Friday, December 24, 2004

an approach to happiness

Hoje eh dia de natal em casa com alguns amiguinhos, ainda nao sabemos direito quais. A baderna, na verdade, ja comecou, ao notarmos que convidamos uma galera e nao temos prato, talheres, compos, nada. Amanha vamos todos (eu, Bobby, Fru,.Nickao) pra casa do tio John e dia 26/12 eh o chamado “boxing day”, em que os precos despencam na cidade toda. Dia 26 tb eh dia de arrumar mala pra Paris! Dia 27/12 Grah e Lili chegam do Brasil e no mesmo dia partimos no Eurostar rumo aa Cidade da Luz.

No momento estou no trabalho sem fazer nada pq eh dia 24/12 e as camaras todas obviamente estao fechadas, mas ingles eh metodico pra porra e querem que eu fique. Por mim ta sussa. Estou ganhando para escrever e-mails e conversar com meus coleguinhas. O escritorio estah vazio e eu ganhei uma varinha de condao da Tatyana, a ucraniana que senta ao meu lado. Ela veio com uma fantasia de anjinho e tem um monte de gente de papai noel pelo escritorio. Aqui Natal eh coisa seria. Alguem, por exemplo, deixou uma caixa de tortinhas com uma mensagem: “Please, take one! It’s Xmas!” E eh claro que eu took one.

E em algumas horas estarei de ferias e nem acredito. Minha vida ta muito boa. Muito mesmo. Afora minha tireoide gritando e meu joelho apodrecendo. Tudo sumariamente ignorado ateh minha volta das ferias.

Sobre minha tireoide, acho que vou ter que ver isso quando voltar de Paris… O pior de tudo eh que agora o meu joelho ta fodidamente fodido. Nao sei o que rola. Mas nao to mais vindo aa peh pro trabalho por causa disso!=( Se nao melhorar ateh eu voltar pra Londres, tb vou ter que ver isso. Um saco…

O fofo velho tem ocupado mais espaco na minha cabeca. O fofo novo tem me irritado por sua porteza (capacidade de ser porta), e o lance de ter namorada impressionantemente me brochou. Eu, que sempre me derreto pelos comprometidos. Mas o fofo velho eh fofo demais. Ontem me chega um cartao de natal pelo correio. Todo desajeitado e lindo. Me parece que ALGUEM vai aprender portugues…

Feliz natal para quem eh de natal! Feliz ano novo se eu nao conseguir postar ateh a volta! Espero que os desejos de todos se realizem. Como os meus se realizaram, e estao se realizando, e irao se realizar. Porque eu quero.

Tuesday, December 21, 2004

mea maxima culpa

Ta. Dessa vez confesso que exagerei na demora. Nao era para ser assim. Era para eu sempre poder escrever nem que fosse meia duzia de palavras mal-acabadas. O problema eh que nao consigo escrever meia duzia, ainda mais mal-acabada. Comecei a escrever no meu notebook, parei no meio, em breve quero retomar. Mas nao sei se eh publicavel, ainda preciso avaliar.

E nesse pequeno tempo de ausencia tanta, mas taaaanta coisa aconteceu que tenho certeza de que vou deixar para tras detalhes importantes. Esse eh o problema de nao atualizar o blog. Ou voce fica com a consciencia pesada por passar voando sobre assuntos importantes, ou voce fica horas escrevendo um post atualizado e completo que ninguem vai ler porque nao ha saco.

Vou tentar dar um apanhado geral. Finalmente mudei de setor. Agora estou no "big room" e o trabalho no marketing eh bem mais dinamico. Nao vou dizer que encontrei a paixao da minha vida nessa nova funcao, mas eh way better que meu antigo posto. Tenho mais responsabilidade e um ambiente de trabalho mais caloroso, o que ajuda bastante.

Fui aa Christmas Party da empresa e nao me lembro de ter me divertido tanto em Londres. No final, fui dormir na casa de um colega. Eu e mais dois colegas. E o saldo foi: dormi com um mas queria o outro. E o outro, diga-se, eh o dono da casa em que dormi com o um. E o um eh uma graca, um fofo, um querido, eh o gatinho que trabalhava do meu lado. Mas nao. E o novo gatinho trabalha onde? Onde? No marketing. Comigo. Ah, sim, e tem namorada.

E o antigo gatinho passou o fim de semana comigo e eu continuo gostando da presenca dele e tal, e as meninas tambem gostaram dele e a parede tambem gostou dele e as formigas e o sol e a arvore. Foda-se. Eu tambem gostei dele. Gostei. E ainda gosto para uma ou outra, vezenquando.

Fim de semana passado foi mais light. Bobby fogueteira nao parou em casa. Soh deu eu e Frubinha no cinema. Sabado para ver Diario de Bridget Jones 2 (que para espanto geral da blogsofera eu a-do-rei) - alias, se voces prestarem atencao no cenario, a Bridget mora perto da minha casa! Domingo foi a vez de Mala Educacion. Almodovar, neam? Nao preciso comentar. Voces sabem de tudo, tudo.

Depois rodamos atras de DVDs e fiquei estressada numa loja do Soho em que um cara me vendeu um DVD sem o CD dentro e nao queria me devolver o dinheiro. Enfim. Devolveu. Mas fiquei estressada.

Ja nesse fim de semana, aniversario de Frubinha, fizemos as vontades da princesa! Sexta ela me encontrou no Goose do lado do trabalho, onde estava rolando happy hour e despedida do Chris, o gatinho, recem-demitido da empresa.

De la, o Chris foi conosco para casa, onde sinto ser desnecessario entrar em meandros. Acordamos devidamente tarde e resolvemos patinar no gelo. O Chris veio junto. Chegamos na Somerset House e tava lindo, lindo, mas cheio, cheio. Eeeeu desencanei, e voces? Eles todos desencanaram. Ficamos por ali um pouco, vendo a rapaziada se arrebentar no gelo, e fomos para um pub, onde descobri que o problema de coceguinha do Chris pode ser um agravante para eventuais reincidencias. Ele eh pior que minha Piu. Da uns pulos, sofre mesmo, coitado. E ja tinha notado isso em situacoes de timbre mais intimo.

Saimos do pub com uma festa para ir em Hackney. Obviamente eu ja nao tinha mais necessidade de sair novamente. Bodeei. As meninas foram e voltaram cinco minutos depois. Bodearam no meio do caminho, chegando no metro.

Sabado tomando cha e falando merda. Poderia ser melhor? Domingo fui nadar, depois passeamos no outro lado do Tamisa (oposto ao lado em que moro) e sentamos para um cafezinho cl-cl*. Na volta paramos no mercado e comemoramos o niver da Fru em grande estilo: estrogonofe de camarao feito por Bobbynha. Saimos de casa atrasaderrimas para a comemoracao do niver da Fru no Oneill's, no Soho. A banda do Kiko, amigo da Bobby, estava tocando. Foi bem legal. Mas fiquei pouco porque dia seguinte seria recomeco do batente e eh foda. Foi foda de qualquer jeito, mas ca estou. Contando os dias para minha ida a Paris. Faltam cinco.

*cl-cl = manifestacao de necessidade e/ou vontade de demonstrar simplicidade com coisas caras.

Thursday, December 09, 2004

uma casa muuuito engracada

Aih, mano, a casa caiu. Na verdade estah caindo. Aos poucos. Acho que o dono da casa conseguiu economizar bastaaaante dinheiro quando resolveu reforma-la. Aos poucos tudo estah quebrando.

Primeiro foi o exaustor. Do dia para a noite ele resolveu simplesmente nao ligar mais. E como a cozinha eh americana voces imaginam que nao eh exatamente agradavel o cheiro de comida empesteando a casa toda.

Depois caiu a porta de um dos armarios da cozinha. Por sinal na minha mao. Fui abrir e, poft, caiu. Ha quem me chame de Monica, mas a culpa nao foi minha. A porta ja estava podre e eu so fui a infeliz vetora do incidente.

E tem os copos que quebram quando os estamos lavando, talheres que desmontam, abridor de garrafa que quebra bem no nosso housewarming, e a porcaria do abridor de latas que eh cheio dos nheco-nhecos e, abrir a lata que eh bom, claro que nao.

Nossa maquina de lavar roupa eh brasileira. Ela samba. Samba e vai andando para frente. Juro. Ateh que uma hora nao da para fechar a portinha (porque ela fica dentro de um armario) e eh aquela palhacada para conseguir empurrar a Globeleza de volta. Mas adotei a tecnica que minha irma adota para empurrar a escrivaninha dela. Bunda no chao e coice na sambista. Funciona. Mas irrita.

Maquina de lavar prato? Ahn? O que seria? Desencanamos dela faz teeempo. Talvez porque uncle John nos disse que gastariamos uns £70 com o conserto. Talvez porque o homem para quem ligamos nao retornou mais. Talvez porque a maquina gasta muita agua e energia. Talvez pela somatoria de tudo.

Uma de nossas DUAS janelas emperrou. Depois conseguimos dar um jeito, jeitinho, neam? Mas neguinho tem que pensar bastante se ha necessidade de mexer nela.

As lampadas, uma a uma, estao queimando. Numa velocidade comemoravel para a industria. Sao daquelas luzes caras. Acho que menos da metade esta acendendo no momento. Pelo menos economizamos energia. Eh triste.

Tem tambem o aquecedor que fica perto do nosso (meu e da Bobby) quarto. Voce tem que mima-lo, apertar varias vezes um botao, tentar de jeitos diferentes, ateh ele resolver ligar.

A TV ta la soh para DVD mesmo, porque o cabo da antena coletiva estah meio podre e nenhum dos 04 canais pega direito.

Ah! Tem tambem a geladeira e o freezer, que apita quando ficamos mais de x segundos com a porta aberta. Eh um metodo de economizar, claro, ja que quando esquecemos a portinhola aberta soa um alarme (tipo um passarinho histerico). O problema eh que a "tolerancia" eh bem baixa. Muitas vezes a gavetinha do freezer emperra e nao da tempo de desemperrar antes dos apitos.

E tem o sofa tambem, do qual tem saido um cano preto pela (des)costura honestamente indecifravel para minha cabeca loira.

Por fim, o chao do banheiro eh bem dodgy. Varios barulhos estranhos apontam que dentro de poucas semanas todos cairemos num poco sem fim. Alice no pais das porcarias.

Eh engracado. Sei que vou lembrar de outros detalhes do genero depois. Eu realmente acredito que a casa estah aos poucos se desfazendo. Um metodo sutil e ingles de nos expulsar de seus ares. Mas, quer saber? Precisa de muito mais. Adoro essas idiossincrasias inanimadas. A casa nao sabe eh que nos somos brasileiras. Nos apegamos facilmente e, apesar de nao consertarmos nada, remendamos tudo. Ateh quando cair de vez.

Wednesday, December 08, 2004

meio ano

Essa noite sonhei com minha irma. Ela vinha para ca de surpresa e eu nao desagarrava dela. Percebam que nao foi tanto um sonho quanto uma profecia. Vai ser exatamente assim. La vinha e eu e ela dividiamos a mesma cama de solteiro, e a Bobby estava no quarto tambem e apesar do aperto eu estava incontornavelmente feliz. Vai ser assim quando ela chegar. Soh mais um pouquinho. Seis ou sete meses.

E ja estou na marca dos seis meses. Seis meses que vos deixei (aos que estao longe, claro). Engracado que me bateu uma nostalgia diferente. Nostalgia do meu primeiro mes aqui, que foi doloroso pela saudade, mas encantador por todos os outros fatores que voces devem ter acompanhado no comeco deste blog. Inclusive, comecei a por umas fotos antigas, dos primeiros meses, no meu fotoblog.

Mas que venham os proximos seis.

Albergue reservado em Paris. Falta apenas comprar as passagens de trem, o que farei neste fim de semana. Passarei o reveillon na em grande estilo com as queridas Lili e Grah, do dia 27/12 ao dia 3/1. Depois volto aa labuta, se deus quiser.

Dias frios e calmos por aqui. Hoje minha chefe anuncou a “demisao em massa” de todos os meus coleguinhas que nao tiveram a mesma sorte que eu. Fiquei triste por um ou dois. O resto era vagabundo mesmo. Verdade. To pra ver povo mais enrolador que os britanicos. Conhecem todos os sites de inutilidades do mundo, buscam deus e o mundo no Google (um veio perguntar o que eh “Observatory da Impress”, ou seja, o filhadaputa ficou me googleando), qualquer pretexto engatam numa conversa profunda acerca de assuntos realmente vazios. O resultado esta ai. Nao sei se sou energica demais, mas no lugar de minha chefe, muita gente ja teria perigado nessa empresa.

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Cortar o cabelo virou questao elementar de sobrevivencia. Seis meses de madeixas intactas me deixou com uma mistura de cabelos ridicula. Vou tentar apenas cortar. Se ficar muito PAM, faco relaxamento. Mas estou querendo deixa-lo crescer au naturel. Vai que meu cabelo mudou e eu nem percebi?

Ah! Comprei uma QUE SAI NA AGUA tinta preta. A ordem invertida da frase foi proposital, para babae e babai nao morrerem do coracao. Eh uma bisnaguinha para pintar o cabelo e que sai na primeira lavada. Quero soh ver como fico de cabelo bem escuro. Se ficar legal, estou pensando em pintar. Nao de preto, mas de castanho escuro. Pode ficar interessante.

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Ontem fui nadar. Ao sair de casa, falei para a Fru: “vou dar uma soltadinha, coisa pouca, volto em uma hora”. Acontece que cheguei na piscina e tinha um mano se achando. Todo musculoso, altao, dando virada olimpica. E uma vez competidora, sempre competidora. Nao aguentei. Tive que humilhar a crianca. Ah, lado negro que nao me deixa. Por que humilhar o guri na frente dos amigos? Nao adianta, nao me contenho. E ontem na piscina tambem achei um brinco liiindo no vestiario. Logicamente me pus a procurar desesperadamente pelo outro par. Revistei todas as cabininhas e nada. EU ja via a pedrinha azul brilhando na minha orelha. Mas nao achei. Cheguei na recepcao e, com a cara mais santa do mundo, entreguei o brinco: “someone might come looking for it…” A recepcionista agradeceu e me admirou. E eu fiz cara de admiravel. Sou uma vaca brasileira, mesmo.

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Coracao vazio eh uma merda. Alguem num raio de 50km para ocupar a vaga?

Saturday, December 04, 2004

ou pra que eh que serve uma cancao como essa?

Nao ha antidepressivo que resista a Adriana Calcanhotto. Mas, serio, eh uma coisa assim simples e poetica. Nao eh aquela depre devastadora. Eh a do tipo inspirador. Estou aqui ouvindo que nada mais importa, nem mesmo os poetas, depois de ter voce. E de repente perdi a urgencia de fazer tudo na hora certa e como manda a boa conduta. Entao eh isso. Aquela depre leve e ideal para nao levar a serio nada que seja tao pequeno que caiba num dia. Uma depre saudavel e necessaria.

Estou aqui de maio esperando a hora em que finalmente vou me convencer de que nao vai dar tempo de nadar antes de ir para East Dulwich, onde vou ver uma casa para a Graca e a Lili morarem. Depois disso devo encontrar a Eri e rolarah um cafezinho necessario, provavelmente em Portobello. Depois eu nao sei, mas tem muitas coisas que quero fazer. Quero lavar minha calca social e COLA-LA (sim, isso, nao sei costurar, todas elas estouraram na b****a, aquela maravilha, e comprei um negocio perfeito, que eh tipo uma cola para roupas descosturadas, e preciso faze-lo urgentemente porque o traje da festa de natal da companhia eh esporte fino. "Smart" como eles chamam). Amanha talvez role um almoco brasileiro com um pessoal. Don't know yet. feijoada nao eh muito minha praia.

E escrevi um pouco ontem. Nao tanto quanto queria, nem do jeito que queria. Desenferrujar-me-ei. Aguardem.

Friday, December 03, 2004

fast as you can

Continuo um tanto quanto fodida, sem tempo, mal paga (ta, nem tanto). Mas preciso contar para voces que ganhei, sim, ganhei, £150 (mais de $700) porque meu Yearbook na empresa foi considerado o segundo melhor. Isso porque a terceira colocada foi a filha da minha chefe. Ceeerto. 150 pilas que vao para a caixinha. Provavelmente pagam minha viagem de fim de ano que finalmente se definiu: Paris. Vou encontrar com a Grah e a Lili na cidade da luz (porque chavao eh bom e eu gosto). Vou. Quer dizer, primeiro o albergue tem que me responder o e-mail. Tem que ver se ainda ha lugar. Se nao tiver? Nao sei. Talvez acabe indo para a Madeira sozinha. Talvez va para algum outro lugar que me de na telha. Uma coisa eh certa: aqui eu nao fico. Porque trabalhei muito pesado nos ultimos meses para nao me dar o deleite de viajar.

Ultimamente ando nostalgica. Reli uns textos que escrevi e nem lembrava. Reli e-mails que recebia logo que cheguei aqui e eles eram lindos. Nao que agora nao estejam mais. Mas eles tinham um desespero bonito. Aquele desespero do nao poder tocar mas poder sentir. E a necessidade de sentir ja que nao da para tocar. E isso vinha de todos os lados. Com o tempo isso foi minguando e, como eh natural, apenas as pessoas que realmente importam permanecem em contato constante, quase diario. Mas agora eh que eu percebi que nao sao soh as pessoas que importam que sao importantes. As superfluas tambem sao fundamentais. Ou para onde vou olhar quando muito disso aqui nao fizer mais sentido? Para o superfluo. Muito do que eu lembro eh superfluo.

Aiai. Ta foda. Hoje eh sexta-feira e nao tenho perspectivas de fazer nada alem de ir para casa e ler e escrever muito, muito. Aquela loucura de se encharcar de suor. Palavras suadas. Mas agora estou no trabalho e tenho que segurar, segurar, segurar.

Outro dia eu volto.

o eterno retorno

KKK

01.12.2004 Escolas separadas serão providenciadas para crianças brancas e de cor, e nenhuma criança de qualquer cor poderá freqüentar uma escola destinada à outra raça.

O artigo faz parte da Constituição do Alabama. É meramente simbólico, já que faz 50 anos que é Washington considerou a segregação inconstitucional em todo o país.

Agora em novembro, foi promovido um plebiscito para abolir este e outros trechos que remetiam ao passado racista.

O povo de Alabama votou para manter o texto como está. Foi quase empate, por um fio que não foram tirados os parágrafos. Mas ficou tudo igual. via Meme first.

Peguei a noticia no weblog do no minimo.

Afinal, Nietzsche estava correto.

Tuesday, November 30, 2004

bright mind

E aqui estou novamente, ainda arrotando o almoco e escrevendo freneticamente para aproveitar os 22 minutos que me faltam para voltar aa enxada. Voces que me conhecem sabe o quanto me irrita nao poder extravasar minhas palavras. Mas, sim, estou escrevendo e devo aproveitar o tempo porque agora ja faltam apenas 21 minutos.

O fim de semana em Brighton foi delicioso. Quase perfeito. Aqula casinha lindamente simples e empoeirada, em Ovingdean, chega a me emocionar. Tantas historias, cada cantinho da casa parece ter seus segredos, omitidos naquela sabedoria serena dos idosos. Aquele sorriso meigo e sabio, que esconde algo e que deixa escondido mesmo, porque eh assim que tem que ser.

Pudera, faz 30 anos que aquela casa pertence ao tio Hans, meu tio avo, que comemorou ontem 94 aninhos. A plenos pulmoes, porque ele apagou a vela e eu vi. E com uma cabeca impressionante. Todas as condecoracoes e premios que ele ja ganhou na vida ainda sao insuficientes para refletir o brilho vivido que ele traz nos olhos. O brilho de quem aproveitou cada segundo desses 94 anos para realmente mudar alguma coisa. O brilho transparente dos que fazem, nao dos que fingem. Os que fingem, essa grande maioria na qual me incluo, nunca trarao esse brilho tao verdadeiro nos olhos. Brilho de vitoria independentemente do quao reconhecida pelos outros ela foi. Tio Hans foi um desses. Chairman da ONU, uma paulada de livros publicados sobre economia em paises subdesenvolvidos (quando falar em "paises subdesenvolvidos" nao era o pecado moral que eh hoje), morou em paises estapafurdios (dois anos na Etiopia, just to mention one), indicacao ao Nobel da Economia... Ah, claro, tambem foi condecorado pela rainha e eh Sir aqui.

E a casa dele cisma em sustentar um ar de que o que realmente importou estah alem disso tudo. De que isso foi consequencia apenas de uma mente bem-usadamente brilhante. Porque de nada adianta apenas o brilho se ele for pro lado errado.

Depois de um sabado perfeito ao lado dos queridos Nickao e Frufru, em que passeamos na praia, fomos para o pier, almocamos fish & chips, visitamos o Pavilion (casa de praia da familia real ridiculamente grande e rica e intimidadora e bela e brega) e terminamos num bom e velho pub, o domingo foi aquele dia familia. Acordei cedo, fiquei preenchendo o rascunho do meu application form para o mestrado, e logo chegou Elaine, a senhoura simpatica que ateh hoje nao sei bem o que faz. Ela eh uma especie de empregada-agragada da familia.

Ela trouxe um batalhao de coisas, faixa de Happy Birthday, bolo enfeitado, velas etc. Mais adiante chegou o tio Hans com a Odile, viuva do filho do tio Hans. O velhinho veio segurando sua bengala, de chapeuzinho, bem devagar, olhando para o topo da escada de vez em quando, onde eu o esperava para dar um abraco. Naquela hora vi meu avo. A mesma expressao, o mesmo chapeu, ateh a mesma bengala. Tudo igual ("mas ele eh mais bonito", diria meu avo).

Mais adiante chegaram Lucia e Joanna, uma surpresa deliciosa. Sao netas do tio Hans; logo, minhas primas em algum grau. Eu achei que nao me daria muito bem com elas, nem sei bem porque. Aquelas coisas de crianca que vai conhecer amiguinho novo e fica ressabiado. Elas sao uns amores, e ja combinamos de montar um time de triatlo. O Singer Team. Eu nado, Jo pedala e Lucia corre. Elas sao assim tipo eu, gostam dessas doideiras. A Lucia, por exemplo, passou dois anos viajando o mundo de bicicleta, desde Paquistao, Turquia, India, Nova Zelandia, ateh coast-to-coast nos EUA. E a Jo decidiu que vai ser courrier. Ha dez anos ela pedala entregando encomendas em Londres. E ama. As duas ja correram maratona juntas vestidas de nao-entendi-o-que, mas pareceu engracado. Foram expulsas e soh puderam voltar a competir agora.

Uma familia normal.

Foi uma delicia me sentir mais perto de outro lado da familia tambem. Ateh agora, meu contato havia sido quase todo com o lado Blandy. Aos poucos vou descobrindo o quanto o lado Singer eh forte em mim. De alguma forma, em alguma sombra do olhar, achei que pareco um pouco com a Lucia. Foi estranho.

Mas a ideia do Singer Team brilha. Vamos levar adiante.

O almoco estava delicioso. Soh verduras e paes, porque Jo e Lucia sao vegan.

Depois muito, muito papo. Em parte regado pelo delicioso vinho do porto Blandy, de que tive de bebericar um teco, afinal estavamos celebrando e eu havia trazido o vinho. Tudo devidamente registrado nesta fotinha de Frufru.

E eu sei que tinha muita coisa acontecendo no mundo naquela hora. Mas para mim, eu estava satisfeita em pensar que era soh aquilo mesmo. Serenidade. Fim de semana revigorante para enfrentar mais uma semana pauleira.

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Ai, mais dois minutos.

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Pena que logo na segunda-feira, ontem mesmo, sofri uma decepcao. Daquelas pequenas e grandes ao mesmo tempo. Aquelas little things that kill. Mas xaprala. Ninguem mandou nascer sensivel e atravessar pessoas com o olhar e compreender o que eu nunca deveria precisar saber.

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Reveillon possivelmente mudando de rumos. Vamos ver. Essa historia ta comecando a me encher a paciencia. Capaz de pegar minha trouxa e ir sozinha para onde bem entender. E voces sabem que eu me divertiria, nao sabem?

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Acabou. Triiiiimmmmmmm, fim de recreio.

mural

Pessoinhas que estao com a ideia de jerico de vir para Londres no final do ano, tem um ape disponivel do dia... Bom, vou colar e postar a mensagem da minha amada Bobby. Eh ela quem ta organizando. O lugar eh show.

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Tem um flat bem bacana de um amigo, que estara disponivel do dia 18/12 a 09/01. O ap. tem um quarto grandao, sala e cozinha idem, DVD e CD player, entre outras amenidades. Fica perto de Russel Square e ele quer por volta de 400 pilas. Se alguem souber de algum louco que esteja vindo a Londres nesta epoca do ano...
beijinhos agradecidos em voces todos.

A very nice flat will be available from the 18th of december to the 9th of january. Massive bedroom, living room and kitchen. DVD and CD Player amongst other amenities.
£400 for the whole period, bills included. Please let me know in case you have this crazy mate of yours willing to come to London by this time of the year. The flat is near Russel Square tube station. Cheers!


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Quem quer vir me ver poe o dedo a-li, que ja vai fe-char. Um, dois...

Thursday, November 25, 2004

da serie "you bitch..."

Preciso montar a serie "cuzonices em Londres". Tenho me superado. Outro dia estavamos tentando explicar pros nossos amiguinhos do Times o que eh a interjeicao "opa!", que aqui se fala "oi!". Ai virei para eles, seria, e disse que se ele quisesse parecer realmente cool, tinha que falar "opa-lala". Eu sustentaria minha cuzonice ad eternum se Fruba e Bobby nao tivessem caido na gargalhada.

I don't wanna come back down from this cloud

Yes, 'cause it's taken me all this time to find out what I REALLY need. Nao digo que tenho tudo o que quero hoje, mas, hoje, gosto de tudo o que tenho. Gosto do que sou hoje, 25 de novembro. Amanha nao sei, sou uma gangorra ambulante, y'all know that. Mas hoje estah tudo perfeito.

Trabalhando muito? Sim. Mas recebendo o merecido.

Saudades de todos? Sim. Muitas. Mas lido cada vez melhor com isso.

Homens? Sim. Obrigada. Tem novidade... A serem reveladas para very, VERY important people. Adianto que ontem sai do trabalho aas 6pm e soh cheguei em casa aas 9pm.

Perspectivas de curto prazo? Sim. Amanha vou para Brighton com Fruba e Nickao, para o aniversario do meu tio avo.

E medio prazo? Sim. Comeco do ano que vem, se deus quiser, consigo entrar no mestrado que tanto quero - Literatura e Modernidade na London Metropolitan University.

Longo prazo? Nao. Esse eu odeio porque sempre me trai, entao finjo que nao existe. Minha vida se restringe aas perspectivas do proximo meio ano.

Vejam que nova Biba eu virei. Hoje, planejo meio ano; antes, planejava meia vida. E percebi que no final, das duas maneiras chego no mesmo lugar. Mas, hoje, sem sofrer tanto.

Qualquer diferenca em relacao aa minha vida aqui e no Brasil eh mero precipicio.

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Outra boa nova: quem me acompanha de outros carnavais (leia-se blogs) sabe que meu carro foi roubado em 2002 no estacionamento de um bar na Vila Olimpia. Pois o caso finalmente andou. Gracas a meu otimo advogado e aa Bathathonilda, minha testemunha, e aa propria causa que eh indiscutivelmente a meu favor, foi um sucesso. Logo sai o julgamento em primeira instancia - o que nao significa muita coisa porque os bastards devem recorrer. Mas o que importa eh que ha 99.98% de ser a meu favor. Resta esperar (anos? Ai.).

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Eh amada ou nao eh, essa minha irma?

Furo n'água

Hoje é o terceiro dia seguido que consigo fazer natação. Já estou sentindo a técnica e o ritmo voltando. Já até entrei naquelas de não deixar os outros me passarem (obviamente uma mania herdada pelo meu querido pai). Hoje, em seguida, resolvi fazer aula de hidro na turma da minha mãe. O que são aquelas senhorinhas espivetadas falando "Uhu!"? E o que é minha mãe jogando água na minha cara e me corrigindo (só eu fazendo o exercício errado)? Não é muito fofo?

Outro dia estava comentando com a Bobby que minha Piuzinha deve vir em julho. Ela ficou toda empolgada, porque eu falo tanto, mas taaaanto da minha ruivinha que ela ja a ama sem conhece-la. Ficamos planejando a disposicao dos colchoes e a farra. Eu quero eh que meu sono se exploda. Serio mesmo. Ainda mais se eu nanar do lado da minha Piu.

Wednesday, November 24, 2004

corra, Biba, corra

Tah foda, meus caros. Muito trabalho, pouco tempo para as coisas que realmente importam: bagunca. Virei da noite pro dia uma mulher daquelas que anda em linha reta, maxilar duro, soh falta a pastinha de couro na mao.

E hoje foi um marco. Hoje, aas 7:15h, hora em que saio de casa para vir trabalhar, levei um susto: escuro. Tudo escuro. Juro para voces que ateh ontem estava claro, e hoje escuro. Mesma hora, mesma cidade, mesmo trajeto, mesmo humor. Escuro. Foi clareando aa medida que caminhava meus 45 minutos. Mas o que importa eh que de repente eu entro e saio do trabalho e estah escuro. Me falaram que seria assim, mas eu ainda nao tinha realmente passado pela experiencia. Me assustei, mas nem foi tao ruim assim. Minha vida tem estado muito boa ultimamente para ser estragada por um simples sol (heh!).

E por ora eh soh porque preciso trabalhar.

Monday, November 22, 2004

colheita

Aos que torcem por mim: orgulhem-se.

Aos que nao: invejem-se.

Fui promovida. A partir de 13/12, quando fecho o meu trabalho na area de pesquisa, passo a fazer parte da equipe de marketing. Estou muito, muito feliz. E menos cega para poder fazer planos.

Plantei e reguei. Nada mais natural que colher. Quentinho bom no peito, apesar do frio la fora.

Saturday, November 20, 2004

o que fazer em caso de frio

Ligue o Messenger. E deixe-se inundar.

vc é foda viu. vc tem muitas coisas que busco na vida. tipo eternidade. é, vc será eterna, não sabia?

fotos

Pessoal, as fotos mais fantasticas do meu fotoblog acabam se ser uploadadas. entrem e deem uma olhada no que a Fruba fez com Notting Hill.

Tuesday, November 16, 2004

cinco meses

Ja se foram cinco meses. Cinco meses que parecem ter voado e parado no tempo ao mesmo tempo. Parece que foi ontem a despedida aterrorizante aa qual achei que nao fosse sobreviver. Parece que foi ontem que deixei a promessa de um amor tranquilo para tras. Que deixei Juona-babai-babae, trio que mais amo na face da Terra. Que deixei Fruba sabendo reencontra-la em alguns meses. Que deixei a Thatha, o Putao, a natacao, putz, a natacao. Tudo bem que tem piscina aqui, mas nada que se compare com A natacao no Brasil. Treino de verdade, tecnico carrasco e amado pegando no peh. Caimbras alegres. O proto-orgasmo da exaustao fisica.

Deixei a Ligia e sua panela. O milagre que eh poder acordar sem despertador. Deixei meus avos, velhinhos tao velhinhos que ameixa jah eh pouco. Deixei a terapia, a piscina no predio, as idas ao Extra depois de nadar, as visitas fortuitas aa loja azul. O biscoito de polvilho de toda quarta. E o requeijao, de que pensei que sentiria muito mais falta na verdade.

Ao mesmo tempo, parece uma eternidade ter me separado de pessoas tao queridas. Parecem anos que conheco a Bobby. E o Ernesto. E uncle John e Rols e Paige. E muitos mais. Parece que sou antiga aqui na empresa. Parece que aprendi a nao sentir meus ossos para ignorar o frio.

Sei como funciona quase tudo. Sei atravessar a rua. Sei dos costumes e descostumes. Sei tirar proveito disso. E, apesar de ja terem se passado cinco meses, essa cidade grande e fria ainda tem o poder de me encantar. Soh saio daqui quando devora-la. E quando por ela for devorada. Inundada. Ateh voltar a sentir os ossos e a dor e a alegria de ser sozinha e feliz, independente e carente. Os paradoxos que estao sempre por tras da cortina da minha vida. Cabe a mim descortina-los pelo simples prazer de desobnubilar. Porque nao ha nada que eu possa fazer.

Ultimamente tenho estado angustiada. Aquela velha historia que desencadeia nossas crises aos 12 anos. E para mim nunca passou. Angustiada porque nunca dah para saber como seria a vida se tudo fosse diferente, se houvesse algum imprevisto. Morro de medo de historias como as minhas, sem imprevistos. Eu pude escolher sem ser impedida por forcas maiores. Eu escolhi um caminho e nunca vou saber se eh o certo - nao, nao, na verdade eu o tracei, e soh caminhando eh que ele virou caminho. Mas Frost aih embaixo ha de concordar comigo que o caminho que escolhi foi o menos caminhado. Agora estou esperando a diferenca.


THE ROAD NOT TAKEN

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood and I -
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.


--ROBERT FROST

Friday, November 12, 2004

tres dias

Essa semana tenho tentado fazer varias coisas e nao tenho conseguido. A primeira delas foi nadar. Passei meio mal a semana inteira, provavelmente porque a pilula anticoncepcional que comecei a tomar aqui eh diferente da que eu tomava no Brasil, cujo estoque durou ateh o fim de semana passado. Nao sei se eh mais forte ou se eh efeito colateral por eu ter tomado tres pilulas em seguida na segunda para compensar os dias forcadamente pulados, mas soh agora estou me adaptando.

A segunda foi participar de um momento tipicamente ingles, a comemoracao do Remembrance Day, que foi ontem. Aas 6pm teria uma apresentacao de avioes que jogariam milhoes de poppys (umas florzinhas de plastico que representam a data). Eu e mais uma cacetada de gente na Millenium Bridge, estranhamente em silencio (no Brasil em cinco minutos comecaria uma roda de samba e viraria festa popular, aqui eu conversava aos sussurros com meu amigo romeno do trabalho que foi comigo). E la se foram centenas, senao milhares de pessoas para cima daquela ponte que, se voce nao conhece, procure ver foto – parece que vai cair se mais de cinco pessoas resolvem cruzar ao mesmo tempo. Remembrance Day, registre-se, eh o dia dedicado aa memoria dos mortos ingleses na 1a. Guerra Mundial.

A terceira tem sido bom que eu nao faca. Esse orkut, vou te contar, me tira do serio. Ja me proporcionou coisas maravilhosas, mas tambem que tem o dom de te fazer saber o que voce nao quer saber… Puta merda. Fico me segurando para nao escrever o que me sobe aas ventas, viu?

E a ultima foi ontem. Tentei entrevistar meu tio para o artigo que estou fazendo e nao rolou. Tentarei novamente no domingo, sobrinha mala que sou.

***

Planos: hoje preciso nadar muito. Por varios motivos. Preciso extravasar. Tudo indica que a balada rolara debaixo d’agua. Antes disso, entrevista com o desparafusado Timur para meu artiguete pro OI.

Amanha eh dia de ver babai pela primeira vez via webcam. Vai ser emocionante. Depois vou a Camdem Town encontrar a turma do barulho do Flat 1, 26 Cannon Street Road (vulgo minha casa), e a noite eh uma incognita. Talvez o Robin ligue, talvez as meninas tenham alguma ideia, talvez vamos ter que inventar na hora e talvez eu bodeie.

Domingo tem almocinho dos Blandy na casa do uncle John. Depois de meses vou rever os fofos do Rols e da Paige, meus primos preferidos (porque a Paige ja virou minha prima, querendo ou nao).

Em algum momento terei de achar tempo pro artiguete pro OI que estou escrevendo, pra minhas nadadas, pra reposicao semanal do sono ridiculo que tenho sentido… Acho que eh isso.

***

Decidi o presente que vou me dar. Um fan heater. Nao sei qual a traducao disso no Brasil, mas seria algo como um ventilador que esquenta e que voce pluga em qualquer tomada. Tem um desses no escritorio, que eu divido com a polaca folgada, e sinto que preciso de um desses no meu quarto, ja que ontem tive espasmos de frio debaixo do edredon, antes de esquentar para dormir. Tortura, nunca mais!

Thursday, November 11, 2004

fotos

Queridos, novas fotinhas aqui. E visitem diariamente porque tem novas fotos todos os dias!

Wednesday, November 10, 2004

um pouco de mim que voce nao deve saber

Apesar de tudo, me julgo uma pessoa normal.

Odeio desenho animado e quando era pequena nao comia brigadeiro, soh cajuzinho. Hoje como brigadeiro (soh para deixar os cajuzinhos para criancas como eu, neam?).

A musica do "elefante incomoda muita gente" me dah falta de ar. Varias coisas triviais, alias, me dao falta de ar.

Tenho horror a ser interrompida, mas ja consigo lidar melhor com isso. Odeio repetir tudo duas vezes.

Adoro nao poder ir numa balada (putz, meu, desculpa, nao posso!).

Nao sou grande fan de museus (ooooooooohhhhh), mas amo cinema e, principalmente, literatura. Teatro nao me apraz tanto tampouco, mas eh melhor que museu.

Gosto de banana em todas as comidas.

Odeio pessoas que lembram detalhes. Odeio esquecer.

Adoro dar presentes mas prefiro receber. Adoro ser ajudada, mas prefiro ajudar (para nao ter dividas a quitar).

Adoro bolo e odeio ovo. Adoro ouvir "bolho" em vez de "bolo".

Adoro que leiam o que escrevi; odeio quando me pedem para ler algo que escreveram.

Adoro cheiro de gasolina e de cola de sapateiro.

Odeio gente se pendurando em mim; adoro quem se apoia e me apoia ao mesmo tempo.

Odeio cobrancas, insistencias e gente que grita. Adoro musica gritada.

Gosto do mar mais que da terra. Amo nadar mas nao sou fan de cooper. Tenho medo de pedalar na rua. Nao confio em meu equilibrio. E gosto de tudo que envolva bola. Ou bolas.

Adoro malicia bem aplicada. Odeio ouvir piadas (as vezes me dao falta de ar tambem).

Nao sou anjo de ninguem, nem diabo. Sou apenas anjavel e diabavel.

Respiro mal, mas nado maratonas. Tenho ataques de panico, mas me considero corajosa.

Amo aprender sozinha; odeio aprendizado forcado.

Concentro-me com muita facilidade. Irrito-me tambem.

Tenho uma facilidade raras vezes vistas para aprender linguas. Tenho dificuldades igualmente monstras para desenhar.

Ballet e boneca nao marcaram minha infancia. Carimbol e natacao, sim. Quebrei a clavicula aos nove brincando de duro-ou-mole-americano no predio. Minha mae achou que fosse soh um mal jeito e me fez levantar o braco com toda a forca para "por no lugar".

Queria odiar menos, mas eh dificil.

Odeio ir ao banco e adoro voltar.

Descobri ha pouco o amor doce. Aquele que nao parece causar danos tao grandes ao te abandonar, mas cuja dor fica e fica e nao passa nunca, nunca mesmo, impressionante, ateh ter a pessoa novamente. Descobri que amo o amor doce e odeio o atirado. Antes era o contrario.

Sinto falta de um teclado com acentos; nao sinto tanta falta quanto deveria de muitas coisas (e pessoas). Descobri que meu amor por lugares eh muito forte. Mas que jamais superarah meu amor por pessoas. Ufa, ainda bem.

Amo viajar, mas amo tambem voltar. Odeio despedidas e adoro surpresas. Adoro fazer mala, mas odeio desfazer (geralmente faco um bolao e meto tudo na roupa-suja).

arfa, arfa, arafat...

...E morre logo, porra.

Tuesday, November 09, 2004

da licenca, essa vai especialmente...

... pra pessoa que mais amo no mundo. E nao estou sendo hiperbolica.

I came across a cache of old photos
And invitations to teenage parties
"Dress in white" one said, with quotations
From someone's wife, a famous writer
In the nineteen-twenties
When you're young you find inspiration
In anyone who's ever gone

And opened up a closing door
She said: "We were never feeling bored

'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end"

When I went I left from the station
With a haversack and some trepidation
Someone said: "If you're not careful
You'll have nothing left and nothing to care for

In the nineteen-seventies"
But I sat back and looking forward
My shoes were high and I had scored
I'd bolted through a closing door
I would never find myself feeling bored

'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves

And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend


Now I sit with different faces
In rented rooms and foreign places
All the people I was kissing
Some are here and some are missing
In the nineteen-nineties
I never dreamt that I would get to be
The creature that I always meant to be
But I thought in spite of dreams
You'd be sitting somewhere here with me


'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend

And we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never being boring
We were never being bored
'Cause we were never being boring
We were never being bored


Meu xuxu, que bom que o show foi delirante. Tenho lembrado demais de voce quando ouco PSB no CD que voce me gravou e nao sai da casinha do computador. Te amo hoje mais que ontem, menos que amanha.

Monday, November 08, 2004

acabaram-se as pilulas

Entre outras perolas, meu fim de semana foi permeado pela constante lembranca de minha estabanadice. Fui pegando no fundo do sacolao as cartelas de pilula, totalmente alheia ao fato de que elas, sim, acabam, e que elas sao, sim, importantes para meu equilibrio em toda a abrangencia possivel da palavra equilibrio. Acabaram e eu nao tinha mais e aqui eh assim: nao se preveniu se fodeu. Farmacia nao abre de domingo. Voce tem que ir no hospital. Ai voce chega no hospital, espera uns cinco minutos ateh alguem na recepcao aparecer, e explica que precisa de pilulas contraceptivas, for Christ's sake. Entao ela te olha meio puzzled e pergunta se eu quero a pilula do dia seguinte. E eu explico que nao, minha gentil senhora, preciso tomar as pilulas regulares, questoes hormonais, you know, eh bem importante. E ela responde mecanicamente que se nao eh uma emergencia, tem que esperar ateh segunda. Mas segunda eu trabalho das 8h aas 18h e para comprar a porra da pilula precisa duma porra duma prescricao medica (juro) e soh consigo isso no meu GP que abre as 9h e nem sei se o medico podera me atender de imediato. Essa eh a realidade.

Ainda bem que tenho duas flores para me ajudar. Se deus quiser o pepino estarah resolvido ainda hoje.

Fora isso, sexta-feira perdi a hora. Acordei com luz na cara, uma novidade, aas 10h da manha. Despertador nao tocou. Nao entendi nada, ele estava marcando sabado. Fui ateh meu celular e tinha um SMS da minha chefe. "You ok? It's Kate." Liguei para ela com a voz embargada e ao mesmo tempo estridente, se eh que voces conseguem imaginar. Expliquei o que aconteceu: quando fui mudar do horario de verao para o de inverno, mudei sem querer a data tambem. Uma anta de tetas. Mas passou, cheguei esbaforida no escritorio, suando, cara de sono, fome. Fui ovacionada com uma salva de palmas de meus colegas. Eu realmente mereci. Para completar a tarde, um argentino folgado, general manager de alguma coisa, me liga para "entender melhor" a pesquisa e resolve se engracar, porque argentino precisa manter a fama. Mas voce eh brasileira e faz o que ai? O papinho foi indo, eu tentando voltar para o foco, e o senhor me manda a seguinte pertola: "soh mais uma pergunta, voce eh bonita?" Comecei a gargalhar, nao consegui me conter. Essas coisas soh acontecem comigo mesmo. Eu aqui na Inglaterra, o cara la na Argentina, e me xavecando! Minha chefe me olhou torto, afinal, que porra eu poderia estar falando com um suposto cliente para gargalhar daquele jeito ao telefone? Expliquei tudo e fui ainda mais zoada por meus coleguinhas da batata na boca.

Mas de resto estah tuuuuudo bem. Sexta fomos num pub local e assisti a Clube da Luta. Sabado foi dia de compras e de quase terminar meu livro (maravilhoso, leiam Memorias de uma Geisha se tiverem a chance). A noite foi aniversario da fofa da Karina e mais uma vez rimos ateh a barriga entortar. Uma delicia.

O domingo passou voando, ja que acordei aas 14h, mas deu tempo de passar no hospital, ir ateh a casa do Lalo ver o filme do Baaaaatema e tomar umas (cocas light) num bar em Old Street chamado Kick e muito, muito aprazivel.

Apesar da chuva, saldo positivo.

Friday, November 05, 2004

boa e ma noticia

Deus tirador de sarro virou para mim e disse no comeco da semana:

- Tenho uma boa e uma ma noticia para voce essa semana.
- Jura, deus? Manda!
- A ruim eh que Bush ganhara as eleicoes
- Puta merda, mano, ce ta querendo extinguir a raca que voce mesmo criou?
- Nao quer ouvir a boa?
- Ok. Qual eh a boa?
- O estado de saude de Arafat vai piorar.

Happy thoughts if you have any.

Wednesday, November 03, 2004

tudo a seu tempo agora

Ja passei a fase tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Ela tem seu charme, mas cansa. Agora quero curtir a sensacao do coracao batendo tranquilo, e eh atras disso que estou. Tudo a seu tempo agora, ou depois. Soh assim para manter a sanidade agora que estou tendo que trabalhar 10 horas por dia. Entro as 8h e saio as 18h. Logicamente ganho mais $$ com isso. Mas nao quero perigar perder a cabeca para encher o bolso.

Tentarei. Se ficar puxado demais, das duas uma: ou eu falo para parar o trem para eu descer, ou vou ter um ataque de panico que parara o trem por si soh. A terceira alternativa, que deixaria minha terapeuta orgulhosa, seria encarar isso apenas como um teste e na semana que vem pedir para reduzir uma hora do meu horario se eu ficar muito estafada. De qualquer forma, comprar-me-ei um regalito.

***

Estou bem aos poucos voltando a forma natacionistica. Naturalmente nao como antes, afinal nado uma horinha, se muito, quatro ou cinco vezes por semana. Mas soh de sentir o ritmo voltar, ja fico aqui no trabalho ansiosa para chegar em casa e vestir meu maio. Ontem, inclusive, conheci duas brasileiras que moram em Shadwell tambem (ou Shagwell, como gostamos de falar - procure "shag" no dicionario). Parecem legais. Uma delas tem que ser, pois leva o nome de babae, que nem eh tao comum assim na nova geracao.

E depois de tanta serotonina na veia, nao importa tanto a procedencia da agua que cai nas minhas costas.

***

Estou fazendo contagem regressiva para a chegada de babae, provavelmente em abril. Sei que ainda estah meio longe, mas eu sou boa de matematica.

Monday, November 01, 2004

consideracoes sobre um dia que terminou uma bosta

Quando eu era pequena, nao tanto para contar com o mundo todo - ou seja, mamae, papai, "Juona" -, nem tao pouco para nao contar com mais ninguem; eu pensava que o mundo seria insuportavel se dependesse apenas da minha cabeca. Cresci um pouco e vi que estava errada, que minha cabeca nao pode me machucar tanto assim, que ela tambem funciona ao meu favor. Agora, morando fora, sozinha, atirada (escolha minha, claro, e nao me arrependo, se me arrependesse estaria de malas prontas pro Brasil), percebo que eu estava certa quando era pequena.

Por favor, nao se assustem. Adoro ser dramatica e inclusive SOU, mesmo se nao quisesse. Mas hoje, agora pouco, no banho, quando fechei os olhos e pensei que nem de olhos fechados a agua que caia sobre minhas costas era a mesma que caia sobre minhas costas no Brasil, desabei. Desabei um resto. Bom, para resgatar a pureza, nao deixar que se esvaia pelo ralo. Mas ruim porque mexe em alguma coisa no meu labirinto e eu perco totalmente o equilibrio. Vertigem e tontura e volto a ser uma crianca desamparada que soh se sente bem, bem mesmo, se for solucando as entranhas, vomitando pelos olhos, em posicao fetal.

Os ecos de uns tempos tristes e eu mesma falando para mim, tudo voltou. Catorze anos depois e eu ainda faco sentido. Por mais alto que voce levante alguem no colo, nunca, nunca esperar qualquer tipo de reconhecimento, nunca esperar uma flor, nunca esperar mais que um sorriso de mesmo dia, de obrigado-tchau. Preciso exercitar meu lado nulamente budista. Preciso dar e achar que tudo terminou aih, no dar, meu objetivo final. Nada de receber. Mas nao consigo, nao consigo. Alguma logica idiota teima em tentar me convencer de que se eu dei, alguma hora tenho que receber.

Burra, burra, burra.

Saturday, October 30, 2004

missions accomplished

Depois de empurrar com a barriga, sou o mais novissimo membro das piscinas publicas do borough de Tower Hamlets. Com carteirinha e tudo. Depois de empurrar com a barriga, fui no medico, me registrei, e minha carteirinha deve chegar em alguns dias pelo correio. Depois de empurrar com a barriga, fiz minha inscricao na biblioteca publica do mesmo borough, o que me da direito a usar cinco bibliotecas diferentes. Depois de empurrar com a barriga, o housewarming finalmente aconteceu e foi um *sucesso*. Umas 30 pessoas, algumas desconhecidas aas tres anfitrias, admito, mas mesmo assim, festa cheia, comida e bebida durando ateh o final e cama soh aas 4h30, com gente dormindo pelos corredores, como era de se esperar. Uma festa, enfim. Cheia de velas e com uma trilha sonora especialissima: o CD de MP3 que minha irma me deu antes de eu vir para a Inglaterra. nao pude ouvir muito porque descobrimos ligeiramente tarde demais que meu discman nao toca MP3. Mas o computador toca, e as musicas foram um sucesso!

Claro que tiveram episodios isolados de malice por parte de alguns. Sempre tem. Inclusive virou persona non grata, decisao obtida unanimemente por votacao da assembleia hoje. Mas desencana. Nao vou falar aqui porque tem gente demais ja espionando este blog (que eh espionavel mesmo, nao to reclamando, mas nao vou falar tudo, neam?).

Passada a festa, aquela ensacao de alivio. Na mesma semana eu me registrei no medico, fiz minha membership na natacao e me inscrevi na biblioteca local. Definitivamente, uma entrada triunfal para uma vidinha mais estavel.

Claro que ainda tem muita coisa para fazer. Preciso ir atras do meu National Insurance Number, proximo passo. Mas agora nao. Depois de muito empurrar preciso cuidar dela, a barriga. Mimar-me-ei.

Thursday, October 28, 2004

fotas & afins

Tem novas fotinhas! A maioria delas tirada pela minha amiga E fotografa Fru. Vao la, vao?

**

Estou tendo ideias. Aguardem.

Monday, October 25, 2004

enquanto seu lobo nao vem

Enquanto o sistema do trabalho nao volta, venho aqui deliciosamente jogar conversa fora. Quer dizer, conversa nao, porque ninguem me ouve e poucos de fato respondem (e isso nao eh uma reclamacao whatsoever). O caso eh que ja respondi meus e-mails, ja li o que queria, ja comecei a procurar cursos para minha mais nova traquinagem: aprender frances, e agora, claro, o blog.

Nessa semana, finalmente, vou no medico fazer meu registro. Quinta-feira de manha. Vou ter que matar a manha no trabalho, oh que chato. Para compensar, terei apenas meia hora de almoco a semana toda. Aproveitarei a quarta aa noite para ir no Guanabara, um bar brasileiro em Covent Garden altamente recomendado por, nao sei, na verdade ninguem recomendou, acho que li em algum lugar que era legal e resolvi investir pesado. Chamei toda a comunidade de brasileiros e simpatizantes que conheco para um funk regado a caipirinha. E provavelmente no final dessa semana, nosso famigerado house warming. Vamos comemorar a chegada na casa, mas a casa vai cair! (Calma, babai, babae, foi forca de expressao.)

Fim de semana tranquilo, bem a meu gosto. Sexta fomos (eu fui arrastada) num pub aqui do lado, The Mint, e voltamos cedo, ja que havia uma certa horda de fas de Elvis vestidos a carater e cantando, desafinados pelo alcool, o que deveriam ser hits do rei. Sabado fomos no museu de guerra, finalmente. Por tres horas fiquei em um soh andar, o do Holocausto. Um tapa na cara, apesar de que 80% do que estava la eu ja conhecia – um otimo sinal, nunca eh demais saber bem essas coisas para nao esquece-las. Preciso voltar para ver o resto do museu. Tem um andar soh para a segunda guerra, outro para crimes de guerra.

Voltamos pra casa, uma chuva pentelha na cabeca. Nos enfiamos embaixo do edredon. Fizemos compras e nosso registro na locadora de DVD ali do lado do Safeway. Tiramos dois filmes, "Monster" e "The House of Fog and Sand" (ou algo assim). O primeiro muito, muito bom. A Charlize Theron estah espetacular. O segundo filme eh medio, exagerado demais pro meu gosto…

Domingo foi dia de Hyde Park. Mostrei a Speaker’s Corner pra Fru e pro Nicholas. Todo mundo gosta desse programa, porque de fato eh divertidissimo. Depois fomos caminhando ateh o frisbee. Encontramos o pessoal, esperamos o jogo acabar, e fomos a peh ateh Leicester Square, uma boa caminhada, mas estava um fim de tarde bem gostoso. Fomos no Prince Charles, um cinema bem tradicional e barato, ver um filme chamado Donnie Darko. Nao sei se estah passando ou se vai passar no Brasil, porque apesar de ser com a Drew Barrymore e mais um monte de gente famosa de que nao lembro o nome, eh meio varzea.

E assim acabou o fim de semana. Gostei.

Thursday, October 21, 2004

pergunte ao poh

Eu sempre quis que a vida fosse tao romantica quanto a do Arturo Bandini. Em que o glamour estah exatamente na ausencia de glamour. Aquela pobreza doce que vira tema de livro. Aquele nao ter vintem e ser feliz por sobreviver mesmo assim. Soh que a vida nao eh boa quando eh assim. Nao estou falando por mim. Eu vivo muito bem aqui. Ganho minha graninha no final de toda semana, tenho meu cantinho, contas em dia, comida na geladeira e um extra para pagar minha natacao e guardar, guardar, guardar. O negocio eh que escrito eh bem mais glamouroso. Nao tem ansiedade pior do que aquela de ver o dinheiro saindo sem entrar. Por isso entendo o desespero da Bobby quando estava sem emprego.

E eh a primeira vez que *realmente entendo*. Quando estava no Brasil, se ficasse desempregada nao teria problema. Seria complicado, teria de cortar meus luxos, minhas viagens, mas no final das contas babae e babai estariam la, garantindo cama e pao quentinhos. Hoje eh diferente. Nao porque eles nao bancariam, mas porque eu nao aceito mais ser bancada.

Tomei vergonha na cara.

Eh claro que se um dia eu perder o emprego e comecar a passar fome, vou aceitar um emprestimo. Mas eh o que eh: emprestimo. Dinheiro que vai e volta. Porque eles investiram em mim em 24 anos, e estah na hora de, se nao ainda colher frutos, pelo menos ve-los florescer saudaveis.

***

Ainda quero escrever um post gigante sobre o quanto amo minhas flatmates e o quanto elas tem a capacidade de me amar tambem.

***

Aos que me cobram diariamente o registro no NHS, informo: liguei la, ja sei a documentacao de que preciso e vou na semana que vem, algum dia de manha. Aviso minha chefe e reponho as horas de trabalho perdidas cortando metade dos almocos do resto da semana fora.

***

Recebi convite para ir para a Ilha da Madeira no reveillon, ficar com o Michael. Tempting...

***

A frequencia de mensagens aqui nao anda muito alta porque tenho tido o prazer de gastar meu tempo extra falando via microfone e webcam com amados no Brasil. Continuem me ocupando, please! Amo voces. Saudades.

Wednesday, October 20, 2004

shorts

Pouco tempo, muita coisa. A hora do almoco agora eh preciosissima. Eh durante ela que pago minhas contas, respondo meus e-mails, vez ou outra atualizo o blog e faco telefonemas. Tudo isso equilibrando um wrap feito na noite do dia anterior aas pressas.

E tudo o que eu ia escrever vai ter que se calar porque a polonesa aqui de tras nao para de falar comigo e ja foi metade do almoco e preciso pagar o alyuguel. Oh well.

***

Daqui tenho acompanhado mais um escandalo do Maluf. Engracado que tudo isso soh veio aa tona depois que ele perdeu o primeiro turno das eleicoes, neam? Aiai, viu?

Friday, October 15, 2004

happiness is almost simple

Olha soh. Nem eh dificil me fazer feliz como muitos querem pensar. Estou irradiante porque:

* Ganhei um armario, assim, de graca mesmo, de uma boa alma.

* Consegui fazer funcionar minha webcam e falei por microfone e camera com um monte de pessoas FUNDAMENTAIS ontem. Ta certo que umas soh me viam, outras soh me ouviam. Mas foi demais. Agora falta todo mundo no Brasil se munir dos mesmos aparatos, neam? Porque sou exibicionista mas meu lado voyeur tambem sofre. Saudades dos rostinhos amados.

* Uma sexta-feira cheia de expectativas novamente... Despedida do Richard em casa e aniversario da Dea em seguida. E boas companhias para ambas, possivelmente.

* Hoje vou nadar.

* Amanha vou no Primark comprar agasalhos quentes e baratos com a Fru.

* Estou planejando meu reveillon. Barcelona?

...

Nao eh muito. Eh?

Wednesday, October 13, 2004

chega de adiar

Vou resolver essa joca de NHS ainda essa semana. No maximo, estourando, na proxima. Nao que eu esteja doente, mas toda hora me bate uma coisa meio "fodeu" mesmo sem ter acontecido nada. Preciso aprender a me precaver em relacao a coisas realmente importantes.

Afinal de contas sou brasileira. No Brasil, as coisas mais importantes nao significam nada. Aqui, as coisas mais infames sao levadas a serio. Essa eh a grande diferenca entre o ingles e o brasileiro. Mas um dia me aprofundo mais no assunto. Eu e minhas teorias rasas.

Tuesday, October 12, 2004

Monday, October 11, 2004

o primeiro ingles

Lembra que eu disse no post anterior que as sextas simplesmente *acontecem*? Pois eh, aconteceu.

Descompromissadamente.

Na boa e velha (!) Old Street, o trio parada dura foi junto para a balada e... Voltou separado.

Entenderam?

Friday, October 08, 2004

deixa acontecer

Um fim de semana aa vista. A sexta eh sempre cheia de promessas, compridas e nao cumpridas, mas eu gosto mesmo assim. Nada planejado para hoje, porque sexta nao se planeja, ela simplesmente *acontece*.

De qualquer forma, amanha devo almocar com o John, na sequencia ir ao mercado de Camdem Town e, aa noite, a um housewarming se minha disposicao permitir. Domingo eh dia de nadar e de tentar fazer tudo aquilo que voce deixou para fazer no fim de semana e que nunca vai ser realmente feito num fim de semana. Se o tempo ajudar, frisbee. Se nao ajudar, DVDs e Pubs aa disposicao.

E ainda preciso fazer supermercado.

E ainda preciso por minhas roupas, que ainda estao na mala (!), na comoda, finalmente.

E ainda...

Monday, October 04, 2004

nem tudo sao flores

Fim de semana merda. Chato, tedioso, o pouco que foi emocionante, foi um emocionante ruim. Agora pouco estava num bar no Soho e briguei com um ingles idiota ultranacionalista e pancudo. Mandei ele fuck off (entre outras coisas) e recebi em troca cerveja na cara. Aquela coisa basica. A baixaria so nao foi alem porque ele se dignou a ir embora.

Chuva, chuva e chuva. Sabado foi faxina, domingo foi supermercado (pelo menos deu para nadar de manha).

Mas a sexta-feira foi legal, pelo menos. O trio parada dura com Alex + Ernesto em Hoxton. Nao tinha como nao ser divertido. Vou lembrar da sexta e esquecer do resto. E nao quero mais escrever.

Se Londres fosse esse fim de semana, eu estaria de malas prontas para voltar ao Brasil. Sem brincadeira.

Muitas, muitas saudades.

E saco cheio de tantos pelo-menos.

Friday, October 01, 2004

sonhos estranhos

Eles continuam. Essa noite eu estava na rua Tabapua com minha amada Bathatha esperando um onibus vir. Pegamos o onibus, mas ele foi direto numa descida alagada e caiu boiando num lugar fedido e sujo. Nao tinha como voltar para casa. Ficamos ilhadas em cima de um tanque de abastecer em um posto de gasolina. Me desesperei. Os dias foram passando e a gente nao tinha comida. Eu falei que ia nadar de volta, que ia levar Bathatha comigo, mas nao me deixaram. Falaram que era perigoso e eu precisava esperar a agua descer. No final das contas consegui escapar. Mas ai tinha esquecido algo la e precisava voltar. O cenario vira entao St Katherine's Docks, um lugar aa beira do Tamisa do lado de casa a que fui ontem. Estou com minha irma. Ela diz que vai pegar o carro dela em determinado lugar, e quando vou tentar encontra-la nesse lugar, me perco. O lugar parece um labirinto cor de brique. Sei que ja me deixaram para tras faz tempo. Ai resolvo passear, mas meu coracao esta no chao de pesado. no fundo, eu queria estar no carro.

Monday, September 27, 2004

happiness is simple

Dias deliciosamente cheios, esses. A primeira boa noticia da semana passada foi que em apenas tres meses de Inglaterra consegui recuperar toda a grana que havia trazido para ca. A partir de agora, o que eu conseguir juntar eh "lucro". Claro que lucro, para quem nao pensa muito nisso, significa viajar, melhorar de vida, ficar menos ansiosa e se dar pequenos luxos, como a membership na St George’s Swimming Pool, a que vou hoje depois do trabalho.

A segunda coisa boa, logicamente, foi a chegada da minha Frubinha amada. Busca-la em Heathrow foi a melhor coisa que fiz. Nao porque ela estivesse perdida, nem porque eu adoro aeroportos, mas porque foi de alguma forma gratificante ver o tamanho dos olhinhos dela querendo absorver absolutamente tudo: "oia! Onibus de dois andares! Oia! Cabine de telefone vermelha! Oia! Big Ben, Hyde Park, Tamisa! Oia! Oia! Oia!"

A terceira coisa boa ja deriva da chegada da Frubinha, como eu imaginei: ela e Bobby se deram superbem. Eu ja sabia, mas eh sempre bom ver seu dom de perceber afinidades antes delas acontecerem. Elas passaram o dia seguinte inteirinho juntas, tagarelando, passeando, fotografando Londres enquanto eu estava no trabalho. Nesse mesmo dia, fomos num pub perto de casa, chamado Brown Bear, encontrar meu tio John e uns colegas dele do Times. O John me deu um presente que os APERTAVEIS do Rols e da Paige mandaram para a casa nova, uma vela perfumada maravilhosa (nao esquecer de ligar agradecendo).

E os colegas do John, para nosso espanto e regozijo, eram jovens e belos. E do Times - convenhamos, isso eh um turn-on. Robbin e Timur. Ambos fofos, ambos jornalistas internacionais, ambos…e assim vai. Bobby, Fruba e eu ficamos ateh coradas de tanto falar e rir e beber (elas, neam?). Depois ficamos soh nos tres, ja que eles tinham que voltar pro Times pra fechar a edicao do dia seguinte. Mas combinamos de reencontra-los no mesmo dia, la pelas 22:30h, apos o expediente. Continuamos as tres a falar merda e gargalhar desesperadamente e nem vimos o tempo passar. Timur adentra o pub novamente e nos escolta ateh o destino seguinte: outro pub.

O lugar: bem legal. O desafio: permanecer no pub. Isso porque o Timur aprontou algumas e chamou a garconete de fascista na ultima vez em que esteve la, ha um mes. Assim que o viu, a garconete comecou a dar chilique e, bom, em 10 minutos, apos muita discussao, estavamos novamente chutando pedrinhas na rua atras de algum lugar que nos aceitasse.

Fomos para outro pub, de taxi ilegal, cantando musicas brasileiras pro "taxista" indiano. Na parada seguinte, a vitima foi a Bobby. Um velho na porta com cara de Papai Noel do mau segurava desesperadamente a porta de entrada. Comecamos a bater, pedir licenca e tal, Bobby na frente. Quando ela entrou o velho a jogou para fora. Empurrrou mesmo, justo ela que ja levou tanto empurrao de ingles mal educado nas ruas, quando trabalhava como fundraiser. Estavamos a caminho de tentar a porta dos fundos quando veio uma senhoura reforcar a proibicao, grossa no urtimo. Ai eu falei: "nao precisa ser rude, minha senhora, porque aquele senhor ali ja foi o suficiente empurrando minha amiga". Ela pediu desculpas e ficou mais doce. Foda-se, nossa situacao nao mudou ja que nao pudemos entrar.

Continuamos andando, meu peh doendo da porra do salto. Mau humor na porta.
Fomos para Bricklane, uma regiaozinha cool perto de White Chapel, a dez minutos de casa. Finalmente entramos num lugar. Sentamos, conversamos, fomos admoestadas por uns neo-zelandeses folgados bagarai, e voltamos para casa aas gargalhadas, meio perdidas, meio detonadas. Noite boa.

Sabado foi um dia meio bunda. Compras no supermercado ocuparam o resto da tarde em que nao passamos debaixo do edredon falando besteira. Aa noite fomos na casa do meu tio, onde teve lancamento do livro sobre mulheres da Ilha da Madeira. Foi legal rever todos, principalmente Biggles, que continua um espetaculo. Tambem revi Emily e Fiona, primas bem queridas, e outros que sao apenas os outros. Mas aas 9h da noite estava tudo acabado e fomos para nossa proxima parada: Borough High Street, onde varias pessoas de lugares diferentes marcaram de me encontrar e aa Bobby. A salada deu certo. Erica, Sophia e Bruna do meu lado, galera da charity do lado da Bobby, todo mundo legal, todo mundo conversando, interacao, socializacao, nossa, nem esta acredito que sou eu quem estah escrevendo. Mas, sim, socializar foi legal. Ainda mais se for com alguem interessante e queixudo e fofo e desajeitado e com esse sotaque amado. Enfim, foi papo para uma noite e nao rolou troca de telefones porque as meninas, bebadas, resolveram ir embora assim, um dois e ja, na hora que o bonitinho foi pegar uma cerveja no bar. Aaaaaaniway. Elas me devem uma.

Voltamos a peh. Foi um longo caminho. Que obviamente percorremos gargalhando. Frubinha tirou fotos espetaculares que em breve serao postadas no fotoblog.

E entao chegou o domingo. Mais uma lazy Sunday morning, mas aproveitamos a tarde. Apos tentativa frustrada de ir ao Argos da Old Street (estava fechado) comprar armario (!) e outros bricabraques, fomos passear em Liverpool Station e no Spitafield Market, uma coisa assim meio mundomix. Rodamos e rodamos e resolvemos voltar quando as pernas ja estavam bambas.

O fim de semana terminou e eu me perguntei em qual dos tres dias descritos eu ri mais. Impossivel medir. Alegria saindo pelos poros. Eu nem ligo de nao estar inspirada para escrever depois de um fim de semana assim.

Thursday, September 23, 2004

O belo e o mala

Ontem fui para a balada. Cheguei em casa meio xoxa, cansada do trabalho, cansada de dormir pouco, cansada de uma ameaca de ataque de panico (este ultimo diretamente relacionado aos primeiros, naturalmente).

Ao descer do onibus em Clapham, me dei o prazo de uma hora para ir embora. Eu nao imaginei que nao veria a hora passar. Ir numa balada sozinha, sem conhecer ninguem e sem beber nao eh muito promissor. Mesmo assim eu fui. Ja furei algumas vezes com a Emily e o Justin e nao queria furar novamente. O negocio eh que cheguei la e nao tinha ninguem que eu conhecesse. Nenhuma das minhas primas, nada nada. Soh o Justin, que tava la reinaugurando o bar dele, entao obviamente tinha mais o que fazer. Fiquei ali zanzando. Sobe escada, desce escada, visita o banheiro, faz um xixi meia-boca – nem tava com vontade, mas na falta do que fazer… - e uma mocinha comecou a cantar musica ao vivo. Voz e violao. E uma puta voz. Ai comecei a relaxar. Fiquei segurando minha coca-light e logo um sofa perto de mim foi desocupado. Sentei sozinha. Por aproximadamente cinco minutos. Chegaram dois caras engracadissimos, cada um sentou de um lado, e comecaram a passar aquele chaveco furadissimo dos ingleses. Um realmente era ingles. O outro, mais bonitinho, eh sul-africano.

O ingles ficou buzinando um monte de merda no meu ouvido. O quanto as brasileiras sao quentes e tropicais e exuberantes e todo aquele senso comum que me irrita profundamente. O cara passou de divertido para mala em dois minutos. E eh claro que no final das contas quem ficou com meu telefone foi o mala, nao o bonitinho. Para voces visualizarem, o belo era uma versao castanha do Matt Damon. Igualzinho, soh que de cabelo e olhos castanhos. O mala? O mala era um versao piorada e franzina do Pascoal Papagaio em Despedida de Solteiro (qual o nome do ator mesmo?).

De qualquer maneira foi divertido. A beeeeautiful Bea, como o ingles alcoolizado insistia em acentuar, novamente se provou errada na teoria de que se nao sair de casa nao tem como ser ruim. Tambem nao tem como ser bom. E eu sai do Brasil para fugir da mediocridade. Por isso fui. Vou tentar lembrar para uma proxima vez em que eu quase nao for para algum lugar.

**

Em uma hora estou saindo do trabalho, rumo a Heathrow, para buscar a amada Frubinha no aeroporto. Farra pura.

Saturday, September 18, 2004

a primeira vez em que cozinhei para mim

Em Condicoes Normais de Temperatura e Pressao, eu jamais me sujeitaria a reescrever um post imenso e inspirado como os dois que escrevi ontem e perdi. Os dois. Escrevi dois posts sobre assuntos diferentes, em horarios diferentes, com humores diferentes, e tive o dom de perder os dois. Um deles, foi idiotice minha; o outro, idiotice do blogger. Agora chega. Estou no bom e velho WordPad. E vou reescrever um dos posts porque estou no maior bom humor, serotonina estourando nas veias: fui nadar! Acabei de chegar, o cheiro maravilhoso de cloro na pele, as bochechas quentes, a sensacao de flutuar. Estou no ceu. A St George's Swimming Pool fica a exatamente um minuto a pe da minha casa. Mesmo quarteirao, e ainda da para cortar caminho por dentro de uma igreja. Alias, ainda preciso falar da minha relacao com as igrejas daqui, mas fica para um proximo post.

Agora vou contar para voces como foi a primeira vez em que cozinhei para mim mesma. Tudo comecou quando percebi que estava morrendo de fome apos ter apenas um bowl de cereais com leite e um sanduiche xumbrega no estomago desde que acordei. Estava voltando do trabalho e resolvi parar no Safeway. Eu estava decidida: vou cozinhar para mim! Eu queria aproveitar que estava sozinha nesses dias em casa para poder cozinhar fazendo todas as cagadas possiveis e impossiveis sem ninguem ver. E acreditem, consegui. Fiz cagadas pensaveis e impensaveis. Preparem-se para se divertir aas minhas custas.

Eu tinha feito uma listinha das coisas que precisava comprar. Tirei a listinha da mochila, peguei a cesta e comecei a encher. Pao, cereal, leite, tudo perfeito, ate chegar no arroz. Tinha tipo uma JARRA que, no final das contas, sairia bem mais barata a longo prazo do que os sacos menores. Resolvi levar a jarra. Pesava 5kg. Continuei enchendo a cesta, iogurte grego, molho curry, macarrao, frango... A cesta estava bastante pesada, e o arroz eu ja estava levando na outra mao. Fui para o caixa, comecei a empacotar tudo e eu sabia que a volta para casa seria uma longa jornada. Nao imaginei que tao longa. Algumas dezenas de metros do supermercado eu ja tive de parar para ajeitar as sacolas porque daquele jeito nao dava. Passei todas as sacolas para a mao esquerda e fiquei apenas com os 5kg de arroz na direita. Naquela hora eu ja sabia que havia feito merda, mas tinha que seguir em frente.

Cheia de sacola na mao, nao conseguia nem por o cabelo para tras. Quem ja veio a Londres sabe que aqui venta muito. e quem me conhece sabe que nao eh dificil eu ficar descabelada a ponto de parecer uma louca. Pois assim eu estava. Cabelo pelos ares e cara, segurando as sacolas, andando naquele passinho rapido e geek, com ombros caidos, passos curos e firmes, quase uma marcha, e os olhos meio alucinados, meio que dizendo saiam-da-minha-frente-porque-eu-nao-vou-sair-da-sua. Sabem o tipo? pois assim eu estava quando, na metade da jornada, cruzo com o Howard (ou pardal, como eu chamava quando falava dele para minha irma, porque ele tem muita cara de pardal), editor e ex-colega do Times, com quem trabalhei ha alguns meses. Eu sabia que uma hora cruzaria com alguns de meus ex-colegas e ex-chefes. Eu nao imaginei que seria na pior situacao possivel.

How's it going para la, how's it going para ca, estava pesado demais para eu parar para conversar, continuar segurando, e ser simpatica e sorridente. Resolvi colocar as sacolas no chao para falar um minuto com o cara. O problema eh que eu tinha demorado muito para ajeitar as sacolas da forma menos dolorosa possivel em torno do meu pulso, e agora nao podia desfazer todo o arranjo. Sendo assim, continuei conversando com ele, tentando sorrir, cabelo na cara, maos no chao junto com a sacola e bunda para a rua. Naturalmente a conversa nao durou muito, para meu alivio. Segui meu caminho. Ja estava tao pesado que a uma altura dessas eu parava a cada 20 passos para ajeitar as sacolas e descansar o pulso. Numa dessas, puf, o a jarra de arroz estoura. Comeca a voar grao para todo o lado. Resolvi apertar o passo. Atras de mim, uma carreira de arroz na calcada. Meu bom humor ja havia ha muito ido embora a essas alturas. Comecei a praguejar sozinha, soh para parecer um pouco mais lunatica do que eu ja estava parecendo. Meus pes se arrastando. Em determinado momento comecei a chutar as sacolas, achando que ao por um pouco de forca da perna nelas, meus bracos ficariam mais aliviados. Em momento algum eu me perguntei quanto ao absurdo dessa teoria, mas na hora ela fez o maior sentido do mundo. Entao segui chutando as sacolas e bufando.

Chegando em casa, abri a porta, joguei tudo no chao. soh quando me livrei do peso eh que percebi o quanto REALMENTE era pesado. Quando fui pegar uma das sacolas com a mao direita, a mesma que carregou a jarra de arroz por longos 20 minutos, uma dor lancinante me impede de me mexer. Abri o pulso. Fodeu. Estou sozinha em casa, nao tenho inscricao no NHS ainda, nem sei onde fica o hospital mais proximo na regiao, vou ser demitida porque nao vou mais conseguir digitar, fodeu fodeu fodeu.

Passada a histeria, comecei a levar sacola por sacola para a cozinha com o braco esquerdo. Sentei. Massageei meu braco enquanto via The Office, uma serie inglesa MUITO boa que PRECISA chegar no Brasil. Hilaria. Dou risada sozinha. A melhor descoberta desde Seinfeld, muitos anos atras.

Ja recuperada, resolvi arregacar as mangas. Ainda sou muito ruim de timing, de forma que o frango no forno ficou pronto anos-luz antes do arroz. Mas tudo ia bem quando comecei a ouvir um tsssssss dentro do forno. Abri. Um fumace do caralho. Olhei la dentro e percebi que o frango estava PINGANDO no forno. Otimo, alem de tudo, depois desse circo, vou ter que limpar a sujeira da palhaca. Fui por a mao no frango para ver se estava no ponto (na verdade eu nunca vou saber julgar se determinada comida "estah no ponto", mas eh isso que fazem as pessoas que sabem cozinhar, entao eu imitei). E nessa hora o fogao veio na minha direcao. Juro. Eu pus a mao com o maior cuidado la dentro e o forno me queimou. Uma dor absurda no indicador direito (sempre) e corri para levar o dedo aa boca. No meio do caminho senti o cheiro e descobri que realmente morrer queimada nao eh uma boa ideia. O cheiro de carne torrada eh muito ruim - mas minha ideia de ser cremada continua firme, ja que eu nao vou sentir cheiro nenhum.

Resignada em dor e angustia por ser uma zero aa esquerda na cozinha, desliguei o forno e fiquei esperando impacientemente o arroz cozinhar. Preparei uma saladinha esperta e me servi. Liguei o som. Fiona Apple. Acrescentei o curry ao arroz e experimentei. Eu juro que nunca comi uma comida tao boa em toda a minha vida. Uma comida simples com gosto de inexperiencia e independencia misturados. Algo me diz que jamais esquecerei essa refeicao.

E no final das contas sobrou um pouco para comer no dia seguinte.

Orgulho.

Tuesday, September 14, 2004

happy and bleeding

Estou cansada, uma gripe iminente, o trabalho na frente do computador fodendo meus pulsos e minhas pernas, almoco sanduiche todo dia para gastar menos, o escritorio eh um gelo e tenho que ficar disputando o aquecedor portatil com uma polonesa que senta atras de mim e eh folgada bagarai, e levei meio que uma bofetada no coracao bastante recentemente. E - nao duvidem - eu nunca estive tao feliz por aqui.

No momento estou na MINHA casa. Tudo bem que eh a casa do Ricardo, mas estou pagando aluguel tanto quanto ele, a unica diferenca eh que o contrato ta no nome dele. Soh. De resto, finalmente estou sentindo o sabor da liberdade, da independencia. Agora, sim, posso dizer de peito estufado que ninguem, senao eu mesma, paga minha conta.

Eu sabia que essa sensacao era boa. Mas eu nao sabia que, ao contrario de todas as outras coisas do mundo, a sensacao de viver de fato eh melhor do que quando apenas a imaginamos.

A vida aqui eh tranquila. Hoje o Richard foi pra NY. Ateh entao, eu e Bobby estavamos dividindo a mesma cama. A louca eh sonambula e deu para me fazer cafune no meio da noite. Tenho ido e vindo do trabalho a peh. 45 minutos cada. Por enquanto tranquilo, ainda nao estah frio e tem feito uns dias bonitos. Meto o sapato na mala e vou de tenis, beirando o Tamisa, ja que moro perto do rio e meu trabalho tambem fica aa beira-rio, do mesmo lado. Eh indescritivel. Ateh agora a sorte andou muito a meu lado. Muito mesmo. Da ateh medo de falar e comecar a reverter o efeito.

Essa semana pretendo falar com a Kate, minha boss, para saber se ha algum interesse em postergar o contrato ou me efetivar. Nao custa mostrar que da minha parte, oh yes, ha interesse.

**

Aos que estao preocupados, eu anuncio: despreocupem-se.! Voces amados ja deviam saber que sou um ioio ambulante. Subo e desco e subo e desco e me enrolo e desenrolo, mas no final das contas a cordinha continua la.

Estou pronta para outra. Na verdade, ja ha outra. E ja faz tempo.

Friday, September 10, 2004

contagem regressiva

Soh mais tres dias, soh mais tres dias, soh mais tres dias…

Hoje eh dia de comemoracao! Foi meu ultimo café-da-manha em dia de semana aqui. E nao levei nenhuma bronca! Alias, a bruxa anda dulcissima. Ontem me perguntou o que eu queria para o jantar de hoje, porque ela iria fazer algo especial, ja que eh o ultimo jantar em familia em que estarei presente. E, coitada, ela eh toda cagada, disse que ia fazer comida chinesa! Quem me conhece sabe que gosto de todas as cozinhas, MENOS da chinesa. E acho que nao consegui esconder meu nariz torcido, porque ela falou: "bom, vamos pensar em algo legal…"

Hoje, na hora do almoco, fui comprar um vaso de plantas e um pacote de Lindt. Ta bem bonito, acho que eles vao adorar. No fundo vou sentir saudades, porque apesar do terrorismo praticado pela Jane, eu vivia numa especie de mordomia – em momento algum comparavel com a que eu tinha no Brasil, mas mesmo assim mordomia se comparada com a que passarei a nao ter – e estava bem acomodada la. Agora estou me mudando para um lugar em que vou dividir quarto e tentar cavar espaco para guardar minhas roupas. E, putz, to feliz da vida com isso. Serio mesmo. To pondo fe de que vou estar bem mais feliz no aperto que no excesso de espaco.

**

Os pesadelos continuam. Ontem eram ratos que subiam no meu colchao, cachorros horriveis que tentavam me comer (no sentido sexual mesmo), eu saindo na estacao de metro errada e desencontrando da minha irma… Hoje o pesadelo foi mais ameno, mas ainda assim pesadelo. Sonhei com um ex-namorado por quem fui apaixonada – acho que a pessoa por quem mais me apaixonei ateh hoje – e de repente olhava para ele e nao sentia nada, e o fato de nao sentir nada me dava desespero, me deixava muito mal, vazia. A sensacao que eu tinha era de que seria melhor estar apaixonada e nao-correspondida do que estar vazia.

Nem requer interpretacoes, neam?

Thursday, September 09, 2004

keep on rocking para seus males espantar

Eu quero informar a todos que, apesar de estar meio ausente no blog, nao estou deixando de escrever. Alem do meu livro romance, estou escrevendo um livro sobre minha experiencia aqui e esta bem legal, modestia aas favas… Nao vai ser soh umbigo, nao, mas se alguem quiser me comparar com a Clarah, apesar de estar redondamente enganado (ja que nao tera lido meu livro e, portanto, estara fazendo um pre-julgamento), eu nao vou me incomodar. Adoro a Clarah, acho que ela escreve bem pra cacete. Digam o que disserem, nao vou mudar minha opiniao.

Mas vamos aas novidades, que eh o que interessa. Os dias voam aqui. Durante a semana, por causa do trabalho; nos fins de semana, porque sempre tem muita coisa para fazer. No tempo livre, fico no meu quarto lendo ou arranjo um programa for a de casa, ja que olhar pra cara da bruxa estah cada vez mais penoso. Ontem por exemplo inventei de ver o Ernesto tocar em Croydon, que eh for a de Londres, depois do trabalho. Ele nem gosta da banda e suspeito que secretamente nem queria que eu tivesse ido ja que ele soh havia feito um (!) ensaio. Soh fiquei sabendo que ele tocaria porque perguntei o que ele ia fazer ontem porque eu nao queria voltar pra casa depois do trabalho, e basicamente me convidei.

Como podem ver, tinha tudo apra ser um porre: sair de Londres no meio da semana, estar em meio a uma porrada de gente que eu nao conhecia, a unica pessoa que eu conhecia nao queria que eu fosse. Pelo incrivel que pareca me diverti. Conheci uma cidade nova, o bar em que a banda tocou eh bem legal e o pessoal da banda tambem, alem de muy gatos.

Minha vontade de evitar a bruxa me empurrou para programas de indio que no final nem foram tao de indio assim. Entendem agora quando eu digo que aquela energia negativa nao me atinge? Sinceramente, nao entendo como meu tio foi casar com aquela lambisgoia.

Soh mais quatro dias, soh mais quatro dias, soh mais quatro dias…

Sunday, September 05, 2004

chororo

Ontem, finalmente, a casa caiu. Ia cair uma hora ou outra, eu sei. Mas o bom eh que caiu, eu cai junto, mas ja estou me levantando. O tempo tem ajudado, apesar de eu ter dito que sol ou chuva nao fariam mais diferenca. Ontem fiquei horas a ver O Tamisa ao lado da Tower Bridge. Mas quase o tempo todo era uma pintura impressionista. Nao consigo lembrar de ter focado aquela paisagem maravilhosa sem que meus olhos estivessem inundados.

Pelo menos pus para fora. Chorei a cota do mes. Sobre o rio, para nao contrariar a natureza. A noite estava linda, apesar de tudo.

Saturday, September 04, 2004

pagina virada

Virei a pagina. Na verdade, viraram por mim, sem que eu tivesse controle. As maos atadas em Londres e o coracao em Sao Paulo, nao tinha como me defender. Perdi o pouco que sobrava de garantia.

O Tiago foi algo maravilhoso que apareceu na minha vida num momento pessimo. Eu ri e chorei da contradicao. Sorte e reves em uma soh situacao eh implacabel.

Nao sei se esse eh o fim da NOSSA historia. Sei apenas que a MINHA em Londres estah apenas comecando.

Ainda ha muito o que arquivar por aqui. Mas de maneira alguma os arquivos antigos cairao no esquecimento. Quem eu amo cotinuo amando. Quem eu estou conhecendo, posso vir a amar. Uma coisa nunca vai excluir a outra.

Pelo que ficou claro, sou uma mulher solteira novamente. Solteira em Londres. E como eu disse, sem querer, para alguem, estou de olho nos SINGLESES. O mundo nao vai parar de girar. Nao agora que eu resolvi subir.

Monday, August 30, 2004

feriado bancario

Eu pensei que teria muito mais tempo para escrever sobre as coisas que vivi e vivo aqui em Londres. Isso de maneira alguma eh uma reclamacao. Mas sinto falta de ter aquele par de horas livre para escrever sobre os acontecimentos e mundos e vidas com que cruzo. Escrever torna tudo mais real e interessante. Mas se nao for num par de horas, que seja num par de minutos. Deixar de escrever, jamais.

Ao que interessa: esse eh o final de uma segunda-feira molenga. Feriado bancario. Sol frio. Dia de conhecer a casa em que vou morar ate pelo menos janeiro. Fomos eu e Roberta. Amamos. Ja nos vimos ali. Impressionante como tem coisas que fazem as mulheres felizes. Duas pias num banheiro, por exemplo. Ficamos empolgadas com as duas pias no banheiro mesmo sabendo que a casa soh tem dois quartos para tres pessoas morarem. Foda-se. Vai ser uma festa estar com duas pessoas amadas. Frubinha, amiga do peito e de todo o resto; e Roberta, ou Bobby, como a chamo carinhosamente, que eh uma amizade recem-nascida mas ja muito forte. Duas fofas que estou feliz de carregar comigo na roda da sorte que me abateu nos ultimos tempos. Nao eh sempre, preciso aproveitar.

No mais, estou mais serena. Vez ou outra uma desequilibradinha baaaasica. Aquelas coisas de sempre. Horas depois passa. E pesadelos. Tenho tido muitos pesadelos. Acordo em prantos e fico pesada, mas depois do banho ja melhora e na hora do almoco ja esqueco. Sao apenas pesadelos.

O trabalho continua. Estou entrando na terceira semana e estou bem adaptada. Adoro meu chefe e adoro o lugar. Meus colegas tambem sao muito gente boa e ainda da para eu ver meus e-mails (e responder vez ou outra, escondido). Demoro 50 minutos para chegar la (pouco em termos londrinos) e passarei a demorar ainda menos quando mudar de casa.

Comprei meu celular, devolvi o do Owen. Estou pagando meu tio John toda semana. Comer fora ja nao me faz espremar os olhos na hora da conta. Marquei e desmarquei e remarquei programas. Arrumei e desarrumei e rearranjei flatmates. Fiz varias putas confusoes. Me meti em frias e em quentes. E continuo firme, esperando o sono bater para comecar cedo o dia amanha. Nao importa realmente se vai estar chuva ou sol. As coisas nao me abalam mais tao facilmente. Aprendi a gostar de leve. E a desodiar. E a ficar feliz mesmo triste, e a me sentir completa mesmo sentindo muita, muita saudade.

Tuesday, August 17, 2004

liquid London

Estou aqui na BMI esperando me darem mais trabalho. Internet fora do ar, mas como minhas maos nao param, cah estou no Word. Vou aproveitar para atualiza-los.

O fim de semana foi uma correria absurda. Sexta teve jantar na minha prima, Fiona. A casa eh uma graca, em Clapham (que, ao contrario do que alguns julgam, eh um otimo lugar para se morar, bairro jovem e perto do centro), no sul de Londres. Conheci uns amigos do casal e Emily (outra prima) e Justin (marido dela) tambem foram. Por sinal, dormi na casa deles. Eh uma das casas mais simpaticas e aconchegantes que jah fui por aqui. Toda tematica, toda cheia de surpresas. Mas antes de cair na cama e dormir como merecia, fui conhecer o bar do Justin e de emenda fomos a uma festa num puta apartamento em Chelsea. Adorei, apesar do esquema meio festa estranha; gente esquisita, que costuma me causar asco. Chegamos na casa da Emily la pelas 4h da matina. Fazia tempo que nao ia dormir tao tarde. E dormi como um anjo. De manha, o Justin cozinhou um eggy bread com syrup e fomos tomar café no jardim.

De lah segui para Kentish Town, ao encontro do Ernesto e da Roberta. Minha tentativa de organizar uma ida ao cinema no parque falhou completamente. Tudo bem. No final fomos a um pub chamado Gordon’s, em Embankment, com o Ricardo, e foi legal de qualquer jeito. Quando eu estava para lah de Bagda (de sono, queridos, nao se iludam porque ainda nao me rendi aos costumes etilicos dos ingleses), inventaram de ir a um night club em Covent Garden (acho) onde soh tocava musica espanhola, daquelas indancaveis, se eh que voces me entendem. Somem: sono, lugar cheio, musica espanhola. Qual o resultado? Eu indo embora depois de menos de uma hora.

Dormi na casa do Ernesto e no dia seguinte tinha mais um café primoroso, feito pela querida Roberta. Ateh ovo (ugh!) eu comi sem reclamar. Soh reclamei mesmo do frances folgado que mora com eles, o Roman. Puta cara mala, folgado, espacoso. Isso porque nao moro com ele. Imaginem se morasse… A Roberta ainda cogitou essa ideia, tentou me convencer de como relevar a presenca do sujeito, mas eu simplesmente nao quero ter que relevar a presenca de ninguem em minha futura propria casa. Entao nada de Roman. Roman = abacaxi.

Voltei para casa rapidao, soh para trocar de roupa e checar e-mails, e fui para o Hyde Park jogar Frisbee com o pessoal. Foi otimo correr um pouco, fazer algum exercicio, endorfina nas bochechas, e descobrir que algumas pessoas que eu achava meio malas nao o sao na verdade (naturalmente nao estou falando do frances, que foi ao frisbee e continua mais mala que nunca - bebeu mais da metade da minha garrafinha de agua quando ofereci um gole). Findo o frisbee, todo mundo estava esfomeado e sedento. Fomos para um restaurante indiano chamado Chowky, em Piccadilly. Foi uma paulada (£17!), mas comi muito bem.

Nisso o fim de semana passou. Voando. Soh me dei conta de que o dia seguinte seria meu primeiro dia de trabalho quando lembrei que nao tinha comprado o Week Travel Card para ir pro escritorio no dia seguinte. Teria de comprar na segunda-feira, enfrentando uma fila monstruosa.

E o trabalho comecou sem grandes sobressaltos – a fila nem foi taaaao monstruosa. A unica coisa que me fez suar ontem foi minha dificuldade de achar a saida certa do metro (tem 10) que daria em frente ao meu trabalho. Mas cheguei na hora e achei as tarefas facim, facim.

Consegui chegar a algumas definicoes em relacao aa casa, apos longos papos com Ro e Frubinha. Vamos morar as tres numa casa de tres quartos, que custe ateh £100 por semana. Assim que sair alguma coisa, eu e Ro mudamos, Fruba vem depois, mas paga pelo aluguel do quarto vazio. Pronto. Assim fica bem mais facil. Vou afunilar minhas pesquisas.

Noticia ruim recebida no momento em que escrevia esse post e que tirou completamente minha concentracao: a casa que eu ia ver em Willesden Green hoje, com a qual estava toda empolgada porque o preco era bom e a regiao eh show, jah foi alugada. Merda.

Mas a busca continua. Vou ali almocar.

***

Achei meus oculos!

Friday, August 13, 2004

drops

E eu perdi meus oculos escuros, acho. Tuuuudo bem, assim que comprar novos, vou achar.

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Comprei umas roupas de trabalho numa charity shop. Barato bagarai.

***

Estou atras de um celular usado. Tenho o SIM card, mas preciso do telefone em si. Estou quase conseguindo.

***

De agora em diante andarei com meus remedios na bolsa para poder dormir fora de casa se necessario for.

panela de pressao

Eu nao quero assustar minha familia, mas preciso dizer que vou sair desta casa em breve. O principal motivo eh a mulher do meu tio, que, desde que eu consegui um emprego (que ainda nem comecei, diga-se), todo santo dia me pergunta se eu ja comecei a procurar casa para mim e eu nao sou idiota de nao perceber que eh uma forma de pressao. Claro que meu tio nao sabe disso - tenho certeza de que se soubesse daria um puta esporro nela - mas eh o jeito dela. Ela deve temer que eu simplesmente me acomode e va ficando, o que obviamente nao vai acontecer jah que em pouco mais de um mes a Fruba deve chegar e vamos morar juntas. Mas jah estou quase acostumando. Tanto que da ultima vez que ela me perguntou, eu respondi com outra pergunta, com o olhar puzzled ma non troppo: "por que voce pergunta?" E ela logicamente disse "por nada, soh curiosidade mesmo".

Fora que ela tem TOC. Dos brabos.

Mas nao vou ficar aqui demonizando a mulher. Ela me trata bem e conversamos bastante. Mas tenho certeza de que o grande medo dela eh que eu vai ficando, ficando, ficando indefinidamente. Coitada, ela nao me conhece. Mal sabe que jah estou com a bunda formigando ha tempos e que soh sosseguei e continuei aqui apos telefonemas desesperados do Brasil e uma conversa de gente grande com meu tio -- que insistiu em que eu ficasse ateh final de setembro.

De qualquer maneira, tenho para quem gritar. Qualquer problema vou para a casa do Ricardo, que ja me ofereceu um quarto vazio, ou para a casa do Ernesto, que nao me ofereceu nada mas eu me convido numa boa, ou para a da Emily e do Justin, que disseram ter um quarto vazio e tambem podem me abrigar quando eu quiser, ou, em ultimo caso, tem a Agi, prima do meu pai do outro lado da familia, que tambem ofereceu espaco.

Pelo menos ateh o final do mes fico aqui, imagino. Depois disso, considero abrir o jogo com meu tio + sua mulher, mas o que quero mesmo eh zarpar.

Wednesday, August 11, 2004

mind the doors

Hoje estava fazendo um passeio delicioso de Maida Vale ateh Camdem Town, ao longo do Regent's Canal, quando tocou o celular. Era o David, da Shelter, dizendo que tambem fui aprovada para trabalhar com eles.

Com o coracao na mao (odeio dizer nao para trabalho, quem me conhece sabe que por causa disso ja acumulei varios papeis e acabei quase louca - ou louca mesmo, nao tenho vergonha de falar), com o coracao na mao falei que tinha acabado de aceitar outro trabalho, mas que era um contrato de apenas cerca de oito semanas. Perguntei se, se eu nao fosse renovar depois, poderia voltar a ligar para ele em busca do trabalho na charity. Ele disse que sim e que ficaria mto feliz! Ou seja, se por acaso meu contrato na BMI acabar e nao for renovado, praticamente jah tenho um emprego engatado.

O trabalho na charity seria muito legal. Eu acho. Tem gente que nao chega nem perto desse tipo de trabalho. Eu teria de bater de porta em porta pedindo para participarem da charity, o que significa contribuir semanalmente com qualquer quantia, a ser descontada da conta bancaria. Claro que eh estafante, frustrante e estressante, jah que eu receberia uma media de 30 batidas de porta no nariz a cada alma gentil que aceitar assinar. Mas acho que mesmo assim eu iria gostar. Essa coisa de ter que falar com as pessoas, ouvi-las, sentir diferentes reacoes, acho que seria uma verdadeira escola de antropologia dos londrinos. Alem disso, o salario eh bom -- melhor que o da BMI. Mas sao menos horas de trabalho por semana e no total eu ganharia menos.

De qualquer forma, a decisao estah feita e o celular do David estah gravado no meu celular. Fechei a porta, mas deixei a janela aberta.

Tuesday, August 10, 2004

valeu

A todos os e-mails de parabens pelo novo emprego! Mas o e-mail do meu stepfather foi campeao:

Dear Bia,

UAU!!!!! Parabéns!!!!

Boa sorte no seu primeiro emprego em Inglaterra.

"Corporate Researcher" sounds like a really interesting job.

You might be a corporate spy, infiltrating yourself as an apparently-innocent employee into large corporations, ruthlessly stealing the secret formula for their new ultra high-cholesterol french fries! Executives riding in their Rolls Royces will worry about you, hate you, and fear you, but they will never know who you are or where you might strike next. In fact, I am in great danger just writing you this e-mail.

On the other hand, you may spend eight boring hours per day looking through reference material for words that rhyme with Chevrolet.

Adorei!

A iniciativa da Deia tambem foi legal: ela assinou o boletim diario sobre America Latina e Caribe do Business Monitor International, to keep an eye on me.

Brigadao, babae, pelo e-mail lindo - quase pude ver seus olhinhos marejados -, babai, pelo telefonema quase impulsivo e cheio de orgulho na voz, e a todos que me escreveram soh para dizer, com diferentes palavras, algo como "eu ja sabia".

E, claro, aos que ainda vao escrever porque nao viram meu e-mail ou meu blog a tempo de responder antes deste post ir ao ar.

consegui

Estou empregada. Caralho, CARALHO. Ainda nao caiu a ficha. Estou empregada! Naquele lugar em que foi minha primeira entrevista, em que 150 neguinhos disputavam 8 vagas.

Comeco segunda. Puta merda.

Monday, August 09, 2004

bright Brighton

Foi animal. Depois eu conto.

Vao ver as fotos, vao?

Thursday, August 05, 2004

updates da semana - para quem sente falta de detalhes

Tenho uma noticia boa e uma ruim. Qual voces querem ouvir primeiro?

Entao tah. A boa eh que a entrevista a que fui hoje foi um sucesso. Conversei com os entrevistadores (eram dois) e eles pareceram satisfeitos com as minhas respostas. Depois fiz uma prova que foi moleza. Um pouco de matematica, um pouco de ortografia inglesa, um pouco de conhecimentos gerais e um proofreading em ingles que tambem foi baba.

O problema eh que sao 150 pessoas disputando oito vagas. Entao eh bom eu ficar bem quietinha aqui ateh receber alguma resposta.

Detalhe: quando eu cheguei lah eles falaram: "so... you speak Portuguese, Spanish and Brazilian, is that right?" Acho que consegui nao fazer cara de nao-seja-monga-minha-senhora. Mas foi dificil. Eu respondi: "well, yes, Brazilian Portuguese and some Spanish". Ela ficou vermelha, mesmo minha resposta tendo sido gentil. E deveria ficar vermelha mesmo.

Agora a ma noticia: recebi uma multa e por pouco nao fui presa. Isso mesmo. Fui dar uma de malandra e tentar voltar de trem da entrevista sem pagar. Aih apareceu um fiscal, desses que aparecem a cada ano bissexto, e pediu para ver meu cartao. Claro que eu fiz aquele drama todo, "me Brazilian, anderrrrstandi?", mas nao colou. Ele ateh ficou com pena de mim no final, mas disse que teria de me multar em 10 pounds. Eu abri a carteira e... Nao tinha 10, soh 5. "Agora fodeu", pensei. Ele disse: me dah os 5 e eu te dou uma multa cobrando mais 5, ok? Voce vai ateh o correio e paga.

Que vergonha.

Nunca mais.

Nao me venham com sermoes porque eu aprendi a licao.

***

O banheiro, que estava quebrado, jah estah consertado. Eu estava me sentindo uma indigena. Cinco pessoas dividindo uma unica privada. Sem descarga. E nenhum chuveiro funcionando. Nao sei como foi acontecer, mas a culpa nao foi minha.

De qualquer forma, pude me aliviar dos refluxos matinais na estacao de trem. Ninguem merece.

***

Ontem fui aa Ladies' Pond com a Paige. Eh uma lagoa em que soh entram mulheres e eh toda cercada por arvores. Ninguem de fora consegue ver, teoricamente. Entao jah viu, neh? A mulhegada toda de topless, as mais ousadas de less-tudo. Eu e Paige fizemos topless depois de constatar que seriamos vistas como extraterrestre se nao o fizessemos.

Dei minha nadada na lagoa. Nada que me lembrasse os tempos de treino pesado, mas deu para esticar em uns 1000m.

***

Ainda fico na duvida se entendo realmente o que as pessoas falam. E geralmente entendo, mas o esforco para entender faz com que a situacao fique patetica. Hoje no almoco, por exemplo, eu estava fazendo alongamento e massagem na Jane porque ela tava toda dura de pintar (!!!) a casa. Aih eu puxei o braco dela pra baixo. E ela disse assim: "fica melhor se voce colocar o queixo para baixo, no pescoco". Achei estranho mas lah fui eu, puxando o braco da mulher por tras e metendo o queixo na nuca dela. Bem esquisito. E ela disse, "oh, thanx, mas eu quis dizer que eu deveria por o MEU queixo para baixo para alongar minha nuca. But that was fine anyway. Thank you".

Pelo menos me orgulho de ter preparado o almoco.

***

Acabo de receber outra resposta e semana que vem tenho outra entrevista. Numa charity. Como diria babae, "vai, boba, vamos ver que bicho dah".