvidas e, mesmo atrasada para pegar meu trem, tive que perguntar.

E novamente, era brasileira. Novamente aquele sorriso escancarado que me faz sentir erroneamente especial por também ser brasileira e *entender*, mesmo que nossas vidas sejam completamente diferentes. Mesmo que meu dia-a-dia tenha mais a ver com o de uma inglesa nowadays.

Mora aqui há três anos, como eu. Aliás, três anos exatos HOJE. Veio por causa da irmã. Casou com um português. Mora em Surbiton, uma região muito boa no Surrey. Trabalha de faxineira, vai de carro a todo lugar. Não me pareceu envergonhada por isso. Carioca, graduada e faxineira. Ela realmente não ligava.

Me senti pequena por ter um dia ligado de confessar que apesar de toda a minha formação, toda a minha bagagem intelectual, eu por um tempo virei salva-vidas. Eu tinha vergonha, claro. Salva-vidas não faz nada. Fica o dia inteiro sentado na cadeira olhando os outros se divertirem, vez ou outra apitando para quem se divertia inadvertidamente atrapalhando os outros. E quando não estava na piscina, estava limpando banheiros, espelhos, passando aspirador de pó na recepção, contando band-aids nas caixas de primeiros-socorros.

Mas voltando à moça, Monica, ela não quer voltar. Ela fala português com sotaque de Portugal. Ela bufou de saco-cheio quando disse que os ingleses do escritório vivem tentando cantá-la. Ela bufou, mas não desgosta. Ela bufou sorrindo.

Descrevi para ela onde no escritório fica a minha escrivaninha. E no mesmo momento me perguntei por que fui dizer isso. Que diferença faz? Talvez eu tenha pensado, num flash, que minha mesa pudesse ser uma ilhota de refúgio. Saber que uma brasileira senta ali poderia trazer qualquer coisa de familiar para um escritório tão vazio, sem rostos, apenas um ou outro zumbido de hardware que não foi desligado.

Me arrependi de falar onde sento. Achei que ela pudesse achar arrogância, já que tenho um so-called “proper job”. Aí pensei novamente que não é porque a mulher é faxineira que preciso ser cheia de dedos e cuidados, achando que sua profissão a faz mais sensível, mais suscetível a enxergar ofensas onde não há. Prepotência minha. Ela estava tranqüila. Ela nem devia desconfiar de metade do que se passava na minha cabeça estranha. Se soubesse, claro, me acharia uma louca varrida.

“Bom”, ela disse, “melhor eu agilizar aqui”. Claro, claro, eu disse. E pensei que fazia tempo desde a última vez que alguém terminou a conversa por mim. Geralmente eu termino, por falta de interesse, por falta de tempo, por falta do que falar.

Peguei o telefone dela para dar para alguém que esteja precisando de faxineira. Ela disse que adorou conversar comigo. Abriu mais um daqueles sorrisos bem brasileiros, de rir com boca, olhos, nariz e quase orelha, e antes de eu virar as costas perguntou: “Onde mesmo fica sua escrivaninha?”

Wednesday, June 13, 2007

no caso, senhor

Novo link na minha barra à esquerda.
Nocaso.org.
O site é formado por cabecinhas boas, a maioria vivendo aqui em Londres. Um dessas cabecinhas, por sinal, é loira com raízes escuras, e byrifoy.
Todo mundo lá.
Eu, por exemplo, estou sempre metendo o bedelho.
Um dia, quem sabe, estarei lá como colaboradora.
Enquanto isso atuo de PR e tendo difundir site e autores. Nas horas bem vagas(bundas).

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Ganhei um livro lindo de Dia dos Namorados. Afobada que sou e desconfortável em ganhar presentes, nem vi que tinha dedicatória.

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Ontem assisti a Notes On a Scandal. Adorei. A mulher lá, a velhota – esqueci o nome, preguiça de pesquisar, alguém que assistiu, help, plis – está espetacular como protagonista. Vale a pena ver. Babái, você vai adorar. Ao contrário do que eu pensava, não é baseado numa história real. Ainda assim, poderia bem ser.



*ah, sim, no momento em que pesquisava a imagem para colocar aqui, vi o nome da velhota. É a ótima Judi Dench.

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Arrombaram o escritório da binha bãe. Levaram um par de óculos que lhe custou 20 reais. Sério. De um escritório todo levaram só isso. Ladrões burros, incompetentes.

Arrombaram escritórios vários distribuídos em quatro andares do prédio. Levaram laptops, dinheiro, enfim. Foi uma gangue. Entre 6 e 8 infelizes.

E ainda me perguntam por que eu cansei do Brasil.

Na real, moro num dos bairros mais violentos de Londres e ainda sim estou mais segura aqui do que no Itaim Bibi, bairro em que cresci em São Paulo – o mesmo onde fica o escritório de binha bãe.

Tuesday, June 12, 2007

esmalte

Agora resolvi ser mocinha. Não sei quanto tempo vai durar. Mas comprei um kit manicure. Juro. É verdade. Meu primeiro kit manicure ever. Comprei lixa decente, acetona, base, esmalte. Aí ontem, quando fui fazer minha própria mão, lembrei que esqueci de algumas coisas, como aquela pazinha de empurrar cutícula. Também não quis me preocupar muito com cutículas. Nada de água quente, de empurrar, de tirar. Acho que estava ansiosa para pôr o esmalte logo. Ficou bom. Amador, mas bom. Vamos ver se dura.

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Hoje tenho minha segunda aula de introdução ao Budismo. Looking forward to.

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Menos de um mês pro meu furacão ruivo assolar terras britânicas. Pouco mais de um mês para sair do meu trabalho. Que ridículo, quanto mais perto fica de eu sair, mais começo a gostar do meu trabalho. Deveria ser o contrário, não?

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Ontem terminei, em meio a muitas lágrimas, The Time Travaller’s Wife. Puta merda, que livro, que livro. Escrito com o estômago e a cabeça ao mesmo tempo – coisa que não sei fazer ainda, só escrevo com o estômago. Recomendo muito. Empresto o meu depois que o Byrifoy ler. 500 e poucas páginas que parecem cento e algumas. De novo, recomendo muito.

Sunday, June 10, 2007

I want to be a good woman

Um fim de semana delicioso, apesar dos nãos da vida, tive sins que compensaram. De verdade. Vários pequenos sins (do plural de sim) compensando um Grande Não. Não achei que isso fosse possível - vários e simples e pequenos sins obnubilando um dos maiores nãos da minha pequena e fútil história -, mas é. Me senti tão leve, tão leve. Até quase me esqueci de chorar e, quando lembrei, era tarde demais, a vontade já tinha passado.

Culpa sua, que faz tudo com tanto cuidado e que sabe me fazer sorrir quando me debato no que deveria ser o mais ardido dos espinhos.

No final, como sempre, o medo é pior do que seu motivo.

Não preciso fazer muita coisa para que você esteja certo, ou faça o certo. Ao contrário de mim, você não precisa fazer muita força para fazer o bem.

De qualquer forma, vou estar aqui, cuidando, não demais, para não te irritar; mas o suficiente para me fazer quase necessária.

I want for you to be a good man.

Thursday, June 07, 2007

almost out of drugs

Tava lendo no Guardian uma notícia que mais soa como piada. Vocês sabiam que no Irã neguinho precisa se registrar junto ao governo para ter um blog? É simples: você dá seu username E senha para o governo e pronto! O que acontece se você se recusar a dar sua senha? Seu blog será filtrado/bloqueado de acesso para pessoas no Irã e até fora do país.

Matéria inteira aqui:

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Resolvi diminuir a fluoxetina. Por conta própria. Por quê? Porque cansei, oras.

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Acabo de voltar de uma reunião. Me pergunto se foi realmente boa idéia ter baixado a Fluoxetina.

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Ontem vi Ask the Dust. Adorei. Uma surpresa mesmo, já que sou apaixonada pelo livro homônimo e é difícil acontecer de eu gostar do filme. Assistam. Antes, claro, leiam o livro.

Wednesday, June 06, 2007

efemeridades

Não era para ter lido. Não era.

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A primeira aula de introdução ao Budismo foi bacana. Classe pequena e um professor para lá de fofo, como a maioria dos budistas que conheço. “Nosso curso vai começar sempre às 6:32pm”, ele disse. “Por alguma razão todo mundo sempre chega às 6:32pm quando marco às 6:30pm”. Primeira aula foi básica. Ele explicou alguns termos usados na tradição budista, alguns preceitos básicos – a maioria eu já sabia, mas é sempre bom reiterar – e algumas das diferenças entre as diversas vertentes budistas.

Ele explicou que no Budismo não há Deus. E que não há alma, ou “self”. Que não há nada que esteja realmente estagnado. E eu percebi o quanto é difícil para nós ocidentais assimilarmos realmente alguns desses conceitos básicos (como o de reencarnação em animais), porque fomos criados para assimilarmos outras coisas. Aí parece que algumas coisas da cultura oriental são piada. Nós, ocidentais, é que sabemos da verdade. Que há céu, e inferno, e purgatório, e pecados, e dízimos, e muito mais que não sei citar porque realmente desconheço.

Terça que vem tem mais.

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Assinei o contrato e mandei. Pronto.

Aqui no trabalho todos já sabem. Recebi mensagens muito amadas. O editor de quem mais gosto e com quem tenho que trabalhar diariamente, foi o mais querido. Disse que fazia anos que a companhia não tinha um “marketeer” como eu. Achei estranho ser chamada de marketeer. Outra editora me disse “you are not allowed to leave!”

Enfim, feliz e triste. Vou sair à brasileira, fazendo alarde e, se se fizer necessário, chororô.

Monday, June 04, 2007

muito do mesmo

Não me entendo. Uma hora resolvo que a vida é boa e quero achar emprego na área editorial. Hoje, mesmo com um emprego novo e mais promissor nas mãos, me pego no site da Catho procurando vagas de marketing no Brasil. Por nenhum motivo específico. Não quero voltar e, se voltar, não acho que vá trabalhar com marketing. Não me entendo, mas também, não me reprimo. Quem sabe mais pra frente tudo vá fazer sentido.
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Hoje entreguei minha carta de demissão.

*Alívio*

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Fim de semana perfeito, para compensar o tédio do anterior. A bagunça começou na sexta, com jogo do Brasil e Inglaterra na TdM. Convidados seletos, tudo como planejado. Foi ótimo. De lá, fomos bater um GBK, o melhor hamburguer de Londres.

Sábado acordei relativamente cedo. Fui para o parque na frente de casa, tomar sol e ler. Saí quando a pirralhada começou a jogar futebol do lado e tive ímpetos satânicos de furar a bola big time se ela caísse mais uma vez perto de mim.

Fui encontrar meus ex-flatmates Izac e Diego no Borough Market. Eu e minha bike, minha bike e eu. Foi uma delícia, o dia estava perfeito (talvez até um pouco quente demais). Chegando lá o Raí e sua PANCINHA DE CHOPP davam o ar da graça. Sério, o Raí, jogador de futebol, pancinha. Acho que ele pode, néam?

Papo vai, papo vem, monto na bike e vou para a casa do Byrifoy. Vamos para o kennington Park onde – nem sei como explicar – ficamos atirando bolinhas uns nos outros (eu, Byrifoy e Bruno).

Chego em casa, tomo banho e Byrifoy passa para me pegar de moto. Queimo a perna no escapamento, olá queimadura, olá bolha, bem vindas. Vamos para um bar chamado Escape que fica em Herne Hill, pra lá de Brixton. Era lançamento da marca de roupas da Tânia e o Byrifoy foi modelo.

Dia seguinte fomos com Bruno na escola de aviação dele. Programa diferente. Na pqp. Estação de debden, zona 6, já em Essex. Foi legal. Só tava muito quente. Estendemos uma canga e eu dormi sobre pedregulhos. Nunca fui assim, não sei o que me deu. Deve ter sido a alta qualidade do travesseiro.

De lá fomos direto para o oeste de Londres, churrasco do Renato em Earl’s Court. Fiquei com um pouquinho de saudade de morar no oeste. Mas logo passou.

Terminei o fim de semana tentando entender porque este foi tão bom e o anterior tão ruim. Concluí que a culpa não é do fim de semana. E nem tanto do clima quanto eu pensava. Eu até sei a resposta, mas não consigo prová-la. Eu chego lá.

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A meta de hoje é passar no South Bank Gym Club. É do lado de casa e, teoricamente, barato. Voltar a me mexer.

Amanhã devo ir à minha primeira aula de Introdução ao Budismo.

O que estou tentando fazer: Ressuscitar paixões, despertar outras. Algo que me faça gritar de vontade. Ultimamente tem havido pessoas que me fazem ficar assim, mas não atividades, lugares, coisas. Claro que é melhor desse jeito, mas porque não ter de tudo? Meu mundo precisa de mais descobertas, paixões, vontade de revirar, de saber mais, de sonhar de noite com assuntos sobre os quais não paro de pensar de dia, de me devotar, me obcecar. Sou assim.

Friday, June 01, 2007

vrum

Daqui a pouco vou falar com meu chefe.

MEDA PÂNICA HORRORA DESESPERA SOCORRA.

Não vai doer, mas bom também, não pé. Vou dizer que me foi feita a oferta de um outro trabalho, no estilo mais prolixo e cheio de dedos inglês. Do tipo, me foi oferecido um emprego, não tenho culpa, sou agente da passiva.

Por enquanto mandei um email rapidinho, dizendo que quando ele tiver “a mo”, vir falar comigo. Ele já deve saber. Ele já estava antenado. Não vai doer, ele vai facilitar as coisas.
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Falei. Pronto. E como num passe de mágica, o escritório todo já sabe. Não sei como eles fazem isso. Mas isso é o menos importante. Meu último dia aqui é dia 17 de julho. Meu primeiro dia lá é dia 30. Isso mesmo. Férias de quase duas semanas para a princesa aqui. Mais do que merecido, mais do que eu esperava. Porque sempre espero menos, anyway.

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Ontem fui jantar num restaurante coreano com Byrifoy e mais um casal de amigos. Foi a primeira vez que comi comida coreana. E amei (apesar da pimenta das entradas). Saudável e saboroso. Claro, comi coisas palatáveis. Nada de ovo cru no meio da comida, como vi no prato dos coreanos ao lado.

Ontem foi um dia bom, como um todo. Cheguei na casa do Byrifoy completamente exausta, mas com um sorriso de canto. Eu, sozinha, vivi tanta coisa em um só dia e sobrevivi. Dormi quase imediatamente. Acordei inchada de sono e esperança de que o sol vai brilhar o fim de semana inteiro.

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Hoje Brasil e Inglaterra jogam. Impressionante como estando fora fico mais ligada nesses eventos nacionalistas. Claro que faz sentido, mas é estranho ser parte da manada. Estranho, e estranhamente confortável.

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Estou virando motoqueira. Jaqueta de couro e tudo. Adoro. Babãe, babái, Piu: não tem motivo pra alarme. Por enquanto, e por um bom tempo, só penso em ser passageira.

(Na verdade andar de moto é uma desculpa para ter que agarrar bem agarrado quem está dirigindo.)

Wednesday, May 30, 2007

tim-tim pra mim

Comemoremos! Pra quem é de comemorar, claro.

Até sexta-feira saberei quem é meu novo empregador. Por enquanto, sei que terei um novo emprego.
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Mas vou dizer que cansou. Mas eu consegui. Mas cansou. Mas eu consegui.

Porque pra mim o copo está sempre meio cheio e meio vazio. Ao mesmo tempo. E não tente me convencer do contrário. Funciono na base do real. Mesmo muitas vezes voando bem além dos healthy boundaries.

Ouvi dizer que mesmo assim funciona, dá pra ser feliz.

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Minha nova moda? Insônia, claro. Estou cansada, deito cedo, leio, leio, está tudo me direcionando para um sono tranqüilo, apago o abajour e nada acontece. Nada querendo dizer nada mesmo. Não durmo. Ontem deitei antes das 9:30pm e li 40 páginas do meu livro, e tentei dormir e não consegui. Levantei de novo, fui fazer outra coisa, xixi quem sabe, li mais um pouco. A última vez que olhei no relógio era quase meia-noite.

Nada bom para minha propensão ansiogênica. Nada bom.

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Por que reclamo tanto? Porque continua cinza. Pela primeira vez em muito tempo o clima da Inglaterra tá dragging me down.

Talvez porque agora já era de se esperrar o mínimo do bom tempo. Estamos quase em junho e ainda estou usando sobretudo.

Monday, May 28, 2007

mirror to the moon

Eu realmente não precisava passar por esse cinza e esse frio nesse momento. Estou naquelas épocas de ouvir obsessivamente a mesma música por nenhuma razão específica. Como eu fazia há uns 10 anos. Quando era boba e usava saias curtas e estourava bolas de chiclete todos os dias. Eu precisava sangrar a música. Aí de vez em quando isso volta e parece que é uma droga. Vicia. Já nem faz mais bem. Mas parece que se eu parar de ouvir a vida vai parar de girar. Preciso parar com essa idiotice.

A culpa é do dia. Dos últimos dias. Todos cinzas e molhados. E eu fiquei cinza e molhada também, e meu coração passou a bater de acordo com a bateria dessas músicas que me perseguem e não posso mais, não posso mais. Meu coração precisa bater como um coração. Chega de inundá-lo de cargas elétricas e faze-lo desempenhar o papel de ditador do ritmo. Eu não agünto, não agüento.

Vai ver foi tempo demais em casa. Isso acontece. Não há para onde ir! Só chove faz três dias. Eu bocejo a cada cinco minutos e espirro a cada dez. Um relógio triste.

Como sempre, minha gente, reclamo de barriga cheia. Mas é aí que tá o problema. Só barriga cheia não faz ninguém parar de reclamar.

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Preparei minha apresentação de amanhã e, sinceramente, ficou faltando graça. Ela ficou que nem eu hoje, cinza. Não vai ser nenhum desastre, mas também não será brilhante.

Desastre mesmo será ter que chegar lá na entrevista às 8am se o tempo continuar assim. Depois de tantos meses de frio, acho que merecemos um pouco de calor. Estamos quase em junho. Dia 20 será o dia mais longo do ano aqui. And yet estou com o aquecedor ligado e com pantufas e com frio. Não é justo.

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Vou fechar um pouco mais os olhos, e tapar um pouco os ouvidos. E dizer menos com os olhos e mais com os lábios. E vou tentar entender. Entender de verdade, não isso que eu acho que já sei, não essa minha pretensnao de achar que em 5 minutos se conhece uma vida e se vê uma história e se chega a toda e qualquer conclusão. Alguém, por favor, chute meu pedestal longe. Me faça cair e quebrar docemente a perna. Preciso ser chocada. Preciso ser contrariada. De verdade. De embaçar a vista e perder o chão. Preciso ver furacões que jamais previ vindo em minha direção. Preciso parar de tentar enxergar amor o tempo todo. Como cansa tentar ver amor. Como cansa tentar entrar no outro. Como cansa dormir precisando muito descansar.

Thursday, May 24, 2007

drifting

Teve um dia que estávamos na balsa e ele comia o sanduíche de atum, a cara estava ótima, mas eu não queria porque estava levemente enjoada, levemente surtada. E ele me disse que eu tinha que experimentar, que eu não me arrependeria. Eu disse tá bom. E ele ficou genuinamente feliz. E antes de me dar a mordida ele mordeu as pontinhas do pão, para que eu pudesse morder bem o recheio. E foi aqui que fodeu tudo, meus amigos. Uma das vezes em que percebi que era um caso perdido (ganho?). Ali eu percebi que também tem quem cuide de mim, e que é bom deixar cuidar.

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Verão chegando e estou com medo. Ontem meu quarto estava bem mais quente que a temperatura lá fora. Talvez seja o caso de investir em meu des-desespero e comprar um ar-condicionado, como sugeriu Byrifoy. Se o verão for como no ano passado, estou literal e figuradamente frita.

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E eu esqueci do Bank Holiday. Quase chorei de alegria quando lembrei. Feriado na segunda. Uma benção divina. Às vezes o mundo colabora.

Aí comecei a pensar que ia passar o dia na praia. Aí lembrei que segunda-feira às 8am tenho entrevista E apresentação. No caso, não vou mais estar viajando.

Wednesday, May 23, 2007

trinta segundos de monólogo com minha irmã

e acho que minha bicicleta tem probleminha
que nem minha cabeça
porque todo mundo me passa na rua
e você sabe como sou competitiva
fico bufando, tentando ir atrás
e não rola
então resolvi que a culpa é da bicicleta

cinema mood

A verdade é que estou exausta.

Mas falei para ele, meu chefe, que vou tentar. Mas que estou desmotivada.

Falei tudo, tudo. Não gosto de mentir porque sempre me esqueço do que inventei. Aí fica feio. Quem não mente não precisa ter boa memória.

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Ontem assisti The Pursuit of Happiness. Gente, não é que eu achei buuuunitinho? Vejam se estiverem num dia daqueles de cantarolar, sim, cantarolar.

Assisti outro filme também, recentemente: Secrets and Lies, de um dos meus diretores favoritos, Mike Leigh. Já tinha visto, mas fazia tempo. Atores fantásticos, diálogos fantásticos, ninguém melhor que ele sabe arregaçar a classe-média-mais-pra-menos inglesa.

Finalmente, assisti a dois brasileiros que mexeram com meus já sensíveis brios: Ônibus 174 e Estamira. O primeiro é de revoltar, o segundo, de revirar. O estômago. Porque eu, sempre que fico angustiada, fico com o estômago espancado sem que ninguém o tenha tocado.

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Exausta, como disse no começo. Mas um pouco mais feliz. Não, feliz não. Um pouco mais leve. Foi bom quebrar o gelo no trabalho e voltar a me comunicar com meu chefe.

Semana que vem deve ser mais uma repleta de entrevistas. É muito cansativo.

Monday, May 21, 2007

preciso ir de mim

Enxaqueca. Devo estar exagerando. A de sempre incapacidade de cuidar de mim, de olhar para mim, de entender que estou x mesmo sentindo y. Que y na verdade não existe, mas eu é que não tenho as manhas de enxerar longe e ver que na verdade sinto x, sou x, vivo x.

Ninguém deve estar entendendo nada.
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Entrevista hoje, entrevista amanhã. Vamos ver até quando vou agüentar.

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O fim de semana? Menos do que eu esperava. Dei uma desanimada. Acontece. Comigo, acontece muito. Enche o saco.

Mas chega. Tem gente que reclama que eu reclamo muito. Tem gente que reclama tanto que tem a impáfia de reclamar das minhas reclamações. Mas esse blog é sobre mim, não sobre os outros.

Acordei cheia de dores, sim. Enxaqueca, sim. Desânimo, sim. TPM, sim. Tenho direito e vou reclamar, sim.

Até que venha quem sabe o que faz e me amoleça toda. Aí não tem TPM que resista.

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Vou botar uma placa do lado de fora do meu corpo: família vende tudo.

Olha lá, tudo a preço de banana, hein?!

Thursday, May 17, 2007

a cabeleireira

Hoje aproveitei minha hora de almoço para ir ao cabeleireiro. Um lugar que cobra £17 para lavar e cortar. Isso, aqui, é barato. O lugar fica dentro de um shopping center em Kingston, o Bentall’s. Cheguei lá e pedi lavagem e corte. A mulher que veio me atender abriu um sorriso tão simpático que cheguei a ficar desconcertada. Eu queria saber ser assim simpática.

Depois foi perguntando o que eu quero, como eu quero, quantos inches era para tirar e depois de tudo certo, eu fiz a pergunta já sabendo a resposta: de onde você é? Ela respondeu, num sotaque forçado, Brazil. Sorri e disse que eu também. Ela não acreditou. Eu disse para esquecer esse negócio de inches que eu não entendia, e que era para tirar dois ou três dedinhos, two or three little fingers. Caímos na risada. Ela chama Lucia. É bióloga. Minha mãe chama Lucia e é bióloga. Ela mora aqui há treze anos. Desde que chegou é cabeleireira. “Adoro. Cortar principalmente. A gente tem que aprender a fazer de tudo, pintura, permanente, mas eu gosto mesmo é de cortar”.

Disse que não gostava do cabelo freezy que tenho na parte da frente. Tentamos pensar numa tradução para freezy. Eu só consegui pensar no gesto dos cabelos desgrenhados. Ela riu mais. Sorrateiramente aplicou no meu cabelo um produto que custaria £3 a aplicação. Sim, é brasileira mesmo.

Ela é casada, mas não tem filhos. Ficou desconfortável com a pergunta. Consigo imaginar ela e o marido brigando na noite passada, ela querendo engravidar, ele falando que ela tava louca, que a vida deles não era estável. Ela chorando no canto da cama, pensando que merda de vida alguma é estável. Ele lavando a louça para passar o tempo. Sim, deve ter sido assim. Ela trazia nos olhos aquele brilho estranho de quem já desistiu de muita coisa na vida, mas nem por isso azedou.

Perguntei se ela também atendia por fora, a domicílio. Ela disse que sim, mas não pareceu muito empolgada. Para que complicar?, ela parecia dizer sem falar. A vida dela não devia ter muitos percalços, principalmente porque ela procurava evitá-los, evitando assim, também, súbitas euforias.

Ela disse assim, out of the blue, “poxa, você é muito simpática” e eu fiquei meio sem saber o que fazer com um elogio gratuito. Como se me jogassem na mão um presente fora de ocasião e desmerecido. Abri um sorriso aberto demais, acho.

E ela disse para eu vir sempre às quintas, porque aí é garantido que ela estará lá. Perguntou “onde você aprendeu esse inglês?” e ri, sem graça, porque nem eu sei. E fiquei com vontade de saber mais, mas é estranho. Ela foi tão, tão simpática que fiquei com vontade de virar amiga dela. A gente tem dessas coisas aqui. Presta muito mais atenção nas pessoas à nossa volta já que não são tantas, ou não tantas que realmente importam, anyway.

Mas ela voltará pro Brasil. Não sabe quando, mas está nos planos do casal. Ela também não me pareceu entusiasmada ao falar da volta. Parecia mera reprodução do discurso do marido, com entonações artificiais e didáticas.

Sorri para disfarçar o suspiro. Às vezes é tão difícil ser feliz.

Wednesday, May 16, 2007

alive and kicking

Estou viva!

Levei uma picada de algum mosquito no bumbum!

Três entrevistas de emprego essa semana, uma delas com apresentação em power point!

Vários telefonemas que não posso atender!

Saco cheio do meu chefe! Será que por que logo logo vou sair daqui? Ontem tirei metade do dia de férias (isso pode aqui) e o fdp deu meu celular, MEU NÚMERO DE TELEFONE PESSOAL, para um fornecedor. Estou eu em casa, lesada depois do almoço com as pernas no colo do Byrifoy e toca o celular e é uma mulher querendo saber se eu vou ou não pôr anúncio na revista dela, do Chartered Institute of Accountants in Scotland. Ora, tenha dó! Fiquei puta. Claro que meu chefe deu meu número. Ele não podia. Não tinha esse direito.

Mas vou engolir. Não vale a pena construir confusão se não há muito mais o que construir por aqui.

Estou cansada. Mas com bons pressentimentos.

E esse fim de semana será bom, mesmo sem o Byrifoy. Estou com ótimas intenções. Depois eu explico.

Thursday, May 10, 2007

Me and my belly-button

Que ontem não se repita, Miss.

Eu sei, foi feio, né?

Feio não, pavoroso.

Não sei como foi acontecer

E você pensando em largar a Fluoxetina. Rá-rá.

Ainda penso em largar. Não quero passar minha vida com sinapses que não são minhas.

Bom, ontem você teve uma boa amostra de que não pode ter controle sobre suas sinapses.

Mas depois eu chorei e eu dormi, e pronto.

Sim, mas foi difícil, não foi?

Foi muito difícil.

Ah, sempre é.

Devo apenas me acostumar?

Tuesday, May 08, 2007

blurry

Para quem se comprometeu a fazer tanta coisa esse fim de semana prolongado, fazer metade já está de bom tamanho. Todos os dias foram bons. Inclusive ontem, em que só dormi e fui comer pão-de-queijo com o Lino. Inclusive anteontem, em que passei a tarde perambulando por livrarias em Charing Cross. Inclusive anteanteontem, em que caminhei por meu parque preferido em Londres.

Nada de baladas, nada de muito tarde, nada que me fizesse feder a cigarro. Aliás, looking forward para o 1º de julho, quando será proibido fumar dentro de pubs/bars/clubs em toda a Inglaterra.

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Aquela coisa de muito sono continua. E continuo sem saber o que é. Cansaço do mundo? Pode ser. Mas puta coisa triste. Acho que estou precisando de mais rumo. Os últimos meses foram tão bons como foram, desplanejados, aleatórios, que achei que a vida fosse melhor assim desgrenhada.

Mas quem sabe não. Quem sabe eu precise planejar os próximos três ou seis meses da minha vida – mais que isso não sei fazer. Quem sabe eu realmente esteja precisando mudar de emprego, porque esse muitas vezes me entedia. Quem sabe o médico idiota está certo e preciso começar a reduzir meus remédios.

Essa coisa de pensar em começar uma terapia está me dando preguiça. Demora tanto para alguém *realmente* me entender... Se é que isso chega a acontecer.

E no final das contas, eu sei, reclamo de barriga cheia. Arrasto meus puffy eyes para todos os cantos, mas sei que por dentro eu rio. Rio quietinho e quentinho, mas rio. Rio do sono que eu sinto, que não é normal. Rio de pensar que hoje, mais tarde, estarei bem, bem mais feliz. Rio bem fraco, pra dentro, só eu entendo, e isso é ótimo. É ótimo só eu entender.

Friday, May 04, 2007

full speed, long way, wrong direction

Aí que eu liguei por médico, e aí que eu descobri que estou pefeita, que não tem nada errado comigo, que meu blood count tá lindo, lindo. Inclusive meu TSH indica que eu estou tomando hormônio demais para tiróide. Não é poético?

E aí?

Não faço idéia. As próximas mudanças na minha vida serão: mudar a pílula (quero tomar uma mais fraca do que a que eu tomo) e tentar descolar um psicólogo na faixa via NHS (o sistema de saúde daqui, uma espécie de SUS de batom).

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Mais um coleguinha entregou sua carta de demissão aqui na empresa. Como o mundo dos empregos é volátil nesse país! Os ingleses passam a idéia de pessoas de tradição, raiz, lealdade, rotina, mas acho que isso não passa de teoria ultrapassada hoje. Nunca vi uma dança das cadeiras tão ativa. Não à toa as agências de emprego são tão numerosas e competitivas. Um mercado saboroso.

Inclusive, como sabem, eu estou na fila.

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Ontem fui jantar com dois queridos, o Renato e o Daniel. Fomos no portuga do lado de casa. Falamos mais do que comemos, e olha que comemos bem. Eu, no caso, mais ouvi. Estarrecida. Say no more. Tsc, tsc.

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Eu que pensei que hoje chegaria em casa e assistiria um filme quietinha no meu Mac lindinho, LEDO ENGANO (da coleção palavras e expressões que odeio). Vou ter que ir até o pub do cretino do landlord porque simplesmente a companhia de luz, EDF, apareceu em casa querendo trocar a fechadura da nossa porta. Isso mesmo, a FECHADURA. Por quê? Porque o mongolóide safado não paga conta de luz e gás há tempo suficiente para acumular uma dívida de mais de £3,000 com a EDF. E, claro, nós, pobres, fracas e cansadas, nos fodemos.

Estou tão irada, tão irada, que não sei se vai ser uma boa idéia aparecer lá hoje. Mas vou, ah vou. O objetivo da visita? Explicar que nenhum aluguel será transferido enquanto todos, I mean TODOS os problemas da casa forem resolvidos.

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Voltei a escrever música.

Thursday, May 03, 2007

vamos passear no parque

Quinta-feira, moçada. Estamos quase lá.

Essa coisa de usar Mac em casa e PC no trabalho é complicada. O teclado é diferente. Así que vou sugerir a adoção de Mac no escritório, claro. Eu que não volto ao mundo infernal dos PCs.

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Ontem finalmente passou, e, com ele – o ontem –, a segunda entrevista, temida, ansiolítica, taquicardíaca. Fiz a apresentação. Foi ok. Eles perguntaram perguntas bobas, protocolo apenas, desconfio. Vou saber do resultado na sexta. Mas a grande novidade é que não quero. Na verdade quero, claro, mas a ooooutra oportunidade, a da Cannons, é bem mais empolgante. E se eles exigirem uma posição straight awau, terei que declinar. Já me vejo fazendo cursos e virando aquela coisa de cabeça pra cima. Sim, cima! Muita calma nessa hora, sempre – NOT!

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Fim de semana. Estou tentando desenhar:

Sexta – nada. No máximo sair pra jantar num lugar baratim.


Sábado – Hampstead Heath. Meu parque preferido em Londres. Quem quiser se juntar será muy bienvenido (veja fota). Estou inexplicavelmente hispanica hoje.

Sabadanoite – tem festa da Tânia em Norwood. Ainda não sei.

Domingo – caminhada com os Rambleiros em Epping Forest.

Segunda – é feriado aqui, mas não sei o que vou fazer ainda. Preciso cortar o cabelo, então talvez.

E passando ansiosamente do fim-de-semana prolongado para a semana que vem...

Terça depois do trabalho – finalmente estar com meu Byrifoy!

É.

Tuesday, May 01, 2007

intimidade

Foi foda. Eu já esperava. Uma hora eu precisaria vomitar aquilo tudo, mas por que sempre, sempre do jeito mais doído? Pelo menos foi, por ora. Amanhã não sei, porque não sei o motivo. Como me odeio por não saber o motivo. Uma pena eu não poder me chutar -- deus sabe o que faz, bendita seja a limitação do joelho.

Ouvindo Paolo Nuttini e querendo vir de uma cidade pequena para grande. A verdade é que tendo crescido em São Paulo, nada me assusta e quase tudo me encanta. Porque é fácil ser melhor que Sampa, convenhamos. Alguém me disse há pouco tempo que eu deveria viver no interior. Interior de qualquer país. Interior. Pouca gente, porque gente é o que me mata. Gente que eu não escolho.

Sunday, April 29, 2007

desmanche

Sozinha de novo, sim. Aquela coisa do mar trazendo e recolhendo pessoas e coisas e lugares. Fru foi. Com bico. Chorosa. Eu me segurei. Aí chorei um bocadinho depois que fechei a porta atrás de mim. Sempre foi assim.

Aqui nada mudou. Os dias estão lindos, tenho feito tudo o que dá, dormindo muito ainda, sempre com aquele peso no coração que todo mundo que dorme muito leva.

E cansada. Inexplicavelmente, porque sou nova e não levo uma vida exatamente estressante. Na verdade, é isso, se os exames saírem todos ok, talvez seja o caso de pegar uma terapia. Via NHS, claro, porque não tô com essa bola toda.

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Ontem vi um filme sensacional. Walking on Water. Um filme israelense. A must-see, my friends. Estou com ele na cabeça até agora. é menos sobre terrorismo que sobre amor. Menos sobre tabus do que sobre a quebra deles. Assistirei novamente qualquer hora dessas.

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Desmanchando, um pouquinho, porque saudade desmancha mesmo.
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Mas acordei toda feliz, apesar de este ter sido um dos domingos mais chatos da minha história em Londres. Não se enganem, o dia estava lindo; eu quem tive que passar o dia em casa preparando uma apresentação para a entrevista de quarta.

E chega. Vou assistir Volver que baixei descaradamente. Fechar o domingo com algo de bom.

Friday, April 27, 2007

Tuesday, April 24, 2007

preciso dizer

Tô meio que um trapo. Sexta-feira vou fazer o maldito exame de sangue e, se até lá não estiver melhor, vou aproveitar para chorar as graviolas para o médico, caso ele não acredite mais nas pitangas.

Minhas pernas estão moles, estou com diarréia, me sinto fraca e não tenho dormido bem. Dizem que é a primavera. Dizem muita bobagem.

Foda-se. Não quero mais ouvir. Todo mundo explica tudo e é um saco, porque eu nunca acredito, então ouço apenas como se não se passasse de mais uma historinha, dessas que a gente discava no 1234 para ouvir. Eu discava, pelo menos. Você discava: Uma historinha por dia pelo telefone. Eu adorava. Mas às vezes acontecia de eu não prestar atenção porque estava criando minha própria historinha. Eu me sentia mal, porque estava gastando dinheiro do vovô com esses “telefonemas”. Mal sabia que deveria era me sentir bem. Criando minhas próprias historinhas.

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Aiai. Que falta que ele faz. Quando ele voltar, vou ter que fazê-lo entender uma porção de coisas que talvez ele ainda não queira entender. E correndo o risco de soar lunática e exagerada (sou mesmo, sempre fui), vou falar de olhos fechados, que é para nada que não seja aprovação e reciprocidade me invada. Porque não sei guardar meus sentimentos, porque não sei fingir que não é nada novo, porque não sei disfarçar que está crescendo e ficando bom, muito bom, assustadoramente bom.

Não sei ser outra coisa senão escancarada, então é isso. Posso me arrepender, assim como posso não ter feito coisa melhor. Só não poderia fazer diferente.

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Ontem assisti a Perfume. Gostei. Achei fiel ao livro. Bem feito. Valeu. Recomendo. Mas ainda assim recomendo a leitura do livro, antes e acima do filme.

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Tenho mais uma entrevista semana que vem. E essa vaga, my friends, eu quero muito. Mais detalhes quando acontecer, se acontecer.

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Hoje vai ser meu último dia de descanso. De amanhã até sábado tem programa todas as noites. Quanto vocês querem apostar que vou dar o cano em pelo menos um deles? Amanhã é aniversário do Daniel, vamos ao Buffalo Bar. Quinta não lembro o que tenho, lembro só que tenho algo (forte candidato ao cano, concordam?). Sexta terá despedida do Cauê (que está indo pra Espanha) e da Fru (que está voltando pra terrinha), provavelmente no Koko. Sábado tem outra festinha de aniversário na casa de um amigo. VIP, I must say. Isso tudo e muito mais para dizer que estou bem, e que, lorão, volta logo! Hehe.

Monday, April 23, 2007

within the arms of slumber


O plano para hoje à noite será um só: assistir O Perfume e dormir. Talvez no meio do filme, talvez depois.

Hoje quase não consegui atrasar. Adiei o despertador por 10 minutos. Não tomei café. De sexta para sábado dormi um total de quase 15 horas. Não sei o que está acontecendo. Se for algo que a medicina explica, em breve saberei. Isso se os homens da medicina que me atenderem forem competentes, claro.

Mas pode ser que eles digam que não é nada. Nesse caso eu vou ter que aprender a conviver com tanto sono? Na boa, não vai rolar. É bom que os homens da medicina descubram qual é o problema. Não quero passar metade da minha vida dormindo e a outra metade querendo dormir.

Na verdade, ando pensando muito, de novo, obsessivamente, em como quero passar minha vida. Enquanto isso, ela passa.

E sem que muito aconteça eu canso.
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Mas aí eu sempre sei no que pensar para tudo melhorar. E melhora, viu? Melhora sim.

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Ontem assisti Pan’s Labyrinth. Puta filme. Fiquei toda esquisita depois. Na verdade, já tava esquisita antes. Fiquei ainda mais. Perguntando o tempo todo para meu umbigo se sou dessas pessoas que enxergam as coisas também, ou se sou das que deixa passar. Ainda não descobri.

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Tomei sol esse fim de semana. Ficou marquinha. Juro.

Sunday, April 22, 2007

erase and rewind

Eu preciso mudar. Sério, preciso mudar. Preciso de uma religião, ou de alguma convicção do gênero. Preciso de um assunto que me apaixone de novo. Preciso muito. Eu nunca vou deixar de precisar mesmo, então que seja assim, que eu continue precisando de coisas mais nobres ou que deixem o mundo mais mascarado, ou menos ridículo, e as pessoas menos cuspíveis, e os lugares menos sujos, e minha gargaanta menos apertada.

Sempre me orgulhei de não ter TPM. Eis que o feitiço vira.
AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!

Thursday, April 19, 2007

sobre saudade e o que ela tem de bom

Muito trabalho, meus amigos. Os dias voam, não posso reclamar. E sempre dou um jeito de arranjar umas arestas nos minutos para escrever.

Agora, por exemplo, quero escrever sobre saudade. Quero escrever também sobre amor. E quero escrever sobre incômodo. Quero escrever sobre o que *realmente interessa*. Sobre o fato de olhar para fora da janela quando o mundo acontece do lado de dentro. Quero escrever sobre o que está entalado e entalado permanecerá. Porque não é a hora, nem o local. Eu costumo ser péssima nessas coisas de hora e local. Fico ansiosa para me livrar das palavras que querem sair. Mas estou aprendendo que ansiedade pode ficar no estômago, quebrando tudo, mas nunca vai me matar. Porque se eu resolver ceder a cada tortura, vou acabar torturada mesmo cedendo. Então não faz sentido. Se é para ser torturada, que seja uma vez só, longa e sofrida, mas uma vez só.

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Byrifoy está indo para o Brasil por 17 dias. Vou ficar com saudades. Mas o lado bom é que ele também vai. E depois, tem a volta, sempre a volta. Ele ainda não foi mas já quero pensa na volta. Nada como um pouco de saudade para entender alguns vazios. Eu, na verdade, já entendi. Saudade só existe se um dia houve felicidade. As saudades serão grandes.

E chega que eu vou melar tudo.

Monday, April 16, 2007

proibida

Dá um pouco de medo, confesso. É uma delícia, a gente se diverte, mas dá medo do que vem aí. Tudo indica que teremos um verão do tipo torradeira. O fim de semana foi todo ensolarado e eu cheguei a erqguer as calças jeans até o joelho no Hyde Park. Um pouquinho cedo. Por isso dá medo. Se for pior que no ano passado, o inferno somos nós.

Mas resolvi que agora que o tempo está melhor, vou passar o maior tempo possível outdoors. Fui de bicicleta até a estação de trem, em vez de pegar metrô. Fui até Richmond Park na hora do almoço e fiz um mini-piquenique. Vou voltar, claro, de bicicleta. Na verdade preciso entender/aprender algumas coisas da minha bicicleta que ainda não ficaram claras, tipo: como mudar de marcha sem que a corrente saia das roldanas. É irritante. Mas eu chego lá.

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Hoje vou no dotô. Estou andando com uma amostra da minha urina na mochila do trabalho. Um charme.

De qualquer maneira, daqui a pouco vou lá descobrir quantas mil coisinhas estão erradas comigo, quando na verdade ESTÁ TUDO BEM.

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Eu deveria ser proibida. Censurada. Execrada. Eu deveria ser quarentenada. Still, as pessoas vêm aqui e gostam do que eu escrevo e acreditam nas mentiras que conto. São poucas, é vero, mas existem. Na maior parte das vezes em forma de omissão. Como já disse, se resolver me abrir demais, vai doer e vai sangrar e quem sabe até feder. Não quero ser o motivos dos rostos se virando para mim. Contra mim.

De onde foi que saiu isso? Céus, eu realmente deveria ser proibida.

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A degustação acabou não rolando esse fim de semana. Aparentemente não conseguiram fechar negócio com a loja. Agora é esperar a próxima oportunidade.

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Estou tendo umas idéias. Mas para pôr as idéias em prática preciso de uns £4,000. Du-vi-do que alguém me dê. Duvido. Nossa, duvido muito.

Tá, não vai funcionar. Acho que vou ter que trabalhar para juntar. Em uns dois aninhos rola. Mas aí eu lembrei que não sei planejar coisas para além de 6 meses, quanto mais dois anos.

Ah, sei lá.

Projeto em banho-maria.

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Tenho uma entrevista de emprego. Outra. Na quarta-feira, depois do trabalho. Não sei, não sei. Parece legal, vou ver qual que é.

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By the way, o fim de semana foi inteiro bom. Desde sexta, quando fui passear com o Byrifoy por Clapham e jantar no Portuga, até o sabadanoite, festa do Byrifoy que foi muito, muito boa (fazia tempo que não me divertia tanto numa balada londrina), e até domingo, em que, depois de merecidas várias horas de sono, fomos para o Hyde Park, onde mais umas 30 pessoas da mesma turma se juntaram. Terminamos no GBK, o melhor hamburguer de Londres, em Fulham - para matar as saudades. Primavera, my friends.

Friday, April 13, 2007

Fuck me pumps

Aí fui no Asda, uma versão inglesa e gastronômica das Casas Bahia, comprar meu almoço. Aí vi uma barra de chocolate por 25 pences. Vinte cinquinho. Comprei. Gente, o chocolate é salgado. Salgado. Não dá pra entender, não dá pra ser chocolate. Até fui checar na embalagem. Chocolate salgado. Ao leite salgado.

Mas juro que não vou reclamar. Esse foi o grande desastre da sexta-feira 13 so far. Quinta-feira 12 foi bem mais pavorosa: metrô fechado, pisada na bosta, tropeço patético e quasi-desastroso, 40 minutos de atraso pro trabalho, wireless que não funciona no meu Mac lindo novo, ninguém disposto a assumir responsabilidades e tudo (mesmo) caindo sobre minhas costas, Fru derrubando cerveja na minha cama e eu derrubando todo o meu jantar no chão.

Acho que eu estava meio que no Japão. Não há dúvidas de que meu dia do cão foi ontem.

Chocolate salgado é sopa no mel. Eca.

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A semana foi curta, mas para mim custou a passar. Eu queria, na verdade, um dia, um diazinho só, para poder acordar sem despertador. E acordar, e enrolar, e constatar que o dia está imperdível e lindo, e ainda assim voltar para a cama.

Isso jamais vai acontecer se eu continuar no ritmo em que estou. Jamais.

Saudade da terapia. Dos tempos em que eu, com ajuda da minha santa milagreira Gisa, sabíamos *onde* cuidar de mim, que pedacinhos estavam supervalorizados e que pedacinhos tinham sido jogados às traças.

Eu, que nunca soube fazer coleta seletiva.

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Amanhã é aquele dia de novo. Todo ano é assim. Estou aqui, com vontade de estar lá, no tumulto doce do meu furacão ruivo. Minha princesa faz anos, o azar é só meu que não estou do lado dela para comemorar junto.

Instead, amanhã é comemoração do niver do meu Byrifoy. Comemorarei em dobro. Encherei a cara, dançarei sobre o balcão do bar com meia-calça rasgada e rímel borrado até o queixo. Acabarei a noite jogada ao lado de uma privada pública sem um sapato e com o cotovelo sangrando, sem saber como nem por quê. Coisa rotineira.

BTW, babái, é *brincadeira*. É *mentirinha*.

Vou me embriagar de coisas bem mais saudáveis.

Thursday, April 12, 2007

busy bee, early bird

Busy busy busy as hell. Até demais. Demais do tipo corro-riscos. Sim, é muita coisa nas minhas costas nesse momento. Cansada e feliz. Happy and bleeding.

Mas bleeding bagarái. Alguém me explica por que eu teimo em não confiar nos outros e assumir todas as responsabilidades para mim? Alguém, melhor dizendo, me ensina a mudar? Acho que a uma altura dessas já era para eu ter aprendido, mas vai que tem algo que funciona e eu ainda não tentei?

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Hoje levantar da cama foi missão impossível. Do alto do meu ataque hipocondríaco, tenho certeza quase divina de que estou com anemia. A checar segunda-feira, no meu novo dotô.

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Meu bebê chegou. Lindo, branquinho, limpinho e funcionando desde o primeiro botão.