Saturday, April 23, 2005

euphoria

Não preciso explicar o sumiço, preciso? Babãe is inda house. E estou tentando, mas não consigo desgrudar dela. Nem estou tentando real hard, mas já sei que vai ser difícil dizedr adeus – e eu dispenso comentários do tipo, pô, Bi, não pensa nisso agora, aproveite o presente, curta o momento. Enfiem o carpe diem do rabo e rodem.

Amanhã passaremos o dia em Brighton e segunda voamos para Málaga, na Espanha. À frente a árdua tarefa de desbravar a costa sul da Espanha e Sevilha e Granada. Quem sabe Córdoba, e, quem sabe ainda, Ibiza.

Também ignorarei sumariamente pedidos de atualização do blog enquanto estiver na Espanha, though levarei meu notebook para batucar se me aprouver. Então não esperem grandes coisas aqui até 8 de maio (depois disso, claro, esperem).

Ah, sim, E amanhã, maybe maybe, babãe conhecerá o famigerado Chris.

Me desejem tudo de bom? Brigada!

Monday, April 18, 2005

raindrops stop falling on my head - little by little

Depois de amanhã eu saio ao meio-dia do trabalho, pego o *tubo*, desço em Hammersmith, onde uncle John estará me esperando de carro. De lá vamos a Heathrow. Preciso continuar?

Meu coração acelera só de pensar. Estarei cuddling babãe em menos de 48 horas. Vocês sabem o que são 48 horas para quem está longe há 10 meses? Pois erraram. 48 horas é muito tempo. Tanto tempo que a chegada da minha mãe parece estar muito longe ainda. Só vou entender quando sentar no carro do uncle John a caminho de Heathrow. O mesmo banco e o mesmo caminho de quando aqui cheguei há 10 meses. Céus, como tudo mudou. Tenho até medo de ter mudado demais. De estar madura demais, vivida demais, mundana demais. Medo de estar mais massa, menos grão.

Medo bobo. Não importa quanto tempo eu viva, e quantas coisas eu viva, e quantos sonhos realize e realizo todo dia, e quandas decepções enfrente; nada vai conseguir um dia realmente varrer meu medo. Ultimamente é medo de enlouquecer. De sair dançando tango sozinha pelas ruas. De chorar ao tropeçar, de rir ao me esfacelar. Não precisa ter medo, eu sei. Mas quem disse que minha cabeça segue a lógica precisa? Vocês não sabem, mas há foguetes de energia saindo da minha cabeça e me impedindo de ir junto além. Para algum lugar tem que ir essa energia. Para algum lugar que não meu estômago. Porque energia no estômago só infla, só dói, só panica.

Isso tudo é o que estou deixando escapulir por entre meus dedos agora, sem o menor controle, sem a menor censura, sem medo de realmente enlouquecer, pelo menos uma vez em todo esse dia, em todos os dias um pouquinho. Isso tudo porque sei que logo mais não preciso ser sã o tempo todo. Não preciso ter o equilíbrio que não tenho; não preciso ter a coerência que não tenho; não preciso ter a mente serena que não tenho. Posso ser o que sou – algo novo para todo mundo: para mim, para minha mãe, para meus amigos. Eu mudei e ainda não sei no que me transformei. Fiz um corte de cabelo de olhos fechados e descobri que não tem espelho na sala. Então melhor assim. Se eu não consigo ver meu cabelo, que ele pareça uma galinha d’angola sobre minha cabeça - já não ligo. Viram só? É aí que começa a loucura. Quando acabam-se os espelhos e nada mais importa. O mundo te vê mas você não percebe. E sai dançando tango na chuva, chorando nos tropeços; rindo nas quedas duras.

Agora que ela está chegando, a saudade parece uma faca cortando aos poucos um dedo já cortado. Agora estou me permitindo sentir um mundo de sentimentos. Estava tudo aqui. Eu é que, na falta de espelhos, não pude ver.

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Fim de semana muito bom. Sexta aquele happy hour básico com o pessoal do trabalho. Sábado dia molenga com Chris. Foi bom. Estamos bem. Dia 14, aniversário do ser mais amado desse mundo cujo nome é desnecessário citar, completei 4 meses de namoro. Ele me veio discreto, quase tímido, quase sapeca, me puxou num canto quanto estávamos no happy hour e falou, babe, yesterday, four months ago I was holding you for the first time. E sorriu, e eu nem lembrei da data, afinal era o aniversário do ser mais amado desse mundo cujo nome é desnecessário citar. Mas ele lembrou, e me lembrou, todo tímido. E me lembrou também que estamos bem. Um namoro que começou morno, esfriou e finalmente esquentou. Acho que nunca estivemos tão bem. Acho que nunca tive um namoro assim. Não apostava minha calcinha mais encardida nesse relacionamento. Continuo meio arredia, um pé na frente e outro atrás, mas aos poucos estou deixando ele me mostrar seus encantos. E os estou descobrindo mais numerosos do que pensei. Apostei no azarão achando que a perda era inevitável. Por enquanto, meu cavalo loiro continua firme na disputa. Não em primeiro, mas não em último. And that's enough for the time being.

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Sábado à noite fui na Lover Lounge com Frufru. Uma das casas noturnas mais bonitinhas a que já fui. Endereço marcado no lado mais gostoso da minha cabeça para levar Piupiu.

Domingo acordei com um barulho de torcida e lembrei, ah, sim, a maratona. A maratona de Londres. Ela passou aqui do lado de casa. O trio parada dura, claro, saiu para marcar presença. Entre as muitas cenas cômicas, essa que vos fala deu um tapão num balão e este bateu com tudo na cara de um gatinho. Para melhorar, acesso de riso, daqueles bem eu, boca bem aberta, todos os dentes querendo aparecer. O horror, o horror.

À tarde fomos a Camdem Town, encontramos as fofas da Bru e da Fla (irmã da Bru), coisinhazinhas fofas demais, pouco conhecidas mas muy queridas já. Passeamos, comprei apetrechos fashion, e terminamos a noite no Cubans, um bar no coração de Camdemlock. Fiquei pouco, mas o suficiente para conhecer o novo namorado de Bobby. Em alguns minutos, talvez segundos, já tinha feito meu juízo. Ele é um amor. Bondade genuina. Ele não vai decepcionar minha amiga, tão decepcionada já.

E s’embora porque dia seguinte, hoje, foi labuta braba. 8-18 com um pit stop para o almoço, em que dei mais uma das minhas aulas de “espanhol”. Acho melhor eu começar a estudar, preparar umas aulas, não sei. Algo tem que ser feito, senão bem em breve ele descobre. Enquanto isso, almuerzo de gratis na companhia de um guapo. Reclamo não.

Wednesday, April 13, 2005

hola, que tal?

Se eu disser que o Tony Blair foi hoje no prédio em que trabalho vocês acreditam? Vai procurar nos jornais. Mermaid House. Foi lá que rolou a convenção do Labour Party. E é lá que fica meu glorioso trampo.

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Estranho o que tem acontecido. Depois que terminei meia-bocamente o namoro com o Chris – e fui sumariamente ignorada em minha decisão de terminar – comecei a, de leve, curti-lo novamente. Nada de me derreter de amor. Mas tá bem gostoso. Chegou no equilíbrio que eu queria. Só não sei se é o que ele queria. Mas chegar ao meu ideal já é difícil, imagina se eu for tentar coordenar os dois. Não, né?

Falando em equilíbrio, quase que deixo cair a máscara na aula de “espanhol” que estou dando. Me enrolei numa ou noutra palavrinha. Mas acho que o gatinho não percebeu. Como diz meu amigo Marius, quem sabe até o final do mês não estou ensinando o besa me mucho?

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Ba-nhê, vem logo, caçamba! Uma semaninha só.

Monday, April 11, 2005

on my way up

E, against all odds, meu cavalo pegou segundo lugar e embolsei £10. Incrivel. Eu, que nem ia me incomodar em apostar em nada e soh fui levada a faze-lo por minhas colegas de trabalho, de repente tive uma sorte, assim, pequena, secreta, que nao vai me deixar mais rica, mas foi uma sortinhazinha. Que mais que qualquer outra coisa, mostrou que quando todos os odds apontam para a descida, voce pode, justamente indo contra esses mesmos odds, subir. De leve. Porque nada que se faz rapido eh bem aproveitado.

Fim de semana paz. Daqueles bem Biba. Sexta foi mais agitada. Sai do trabalho e fui no Booksellers, um pub do lado do trabalho, comemorar a chegada de um cara novo (deveras gato) e aniversario de uma menina. Fru foi para la depois e Chris tambem, mas ficou pouco porque tinha as “army stuff” aa frente.

O que na verdade me fez ainda mais serelepe. Nao adianto nada, nem dou falsos statements. Soh digo uma coisa: hoje na hora do almoço vou dar aula de espanhol (!) para um gatinho. Soh eu e ele. Ele paga o almoço como retribuiçao aa “aula”.

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O passado estah cada vez mais passado na minha vida. Apos 10 meses de Inglaterra consigo ver claramente quais montanhas continuam visiveis acima das nuvens. Nao sao muitas, mas sao as que eu achei que estariam la. Eu sempre fui uma pessoa muito ligada aos meus amigos e aos namorados que tive. Muitas vezes sacrificava programas de familia para farrear com amigos, namorado, ou ateh para fazer outros programas que me soassem mais atraentes – uma travessia, um dia num sitio, coisas assim.

Claro que todos os momentos que ESCOLHI viver foram especiais. Mas aqui, 10 meses longe de casa, uma das conclusoes mais obvias, mais gritantes, eh do quanto sinto falta da minha familia. Mais que qualquer outra coisa. Mais que qualquer situaçao, penso nas que passei com quem me viu crescer. Uma conclusao linda para se chegar aos 25 anos de idade.

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Sabado fui para meu primeiro pic-nic do ano com a Fru. Saimos de casa umas 11h da manha, cangas e kit pic-nic na mala, entramos no metro e fomos ateeeeeeeh Richmond Park, que fica na PQP, zona 4, longe, muito longe. A area eh linda, posh ateh o pescoço. Familias felizes, cachorros comportados e cheirosos, mocinhas de bunda e nariz empinados, tudo muito filme. Escolhemos um cantinho bem bucolico para nos estarracarmos. Sacamos nossos lanchinhos, tudo comprado do posh Waitrose, e em poucos minutos começamos a nos arrepiar. A principio secreta, em seguida, abertamente. “Poxa, ta esfriando, neh?” “Eh, eh essa porra de vento” “Eh, mas olha, o sol ta com cara de que vai voltar” “Tah sim, olha la, voltou… e ja foi embora”

Aceleramos o passo da mastigaçao. Logo engoliamos nacos inteiros de sanduiche natural. Desencanamos da sobremesa. Arrumamos tudo e fomos correndo para o Coffee Shop. E la ficamos por horas a fio, conversando, coladas num aquecedor, degustando os docinhos que deveriam ter sido apreciados ao ar livre. Primeiro pic-nic do ano, um fracasso. Mas o proximo ja promete. O tempo estah esquentando. Ha que se ter feh.

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Nove dias apenas. Babae, to te esperando… Eu, Londres e o sol. E depois Brighton e depois a Espanha. Todo o sul, toda a costa, toda com babae.

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Lendo Oracle Night, do Paul Auster. PUTA livro.

Friday, April 08, 2005

against all odds

Sim, eu sei. Nao precisa reclamar. A verdade eh que fiquei sem computador essa semana toda. Por que? Porque, bom, porque quando estou no Brasil tenho minha Piu pra derrubar tudo em tudo. E para quando estou aqui, Deus, aquele ser fofo e traquinas, colocou minha Bobby. Ela derramou cha no meu laptop. Ela diz que foram 10mL. Eu desconfio de sua precisao matematica. Porque 10mL nao causaria o estrago que causou. De qualquer forma, o computer estah de volta, inteiro, apos uma apanhada de £150 para consertar uma peça ligada aa tela. Uma bosta grande e fedida, porque odeio ver alguem sem dinheiro como a Bobby ter que consertar algo caro (que me fez virar alguem sem dinheiro tambem, pelo menos ateh o fim desse mes).

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Alias, façavor, seu deus, de melhorar um pouco as coisas aqui pro meu lado. Deu, neh? Ta perdendo a graça.

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12 dias apenas. 12 dias para eu estar jogada nos braços de babae. Rapaz, achei que nao fosse chegar nunca.

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Pedi upgrade da minha conta bancaria e ganhei. Fazia algum tempo que as coisas nao transcorriam tao smoothly. Foi rapido, facil e indolor. Quer dizer, agora toca transferir todas as minhas contas que estao em deposito automatico para a nova conta. Mas pelo menos meu novo gerente eh um bibelo (apesar de se chamar Lee, nome com formosura inversamente proporcional aa pessoa).

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Para o fim de semana os planos eram: passar o dia em Oxford com Bobby e Fru ou passar o dia em Stone Henge com Bobby e Fru ou passar o dia em Cambridge com Bobby e Fru ou passar o dia em Richmond com Bobby e Fru. Agora, olhando pela janela e vendo a previsao para amanha, os planos passaram a ser: passar o dia em Londres com Bobby e Fru. Em casa. Ou enfurnada em algum lugar fechado. Porque a temperatura maxima pode ser de generosos 7C, mas a sensaçao termica eh de 0C. Agradabilissimo.

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Acabo de apostar no Grand National Sweepstake, a maior corrida de cavalos que acontece todo ano na Inglaterra. Meu cavalo eh o Royal Auclair, numero 2, e as odds sao de 1/25. Nao eh o melhor, mas as chances sao grandes. Apostei £1 e, se meu cavalo pegar primeiro lugar, recebo £24. Amanha, na BBC1, aas 15h locais. Porque, apesar de tanto sangue ultimamente, eu ainda nao desisti de me dar bem.

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Serias chances de aprontarmos algo para o feriado que vai ter no fim de maio. Algo bem aprontado. Mas soh revelo aqui quando de fato acontecer. To cansada de uruca virtual.

Friday, April 01, 2005

façam alguma coisa, só não me chamem para fazer também

Acabo de descobrir a solução para parte de minhas aflições. De agora em diante sou Verdana roxa. Aboli Times New Roman do meu processo criativo. Serifas só fazem doer a vista, mentem inescrupulosamente todos os jornalistas que um dia me disseram que serifas arredondam o texto. Batatada das grandes. E estou pensando seriamente em adotar o itálico para sempre também. Você há que concordar que um cursor deitadinho é menos ameaçador do que o empinado. De repente acabando o texto eu volto a pô-lo em pé. Enquanto crio, ele tem que se ajoelhar mesmo. Que é para eu caçar piolhos.

Mas a merda é que hoje tirei o dia para ler textos bons. Toda vez que tentava escapar do trabalho eu caia numa homepage maravilhosamente escrita por alguém que eu não conheço. E olha que isso é difícil. Difícil cyberdespencar em algo prestável hoje em dia. E de repente senti aquela urgência formigando os órgãos mais informigáveis. Quase uma vida surgindo de dentro do meu umbigo, uma vida nova crescendo dentro de mim. E não estou grávida, não, não estou – mas tenho sonhado deveras com o tópico.

Ih, fiz aquilo que sempre faço. Comecei sem saber onde chegar. Como meus sonhos. Tenho certeza que meus sonhos vão se sucedendo a esmo, minha cabeça desesperada atrás da próxima imagem, do próximo quadrinho, e como vai tudo muito rápido, sai aquela coisa Miró cuja interpretação até valeria o custo/benefício, não fosse o denominador tão doído antes de fazer o Bem. Preguiçaa de doer neste momento. Fiz de novo. Não tenho mais o que escrever, really. Muitas palavras me vêm em inglês e juro para você que tô achando isso um saco. Pareço uma adolescente com seu All Star, e seu chiclete Bubbaloo, e seu Walkman e tudo aquilo de que uma adolescente precisa desesperadamente para ficar em paz. Odeio esses meus tropeços. As palavras antes fluiam como cobra em terra molhada. Quase faziam parte do cenário, da minha existência, vocês sabem, eu respirava palavras. Continuo assim. Mas agora o ar é que tá diferente e tá rolando um estresse para me adaptar. Não quero ser uma dessas que fala meio português meio marguerita. Vinte e quatro anos, garota, vinte e quatro anos de portuga e nem um ainda de inglês. Te enxerga.

E hoje falei com o glorioso uncle John, que trabalha no nem tão glorioso The Times, no telefone:

- Fomos num pub chamado The Monks hoje, para rezar pelo Papa.
- Se eu não te conhecesse acharia que está falando sério.
- Mas estou. Rezamos para ele morrer na próxima meia hora e eu poder ir para casa logo.

Aiai.

Falando em morte, eu estava pensando tanto, mas tanto e tão de perto na morte do meu avô que cheguei a quase invejá-lo. Ele já sabe. Ele já está na frente de mim, de você, de todo esse monte de vivos rastejantes. Ele agora tem o Conhecimento. Aquele que eu e você secretamente sempre quisermos ter ainda vivos, mas sabemos ser impossível. O negócio é engolir a inveja do meu sábio avô e fazer coisas bem humanas. Comer salgadinhos bem crocantes, tomar banhos bem quentes, correr até torcer o pé, trepar até virar duas, nadar entre águas-vivas – porque morrer de medo é estar mais vivo que nunca –, sonhar, porque nada garante que há sonhos ou que se durma depois da morte – como achava meu avô quando estava aqui, entre os vivos rastejantes. De repente está ele agora a rir da própria bobagem, com a boca bem aberta. Ele pode, porque ele Sabe.

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Ouvindo agora:

“O meu caminho pelo mundo eu mesmo traço”, porque quando se está na puta que o pariu há dez meses, de repente voltamos a ouvir músicas que só se ouvia da porta para for a. Ninguém mais canta Aquele Abraço. Só gringaiada e expatriados. Me digam, amigos, o Chacrinha continua balançando a pança?


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Recebi o seguinte email hoje, HOJE, que é 1o de abril, só para eu ficar encafifada:

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Instructional Design Learning Specialist


Viajaram na mayo.