Wednesday, April 29, 2009

para um amigo

Bom, pela primeira vez desde que voltei, consegui sentir saudade de Londres. E ela veio fininha e doeu bem na altura da garganta. Foi numa situação bem trivial. Estava na Drogasil procurando uma palmilha pro meu calcanhar cansado e de repente me bateu um lance de estar na Boots, e aí veio, pela primeira vez e inconfundível, a saudade.

Também ando meio fora da casinha. Hoje não entendi quando o carinha do xerox não quis aceitar minha nota de £20.

Vai passar, vai melhorar, eu sei. Tô contando com o tempo, esse mala, para me aquietar. Saudade dos nossos papos... Você tá bem?

so why so sad

Things get clear when I feel free
When whatevers next comes easily
When gentle hands give life to me
When your eyes fill with tiny tears

When Im this still you are my life
When Im this still you are my life

So at ease in the midnight sky
So at ease in the midnight sky

But my insides will look like war
My insides will look like war

Paralysed except through my thought

So why so sad
You live and you love
So why so sad
Dependent on all above
Searching for the dead sea scrolls
So why, so why so sad

My smile as real as a hyenas
My smile as real as a hyenas

Burns an expressway to my skull
Burns an expressway to my skull

But Ill stick myself together again
Spirit so low that I no longer pretend

So why so sad
You live and you love
So why so sad
Dependent on all above
Searching for the dead sea scrolls
So why, so why so sad

So why so sad
You live and you love
So why so sad
Dependent on all above
Searching for the dead sea scrolls
So why, so why so sad
So why, so why so sad
So why, so why so sad
So why, so why so sad

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Sentiram o clima?

Tuesday, April 28, 2009

dazed and confused

É bem possível que dê errado, como sempre dá quando escrevo assim.

com sono com medo com vazio com o saco na lua

Mas pode ser que vire. Sei lá, já virou tantas vezes. É meio difícil não ter tempo para nada mesmo sem ter absolutamente nada com que ocupar o tempo. Faz a vida ficar meio besta, claro. Dormir é sempre bom, mas tem limite. Não pode ser lá tão bom, senão passa-se a vida meio cá meio lá. I'll sleep when I die, eu tento lembrar, mas comigo não funciona. Se quando eu morrer tudo o que eu fizer for dormir, não darei valor. Preciso dar valor agora e dormir, dormir, dormir. Gastar um pouco desse tempo que custa a passar.

E lembrar do passado também é bom. Gozado, achei que voltaria de Londres e continuaria com a cabeça lá, mas não. Londres passa pouco por minha cabeça. Estranho, né? Deve ser um mecanismo de defesa, minha cabeça me mostrando o caminho de volta, e de como voltar. As lembranças que tenho são bem mais do Brasil pré-2004. São boas as lembranças, claro. Mas não esqueçamos que saí do Brasil por um motivo bem claro, e não era porque o Brasil era tão bom que eu não aguentava. Não, não era.

**

E os choques de readaptação continuam. Outro dia fui a pé do Itaim Bibi até depois da Paulista, resolver meu CPF. Uma longa caminhada, para perder banha e deixar de perder reais. Caminhada esta totalmente vã. Cheguei lá e, apesar de todos os indicativos de que eu estava no lugar certo, a funcionária pública com batom nos dentes me disse que não, senhora, não é aqui, a senhora tem que ir no poupatempo. E eu saí de lá urrando aos transeuntes: MERDA DE PAÍS! And I so fucking meant it.

Como acertadamente disse o Alê, quando estou emputecida faço de tudo para ficar ainda mais. E foi o que fiz. Começou a chover e me recusei a subir num taxi ou num busão. Continuei caminhando, fiquei ensopada e caí no chão depois de escorregar num trecho cuidadosamente mais liso da calçada (porque a calçada nessa merda de cidade fica mudando tanto?)

No dia seguinte fui ao poupatempo da Sé e depois de umas QUATRO HORAS consegui o que queria. Boa, Brasil!

(Essa é pra nacionalistinha sem causa que deixou recado no outro post e claramente nunca morou fora pra saber quão atrás nós estamos.)

Wednesday, April 22, 2009

days between

Flutuando nós vamos. Dormindo muito, pensando pouco, o que podíamos adiantar, está adiantado. Fica apenas o que sempre vai ficar atrasado porque ninguém são consegue ter a vida resolvida e ficar bem sem pendências. E eu não sou louca, sou humana e adoro observar humanos. E somos todos assim, sim. Eu sei, eu vi, eu vivi.

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Acabo de voltar de mais uma temporada em Campinas. Cada vez que vou fico um pouquinho mais à vontade com a família e amigos do meu Pato. Mas a cidade em si, confesso, não é o que chamaria de ideal para o futuro de um casal após uma temporada de cinco anos em Londres. Sem querer soar nojenta, mas gente, sério, o que se vê pelas ruas de Campinas (gente acelerando e dando totó nos carros, pagode no último volume, muito corpo de fora e pouca cabeça dentro) não inspira muito A NIVEL DE cidade para se viver- vejam vem, não odeio Campinas, muito pelo contrário, sempre me divirto e muito quando vou, mas é pelas pessoas, não pelo lugar. Campinas fica no meio do caminho entre e com os problemas de uma cidade grande e de uma pequena. No mais, reconheço os inúmeros problemas de São Paulo, mas fico feliz que desde sempre sabíamos que se voltássemos para o Brasil, moraríamos em São Paulo.

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Sobre trabalho, estou, como disse, mais ou menos resolvida. Preciso ainda ver a proposta em papel para confirmar qualquer coisa. Enquanto isso não acontece, continuo metralhando. Com um pouco menos de efusão, mas continuo.

E, bom, não me estenderei porque não há muito para contar. Ainda preciso pegar a segunda via do meu CPF e tirar minha CNH. Todo o resto está de volta aos eixos - conceito meio abstrato em se tratando de Brasil,mas enfim, eixos.

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E pensei nesses últimos minutos que poderia usar todo esse meu tempo agora para escrever. E vou ali tentar, porra.

Friday, April 17, 2009

justificando

Gracinhas minhas, a ausência, eu juro, é justificada. Desde que voltei estou a mil resolvendo coisas e procurando soluções. Muitas das pendências pequenas já foram resolvidas, faltam as grandes. O emprego parece que também já foi resolvido. Falta casa. Mergulharei em mais um período de procuras. Mas sem reclamar muito que ver casa é legal, gente.

Ainda não deu tempo de sentir saudade de Londres, to be honest. Quero acertar minha vida aqui. Nossa vida aqui. De repente até vai ser mais fácil do que eu vinha prevendo, porque sou e sempre serei a rainha das previsões pessimistas. Não por ser uma pessoa pessimista, mas por gostar de me deparar com situações boas. Entendem?

Tuesday, April 07, 2009

lições de brasilidade

De todas as sensações, a exaustão. Não sei direito de quê, deve ser de pensar sem ter muito o que possa fazer. Esses primeiros dias de Brasil estão sendo mais difíceis do que eu havia estimado. Eu e minhas estimativas sempre erradas, vocês sabem.

Hoje, por exemplo, tive de ir ao banco e depois até o juízo eleitoral regularizar minha situação. Andava pela rua como se fosse uma total alien. Ainda resolvi me dar o choque cultural de caminhar pela rua em que tem feira de terça. Gente, por que tanta gritaria? Por que carrinhos de compras sobre os pés alheios? Por que tanta gente na barraca do pastel? Por que tudo tanto? Achei engraçado aquela zona, mas quando ri, o riso saiu nervoso. Preciso me reacostumar com o grito em tudo aqui.

E mesmo nas ruas mais calmas levei meus sustos. Olhei várias vezes pro lado errado da rua e ia atravessando. Muita gente me deu passagem, acho que menos por educação do que pela preguiça de me atropelar.

E quando cheguei no juízo eleitoral a mulher que me atendeu falava comigo pegando no meu braço, e eu achei lindo. Pra ela é normal, né? Pra mim é ainda estranho, mas bom. Por que não, certo? Eu senti que podia contar toda a minha angústia para ela, que não é pouca. Que estou louca atrás de um emprego depois de ter estourado big time meu budget pela Ásia. Que estranho muito ouvir português pelas ruas. Que estou achando difícil estar de novo na casa da mamãe, mesmo que temporariamente. Que estou adorando rever amigos e ver que nada, nada mudou. E que o tempo todo tropeço em pessoas conhecidas porque todo mundo está sempre nos mesmos lugares. Mas aí lembro que ela é uma funcionária pública, e se me toca com aparente afeto, é unicamente porque é brasileira.

E de tanta angústia ainda assim não estou sozinha. Sei que Alê deve estar passando por algo semelhante. Amanhã parto para Campinas e poderemos dividir sentimentos, em vez de multiplicá-los. Porque mais eu não aguento, não. Que saudade de Haad Yuan.

Thursday, April 02, 2009

back to London

25/3

E finalmente chegou o ultimo dia! Mas como soh voamos de noite, tinhamos o dia todo para passear.

Comecamos pela Orchard Road, a rua dos shoppings e da grana. Depois fomos para Clarke Quay, uma regiao a beira-rio toda chique, cheia de restaurantes e bares. Tudo colorido, limpo e vazio. Ja nao aguentavamos mais andar, entao resolvemos voltar pro hostel.

Chegamos la, brincamos um pouco na internet ateh bater fome. Fomos em uma food court do lado do hostel e comemos bem e barato, como a gente gosta!

Mais um pouco de hora e ja estava na hora de ir pro aeroporto.

Pegamos o metro e fomos. Paramos para um ultimo sorvete no Swensen's do aeroporto e seguimos para o embarque. Estranhamos colocar calca. Meu dedinho estranhou colocar tenis. Estavamos aliviados de nao precisar mais viajar, mas sabiamos que os proximos dias seriam extremamente corridos. As ferias acabaram mas a verdadeira aventura estah apenas comecando.