Friday, February 03, 2006

extremamente tudo

Eu sou idiota ou o que? Estava relendo emails que mandei desde que cheguei aqui em Londres. Sou idiota ou o que? Deus, como mudei. Como fui anta. Como engolia os mais gordos e nojentos dos sapos. Mas no comeco, no comeco foi quando fui mais feliz. Quem eh que inventa o que eh idiota e o que nao eh? Fui a mais idiota das idiotas nas mais felizes ocasioes. E talvez a propria idiotice tenha ajudado.

Por que teimamos em nao sermos idiotas? Qual o problema em nao ver se nao ver te faz mais feliz? Por que queremos ver tudo se uma hora vamos morrer e tudo o que vimos nao vai mais significar nada?

Meus momentos mais doces sao aqueles em que fui idiota. Hoje olho para traz quase com tristeza. Eh engracado isso. A gente sente tristeza quando pensa num tempo em que eramos felizes. Por que nao apenas ser feliz aqui e agora? Por que a lembranca de algo bom eh sempre triste? Serah porque esse algo soh existe em forma de lembranca? Serah porque eh um tempo irrecuperavel? Serah que eh porque perdemos a capacidade de ser feliz como antes? Ou serah que nos decepcionamos com nossa idiotice?

Eu me decepciono com minhas idiotices. Acho que eh por isso que ja comecei a escrever meia duzia de livros e nunca terminei. Sempre passa o tempo, um tempo suficiente para eu idiotizar o passado e tudo o que fui um dia, tudo o que vivi, tudo o que escrevi. Tudo que era profundo fica mais raso que um pires.

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Essa madrugada aconteceu. De novo.

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Ontem joguei na loteria. De novo.

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Hoje vou encontrar o Michael. Michael eh o velhinho irlandes que conheci no onibus em Dublin. Michael me ligou exatamente quando eu estava deitada, de olhos fechados, pedindo que meu falecido avo me mandasse forcas para enfrentar mais uma noite, mais um dia, mais uma semana. Michael foi o mensageiro. Depois que ele ligou, eu consegui dormir. Eu entendi a mensagem.

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