Thursday, December 10, 2009

e blah blah blah

Foi o que entendi da reunião de hoje à tarde. Tudo irá mudar, dizem os grandes aqui da empresa. A partir do ano que vem, tudo irá mudar. Todos os processos e todas as operações e todos os costumes e sistemas de medida de sucesso. Tudo ficará melhor e todos ganharão mais dinheiro. Todo esforço será recompensado e toda o suor bem aplicado.

Blah Blah Blah.

Eu não acredito em corporativismo, asim como não acredito em quase nada em que não se toca. Cheguei a duvidar do amor até, e entendi que só não o posso tocar porque ele acontece, quimicamente, na minha cabeça. Ele existe, mas não é tudo aquilo que as músicas piegas pregam. É bem mais palpável, controlável e mensurável. Mas não se mistura amor com corporativismo. Sacanagem com o amor.

Aí eu vejo a pessoa ao meu lado no trabalho falando sobre A Fazenda e o tema corporativismo fica estranhamente interessante.

Chega. Passei pra falar que o azedume não passou e que continuo desesperançosa com a raça humana e que se pudesse votava sim para o fim do mundo em 2012.

Amanhã hei de pegar a chave da casa nova e tudo há de ficar mais colorido. Hei de voltar a me divertir com a vida, acompanhada do homem mais perfeito do Brasil: o meu.

Monday, December 07, 2009

unthought known

O rosto um pouco mais duro, fica difícil, assim, sorrir. Pelo menos naturalmente. Nada concreto mudou. Aliás, tudo o que é concreto já está endurecido demais para mudar. Tipo meu rosto. Mas vamos lá, continuar insistindo, que é o que se pode fazer. Sempre insistir e resistir, ou jogar tudo pra cima e deixar que a inércia leve para todo o sempre. Quisera eu ser capaz!

Continuo pensando em tudo o que preciso fazer e não tenho tempo, em tudo que preciso comprar e não tenho dinheiro, e tudo aquilo que sei que me faz feliz, mas não tenho coragem.

E enquanto isso vou resistindo à inércia de um rosto endurecido e sorrio. Para você e para o taxista. Para você e para a minha chefe. Para você e para o meu palestrante. Até o concreto secar. Até que para rasgar um sorriso seja preciso rachar o concreto. Até que o esforço me juntem lágrimas nos olhos e não valha mais a pena fingir. Até que.

Não era para ser tão difícil, querer apenas envelhecer, devagarinho. Sem muita coisa a mais, nem a menos. Apenas eu, assim, envelhecendo devagarinho do lado dele. Aos poucos uma coisa vai, outra chega e nós ali, juntando ruguinhas e um pouco de pó e nada mais. Absolutamente nada mais. Uma voz rouca dizendo que me ama, outra voz rouca dizendo também te amo, e dedos entrelaçados, a mão mais quente esquentando a mais fria, e a mais fria esfriando a mais quente, e fez-se a felicidade.

Eu sei que há, em algum lugar no centro do meu coração, essa serenidade que cobiço. Ela só não responde quando eu chamo.

Before I disappear
Whisper in my ear
Give me something to echo
In my unknown futures ear

**

Em tempo, sem alarde.

Nada demais. TPM + Tensão pré-evento + irritação no trabalh + segunda-feira + chuva. Normal.

Saturday, November 21, 2009

quente demais

É sempre a mesma desculpa que uso para não fazer nada e reclamar da vida. Quente demais. Na verdade, não é desculpa. é fato. quando está muito quente até desisto de letras maiúsculas. cada passo é um pouco demais e não vale lá muito a pena.

Realmente não nasci para o calor, biologicamente falando. Tenho ascendência alemã, inglesa, russa e húngara. Tá, tá, sou brasileira de coração etc. Mas o que importa nessas horas é minha composição genética. Sou bem branca e bem calorenta. E cá estou, em terreno de mulatas que sambam com a mesma facilidade com que comem.

Enfim. Este post não ia ser sobre isso e acabou sendo. Ia, na verdade, comentar o quanto eu e meu NOIVO (estranho) já avançamos, e o quanto, ao mesmo tempo, ainda falta. Que cada decisão precisa ser devida e chatamente planilhada, que não vou, por um bom tempo, me dar ao luxo de comprar aquela bolsa que custa um pouco mais que aquela outra e é tão mais bonita. Escolhas! 2010 será um ano difícil, eu sei, mas difícil ou não, será nosso. Isso já o faz vale demais.

E quando digo nosso, sempre pode ser de alguénzinho que ainda nem está por aqui. Quem sabe? Nossa Senhora da Planilha sabe.

Wednesday, November 04, 2009

one sweet day

Amanheceu céu azul. Não havia tempo a perder. Fomos ao Horto Florestal e, entre cachoeiras, relembramos Laos, Camboja, Tailândia. Esperamos que algumas borboletas pousassem sobre nossos joelhos enquanto comíamos o sanduichinho feito horas antes. Fizemos promessas de sermos pessoas melhores - uma daquelas promessas que fazemos quando estamos bem e queremos retribuir o mundo. Depois passou.

Continuamos passeando, pelo centro de Capivari, pelo Véu da Noiva, a cachoeira mais ou menos mais para menos de Campos do Jordão.

E cansamos. Voltamos para nosso apê, fizemos um pouco de hora e fomos ao ofurô. Havíamos marcado para 19h e 15 minutos antes estávamos lá. O ofurô estava quente, a fumaça saindo da água o fazia ainda mais lindo. Apesar do clima, estava quente demais para mim, mas eu precisava ficar lá, observando aquele rosto e pensando, meu deus, que bom que ele é meu. E a noite foi caindo. A luz das velas foi ficando mais forte e o que já estava romântico ficou insuportavelmente apaixonante. Até que não aguentamos mais e nos rendemos. Aconteceu. Aquele rosto lindo me pediu para ser não apenas sua mulher, mas também sua esposa.

Minhas lágrimas responderam de pronto.

Monday, October 26, 2009

Apartamento comprado. Metade do pânico se foi, a outra metade será abrandada com o passar do tempo (leia-se pagamento das dívidas). Entramos, oficialmente, em entressafra indefinida. Nosso cálculo: um ano de pindaíba. Mas estamos sorrindo, for there ain't no greater fortune que ter a própria casa. Lindinha. Nossa oficialmente a partir de 6 de dezembro. Talvez antes.

E tenho escrito pouco porque tenho feito muita coisa pouco, menos trabalhar. E como é trabalhando que se sana dívidas, hei que priorizar. A não ser que passem a me pagar para escrever aqui. Aí, senta que vamos conversar.

Mas não é o caso.

Então sorry, venho aqui de vez em quando, meio triste de ver o número de visitas caindo e a falta de fé dos leitores. Mas meu coração imbecil me lembra deste blog todos os dias e grita baixinho, ei, é isso que importa, não seja monga. E eu finjo que não ouço e sigo monga todos os dias.

Um fiozinho ainda acreditando que vai dar tudo certo como há muitos anos previ.

Wednesday, September 30, 2009

Dreaming permits each and every one of us to be quietly and safely insane every night of our lives.
- William Dement

Tuesday, September 29, 2009

enfim

Os dados est?o lan?ados.

Quem quer me levar?

Monday, September 28, 2009

E Honduras, hein?!

Estou alheia mesmo, sem tempo nem saco nem cabe?a nem inspira??o. O trabalho tem me drenado bastante, assim como a busca por apartamento e as preocupa??es corriqueiras que fazem a vida passar sem a gente perceber.

E voc?s, tudo bem?

Estou dando aulas de ingl?s ap?s o trabalho. Tem sido um desafio grande. Nunca dei aula antes e, juro, nunca fiz aula de ingl?s. But I'm getting by. J? estou com 5 alunas de forma que minhas noites durante a semana est?o quase todas tomadas.

Estou, assim, tentando descobrir alguma habilidade escondida e, mais importante, alguma paix?o nunca dantes revelada. Ser? que existe?

Fico por aqui com uma frase do Kurt Vonnegut: Maturity is a bitter disappointment for which no remedy exists, unless laughter can be said to remedy anything.

Monday, August 31, 2009

crawling back

O Brasil é um ótimo país quando se está longe dele. Foi a conclusão a que cheguei depois de 5 meses de volta. Meio que esqueci por quê eu queria tanto voltar ao Brasil, e meio que lembrei porque saí. O que não significa que estou louca para ir embora, de jeito nenhum. Ajeitei minha vida e continuo ajeitando, um pouco todo dia. Maior prova disso é que estou prestes a comprar meu apartamento, junto com o Alê. Mas isso não impede nem vai impedir que as coisas mudem no futuro. Já diz o senso comum que para sempre é tempo demais e sou a primeira a concordar.

No momento curto a angústia de não ter tempo para o que realmente importa. Reclamo de barriga cheia e odeio muito segundas-feiras, daí o profundo lamento mesmo tanto tempo depois de ter escrito pela última vez. A Grande Angústia, na verdade, se deve à conclusão de que não existe, de verdade, um lugar para mim. Any place is better. Me sentia uma outsider em Londres e me sinto uma outsider em São Paulo. E não tenho condições de sair pesquisando mundo afora o lugar que poderei chamar de meu, mesmo porque ele pode perfeitamente não existir.

O problema é eu insistir no erro de que a felicidade está fora de mim. O tal lugar está dentro, mas ainda não o encontrei nesse mundo labiríntico que é minha cabeça. Não encontrei e, após 29 anos, meio que cansei de procurar. De repente eu sem querer tropeço nele, no botãozinho? Um dia qualquer que eu resolver passear em vez de dormir a tarde toda? Quem sabe um dia.

Enquanto isso, estou aqui. Completando 4 meses num trabalho I’m not too sure about, ainda morando com a mãe, sem tempo para coisas de que gosto, dormindo demais nos fins de semana e pensando qual outra vida eu poderia estar vivendo e não estou por falta de coragem. E tentando prever quanto tempo vai levar para a bomba-relógio explodir e eu, mais uma vez, começar tudo de novo.

Thursday, July 30, 2009

ai, vida

Alguém, por favor, me pega na mão e leva? Alguém que saiba mais que eu e ache que saiba mais que eu. Alguém que entende as merdas que eu faço e decide por mim que não posso mais fazê-las.

A verdade é que nunca cumpri bem o papel de carente insegura, porque simplesmente não é bem o meu papel. Mas que dá vontade de ter uma figura acima te conduzindo para o Bem, ah dá.
Eu ouço o que me falam. Eu só nem sempre acredito. É assim que deveria ser, mas sendo assim, fica difícil se deixar levar. Ai, vida. Chega de pensar por hoje. Hora de ir na fisio e pensar em nada além de exercitar meu pezinho e ouvir as histórias adolescentes da fisioterapeuta e os dramas maiores que os meus dos outros pacientes. Music to my ears.

Thursday, July 23, 2009

para todos entenderem porque eu twitto mais do que blogo

Trabalho das 9h às 18h, daí tenho fisioterapia. Otop of that tenho que procurar apartamento. On top of that tenho que resolver coisinhas quando sobra tempo. And above all, vocês já sabem, tenho sono.

Convenhamos, o twitter supre melhor minha necessidade de escrever telegraficamente. Mas vamos lá, que eu não sou de deixar meus filhos mais antigos de lado.

Friday, July 10, 2009

meia hora

Que eu estou feliz, que as coisas estão aos poucos se ajeitando, que tenho perto de mim amados, disso eu sei. Mas tem alguma coisa que nunca volta pro lugar. E acho que não é um desarranjo só meu. É de todo mundo que optou por uma vida de saudade. Uma vida com laços lá e cá e uma vontade de criar novos laços acolá, onde ainda não há nada, mas sei que há de haver, e é isso que me mantém regularmente inquieta. Tem algo além do que conheço que eu não conheço. E eu quero me testar cada vez mais. Eu preciso me testar sempre. Eu preciso tentar os limites para me sentir centrada. Eu preciso gritar para entender o silêncio.

Nada mudou. Foram 5 anos fora. Foram muitas lições aprendidas. Foram 3 meses na Ásia. Foi muito bom, mas não foi o suficiente. Nunca vai ser suficiente. Minhas histórias e angústias não têm fim, e eu sabia disso quando comecei todas elas. Agora tebto adormecer no mesmo lar que adormecia antes, e tenho medo de acordar querendo estar em outro lugar. Querendo fugir de novo de coisas que me acompanham sempre, sempre. Eu sei, e mesmo assim não consigo fazer diferente.

Eu toparia, por exemplo, ir para a Coréia do Sul. Poucas coisas eu não toparia. Eu toparia qualquer coisa que não está acontecendo comigo, justamente porque não está acontecendo comigo.

Mas daí chega um email qualquer confirmando presença no meu evento. Ou dá vontade de tomar café. Ou o esmalte começa a sair. Ou toca o celular e é meu amor.

Aí tenho, quando muito, meia hora de trégua.

E começa tudo outra vez.

Saturday, July 04, 2009

restless soul

Diz que a blogosfera está esvaziando. Todo mundo debandando pro Twitter e pro facebook e pro orkut. Fiquei meio com pena da blogosfera. Eu, que estou aqui há 8 anos. Senti meio como se deixasse o primogênito de lado para brincar com os caçulas.

Então, de cabeça baixa e pedindo desculpas, resolvi aparecer.

Só não sei quanto tempo meus guilty feelings durarão.

Mas isso pouco importa. Ninguém me paga pra escrever, ninguém pode reclamar.

Lá se vão mais de 3 meses de Brasil. Acreditem, ainda me sinto desajustada aqui. Dizem que é normal. Eu não acho normal. Porque tenho a sensação de que adotei essa inquietude para sempre. An unrestful soul.

Como estão vocês, me contem? Eu estou bem. Continuo gostando do trabalho, continuo na casa da mãe, continuo tentando emagrecer, continuo prometendo a mim mesma voltar a nadar, continuo a reclamar de um cansaço que jamais vai embora.

Sunday, June 14, 2009

ainda aqui

Sei que faz tempo, que sumi sem explicar. Mas não há muito o que explicar. A vida anda cheia de acontecimentos, os dias com bem menos de 24 horas e eu com pouca inspiração, na verdade. Esse negócio de trabalhar em escritório faz isso com a gente. Não estou reclamando - muito pelo contrário, continuo curtindo bastante o meu novo emprego - mas que dá pouca vazão para criatividade, isso - e qualquer emprego de escritório que eu conheço - dá.

Sem muitas novidades. O dia dos namorados foi delicioso e romântico pacas. Ficamos por aqui, curtindo ter a casa só para nós. Jantamos a luz de vela e tomamos pinot noir, o primeiro vinho que achei OK.

Dia seguinte fomos para Campinas e já estamos de volta. Tudo rapidinho, mas delicioso.

E esta semana, se deus quiser, trará mais boas novas. Torçam!

Depois eu volto e conto mais.

Friday, May 22, 2009

solving mode

Algumas coisas que resolvi:

* Preciso emagrecer

* Estou gostando bastante do meu trabalho

* Estou me adaptando rápido depois do susto inicial

* Vou ver qual é o problema do meu pé esquerdo que dói desde a topada do direito, na Tailândia

* Adoro o pessoal do Nordeste. Eles conversam sem pressa e ainda falam devagarinho. Dá tempo de anotar tudo nas entrevistas

* Estou feliz, acho. Bem feliz.

Monday, May 11, 2009

say hello, wave goodbye

Opa! Quase duas semanas sem postar, que vergonha! Mas venho por meio deste dizer a todos que, apesar do cansaço inicial, estou bem. Começo minha segunda semana no trabalho e estou começando a entender o que tenho que fazer. O treinamento foi ótimo, mas nada como a prática. Isto dito, o tempo tem voado. Já faz um mês e dez dias que voltei. Ainda não caiu a ficha! Quanto tempo vai levar até eu parar de estranhar as pessoas falando português à minha volta?

E não tenho escrito não só por falta de tempo mas por falta de inspiração também. É sempre assim quando estou trabalhando o dia inteiro. Chego em casa e não tenho o menor saco de sentar a bunda na frente de yet another computer. E por esse motivo, também, não tenho respondido emails amados. Sou uma vergonha.

Mas ó, juro, vou voltar. Amanhã ou depois. Para vocês que eu gosto, e para vocês que eu não conheço e me gostam, e pros levemente obcecados por esse blog, e pros que tem tempo para qualquer coisa menos ser feliz e dar paz ao saco alheio. Estarei sempre por aqui. Até não estar mais.

Wednesday, April 29, 2009

para um amigo

Bom, pela primeira vez desde que voltei, consegui sentir saudade de Londres. E ela veio fininha e doeu bem na altura da garganta. Foi numa situação bem trivial. Estava na Drogasil procurando uma palmilha pro meu calcanhar cansado e de repente me bateu um lance de estar na Boots, e aí veio, pela primeira vez e inconfundível, a saudade.

Também ando meio fora da casinha. Hoje não entendi quando o carinha do xerox não quis aceitar minha nota de £20.

Vai passar, vai melhorar, eu sei. Tô contando com o tempo, esse mala, para me aquietar. Saudade dos nossos papos... Você tá bem?

so why so sad

Things get clear when I feel free
When whatevers next comes easily
When gentle hands give life to me
When your eyes fill with tiny tears

When Im this still you are my life
When Im this still you are my life

So at ease in the midnight sky
So at ease in the midnight sky

But my insides will look like war
My insides will look like war

Paralysed except through my thought

So why so sad
You live and you love
So why so sad
Dependent on all above
Searching for the dead sea scrolls
So why, so why so sad

My smile as real as a hyenas
My smile as real as a hyenas

Burns an expressway to my skull
Burns an expressway to my skull

But Ill stick myself together again
Spirit so low that I no longer pretend

So why so sad
You live and you love
So why so sad
Dependent on all above
Searching for the dead sea scrolls
So why, so why so sad

So why so sad
You live and you love
So why so sad
Dependent on all above
Searching for the dead sea scrolls
So why, so why so sad
So why, so why so sad
So why, so why so sad
So why, so why so sad

.
.
.
Sentiram o clima?

Tuesday, April 28, 2009

dazed and confused

É bem possível que dê errado, como sempre dá quando escrevo assim.

com sono com medo com vazio com o saco na lua

Mas pode ser que vire. Sei lá, já virou tantas vezes. É meio difícil não ter tempo para nada mesmo sem ter absolutamente nada com que ocupar o tempo. Faz a vida ficar meio besta, claro. Dormir é sempre bom, mas tem limite. Não pode ser lá tão bom, senão passa-se a vida meio cá meio lá. I'll sleep when I die, eu tento lembrar, mas comigo não funciona. Se quando eu morrer tudo o que eu fizer for dormir, não darei valor. Preciso dar valor agora e dormir, dormir, dormir. Gastar um pouco desse tempo que custa a passar.

E lembrar do passado também é bom. Gozado, achei que voltaria de Londres e continuaria com a cabeça lá, mas não. Londres passa pouco por minha cabeça. Estranho, né? Deve ser um mecanismo de defesa, minha cabeça me mostrando o caminho de volta, e de como voltar. As lembranças que tenho são bem mais do Brasil pré-2004. São boas as lembranças, claro. Mas não esqueçamos que saí do Brasil por um motivo bem claro, e não era porque o Brasil era tão bom que eu não aguentava. Não, não era.

**

E os choques de readaptação continuam. Outro dia fui a pé do Itaim Bibi até depois da Paulista, resolver meu CPF. Uma longa caminhada, para perder banha e deixar de perder reais. Caminhada esta totalmente vã. Cheguei lá e, apesar de todos os indicativos de que eu estava no lugar certo, a funcionária pública com batom nos dentes me disse que não, senhora, não é aqui, a senhora tem que ir no poupatempo. E eu saí de lá urrando aos transeuntes: MERDA DE PAÍS! And I so fucking meant it.

Como acertadamente disse o Alê, quando estou emputecida faço de tudo para ficar ainda mais. E foi o que fiz. Começou a chover e me recusei a subir num taxi ou num busão. Continuei caminhando, fiquei ensopada e caí no chão depois de escorregar num trecho cuidadosamente mais liso da calçada (porque a calçada nessa merda de cidade fica mudando tanto?)

No dia seguinte fui ao poupatempo da Sé e depois de umas QUATRO HORAS consegui o que queria. Boa, Brasil!

(Essa é pra nacionalistinha sem causa que deixou recado no outro post e claramente nunca morou fora pra saber quão atrás nós estamos.)

Wednesday, April 22, 2009

days between

Flutuando nós vamos. Dormindo muito, pensando pouco, o que podíamos adiantar, está adiantado. Fica apenas o que sempre vai ficar atrasado porque ninguém são consegue ter a vida resolvida e ficar bem sem pendências. E eu não sou louca, sou humana e adoro observar humanos. E somos todos assim, sim. Eu sei, eu vi, eu vivi.

**

Acabo de voltar de mais uma temporada em Campinas. Cada vez que vou fico um pouquinho mais à vontade com a família e amigos do meu Pato. Mas a cidade em si, confesso, não é o que chamaria de ideal para o futuro de um casal após uma temporada de cinco anos em Londres. Sem querer soar nojenta, mas gente, sério, o que se vê pelas ruas de Campinas (gente acelerando e dando totó nos carros, pagode no último volume, muito corpo de fora e pouca cabeça dentro) não inspira muito A NIVEL DE cidade para se viver- vejam vem, não odeio Campinas, muito pelo contrário, sempre me divirto e muito quando vou, mas é pelas pessoas, não pelo lugar. Campinas fica no meio do caminho entre e com os problemas de uma cidade grande e de uma pequena. No mais, reconheço os inúmeros problemas de São Paulo, mas fico feliz que desde sempre sabíamos que se voltássemos para o Brasil, moraríamos em São Paulo.

**

Sobre trabalho, estou, como disse, mais ou menos resolvida. Preciso ainda ver a proposta em papel para confirmar qualquer coisa. Enquanto isso não acontece, continuo metralhando. Com um pouco menos de efusão, mas continuo.

E, bom, não me estenderei porque não há muito para contar. Ainda preciso pegar a segunda via do meu CPF e tirar minha CNH. Todo o resto está de volta aos eixos - conceito meio abstrato em se tratando de Brasil,mas enfim, eixos.

**

E pensei nesses últimos minutos que poderia usar todo esse meu tempo agora para escrever. E vou ali tentar, porra.

Friday, April 17, 2009

justificando

Gracinhas minhas, a ausência, eu juro, é justificada. Desde que voltei estou a mil resolvendo coisas e procurando soluções. Muitas das pendências pequenas já foram resolvidas, faltam as grandes. O emprego parece que também já foi resolvido. Falta casa. Mergulharei em mais um período de procuras. Mas sem reclamar muito que ver casa é legal, gente.

Ainda não deu tempo de sentir saudade de Londres, to be honest. Quero acertar minha vida aqui. Nossa vida aqui. De repente até vai ser mais fácil do que eu vinha prevendo, porque sou e sempre serei a rainha das previsões pessimistas. Não por ser uma pessoa pessimista, mas por gostar de me deparar com situações boas. Entendem?

Tuesday, April 07, 2009

lições de brasilidade

De todas as sensações, a exaustão. Não sei direito de quê, deve ser de pensar sem ter muito o que possa fazer. Esses primeiros dias de Brasil estão sendo mais difíceis do que eu havia estimado. Eu e minhas estimativas sempre erradas, vocês sabem.

Hoje, por exemplo, tive de ir ao banco e depois até o juízo eleitoral regularizar minha situação. Andava pela rua como se fosse uma total alien. Ainda resolvi me dar o choque cultural de caminhar pela rua em que tem feira de terça. Gente, por que tanta gritaria? Por que carrinhos de compras sobre os pés alheios? Por que tanta gente na barraca do pastel? Por que tudo tanto? Achei engraçado aquela zona, mas quando ri, o riso saiu nervoso. Preciso me reacostumar com o grito em tudo aqui.

E mesmo nas ruas mais calmas levei meus sustos. Olhei várias vezes pro lado errado da rua e ia atravessando. Muita gente me deu passagem, acho que menos por educação do que pela preguiça de me atropelar.

E quando cheguei no juízo eleitoral a mulher que me atendeu falava comigo pegando no meu braço, e eu achei lindo. Pra ela é normal, né? Pra mim é ainda estranho, mas bom. Por que não, certo? Eu senti que podia contar toda a minha angústia para ela, que não é pouca. Que estou louca atrás de um emprego depois de ter estourado big time meu budget pela Ásia. Que estranho muito ouvir português pelas ruas. Que estou achando difícil estar de novo na casa da mamãe, mesmo que temporariamente. Que estou adorando rever amigos e ver que nada, nada mudou. E que o tempo todo tropeço em pessoas conhecidas porque todo mundo está sempre nos mesmos lugares. Mas aí lembro que ela é uma funcionária pública, e se me toca com aparente afeto, é unicamente porque é brasileira.

E de tanta angústia ainda assim não estou sozinha. Sei que Alê deve estar passando por algo semelhante. Amanhã parto para Campinas e poderemos dividir sentimentos, em vez de multiplicá-los. Porque mais eu não aguento, não. Que saudade de Haad Yuan.

Thursday, April 02, 2009

back to London

25/3

E finalmente chegou o ultimo dia! Mas como soh voamos de noite, tinhamos o dia todo para passear.

Comecamos pela Orchard Road, a rua dos shoppings e da grana. Depois fomos para Clarke Quay, uma regiao a beira-rio toda chique, cheia de restaurantes e bares. Tudo colorido, limpo e vazio. Ja nao aguentavamos mais andar, entao resolvemos voltar pro hostel.

Chegamos la, brincamos um pouco na internet ateh bater fome. Fomos em uma food court do lado do hostel e comemos bem e barato, como a gente gosta!

Mais um pouco de hora e ja estava na hora de ir pro aeroporto.

Pegamos o metro e fomos. Paramos para um ultimo sorvete no Swensen's do aeroporto e seguimos para o embarque. Estranhamos colocar calca. Meu dedinho estranhou colocar tenis. Estavamos aliviados de nao precisar mais viajar, mas sabiamos que os proximos dias seriam extremamente corridos. As ferias acabaram mas a verdadeira aventura estah apenas comecando.

Thursday, March 26, 2009

fim de festa

22/3

Novamente, dia de partir. Estamos ficando estranhamente familiarizados e de saco cheio ao mesmo tempo de ter que empacotar e desempacotar coisas, carregar mochila no calorao e perseguir os ar-condicionados do mundo. Depois do cafeh e do check-out, descemos com as malas e fomos ateh uma outra guest house na praia de onde nosso barco sairia. Deixamos tudo la e o Ale ficou lendo e tirando fotos enquanto fui dar o derradeiro mergulho em Phi Phi. Realmente, uma praia de tirar o folego. Nao precisa de mascara para ver a infinidade de peixinhos nadando em volta de voce...

Depois de ser arrastada pelo Ale para fora da agua por causa do sol do meio-dia, fomos almocar num restaurante na praia e ficamos esperando bater a hora do nosso barco.

Embarcamos num long tail boat (trauma! Mas dessa vez deu tudo certo) e o barquinho encontrou o ferry grande no meio do caminho. Fizemos a baldeacao em alto-mar, voces ja viram isso? Nosso simpatico barquinho de madeira joga uma corda pros caras do ferry, que puxam nosso barquinho pra perto deixando-os paralelos um ao outro, e ai as pessoas vao passando do pequeno pro grande. Achei divertidissimo.

O ferry grande entao seguiu para Phuket, nosso destino. Ale tomou um remedio pra enjoo e capotou. Eu fiquei lendo e passeando pelo barco. Chegamos em Phuket um par de horas depois e pegamos um mini-bus para a praia de nossa escolha, Nam Yuan, ja proxima ao aeroporto. Pedimos pro motorista nos deixar na frente de algum lugar de hospedagem barata e ele o fez. Um hotelzinho a 200 metros da praia.

Deixamos as coisas e fomos passear pela praia. A praia em si nao tem nada demais. Parece qualquer praia mais desinteressante de Ubatuba. A areia eh mais escura do que ja estavamos acostumados e a agua, por causa da areia, nao tinha uma cor muito convidativa. Ainda assim, uma praia bem limpa e sossegada, cheia de coqueiros e casuarinas.

Resolvemos tomar qualquer coisa num bar e, quando escolhemos o lugar e sentamos, descobrimos que era um proto-puteiro. Nao era puteiro mesmo porque tinha gente como a gente la, mas tambem tinham tailandesas em micro-saias que de vez em quando jogavam sinuca com a bola branca laaaa longe do taco, e que vez ou outra subiam num palquinho e faziam umas dancinhas pouco, ahn, catolicas. Foi divertido.

Saimos de la e fomos jantar num lugar um pouco mais de familia, hehe. Voltamos pro hotel e dormimos muito bem, obrigada.

23/3

Ja nos ultimos dias de uma viagem tao longa da aquela preguica de fazer qualquer coisa. Ainda assim fomos para a praia pela manha e, depois do almoco, resolvemos andar ateh a praia seguinte, que eh a praia do aeroporto. A pista de pouso fica quase literalmente na areia e o Ale estava bastante empolgado com a ideia de ficar ali vendo aviao passar. E amar eh compartilhar, entao eu fui.

O passeio acabou sendo legal por outros motivos – os avioes nao estavam posando/decolando naquele sentido e nao vimos nenhum chegando/partindo. Mas passeamos por um parque a beira-mar bem gostoso e vimos uns mini-siris na praia (ou siris bebes) que cavam buraquinhos e para tal retiram bolinhas perfeitas de areia e poem-nas ao lado do buraquinho cavado. Havia centenas desses buraquinhos, entao a praia toda ficou desenhada com bolinhas de areia. Eh dificil explicar, tirei fotos e quando tiver tempo de organiza-las colocarei essas tambem.

Chegamos no hotel depois de algumas horas ensopados de suor. Tomamos banho e fomos para a rua da praia, passear mais um pouco e escolher um lugar para jantar. Eu queria me despedir da Tailandia comendo uma posta de barracuda, mas nenhum restaurante ali parecia ter barracuda. Acabei pedindo uma posta de Red Snapper e me trouxeram Monkfish, servido de um jeito bem sem-graca perto do que ja havia comido. Pena. Queria uma despedida em maior estilo!

Dia de dormir cedo para pegar aviao cedinho. Amanha, Singapura!

24/3

Voo tranquilo e curto, mas parece que chegavamos em outro continente. Singapura eh diferente de tudo o que vimos no sudeste asiatico: moderna, limpa, silenciosa e organizada. A primeira impressao foi bem dividida. Estavamos felizes de ter chegado num lugar em que tudo funciona, com rede de transporte decente e a certeza de tudo o que traz uma cidade grande. Mas por outro lado, falta charme, cor, vida. Quando tudo eh muito certo, a gente sente falta do errado.

Alem disso, ficamos estupefatos com os precos das coisas. Depois de meses rodando a Asia e nao pagando muito mais que 15 dolares em quartos e bangalos com banheiro, chegamos num lugar em que o melhor que achamos foi um quarto minusculo com banheiro coletivo por 60 dolares! Demos gracas a deus que soh passaremos uma noite aqui. Para final de viagem com budget estourado, Singapura chega a nos marejar os olhos. Qualquer cafeh nao sai por menos de 2 ou 3 dolares, por exemplo. Tentamos comer em food court para gastar menos com comida, e conseguimos, mas pensavamos 50 vezes antes de por a mao no bolso porque nunca as quantias eram dignas de gastos impensados - o que aconteceu algumas vezes durante a viagem porque os gastos eram baixos.

Enfim, I could go on and on, mas nos ja sabiamos que Singapura seria bem cara e que na verdade seria apenas um ponto de partida para Londres. Mesmo assim, tentamos aproveitar ao maximo.

Logo que chegamos, fizemos o check-in e depois fomos passear por Little India, o bairro que fica colado no nosso hostel. Foi uma viagem no tempo: estavamos de novo na India! Sem animais pelas ruas e cheiros pouco ortodoxos, mas era a mesma coisa. Aqueles mesmps hassles para comprarmos tudo, aquele sotaque tao familiar, os homens olhando para mim e irritando o Ale, os incensos, os ganeshs, tudo.

Almocamos num restaurante indiano gostoso, mas apimentado demais. Nao consegui comer muito e depois passei meio mal (surprise, surprise!). De la fomos para Sim Lin Square, o paraiso dos nerds. Trata-se de um shopping gigantesco soh de eletronicos. Rodamos mas nao compramos nada. Nenhuma barganha digna de loucura.

Bem cansados de bater perna, jantamos na praca de alimentacao la mesmo. Voltamos pro hotel e o dia acabou. Nossa ultima noite na Asia, gente.

Sunday, March 22, 2009

easy like a sunday morning

21/3

Levantei cedo e ja percebi que nao daria para ir a Maya Bay. Nublado, chuvoso, enfim, nao eh o clima ideal para fazer um passeio de dia inteiro para uma praia deserta sem qualquer estrutura, como eh Maya Bay. O lugar eh protegido pelo governo e nao tem nenhum tipo de assentamento. Nenhum hotel, restaurante, nada. As pessoas vao de manha e tem que ir embora no final da tarde.

Vamos tentar de novo amanha, se o tempo permitir. E como hoje o dia comecou bem nublado, resolvemos fazer tudo bem devagar tambem. Tomamos o cafeh, depois viemos para o quarto; eu para escrever, o Ale para ouvir musica.

Dai comecou a chover mesmo e estavamos em nosso bangalozinho sozinhos, sentindo um conforto imenso e delicioso. Quando a chuva parou fomos ateh o restaurante do hotel e ficamos vendo filme. Confesso que nao tenho mais moral para falar do “Click” que o Ale escolheu em Nang Yuan. Escolhi “You don't mess with the Zohan” e eh besteirol puro. Mas juro que eu tava no clima de risadas faceis e piadas bobas.

Depois colocamos “A Praia” no DVD – filme que se passa aqui em Ko Phi Phi Leh. No meio, no entanto, caiu a forca e soh voltaria duas horas depois.

Marchamos de volta ateh o bangalo e abduzimos uma gatinha linda, a que demos o nome de Maya, para nos fazer companhia no bangalo. Ficamos brincando com ela ateh aparecer um macaco querendo o amendoim que estavamos comendo. Maya ficou meio puta da vida, com medo do macaco e ressentida com a traicao e, miando muito, foi embora do nosso bangalo. Ja o macaco, pegou os amendoins que queria (ele vinha pegar na nossa mao mesmo) e se mandou para cima de uma arvore, para nunca mais ver.

Desembarcada a arca de Noeh, ficamos jogando baralho ateh escurecer e os bichos voadores virem pentelhar. Decidimos checar nossa passagem de barco amanha para Phuket e depois voltamos pro hotel pra jantar e assistir a mais um filme, Revolutionary Road, acho que eh o nome, com Leo DiCaprio e Kate Winslet. Bom mas meio forte para ferias na praia.

Ainda nao conseguimos terminar de ver A Praia, amanha quem sabe. Gente, nem acredito, em 5 dias estaremos em Londres. Ja estamos bem empolgados. E mais ainda para a volta pro Brasil. Fabricas de requeijao, voltem a sorrir: estou chegando!

Saturday, March 21, 2009

Island hopping on the Andaman Coast

19/3

Hoje foi o dia em que passamos menos tempo juntos, eu e o Ale. Nao por nada, mas dias assim, em que ficamos largados, cada um faz a sua vontade sem crises. E as vontades nem sempre batem na mesma hora para os dois. Depois do cafeh da manha fui para a praia ler, nadar e lagartear um pouco (na sombra, claro, nao sou doida). Enquanto isso o Ale foi ateh a internet reescrever o curriculo dele e mandar para uma possivel vaga de emprego no Brasil.

Mais tarde o Ale apareceu na praia. Ficamos num quiosque tomando coisas geladas e eu, que ja tinha passado a manha na praia, queria ir pro ar-condicionado, enquanto o Ale queria ficar na praia. Entao vim para o quarto e fiquei escrevendo meu diario de bordo, meus emails e alguns cartoes postais (que sao caros de postar entao darei em maos – by the way, ninguem recebeu meus cartoes postais do Nepal, nao?)

Resolvemos que amanha iremos a Ko Phi Phi e passaremos 2 ou 3 noites la, ja que Ko Lanta eh lindinha mas nao tem muito para ver e a praia nao eh nada digno de muita euforia (sei de muitas praias no proprio litoral norte de SP que sao superiores).

Mais pro final da tarde fomos dar mais uma volta na praia, dessa vez para o outro lado, e constatamos que eh de fato um lugar deliciosamente calmo e em harmonia com a natureza. Da para sentir cheiro de paz aqui.

Jantamos barracuda em seu melhor estilo, na grelha, temperada com oleo, sal, pimenta preta, capim-limao (lemon grass) e alho. De derreter na boca.

20/3

Levantamos bem cedo para pegar o barco das 8 da manha para Ko Phi Phi (pronuncia-se Ko Pi Pi, e nao Ko Fi Fi). O barco foi bem tranquilo, sem balancar muito, e em pouco mais de uma hora chegamos la.

Eh de uma beleza estonteante. Mesmo a praia dos piers, que supostamente eh a mais zoada por causa do movimento dos barcos, eh de uma agua tao transparente que do barco da para ver o fundo do mar. Uma piscina imensa cheia de peixes e corais. Surrel.

Do pier pegamos um barco long tail para a praia de nossa escolha, Long Beach. Nao ha ruas ou estradas em Ko Phi Phi, entao o transporte pela ilha tem que ser feito pelo mar ou a peh por trilhas.

Chegamos na praia e fomos direto tomar cafeh. Nao tinhamos comido nada em Ko Lanta porque nao tinha dado tempo, entao viajamos de estomago vazio e nao conseguiriamos fazer nada antes de enche-lo.

Em seguida saimos procurando hotel. E constatamos o que constatam todos que vem a Ko Phi Phi – eh caro pra caralho. Eles sabem que isso aqui eh um Oasis e metem a faca. Parece que na estacao de chuva o preco cai pela metade, mas estamos na estacao seca, alta estacao, entao realmente nao tem la muita graca pro nosso bolso ja meio arrebentado.

No final escolhemos o Phi Phi Hill, um bangalo no alto do morro no final da Long Beach. A vista de nossa varanda eh hipnotizante, e nosso quarto tem ar-condicionado (um bem caro e necessario aqui), mas para tal nao estamos pagando pouco. Acho que soh conseguimos ficar aqui porque o fato de nao ser direto na praia, e sim no topo do morro, barateia um pouco o lugar. Anyways, decidimos que aqui nao da para ficar regulando muito – senao realmente nao aproveitaremos esse lugar lindo.

Depois de um almoco caprichado, fomos tirar uma sonequinha no quarto. Estava muito quente e ainda estavamos com sono e cansados da viagem. La pelas 3:30 acordamos morrendo de calor: a eletricidade havia acabado e, sem ar-condicionado ou ventilador, nosso bangalo virou uma verdadeira sauna, bem mais quente que do lado de fora.

Resolvemos que, estando no inferno (paraiso?), tinhamos mais eh que abracar o capeta (anjinho?): fomos fazer snorkel. A principio eh impressionante porque ha tantos peixes nesse mar que assim que entramos na parte mais rasa ja vemos um monte. Por outro lado, o fato de ter muita areia no chao prejudica a visibilidade. Para piorar, tem muito barco aqui, entao ficamos meio tensos e levantando o tempo todo para ver se vinha vindo algum barco.

Vimos uns peixes diferentes do que tinhamos visto ateh agora: um que parecia uma enguia, outro que parecia um ratinho do mar, lindo lindo, que tentei fazer carinho mas, por algum motivo indecifravel, ele ficava fugindo de mim (hehe). Mas acho que nao duramos nem uma hora snorkelando. Alem do movimento dos barcos, a correnteza estava forte e tem bastante pedra, entao usamos de nossa pouca prudencia para voltar para a praia e ficar pelo raso mesmo, curtindo o resto de sol na agua.

Depois de um merecido banho fomos jantar e assistir filme no restaurante. O Ale quem escolheu o filme que ia passar: Street Kings, com Keanu Reeves. Entertaining, mas nada demais. Mas da selecao que eles tinhaam la, era mesmo o melhor.

Antes de dormir ficamos tendo papos serios na varanda do bangalo e assistindo a uma tempestade de relampagos que cismava em fazer da noite dia. Uma quantidade impressionante de raios. Bonito pacas. Fomos para dentro quando comecou a chover, torcendo para que a tempestade passe e possamos ir a Maya Bay (onde filmaram o filme A Praia) amanha.

Thursday, March 19, 2009

18/3 - Ko Lanta ao avesso

Tiramos o dia para explorar Ko Lanta. Alugamos uma motoca e, antes de sair por ai, fomos ateh o correio despachar mais uma caixa para o Brasil. Como eh bom se livrar de peso, mesmo tendo que pagar caro por isso...

Depois saimos por ai, percorrendo a costa, parando em uma ou outra praia deserta (tem de monte aqui) e rezando para o nosso protetor solar estar funcionando. Cada dia que passa o sol por essas bandas fica mais escaldante.

Depois de percorrer quase todo o litoral acessivel por carro, fomos para o outro lado da ilha. Passamos por uma caverna (mas nao entramos, primeiro porque estava muito quente, segundo porque nao estavamos a fim de pagar por algo que deveria ser de graca – ta na cara que os malandros locais inventaram uma “taxa” que os farang tem que pagar para entrar, mas isso nao eh em nenhuma instancia uma taxa legal), chegamos do outro lado e paramos para almocar num lugar com vista para o mar e as dezenas de ilhotas que circundam Ko Lanta.

Comemos um churrasco de arenque delicioso, mas a barracuda continua minha favorita.

De la seguimos ateh um pier com uma vista sensacional – me xinguei varias vezes por ter deixado a maquina no hotel – e depois fomos aa Lanta Old Town. Eh aqui que muitos dos locais vivem, principalmente os pescadores (a pesca, junto com o turismo, sao as principais atividades na ilha). Trata-se de um vilarejo muculmano bem calmo, bem antigo, com casinhas de sape e madeira, de palafita na beira do mar. Um monte de barquinhos de pescador em volta. Absurdamente pitoresco. E me xinguei de novo por estar sem a maquina.

Anyways, vir a Ko Lanta e nao ir aa Old Town eh como nao vir. Eh por ali que enxergamos a personalidade tranquila e tradicional da ilha. Todo o resto eh pra farang ver.

Seguimos adiante na estrada ateh ela acabar. E ela acaba docemente numa quadra de volei improvisada. O ultimo trecho de asfalto possui uma rede de volei alguns metros antes de terminar, e por algum motivo eu achei isso sensacional. Ainda nao entendi bem por que. Acho que enxerguei uma mensagem nisso, ja que soh gringo se aventura por aquelas bandas. Algo como “voces podem ir onde quiserem, mas o ultimo pedacinho eh nosso”. Ou nao, e estou viajando, o que eh sempre bem possivel.

Demos entao meia volta e seguimos pela estrada de volta. Concluimos que realmente a praia em que estamos eh a mais bonita, e que Ko Lanta eh bem gostoso, bem tranquilo, mas nada espetacular. Nada, pelo menos, comparavel a Hat Yuan, em koh-Pha-Ngan. Acho que Hat Yuan vai ser para sempre a queridinha...

Como o sol ainda estava quente quando voltamos, nos enfiamos no ar-condicionado do quarto e eu fiquei lendo, enquanto Ale tirou sua costumeira pestana.

Mais para o final da tarde fomos passear na praia e correr atras de siris e cutucar aguas-vivas mortas pela areia. E olhamos o ceu que mais uma vez estava cinza chumbo, carregado de chuva de um lado, e laranja-roseo do outro, com o sol descendo na praia. E deixamos que em alguns momentos a agua pegasse nosso peh, e olhamos para as pessoas na praia, e os hoteizinhos tranquilos e vazios. Acima de tudo, olhamos o mar. Com a humildade de quem ja esteve nele mais de 20 vezes no ultimo mes e ainda o reverencia. Hoje, no entanto, nao entrei no mar. Mas ele entrou em mim.

Wednesday, March 18, 2009

On the road again

15/3

Nao acredito que faltam apenas 10 dias para voltarmos para Londres. Como passou rapido... Voces nem imaginam. E, confessamos, foi tempo suficiente. Estamos amando tudo por aqui, a Asia eh demais e todo mundo deveria poder juntar uma grana e vir, como fizemos. Mas viajar assim cansa. Anyways, ainda faltam 10 dias, e isso eh tempo pra caramba, principalmente se passados sem fazer nada na praia.

Bom, eu acordei no pique de pegar a motoca e vir qual eh a de Ao Leuk, supostamente o melhor snorkel de Ko Tao. O Ale nao se animou though, entao acabamos tendo mais um dia preguicoso – o que tambem foi gostoso. Alem disso, o dia amanheceu nublado e sem sol a visibilidade costuma ser ruim. Fomos ateh o pier comprar nossa passagem de barco para Samui amanha e depois almocamos em Sairee na beira da praia, aproveitando que estava nublado e que o sol da 1 da tarde nao nos queimaria.

Voltamos para nossa pousada, comecamos a ler e quando vimos, ambos estavam puxando um ronco safado. Acordamos as 4 da tarde e fomos tomar um shake de coco no hotel, a beira-mar. Comecou a cair o maior peh d'agua e mais uma vez ficamos nos deliciando com o cheiro da chuva e com a brisa fresca que ela traz. Depois fomos ateh uma pousada vizinha porque estava passando Quantum of Solace, o ultimo 007. Nao entendemos nada porque aa acustica do lugar estava pessima, mas enfim, filme do James Bond, same old same old.

Voltamos para jantar no hotel, pedimos um BBQ de frutos do mar. Uma delicia. Vinha barracuda, camarao, lula, outros bichos que nao sei o nome e varios vegetais. Tudo muito bem temperado dentro de uma trouxa de papel aluminio. Alias, barracuda eh meu mais novo peixe preferido. Nao tem no Brasil, tem?

Dai fomos pro quarto e achamos que custariamos a dormir. Que nada.

16/3

Dia de viajar eh sempre meio corrido. Acordamos relativamente cedo mas ficamos enrolando um pouco ateh a ultima hora. Arrumamos as malas, fui na internet tentar acessar minha conta bancaria online que nao estah funcionando. Liguei para eles via Skype e depois de me passarem por 200 departamentos diferentes, fiz o pagamento que precisava fazer, mas nao vou conseguir desbloquear minha conta daqui. Pelo menos nao falta muito para eu voltar para Londres e resolver tudo.

Enquanto isso, o Ale foi fazer mais uma massagem e saiu de la todo zen, o amado. Eu nao fiz porque nao ia dar tempo. Pegamos nossas trouxas e fomos, no chiqueirinho de uma pick-up, para o porto. O catamaran atrasou um pouco mas no final deu tudo certo. Exceto pelo fato de que o mar estava muito mexido e tinha um monte de gente vomitando em volta de mim, e fui sentindo aquele cheiro e o balanco e comecei a ficar enjoada e, vamos la, quem sabe o que acontece quando fico enjoada? Acertaram! Panico! Mas consegui controlar com respiracao. Depois que estava melhor fui tomar um ar fresco la fora e, quando fui ver, ja estavamos em Ko Samui.

Pegamos o traslado ateh o mesmo hotel que ficamos quando aqui chegamos 2 semanas atras. Aquele mesmo do aeroporto e da piscina, na praia das meretrizes (cujo nome alterei levemente de Big Buddha Beach para Big Puta Beach).

Fizemos o check-in, jogamos tudo no quarto e corremos para a piscina. Jantamos no restaurante do hotel mesmo e depois fomos passear pela rua principal e ver o movimento.

Voltamos pro quarto, vimos um pouco de TV e dormimos ao som dos avioes. Coisa boa.

17/3

Novamente dia de viajar. Arrumamos tudo e fomos pro aeroporto. Voamos de Samui para Krabi, chegamos, pegamos um onibus ateh o centro da cidade e depois uma van que nos levaria ateh Ko Lanta. Ligamos o automatico e fomos fazendo tudo. Ja cansados de viajar, estavamos nos locomovendo anestesiados. Mas deu para perceber que as praias ao redor de Krabi sao sensacionais, com cliffs altissimos saindo direto da praia.

Depois de 2 horas de viagem e duas balsas, dentro de uma van com 4 franceses sem desodorante (pleonasmo?) e 4 romenos baderneiros, chegamos no nosso bangalo. Eh muito gostoso e tranquilo. Na beira da praia, bem silencioso, com ar- condicionado. Nao podia pedir mais nada! Quem sabe internet de graca, mas ai ja eh demais. Para manter a tradicao, logo apos o check-in largamos as malas e fomos dar um tchibum no mar.

A primeira impressao foi um pouco decepcionante. A areia nao eh tao branca como dizem os guias, e a agua nao eh cristalina como ja estavamos acostumados. Mas mesmo assim nossa praia eh gostosa, eh conhecida como Long Beach porque, bom, eh comprida, e eh bem calma, com pouca gente e muito coqueiro. La pelas tantas o mar deu uma agitada e o ceu escureceu. Vinha toroh pela frente e do tipo com relampagos. Mar nao seria o melhor lugar para se estar, nao eh mesmo? E ja haviamos nos estrupiado bastante durante a viagem, era hora de parar de arriscar.

Mas quem dizia que o Ale queria sair do mar? Ele queria porque queria ficar no mar DURANTE a tempestade. No final das contas eu venci: acho que meti a mao numa agua-viva e sai correndo do mar. Ele veio atras, tambem com medo de se queimar.

Na areia uns alemaes jogavam frisbee e o Ale, todo doce, pediu para entrar na roda. Fiquei assistindo ateh os alemaes sensatos pararem a brincadeira por causa da tempestade. Fomos pro bangalo tomar banho e jantar na praia. Mais um BBQ de barracuda que vai entrar pra historia. Nao vou embora de Ko Lanta sem antes anotar direitinho a receita desse tempero divino que eles fazem.

E o finzinho do dia passou sem sobressaltos, a nao ser os causados por raios e trovoes. Dormir com barulhinho de chuva. Delicia.

Sunday, March 15, 2009

tudo bem, tudo bem

Ainda 13/3

Bom, fiz o raio-x do peh. Ainda bem que nao teve fratura, foi mesmo soh luxacao e musculos e tendoes esmagados. Nao tive que imobilizar. O medico recomendou muito repouso e perna para cima. Me deu um pain killer, um negocio para diminuir o enchaco, e uma pomada topica. Pronto, problema resolvido.

O resto do dia passou devagar. Ale fez massagem no mesmo lugar em que eu fiz e adorou. Cogitamos ir a Sairee para ver uma festa de sexta-feira 13, mas os dois chegamos no quarto e comecamos a ler e em meia hora estavamos com preguica ateh de tomar banho.

14/3

Seguindo a recomendacao medica – NOT – fomos snorkelar em Hin Wong, um lugarzinho bem remoto do outro lado da ilha cujo acesso eh soh por estrada de terra. Mas vale a pena. O lugar eh lindo, limpo, vazio. Perfeito.

Chegamos e ja fomos pro tchibum. A visibilidade eh otima e ha muitos peixes e corais. Nada muito diferente de Nang Yuan, exceto por um cardume gigantesco que vimos. Nao consigo estimar quantos peixes havia, mas nadavamos sobre ele e nao viamos o chao. Estimo muitos milhares, se nao dezenas de milhares, todos concentrados num espaco de uns 15 metros cubicos.

Quando o sol ficou muito forte, la pelas 11:30, paramos para almocar. Comida deliciosa na frente do mar, com direito a vista para os peixes-agulha em acao, igualmente almocando e fazendo a maior algazarra no mar.

De tarde fomos explorar o outro lado da baia mas em uma hora meu peh comecou a doer e tivemos de voltar. De noite fomos a Sairee beliscar qualquer coisa e voltamos. Ale adormeceu em horario recorde: 21:10h. Eu fiquei ainda lendo um pouco meu livro novo do Hemingway, uma delicia!

Friday, March 13, 2009

mamilo bicado, peh roxo, tubaroes

11/3

Depois de confabularmos muito se iamos ao medico ontem mesmo, resolvemos ver se eu nao acordava melhor hoje. Nao acordei melhor hoje. Mesmo assim, debatemos o assunto. Se formos no hospital em Koh Tao, o medico vai querer imobilizar com certeza. Imobilizar significa nao nadar. E, serio, nao vai rolar ficar sem nadar. Entao se estou certa de que nao quero o peh enfaixado, nao tenho porque ir ao medico.

Simples.

Se piorar a gente resolve, mas pelo menos terei aproveitado ao maximo, dentro das minhas possibilidades, a praia.

Mergulhar, no entanto, ficou fora de cogitacao devido ao risco de DCS (Decompression Sickness). Fora que se houver algo quebrado e juntar uma bolhinha de ar ali nao vai ser divertido. Anyways, existem disastres maiores to be mourned upon.

Tomamos cafeh-da-manha e fomos aproveitar a manha de snorkel. Vimos lagostas, garoupas e mais outros peixes cujo nome desconheco. O apice foi um peixinho todo colorido que estava rondando o corpo do Ale. Eu estava de frente para ele, de maos dadas, quando de repente o peixe chega bem perto do peito do Ale e este se contorce todo de dor. O peixinho safado, que inclusive tem dentinhos, mordeu o mamilo do Ale! Ateh um milimesimo de sangue saiu, judiacao... Ele ficou traumatizado e agora soh faz snorkel cobrindo os mamilos com as maos. Eh claro que gargalhamos muito disso depois. Ficamos imaginando o que o peixinho achou que fosse encontrar ao morder o bico.

Recuperados, continuamos o passeio aquatico ateh o sol comecar a ficar forte demais. Entao fomos para o restaurante beliscar qualquer coisa, nos hidratar e brincar com os muitos gatos fofos, que brigam/brincam o tempo todo. Logo bateu a hora do nosso barco e fomos entao a Koh Tao. Escolhemos a praia de Chalok Ban. Eh menos agitada mas possui amenidades como restaurantes, ATMs, 7-eleven etc. Escolhemos o hotel Tropicana. Baratinho e bonitinho. Ao fazer o check-in, bati o dedinho machucado de novo, dessa vez contra o peh do Alexandre. Vi estrelas. Se eu tinha alguma duvida de que o que acontecera no meu peh era serio, naquela hora nao tinha mais.

Depois de um repouso necessario para recuperar o folego, exploramos a vilazinha fofa em que nos encontravamos.

Terminamos o dia com um jantar delicioso no Ricky's e nossa primeira topada frente a frente com Geckos, os lagartos gigantes daqui. Lindos e simpaticos.

12/3

Depois de uma manha preguicosa e quente, alugamos uma moto e fomos para o “centro”, Sairee Beach. Como mergulhar eh caro e nao poderiamos mais mergulhar por causa do meu peh, resolvemos nos consolar com um equipamento de snorkel decente.

Saimos todos pimpoes e fomos direto mergulhar na Shark Bay. Isso mesmo. Tubaroes. Fizemos snorkel em meio a dezenas de tubaroes black tip (nao sei qual o nome em portugues), alguns com 1,80m, estimamos. Nao vou dizer que nadei sossegada. O tempo todo eu dava uma volta em torno do eixo para ver se nao tinha nenhum tubarao vindo me abocanhar por tras. O Ale pareceu bem mais aa vontade que eu com os doces predadores. Tinha mais uma meia duzia de pessoas fazendo snorkel no mesmo ponto, entao achamos que nao teria problema. E foi tranquilo. Acreditem ou nao, o pior de tudo aconteceu em terra, quando eu tentava me equilibrar sobre uma rocha e bati de novo a porra do dedinho. Estah ficando preocupante.

O local como um todo nao eh muito bom pra snorkel. A visibilidade eh bem fraca e a agua muito quente. Tambem nao ha nada muito diferente de peixes para ver, a nao ser os tubaroes, que sao quem atraem as pessoas para fazer snorkel na area. O negocio eh que depois de Nang Yuan vai ser bem dificil nos surpreendermos com alguma coisa, mas vamos tentando.

Da Shark Bay, voltamos para o hotel e tiramos o sal. Me bateu aquele bodinho que de vez em quando bate e o Ale me mandou ir fazer massagem. Fui e nao me arrependo. Massagem com oleo de coco. Gente, a mulher tem maos magicas e sai de la outra. Massagem tailandesa (de familia, that is) rules.

Depois fomos para o centro novamente, ver como eh a “night”. Cheio de inferninhos e com alguns lugares gostosos a beira-mar. Mas nao estavamos com fome e nem a fim de agito, entao foi mais um passeio de moto mesmo para que o ventinho da noite nos refrescasse. Acabamos jantando no hotel mesmo, que eh bom, barato, e toca Jack Johnson.

13/3

A cada dia que passa o roxo do meu peh cresce. Eu estou tentando bravamente ignora-lo, mas estah dificil.

Depois de uma noite mais ou menos (nosso quarto eh muito quente, mesmo com o ventilador na cara), fomos tomar cafeh no Koppe, que eh meio caro mas tem cafeh bom e ar- condicionado. O Ale estava sem pique de fazer qualquer coisa a nao ser ler na sobra. Eu peguei meu snorkel e nadei ateh a Freedom Beach, depois subi numas pedras (ainda fingindo que meu dedinho nao me pertence) e pulei no mar de novo, onde vi alguns peixinhos, mas realmente a visibilidade, pelo menos nessa parte de Koh Tao, e pelo menos hoje, estava uma bosta. Pelo menos fiz um exercicinho. Devo ter nadado uns 800 metros. Quase nada, mas bem melhor que nada.

Almocamos no hotel e fomos tomar um cafeh e ler no ar-condicionado do Koppe. De la, depois de forte propaganda, o Ale foi na mesma massagista a que fui ontem e se estalou todo, como ele gosta. Voltamos para o hotel atras do ventilador e aqui estou. Em alguns minutos vou ateh o Koppe de novo, usar o wifi deles, publicar este post e ligar pro meu seguro saude. Quero fazer um raio-x desse peh ainda hoje. Wish me luck!

Tuesday, March 10, 2009

desastres nossos de cada dia

7 e 8/3

Andamos passando por um periodo de extrema reflexao aqui. Tudo estah na mais perfeita perfeicao. Nao temos absolutamente nenhuma preocupacao a nao ser chegar ateh o mar sem queimar os pes na areia.

E mesmo assim, dia desses acordamos os dois inquietos, sem saber direito por que. E depois de conversarmos bastante, percebemos que nunca ficamos realmente aa toa por tanto tempo. Enquanto estavamos rodando a Asia, estavamos bem ocupados tracando roteiro, planejando, vendo passagem, procurando hotel e, claro, passeando, fazendo o bom e velho turismo.

Aih que chegamos em Haad Yuan (ou Hat Yuan) e nao tem mais isso. Chegamos e nao precisamos nos preocupar em ir embora, ou em fazer alguma coisa, resolver algum pepino, nada. O dia inteiro olhamos para o horizonte, comentamos o que sonhamos na noite passada, caimos num silencio de meia hora, desatamos a falar sobre qualquer outra coisa, lemos um pouco, e assim o dia passa.

Agora que paramos um pouco de rodar o mundo, comecamos uma viagem interna para onde nunca haviamos ido antes. Estamos procurando aquele ponto dentro da cabeca em que olhamos para o horizonte e vemos apenas um horizonte, e nao a possibilidade de chegar mais perto dele para ver o que tem do outro lado. Estamos, devagarinho, tentando caminhar para uma paz mais pura. A gente se ocupa de pouco aqui, e se preocupa de nada. E, por mais ensandecido que soe, nao se preocupar eh dificil pra caralho.

Enfim, essas sao alguns dos pensamentos que nos assolam por aqui. Como ser feliz num lugar que da tudo o que sempre pedimos para ser feliz? E se felicidade nao for o que sempre achamos que fosse? Ainda temos muito o que aprender fazendo absolutamente nada.

**

Em tempo, pequenos updates:

* Achamos que o Ale foi queimado por uma agua-viva! Nada serio, foi bem de raspao e praticamente sarou depois de algumas horas, nem precisei fazer xixi em cima!
Temos assistido a filmes quase toda noite no Big Blue. Acabamos de voltar do Curious Case of Benjamin Button. Eu adorei. Na verdade, a primeira metade eh bem arrastada e achei o filme desnecessariamente longo. Mas a segunda metade eh muito boa e me arrancou lagriminhas. Tambem assistimos a Milk, com Sean Penn. Ele mereceu o Oscar, viu? O filme vale pela atuacao.
Por mais que soh tenha europeu aqui, estamos ainda na Tailandia, entao reservo momentos de topless (cujas maravilhas descobri aqui) quando estou la no meio do mar, longe de todos e perto do Ale. Gente, nadar soltinha eh uma delicia!

9/3

Cansamos. Nao de Haad Yuan, mas da pllayboyzada teenager que vem para a full moon party. Cansamos principalmente de sermos acordados no meio da noite por canadenses bebados e cheios de hormonios, voltando de festas regadas a mushroom shake e muita erva.

Entao o Ale sugeriu e acatei na hora. Vamos embora. Vamos para Koh Tao e quando acabar a full moon party, la pelo dia 14, a gente pensa se volta para ca ou nao.

Tomamos cafeh, arrumamos as malas, devolvemos os livros que pegamos emprestado e off we went, de barco, para Haad Rin. De la pegamos um tuk-tuk ateh Thom Salah, a praia em Koh Pha-Ngan de onde saem os barcos para Koh Tao. Pegamos um catamaran, 100 bhat a mais que o long tail boat, mas bem mais rapido e com ar condicionado. Alem disso, ele nos levaria exatamente para onde queriamos ir: Nang Yuan, um pequeno arquipelago de tres ilhas interligadas por faixas de areia. Simplesmente o lugar de praia mais lindo que ja vi. Novamente sugiro: entrem no Google Images e escrevem Nang Yuan para terem uma ideia.

Chegamos la pelas 2 da tarde, a tempo de ainda aproveitar para fazer snorkeling nos corais. Sim, ha muitos corais, e muitos peixes e varios bichos que nem sei o nome. Eh simplesmente fantastico. Finalmente eu estava vivendo algo que soh havia visto antes nas telas na National Geographic.

Bom, um pouco sobre Koh Nang Yuan: sao tres ilhotas, como eu disse, ligadas por dunas de areia branca sob a agua mais transparente que ja vi, que formam tres piscinas naturais. O fato de nao haver ondas torna o lugar perfeito para snorkeleing e scuba diving, ja que a areia nao se mexe no fundo e tambem nao temos que nadar contra correntes. Sao piscinoes mesmo, com fundos de corais, esponjas e outras coisas que, again, nao sei o nome, casa e comida dos peixinhos.

Nos perdemos por quase duas horas pelas piscinas da baia, atras de peixes que chegavam a tocar nossas maos. Soh paramos quando a luz comecou a escacear com o por-do-sol, la pelas 5:30. Eu estava morta de fome ja que nao havia almocado. Pedi um Pad Thai e comi na companhia agradavel de varios gatinhos que miavam a beca ao meu lado implorando pelo rabinho duro do camarao. Logo mais o Ale apareceu e houve mais festa para os gatinhos safados, que brigavam por um teco de ovo ou macarrao.

Gente, mais um lugar meladamente romantico. Desse jeito nao teremos opcoes aa altura para a lua-de-mel, hehe. Serio, um por-do-sol fantastico e praticamente soh nos na praia. Explico: o lugar fica cheio de mergulhadores e banhistas durante o dia. Mas a ilha fecha para visitantes depois das 5 da tarde e soh reabre as 10 da manha, exceto para hospedes do unico resort que cuida das ilhas e as administra. Koh Nang Yuan, na verdade, eh propriedade do governo da Tailandia e ha regras bem rigidas para entrar aqui. Nao pode usar nadadeiras, nao pode entrar com nenhum recipiente plasticou ou latas, nao pode alimentar peixes... and it goes on and on. Mas da para entender. Isso aqui eh um verdadeiro palacio marinho e precisa ser conservado com o minimo de interferencia humana.

Estamos hospedados mais ou menos no alto de uma das ilhas, com vista para o mar, num trecho em que da para ver os bancos de corais. Preciso entrar em detalhes? Estamos estupefatos com o lugar e felizes por termos saido da inercia de Haad Yuan, em Koh Pha-Ngan, para virmos para ca. A hospedagem eh cara, cerca de 50 dolares por noite, mas os quartos tem ar-condicionado e o preco inclui cafeh-da-manha. Alem disso, sabemos que estamos pagando tambem para manter o lugar preservado, entao estah valendo.

Depois da almo-janta fomos para o quarto. Aqui nao ha sinal de TV, mas ha televisores nos quartos com DVD. Ha uma selecao de uns 100 filmes na recepcao que podemos alugar de graca. O Ale vai ficar puto de eu mencionar isso, mas ele escolheu o filme Click para assistirmos. E eu disse, depois do filme, que nunca vou esquecer que ele me fez me ver um filme tao ruim.

Dormi no comecinho do segundo filme, um 007, Tomorrow Never Dies.

10/3

Acordamos antes das 7, animados para um snorkel bem cedo, antes das hordas de turistas chegarem na ilha. Tomamos o cafeh (um buffet bem servido, com frutas, omelete, pao, geleias, bolinho, cereais, iogurte...) e nem esperamos a digestao. Direto pro mar. Pegamos nosso snorkel e comecamos a rodar outra parte do mar que cerca as ilhas que nao tinhamos visto ainda. Mais uma vez ficamos abobados. Peixes-espada, um peixe imenso de uns 70 cm de cumprimento e 40cm de altura e, voces ja sabem, um monte de coisa e bicho cujo nome desconheco.

Saimos depois de mais de uma hora direto no mar. Eu estava tontinha, depois de tanto tempo no mar. Andava e tudo em volta girava. Tentava focar o Ale e parecia que ele estava se mexendo de um lado para o outro, assim como todo o resto. Esperei um tempo ateh me readaptar a terra e soh entao caminhamos ateh a outra praia, a terceira.

Para nossa surpresa, essa era ainda mais exuberante que as outras duas. Um cardume de milhares de peixes dourados irava ao nosso redor, com medo mas curiosos. Peixes com aparencia ainda mais exotica, corais maravilhosos. Mais uma hora perdidos nesse outro mundo maravilhoso e que normalmente nem cogitamos existir.

Estavamos voltando para nosso guarda-sol quando o Ale deu uma pernada e bateu o peh num coral. Cortou o peh, e nao foi um corte pequeno. Dei uma limpada no machucado ainda no mar, quando o sangue nao inundava tudo, e saimos. Fomos para o quarto ativar, pela primeira vez na viagem, nosso kit de primeiros-socorros. Nao foi nada demais. Um corte mais superficial do que julgavamos, mas tudo o que sangra um pouco assusta. Fizemos um curativo hi-tech (um spray plaster que comprei em Londres) e deixei-o no quarto. Desci para buscar nossas coisas e outro filme para vermos mais tarde. Voltava serelepe em direcao a nosso quarto quando TUM, bati meu dedinho com tudo numa pedra. Eu conheco batidas, eu conheco luchadas, eu conheco fraturas. Eu sabia que nao era uma simples topada. Mal consegui subir as escadas ateh o quarto e, quando cheguei, foi a vez do Ale me ajudar com um curativo. Improvisamos uma talinha e pusemos gelol. Enrolamos com uma bandagem, segunda vez que usamos nosso kit de primeiros-socorros, e em um periodo de menos de uma hora. Incrivel.

Agora estou aqui. Ale pegou no sono ao som de Jack Johnson. Eu estou meio sem saber como serao os proximos dias. Meu peh estah meio inchado e sei que algo aconteceu no meu osso. Mas me recuso a imobilizar o peh e ficar sem poder entrar no mar em plena Tailandia. Enfim, vamos ateh a recepcao ver se tem algum medico de plantao nesse micro-paraiso. Se nao houver, amanha iremos a Koh Tao, onde ha medicos, farmacias etc.

Mas se deus quiser nao ha de ser nada muito serio e o medico dira que soh preciso deixar o peh quieto quando nao estiver na agua. Isso se ele for um medico razoavel e digno de minha atencao e respeito. Porque se ele disser que acabou-se praia para mim, vou fazer que sim com a cabeca, segurando o riso. Claro que nao vou deixar uma topada arruinar meus restinhos de ferias no eden.

Aguardem as cenas do proximo capitulo!

Friday, March 06, 2009

4,5,6.... de marco

4,5,6..../3

Eh dificil descrever os dias em Hat Yuan (ou Haad Yuan) como tenho feito ao longo da viagem. Conforme os dias passam, eles parecem se entrelacarem e eh impossivel distinguir o que fiz ontem, do que fiz anteonte, do que fiz anteanteontem, do que fiz hoje. Os dias nesse pedacinho de paraiso sao parecidos.

Sempre sou acordada por um galo rouco, fico estupefata com a vermelhidao do nascer do sol, e volto a deitar, com um travesseiro extra sobre a cabeca para abafar o barulho do bicho no meu ouvido. Sempre vou dar meu mergulho no mar antes de tomar cafeh da manha. Sempre como frutas e pao com manteiga e geleia. Sempre fico lendo na sombra e vez ou outra vamos mergulhar na agua transparente. Quando bate o tedio, vamos passear. Seja para o lado do pier infinito (nao tivemos coragem de percorre-lo todo, ele eh bem precario e ha pontos em que ele quebrou no meio das rochas – a madeira deve ter apodrecido. Ou para o lado do Bamboo Hut. Ambos os lados tem vistas maravilhosas.

De noite temos ido ateh outro bangalo, o Big Blue, para assistir filmes no telao. Ontem, por exemplo, assistimos Slumdog Millionaire. Adoramos. Hoje devemos voltar la pra ver o que vai passar.

E ficamos nessa. As vezes vamos ateh nosso quarto e ficamos balancando na rede, as vezes colcoamos nossos oculos de natacao e vamos ver peixinhos nas pedras, as vezes ficamos no resturante do bangalo conversando com as pessoas. Ha muito gringo que mora aqui. Alugam um bangalo no Barcelona e vao ficando. Anos e anos.

Tem a Laurie, uma canadense ruiva, extremamente sardenta e gordinha, que da aulas de ingles num resort. Ha algo nela meio estranho, nao sei explicar. Estah aqui ha 3 anos e meio e me parece meio carente. Ela eh casada com um tailandes que possui um barco para levar e trazer turistas de Hat Rin, a praia principal da ilha, e outras praias tambem. As estradas aqui sao de terra e o acesso eh bem complicado, entao muitas vezes eh mais facil e barato chegar aos lugares de barco, sem contar que para ir e vir de nossa praia a escolha fica entre barco ou a peh, e a trilha eh bem sobe-desce.

Tem a Lea, uma dinamarquesa que tem um filhinho, o Luka, resultado de seu namoro com um outro tailandes que tambem trabalhava com barcos. Depois de morar 2 anos e meio aqui, ela engravidou e quis ter o filho na Dinamarca, mesmo porque o cheiro de comida tailandesa deixava-a irrevogavelmente enjoada. A Lea eh um doce de pessoa, e o Luka, nem preciso dizer, um mesticinho de 14 meses que deixa todo mundo aqui louco de fofura. Ele adora brincar (e comer) protetor solar e anda, quando permitem seus pezinhos chatos, peladinho por ai. Desnecessario dizer que ele tem arrepiado absolutamente todas as minhas glandulas e hormonios maternais.

Tem o Maximus, um loiro italiano bem gay que fala portugues e odeia Londres. Tem o Tom, americano tambem gay mas com quem ainda nao conversamos muito. E tem mais um monte de gente que ainda nao tivemos a oportunidade de conhecer. Talvez teremos, talvez nao. Realmente nao importa.

Acima de tudo estamos nos curtindo muito. Um dia mais romantico do que o outro. Ateh o tedio enfrentamos no maior bom humor. Nao eh sempre que se entedia com uma vista dessas. Estamos muito companheiros e cuidamos bem um do outro. Dormimos cedo, acordamos cedo, nao cansamos de olhar pro fundo do olho do outro e se encher de beijos. Tudo o que eh cliche tem uma razao de o ser. Viva o mel nosso de cada dia!

E aa medida que os dias passam, a praia vai enchendo (sem jamais ficar insuportavel porque nao ha espaco nos escassos bangalos) devido aa full moon party, que comeca dia 10. Apesar de ter deixado claro que quero passar longe de multidoes teen bebadas, o Ale disse que curtiria dar uma olhada para ver qual eh - “vai que tem um lugar tocando rock?”. Duvido. E pelo que a Laurie nos disse, eh tudo o que nao procuro numa ilha paradisiaca no meio da Tailandia.

Wednesday, March 04, 2009

o melhor e o pior dos dias

28/2

Ultimo dia inteiro em Siam Reap. Gostamos muito de ter passado pelo Camboja. Povo amigavel (embora meio pushy com os turistas), Siam Reap eh bem bonita e conservada. Angkor Wat foi uma bencao mesmo porque, como patrimonio mundial da Unesco, recebe muito financiamento pra garantir que a cidade toda se conserve para turistas. O ingresso salgado de 20 dolares para Angkor Wat tambem eh compreensivel – trata-se da maior area religiosa do mundo. Para quem pensa em vir, recomendo que planeje a viagem la pra dezembro, quando eh mais fresco. Nos teriamos aproveitado bem mais se nao estivesse tao insuportavelmente quente.

Tirado Angkor Wat do caminho, nao havia muito mais para ver/fazer na cidade. Depois do cafeh da manha fomos para a piscina do hotel, que miraculosamente voltou a funcionar e estava com agua limpidissima e bem fresca.

Saimos quando a fome apertou e fomos almocar num restaurante chamado Angkor Palm, que ganhou varios premios de culinaria. Pedimos o prato da casa, que vinha numa cesta grande em que varios potinhos de folha de banana traziam gostosuras locais. Foi um espetaculo, especialmente o amok, peixe com agua de coco. A sobremesa tambem era tipica Khmer, e, levando batata, sagu e leite de coco, era estranhamente gostosa.

De la fomos tomar um cafe no Blue Pumpkin e acessar a internet. Queriamos checar alguns precos de passagem e desbloquear o cartao que meu banco, Natwest, gentilmente bloqueou embora eu tenha deixado claro que estaria viajando pela Asia e para pelamordedeus nao bloquearem. Tambem fomos ver o que estava acontecendo com nosso cartao conjunto do Post Office. Checamos o saldo e, la estava a resposta: apenas 9 dolares na conta, com quase um mes de viagem pela frente.

Ignorando o deficit, fomos ao mercado central onde comprei um vestidinho e uma bermuda, ja que a minha (que era um calca e a gente cortou aqui) estava ja com alguns furinhos na bunda e o Ale nao aguentava mais me ver vestindo ela. Ale comprou a blusa de algodao que ha muito almejava.

De la, ainda ignorando o rombo na conta, fomos tomar o derradeiro sorvete no Swensen's. Antes, paramos para ver a tendinha de um vendedor de livros na rua. Aqui estah cheio deles, vitimas das minas plantadas pelos americanos por todo o pais. Alguns nao tem bracos, outros nao tem pernas; alguns vendem coisas, alguns soh pedem dinheiro mesmo. Nenhum livro do vendedor interessava o Ale, mas eu tinha acabado de ler o livro dele, The Beach, e, todo doce, o Ale foi buscar o livro no hotel para dar pro vendedor por a venda em sua tendinha.

Voltamos pro hotel e relaxamos sob o ar condicionado, sempre uma otima opcao. Ale viu que ia passar um filme sobre o magico Harry Houdini e queria de qualquer jeito assistir. Mas tambem queriamos voltar no night market e comprar um conjuntinho de velas para nossa casa no Brasil. Resolvemos a situacao pagando 2 dolares para um tuk-tuk nos levar ateh o night market e de volta ao hotel. Tudo levou uns 15 minutos. Chegamos quando o filme estava comecando. Sem fome por causa do sorvete e do almoco caprichado, comemos algumas besteirinhas que tinhamos, bolachinha salgada com queijo, chocolate, amendoas. Acabou-se Camboja.

1/3

Tinhamos tempo, entao acordamos com calma, tomamos cafeh da manha com calma, arrumamos as malas com calma e fomos para o aeroporto, onde pudemos fazer tudo com calma.

Voo rapido e indolor, chegamos em Bangkok em tempo de pedir para mudar nossa passagem para Samui para um voo anterior, o que foi feito sem custos adicionais. Embarcamos duas horas antes do que teriamos embarcado com nosso ticket original. Aa parte um voo deveras turbulento e um pouso tenso, deu tudo certo ao chegar no paraiso.

Ficamos meio de mau humor porque tailandes acha que porque voce eh branco, voce tem que ter e dar muito dinheiro. Queriam cobrar a exorbitancia de 400 bhats (£8) para nos levar ateh a praia de nossa escolha, Buddha Beach. O que eh ridiculo, visto que podiamos fazer o percurso a peh nao fossem as malas pesadas.

Irritada, me recusei a pagar e comecamos a andar na direcao da nossa praia, quando veio um tailandes aafobado oferecendo a metade do preco, o mequetrefe. Aceitamos, finalmente.

A primeira impressao do hotel nao foi boa. Fizemos reserva no aeroporto mesmo e eu tinha achado o preco, 500 bhat por noite, muito bom. Mas as fotos eram misleading e nao ficamos na frente da praia, e sim numa extensao meio tosca do hotel do outro lado da rua. Nao era nada ruim, tinhamos nosso proprio bangalo, com varanda, de frente para o jardim. Eh soh que a perspectiva de poder ficar na frente do mar e nao estar era meio frustrante.

Enfim, somamos as trombas do hassle do taxi no aeroporto com a decepcao com nosso quarto, estavamos oficialmente emburrados em plena praia da Tailandia. Quem diria.

Tentamos resolver o problema como dois adultos que somos. Pusemos nossa roupa de praia e corremos para um tchibum. Ajudou, claro, mas a nossa praia em especial nao estava das mais bonitas. Eu poderia citar umas 50 praias brasileiras superiores aaquela. Mas, then again, eu estava mal humorada, e nesse estado tudo fica sempre pior do que realmente eh. Demos um passeio pela praia e depois voltamos para o hotel, para um mergulho na piscina. Ja estava escuro quando o bom humor dos dois voltou e fomos para o quarto tomar banho para sair.

Jantamos num restaurante bem baratinho e, passeando pela rua da praia, descobrimos que estavamos no coracao da luz vermelha de Samui. Em menos de 2km contamos 8 bares com tailandesas bem pouco vestidas, algumas dancando de calcinha e sutia em cima do bar, outras com roupas infimas fazendo poll dancing, tudo aberto, para qualquer um que passasse na rua ver. Muitas, inclusive, cumprimentaram efusivamente o Alexandre, ignorando por completo minha presenca. Eu achei graca, tamanha a minha perplexidade. Haja cara-de-pau, minha gente!

Voltando para o hotel, cercado por bares com luzes vermelhas e suas fieis meretrizes, achamos um bar tocando rock. Uma banda de tailandeses rock n' roll tocando, e bem, os classicos: Metallica, Ozzy, Oasis, Pearl Jam, Faith No More, The Doors, Nirvana, Chilli Peppers e outros. Ficamos bem mais tempo do que antecipamos, curtindo a musica e tentando abstrair os “casais” de velhos ocidentais com tailandesas adolescentes vindos diretamente do bar ao lado. Terminamos bem uma noite que nao tinha potencial para ser muita coisa e acabou sendo extremamente agradavel.

2/3

Pela primeira vez, desde que comecamos nossa viagem no dia 10 de janeiro, vimos chuva. Foi cedinho, forte e refrescante. Uma delicia. O cheiro maravilhoso de mato molhado de manha. Nao imaginei que sentiria tanta falta de chuva.

Mas nao foi com ela que acordei. O que ainda nao contei aqui eh que nosso hotel eh colado no aeroporto de Samui, de modo que quando pousa ou decola um aviao, ele passa tao, mas tao perto, que as paredes do quarto chegam a tremer e quase conseguimos ver os rostos nas janelinhas do aviao.

E que avioes sobrevoam nosso quarto tarde da noite, e que o primeiro voo eh as 7 da manha. E que cada vez que passa um aviao, tenho impetos de agarrar a mao do Ale, mas ele se desvencilha e sai correndo para a varanda para ver o aviao. Ele adora avioes, you see. Nao importa que estejamos com sono debilitado por causa do barulho. Ele adora e tenho certeza de que esse foi ateh um plus pra ele, considerando os pros e contras do hotel. Fico eu, jogada na cama, agarrando a fronha de medo e irritacao com os avioes. Coisas da vida a dois.

Devidamente despertos com a atividade aeroviaria de Samui, tomamos cafeh e alugamos uma motoca. Queriamos ir para o verdadeiro paraiso a que todos se referem quando falam de Samui. Paramos em Chaweng primeiro, conhecida por ser a praia mais bonita de Samui, mas a mais lotada e comercial tambem. Aqui ficam a maioria dos resorts, spas, restaurantes ocidentais, lojas. Tudo extrema e devidamente inflacionado para o turista europeu. Nao ficamos muito entusiasmados.

Subimos na motoca e seguimos para o sul, rumo a Lamai, praia seguinte que alguns dizem preferir a Chaweng. E aqui nos encontramos. Armamos acampamento numas cadeiras com guarda-sol que pertenciam a um restaurante bem bacana. O mar eh delicioso, como puderam ver nas fotos que postei antes. A agua limpa e azul turquesa estava quente sem estar desagradavel. A unica coisa eh que logo depois da areia fofa vinham umas pedras e era bem facil machucar o peh, como aconteceu com o Ale. Nada serio, soh um raspao de leve. Depois fomos nadar um pouco aa esquerda de onde estavamos e la eh bem mais agradavel. Nao ha pedras e o mar eh um pouco menos agitado. Ficamos curtindo as ondas juntos e morgando embaixo do guarda-sol por algumas horas.

Ai bateu a fome e resolvemos almocar naquele restaurante mesmo. Comida boa, vista perfeita, o dia estava sendo um dos melhores que tivemos ateh agora. Depois do almoco resolvemos pegar a moto e ir ateh a principal cachoeira da ilha. Quando estavamos a 500 metros de chegar la, subindo a montanha, a motoca comecou a fazer varios barulhos estranhos. Ale teve que parar na subida mesmo. Quase caimos os dois da moto, pois quando o Ale parou, comecamos a andar para tras: o freio nao funcionava direito. Um susto bonito, pessoal. Mas nada aconteceu. A cachoeira, no entanto, viraria lenda. Demos meia volta e seguimos ignorando os barulhos. Apos nos perdermos, achamos o Swensen's em Chaweng e tomamos um sorvete caprichado.

Voltamos para o hotel e caimos na piscina. Depois fomos tomar banho e saimos para jantar antes que o sono nos impedisse. Fomos num mercadinho de pescadores e jantamos onde jantam os locais. Bom e barato. Voltamos para o quarto para cuidar de algumas queimaduras: eu, no joelho; Ale, no peito. Esquecemos de passar protetor nesses pedacos.

3/3

Nao foi o melhor dia da viagem. Muito estresse, calor, panico. Mas ao mesmo tempo foi um dos melhores dias da viagem. Chegamos onde queriamos chegar desde que a viagem comecou.

Acordamos cedo com um aviao sobre nossas cabecas e as paredes tremendo. Como ja nao era mais novidade pro Ale, ele deixou eu agarrar a sua mao. Tomamos cafeh num lugar com internet, onde pudemos subir algumas fotos para o orkut e para o blog.

Dai deu a hora de pegar o barco. Iamos para Koh Pha-Ngan, onde o plano eh nao ter planos, ficar indefinidamente ateh cansar. O estresse comecou ainda no pier de onde o barco saia. Eu nao estava me sentindo muito bem. Ansiosa por razao nenhuma, essas coisas que me assolam. Estava um calor do cao, eu ja me derretia, o barco atrasou e uma excursao de uns 50 israelenses adolescentes gritava. Nao eh meu cenario ideal.

(Turistas isralenses, tenho descoberto nessa viagem, conseguem ser extremamente grossos e mal educados, imaginem entao em grupo e adolescentes.)

Enfim, entramos no barco e seguimos, num mar agitado, por mais de uma hora ateh chegar em Hat Rin, a principal praia de Koh Pha-Ngan, e onde acontece a full moon party - uma rave e antro de backpackers - toda lua cheia. Dai as hordas de adolescentes bronzeados. Ao chegarmos la, fomos atras de um barco para Hat Yuan, a praia a que sonhavamos chegar. Nao ha estrada para Hat Yuan, soh uma trilha a peh pelas montanhas ou barco. Como estavamos com as mochilas e o sol ainda estava forte, decidimos ir de barco. O problema – o cartel do boat taxi. Eles todos nao baixavam de 200 bhats por pessoa, um preco bem salgado, e ainda disseram que teriamos de esperar aparecerem mais pelo menos duas pessoas indo para as mesmas bandas, caso contrario teriamos de pagar extorsivos 400 bhats por pessoa num trajeto que nao leva mais de 20 minutos.

Estavamos naquele lugar lindo e fumegando de raiva. Nao soh teriamos de pagar caro por sermos branquelos, ainda teriamos de esperar indefinidamente ateh aparecer mais pelo menos duas pessoas interessadas no mesmo destino.

Enquanto debatiamos o que fazer, apareceram tres americanos indo para a praia ao lado da nossa, e isso definiu as coisas. Ainda puta da vida subi no barco e soh quando o vendo gostoso, junto com o spray do mar, comecou a bater na minha cara, comecei a amolecer e reconhecer que estavamos realmente num dos lugares mais bonitos do mundo.

O mar estava bem mexido. Nada que eu nao tivesse visto no Brasil, mas enfim, num pais diferente, num mar que voce nao conhece, sempre ha um pouco de apreensao.

Nos aproximamos da praia em que o barco ancoraria e, para meu desespero, era cheia de pedras, com uma entrada bem estreita para o barco aportar. Achei estranho mas imaginei que os tailandeses, cansados de percorrer as mesmas aguas, sabiam o que estavam fazendo.

Engano meu.

Eles aceleraram em direcao aa praia mas uma onda mudou a direcao do barco e acelerando, fomos de frente em um conjunto de rochas. A frente do barco empinou e sentiamos as pedras embaixo do casco. A pior parte era quando vinham as ondas. Estavamos de lado, paralelos aa praia. Cada onda que vinha ameacava virar o barco que estava atolado nas pedras. As malas comecaram a voar e por pouco a do Alexandre nao cai. Eu, que ja havia batido os dois joelhos com a trombada, comecei a gritar, metade em ingles e metade em portugues, que iriamos virar. Todo mundo foi para a direita fazer peso para o barco nao virar com as ondas. O cenario perfeito de como dar merda em pleno paraiso. Se o barco virasse, nao soh perderiamos nossos pertences mas eh possivel que nos machucassemos feio nas pedras, ja que as ondas estavam jogando muito. Sem contar que poderiamos ficar presos embaixo do barco e nao quero nem pensar muito, mas o pior passou pela minha cabeca.

Os americanos estavam ateh que tranquilos. Uma das meninas perguntou se os tailandeses queriam ajuda quando um deles se lancou em uma das pedras para desencalhar o barco. Acho que foi uma das vezes que mais passei medo na vida.

No final das contas, ganhei apenas joelhos ralados. Mas eu, que ja nao estava bem, fiquei ainda mais abalada. Tremendo, desci do barco. Percebendo meu estado, Ale me ajudou com as malas e me deu a mao para descer. Quando pisei em terra firme, desatei a chorar. Um choro desesperado e surtado mesmo, com solucos e espasmos. Nao foi um ataque de panico, mas um ataque nervoso mesmo. Nossa pior experiencia ateh agora, e bem onde? No lugar idilico de que tanto falamos e ansiamos.

Recomposta, vesti a mochila e comecamos a caminhada. Nossa praia era a seguinte, mas para chegar nela tinhamos que subir e descer um morro. E com uma mala de 15 quilos nas costas, de estomago vazio e sol forte da cachola, apos um ataque nervoso, nao eh a coisa mais gostosa. Chegamos no topo, eu estava ensopada e murmurei “que inferno!” Em seguida olhhei ao meu redor e percebi o absurdo da minha exclamacao. Eu estava era no paraiso, porra! Resolvemos parar ainda nas pedras, antes da descida, para almocar no Bamboo Hut. Esse era o lugar em que queriamos nos hospedar, mas estava lotado.

Eu estava morrendo de fome – ja eram 5 da tarde eu eu soh estava com um pao com queijo no estomago de cafe—da-manha. O Ale me deixou com uma agua de coco e foi atras de outro bangalo. Pedi comida, arroz com vegetais e camarao, e percebi, pela primeira vez, que estavamos num lugar indescritivelmente belo. Com um mar ainda mais limpido e deserto do que Samui, com muita gente tranquila e sorridente. Uma praia de nao mais 200 metros, com bangalos, coqueiros, enfim, soh tranquilidade. Ficamos no Barcelona, um lugar bem charmoso do outro lado da praia. Nosso quarto tem vista para o mar e duas redes. O banheiro nao tem agua quente e isso realmente nao importa. Do quarto para baixo, em menos de um minuto estamos com os pes na agua do mar.

Feito o check in, corremos para a praia. Uma delícia ainda maior que Chaweng. Não tem pedras e a água é cristalina (estou começando a ficar sem adjetivos para descrever a beleza da água dos mares daqui, but you get the full picture I hope. Depois do banho de mar, ficamos no quiosque do nosso bangalo conversando com outros hospedes. Tem uma canadense que mora aqui ha 3 anos e meio. Ela da aulas de ingles e mora num bangalo aqui na praia. Tambem conhecemos uma dinamarquesa que morou aqui dois anos e meio, ai engravidou do namorado tailandes, foi para a Dinamarca ter o bebe e agora estah passando um mes de ferias com o namorado e o bebe, coisa mais linda desse mundo.

Ja anoitecia quando fomos tomar banho. Jantamos pelo quiosque do Barcelona mesmo e depois fomos passear na praia. Paramos em alguns bangalos que tinha balancas, dessas que sao cordas presas em arvores, e voce da impulso como se fosse se jogar no mar. E a noite estava absurdamente estrelada, e a gente balancava e jogava a cabeca pro alto, olhando toda a constelacao e os coqueiros acima de nossas cabecas. Surreal, gente. Nunca vou conseguir descrever realmente. Vou tirar fotos e tal, mas vai faltar sempre alguma coisa na minha explicacao.

O apice veio quando o Ale se empolgou em uma das balancas e, na hora de sair, viu que sua bermuda estava toda enrolada para dentro do balanco. A corda tinha retorcido tudo e ele agora estava preso pela bunda na balanca, sem a menor ideia de como fazer para se soltar. A unica solucao, que eu sugeri e insisti, seria tirar a bermuda e ficar de cueca em plena praia. E soh assim conseguimos distorcer a bermuda do meu homem moleque.

Numa noite romantica como esta, faltava bem pouco para a perfeicao – e ela veio do mar. Foi o Ale quem primeiro notou. Umas luzinhas, que pareciam micro-lanterninhas azuis, iam e vinham com as ondas. Chegamos perto, ficamos com medo que queimasse, mas parece que sao apenas planctons fosforescentes, um fenomeno muito raro aqui na Tailandia. Nunca ouvi falar disso no Brasil, alguem ja viu? Em ingles o fenomeno chama phosphorescence.

Naturalmente estavamos exaustos. Alem de termos acordado cedo em Samui com os avioes, o dia tinha sido bem cansativo e em meio a tudo eu tive um ataque nervoso. Eu jamais imaginaria que o dia pudesse acabar tao bem. O melhor e o pior dos dias.

Saturday, February 28, 2009

Camboja e nos derretendo

25/2

Entao ontem a noite nos despedimos de Henrique e Carol. Eles seguiriam pelo Vietnam e nos iriamos direto pro Camboja. Foi bom ter viajado com eles um tempo. Tirou um pouco a gente da ostra.

O aeroporto de Luang Prabang parece um galpao, assim como todos os outros aeroportos do Laos. Foi uma surpresa chegar em Siam Reap, no Camboja, e ver que la tudo era completamente diferente. Parecia aeroporto de primeiro mundo. Visto foi processado super rapido e logo estavamos desembaracados com malas em punho. Vale o desafio para os companheiros viajantes: quem conseguir arrancar um sorriso da tripulacao da Vietnam Airlines ganha um beijo. Se eles sao amostra do que encontrariamos no Vietnam, estou feliz com nossa decisao de ir direto pro Camboja.

Pegamos uma moto-taxi (sim, cada um vai em uma moto com um motorista) ateh o guest house que escolhemos, Shadow of Angkor. La estava cheio mas eles estavam abrindo o Shadow of Ankor II, atravessando o rio. Fomos ateh la e ficamos surpresos com o nivel do quarto. Algo de hotel 3 ou 4 estrelas, com certeza o melhor quarto da viagem ateh agora. Ateh box pro chuveiro tem, um luxo! O senao eh que o lugar ainda ta meio em obras, entao nao tem restaurante, a piscina estah vazia e, perceberiamos depois, ha muita martelada desde 7 da manha.

Enfim, achamos que por 15 dolares a noite estavamos fazendo um otimo negocio, e realmente estavamos. Quando ficar pronto, o quarto em que estamos, com varanda, ar condicionado central, frigobar etc, vai custar 40 dolares por noite.

Deixamos tudo no quarto e fomos almocar no Khmer Kitchen, um restaurante despretencioso que ja recebeu o Mick Jagger e nem por isso inflacionou os pratos, more than fair enough. Fiz a besteira de pedir um Khmer curry. Nao pelo gosto, estava mravilhoso, mas com o calor do Camboja nao cai muito bem. Eu, que ja bufava, fiquei ainda mais bufenta, mesmo com o ventilador de teto direto na minha cabeca.

O calor do Camboja eh algo inexplicavel. Alem do sol constante, eh umido que doi. Voce anda cinco minutos e ja estah molhado de suor. Eu, pelo menos, que suo muito. Eh um saco. Nao tem roupa que fique seca, nem cabelo que fique limpo.

Voltamos do almoco pro quarto e fomos tomar uma chuveirada. Cansados da viagem e sem coragem de enfrentar o calor, ficamos no bem bom do ar condicionado do quarto por varias horas, assistindo filmes e lendo. Soh saimos para jantar, na esperanca de que a noite fosse fresca. Engano. A noite eh muito abafada, nada como no Laos. Impressionante, porque Siam Reap fica no norte do Camboja, nao longe da fronteira com o Laos. Enfim, pelo menos tem muito lugar com ventilacaao potente e ar condicionado por aqui. Senao eu estaria frita. Realmente enlouqueceria, desconfio.

Jantamos no Butterfly Garden, um restaurante que alega ter cerca de mil borboletas voando sobre seus jardins. O lugar eh uma graca. Tem um aspecto de jardim bem fechado, quase uma florestinha, com brejos e varios sapos. Alias, vi mais sapos do que borboletas, mas enfim, eles nao iriam propagandear o lugar como jardim dos sapos, nao eh mesmo, pessoal?

Comemos muito bem em uns sofazoes com almofadas. Aqui come-se bem, mas paga-se o preco tambem. Nada demais, coisa de 3 a 5 dolares o prato, mas sabemos que para os locais o que eles cobram eh uma fortuna.

26/2

Ainda nao seria hoje que iriamos a Angkor Wat. Temos tempo em Siam Reap e nao queremos fazer nada desnecessariamente correndo. Tiramos o dia para dar uma passeada na regiao central. Fomos ateh um templo budista proximo ao hotel e muito bonito. Depois fomos ateh os jardins reais. Lindo, mas ja estava quente demais e eu ja molhava, emburradamente, minha camiseta.

Fomos entao atras de ar condicionado para almocar. Encontramos refugio no Blue Pumpkin, um lugar bem legal e moderninho, claramente para o gosto dos farang (turistas). Nao reclamei. O lugar eh todo branco e bem descontraido. A comida eh gostosa e ha acesso wi-fi gratuito.

De la, fomos very naughty indeed e passamos no Swensen's. Aqui tambem tem e, tal como em Bangkok, do lado da nossa guesthouse. Dividimos um sorvetao e fomos hibernar um pouco no quarto.

Logo mais um tuk-tuk passou para nos pegar. Fomos ateh o ticket booth de Angkor Wat para comprar ingressos para amanha. Depois, o tuk-tuk nos levou para uma colina dentro de Angkor Wat em que poderiamos ver o por-do-sol. A subida foi meio dolorosa por causa do calor. Alem disso, tinha muita gente, mais precisamente muitos japoneses. Ale inclusive levantou um ponto importante: ha mais maquinas fotograficas do que pessoas naquele lugar. Incomoda um pouco porque a cada passo que voce da voce meio que entra sem querer na foto/pose alheia. Fica dificil andar sem atrapalhar as fotos e chega um ponto em que voce realmente liga o foda-se e anda como se fosse dono do lugar, tao irritante eh.

Mas irritacoes aa parte, o lugar eh lindo, no meio da floresta. Assistimos ao por do sol la de cima de um dos monumentos de respeitaveis mil anos de idade.

Na volta, pedimos pro motorista nos deixar no night market. Passeamos bastante, compramos um pouco (cada um uma camiseta) e jantamos por la mesmo. Na volta, passamos pela “Pub Street”, a rua de baladas da turistada. Um negocio impressionante. Luzes coloridas vindas de todos os lados, restaurantes, bares, casas de massagem, lojas. Muita gente na rua e cambojanos oferecendo maconha a metros de um policial. Uma loucura. A meca de quem viaja pela Asia em busca de vida noturna e um pouco de amor.

Voltamos para o hotel e dormiremos cedo. Amanha o dia sera longo e comecara aas 6 da manha.

27/2

Nao foi facil acordar, mas nos arrastamos ateh um lugar para tomar cafeh da manha. Nosso tuk-tuk driver nos pegaria ali mesmo aas 7am. Fomos de la para Angkor Wat direto. Nao eram nem 8am quando entramos la e eu ja estava suando. Rodamos Angkor Wat e ficamos ligeiramente decepcionados. Achamos que seria bem maior e impressionante, e duvidamos de nossa capacidade de apreciar historia antiga. Simplesmente nao conseguimos ser tocados profundamente pelo que viamos (um problema que tenho com artes plasticas em geral).

Terminamos Angkor Wat em 1,5h e seguimos para Angkor Thom. Entramos em Angkor Thom pelo portao do sul e fomos direto ao Bayon, onde ficam as esculturas de torsos de budas gigantes em pedras. Tudo muito conservado e impressionante, mas eu ja derretia dentro de minha blusa. Paramos para uma reidratada com agua de coco e seguimos para ver o terraco dos elefantes, ainda dentro de Angkor Thom.

De la encontramos nosso tuk-tuk driver para nos levar a mais uma ruina, Ta Phrom. Foi la que Angelina Jolie filmou Tomb Raider, para quem interessar possa. Foi o lugar mais impressionante dos tres. Isso porque a selva mais ou menos tomou conta dos templos e ha arvores que parecem ter nascido das proprias pedras das ruinas. O resultado eh fantastico e valeu a pena me derreter como eu ja me derretia. Eram 11am e eu estava exausta de tanto passar calor. Minha pressao tambem caia paulatinamente, dado que eu nao parava de suar. Ao ponto de meu cabelo ficar enxarcado, e minha camiseta ficar uniformemente mais escura devido ao suor molhando-a por completo. Nao estou exagerando, eh como passear numa sauna. Um guia me mostrou um termometro de bolso que ele tinha e, na sombra, marcava 35 graus. Soh para se ter uma ideia.

Ta Phrom foi nosso ultimo templo. O calor soh pioraria dali para frente e, por mais que houvesse ainda um mundo de templos e ruinas para ver, cheguei no ponto em que em vez de esculturas eu soh via pedras. E nao duvido que se tivesse insistido em ver mais do lugar, nao demoraria para que eu nao visse absolutamente nada – eu nao estava la muito longe de desmaiar.

Fomos prudentes e pegamos o tuk-tuk de volta. Chegamos no hotel, tomamos um banho merecido e saimos para almocar. Fiz questao de ar condicionado e entao acabamos repetindo o Blue Pumpkin.

De la fomos fazer uma merecida massagem tradicional Khmer e saimos nas nuvens. Acho que a melhor massagem que fizemos ateh agora, depois da tailandesa. Eu saia de la quase zen quando a minha massagista foi abrir a porta de cortininha para eu sair e o bastao de madeira macica que segurava a cortina caiu com tudo bem na minha cabeca. Por muito pouco nao pegou meus oculos escuros. Eu teria ficado bem chateada se quebrassem meus oculos. Eles nao foram exatamente baratos. Achei que devido aa pancada eles fossem dar um descontinho na massagem, mas nao. Soh um “sorry” e assunto encerrado.

Dali para frente comecou uma dor de cabeca que se estenderia e acentuaria pelo resto do dia.

Voltamos para o hotel e resolvemos nadar, ja que mais cedo nos informaram de que a piscina estava cheia e pronta para ser usada pelos hospedes. Mas chegamos la embaixo e a agua estava marrom esverdeada, quase preta. Algo muito errado estava acontecendo e eles, naturalmente, pediram para que ninguem entrasse na agua. Sinceramente, pelo nivel do negocio, nao acho que poderemos nadar na piscina. Vamos embora dia 1o. de marco e duvido que ateh la eles tenham entendido o que houve e como consertar.

Ale ficou por la mesmo, lendo nas cadeiras. Eu preferi voltar pro quarto e deitar. Minha cabeca doia mais e eu estava com sono.

Soh acordei pra la de 8 da noite. Meio sem fome, mas fomos jantar no Butterfly Garden. Tomei um Nurofen e a dor de cabeca amenizou. Eu ainda estava cansada e, apesar de ter dormido bastante horas antes, consegui pegar no sono bem rapido.

Tuesday, February 24, 2009

os ultimos dias no Laos

21/2

Acordei depois de 11 horas ininterruptas de sono. Encontramos Carol e Henrique na padaria escandinava (sim, eh uma rede por todo o Laos turistico aparentemente) e depois de um cafeh demorado, resolvemoss fazer uma massagem tipica do Laos. Eh parecida com a tailandesa, muito gostosa, relaxante, mas vigorosa.

De la o calor pegou e tinhamos que fazer decisoes rapidas (porque quanto mais tarde, mas o sol vai subindo) e certas (porque andar debaixo desse sol eh quase a morte para branquelos como nos). E acho que o sol afetou nossas ideias. Acabamos comprando um buda deitado de madeira e nao sobrou dinheiro para almocarmos. Tivemos que dividir um sanduiche e depois comer umas Oreo para disfarcar

O calor estava tanto que nao ousamos por o peh para fora do quarto. Instead, resolvemos tomar decisoes importantes. Resolvemos pular o Vietnam e re-incluir a Indonesia. Pensamos muito e achamos que a chance de nao gostarmos na Indonesia eh bem mais baixa. Uma pena termos gastado dinheiro com o visto do Vietnam, mas acho que tomamos a melhor decisao que podiamos ter tomado. Acho que quando se estah viajando, nao se deve ir a um lugar se nao se estah com vontade. E nao queriamos ir pro Vietnam mais. Os relatos nos desanimaram completamente, e a ideia de gastar tempo em um lugar desagradavel enquanto tinha um paraiso na Indonesia nos esperando foi mais que suficiente para tomarmos a decisao.

O plano agora eh voarmos de Luang Prabang direto para Siam Reap, no Camboja. Ainda temos alguns dias de Luang Prabang para curtir. Amanha, por exemplo, compramos um tour que nos levarah para andar de caiaque no rio (com direito a algumas rapidas), entrar na caverna Pak Ou, visitar o vilarejo onde eles produzem o Lao Lao (uisque do Laos, aparentemente ruim pra burro), e encerrar com um passeio de elefante pela floresta.

Tudo decidido, fomos jantar e comprar o tour. Depois do jantar voltei para o hotel e o Ale foi com o Henrique para o Bar Lao Lao.

Fiquei escrevendo meu diario de bordo ateh que nao muito mais de uma hora depois o Ale volta pro quarto, uma cara ruim. Estava enjoado e queria vomitar. Enquanto ele fazia o servico, eu corria ateh o quarto da Carol para pegar um Eno ou equivalente. Voltei, preparei, e ele vomitou um pouco mais. Fiquei com noh na garganta, juro. Vontade de chorar por ele. Sei que vomitar para ele nao eh nada demais, mas se fosse eu naquela situacao... gente, nao consigo me imaginar em uma situacao de maior sofrimento do que a de ter que vomitar. E de ver meu amor mal, fiquei bem chateada. Mas se deus quiser ele vai acordar bem amanha para podermos passear.

22/2

Despertador tocou para irmos andar de caiaque mas eu ja sabia. Nao haveria como. Ale acordou ainda enjoado e, claro, fraco. Era dia de ficar de enfermeira de um doente muito amado e mimado. Deixei ele no quarto e fui tenta adiar nosso passeio. Deu tudo certo, vamos amanha. Tomei cafeh da manha e levei um bagel para o Ale. Quando cheguei de novo no quarto Ale ja estava em peh e com vontade de comer bolo. Melhor sinal impossivel. Fiquei feliz da vida e sai com ele para a padaria escandinava, onde ele pode comer o bolo de banana que queria.

Ao longo do dia ele se sentiria melhor. Aproveitamos que seria um dia devagar para resolver coisas. Mudamos nossa passagem do Camboja pra Tailandia pro dia 1/3, e compramos nossa passagem de Luang Prabang para Siam Reap (Camboja) para o dia 25/2.

Mais tarde fomos almocar num restaurante perto da nossa guest house e encontramos o Mickey e a Susannah, casal ingles que viajou no busao com a gente de Pakse a Vientiane. Ale comeu bem, inclusive bastante do meu prato, mais um otimo sinal de que as coisas estavam voltando ao normal. Ficamos conversando ateh o calor ficar insuportavel para mim. Voltei pro quarto, tomei uma ducha gelada e deitei embaixo do ventilador. Nosso quarto eh super fresquinho, alias ficamos bem satisfeitos com o lugar que escolhemos.

Dormimos um pouco, afinal a noite tinha sido ruim para ambos. Ale, claro, doente. E eu fiquei meio alerta, com sono leve, a noite toda, para cuidar do meu menino. Acordamos ja na hora de jantar. Fomos com Henrique e Carol para o night market. Ale quis comer bolo de limao (ele cismou com bolo) e shake de frutas. Eu comi um sanduiche de frango. Sentamos num cantinho la em que soh os laolitos sentam e um gato muito amado se engracou conosco. Ficava pulando do meu colo pro do Alexandre. Sem, claro, tirar o olho do peixe do Henrique.

Fomos dormir cedo porque dia seguinte seria dia de passear, sim.

23/2

Acordei antes do despertador e chequei se Ale estava bem para andar de caiaque. Ele estava, entao nos aprontamos e aas 9am estavamos la, esperando a van.

Outras 3 pessoas se juntaram a nos 4 e seguimos para o rio Nam Am (ou Nam Khan, nao lembro). Fomos deixados la com caiaques duplos e um guia que se dizia chamar William mas na verdade se chamava Pantamar (???).

Logo de cara o Time Pato se encaixou nas remadas e foi muito, muito divertido (aa parte algumas vezes em que Mr Pato deu remadas em minha cabeca – com capacete, thank god).

Passamos por algumas corredeiras, mas tudo bem suave. Uma delicia o contraste da agua com as pedras passando rapido no fundo. Deu uma vontade imensa de cair n'agua, principalmente porque ja estava muito quente, e o rio era muito limpo. Depois de uns 40 minutos remando, paramos na areia em uma prainha para admirar a vista e tirar fotos. Uma pedra gigantesca aa frente, perto da qual logo mais passariamos com o caiaque. O paraiso, gente. Nos sentiamos o casal mais sortudo do mundo por estarmos ali, naquele momento.

Depois de muito admirar (e queimar os pes na areia quente), voltamos ao caiaque. Continuamos remando, passamos pela pedra majestosa e dei meus urros para testar o eco, que era absurdo.

Depois seguimos pelo rio por mais uns 40 minutos e estacionamos em uma vila, onde ficavam os elefantes. Eram dois amados gorduchos e sujoes, esperando por nos quatro (os outros 3 quiseram fazer apenas caiaque e nos soh os encontrariamos no final do passeio). Subimos no elefantinho e fomos, floresta adentro, passear. Foi gostoso, mas ficamos meio com pena dos elefantes. Tadinhos, carregando pessoas nesse calor! Mas parece que pra eles isso nao eh nada. Esses sao elefantes em recuperacao de uma pratica bem mais vil, a dos madeireiros que os faziam carregar centenas de quilos de madeira nas costas, por horas a fio, todo dia.

Ou essa eh a historia que nos contaram para nao acharmos que havia abuso com os elefantinhos camaradas.

Enfim, o passeio durou uma hora, durante o qual nosso simpatico elefantinho brincou com galhos pelo caminho (parecia um ritual de auto-flagelacao, mas ele parecia estar se divertindo), comeu muito mato gostoso, tomou banho no laguinho, cuspiu na gente via tromba, cuspiu poh, tambem via tromba, fez xixi e abanou muito as orelhas amadas.

Findo o passeio, era hora de almocar. Nosso guia nos deu nossas marmitinhas e comemos um arroz com frango e vegetais bem simples e saboroso. Depois compramos bananas para dar pros elefantinhos. Tenho fotos e ateh filminhos registrados. Ta bem engracado.

Deixamos entao os elefantinhos para traz e pegamos novamente o caiaque. Atravessamos o rio para visitar a caverna Pak Ou (Buda). Eh legal, mas estavamos exaustos. A caverna eh considerada sagrada e tem centenas de estatuas do Buda. Vimos tudo sentados em umas cadeiras porque ja tinhamos subido muitas escadas para chegar la. Vimos tambem alguns passarinhos sendo soltos. Em todo templo budista daqui sempre tem gente vendendo uma gaiolinha de palha com um passarinho dentro. Voce compra, ai faz um pedido e solta o passarinho da gaiola. Eh uma pratica errada, claro, porque nenhum passarinho tinha que ser preso em primeira instancia, mas enfim, vai discutir com tradicoes locais de sabe-se la quantos anos? Nao vai.

Da caverna pegamos novamente o caiaque e seguimos por mais 40 minutos para nossa ultima para, a vila em que se produz o uisque lao lao. A essa altura, o pacato e limpido Nam Khan ja tinha desembocado no Mekong e remavamos em agua bem mais turva. O Ale estava bem cansado por causa do bug, que o deixou bem fraco, entao essa ultima perna com o caiaque foi praticamente em meia fase. Chegamos no vilarejo, sem muito folego para passear. Ainda estava bem quente e Ale precisava de algo com acucar. Achamos um restaurante com coca. Depois de uns 10 minutos, entramos todos na van e voltamos para Luang Prabang.

Fomos correndo para o chuveiro. Estavamos imundos, claro. Depois fomos comer como se nao houvesse amanha. Dormimos como anjos.

24/2

Depois de uma otima noite de sono, acordamos bem menos doloridos do que esperavamos. Resolvemos entao ter um dia bem devagar, para descansar do anterior.

Tomamos cafeh, voltamos pro quarto e depois de muito enrolar, dormimos novamente. Acordamos aas 2pm, fomos ali bater um crepe e voltamos pro hotel.

O calor estava absurdo e resolvemos tentar nadar num rio, o Nam Phu. Foi uma ideia meio de jerico: o rio eh meio sujo e com uma correnteza forte. Ainda assim, nao nos demos por vencidos e gastamos uns 15 minutos sentados, os quatro, e jogando pedrinhas para ver se elas quicavam.

Voltamos pro hotel loucos por um banho. Depois do banho saimos para jantar e mais um dia passou, em ritmo de Laos. Nosso ultimo dia. Gostamos muito do Laos. Nao da para explicar o carinho que pegamos pelo pais e pelo povo. Eh tudo o que um pais precisa ser, really. Tudo o que diz o establishment, o Laos faz o contrario. Nos amamos o Laos para sempre.

Amanha eh levantar cedo pra voar para o Camboja. Aguardem noticias de la!