Thursday, November 30, 2006

Quarta 22/11













Toc toc toc – Good morniiiing (ficando agudo no final). Era o Walter vindo nos acordar para o café-da-manhã. A gente deixava escrito na porta do quarto o que queríamos e a que horas e ele vinha acordar e levar o café.


Comemos bem, fizemos sanduichinhos para levar na viagem. Era o dia de subir o Jungfraujoch, alardeado como topo da Europa (not really, but hey). De trenzinho, claro. Uma explicação mais científica pode ser obtida no site de Sir Rubenzão, vulgo Alexandre.


A passagem é cara, mas foi um dinheiro muito bem gasto. Valeu cada puto. Paisagens de tirar o fôlego e fazer hesitar quem diz que só curte praia. Sem brincadeira, um dos lugares mais bonitos que já visitei. Acho que à beleza do lugar, somou-se o fato de a gente nunca ver neve, então tudo fica ainda mais impressionante. No topo chegou a fazer -19 graus celsius. Eu não estava preparada e ainda por cima perdi meu gorrinho. Minha luva é do tipo deditos, que deixa a ponta dos dedos de fora. Cagada, cagada. Quase gangrenei.

Teve ainda o palácio de gelo, e a já antológica cena de eu chutando a grade para voar neve para todo lado e acertando um japa furioso que estava, fazer o quê?, na rota do vento. “YOU! COME HERE!” ele gritou. Eu ri e Rubenzão enrubesceu por mim.


A viagem de trem de volta também foi bonita, mas já estávamos muito cansados. Não sei se pela altitude, ou pelo frio, ou por passar o dia de lá pra cá mesmo. Provavelmente tudo junto. Certo é que voltamos pro Walter acabados e felizes. Jantamos fondue com vinho branco (eu juro que bebi um pouco!). Encerramos o dia com classe. Perfeito. Não mudaria nada. Tá, quem sabe mudaria o fato de ter perdido o gorrinho. Mas mais nada. Nada como viajar para um lugar ótimo em ótima companhia.

Terça, 21/11

Foi esse o dia em que acordei coçando. Pulgas, imagino. Pulgas para todos os lados. Pulgas me picando as canelas, os braços, os ombros, o mindinho do pé, até. Pulgas. Só em mim. Flá ganha casquinhas. Flá ganha refrigerantes. Eu ganho pulgas.



Último dia para a Flá, tínhamos que aproveitar, apesar da chuva fina. Pegamos o bondinho e fomos conhecer downtown Basel, que é uma fofura. Cidadezinha do tipo caixinha de música. Quase do tipo origami. Visitamos o prédio da prefeitura, a catedral, atravessamos pontes e vimos mercadinho de natal. É tudo tão harmônico que é difícil imaginar alguém morrendo ou alguém roubando. Ou até alguém tropeçando (tirando eu, claro).



Fomos pegar nossas trouxas no hotel e partir para a estação de trem, de onde eu ia para Interlaken e Flá ia para o aeroporto. Um cafezinho, compra passagem, tudo com calma, tudo certo. O trem é absurdamente luxuoso e obviamente fiquei roxa de vergonha ao perceber que tinha comprado a passagem errada, que custava metade do preço da certa. Mas tá valendo, tá valendo. A gente tenta. A gente é gringo, a gente pode. E foi no trem mesmo que percebi que meu celular não estava mais comigo. Perdi. Não sei onde, nem como, não sei se deixei em algum lugar de burra ou se foi delicadamente retirado de meus pertences. De novo. Meu celular de poucos meses de idade. Igual ao do ano passado (que foi tacitamente roubado, diga-se). Alguns meses de alegria e acabou. Foi-se. Eu ainda tinha esperança de fazê-lo funcionar chegando em Interlaken, para poder me comunicar com o Alexandre, que me encontraria lá. Agora nem o número dele eu tinha, para ligar de algum telefone público se desse algum pau. Minha cara.

A viagem de trem foi linda. Passei por Bern (capital, sabiam?), mais trocentas vilinhas que não cansei de olhar, e fiz todo o contorno em um dos lagos que dá razão ao nome do meu destino. Interlaken fica entre dois lagos cujos nomes me fogem e não quero pesquisar porque estou com sono e ninguém me paga para pesquisar e escrever aqui. Uma cidade pequena e fofa, de novo origami, de novo musicbox. É cheio disso na Suíça. Eu me sentia até mais correta andando pelas ruas em linha reta e sem me perder.



Mala nas costas, comecei a andar em uma só rua, que era a mesma que levaria à casa do Walter, onde tínhamos reserva. Cheguei lá, abri a porta, não havia recepção. Comecei a subir as escadas sem saber direito por quê. No meio do caminho um senhor de meia idade (com cara de Geraldo, segundo Alexandre) vem ao meu encontro. Um inglês primoroso em que só se utiliza o presente dos verbos mais elementares. Uma graça. Uma figura. Nosso quarto era gigantesco, inclusive com um piano que não tocava (acho que está na moda na Suíça).

Aí chegou a pior hora, que era a hora de morrer de fome enquanto esperava Sir Alexandre chegar porque não tinha recepção na casa do Walter e ele então não saberia nada, não entenderia nada. E estava chovendo, e eu estava nos alpes, porra. Ansiosa que só.

Resolvi entrar na internet, achar alguém que tinha o número do Alexandre no MSN (valeu, Nica!) e pedir pra explicar pra ele que o nosso quarto era o seis, e que eu estava indo para algum lugar, de guarda-chuva e fome e ansiedade, algum lugar que eu não sabia. Só pensava em decorar o caminho da volta.

Acabei achando um único lugar aberto. Comprei um sanduíche, Pringles e um chocolate de ovomaltine. Voltei. Quando chego no Walter, Alexandre e o carro chegam trazidos pelo GPS. Enrolação básica e saímos para jantar no centro da cidade. O sanduíche ficou para a história.

Wednesday, November 29, 2006

Segunda, 20/11

Acordar cedo e ir. Era o plano. Não foi bem assim. O despertador não tocou porque a bateria do meu celular acabou (o começo do fim de minha curta relação com meu novo celular). E só um chuveiro funcionava. Acabamos saindo mais de uma hora depois do planejado. Estando de férias, nada era ruim.



Fomos para Konstanz parando em várias vilinhas. O melhor jeito de se viajar pela Europa é assim: de trem, pegando o maior número de paradas possível.

Descemos e saímos andando, rumo ao lago, para achar um lugar pra comer. Os poucos restaurantes por ali estavam fechados. Acabamos indo, de novo, num Mc Donald’s, onde, mais uma vez, Flávia ganha um refrigerante de graça e eu não. Nice again.




Passeamos em volta do lago e inclusive nele, ouso dizer.



Tá, dei um passo dentro do lago, para catar pedrinha e para dizer que experimentei as águas do famigerado lago. As fotos não me deixam mentir.

Mais um dia de bater muita perna. Depois do lago fomos passear pela cidadezinha, até anoitecer e chegar a hora de pegar o trem de novo, dessa vez para Basel, onde passaríamos apenas uma noite e no dia seguinte, hora do almoço, a Flá pegaria o avião de volta.

Chegamos em Basel sem saber para onde ir. Já era de noite e começamos a andar, caladas pra economizar energia. Nada de hostel, hotel, nada de nada. Só avenidas grandes e casas do estilo cohab. Percebemos logo que estávamos no lado *errado* da cidade. Continuamos mesmo assim, porque não tinha o que fazer. Depois de uns vinte minutos começaram a aparecer as primeiras placas pro Zentrum e para hotéis.

Acabamos ficando num hotel, pagando mais do que gostaríamos de ter pago, mas tendo mais conforto do que esperávamos. Apesar disso, minha cama estava decididamente com pulgas, das quais ainda hoje me lembro posto que não parei de me coçar ainda. Vale lembrar que Flá não ficou com uma só mordida. Nice again.

Bom, depois de acharmos o hotel, deixamos as coisas e fomos para a balada. Quer dizer, na verdade ficamos uns 15 minutos no lugar, mas gosto de dizer que fomos para a balada.



Era o Bar Rouge, no 31º andar do prédio do Ramada. Cheio de homens brancos em trajes sociais pretos, rodando o gelo do uísque com o dedo após um dia de boring meetings. Cansamos rápido. Era tudo muito rouge e estranho.

Na volta paramos num Piano Bar sem piano para comer algo. Descobrimos então que Suíça é cara.

Tuesday, November 28, 2006

rough rough rough

Interrompemos a programação para minha crise de mau humor.

Ainda vou me arrepender desses repentes na world wide web, mas que se exploda. Nada deu muito errado, mas quase nada deu slightly certo.

Tô entediada, com dores, puta da vida com várias pessoas sem motivo, e não, machinhos, não estou de TPM. Pior de tudo é que sei o motivo e me odeio por isso.

Mas vai passar, vai passar. Já tá passando. Aliás, tinha quase ido embora quando queimei meu pé tentando ser zen e tomando um banho de banheira. Aí voltou.

Amanhã acordo nova, independentemente de hoje. Mas hoje seria um dia menos nulo com um cafuné.

Monday, November 27, 2006

Sábado, 19/11



Esse era *o* dia de ver Munique. Tínhamos que make the most of it. Fizemos mesmo. Batemos muita perna. Fomos primeiro no Palácio de Nyphenburg ou algo assim, que tem a ver com ninfas, sim. Uma das salas contava com 38 (38?) quadros de mulheres que o rei (algum rei) achava belas. O mais legal no palácio, no entanto, é o jardim.



De lá fomos para o centro de Munique onde, entre outros BELVEDERES (das palavras que soam algo que não são) visitamos o Residenz, onde vários reis moraram.



O maior palácio que já visitei, nunca tinha ido a um lugar com tantas salas de acesso a público. Lindo, lindo. No final eu e a Flá estávamos levantando a bandeira branca.



Também andamos muito por áreas que, não estivéssemos perdidas, jamais conheceríamos. O lado bom de fazer merda sem o nervoso de perder tempo.

Precisávamos sentar. Fomos atrás de um restaurante típico indicado por uma pessoa típica, mas não decorei o nome do restaurante a tempo de perguntar para outra pessoa como chegar lá. Eu só lembrava o nome da estação de trem. Giselastrasse.



Acabamos indo num restaurante com cara de típico e bom, eu achei. As garçonetes vestiam vestidinhos com mangas bufantes. Os garçons traziam um cantil pendurado. Fofo. Tudo fofo. E germanicamente incompreensível.

Sexta, 18/11

Mudei de idéia, vou postar dia por dia.

**

Depois de uma noite cheia de gente em casa, acordamos Flá e eu já sabendo que teríamos que largar a casa na bagunça mesmo. Não daria tempo de muito mais que fazer as malas. Conseguimos sair na hora que planejamos, mas planejamos errado e perdemos o ônibus para o aeroporto. Pegamos o seguinte e, sem crise, deu tudo certo. Foi tudo bem tranqüilo. Check in sem problemas, nenhuma criança chutando meu assento no avião, nenhuma turbulência fazendo suar frio, chegamos em Munique com classe. Nada dava errado. Pegamos o trem certo, descemos na estação certa, tudo estava certo demais. Certo demais. Isso tinha que estar errado. Como eu não fui perceber? Nada dá tão certo sempre.

Chegamos no albergue às 22h para descobrirmos que tinham trocado as bolas (bolas estas que não fiz questão de entender porque estava irritada, e irritada não entendo nada). Resumindo: o albergue onde fiz reserva não tinha mais vaga para nós. Simples assim. Ignoraram nosso booking. E não tinha solução outra que não fosse nos mandar de mala-bem-pesada e tudo para ooooutro albergue. Fomos. Deu tudo certo, mas foi a maior perda de tempo, ainda mais que no dia seguinte teríamos de voltar para o albergue original, fazer check in de novo yadda yadda.

Ainda na sexta precisávamos considerar o dia útil e fomos reconhecer a área. Andamos por aí. Terminamos no Mc Donald’s onde a Flá ganhou um sorvete de casquinha de graça, e eu não. Nice.

Sunday, November 26, 2006

de volta

Amo a Suíça a partir da semana passada.

A real é que tenho zilhões de coisas para escrever, palavras entupidas na ponta dos dedos querendo sair, mas agora não vai dar pra mergulhar aqui porque não estou exatamente concentrada com a Flá me perguntando o que cozinhar e o Felipe, amigo dela, discutindo as peculiaridades das línguas estrangeiras.

Não reclamo, fiquei dois dias muda, viajando sozinha, agora quero mais é ser interrompida nos meus mais tortuosos pensamentos.

Jajá escrevo o maior post que a blogosfera jamais testemunhou. Jajá não é necessariamenre hoje, mas é em algum momento.

Thursday, November 16, 2006

outros olhos

Bom é assim. Odeio morrer de sono, mas adoro lembrar da causa.

Continuo rodando mais rápido que a rotação da Terra mas, hey, isso eu já esperava. Eu sempre soube. Sempre foi assim. É inerente. Me surpreende o fato de eu ainda me surpreender.

Eu posso estar pacífica, mas ainda carrego um mundo refletido nos olhos. Não dá para ficar tranqüila assim. Eu fico o tempo todo me coçando para lembrar que existem coceiras que estejam no corpo, e não na alma.

É que eu sempre me perco quando começo a andar sozinha, mas then again, já me acostumei. Sei que vou me perder mesmo, que seja rápido, e que eu me divirta com minha miséria, e que eu conheça estradas mais bonitas que as principais, e que eu ache a certa por acaso, porque de propósito nunca vai rolar. E que a certa nunca seja a certa, apenas a menos errada. Ou a mais divertida. Porque não preciso de tanto assim para me divertir. Acho que fiquei menos exigente com a idade. Ou o mundo é que me parece mais patético. Pode ser, pode ser. Não sei. Não preciso.

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Amei falar com minha Fru no telefone. Amei falar com meu Putão no Skype. Que saudade, que saudade. Tá chegando.

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Sabe que eu me acho a pessoa menos romântica do mundo (enquanto o mundo acho o contrário), mas não tem como ouvir By Your Side sem se derreter. Uma das melhores músicas dos últimos tempos, que até meu iTunes parece gostar. E eu gosto que ele goste.

I will show you, you'll so much better than you know.

Mas é depois de amanhã que eu viajo e nem tenho nada pronto, nada planejado, nem um guia, nem um mapa, nem sei a mala que vou levar e quanto dinheiro devo tirar, não sei nem de que aeroporto sai meu vôo. Não sei a hora do meu vôo. Muito trabalho, e muitas outras coisas disputando lugar na minha cabeça.

Mas ninguém deve pensar em mais nada quando se ouve By Your Side. É sacanagem, é injusto, é errado. Eu paro o que quer que esteja fazendo para aproveitar os poucos minutos de romantismo que existem em mim. Não importa quem esteja na roda. Nem que esteja a minha volta. Nem o que eu tenha feito de errado. Nem o que você esteja fazendo de errado. Todo mundo menos nós.

Yeah, the white men in the black suits, they are diminishing.
I really hope they go away
I hope they find a nice place
I hope they find it some way
I hope they go away.

É por aí.

Wednesday, November 15, 2006

conta até quatro, solta, conta até quatro, puxa

Contando as horas para sábado. Vocês sabem o quanto mereço? Não, não sabem. Eu merecia um ano de férias - mas then again, só eu acho isso. Oh, mundo capitalista e taylorista, pai de todas as injustiças e conflitos entre irmãos. Oh.

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Passei por um momento de epifania mágico. Na verdade sonhei com uma descoberta revolucionária. Sonhei que existia um mercado com um hidratante só para bunda! Não tente entender!

Sonhei que comprava, tinha achado a idéia genial, mas que na embalagem dizia que era feito de material alucionógeno. A-ham.

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Mais um feriado no Brasil. Se tem algo de que sinto falta é do fervor religioso do meu país que me permitiu por tantos anos ter tantos feriados. Viva a República Federativa do Brasil. Sip sip hurray.

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Cólica. E olha que não sou dessas. E ansiosa. E olha que sou bem dessas. Mas hoje vou na dotôra, ver se está tudo nos conformes no quesito cachola. Well, nos conformes nunca vai estar. Vamos ver se ela, a cachola, está confortavelmente desconfortável, apenas.

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Pode ser que eu tenha feito merda. Pode ser. Mas não estou pensando mal de mim. Pode ser que eu me arrependa, pode ser que eu me censure ainda mais, pode ser que eu seja uma pessoa pior a partir de agora, um-dois-e-já.

Still, sou eu. Os outros podem, mas eu não posso pensar mal de mim. É assim que me protejo do que existe de ruim tentando contaminar o (resto) que tenho de bom.

Monday, November 13, 2006

it's a mess but it's working

Metade de mim diz que sou uma ótima pessoa. A outra metade é toda tentativa de negação. Eu já entendi que preciso somar e dividir por dois. Eu só não consegui ainda.

Cabeça atordoada demais com pessoas demais. Essa viagem veio a calhar. Nem escrever destravada estou conseguindo.

E nem tentem entender toda a dimensão porque poucas pessoas conseguem ver o quadro completo. Partes dele são lindas, invejáveis até. Ele inteiro, not too sure.

Please please please
No apologies
At best they buy you time
Until you’re next step out of line
Please please please
No more remedies
My method is uncertain
It's a mess but it's working

And maybe if you want to try it out
You won't like it when you're crying out

Give me something familiar
Somethin' similar
To what we know already
That will keep us steady
Steady, steady
Steady going nowhere


Tenho que deixar a Fiona cantar mais vezes. Ela manda bem melhor que eu.

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Expectativas para ir ao Brasil crescendo a dimensões pantagruélicas. Um mês e uma semana to go.

(Na verdade eu só queria usar a palavra “pantagruélica”.)

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Eu já escrevi vinte coisas e quase vinte eu apaguei.

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Na verdade eu travo assim porque sei que tem muita gente lendo isso aqui. E tem muita gente querendo doer menos, e outra gente querendo doer mais, e eu só escrevo para mim, só para mim. Não se iludam. Mas estamos todos aqui, no mesmo mundo ao mesmo tempo. É claro que você e você e você também vão estar aqui. Eu não quero machucar. Eu só aprendi a não doer junto. Será que fiquei dura demais? Eu não sei, mas sinceramente prefiro assim.

Thursday, November 09, 2006

fuck my way up

Acabou meu remédio e eu esqueci de pegar a receita. Tudo errado, tudo errado... Estou mais lentinha por isso. Se tudo ficar torto, é culpa da minha antidopagem.

E estou meio entediada aqui. O ano está acabando, meu chefe jumping up and down para atingirmos a meta, mas sem budget não há muito o que uma mera executiva possa fazer. Eu espero apenas. Enquanto isso leio poesias – Rilke especificamente – e mastigo qualquer coisa.

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Eu nunca vou ser o tipo de moça terninho. O tipo que limpa nervosamente a boca com o guardanapo quando come. O tipo que sonha com cavalos sendo alimentados com muesli. Eu nunca serei mocinha, dessas que secam o cabelo. De manhã e à noite. Daquelas que comem maçãs em vez de chocolate. Eu nunca vou me comportar como se espera. Eu nunca vou deixar de franzir a testa porque franzir a testa dá rugas. Eu não penso no quanto preciso fazer a unha. Eu não me preocupo se saí com uma meia de cada par. Eu não me preocupo com pares em geral, nem com meias. Eu acordo todos os dias às 7:28h porque odeio tudo o que é redondo.

Poucas vezes errei de caminho, mas é só porque os caminhos são tão tortuosos, tão sinuosos, que é difícil dizer quando terminei um e comecei outro, quando realmente escolhi ou quando fui a esmo. Na maioria das vezes, vou a esmo. Acredito demais nas minhas entranhas. Desconfio muito da minha capacidade de planejamento. Não sei o que vou estar fazendo daqui a cinco anos e chego atrasada em entrevistas de emprego (mas não me atraso para mais nada).

Odeio uniformidade, odeio unilateralidade, odeio unidireção, odeio “unis” em geral, inclusive uniões. Não acredito em uniões, para ser sincera. Acredito em andar junto. Fundir, não.

Acredito em caminhos tortos, mas não em errados. Nem em certos. Apenas espertos ou burros. Para caminho não se dá nota. Porque notas têm que partir de uma certeza absoluta e ir baixando quanto mais se afasta disso. Só que ninguém sabe de nada, ninguém tem o direito de saber mais, nem a capacidade. Ninguém entenderia porque um caminho limpo e reto me deixaria deprimida. Ninguém entende quando choro estando tudo, tudo bem.

E foda-se.

Não entendo como há gente to tipo terninho, do tipo que limpa nervosamente a boca com o guardanapo, do tipo que sonha com cavalos e seca o cabelo. Não entendo, não faz parte do meu mundo, rio de ironia (são pessoas que ainda não entenderam que vão morrer). Ou de tédio. Rio dos textos lineares. Acho graça em quem tenta fazer da literatura uma arte exata (se isso existe). Não rio de raiva (embora possa acontecer). Rio porque acho fofo. Elementar. Uma infamiliaridade com a escrita igual a que eu tenho com um pincel. Ou com um guardanapo grande.

Mas tento ao máximo respeitar. Tem gente que sabe onde vai estar daqui a um mês e realmente sabe. Eu não sei. Eu prefiro ser surpreendida no meio do caminho. Mudar meu curso, voltar, cortar caminho, ser pega pela polícia, chutar e ser presa, chorar, depois rir de tudo e vir contar. Não sei o que me fará feliz. Sei o que me faz.

Ah, chega.

Wednesday, November 08, 2006

Bukowski

ANOTHER BED
from: Love is a Mad Dog from Hell

another bed
another women

more curtains
another bathroom
another kitchen

other eyes
other hair
other
feet and toes.

everybodys looking.
the eternal search.

you stay in bed
she gets dressed for work
and you wonder what happened
to the last one
and the one after that...
it's all so comfortable-
this love making
this sleeping together
the gentle kindness...

after she leaves you get up and use her
bathroom,

it's all so intimate and strange.
you go back to bed and
sleep another hour.

when you leave its with sadness
but you'll se her again
whether it works or not.
you drive down to the shore and sit
in your car. it's almost noon.

-another bed, other ears, other
ear rings, other mouths, other slippers, other
dresses

colors, doors, phone numbers.

you were once strong enough to live alone.
for a man nearing sixty you should be more
sensible.

you start the car and shift,
thinking, I'll phone Jeanie when I get in,
I haven't seen her since Friday.



Ah, esse Hank...

Tuesday, November 07, 2006

alone we stand, together we fall apart

Unusual day this was.

Dormi pouco mas acordei bem. Mas o que me intrigou mesmo veio de fora. Recebi email de pessoas que menos esperava. Aliás, quase nunca espero anyway. Descobri que minha resistência a frustrações é baixa, então prefiro não esperar nada nunca. Mando emails e depois esqueço, porque a idéia de nunca receber uma resposta me é insuportável.

Emails bons, quase todos. Amigos que devo reencontrar em breve. Pessoas que sabem que vou pro Brasil e resolvem que sou importante. Pessoas que não me conhecem mas me acham que conhecem por causa do meu blog (acho o máximo, só não consigo entender). E outras pessoas. Sempre têm as que intrigam mais.

Baby, baby, você dançou. Agora é tarde, néam? Sim, agora é tarde. Sou eu quem digo, sou eu quem julgo. Só de farra, vamos trocar de papéis, sim? Agora você massageia e eu piso.

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E ando pensando bobagens. Bobagens boas. Mas nem vale a pena me esticar aqui. Porque as pessoas lêem e depois vêm pedir further explanations que na esmagadora maioria das vezes eu não tô a fim de dar– se estivesse escreveria porque, acreditem, eu sei escrever claro também.

Mas tá legal, tá legal. Tá rolando, tá rolando. Estou falando da vida. Está andando conforme é empurrada. Finalmente funcionando Segundo as leis da física. O problema é quando dou aquele tapão e tudo sai voando descarrilhado. Ainda não. Por isso estou sorrindo mais.

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E em uma semana e meia apenas estarei de malas prontas. Não vejo a hora, não vejo a hora. Estou cansada. Estou senhora.

Monday, November 06, 2006

no such thing as saving love for later

Após dois dias off sick, tenho uma montanha de trabalho me esperando. E pouca disposição, já que ainda há restos de resfriado correndo por aí.

Mas vou fazendo sem pensar porque se eu convencer meu corpo de que ele pode, a cabeça vai atrás. Sempre foi assim comigo.

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O fim de semana foi bom. Quieto. Dormi muito, como precisava. Saí pouco, porque já tá frio. Fizemos uma sessão de filme em casa na sexta. O frio foi suficiente para convencer meia dúzia de marmanjos a comparecerem. Compramos pipoca e sorvete e panqueca. O filme que escolhemos, Hostel, foi uma bosta. Todo o resto foi bom.

Sábado foi dia do transporte em Londres foder com minha paciência once again. Metrô fechado, outro atrasado, ônibus parado, um carnaval, minha gente, um carnaval. Demorei mais de uma hora pra chegar em Central London. Fomos no cinema, assistir Red Road, um filme escocês que eu adorei, embora seja meio deprimente e embora eu tenha que assistir de novo quando chegar em DVD, dessa vez com legendas. O filme se passa no pior que há de Glasgow.

Domingo foi dia de fogos. Remember, remember the 5th of November etc. Fomos no Victoria Park, em Bethnal Green, assistir à queima de fogos. Viagem longa para fogos curtos e reles. Na verdade, achei a queima linda. Uns fogos que nunca tinha visto, emocionante mesmo. Só que viajamos bagarái pra chegar lá e assistir a, sei lá, 10 minutos de festa. If I had to do it all again I wouldn’t.

Em suma, aproveitei a maior parte do tempo em ótima companhia.

Mas como sou um bebezão, it’s never enough. Em Londres aprendi a ser carente. Nunca fui. Aqui sou um pouco. Não muito porque esse é um sentimento que me irrita e me intimida. Mas confesso que fiquei um pouco mais, ou ao menos aprendi a enxergar.

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Sonhei com montanhas.

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Falei com minha Piu no Skype com webcam pela primeira vez. Foi lindo. Ela estava usando o pijama que mais amo No. 2, também conhecido como Cecilinha.

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Já falei que arranjei companhia pra minha viagem? Arranjei. Uma para a parte da Alemanha, outra para parte da parte da Suíça. O que me deixa apenas duas noites on my own. Should be fun.

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Saving love for later – there’s no such thing. Aprendi isso na marra, claro. “Vou ficar aqui guardando seu amor para quando você voltar”. Frases que falamos para preencher vazios doídos. Eu fiz e você fez e eles fizeram. Todos mentimos, percebemos e ficamos quietos. Digerindo a mentira mútua.

Estava lendo o blog de uma menina cujo amado foi morar fora. E ela disse isso, que estará guardando o amor para quando ele voltar. E a vontade que tive era de dizer que não, que tá tudo errado, que ela ainda não sabe, mas isso não existe. Que, day in day out, deparo-me com alguém que acabou de descobrir a verdade, como eu uma vez descobri. Dói saber que amor não é tão forte como um dia acreditamos. Que acaba a maioria sabe depois dos 20. Mas não que acaba antes do que esperamos.

Então se um dia ela vier parar aqui, lendo este post, que seja rápido - indolor é impossível. Mas que faça sentido. Que ela não me xingue, não me odeie, não me ache uma burra generalista. Porque não estou sendo burra nem generalista. Vai ser assim.

Enfim, há várias formas de se tapar o sol com a peneira. Mas já adianto, nenhuma delas vai evitar queimaduras.

Wednesday, November 01, 2006

32 merdas

Hoje o dia começou assim: derrubei leite no sofá, esqueci o mapa do lugar pra onde ia em Richmond e esqueci o celular em casa e esqueci o iPod. Existe um psicanalista (só podia) que afirma que temos que ter 32 furstrações diárias, entre grandes e ínfimas, para que o dia seja completo. Considerando que em menos de uma hora já foram 4, em 24 serão 96, o que deveria fazer, segunda a matermática do nosso amigo, com que eu não tenha mais nenhuma frustração nos próximos dois dias.

Mas como eu duvido, desde já declaro que o psicanalista que afirmou isso e cujo nome não me lembro, só fala merda.

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Continua inundando. Impressionante. Sorrisinho rasgado. As coisas não eram assim quando não éramos tão comunicáveis. Agora sou sempre achada. E adoro. E adoro reclamar adorando. Some sugar in my bowl, you know. Nina Simone continua tentando habitar meu corpo. Eu deixaria fácil, se ela quisesse mesmo. Já pensou uma blueseira loira de olhos claros? A voz, temporariamente, eu já tenho.

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Ontem fui num pub e veio uma menina vestida de bruxa absurdamente apertável (aqui não posso fazer essas coisas, fiquei na vontade) dizer trick or treat. Peguei umas moedas da bolsa e dei pra ela. Mas acho que ela tava superafim de fazer o trick, então mesmo recebendo o treat. Ela virou as pálpebras pra fora e falou “looks like you’ll have a trick!” E eu respondi, “but, sweetheart, I just gave you your treat!”. Ela ficou me olhando meio encafifada, quase com medo. Abri um sorriso. Ela ficou ainda mais assustada. Aí eu percebi que ela ia correr mas ainda deu tempo de acrescentar: “hey! Stop doing that to your eyes. An angel will come and blow and you’ll be like that forever! Seriously!”

Ela recuou, de costas mesmo, e já armou o bico. Eu não queria fazê-la chorar, mas virar as pálpebras daquele jeito não pode fazer bem. Eu fiz isso pelo bem dela. Eu juro. E vai que realmente passa um anjo, sopra, e ela fica daquele jeito? Foi assim que eu, pelo menos, parei de brincar de ser vesga quando era criança.