Wednesday, January 31, 2007

caatinga

O dia que eu queria que passasse rápido enfim chegou. Trocentas mil coisas para resolver no trabalho e janeiro chega ao fim cumprindo sua meta. Corro o risco de levar mais uma garrafa de champagne para casa, o que paradoxalmente me desanima, já que odeio champagne, não tenho onde colocar e não posso carregar peso.

Acordei, inclusive, meio desanimada. Não sei direito por quê. Não dormi bem. Li trinta páginas de The Line of Beauty antes de apagar a luz e, quando o fiz, fiquei pensando no livro que estou escrevendo. Não sei se está indo no caminho certo.

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Hoje tá um desses dias frios e azuis. Pelo menos o trabalho está rendendo. Daqui a pouco é lunch break e um fornecedor vai nos levar para almoçar. Mais tarde tem cinema. Blood Diamond. É o plano.

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Tem uma cesta lotada de chocolates bons e eu tenho passado longe. Continuo uma boa garota, mas tá ficando difícil já. Calculo que entre 2 e 3 quilos já se foram. Mas não tenho como saber ao certo. Só sei que as calças largas caem, as médias sambam e as apertadas, agora cabem. Supimpa.

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Vou agradecer quantas vezes forem necessárias, já que agradecer me deixa feliz, me faz pensar que dependo sim de tudo e todos, e a visão fica menos turva. Agradecer a delicadeza, o telefonema, o olhar demorado, agradecer o quase-esquecimento que não é esquecimento afinal. Foi quase, mas não foi. Agradecer quem tem inveja, mas vive querendo saber da minha vida. Agradecer quem genuinamente passa a mão em minha escápula com a vontade de me fazer melhor. É parecer uma Alanis Morissette sem o peso hippie desta, porque realmente não tenho saco para oferecer tudo e não ter nada em troca.

Passou-se o tempo em que me acreditava capaz de ser sozinha e feliz. Ou de ser feliz sem ter nada em troca. O desânimo pode vir daí. Do cansaço de um esforço que não foi inteiramente compensado ainda. De dar, dar, dar. E receber. Na proporção de tress para um. O que até dura um tempo, mas cansa.

Estou, assim, numa fase em que o papo morre e eu não me preocupo em ressuscitá-lo. Devo estar começando a ficar à vontade. Ou então é só desânimo passageiro. Pelo menos as dores se foram.

Tuesday, January 30, 2007

lounging

Tédio profundo. Sentada no meio de uma sala com só uma lâmpada funcionando, apesar das trocentas lâmpadas espalhadas. Passei parte do dia reclamando da vida e do útero, e a outra parte arrumando meus documentos. Achei um envelope com US$362 que nem sabia que tinha. Não ganho no Thurnderball mas prego prêmios para mim mesma, para serem descobertos num futuro qualquer.

E não são prêmios meramente monetários.

Tenho a certeza de colher frutos sobre sementes que muitas vezes nem lembro de ter plantado. Preciso lembrar disso quando ousar me achar azarada.

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Tive um sonho delicioso essa noite. Mas envolvia pessoas e situações que não vêm ao caso aqui. Mas era muito, muito bom. Sonhos bons só são ruins porque acordamos e aí *puf*. Sonhos ruins são bons pelo mesmo motivo.

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Amanhã vou trabalhar. Estou entediada, é sério. Perigo. Que o dia passe rápido e que eu queira que passe devagar. É sempre melhor assim do que the other way around.

Monday, January 29, 2007

back to you

A quem se preocupava/sabia: estou bem.

A quem não se preocupava/não sabia: estou bem também.

Passou. Agora só vou me preocupar de novo daqui a seis meses. E tentar (e conseguir) bravamente seguir as recomendações médicas pelo próximo mês. Porque não quero passar por isso de novo.

Estou orgulhosa de mim, though. Nem precisei recorrer aos caprichos e confortos de meu talismã, o Rivotril.

Minhas pernas ainda estão moles, no entanto. Obviamente não fui trabalhar. E se vou trabalhar amanhã depende da noite que terei hoje.

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Enquanto isso, Janine, minha amiga do trabalho, ganha £5.000 no Thunderball. É justo esse mundo? Ah, deve ser.

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Mais um fim de semana bom. Mais pela companhia que pelo programa em si. Porque poucas pessoas considerariam um domingo inteiro indoors bom, sem fazer absolutamente nada.

Sexta foi dia de filme na casa dos Herrmanns e sábado foi dia de feijoada. Tudo, o tempo todo, em boa companhia.

Só a cabeça a mil. O velho poste elétrico. Parado, mas cheio de potência. Danger, danger, high voltage.

Thursday, January 25, 2007

turning point

Tô conseguindo, tô conseguindo, tô conseguindo!

Não preciso de muito, preciso lembrar disso. Preciso esquecer o resto. Preciso ler mais Hilda. Não preciso de quase tudo o que tenho. Ainda mais agora que estou conseguindo.

E não posso, não posso nunca, mentir para mim.

vacamarela

E já que o post anterior foi profundo demais, aqui vai um bem mais legal e raso e identificável.

Frases que eu odeio ouvir:

“Tô sussa, véio.”

“Vou dar uma chegadinha lá.”

“Ah, relaxa!”

“Não viaja.”

“E aí, não volta mais?”

“Esquece.”


Frases que odeio falar:

“Tá ouvindo?”

“Brava? Você ainda não me viu brava.”

“Você podia fazer agora aquilo que disse que ia fazer ontem?”

“Você está atrasado(a)”

“Por que não?”

“Não tô bem.”

Wednesday, January 24, 2007

o mesmo esmo de sempre

A cabeça enconstada no muro
Tudo depende se vai haver sonho hoje
E se as estrelas brilham mais quando é frio
E um mundo sem música, como seria?

A cabeça de frente para o muro
Não dá para ir adiante mesmo parado?
Me ensinaram que sim
Mas talvez tenham me ensinado errado
Eu, que não ligo de subir e descer escadar
Mas odeio rampas.
Porque são contínuas e monótonas e mudamos de nível e nem percebemos.

E se eu nem enconstar. Se eu apenas tiver uma cabeça sobre um pescoço
Aí vou entender que é o certo
Mesmo sendo sem graça
Que o certo é quase sempre sem graça
Que eu nunca vou andar numa só linha
Porque não agüento o peso de minha cabeça em um pescoço
Que preciso de vários pescoços
Ou de outra cabeça

O melhor é esquecer, para falar a verdade
Rir até chorar
Enxugar as lágrimas com as costas das mãos
E agradecer o momento de insanidade
Que uma vida regrada oferece
(Eu que não queria uma vida insana com momentos de regra)

Mas não faço idéia de por que comecei a escrever isso, e nem sei como apagar, e nem ligo se já escureceu e não faz mais diferença onde está minha cabeça. Importa que no dia seguinte eu saiba de quantas hastes preciso.

Para jogá-la ainda mais longe.

Monday, January 22, 2007

keep turning that chin

Se era para ser grande ou pequeno, não sei. Parece que não importa saber. Que nem tem dimensão, na verdade. Que é para faltar informação. Que cansa e faz sorrir. Que desafia algumas leis. Leis minhas. Sou cheia de leis frágeis.

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Um fim de semana inteiro bom. Bom até em suas imperfeições. Tudo que deu errado foi bom. Mesmo assim, quase nada deu errado. Vi muita gente querida. E matei mais saudades. E mais ainda.

E tive sono. Dormi pouco. Incrível como isso não me incomoda mais como incomodava. E não é porque não tomo mais *dorgas* de dormir. Sei lá, mudaram-se os parâmetros. Mais que isso, mudaram-se os padrões de bem estar. Ah, tá, hermético pra caralho, eu sei. Mas eu sou um pouco, apesar de mostrar minha vida aqui. A verdade é que mostro bem pouco.

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Tenho recebido emails de alguns leitores que não conheço. Mais uma vez queria deixar claro o quão fofo é isso. Sério. Me faz não desistir. Espero que seja esse o objetivo. E se for, tá funcionando.

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Daqui a uma semana. Medinho.

lista de livros 2006

Tardou mas não falhou! Eis a lista de livros para 2006. Em vermelho, os top 3. Em azul, os altamente recomendáveis.

1) The Secret History – Donna Tartt --> O ano começou bem demais. Esse livro é um page turner clássico. Fez o maior sucesso por aqui e, já nas primeiras páginas, entendi porquê.

2) The Reader – Bernhard Schlink --> A grande revelação deste ano. Este livro é simplesmente inperdível. Difícil não se emocionar. Difícil largar. Difícil de esquecer e impossível não gostar.

3) Aprendendo a Viver – Clarice Lispector --> Ela não precisa de muitos adjetivos de uma reles subordinada como eu. Como sempre inspiradora, como sempre emocionante, como sempre edificante, como sempre Clarice.

4) The Shadow of the Wind – Carlos Ruiz Zafón --> Outro page turner, este se passa em Barcelona e tem um enredo bem cativante. Não tem como não gostar. Daqueles que dá raiva quando tá acabando.

5) Of Mice and Men – John Steinbeck --> Este foi o primeiro livro do Steinbeck que li. Fala de amizade em seu estado mais puro. Fala de exploração também. E de injustiça, e de ignorância. De homens que são ratos. Lerei outros.

6) Deixe-me Ir, Mãe – Helga Schneider --> Relato ligado ao holocausto, filha revisita mãe que era membro do SS e yadda, yadda, yadda… YAWN. Meio infantil, achei.

7) O Processo – Franz Kafka --> Esse cara é louco.

8) Amor É Prosa, Sexo É Poesia – Arnaldo Jabor --> Mais do que eu esperava, mas eu esperava muito pouco mesmo.

9) O Cavaleiro Inexistente – Italo Calvino --> Meio difícil. Me perdi algumas vezes. No final achei bom mas nem sei dizer porquê.

10) Bricklane – Monica Ali --> Livraço que, travestido de ficção, expressa muito bem a realidade das comunidades de Bangladesh no leste de Londres. Muito sensível também. De guardar no coração

11) Lições de Abismo – Gustavo Corção --> Livro espinhoso mas lindamente profundo. Faz pensar mas exije uma concentração cã. Para ler no banheiro.

12) Paris, 98! – Mário Prata --> Dá pra ler em um dia. Escrita corrida, leve, engraçada, leve mesmo, tanto que já quase esqueci.

13) A Cura de Schopenhauer – Irvin Yalom --> Schopenhauer made easy não é para qualquer um. Fiquei grudada do começo ao fim e descobri que não conhecia Schopenhauer como achava que conhecia.

14) Efeito Urano – Fernanda Young --> Alguns insights legais mas, como um todo, um livro que quer vender narrando traições lésbicas.

15) Carnaval no Fogo – Ruy Castro --> Bairrismo demais, jornalismo de menos

16) The Little Friend – Donna Tartt --> Posso confessar? Parei no meio. Inacreditável que seja a mesma autora do fantástico The Secret History.

17) Beatrice – Noëlle Harrinson --> Muito, muito bom. Escrito num formato bem original e sedutor. E não é só porque leva meu nome.

18) Calcinha no Varal – Sabina Anzuategui --> Um porre. E mal escrito.

19) Shopping – Gavin Kramer --> Literatura indie de primeira. Passa em Tóquio. Mas não aquela que a gente acha que conhece. A decadente. Ótimos insights literários também.

20) The Haunted House – Charles Dickens --> Posso confessar? Parei no meio.

21) Quando Nietzche Chorou – Irvin Yalom --> Na minha opinião superior ao já muito bom A Cura de Schopenhauer. Livro incrivelmente leve para uma leitura capaz de mudar sua percepção do mundo.

Eis a lista, para quem cobrou e para quem nem sabia que isso existia. Todo ano publico uma. Espero pedras a quem esperava ver outros livros em vermehlo ou azul. Sorry, não sou tão previsível assim. Hehe.

Saturday, January 20, 2007

wild is the wind

Os dias já estão passando rápido. Chegou ao fim o primeiro mês de inverno no hemisfério norte e acho que nem o clima percebeu, já que tá quase dando pra dispensar sobretudo. Ouvi dizer que o inverno per se começa amanhã. Previsão próxima de zero. Mas estou meio cética.

Dia lindo que fez hoje. Fui passear em Putney e Wandsworth com a Flá. Tá certo que meu otimismo pode estar meio infundado já que em pleno Janeiro saí de casa de camiseta, agasalinho de moleton Hering e calça fusô. Viajei, ok. Mas juro que no sol eu nem batia os dentes.

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Resolvemos finalmente sair de casa. Eu amo nosso cantinho, mas ele tá muito caro. A Flá não tá podendo arcar com o aluguel e eu, por mais que consiga arcar com o meu, concordo que estamos pagando muito. Pagamos pela região boa, pagamos pelo flat moderno, pagamos por estarmos ao norte do rio. Pagamos para morarmos só em duas. Estamos pagando muito, sim. Vamos nos juntar a outras pessoas e considerar outras regiões, como Putney e Clapham e de repente podemos viver num lugar maior pagando menos. Esse é o plano. Como a gente sabe, as coisas sempre podem acabar sendo completamente diferente do planejado. Lembrando sempre que não sei planejar, então…

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A conferência em Birmingham foi boa. Cansativa bagarái. Na quarta acordei às 6h da manhã para encontrar dois colegas em Kingston e de lá irmos para Birmingham. Chegamos atrasados porque o colega que dirigia é pato e se perdeu.

Digo pato porque é pato mesmo. Ele é um tipo que me intriga. Porque desperta sentimentos nefastos. Sabe aquela pessoa boa, legal, cordata que, por algum motivo cuja origem é completamente nebulosa, consegue te irritar sem fazer nada? Então. É ele. Todo mundo poderia se perder, mas se é ele eu fico irritada. Todo mundo pode demorar pra responder quando eu chamo, menos ele. Todo mundo pode discordar do que eu digo, menos ele. É curioso. Um dia vou entender. Porque se em um minuto fico irritada com qualquer coisa que ele faça, no momento seguinte me encho de compaixão e culpa.

Mas deixemos o Seu Pato pra lá. Chegamos atrasados por causa de Seu Pato e foi o dia inteiro de discursos e apresentações dos poderosos chefões. Nada que me interessasse muito. Era uma conferência de sales e só convidaram o marketing porque estamos passando por um período de aproximação, de integração, de empresa como um todo, de unidade. Going for Growth! Muita, muita bullshit, minha gente. Mas eu sabia que seria assim. Evento corporativo, mil promessas, gráficos e metas e uma ou outra piadinha para quebrar e acordar a galera. À noite, jantar de gala. Salesmen que há muito não viam mulher além da esposa. Foi meio nojento. Muita bebida, um casino, prêmios, música e eu me enchi o saco e fui deitar meia-noite e meia. No dia seguinte, claro, era a única relativamente disposta a ouvir a segunda maratona de apresentações.

Foi bem cansativo. Saímos de Birmingham às 14h e cheguei em casa só às 19h. E aí eu cheguei, e eu tomei banho, e eu desarrumei as malas, e depois finalmente eu matei saudades.

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Hoje é dia de festa. Entre os anfitriões, eu. Obviamente não vai ser aqui em casa. Logo mais estou saindo para ajudar na arrumação. Levarei comigo as garrafas de champagne que ganhei dos fornecedores no natal. Tudo coisa fina. Que eu nunca vou beber.

Tuesday, January 16, 2007

meu niver

Fotos do eventoaaaaammm do dia 11/1, no Larrik, aqui.

a day before I leave again

O Mike foi embora de casa. Fiquei dividida. Adorava alguém chorando de emoção sempre que eu chegava. Como se fosse a primeira vez. Como se eu fosse uma ídola. É adorável.

Mas foi-se o fedor e acredito que me acostumarei com a falta de festa nas minhas chegadas. Bem mais que com fedor diário. Don’t get me wrong, a experiência de ter um cão em casa foi boa, mas deu. Mike foi na hora certa. Deixará saudades. E pulgas, talvez.

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Não estou com a menor vontade de ir nessa maldita conferência. Atrapalhou meus planos. Não sou muito de planejar, não porque não gosto, mas porque não sei. Mas as poucas vezes que planejo, gosto que dê certo. E dessa vez não vai dar. Mas tudo bem. Nenhum estrago maior. Só birra de ser contrariada. Nem sei do que estou reclamando. Vou ficar num puta hotel com mil piscinas e spas, num quarto só pra mim, refeições pagas etc. Mas acho que nem terei tempo pra aproveitar isso tudo. Amanhã, 6 e meia da manhã, lá vou eu, rumo a Birmingham, o ralo da Inglaterra.

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Meu regime continua muito bem, obrigada. Calculo que tenha perdido mais de um quilo. Mas que é difícil comer coisas leves no frio, meus amigos, isso é.

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What comes is better than what came before.

Sunday, January 14, 2007

sol frio de domingo

Eu não sei para onde vou e nem onde quero chegar. Mas eu sei que estou um passo a mais na direção de onde sempre quis estar.

E todo mundo já entendeu que um dia a mais é um a menos. Mas pouca gente entendeu que o MESMO dia de uma vida já curta está fadado a se repertir para toda a eternidade. E é isso que deveria guiar escolhas. É isso o que deveria libertar, e fazer entender que por que sempre pensamos em como é a morte mas poucas vezes nos perguntamos como é o nascimento e o que o antecedeu.

Eu não sei se Nietzsche deveria deprimir. Para mim, faz um bem danado. Vai ver eu não entendo direito.

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Ontem foi a segunda comemoração do meu niver. Adooooro ser mimada. E chega porque estou saindo porque o sol saiu. Não é sempre, então hei que aproveitar.

Saturday, January 13, 2007

vejam

Fotos do Brasil já foram uploadadas no meu Flickr!

Friday, January 12, 2007

O Primeiro Dia (do resto ou a ser repetido)

Foi bom. Faltou gente mas foi bom. Aniversário que pelo menos não passou em branco. E que ainda não acabou em comemorações, apesar de ter acabado cronologicamente.

Nunca fui muito fã de comemorar meu aniversário porque odiava o antes, a expectativa, a possibilidade de não ir ninguém. Odiava ter que assumir uma pose blasé para algo que eu acho importante não por ser meu aniversário, mas ser o dia que escolhi para ver meus amigos todos, ou quase todos. E de repente o dia que eu escolhi poderia não ser o dia que eles escolheram, e eu poderia ficar chutando pedrinhas.

E é chato, porque sou mundana e rasa muitas vezes, sim. Isso nunca aconteceu, mas sempre achei possível, já que aniversário em férias escolares é fadado ao esquecimento. Mas mesmo não acontecendo, mesmo assim continuo achando que pode acontecer. E no final é bom porque sempre me surpreendo.

E fui dormir às 2 da manhã e por isso perdi o fio da meada e não vou me preocupar em achá-lo.

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Aos poucos os dias parecem semanas. Comecei a trabalhar na terça, mas parece que já estou de volta há meses. Brasil já está lá longe, e só o que realmente importa desponta na memória.

Mas se fosse diferente, seria bem mais difícil.

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Nada de especial planejado esse fim de semana. Festa no sábado, o segundo round de comemorações do meu aniversário. Hoje quero saber de cama bem cedo. Um filminho antes também, só para ir me acostumando com a horizontal. Um chá de camomila para ficar calminha e, se não adiantar, uma gotícula de Rivotril para alegrar um pouco essa cara cansada.

Porque três dias dormindo mal, no meu caso, não é apenas doloroso. É também perigoso.

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Realmente, é mais efetivo pensar que tudo o que faço está condenado a se repetir ad infinitum, do que pensar que hoje pode ser o último dia da minha vida. O que vocês acham, hein, hein?! Nietzsche ou Buda? Quero saber.

Wednesday, January 10, 2007

down that road

Eu hoje fingi que não percebi que vão fazer uma certa festança para mim no escritório.
Eu tô morrendo de sono.
Eu tive insônia depois de anos sem nem lembrar como era por causa das *dorgas*.
Eu assisti a O Primeiro Dia, em vez de ir nadar, porque está sono e está frio.
Eu quase chorei.
Eu acho que o mundo está sono. Não só eu. O mundo não, mas Londres está sono.
Eu logo mais faço anos. 27, idade besta.
Eu não gosto de ver as fotos da festa de natal da empresa penduradas na parede do escritório.
Eu me comprei um sobretudo porque o meu tava rasgado.
Eu também me comprei calças sociais já que as minhas de trabalho também estão rasgadas.
Eu ainda preciso comprar outras coisas para virar mocinha decente.
Eu nunca vou ser mocinha decente se pretendo continuar com uma conta bancária positiva.
Eu acho que ser mocinha é uma merda gigante.
Eu estou mocinha, no sentido menstruado do termo. E odiando.
Eu tive um começo de enxaqueca ontem, mas tomei remédio e passou.
Eu recebi uma mensagem de texto amadíssima no meio da minha insônia.
Eu aí não consegui dormir mesmo.
Eu amei.
Eu queria ter dormido, no entanto.
Eu estou um caco.
Eu vou odiar esse texto amanhã.
Eu queria que o iTunes adivinhasse o que quero ouvir.
Eu quero que a Banda Eva se exploda.
Eu queria nunca mais ser interrompida quando escrevo.
Eu queria que alguém estivesse aqui comigo agora.
Eu tô com saudade.
Eu quero bochechas além das minhas.
Eu quero parar de querer tudo, também, porque cansa e dói e é pequeno.
Eu sou um monstrinho do bem.
Eu estou com medo, mas estou feliz. É possível?

Tuesday, January 09, 2007

London again

De volta a Londres, de volta ao trabalho, só com um bronzeado a mais que nem vai sobreviver a semana. Aproveitando o almoço, que está sendo brutamontemente deglutido, para postar uma palavrinha aos insistentes leitores que keep coming back for more.

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A viagem de volta foi tranqüila apesar de, mais uma vez, ficar no meio da fila do meio. Ao meu lado, por coincidência, sentou a Bel, uma menina que estudou no colégio comigo, um ano à frente. Sorte dela, já que morre de medo de avião e pode agarrar alguém conhecido em vez de um total estranho.

Deu tudo certo, mas balançou muito.

Cheguei em casa, sangue pisado nas mãos de carregar uma mala que pesava quase metade de mim. Ridículo, ridículo. Trouxe mais de dez livros. Um exagero. É que foi sobrando espaço e fui metendo. E teve também os presentinhos, néam? É que o senhor Rubenzão e o senhor Breuno, ávidos leitores deste espaço, me pediram Chocotone. E Chocotone é uma merda pra caber na mala. Mas eu trouxe. Chegou amassado mas sei que eles vão comer como se fosse o melhor chocotone do mundo. Ou apanham.

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Disseram aqui que emagreci no Brasil. Não quero saber. Estou de regime.

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É estranho vestir sobretudo bronzeada.

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Mil pepinos pra resolver néam? Mas ainda não discuti com ninguém! Consegui cancelar um cartão que só me dava problemas sem ter que gritar com o atendente! Estou satisfeita.

Agora vou lá que já tão me chamando. Não sei como ouvem o que falo. Juro. Depois tem mais.

Thursday, January 04, 2007

des-espero

Picking up, my friends, picking up. Tive uma virada ótima e tranqüila em São Sebastião, ao lado de minha Piu e binha bãe e seu marido. Aquela coisa bem família européia mesmo, de sair da praia antes dos fogos acabarem para não pegar trânsito e bêbados no caminho de volta.

Cabe acrescentar que não bebi, como de costume, e não caí, como de costume. Aliás inventei uma nova técnica para pararem de me encher para eu beber. Quando surgir a oportunidade vocês vão ver qual é.

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2007 então. Nenhuma resolução, nenhuma promessa, algumas vontades (que já estavam aqui antes e independentemente de qualquer passagem de ano) nenhuma olhada muito nostálgica para trás e nenhuma, nenhuma esperança pela frente. Cheguei à conclusão de que esperança é o que me mata. É o que me deixa infeliz. Esperar é sempre querer o que não se tem e, uma vez conquistada, deixa de ser esperança, e fica o buraco, e, sendo um vício, está fadada a voltar, como tapa-buraco, cada vez apontando uma direção diferente e me fazendo acreditar que nunca vou ser o que quero ser. Que felicidade é o que está pendurado nas pálpebras do eterno dia seguinte.

Anotem aí: 2007 vai ser o ano do desespero. O ano em que não espero nada. Esta pode ser a chave, desconfio. Ou então tenho lido os filósofos errados. Mas duvido, duvido. Estou convencida de que a fonte das minhas angústias está nas esperas que o tempo todo mudam de direção. Sou cega demais para ficar feliz com o que aspirei e conquistei e pronto. O negócio é não aspirar nada. O que acontecer vai ser aproveitado aqui e agora. O ano do desespero. Não vou esperar muito de mim, nem dos outros.

E vou acreditar que felicidade mesmo é só o que posso pegar. Serei justa comigo. Tudo o que voa eu posso até achar bonito, mas não me motivo a ir atrás. Vai que eu despenco lá de cima? Não, não vale mais a pena. Já valeu. Passei dessa fase.

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Domingo volto para Londres. Parece que foi ontem que saí de lá, ao mesmo tempo estou com umas saudades loucas de algumas pessoas e situações. Estou com saudade dos fins de semana abarrotados de programas, e de começar a semana já cansada, mas feliz. E de recomeçar as coisas que larguei pela metade. Até do trabalho ta dando saudadinha. Sinal de que descansei bastante aqui.

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Tá, tá, minha vida não é só flores e eu não sou tão segura assim. No final do mês terei que fazer uma pequena intervenção médica. Estou tranqüila (o caralho), confiante (o caralho) e sorridente (o caralho). Sei que não é nada do outro mundo mas não consigo não ficar ansiosa. Que maldição! Vou ter que me dopar ou corro o risco de pôr enfermeiras pra correr no hospital.

Na verdade, bem verdade, só preciso de um bom colo. É uma merda passar por essas longe da família. Mais uma que vou ter que superar. C’est la vie.