Saturday, August 27, 2005

worried eyes

Ainda sem internet em casa - desgraca. Estou tao cheia de palavras, mas nao tenho como da-las a voces agora. Estou escrevendo, sempre. Mas para mim. Ou para voces no futuro. Meus livrinhos. Em breve um terceiro comecarah a tomar forma. O esboco ja estah feito. A historia eh otima e besta ao mesmo tempo. Mas como sempre, boa literatura nao eh uma boa historia. Eh uma historia qualquer escrita com maestria. Os melhores livros que li nao tinham enredos inesqueciveis, mas estilos inesqueciveis.

Bom, nao vou comecar a filosofar porque soh tenho mais meia hora nesse cybercafe meio pulguento no Soho (pelo menos eh £1 a hora). Aas news:

* Finalmente fui a uma fisioterapia. Levei bronca por ter demorado tanto. Meu pescoco estah crunchy e meu tornozelo inchado. Sou toda elastica, tenho as malditas double joints que, por um lado, me permitem acrobacias e manobras deveras apreciaveis, mas, por outro, me causam dores porque tendo a compensar o peso nas pobres juntas. Terca-feira volto la, vou comecar a fazer uns exercicios de Pilates.

* Entrevista na Reader's Digest foi muito bem. Fui chamada para a segunda etapa, em que terei de fazer uma apresentacao (!) para o diretor de marketing (!!) e uma prova de matematica (!!!). Bom, todos sabemos que ainda tenho meu empreguinho humirde de lifeguard. Oh well, nao sei quanto tempo mais aguento.

* Application mandada para a Goldsmiths College. Agora eh esperar, esperar, esperar. Odeio esperar quando nao ha mais nada a fazer a nao ser esperar.

* Descobri que o amor da minha vida da semana passada eh casado e tem tres filhos. To fora. Perdeu a graca.

* Amanha vou sair com o Malandro. Resolvi reavivar a situacao depois que descobri a vida dupla (hahaha) do Manager, que por sinal ainda nao voltou de Cyprus e tenho certeza de que quando voltar vai gavianar minha vida bem agora que resolvi abandonar o jogo.

* Carnaval em Notting Hill - to fora tambem. Nada mais deprimente.

* Estou apaixonada pelo livro que comecei a ler esta semana. I am Charlotte Simmons, do Tom Wolfe. Santo Tom Wolfe, merece minha adoracao. Ele, que eh o pai do New Journalism. Leiam, leiam, leiam. Eh novo, mas ja deve estar no Brasil.

* A casa nova vai comecando a ficar confortavel. Ainda nao eh a *minha* casa, com *minhas* amadas Fru & Bobby Co Ltd. Mas eh interessante. Aos poucos estou conhecendo melhor a sul-africana, que eh gente boa, apesar de muito fechada. E estou conhecendo mais e mais Mr Australia. Hum.

Bom, nao consigo pensar em mais nada. 15 minutos para estourar meu tempo e uma tonelada de emails para responder, de voces, amados conhecidos e desconhecidos! Voces que me mantem menos saudosa quando as saudades me parecem insuportaveis. Ta ficando cada vez mais dificil pensar a vida longe de todos voces.

Wednesday, August 17, 2005

manha de sol

Estou num cybercafeh meio fedidim em Shadwell mesmo, perto de onde trabalho. Sem internet em casa fica faltando um pedaco. Once nerd always nerd.

De qualquer maneira, amigos, estou amando meu quarto. Ontem finalmente meus outros tres flatmates se mudaram. Mal os vi, jah que antes das 23h capotei. E a verdade eh que a menina que mudou eh ligeiramente chatonilda. Os dois caras sao bem legais, como havia dito. A menina eh uma sul-africana com um sotaque desgracaderrimo, nao sei, nao sei, sou chata pra burro, mas vou fazer o esforco para ir com a cara dela, afinal, agora moramos juntas. Pelo que entendi, ela nao era a primeira opcao dos meninos. Ela foi ver a casa algumas semanas atras e eles preferiram outras flatmates, euzinha por exemplo. Ai o tempo foi passando e nao achavamos ninguem para por no quarto quarto. Entao foi ela mesmo. Ainda teve o acinte de "reclamar de brincadeira" que eu peguei o quarto de cima, com espelhos na parede. Te foder, neh, fia?

No mais, tenho entrevista na Reader's Digest depois de amanha. E outra na quarta. Varias coisas.

E a application para meu mestrado, se deus for pai, chegara a tempo nas maos dos todo-poderosos assessores do curso.

No final, pelo menos, aqui faz sol. Ja eh motivo para comemorar.

Thursday, August 11, 2005

um ano em um dia

Hoje cresci um ano. Acordei às 5:45h, sabendo que a vida já não me deixa em paz e cisma em me tirar de minha voluntária meia-morte. Mas não reclamei de ir trabalhar. Um cara muito especial, novíssimo na parada, estaria no trabalho hoje. Ele não é salva-vidas. Ele é apenas lindo. Com sua lovely evil face. Cara de mau, mas não tão mau. Um sorriso que em alguns anos lhe renderá belíssimas proto-rugas. Um cabelo cuidadosamente descabelado, um corpo de endoidecer amantes de corpos.

Só o sotaque que é meio foda. Ele nasceu em East London e morou por três anos na Escócia. Praticamente um estrangeiro para mim, tanto quanto eu. Ele fala e eu não entendo. mas ele sempre repete sorrindo, olhando através dos meus olhos, como se um varal de roupas nos ligasse e dependesse exclusivamente dele. Se ele deixar a corda cair, eu caio junto. Mas ele não deixa. Ele segura, e eu vou desmanchando, só meus olhos continuam inteiros, em pé, teimosos, nos dele.

Ele me chama de Bee. Bom, todo mundo no trabalho me chama de Bee. Mas com ele é mais especial. Apenas recentemente ele começou a me chamar de Bee. E eu adoro. E, olha, sinceramente, acho que há recíproca. É bom que eu esteja muito certa disso, porque ele, bom, ele é meu chefe. Não é legal excangalhar com o emprego, néam? Mas estou quase, quase certa. Ele me ama e eu o amo loucamente.

Aí estava saindo do trabalho e topo com L., o Malandro. Ele foi visitar o pessoal. De quebra, um eu-te-ligo-sabadanoite. Eu até queria que ele ligasse. Mas nosso amigo malandro sambou no lugar. Perdeu pontos na comissão de frente mesmo. O novo amor da minha vida dessa semana - dessa vez é sério - promete ser destaque da escola.

Desnecessário dizer que saí do trabalho carregada por borboletas. Tentei disfarçar para a Anna, a polonesa que trabalha comigo, mas achon que não consegui. Ela não comentou nada, mas sou um bebezão transparente e imagino que ela seja minimamente perspicaz. Oh well, foda-se. Tô nem aí.

E começou a grande mudança para a casa nova. Antes de sair de casa, claro, tinha que ser, um quebra-pau em terra amiga. Brigar tem sido tão fácil ultimamente... Acho que os ânimos estão em progressivo caos. Pela primeira vez em Londres, vou me separar das meninas. O dia está chegando. Já fechei contrato com o Mr Australia e Mr Suécia-Equador. A partir de domingo meu endereço oficial é em Mudchute, em Isle of Dogs, uma região nas docklands, zona leste, céito? Mas zona leste do bem. Muito verde, muita casa bonita, meu lar a 50m do Thames. Estou feliz demais com minha escolha. Meu quarto é um bibelô. Todo azul, mas não azul-calcinha. Um anil apastelado. Lindo. E armário com portas de espelho deveras interessante. E, porra, meu quarto, meu meu meu. No terceiro andar. Lindo, cheiroso, superficialmente bagunçado, como eu gosto.

Apesar das brigas por aqui, estou feliz. Um sentimento bom e adormecido voltou a cutucar meu coração, esse bolostrô preguiçoso e idoso, cansado de guerra. Uma casa nova. Bastante trabalho e, a última ótima notícia: fui chamada para uma entrevista na Reader's Digest. Sexta-feira que vem. Fingers crossed once again!

Em um dia, tanta coisa. Eu querendo meio-morrer porque não agüento mais correr tanto assim, e minha meia-vida querendo ser inteira, chacoalhando meu corpo fodido de tanto tentar escalar. Unhas sangrando de tanto tentar agarrar. Olhos ardendo de tanto querer enxergar. Braços doendo de tanto arrastar - coisas, pessoas, principalmente pessoas - e de ser arrastada - por coisas, pessoas, lugares também, mas principalmente pessoas.

Foi um dia e tanto. Meio-ressucitei com a força de um ano. Um ano para entender que cresci e que minha força é mais que nunca absurda. Absurda.

Friday, August 05, 2005

I don't believe in hell

Porque estou dançando entre as chamas que queimam minha alma. Dançando e rindo e cantando. Então não pode ser inferno. Inferno não existe. Liberte-se desse consolo chamado inferno. Liberte-se também do paraíso. Hoje conheci outro australiano com um quarto para alugar. O apê dele é de frente para o rio, todo decorado, muderno, a dois passos de London Bridge, a um do Borough Market. Ele queria me alugar um quarto de solteiro por £140 por semana. Escapou-me uma gargalhadinha. Falô então.

Mas ele estava infeliz. Tinha tido um péssimo dia no seu emprego nine-to-five. Uma reunião não saía bem. Ele tem um daqueles sorrisos bem largos de dentes amarelos, como todos eles.

Eu não quis ser ele, mesmo querendo ter sua casa.

E atinei então que não existe também paraíso. Foi então que percebi que estava livre para rir, dançar, me sujar nas cinzas do inferno. O inferno que é pura ilusão. O mundo está aí e não é inferno nem paraíso. É um eterno purgatório, te lança para cima para baixo, mas no final você morre sem saber realmente se usou a vida para provar alguma coisa. Para que provar, então?

Esquece isso. Preciso parar de ter vergonha do que sou hoje. Sempre me orgulho do passado. Preciso me preocupar mais com o presente. E esquecer um pouco essa história de futuro. Futuro, inferno, paraíso. Tudo a mesma merda, tudo a mesma ilusão. Não quero viver para morrer feliz. Quero viver feliz e depois morrer. Apenas morrer. Não quero morrer feliz. Morta, nem devo saber o que é felicidade. Não que eu saiba hoje. mas pelo menos ela, a puta da felicidade, hoje tem o dom de me deixar encafifada.

Be good to yourself 'cause nobody else has the power to make you happy.

Thursday, August 04, 2005

O encontro com o Mr Austrália

Foi quase todo smoothly. Pelo detalhe de que esqueci meu celular em casa e não sabia como o cara era e ele não sabia como eu era. Havíamos marcado de se encontrar nas escadas saindo da estação de Canary Wharf pela Docklands Light Railway. Combinamos meio nas coxas já imaginando que por celular nos acharíamos. E eu levo tudo, menos o celular.

Óquei. Encosto numa pilastra e sei que se a cagada foi minha, sou eu quem tenho que descobrir quem é o cara. Para facilitar um pouco, fiz minha mais genuína cara de perdida, olhando em volta, encarando os homens que estavam parados por ali. Olho à minha direita, um cara bonitinho parado na frente da escada. Olho para frente, um executivo cabeçudo mandando SMS freneticamente. À minha esquerda, um japonês parado com cara de nada. Alguns subindo escadas, andam, olham em volta e seguem. Fodeu, pensei. O cara é que vai ter que me achar. Só tem homem nesse lugar. Não vou sair feito uma louca perguntando quem é o Mr Austrália.

Mudei de idéia subitamente quando um colega de GANA resolveu puxar conversa. Ele vinha com um relógio na mão, para consertar ali do lado. Arrastava suas chinelas num ambiente bem pouco chinelento. Camisa pólo verde musgo, toda encardida. Uns fiapos brancos no pescoço e na cabeça que me deixou sem entender mesmo. Começou perguntando se eu era americana. Nope. Australiana? Nope. De onde então? Brasil. Ah, Brasil, era do Brasil o cara que foi assassinado no metrô, né? É. Triste, não? Muito.

Eu já estava perdendo a paciência porque queria ser vista pelo Mr. Australia sozinha. Com o Mr GANA do meu lado meu possível futuro housemate jamais viria conferir se eu sou eu.

Abri as ventas em desaprovação. Olha, moço, eu preciso ir porque tenho que encontrar alguém. Onde você vai encontrar esse alguém? Aqui mesmo. Então aonde você está indo? Olha, moço, prestenção: não conheço a pessoa que veio me encontrar e ela nunca vai me achar se me vir aqui conversando com você. Ponto de interrogação do tamanho do prédio do Citigroup. Me dá seu telefone então? Não. Por que não? Porque não lembro o número e esqueci o celular em casa. Ahn... peraí então, deixa eu pegar um papel, segura aqui meu relógio e...

Eu já estava freaking out. Olha, Mr. Gana, preciso ir, really. Olha, tá vendo aquele cara ali sentado? (Apontei para o bonitinho à direita) Então, tenho quase certeza de que é ele. Entreguei o relógio na mão dele e andei até o carinha. Oi. Qual é o seu nome? Ele disse. E era ele. O Mr. Austrália era o bonitinho. Uau. Uau. UAU. Nem parece a minha vida. Não dou essas sortes. O Mr. Austrália não só é gato como é bem legal. Dei um aceno para o Mr Gana sem olhar para ele. Não queria ver sua reação ao me ver walking away com outro cara. O cara que eu estava esperando.

Ele perguntou se eu conhecia aquele cara, referindo-se a Mr Gana. Não! (Aturdida demais) Quer dizer, não...(Mais mansa) Ele veio puxar papo, sei lá, gente estranha, daquelas bem Londres. Ele riu. Eu ri. E ele riu da minha risada. Estávamos entrando em sintonia.

Gostei. Vou conhecer o outro cara que morará nessa casa no sábado. Mr Suécia. Acho que não tiro dois 6 nos dados, mas vai que a sorte está virando?

Pelo menos defini que o Tony, um amigo da BMI, mudará comigo. Decidimos que vamos morar juntos. Ele é um amor, o mesmo que me arranjou onde ficar em Southampton. Em alguns meses estarei falando inglês com sotaque de Bristol.

E encerro esse post agora, já, porque vou encontrar Tony e ver uma casa em Maida Vale. Estamos considerando casas vazias para depois escolhermos, você sim, você não, pessoas para morar conosco.

Vai funcionar. Porque tem que funcionar. Na metade da semana que vem temos que mudar.

Wednesday, August 03, 2005

on my own - and I don't really care

Então aconteceu. Aquilo de it can't get any worse é puro bullshit. Estamos nos separando. As três. A Fru vai para oeste. De lá, um par de meses depois, voltará ao Brasil. A Bobby também vai embora. Ainda não sabe para onde, mas vai. Ainda não sabe para quê, mas vai. Ainda não sabe. Mas eu, que sou péssima nisso de não saber, preciso definir minha vida agora. E estou procurando um quarto, não importa o tamanho, não importa a região, não importa o número de pessoas que vai morar comigo. Só importa que eu possa, novamente, criar meu universo e pagar minhas contas. Meu quarto e apenas o suficiente no bolso, for now. Porque, ladies, gents, eu não paro de escrever, não. Um dos meus livros está gigante. O outro, começando a fermentar. Eu preciso acreditar que alguma coisa boa de toda a tragédia dos últimos meses vai germinar.

Sim, sim.

Vai.

Ontem visitei uma casa em Bethnal Green. Amo a região, mas a casa é lamentável. Hoje vou encontrar um Mr Australia em Canary Wharf. Um pouco mais promissor, I'd say. Um monte de coisas ameaçando encaixar. Não quero me iludir, for I've already eaten the bread the devil smashed (ok, foi fraca) por aqui.