Sunday, January 27, 2008

lista de livros 2007

Aqui vai a já tradicional lista anual dos livros que li e, em negrito, os top 3.

1) O silêncio da Chuva – Luiz Aldredo Garcia-Roza – livro leve e indolor. Também não deixa grandes vestígios na memória. Recomendável para uma tarde de chuva na praia.

2) The Line of Beauty – Alan Hollinhurst – overestimated. Muita gente ama. Eu achei ok. Um desses page turners que fecha e não é mais aberto. Favorito do público gay.

3) Não Espere Pelo Epitáfio – Mario Sergio Cortella – Surpreendentemente bom. Não punha muita fé no autor, professor de teologia da PUC. Mero preconceito meu. Ele é bom e inspirador.
4) Dubliners – James Joyce – Gostei, mas deveria ter estudado algo de Joyce antes. Ele é difícil, hermético, um ótimo aviso de que não estou pronta para Ulysses ainda. O foda de Joyce é que você invariavelmente se sente burro.

5) Diário de Um Magro – Mario Prata – divertidinho. Para ler na praia num dia de sol e depois dar para outra pessoa ler.

6) Fear and Loathing in Las Vegas – Hunter Thompson – Jornalismo gonzo sujinho, cruzinho. É ok, mas acho que não é o melhor de Thompson. Lerei The Rum Diary em 2008 para comparar e te falo.

7) Ela e Outras Histórias – Rubem Fonseca – terceiro colocado, esse livro me prendeu em vários aspectos. Não só a leitura solta te prende, quanto os personagens ambíguos e profundos de Fonseca apresentam semelhança quase desconcertante com atos censuráveis que muitas de nós, mulheres, faríamos se necessário. Leiam, leiam, leiam.

8) Longe do Abrigo – David Lodge – bom livro, quase pedagógico sem ser mala, sobre a vida de americanos na Alemanha pós-Guerra, e da situação na Inglaterra. Um paradoxo lindo sobre a vida sofrida por que passaram os ingleses (que “ganharam” a Guerra) e a vida divertida e sofisticada dos americanos que continuaram na derrotada Alemanha. Lodge costuma escrever sobre ciência. Aqui ele mostrou que é mais escritor que cientista.

9) The Time Traveller’s Wife – Audrey Niffenegger – Empatado em primeiro. Um livro que tem o dom de misturar ficção científica bem leve com romance bem contado. Quase um sci-fi de saias. Espetacular. E escrito por uma escritora que escreve com o estômago. Não podia pedir mais nada. Mas tenha um kleenex em mãos.

10) As Vidas de Chico Xavier – Marcel Souto Maior – Minha tentativa de entender mais o espiritismo. Gostei bastante e entendo mais. Também fiquei surpresa com o dom do Chico. Mas, convenhamos, não é material literário, e esta é uma lista literária.

11) The God’s Delusion – Richard Dawkins – Chato. Chato, chato, chato. O tempo todo o mané podando a religião. Não sou religiosa mas não vejo graça em quem passa mais de 400 páginas tentando justificar o fato de não ter fé menosprezando aqueles que têm. Não passei de 200 páginas.

12) The Kite Runner – Khaled Hosseini – O outro primeiro lugar. Muita gente leu esse livro e tenho certeza de que se sente redimido ao ver que essa pérola também está no topo da minha lista. Leiam antes de ver o filme. Sério. Ainda não vi o filme, mas por experiência própria, a ordem é importante. Depois venha conversar.

13) Freedom in Exile – HH The Dalai Lama – mais político do que eu esperava, mas ainda assim muito bom para quem tem interesse em entender o Tibet.

14) Travels with Charley – John Steinbeck – Sempre Steinbeck. Relatos de sua viagem ao redor dos EUA em um caminhão chamado Roncinante. Com Charley, seu poodle gigante e francês. Leia para aprender travel writing.

15) O Vendedor de Histórias – Jostein Gaarder – Surpresa boa. Minha mãe achou esse livro no setor infanto-juvenil e, acreditem, ele aborda temas que a maioria dos livros adultos não ousa. Muito bom e criativo.

16) A Spot of Bother – Mark Huddon – Mesmo autor de The Curious Incident… um livro que fez sucesso aqui. Ainda fico com o primeiro. De longe.

17) As Pequenas Memórias – José Saramago – ah, mas será que nunca mais o Saramago vai escrever algo que chegue aos pés de Ensaio Sobre a Cegueira? Aceito sugestões.

Thursday, January 24, 2008

ainda aqui

Passou meu aniversário, fiquei doente, melhorei, (quase) decidimos realmente voltar ao Brasil, comprei minha passagem para ir em abril de visita. Não me peçam encomendas de cá para lá pelo amor de alá porque estarei voltando com parte das coisas que quero deixar no Brasil. Encomendas do Brasil pro UK, beleza, within reason.

E assisti filmes, e estou viciada em Desperate Housewives, e semana que vem recomeça Lost, e hoje começo Yoga. Programa de inverno, meus caros. Because one needs to look forward to something.

E, sei lá, passou tempo demais desde meu último post. Meio que esqueci de muita coisa. Não esqueci que meu amor me levou pra ver o Cirque du Soleil no meu aniversário - isso não esqueci. Também não me esqueci das mensagens amadas. E infelizmente não esqueci daqueles que esqueceram! Acho que é por isso que não gosto muito do meu aniversário. É sempre motivo para frustração. Acho que eu devo valorizar demais a data. É tempo de let it go. Em 2009, em 2009.

Ah, e ultimamente tenho tido uma vontade de abrir meu próprio negócio... Só não sei que negócio. Mas é que fazer dinheiro pros outros cansa um pouquinho. Vontade rápida, já já passa. Se não passar, em breve aqui um convite para a inauguração de sabe deus o quê.

Sunday, January 13, 2008

está chegando a hora?

Devagar para eu não entrar em pânico – e nem vocês. Algumas das decisões que eu sabia que deveriam ser tomadas em 2008 estão tomando forma precocemente. Ainda não sei dar estimativa, porcentagem, nada. Sei que é PROVÁVEL que este ano eu volte para a terrinha.

Isso faz com que meus amigos que moram no Brasil e lêem este blog:

a) fiquem felizes porque há boas chances e eu voltar
b) fiquem putos porque tiveram 4 anos para virem para Londres com hospedagem gratuita e companhia de ouro, e desperdiçaram
c) estejam pouco se fodendo porque nem gostavam tanto assim de mim
d) estão genuinamente achando que estou fazendo merda de voltar para o buraco.

A verdade é a seguinte: Londres cansou um pouco. Não me entendam errado – Londres sera por muito tempo minha cidade preferida ever e precisará de muito para ser desbacada. Só que cansa também. Cansa o frio. Cansa a liquidez das relações. Cansa as despedidas que acontecem sem que você vá a lugar nenhum. Todo mundo indo e vindo o tempo todo. Cansa a falta de frutas tropicais. Cansa a falta de luz e vontade de nadar. Cansa achar que sou sempre um pouco inferior porque inglês não é minha primeira lingual, apesar de muitos dizerem que isso não é realmente um problema. Cansa estar longed as pessoas mais importantes da minha vida e, acima de tudo, cansa pensar que a pessoa mais importante na minha vida no último ano e pouco poderia estar longe de mim.

E nessas horas parece que não importa que eu more num país que me paga decentemente e que me permite viver bem e viajar pelo mundo. Parece não importar que no Brasil o pouco dinheiro que te sobre após as taxas acaba, vira e mexe, no bolso de outro ladrão. Lembro que ao sair do Brasil o que mais me impulsionou foi a vontade de sair do buraco e fazer a vida num país que me valorizasse. No Brasil sempre me senti podada, e pode ser que isso volte a acontecer. Pode ser. Mas as circunstâncias são outras. Antes, eu não tinha um real motivo para voltar para o Brasil; hoje eu tenho. E é isso que me faz ver 2008 como um ano que promete. Se for para ser, voltarei ao Brasil com gusto. Sorriso de orelha a orelha e vontade geuína de ver as coisas funcionando, na minha vida e no país.

E se não der certo, well, se não der certo de novo, nada, por enquanto, me segura em lugar algum.

E chega de cansaço. Londres é minha cidade preferida, mas ela me deixa meio envelhecida. Quero recomeçar restless. Vamos ver o que os ventos trazem.

Wednesday, January 02, 2008

'moaning' no primeiro post do ano

Eu tinha esquecido por quê não gostava de escrever no blog pelo meu Mac e agora lembrei. O Word pra Mac é uma bosta, como tudo que a Microsoft faz pra Mac.

O ano mal começa e já destilo meu veneno e espalho meu mau humor. Ontem foi um dia beeem ruinzinho para ser o primeiro do ano. Uma dor de cabeça inexplicável para quem não bebe, um sono latente inexplicável para quem dorme muito, uma preguiça inexplicável para quem, ultimamente, não faz nada.

Aí acordei com a cabeça explodindo no meio da noite. Tomei remédio e acordei nova.

Ano novo foi muito gostoso. Não vi fogos apesar de eles estarem etourando diante do meu nariz. Pelo menos não cuspi fogo com pessoas pisando no meu pé. Fiquei no lado de trás do barco, onde nada se via mas pelo menos se respirava. Foi gostoso. Só a gente e o reflexo dos fogos nas janelas.

Mais uma vez, não fiz promessa de ano novo. Não porque tenho algo contra, mas porque sempre fico meio confusa e acabo não decidindo se a promessa é cumprível ou não. Tenho vontades, e sei que ficarei feliz se x ou y acontecerem, mas não vou prometer. Prometer é muita coisa para alguém que se leva a sério. Parece que não, que o tempo todo tiro sarro de mim mesma, mas isso não passa de uma defesa para não encarar o sério e certo. Riri de si próprio é o gesto mais sério que se pode ter. Porque se levar a sério o tempo todo, meus amigos, isso sim é que é piada.

E lá vai mais um post sem pé mas com cabeça.