Sunday, July 29, 2007

let me be me

Rápido que realmente a vida anda corrida. Se eu não corer também sou engolida. Voltei de Berlim e Amsterdã. Minha irmã voltou pro Brasil. Eu voltei para minha vida aqui. Amanhã começa o trabalho novo e é por isso que está tudo igual e tudo diferente ao mesmo tempo. Diferente, nem preciso explicar; igual, nem preciso explicar.

Ansiosa pra porra. Fluoxetinada novamente, mas ainda assim ansiosa. Levando susto com penas que caem pelo ar na minha frente. Me coçando sem ter coceira. Comendo unha e respirando daquele jeito que algumas pessoas reconhecem já de longe (né, mirrrrmã?).

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E ando apaixonada. Minha paixão vem em ciclos, mas cada vez que ela aperta mais, ela fica mais madura e evolui, evolui. E eu me sinto uma menina com coração de senhora e depois de segundos me sinto senhora com coração de menina. Só não me sinto e sou a mesma coisa. Nunca fui dessas de fazer sentido, nunca vou ser, você nunca vai imaginar exatamente o que se passa na minha cabeça e nem qual a frase seguinte que vou falar. Mas hoje, hoje você soube exatamente quando me abraçar, e me fazer carinho com o pé, e me dizer que está tudo bem, que vai dar tudo certo, e que de uma certa forma, só minha, eu sei ser adorável. E isso bastou. Minha ansiedade continua altíssima, mas agora disputa espaço com meu amor. Um amor que me surpreende todo dia. Eu, de todas as pessoas. Eu, que nunca soube o que era a vida sem ironia. Eu, que nunca sorria meu sorriso mais verdadeiro para homem algum que não fosse meu pai.

Brigada, meu amor.

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Amei Berlim, amei Amsterdã, acho que ouso dizer para desespero e indignação de alguns que gostei mais de Berlim que de Amsterdã. Mas talvez isso seja porque peguei tempo bom em Berlim, e porque lá tem mais coisa pra fazer, e porque tenha muito turista em Amsterdã, e muita turminha de jovens maconheiros querendo pegar mulher. Nada mais enervante, como bem sabem.

Quem sabe um dia desses eu conto como foi a saga da ida no aeroporto. Nunca fiquei tão perto de perder um vôo em toda a minha vida. Mas agora não. Tenho que descansar, relaxar, adormecer docemente porque amanhã será um dia cheio de emoções para esse coração idiota que ainda acelera pelas causas erradas.

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Ouvindo Nina, sempre Nina. Ultimamente como um mantra. Let it be me.

Saturday, July 21, 2007

rapidao

De Berlin. Isso aqui eh foda. Indo pra Amsterdam amanha. ACM morreu e eu quero comemorar. Brasil eh um teco mais leve a partir de hoje. Saudade, como sempre, porque saudade eh sempre metade. Mas adorando. Vendo o tempo voar. Cai da bicicleta duas veyes. A primeira foi culpa da minha irma, que jogou o pneu da bicilceta dela na minha frente. "Parabens, Joana, demorou mas voce conseguiu!", disse eu ainda no chao. A segunda foi culpa minha mesmo. Mas nada demais, nada dramatico. Aquelas quedinhas paradas de quem nao alcanca o chao, sabe? Nao machuca nada alem do ego (porque sao quedas pateticas e lentas, muito lentas, sempre).

Ansiosa para comecar o novo trabalho, mas querendo que as ferias durem meses. Calor. Voltei a tomar a Fluoxetina porque nao tava dando. Mas eu tentei. E foi dificil mas reconheci que tive que voltar. Isso eh ainda mais dificil do que parar de tomar, acreditem. E chega, porque devidamente medicada tenho sono na hora certa e sorrio nas horas de sorrir e sinto frio e calor na medida certa. Sou equilibrada e nao lato para pessoas na rua. Me amo um pouquinho mais que na semana passada, quando ainda nao tinha voltado a tomar remedio.

E eh isso. La se vao 100 euros no trem de amanha. Ha que valer a pena. Fluoxetina, hurray!

Wednesday, July 11, 2007

spinning

Fim de semana foda, muito foda. Foda mesmo. Desculpem, mas foi muito bom. Interiormente bom.

Sexta fui pra Brixton, num café com música brasileira ao vivo que fica dentro de um cinema, o Ritzy. Fomos eu, Tania – a pankeka louca –, o Dani e a irmã dele.

De lá fomos para um outro lugar cujo nome me escapa. Fiquei pouco porque queria ver meu Byrifoy. Cheguei lá, recebi jantar e carinho e dormi no meio de Animals, stand-up comedy do Ricky Gervais que, pelos cinco minutos iniciais, parecia ótima. Mais uma vez, culpa do travesseiro, que vem com um delicioso cafuné embutido.

Sábado, dia lindo. Sol. Me and ma’boy pegamos nossas bikes (bom, ele pegou a do Bruno) e fomos até Battersea Park. Sentamos num banquinho e ficamos vendo a pagoda budista e o Tâmisa e um ao outro, e falamos do futuro e de sonhos e de loucuras que estávamos ou não dispostos a fazer. Eu poderia estar ali com vinte ou 80 anos. Teria sido bom em qualquer época. Voltamos para a casa do Byrifoy para pegar a moto e ir almoçar no Nando’s, uma cadeia de restaurantes portuguesa que faz, entre outras coisas, frangos. Bons frangos.

Domingo teve almoço na casa do uncle John. Byrifoy foi conhecer um pedacinho da minha família inglesa. Foi uma delícia. Matei saudade do meu tio, da Biggles e da outrora dona Bruxa, que agora está um doce, confortavelmente longe de mim.

Voltamos para casa, assistimos mais um filme, Lady in the Water, que eu já tinha visto no cinema mas achava que não. Minha cara.

E aí chegou a segunda. Não fui trabalhar - inventei que estava doente - para pegar minha irmã no aeroporto.

Aí depois eu conto.

Thursday, July 05, 2007

free and cycling

Tá. Vamos lá.

Final de semana em Bristol foi muito bom. Mas não de todo proveitoso, na minha humirde. Não sei se porque o tempo estava uma bosta ou se porque nossos anfitriões não estavam muito a fim de fazer programas de turista, ou se porque realmente não há muito o que fazer em Bristol.

E Bath, poxa, Bath. Vou ter que voltar porque não valeu. Quer dizer, claro que valeu, fui no SPA termal com o Byrifoy e Broo+Ma e foi um tanto idílico. Piscinas aquecidas no teto do SPA (veja foto ao lado), vista para o bucólico e medieval. Mas faltou ver a cidade. Ver e andar. Queria ter visto os banhos romanos, as ruínas, a cidadezinha em si, o rio se tem rio, o castelo se tem castelo, os detalhes que sempre têm. Enfim, fui a Bath mas não fui. Na verdade fui ao SPA de Bath e só. Valeu cada minuto e cada centavo. Mas preciso voltar.

E dormi mal, como um todo.

Mas mesmo assim valeu. Viagens em condições adversas com pessoas, er, desadversas não têm como dar errado.

Resumão: chegamos sexta de noitinha, fomos para a night de Bristol. Tem muitos lugares pra se sair à noite em Bristol porque a cidade tem acho que duas universidades grandes. Fomos ali para a beira do rio, onde tem uma congregação de baladas e, naturalmente, bêbados, gente brigando etc etc. Byrifoy e eu resolvemos jantar num restaurante que é um barco no rio. Adoramos. Íamos para a balada X mas não rolou porque era gay e custava £5, fomos para a balada Y e não entramos porque o Ma brigou com o segurança da porta e porque também custava £5. Quando chegamos na balada W eu já estava bem cansada e o lugar era lotado e não pagava nada para entrar. E eu não entraria nem que para tal me pagassem. Voltamos para casa. Sabadão, íamos passear mas só chovia, só chovia, e ninguém se animou muito (acho que só eu, mas como não teria nenhum cúmplice, desencanei). Só saímos de casa lá pelas 3 da tarde para ir num churrasco que foi legal mas, again, durou tempo demais – pelo menos para um churrasco em que você não conhece ninguém a não ser seu namorado. Chegamos em casa de madrugada. Capotamos. Dia seguinte, manhã completamente perdida, tarde no SPA como já contei, e volta para Londres.

Fim de semana gostoso, sim, mas mais uma vez constatei: gente, como Londres é abençoada! Happy to be here.

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Outro resumão, agora do que se passou durante uma hora no fim da tarde da última quinta-feira:

- chego em Vauxhall, estação de trem em que desço para pegar minha bicicleta e pedalar até minha casa, e constato com aquela cara idiota que minha bicicleta foi roubadda. Queria entender como já que o lock que eu uso era considerado ultra-super-max-hiper-platinum-secure. Enfim, foi-se a magrela de que eu nem gostava tanto.

- saindo de Vauxhall (a pé, claro), um cara na rua empurrando/batendo numa mulher e gritando: “Eu sofri abusos quando tiha seis anos, você está entendendo???”. Ai, mundo. Fiquei ali parada, querendo fazer algo porque o cara estava descontrolado. Ia chamar a polícia quando ele virou as costas para ela e ela então correu atrás dele. Aí achei que o assunto não era mais da minha conta. Mesmo assim, avisei o guardinha da estação que um cara “agressivo” estava agredindo uma mulher na rua.

- chego em casa, uma pessoa oferece uma bicicleta no Freecycle. Mando email contanto que a minha acaba de ser roubada. A pessoa então me responde que não só me dará a bicicleta como virá entregar em casa (!!!) junto com uma caixa de potinhos de geléia (???) – eu sei, não perguntem, eu também não sei.

- falo com a Cá, que acabou de dar à luz a Manu. Aquela vozinha tão familiar, carregada de emoção. Eu já tava mole, amoleci de vez.

- me despeço da Carol, flatmate queridíssima, que está deixando a Graceland e Londres e Inglaterra para passar três meses na França.

Tudo isso em uma hora. Não sou eu que sou estranha com emoções. São as emoções que acontecem todas desproporcional e desconcatenadamente na minha vida.

By the way, a bicicleta é velhinha e provavelmente não vou usar. Ontem comprei minha bicicleta nova. Vou manter a velhinha pra minha irmã usar enquanto estiver aqui, se ela quiser. Depois disso, está up for grabs. Quem quiser um bike velhinha e básica mas funcionando, põe o dedo aqui que já vai fechar.

Minha bicicleta nova é essa aqui, ó:



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Momento de grandes definições na minha cabeça. Friozinho no peito, quentinho no coração. Antíteses sinestésicas, que é para eu testar se essa história de pânico realmente não existe mais.

Ah! Parei a fluoxetina. De vez.