Saturday, January 31, 2009

receita de momo

Babae deu a entender que eu falava grego ao me referir a momo, o prato tipico nepalense. ENtao resolvi postar a receita aqui. Da o maior trabalho mas vale super a pena1

How to make Momo-cha?

Recipe by: Tulsi Regmi
History: This dish is native to the Himalayas of Nepal.
Description: Nepali Meat Dumplings
Serving Size: 2-3
Preparation Time: about 1 hour for assembly and 15 minutes for steaming

Amount/Measure/Ingredient

Dough for wrappers:

3 cups All-purpose flour
1 tablespoon oil
1 cup water
Pinch of salt

Filling:
1 lb. lean ground lamb or chicken
(Note that beef is not eaten in Nepal, the world's only Hindu Kingdom)
1 cup onion, finely chopped
1/2 cup green onion, finely chopped
1/2 cup cilantro, chopped
1 teaspoon garlic, minced
1 teaspoon fresh ginger, minced
1/2 teaspoon timur (Szechwan pepper)
1/2 teaspoon turmeric
1 teaspoon cumin powder
1 teaspoon coriander powder
1 teaspoon freshly ground black pepper
3 fresh red chilies, minced
1 cup Nepali cheese (homemade paneer), roughly crushed (optional)
2 tablespoon clarified butter
Salt to taste

Preparation:

Dough:
In a large bowl combine flour, oil, salt and water. Mix well, knead until the dough becomes homogeneous in texture, about 8-10 min. Cover and let stand for at least 30 min. Knead well again before making wrappers.

Filling:
In a large bowl combine all filling ingredients. Mix well, adjust for seasoning with salt and pepper. Cover and refrigerate for at
least an hour to allow all ingredients to impart their unique flavors. This also improves the consistency of the filling.

Assembly:
Give the dough a final knead. Prepare 1-in. dough balls. Take a ball, roll between your palms to spherical shape. Dust working board with dry flour. On the board gently flatten the ball with your palm to about 2-in circle. Make a few semi-flattened circles, cover with a bowl. Use a rolling pin to roll out each flattened circle into a wrapper. For well excecuted MOMOs, it is essential that the middle portion of the wrapper be slightly thicker than the edges to ensure the structural integrity of dumplings during packing and steaming. Hold the edges of the semi-flattened dough with one hand and with the other hand begin rolling the edges of the dough out, swirling a bit at a time. Continue until the wrapper attains 3-in diameter circular shape. Repeat with the remaining semi-flattened dough circles. Cover with bowl to prevent from drying. For packing hold wrapper on one palm, put one tablespoon of filling mixture and with the other hand bring all edges together to the center, making the pleats. Pinch and twist the pleats to ensure the absolute closure of the stuffed dumpling. This holds the key to good tasting, juicy dumplings. Heat up a steamer, oil the steamer rack well. This is critical because it will prevent dumplings from sticking. Arrange uncooked MOMOs in the steamer. Close the lid, and allow steaming until the dumplings are cooked through, about 10-15 min. Take the dumplings off the steamer, and immediately serve. To serve, arrange the cooked MOMOs on a plate dressed with tomato achar.

Voila! Vou tentar quando chegar no Brasil1

29/1 - Cachoeira e caverna, e mais soneca

Mais uma noite muito bem dormida e levantamos para um dia meio nublado, uma novidade desde que comecamos a viagem.

Resolvemos entao fazer uma caminhada ateh a Devis Falls, cachoeira com umas formacoes bem loucas, e a caverna logo ao lado cujo nome me foge e estou com preguica de achar no guia. Deveras divertido. Se tivessemos pilhas sobrando ou uma lanterna extra, teriamos ficado bem mais tempo explorando a caverna, mas com uma soh bateu aquele medo de dar algo errado com nossa unica lanterna e ficarmos desorientados ateh a morte no breu. A hipotese, claro, veio do Ale, o bom senso da nossa relacao. Eu nem cogitei o desastre que seria se ele derrubasse a lanterna e quebrasse. Realmente seria o caos.

Voltamos a peh e resolvemos almocar no hotel. Depois do almoco, a ja usual soneca e fomos acordados pelo som nao muito agradavel de 100 nepaleses. Na verdade devem ser uns 10, mas cada um grita como se fosse 10. Uma familia gigante, achamos, chegou no hotel. Acordamos, tomamos banho e fomos jantar no ja familiar Tibetan Kitchen. Foi uma delicia. A comida la eh deliciosa e o papo tambem estava otimo. Ficamos conversando sobre algumas coisas que queremos fazer quando voltarmos ao Brasil, e fiquei muito empolgada com as possibilidades. O Alexandre terminou a Tungba dele (procurem no Wikipedia, eh uma cerveja de millet quente, tomada meio que como se fosse chimarrao), tipica aqui do Nepal, e voltamos para o hotel. A familia nepalesa ainda urrava.

Friday, January 30, 2009

28/1 - Barquinho e soneca

O tempo estah passando rapido, assim como o dinheiro. Impressionante como se gasta mais do que se espera quando se estah plabejando a viagem. Nada alarmante, claro, mas nao estamos com dinheiro sobrando tambem. A ideia de fazer paragiding, ou de voltar de Pokhara para Kathmandu de aviao, por exemplo, estao se esvaindo e ficando “para nossa proxima visita ao Nepal”. Inclusive ja temos quase um roteiro tracado para nossa proxima vinda aa Asia, o que soa meio patetico a voces, mas eh muito confortante para nos, que nao temos tempo nem dinheiro para fazer tudo o que queremos.

Hoje o dia foi tranquilo como por muito tempo sonhavamos. Acordamos, tomamos um otimo cafeh no Student Restaurant (cafeh da manha completo para dois = R$6), e mudamos de hotel. Fomos para o Lakeside, nos instalamos e fomos alugar barquinho na lagoa, com dois remos. Depois de um desentendimento inicial sobre quem estava remando melhor (hahaha, pior eh que eh verdade), estacionamos numa prainha deserta quee dava no meio da selva mesmo. Tinha macaco ateh, e quando fomos embora apareceram uns bufalos. Surreal, no melhor sentido do termo.

Depois de remarmos ateh vermos toda a Annapurna Range (a cordilheira que cerca Pokhara), fizemos um piquenique (mexerica, biscoito de coco e amendoim), deitamos no barco e nos deixamos levar pela correnteza. E novamente desacreditamos que estavamos naquele lugar, nos sentindo tao bem. Uma meia hora se passou e resolvemos remar mais um pouco. Quando demos tudo por visto, devolvemos o barco e fomos almocar. Comemos no Tibetan Kitchen, o restaurante com aparencia mais tosca a que fomos e com os melhores momos. Alem, claro, dos precos indecentemente baixos. Voltamos para o hotel e tiramos aquela pestana gostosa.

De noite fomos por ai e resolvemos parar pra jantar num lugar bem legal. Comi uma salada (que saudade que eu tava) e o ambiente estava otimo.

Ainda nao fomos no Cafe Amsterdam. Sempre bate aquela preguicinha pos jantar. De qualquer forma, Henrique e Carol vem para ca no dia 31. De repente com outro casal amigo a gente se anima.

Ah, sobre fotos: gente, eu to tentando. Juro. Ontem levei mais de meia hora para subir 4 fotos novas. Eh muito frustrante e eu xingo demais a rede. Entao resolvi que soh vou pensar em fotos de novo em Bangkok, onde com certeza serah mais facil achar internet rapida. Ok?

Tuesday, January 27, 2009

os melhores dias

24/1

Acordamos sem pressa, fizemos tudo devagar e deus sabe quao sabios estavamos sendo. Pegamos o trem das 2pm para Nagarkot, uma cidade nas montanhas ao nordeste de Kathmandu. Pegamos uma pousadinha um pouco mais cara que o nosso budget de US$10 (US$15 pelo quarto) e ficamos num quarto bem bacana. Na verdade os primeiros momentoss em Nagarkot foram meio frustrantes. Chegamos pensando na possibilidade de uma vista frontal dos himalaias e nao vimos absolutamente nada. Uma nevoa impedia que vissemos alem de uns 500 metros. Alem disso, estava muito frio e, embora tivessemos trazido agasalho quente e calca termal, cometemos o abuso de pedir quatro edredons.

Nagarkot eh uma vilazinha pequena cheia de casinhas espalhadas, vendinhas bem simples e pousadas e hoteis vendendo a melhor vista dos himalaias. Nao ha muito o que fazer, really, a nao ser relaxar e torcer para a nevoa sair e podermos admirar as montanhas.

25/1

Levantamos antes do amanhecer para ver o sol nascendo por traz das montanhas do himalaia. Novamente nos frustramos. Vimos uma sombra de biquinho da montanha que nao durou 5 minutos e logo estava tudo encoberto por nuvens.

Demos entao Nagarkot por visto e comecamos a longa caminhada que se encerraria em Dulikhel. Arrumamos tudo devagar e saimos do hotel 11 da manha com as malas nas costas e um sorriso no rosto por comecarmos nossa primeira verdadeira aventura: uma caminhada de 3,5 horas ateh a cidade vizinha. Ou assim dizia a bosta do Lonely Planet.

Para comecar, caminhamos por 1 hora e meia, subida constante, ateh a Lookout Tower. A caminhada valeu a pena. Conseguimos ver as pontinhas dos Himalaias de la e tambem conhecemos uma familia de nepaleses Sherpa muito simpaticos que fizeram parte da subida conosco. Fizemos nosso pic-nic e seguimos por uma trilha que, segundo a bosta do Lonely Planet, nos levaria em 1,5 hora ateh Nala, a cidade vizinha a que pretendiamos chegar e de onde sai o onibus para Dhulikel – ou assim dizia a bosta do Lonely Planet.

Resumindo, a caminhada levou um total de 6 horas. Ridiculamente exustiva mas, confesso, a melhor parte da viagem inteira ateh agora. A trilha passava por varios vilarejos rurais em que todo mundo te cumprimenta, quer saber de onde voce eh, para onde vai e como se chama. Devemos ter dito mais de mil Namastes. As criancas me mataram de fofura. Pondo as palminhas nas maos juntas e falando, sempre sorrindo “na-m-teeee”. O Alexandre teve que ficar me puxando o tempo todo porque eu parava para falar com cada pequeno. Foi uma delicia.

Chegamos em Nala com o sol ja caindo e ja sem achar la tanta graca em tudo. Estavamos sujos, exaustos, com fome e ja com dores nas costas (o que se gravaria no dia seguinte, claro). Foi um alivio pelo menos ver que havia carros passando. Nos aproximamos de uma rodinha de 3 homens mais ou menos bem vestidos e que, julgamos, falavam ingles. Um deles conseguia se comunicar e nos informou: nao havia onibus para Banepa ou Dulikhel, nao havia taxi, nao havia hotel. Basicamente, estavamos fodidos. Iamos ter que ficar hospedados na casa de alguma boa alma em trocas de algumas rupias, ou teriamos que pegar carona. O cara que se comunicava, turnos out, conhecia a vila inteira e mobilizou duas motocicletas para nos levar.

Antes das motocicletas, uma meia hora se passou - tempo suficiente para que todo mundo da vila se reunisse em volta dos banquinhos onde estavamos sentados e ficassem nos olhando. Um pegou no cabelo do Alexandre, a outra ficou comparando a grossura da coxa dela com a minha (tadinha), a outra ficou abismada com meus brincos (comprados na India por sinal) enquanto eu fiquei abismada com a simplicidade dos brincos dela: uma argolinha de linha de carretel preta apenas, que com certeza foi colocada no furo com uma agulha de costura, e as extremidades da linha amarradas num nozinho para formar a argola. Encantador! Mostrei as fotos que havia tirado com minha camera digital e todas as criancas se juntaram em volta de mim para ver. Estava quase sufocando de tanta gente quando comecou uma verdadeira guerra civil entre as criancas. Vi chutes, puxadas de cabelo, pescotapas, socos etc. Todo mundo na faicxa etaria de 5 a 10 anos se matando para pegar uma posicao melhor para ver as fotografias. Bom, tive que dar um basta. “That's it, finished now!” eu disse, e a criancada obedeceu, meio com medo da loira louca que dava bronca sorrindo.

Subimos nas motos depois de concordar com o roubo de 500 rupias por cabeca e fomos para o hotel em Dulikhel.

Nao gostamos. O quarto era ok, mas o banheiro fedia pacas e nao tinha agua quente e a torneira nao funcionava direito, nem a descarga. Reclamamos com o faz-tudo do hotel, que conseguiu trabalho mesmo sendo fanho e tendo um ingles muito basico. Foi complicado. Ele se irritando que a gente nao entendia, nos nos irritando que ele nao saabia falar e ele se irritando que a getne se irritava que ele nao conseguia falar, e assim ia. No final, ficamos com esse quarto mesmo, mas pegamos a chave de mais outro para tomar banho e usar o banheiro.

Depois do jantar (minha primeira refeicao nao vegetariana desde que cheguei na Asia, sweet and sour chicken) fomos tomar banho no quarto numero 2 e, tchum, a luz acabou bem no meio. Desespero, breu total. Eu tava bem de saco cheio de estar tao cansada de tanta caminhada, sol na cabeca, hotel ruim, moto cara etx, e ainda ter que passar por mais perrengue. Deu vontade de sentar no chao e chorar, mas o chao era tao sujo... Fomos dormir bem cedo depois de contemplar um dos ceus mais espetaculares que ja vimos, com mais estrelas do que sou capaz de contar.

E apesar dos pesares, esse foi o melhor dia da viagem so far. A caminhada por entre os vilarejos com vista para as montanhas foi inesquecivel. E o melhor: fizemos tudo sozinhos, so nos dois. Nao podia ter sido melhor.

26/1

Acordamos sem relogio, mas mesmo assim antes das 8. Tudo doia. Costas principalmente. O Alexandre sentindo a panturrilha e as coxas. Dois idosos de 28, 29 anos. Abrimos a janela do quarto e uma surpresa: os Himalaias! Finalmente eles sorriam para nos. A cordilheira todinha foi ssaindo conforme o sol subia. Tomamos cafeh na frente da montanha e depois ficamos na sacada em frente ao quarto, fazendo alongamento e kenkodo (massagem do aikido que o Alexandre aprendeu, lucky me!) com vista para os picos nevados. Saimos do hotel meio-dia e quase chorei de ter que por de novo o backpack nas costas, mas fazer o que? Nao tinha muita escolha. Mais caminhada morro acima, uma meia horinha apenas.

Chegamos em Dulikhel downtown e decidimos que nao tinha muito o que ver na cidade, a nao ser alguns templos hindus, e ja estavamos meio de saco cheio de templos hindus porque vimos muitos, e sao todos meio parecidos. Resolvemos entao almocar na cidade e depois pegar um onibus local de volta a Kathmandu.

O onibus foi uma experiencia a parte. Para se ter uma ideia, a distancia de Dulikhel para Kathmandu eh de uns 30km. O busao teve o dom de levar 2 horas! Sim, uma media de 15km/h. Mas o que nao fazemos pela bagatela de 5 rupias, nao eh mesmo, minha gente? 35 rupias sao tipo R$1, para viajar de uma cidade a outra. Ta bem ok. Viajamos sentados, que eh o que importa. Aspiramos bastante a poluicao e, apesar da zona, estamos meio felizes de estarmos em Kathmandu (bem incongruentes, uma vez que dois dias antes nao viamos a hora de sair, mas que loucuras nao fazem os sentimentos de familiaridade, nao eh mesmo?). Voltamos para a mesma pousadinha, nos deram um quarto parecido mas melhor que o anterior, ficamos felizes e saimos para tirar dinheiro (eba! ATM! Fazia 2 dias que nao haviamos cruzado com um e comecamos a ficar preocupados) e comprar mantimentos.

Na volta, paramos para jantar num lugar descaradamente ocidental. Comemos pizza quatro queijos (mussarela, parmesao, queijo de cabra, queijo de yak – qual a traducao para yak?) e tomei um very longed for espresso.

Amanha eh dia de cair na estrada de novo. Vamos pegar um busao aas 7 da manha para Pokhara – 6 a 7 horas de viagem. Ponham Pokhara no Google Images para terem uma ideia. Nao sabemos quanto tempo ficaremos por la, nem quao facil eh o acesso, mas nao vos decepcionarei, prometo! Atualizo assim que puder.

De forma geral, estamos mais magros, corados e com casca mais grossa. Que venham os proximos 2 meses de viagem!

27/1

Acordamos 6am para pegar o onibus para Pokhara. Foi um pouco chato levantar, ir no banheiro e me deparar com um rato morto boiando na privada. Mas a gente vai relevando coisas cada vez mais irrelevaveis. Saimos mais uma vez do Khangsar Guest House e chegamos no ponto de onibus. Tinhams uns 50 onibus estacionados, o nosso era o ultimo. Uma bosta. Parecia onibus de cidade, o cara inventada acentos marcados e nos colocou no fundo do onibus. Tentei discutir mas o negocio ia engrossar, entao calei a boca e me resignei a vingancinhas do tipo jogar papel no chao, limpar a mao no acento do onibus etc. Muito adulta, eu sei.

Ao nosso lado viajou um coreano e um cara de Singapura (singapureano? Singapureo? Singapureiro?). Depois de mais de 6 horas de viagem, muitas paisagens lindas, muitas curvas e muitos vomitos (nao meus, claro, nem do Ale), chegamos em Pokhara.

Preciso dizer que foi amor a primeira vista. Ficamos no Dharma Guest House por US$6 a noite e saimos para passear antes mesmo do check-in. Nem cinco minutos do hotel vimos outro, Lakeside Guest House, que custa US$8 e eh bem melhor que o nosso. Amanha mudaremos. Almocamos la e seguimos contornando o lago Fewa. Consideramos um passeio de barco, mas vamos deixar para amanha. Demos uma sondada na cidade e a decisao foi unanime. Vamos ficar aqui ateh o dia 3/2, quando voltaremos a Kathmandu para partir para a Tailandia no dia seguinte.

Ainda nao sabemos bem como vamos usar nossos dias. Tem barco, tem caiaque, tem caminhadas de alguns dias pelas montanhas, tem caminhadas de um dia soh, como a do World Peace Pagoda, tem para-gliding, tem absolutamente tudo o que pode querer alguem vidrado em esportes de aventura. Tudo pode acontecer quando se tem 7 dias em um lugar.

Depois de longo passeio na beira da lagoa, com paradas para cafeh, para acariciar vacas e perguntar preco de algumas atividades, comecamos a voltar para o hotel. O por-do-sol estava lindo sobre o lago e ficamos sentados numa mini-pagoda admirando o silencio e nossa sorte de ter vindo parar aqui.

Chegamos finalmente no hotel quando ja estava escuro. A luz ainda nao tinha voltado, mas nada me deixaria de mal humor. O plano eh mais tarde irmos ao Cafeh Amsterdam, lugarzinho cool que parece ter rock e blues ao vivo.

Agora estou aqui, escrevendo, esperando a luz voltar para achar alguma conecao aberta e mandar noticias. Estou com muita saudade de todos, especialmente da minha amada hermeneuta, com quem sonhei essas noites!

Saturday, January 24, 2009

duas semanas sem chuva

A parte da India estava praticamente acabada. Estavamos saindo para jantar quando, no lobby do hotel, nos deparamos com Henrique e Carol, casal querido que soh achavamos que encontrariamos em Bangkok, com sorte no ultimo dia de Nepal.

Pegamos um tuk-tuk a quatro (experiencia que nao recomendo visto que um tuk-tuk eh feito para levar dois passageiros) e fomos para Connaught Place, o lugar mais touristy de Delhi, mas muito legal tambem. Entramos num restaurante que foi recomendado pelo nosso motorista, mas ficamos com nojinho e soh comemos um cheese naan. De la fomos para um outro restaurante, bm mais caro mas com ambiente bem bom e comida idem. Conversamos muito, pusemos fofocas em dia, eles contaram como haviam sido os primeiros dois dias de viagem deles, nos contamos como fora nossa primeira semana. Uma delicia fechar India entre amigos.

Dia seguinte acordamos cedo e, apos um parto para fazer o check-out e conseguir nosso transfer para o aeroporto, chegamos sem correria. O aeroporto de Delhi, por causa dos ataques terroristas em Mumbai, estah um porre. Carimbam tudo, checam tudo, inclusive a policia nao deixa ninguem que nao tenha passagem na mao e passaporte entrar no saguao do aeroporto. Enfim, um mal necessario, maybe.

O voo ao Nepal durou 1h40min e de la de cima vimos o Himalaya. Chegamos em Kathmandu, pegamos o visto, as malas, e a paciencia que quase nao havia sobrado da India, para enfrentar a multidao de taxistas querendo nos levar para o hotel x ou y ou z, em que, naturalmente, eles ganhariam comissao caso “convertessem” um turista. Escolhemos pagar por um taxi que nao ganharia comissao. Primeira impressao foi ruim, confesso. Kathmandu eh uma zona, suja, poluida. Chegamos no Tibet Guest House, nossa primeira opcao, mas nao curtimos a relacao custo/beneficio.

Acabamos escolhendo o Khangsar Guest House, por cujo quarto de casal estamos pagando 6 dolares a diaria. Nao eh la um Hilton, claro. O banheiro, como bem descreveu o Lonely Planet, eh anorexico. Mas o chao eh de madeira, o quarto superiluminado e mais ou menos limpo. Tirei fotos e quando der para subi-las o farei.

Nos acomodamos e fomos jantar no Yak Cafe, o que seria nosso recanto todas as noites em Kathmandu. Comemos vegetable momos kottha, uma especie de dumpling frito tipico da culinaria nepalesa/tibetana. Alexandre comeu um ensopado de bufalo tambem. Demos o dia por acabado e fomos dormir sem nem saber que horas eram no horario local.

Dia seguinte, 22/1, dedicamos para ver tudo o que ha para ser visto em Kathmandu City.

Resumindo, muita gente, muito lixo (os coletores estao em greve, parece, entao fica um amontoado de lixo a ceu aberto no meio da rua, sem saco nem nada), muita poluicao (Kathmandu fica num vale entre montanhas altas, entao a poluicao produzida fica toda retida aqui). Depois de resolver pendencias burocraticas do tipo tirar dinheiro, comecamos uma caminhada do nosso bairro, Thamel, ateh Durbar Square, o principal ponto turistico. Chegando la tem um sem numero de altares e templos hindus, estatuas budistas, muita pomba, muito pedinte e muito picareta insistindo em ser nosso “guia”. Nao ficamos muito impressionados com Durbar Square, especialmente porque para circular precisamos pagar 200 rupias nepalesas (cerca de £2; pouco, eu sei, mas pagar pra andar na rua eh dose).

Depois de um almoco delicioso nepales num lugarzinho em Freak Street (!), pegamos um taxi para Patan, a cidade vizinha. Fomos direto ao Durbar Square de Patan que, dizem, eh bem melhor que o de Kathmandu. Concordamos. Eh bem mais legal sim, mas ainda assim cheio de vendedores ambulantes, pedintes, guias picaretas etc etc etc. Resolvemos voltar de Safa Tempo, uma especie de mini-lotacao eletrica em que se paga 10 rupias (tipo 10 pence) e as pessoas vao subindo e entupindo ateh ficar neguinho pendurado para fora. Valeu a experiencia, principalmente porque tinhamos acento bonitinho, do lado da janela. Otherwise eu estaria fora easily.

Os dias aqui tem que acabar cedo. Nao eh porque temos que acordar cedo, eh porque nao ha o que fazer. Explico: o Nepal inteiro esta passando por uma crise de energia absurda. Segundo um carinha com quem conversamos no Safa Tempo, a principal fonte de energia eh hidreletrica e simplesmente nao chove. Resultado eh o que vamos viver por 15 dias e que o povo daqui ja vive ha meses e sem data para terminar: apagao de 16 horas por dia. Repito, 16 HORAS POR DIA SEM LUZ OU ELETRICIDADE. Apenas 8 horas aleatorias (muda todo dia) de energia sao distribuidas em cada cidade. Fora das 8 horas, neguinho se vira com gerador e, se for de noite, todo mundo com lanterna em punhos porque nao ha nada iluminando o caminho a nao ser ocasionais carros.

Sendo assim, dormimos cedo e acordamos mais tarde do que gostariamos, mas ainda assim cedo. Estavamos de cafeh tomado e tudo pronto para maiss um dia aas 9h. Fomos a peh ateh o Swayambhunath, ou o templo dos macacos. Foi maravilhoso. A caminhada eh nojenta mas o destino final compensou. Chegamos la e fomos recebidos por dezenas de macacos assustadoramente humanos. Subimos o morro aos poucos, parando de vez em quando para rodar as praying wheels dos budistas e tirar fotos de bandeiras, macacos etc. Chegamos la em cima e nos maravilhamos com a stupa budista e as dezenas de templos e monasterios ao redor. Sentamos para um chai com um budista fofo que soh falava Ronaldo Calo ao se referir ao jogador de futebol Roberto Carlos.

Depois de algumas horas rodando o templo e alguma praying wheels, voltamos para o hotel, tomamos um banho (foi a vez do Alexandre ser cagado por pombas na rua) e fomos almocar. Conhecemos um frances gente boa que viaja 3 meses por ano por locais, digamos, diferentes. O cara eh meio louco. Veio pro Nepal tentar atravessar a fronteira e chegar no Tibet, o que eh arriscado (para a saude por causa da altitude e para sua integridade fisica por questoes sociopoliticas). Enfim, good luck for him.

Demos um tempo no hotel e pegamos um taxi para Bodnath, outra cidade vizinha que possui forte influencia e presenca tibetana e budista. Fomos direto a Bodhnath stupa, a maior do mundo! E chegamos la ao entardecer justamente para pegar os budistas fazendo seus mantras e prostacoes em sentido horario ao redor da stupa. Foi uma das experiencias mais misticas que tivemos ateh agora. Um lugar definitivamente especial e forte candidato a preferido so far.

By the way, stupas sao construcoes que abarcavam reliquias sagradas. Esta stupa em especial, dizem as mas (boas?) linguas, foi construida sobre um osso do proprio Buda.

Voltamos para o hotel de otimo humor apos um dia tao bom e tao especial, cheio de bons fluidos budistas. Aproveitamos o apagao para sair para jantar num lugar que sabiamos que teria gerador (Yak Cafe, claro). O Alexandre viciou em Thungba (uma cerveja quente que parece um chimarrao de millet) e o frances do almoco, que encontramos no hotel quando saimos para jantar, foi com a gente tambem. Agora, queridos, aproveito que a luz voltou para postar isto aqui e mante-los informados.

Estamos otimos, sem tropecos e sem problemas. Estamos nos virando muito bem e barganhando como nunca. Estamos quase afiados para a volta ao Brasil. ;-)

Eh isso. Amanha devemos pegar um busao para Nagarkot, de onde faremos um trekking de umas 3 horas para outra cidadezinha, de onde pegaremos um onibus para Dulikhel. Tudo serah devidamente documentado uma vez que os fatos de fato acontecam. Por aqui a gente nunca sabe!

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Ah sim, e o titulo do post, nada a ver com o conteudo, eh verdade. Duas semanas sem chuva, para quem vem de Londres, eh quase inconcebivel!

Tuesday, January 20, 2009

os ultimos dias

Bom, nem preciso dizer que estah uma correria e que os ultimos lugares em que ficamos nao tinham acesso facil a internet, ne? Por isso o sumico.

Vou ter que resumir, infelizmente, e empurrar com a barriga meus dotes linguisticos, para manter a tradicao.

Ultima noite em Udaipur resolvi ter um ataque de panico, daqueles com comeco, meio e fim. Quem me conhece sabe que este eh um mal que me persegue ha muitos anos e que eu ja quase nem lembrava, uma vez que a ultima vez que tive um ataque completo faz muitos anos e achei que, devidamente medicada, o monstro dormia um sono profundo. Engano, claro. Tive aquilo tudo que pedi a deus nunca mais ter. A sorte eh que eu tinha um anjo loiro ao meu lado que soube lidar com a situacao da melhor forma possivel. Foi supercalmo e me abracou quietinho. Acordei bem triste, meio que derrotada. Essa sensacao eh inevitavel. Mas ao longo do dia fui melhorando. Tinhamos uma longa viagem pela frente ateh Joghpur, com uma parada em Rhanakpur para visitar um dos maiores templos Jainistas (nao sei se eh assim que escreve em portugues) da India e talvez do mundo. Sao cerca de 1,500 pilastras em marmore, entao ja imaginam... Continuo devendo as fotos, assim que tiver acesso wifi o farei.

Chegamos em Jodhpur no final da tarde, de noitinha. Resolvemos pegar um tuk-tuk e achar um restaurante recomendado pelo Lonely Planet. Acontece que o tuk-tuk largou a gente no lugar errado e andamos feito uns loucos em ruas sem nome (ou com nomes em hindu, pra gente nao faz diferenca). E para quem tinha acabado de ter um ataque de panico, estar num emaranhado de ruas muito sujas, muito barulhentas, muito ameacadoras (era assim que parecia, com pedintes e vendedores disputando a atencao dos unicos loiros da area), um system overload desses nao tava caindo bem. Finalmente achamos o lugar e foi um alivio entrarmos num restaurante silencioso, com uma comida espetacular e com 100% de ocupacao ocidental. E viva o monopolio do Lonely Planet. Voltamos ao hotel de tuk-tuk e dei gracas a deus por ter tido o ataque de panico em Udaipur: o hotel em Jodhpur eh o perrengue definido. Sem agua quente, energia caindo o tempo todo, sujinho e com um cafeh da manha bastante vomitavel. Well, this is India, innit?

Dia seguinte rodamos Jodhpur. Fomos ao forte primeiro, o ponto alto da cidade. Foi construido por um Maharaja e yadda yadda, a mesma historia. Vistas lindas da cidade. Vale dizer que subi a rampa ateh o forte de elefante. O Alexandre preferiu ir a peh porque o estomago nao estava 100%. Do forte fomos a um palacio ali do lado, que o Maharaja construiu para sua Maharani (princesa). Maravilhoso tambem. Sol a pino, fomos a uma loja de tecidos e fabricas em que o Alexandre se vestiu de homem do rajastao e me meteram num sari indiano tipico de Jodhpur. Me senti mais palhaca que uma palhaca mas o Alexandre garantiu que eu estava linda (ah, o amor).

De la fomos a um palacio do outro lado da cidade, que hoje tambem eh um hotel. Nao quisemos entrar dessa vez. Ficamos do lado de fora na sombra e a cada 5 minutos vinha alguem pedir para tirar foto com a gente. Eu falei serio quando disse que somos verdadeiras atracoes aqui! Quem nao pedia pra tirar foto dava tchau, sorria, quebrava o pescoco para olhar mais um pouco... Nos divertimos a beca.

De la, almocamos num lugar bem gostosinho, as deveras apimentado. Voltamos cedo para o hotel e achei otimo. O motivo? Diarreia. Fui pega, gente. Nao foi nada do outro mundo, umas tres idas ao banheiro apenas. Dormi um pouco e no dia seguinte acordei morrendo de fome. Bom.

Pegamos estrada de novo sentido Pushkar. Soh 4 horinhas de estrada.

Chegamos em Pushkar na hora do almoco. O hotel eh divino, no meio das montanhas e do mato. Caminhamos ateh o restaurante (bom, bom) e de la caminhamos pelas ruelas ateh achar uma entrada pro lago sagrado Brahman. Jogamos florzinha no lago e fizemos um pedido forte de que Brahman protegesse a nossa familia. Foi bem legal, mas nao podiamos tirar fotos porque ha pessoas se banhando no lago e eh um lago sagrado yadda yadda.

De la continuamos pleas ruas. Visitei o Brahman temple, um dos unicos do mundo. Nao achei nada demais, mas ateh fiquei com medo de pensar, tamanha era a quantidade de gente prestando homenagens e fazendo promessas. Muitos mendigos tambem.

Seguimos ao redor do ladgo e encontramos com uma russa, Margarita, e um suico, David. Nos juntamos a eles para subir ateh o Savitri Temple, no alto da montanha. De la vimos o por-do-sol e uma vista maravilhosa da cidade. Eh um absurdo (voces vao ver nas fotos, prometo!). Terminamos os 4 comendo alguma coisa num restaurante com vista para o lago.

Ah, Pushkar. Acho que o melhor lugar a que fomos. Queriamos ter ficado uma semana la. Gostei mesmo e recomendo.

Hoje de manha pegamos estrada bem cedo e paramos em Ajmer, cidade vizinha de Pushkar, para visitar uma das maiores mesquitas da India. Um monte de gente rezando e na verdade nos sentimos meio mal. Mesmo com as cabecas cobertas e seguindo o protocolo, recebemos muitos olhares de desaprovacao por estar ali, e muitas tentativas de extorsao tambem. Nao gostei da atmosfera, mas valeu a experiencia.

O resto foi soh muita estrada com olhar de despedida. Chegamos em Delhi ja de noite e nem nos despedimos do Sharma, nosso motorista. Ele nao gostou da nossa gorjeta de 500 rupias. E nao podiamos fazer nada, estouramos o budget big time na India e temos ainda mais de 2 meses pra correr atras do prejuizo.

Amanh voamos para Kathmandu!

To com muita saudade de todos e, surprise surprise, meu celular londrino funciona, mas nao me liguem porque nao tenho credito, a nao ser que seja uma emergencia. Rather, mandei mensagens de texto que recebo sem pagar nada. :)

Beijos e saudades de todos!

Friday, January 16, 2009

Octopussy town

Estamos em Udaipur, a cidade que possui um palacio boiante em que foi filmado o James Bond Octopussy. Cidade linda, bem menos pobre que as outras que visitamos. Passeamos por ai, algumas (muito poucas) compras e um calor absurdo para inverno. Eu e Ale continuamos no 0 a 0 da diarreia e do vomito. Ja entrando em nosso setimo dia de comida indiana (e vegetariana), estou orgulhosa!

Pronto, foi soh mesmo uma notinha para dizer que estamos muito bem e amanha de manha partimos para Jodhpur, a cidade azul. Nao deu para subir mais fotos, vamos ver se o proximo hotel tem wi-fi - este aqui nao tem e estou usando o unico computador disponivel, dai a nota curta.

Estamos tambem aprendendo algumas palabrinhas em hindi mas nao sei escreve-las... Na proxima postada eu exibo meus dotes linguisticos.

Por fim, acabo de ser cagada por um passarinho e, pasmem!, nao perdi o bom humor. Nao eh o maximo? Acho que realmente esta estah sendo uma viagem acima de tudo espiritual. ;-)

Wednesday, January 14, 2009

fotas

ah, sim, primeiras fotinhas ai no slideshow. Queria ter feito tudo bonitinho junto com o post anterior mas nao deu. Cliquem no slideshow ao lado para ver algumas fotos de Delhi.

Os primeiros tres dias na India

10/1/09

Não sei de onde tirei a idéia de que a India é de outro mundo. Sei que eu estava certa. Surpreendentemente o dia correu sem grandes surpresas. Saimos na hora marcada, chegamos no aeroporto tranquilos, o embarque foi sossegado e, apesar do tumulto no avião, conseguimos embarcar com apenas uma hora de atraso. Nao entendi bem qual foi o problema, mas foi resolvido e embarcamos. Assim que apagaram a luz do cinto de seguranca pedi encarecida e descaradamente para o cara bafudo do meu lado mudar para a fileira da frente, em que havia espaço livre. Foi a glória.

Chegamos em Delhi às 2 da manhã mas ja deu para ter uma ideia. Mesmo de madrugada todo mundo tasca a mao na buzina. Nosso motorista queria mostrar servico para garantir a gorjeta e foi o caminho inteiro do aeroporto ao hotel mostrando todas as estacoes de metro (???) e comentando: This very richmen people. This very richmen area. But I'm no richman – I'm very poor man.” Ele repetiu isso umas tres vezes no minimo. Para garantir que a mensagem fosse processada e a carteira, claro, aberta.

O mais legal foram as vacas no meio da rua, em plea madrugada. Nao qualquer rua, rua principal mesmo. Mas isso o motorista nao comentou. Deve ser muito trivial pra ele.

Finalmente chegamos no hotel, fizemos um check-in, pedimos um omelete (Alexandre) e queijo quente (eu) e enquanto nao chega escrevo. Aqui ja sao mais de 5 da manha, mas por causa do fuso horoario de 5:30h em relacao a Londres, estamos meio perdidos. Sabemos que deviamos estar dormindo, mas, well, antes de comer nao conseguiremos nem dormir.

Eh isso. Chegamos na India! Estamos mortos e felizes.

11/01

Para ser bem sincera, os primeiros minutos do dia foram insuportaveis. Tanto eu quanto o Alexandre estavamos podres ainda, apos uma noite de apenas 5 horas de sono entrecortadas por muito berro e coisas sendo jogadas com forca contra o chao (ou pelo menos foi assim que pareceu). Fazia tempo que nao via olheiras tao fundas em mim. Fomos tomar cafeh e aconteceu o que eu temia: Nojinho de tudo, medo de vomitar, estomago embrulhado e intestino completamente preso. Resultado: uma banana e cafeh preto de cafeh-da-manha. Resolvi que precisava mudar minha sorte, afinal das contas eh meu aniversario!

Tomei um banho, fui no banheiro (nada de diarreia) e ja me sentia outra pessoa. Tambem recebi parabens (atrasados e cobrados) do Alexandre. Soh fomos sair do hotel depois do meio-dia, ja que acordamos tarde.

Foi um susto do cao. Delhi eh um espetaculo de barulho e cheiros. Buzina aqui tem outro sentido (de verdade, nao to tentando ser engracadinha. Na boleia de todo caminhao ta escrito “Blow Horn” ou “Horn please”. Buzina aqui eh para ser notado, esqueçam retrovisores. Para que?) Nao preciso descrever alem, ne? Comentei que Delhi com certeza seria o lugar que meu pai mais odiairia no mundo mas que ao final de um dia inteiro rodando a cidade ele estaria gargalhando de incredulidade. Nao entendo direito como as coisas fundionam aqui, mas elas funcionam. O transito eh caos completo (carros na contra-mao, tuk tuks, motos, onibus, charretes de burrico, pedestres e ateh elefantes disputam espaco. Nao eh exagero. Estavamos numa via principal e vimos um elefante carregando troncos de arvore e respeitando o sinal fechado (ao contrario dos tuk tuks da vida).

Nossa primeira parada foi o Burli Temple, um templo hindu despretencioso e maravilhoso. Nao ha turistas la, e foi la que tive meu primeiro alumbramento espiritual. Pus os pes descansos naquele chao de marmore (ou algo semelhante) e fui acometida por um bem estar indescritivel. O cheiro, o ar, e elementos extrasensoriais me elevaram, really. Talvez eu ja estivesse predisposta a me sentir assim. De qualquer forma, foi um momento importante que vou carregar comigo na viagem e alem.

De la fomos para o Humayun's Tomb, outro espetaculo. O tempo comecou a ficar curto e corremos de la para o Red Fort. A muralha do forte tem mais de 2km, a maior do mundo depois da Muralha da China, segundo o nosso motorista.

Depois disso ja era de noite e estavamos cansados. Fomos levados a um lugar de chas e pashminas e compramos uns masala teas para preparar chai (cha indiano delicioso, tem pra vender no Brasil?). Mesmo porque aqui esquece o cafeh. Eh um pozinho que tem o dom de ser inferior a cafeh instantaneo e ateh para mim, cafeinaholic inveterada, nao desce. Supro minha dose de cafeina ccom cha preto mesmo.

Ja de noite passamos por India Gate, uma especie de Arco do Triunfo do oriente. Legal mas ja estavamos cansados e nao aguentavamos mais ser abordados por vendedores ambulantes MUITO insistentes. Sem falar com o jeito com que os indianos olham para mim, um misto de curiosidade (tal qual nos temos por elefantes e camelos andando pela rua) com tesao porque acham que mulher ocidental eh tudo puta. Mas isso vale um post a parte.

12/1 – Acordamos 5:30am para pegar a estrada. Muito, muito sono. Pela segunda noite seguida dormimos menos de 5 horas e, quem me conhece sabe, isso eh quase inconcebivel na realidade que tento me impor. Dei umas piscadas no carro mas nao conseguia dormir sabendo que tanta coisa nova e diferente se passava do lado de fora de meus olhos fechados. Chegamos e Agra ainda pela manha e, apos algumas paradas em templos e tumbas sem grande relevancia, fomos finalmente ao glorioso Taj Mahal (aqui pronunciado Taj Mal). Passeamos por la completamente estupefatos. Um dos lugares mais lindos a que ja fui na vida. Li muito a respeito de pessoas que visitaram e se decepcionaram, esperaavam mais. Sinceramente, nao consigo entender como. O Taj eh tudo o que dizem e mais. Queriamos ficar horas sentados pelo chao admirando a beleza do lugar, mas nosso tempo era curto e ainda tinhamos viagem pela frente.

Fomos escoltados ateh uma loja de mosaicos em marmore tais como os que existem dentro do Taj Mahal, e nao resistimos: compramos e despachamos pro Brasil dois enfeites para pormos em nossa casa nova. Um elefantinho (presente que o Alexandre me deu de aniversario) e um candelabro – que devem chegar em uns 20 dias, viu, mae?

Acabamos Agra e seguimos para Rathambore. Mais umas 7 horas de estrada. Cheguei meio mal de resfriado. Pedi um cobertor extra e fomos dormir apos um jantar espetacular no jardim com fogueiras.

Vale lembrar que eu e o Alexandre viramos vegetarianos aqui na India (claro que depois da India voltamos aa dieta normal, eh soh para nao comer macaco pensando que eh frango mesmo). Mas eu entendo o sentido de ser vegetariano aqui. Nao apenas religiosa mas gastronomicamente. Voce nao precisa comer carne alguma para ter refeicoes espetaculares. Tudo com arroz, naan bread, vegetais e molhos incriveis. Nesse dia de Agra o Alexandre passou um pouco mal. Nada demais, soh um mal estar geral. Haviamos comido muito pouco nesse dia e depois de uma refeicao completa ele ja estava melhor.

13/1 – Acordei pior do resfriado mas adotei a tecnica de sempre, que nao resolve mas para mim eh a solucao em situacoes assim: ignorei. Acordamos 5.30am de novo e as 6.30am estavamos prontos para sair para o safari. Pegamos o Kenta (especie de caminhao-jipe) e nos enfiamos no mato do Rajastao. O parque nacional do Rathambore eh famoso pelos tigres mas, curioso e tipico, nao vimos nenhum. Instead, vimos crocodilos, antilopes, passaros exoticos, macacos, veados, porcos selvagens, enfim, toda a arca. Mas nada de tigre. Ta bom. Fomos embora depois de mais um almoco espetacular e pegamos a estrada de novo, rumo a Jaipur. Apenas 4 horas de carro. Perto das distancias que temos percorrido, isso foi fichinha.

Chegamos em Jaipur 7 e pouco. A primeira impressao foi otima. A cidade parece mais civilizada que Delhi, menos barulhenta e mais cosmopolita. Como veremos mais tarde, a primeira impressao nao eh a que fica.

Chegamos no hotel, que ha apenas 2 anos ainda era um palacio. Ficamos otimamente hospedados e fomos muito bem recebidos. Hotel que super recomendo, este.

Mais uma vez o Alexandre passou meio mal. Resolveu misturar cerveja com lassi. Nao eh la a mistura ideal, mas enfim. Nada alem de mal estar. Ainda nao fomos batizados com diarreia e nem vomitos. E olha que ja estamos em nosso terceiro dia. Way to go!

14/1 – Um dia cheio pela frente. Acordamos 6.30am e descemos para o cafeh que, haviam nos dito, comecava aas 7h. Chegamos em baixo, tudo escuro e o recepcionista tinha montado uma cama e dormia atras do balcao. Ficamos meio sem saber o que fazer e voltamos pro quarto e ligamos para a recepcao (sacanagem, ne, mas o que podiamos fazer? Tinhamos encontro marcado com os elefantinhos). Eles levaram o cafeh da manha no quarto e saimos cedo para Amber Fort, outro lugar espetacular com palacios, portoes imensos, jardins, enfim, tal como no Brasil, quando se eh rico mesmo nao ha limite para as riquezas. Ficamos horas no palacio, a que cheguei nas costas de um elefante muito fofinho – o Alexandre nao quis ir de elefante por causa do estomago – e de Amber fomos para Jantar Mantar, casa de um Maharaja viciado em astronomia e cheio dos relogios solares e mapas estelares. Alexandre ficou doidinho e eu tambem adorei. Visitamos ainda o City Palace, paramos para almocar num lugar que nao curti, e depois fomos ao Surya Temple, ou templo do sol, tambem conhecido como templo dos macacos – preciso explicar?

Fomos novamente perseguidos por curiosos e ambulantes ao ponto da irritacao. Todo mundo vem falar conosco mas eh dificil discernir se sph querem falar oi (muitos soh querem isso mesmo) ou se estao querendo “donations”. Alem disso, quando passa um bando de homens sigo olhando para o chao, grudada no Alexandre, como se fossem me abduzir se olhasse na direcao deles. Na volta tomamos um chai que custou 3 rupias cada, ou seja, o equivalente a pouco mais de 1 centavo de real mais ou menos, e voltamos para o hotel. Meu resfriado estava comecando a pegar de novo e precisava descansar. Dormimos por um par de horas e ca estou, recem-acordada, escrevendo do jardim do hotel. Logo mais vamos jantar e preparar para pegar estrada amanha de manha, mais uma vez. Sentido Udaipur. Octopussy significa algo para voces? O filme do 007 foi filmado no palacio de la.

Sunday, January 11, 2009

Delhi

Gente, estou aqui. Nem acredito.

A viagem foi tranquila e ja escrevi um quilo de coisas no meu laptop mas nao tem wi-fi aqui (e eu pensei que estava aonde?) para eu poder publicar direto, entao vim soh dizer que estou bem, que teve bolo hoje pro meu aniversario no roof top to hotel, que nao ganhei nenhum presente de aniversario e isso nao fez a MENOR diferenca, e que nao aguento mais ouvir buzinas. Que tive meu primeiro alumbramento espiritual em um templo nao-turisico, que vi um elefante pela rua disputando espaco com carros e tuk-tuks, que aqui sou celebridade e nao tem UMA pessoa que nao vire o pescoco para me olhar por mais tempo. Que por isso estou grudada no Alexandre com medo, mas adorando cada olhar porque olhar curioso eh tudo e nunca imaginei que eu pudesse ser uma curiosidade. Que estou amando tudo, estou podre de sono, ainda nao vomitei e nem tive diarreia, que amanha ja partiremos para Agra para ver o Taj Mahal, e de la iremos para um parque nacional fazer um safari em meio a tigres etc. Nao poderia estar melhor. Os indianos enchem o saco pra caralho e eu os amo desde hoje.

Estamos felizes demais! Agora eh cama porque amanha levantamos as 6am. Se der em breve posto o resto com mais detalhes de algum outro lugar.

Friday, January 09, 2009

and we're off

Pronto. Encarei a boca vazia do meu mochilão e arrumei tudo. Falta muito pouco na verdade. Daqui a pouco saimos para a despedida num pub e aí é só dormir. Não que isso seja fácil, não se enganem. Mas o tempo há de passar e tudo há de dar certo. Há que haver alguma vantagem em ser ansiosa, e fazer tudo certo porque checo tudo 3 vezes é uma delas.

Gente, não estou indo pra guerra. Passarei bem longe de Gaza. Estou levando mais remédios do que minha mãe recomendaria. Isso é BASTANTE. Tenho seguro, tenho conmputador, vou tentar mandar notícias mas não estranhem se demorar. É isso. Chega. Estou fechando as malas porque amanhã saímos cedo. Próximo post vai ser lá do Oriente.

Namaste, meus amores!

Wednesday, January 07, 2009

passapatos



Foto de passaporte em que um sai bem é raro. Em que os dois saem bem é loteria. Eu precisava de um pretexto para pôr essas fotos aqui. Aí não achei o pretexto mas a fotos vou publicar assim mesmo.

haja saco para mim

Faltam 3 dias para a viagem. E hoje é meu último dia de trabalho. Estou flutuando pelo escritório. Praticamente terminei tudo o que tenho que fazer. Agora é só hand it all over e pronto, limpar as mãos e sair sem olhar para trás. Tá difícil de cair a ficha. Faz quase 5 anos que fiquei assim ao léu por tanto tempo, em 2004, quando vim para cá. Cheguei aqui e só fui arranjar emprego depois de 3 meses.

Quem tiver saco pode acompanhar cada passo nos arquivos do blog. Confesso que achava esse blog bem mais interessante no começo. E vou tentar não incorrer no erro de torná-lo didático, porque não tô sendo paga pra ensinar ninguém. Aliás, não tô sendo paga at all.

Mas voltando. Só mais três dias.

O que falta resolver:

cortar o cabelo
fazer exame de sangue (o médico pediu)
pegar o resultado da biópsia da pinta na minha bochecha, na sexta, fingers crossed
me despedir dos amados sexta à noite
arrumar todas as malas e colocá-las no sótão da casa do Ernesto (essa tarefa promete ser divertida se não perigosa visto que há apenas uma escada de alumínio bem mequetrefe, uma pessoa que sabe fazer essas coisas e uma pessoa (eu) com duas mãos esquerdas.)
almoçar com o pessoal do meu antigo trabalho amanhã
comprar remédios de emergência (anti-vômito, anti-vômito, anti-vômito!) e tabletes de malária – resolvi tomar o Doxy, cheap and cheerful.

Aí me bate um desesperinho também porque está quase tudo resolvido. E agora, como vou ocupar minha cabeça sem nada pendente? Não consigo! Estou ansiosa e quando fico assim preciso RESOLVER problemas e pendências. O que fazer quando eles não existem? Claro que ainda tenho tudo o que tá aí em cima para resolver, mas no ritmo em que estou, consigo fazer tudo isso em meio dia.

E sobra tempo para quê? Pensar besteira. Penso que serão 3 meses maravilhosos, mas sem meu café coado brasileiro todo dia. 3 meses espetaculares, mas sem dinheiro entrando na conta. 3 meses deliciosos, mas sem amigos ou família por perto a não ser meu amado.

Em algum momento (acho que em Bangkok), encontraremos com o Henrique e a Carol, amigos aqui de Londres que vão fazer um roteiro pareciso. Vai ser bom para dar uma quebrada na relação umbilical que eu e o Alexandre vamos ter construído, for sure. Por mais que moremos juntos, passo o dia fora de casa trabalhando e ambos temos amigos e compromissos que não dependem do outro. Agora vamos prum lugar desconhecido, sem amigos e sem compromissos. Pode ser ideal para quem está de fora. Mas também poderia ser um desastre para os pessimistas como eu. Enfim, conversamos a respeito disso e entenderemos se rolar um saco cheio. Não quer dizer absolutamente nada.

Que mais que eu fico pensando e me torturando... Ah, claro, penso na possibilidade de vômito tipo de hora em hora. Mesmo com o médico receitando remédio anti-náusea e anti-vômito. Não importa, a imagem de eu jogada num chão não lá muito limpo de banheiro, debruçada sobre uma privada não muito limpa no meio do Rajastão, é forte o suficiente para me dar calafrios só de pensar. É sério, gente. Fobia não pe frescura.

Por fim, penso que vai ser animal. Tudo vai ser animal. Não tem vômito que me tire isso da cabeça. Nem a chance de uma crise conjugal me perturba, na verdade. Estou indo pra Ásia! Índia! Nepal! Tailândia! Laos! Camboja! Vietnã! Malásia! Indonésia, se der tempo! E Singapura!

Porra!

Tuesday, January 06, 2009

sobre miudezas

Quando se vai fazer uma viagem longa com pouca bagagem, como a nossa, o fundamental é o aparentemente supérfluo. Por exemplo, vou levar apenas uma calça jeans e deus me ajude. Vou levar só 4 calcinhas. Uns 3 pares de meia, umas 4 camisetas entre manga curta e comprida. Só um agasalho (fleece). Uma toalha de microfibra.

E para viajar assim, preciso levar o que aqui chamam de Universal Sink-Stopper. Ou seja, um tapa-ralo que serve em qualquer pia do mundo. Eu nem sabia que isso existia, mas li a respeito num outro blog de viagem de um casal sem noção que viajou por mais de ano só com mochila nas costas, e de cara percebi que é um item fundamental para levar a menor quantidade possível de roupa.

Outros detalhes que me alegro de ter pensado/lembrado:

* Tapa-ouvidos – quando se é grumpy como eu, nada como trancar o mundo para fora. Além disso, dizem que a Ásia grita.
* Toalha de micro-fibras – idéia do Alexandre. Ocupa menos espaço e seca mais rápido que toalha normal. Comprei no eBay por 3 contos esterlinos.
* Camisetas bem podres da Primark. Assim, quando chegar lá e quiser comprar blusinhas bonitinhas e diferentes, posso jogar as minhas fora sem remorso.
* Líquido anti-bactéria de bolsa com pelo menos 60% de álcool. Chamem-me de neurótica, mas não adianta porra alguma lavar a mão após ir no banheiro se na água há mais giardias (aquela maldita bactéria da diarréia) por metro cúbico do que água em si.
* Travel money card – é tipo um Visa pré-pago que você carrega antes de ir e durante a viagem vai usando em qualquer ATM ou estabelecimento que aceite Visa. Bem mais prático e hassle-free que traveller cheque e cumpre a mesma função.

Ainda estou na dúvida quanto aos tabletes de malária. O problema é que eles são caros, muitas vezes têm efeitos colaterais e, acima de tudo, *não garantem* que você não pegará malária. Achei meio tosco você correr o risco de ficar doente com os efeitos colaterais e ao mesmo tempo continuar desprotegido. Still, você está mais protegido do que se não tomasse nada.

Ouço de tudo. Gente que diz que tomar é besteira, gente que diz que não tomar é suicídio, gente que não diz nada para não se comprometer. Como se não bastasse, há 3 tipos diferentes de droga para você escolher, de mais cara a mais barata e, respectivamente, de menos e mais efeitos colaterais. Hoje vou no médico fazer um check-up, pegar umas prescrições e, se tudo der certo, resolver o que quero fazer em relação a esses tabletes.

Saturday, January 03, 2009

livros 2008

Minha mãe cobrou e tenho certeza de que muitos esperam ansiosamente a minha humilde lista de livros lidos e comentados de 2008. Ei-la!

Em bold as leituras recomendadas. Em vermelho as decepcionantes.

1. A Suitable Boy – Vikram Seth - Uma das melhores leituras do ano, e mais longas também. São 1,500 páginas que me custaram 9 meses de leitura de cabeceira mas valeu a pena. A história envolve várias famílias, ao estilo Cem Anos de Solidão, e retrata a elite indiana dos anos 50. Recomendo muito e fiquei meio vazia quando terminei a leitura.

2. Fun HomeAlison Bechdel - minha incursão bem-sucedida no mundo dos quadrinhos adultos. História autobiográfica de menina gay que tem que aturar a resistencia da família.

3. Politics – Adam Thirwell - legal, mas tenta ser cool demais e perde um pouco. Romance juvenil ingles em triangulo amoroso quevira threesome. batidinho.

4. Meninas Inseparáveis – Lori Lansens - Demorou para eu lembrar que livro era esse, então não pode ser extraordinário. Escrita juvenil demais. História de irmãs siamesas e suas aventuras no mundo cruel.

5. Ghostwritten – David Mitchell - Outra boa leitura do ano. Muito bem escrito e pesquisado. São várias histórias que se interligam e criam um livro no que poderiam ser contos. Uma delícia.

6. The Game – Neil Strauss - Eu achei que iria odiar, mas meu cunhado recomendou tanto que resolvi ler. Adorei! Um mergulho no mundo dos Pick-Up Artists escrita de forma cativante e sem rodeios. O autor, jornalista do New York Times, começa desconfiado e depois se joga no "jogo", a arte de pegar mulher.

7. The Interpretation of Murder – Jed Rubenfeld - achei ruim. Psicanálise meets historinha policial. Bocejei pacas. Não entendi ainda porque ganhou tantos premios.

8. Candide – Voltaire - sátira do século 17 (acho) incrivelmente atual para a época em que foi escrito. Legal.

9. The Economic Naturalist – Robert H Frank - fraquinho. Perguntas e respostas sobre tudo para provar que economia está em tudo. Achei o livro bem óbvio.

10. A Long Way Down – Nick Hornby - Esse foi o primeiro livro que li do Hornby e adorei. Ultrasarcástico e bem escrito. O cara é muito bom. A história tem 4 protagonistas que resolveram, no último dia do ano, cometer suicídio. Sem sucesso, a história começa, sempre contada do ponto-de-vista de um dos 4. Fabuloso.

11. O último Amigo – Tahar Ben Jelloun - Não me fez erguer muito as sobrancelhas. Leitura leve e rápida, em uma semana depois de ler voce já esqueceu a metade. O problema desse livro para mim foi que a propaganda foi grande demais. Não entendi, sinceramente.

12. The Rum Diary – Hunter Thompson - Now we're talking. Esse livro é superior a Fear and Loathing in Las Vegas in so many levels que me arrepia saber que poderia ter perdido essa leitura por causa da primeira impressão que tive de Hunter Thompson. História semi-autobiográfica de um jornalista que vai trabalhar em Porto Rico e se mete em várias aventuras adultas e bebadas. Para eu ter curtido um plot desses o cara tem que ser muito bom, concordam?

13. Super-Cannes – J.G. Ballard - Gostei do meio pra frente. Policial que se passa na riviera francesa e consiste em muito dinheiro, prostitutas, medicina, anger management e assassinatos. Vale a leitura.

14. Disobedience - Naomi Alderman - Judias que se amam e precisam enfrentar a ortodoxia de Hendon. Cativante mas nada que fez meu coração pular de empolgação. Mas se o tema interessa, leiam sim.

15. Attack of the Unsinkable Rubber Ducks - Christopher Brookmyre - Bem interessante, sobre picaretagem dos que se julgam paranormais. Começa didático e depois vira um tanto quanto policial. Bem pesquisado e escrito. Uma surpresa para quem deu para o namorado um livro baseando-se puramente no título.

16. Em Busca do Borogodó Perdido - Joaquim Ferrera dos Santos - Ele me desapontou big time. Eu adorava as colunas do Joaquim no No Mínimo. Sempre mandava e-mail com meus comentários e vez ou outra recebia respostas divertidas. Fui com fé de que me divertiria. Mas achei Joaquim extremamente arrogante dentro de sua pretensa humildade. Muita palavra difícil e pouca história. Para mim, a pior combinação possível. Odeio me desapontar.

17. The Dice Man - Luke Rhinehart - Um achado. Esse livro é fantástico. Conta a história de um psiquiatra que entrega sua vida suicidável e entediante ao acaso do dado. Todas as suas decisões passam a ser ditadas pelo dado e as consequencias são hilárias e impertinentes, como há de ser numa vida aleatória. Desconfio, inclusive, que o autor tenha escrito o livro com um dado na mão para decidir para que lado ir com o personagem. Daí faria sentido o fato de a primeira pessoa ter o nome do próprio autor.

18. Choke – Chuck Palyanuk - Outra ótima surpresa. Do autor de Clube da Luta, o protagonista é um sex-addict que engasga de propósito para ganhar pena e dinheiro das pessoas que salvaram sua vida e por isso passaram a se sentir heroinas responsáveis pelo pobrecito. Escrito com o estomago, como tem de ser. O primeiro de todos os livros desse autor que lerei, for sure.

19. Maus – Art Spielberger - Minha segunda leitura de quadrinhos adultos foi ainda mais extraordinária. Esse livro estava dando sopa na casa do Ernesto e o tema, holocausto, me interessa. Então peguei e por 4 dias não soltei. O autor retrata a história real de seu pai, um judeu polones que naturalmente sobreviveu, com muita sorte e sagacidade, a Auschwitz. Do caralho. Imagens fortes e história muito bem contada. Arrancou lagriminhas. Não percam. Mesmo, mesmo.

É isso, pessoinhas. Espero que a lista inspire alguns a uma boa leitura. 2008 foi um ano ótimo para mim, em termos literários. Ah, em outros também. 2008 foi do caralho. 2009 terá um hard act to follow...

Friday, January 02, 2009

ano novo, blog novo

O endereço continua o mesmo, mas o blog está de cara nova, com novos gadgets etc. Eu resisti, mas ei-lo. Infelizmente perdi todos os comentários. Uma grande perda, mas acho que o novo look vale o sacrifício.

Singer in the World

Correndo, morrendo, vivendo.

Estamos com quase tudo pronto. Visto da Índia resolvido, do Vietnã também. Ainda preciso ir no banco tentar resolver minha conta - bancos ingleses bloqueiam cartões quando são usados em países de reputação questionável como Índia por exemplo. E ficar por lá sem cartão não vai ser uma opção. Então ou o cartão funciona ou vou ter que apelar pros jurássicos traeller cheques, que não são muito mais usados.

Outra pendência são os remédios. Li tanto, mas taaaanto sobre prevenção de bactérias e vírus que se eu ficar doente vai ser burrice pura. E quando se é emetofóbica (descobri que meu mal, medo de vomitar, tem nome!) não dá para ser burra. O pior, dizem, é a Índia. A água é insalubre e cheia de bactérias e vírus que não afetam mais o sistema digestivo dos indianos, mas pode causar projectile-vomiting e diarréia em nós, ocidentais. Aí resolvi o seguinte: banho de boca fechada, escovar os dentes com água filtrada, nada de gelo, nada de sucos, nada que venha em garrafas abertas, nada de chutney, nada de comida crua (salada etc - a não ser que seja algo descascável e que você mesmo descasque) e nada de carne. Ouvi dizer que muitas vezes você pede frango e eles servem macaco. Não achei legal. E, claro, carne vermelha nem a pau. Eles não comem carne vermelha at all e sendo a vaca um ser sagrado, sabe lá o que eles vão colocar na mesa de quem comete a profanidade de pedir uma xuleta mal passada.

Ainda assim, vou levar remédios anti-náusea e anti-diarréia. Teremos viagens longas de trem e estou quase considerando comprar uma fralda geriátrica para não precisar ir no que me descreveram como o banheiro de um trem na Índia.

Afora essas pequenas medidas de precaução, vou ter que relaxar para aproveitar ao máximo. Como disse a nossa agente de viagem, brasileira claro: "Gente, a Ásia é MUITO suja, é MUITO legal, É TUDO."

Vai ter que ser.