Friday, March 31, 2006

eu ri por ultimo, meu bem

Nao eh engracado ser chifrada por uma menina que depois seria por mim chifrada? Eh engracado, sim, e o cara soh pode ser um palhaco.

Oh, well, a batata quente nao eh mais minha anyway.

(ALIVIO)

Thursday, March 30, 2006

2006 e um quarto

Sensacao estranha: hoje acordei como se acordasse de um sono de anos, mas ao mesmo tempo como se ainda faltassem anos para eu realmente me sentir descansada. Eh normal? Devo estar ficando velha.

Ou soh cansada mesmo.

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Pintou a oportunidade de fazer um frila bem legal aqui. O problema vai ser fazer meu chefe entender que quando eu quero, vou e faco. Comentei com ele ontem sobre o frila, e que provavelmente o evento comeria parte de uma sexta e parte de uma segunda em algum ponto em abril. Ele anda meio de mau humor. Sei la. Me disse que realmente eh uma oportunidade legal, mas que meu trabalho aqui deve vir em primeiro lugar.

Ele esta certo. Mas como eu disse, eu quero. E se eu quero, fodeu.

Meu chefe de mau humor ou “apressadinho” eh o que ha. A real pain in the arse.

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Pois eu resolve me vingar do meu ex-futuro gatinho. Ele me mandou uma mensagem de texto me chamando para jantar e para ir no cinema assim que melhorar do joelho, que passou por uma segunda intervencao ontem. Ainda nao respondi. Mas vou. E aos 45 do segundo tempo vou perguntar quando nasce o pimpolho.

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Comecei meu treino para fazer o teste no Wandsworth SC. Fiz o Day 1 passado pelo Edu, meu tecnico no Brasil. O treino tinha 3,000m e, rapaz, confesso que cansei. E estou consciente de que se pretendo realmente entrar na equipe, devo comecar a me acostumar com a ideia de nadar o dobro disso seis vezes por semana.

Hoje vou fazer o Day 2 depois do trabalho. Estou meio dura, ainda. Como eh facil perder a forma…

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Quero aprender uma nova lingua. Ja falei isso mil vezes aqui, e talvez essa seja mais uma que vai morrer com as outras vontades. Dessa vez encafifei com o alemao. Talvez porque ultimamente tenha lido muitos autores alemaes. Frances continua na lista das must-learn languages. E espanhol, da must-not-embromate.

Tuesday, March 28, 2006

midland blues

E o que eh uma bosta para os padroes ingleses, descobri, eh uma bosta para meus padroes tambem. Nao sei se estou virando inglesa demais, mas realmente Birmingham eh a escoria da Inglaterra. Nunca vi lugar tao feio aqui. Inclusive deprimente. Fabricas por todos os lados, cinza, ateh o centro que tenta ser simpatico com uma roda gigante imensa e desconexa conseguiu me causar asco. Bad Karma eh nascer num pais como a Inglaterra mas vir da menos inglesa das cidades, Birmingham.

Oxford eu conhecia por cima, conheci mais a fundo, mas ainda nao conheci inteira. Faltou estar la num dia de sol para andar sem pressa e praticar o famoso punting, uma especie de barco que rola down the Magdalen bridge.

Fica pra proxima.

Fomos tambem para Stratford-Upon-Avon, cidade onde Shakespeare nasceu e morreu. Eu gostei. Pequena, toda historica e fofa. Claro que eles espremem o fato de Shakespeare ser de la ateh a ultima gota para atrair turistas. Nem eh tudo isso. Mas eu ja sabia que nao era mesmo. Fui descrente para me surpreender com a fofura da vila.

Passamos tambem em Warwick, onde tem um castelo cujos arredores exploramos bem, mas nos negamos a pagar £14 para entrar.

E, claro, a experiencia mais traumatizante, o albergue em Oxford. Ficamos num Backpackers da vida, £14 a noite sem café da manha. Uma piada para o que oferecia. Minha cama estava suja com farelo de pao. O quarto em que fiquei era carinhosamente chamado de China, talvez pelo infeliz fato de haver dezoito, ALO, DEZOITO, neguinhos dormindo. Imagina o cheiro. Imagina pessoas entrando e saindo a toda hora do dia e da noite. Mexendo em sacolas daquelas barulhentas. Atendendo celular. Rindo. Peidando. O apice veio quando uma vaca bebada sentou em cima de mim. Sim, sentou em cima de mim. Garrafa de cerveja em punho, ela perguntou com a voz arrastada “Are you jsfkawhr?” Minha resposta foi surpreendentemente sobria: “Do I look like fucking jsfkawhr?”

Dai para uma hora de insonia travestida de mau humor foi um pulo.

No banheiro havia uma calcinha roxa no chao. Meninas mijando (acho) de porta aberta. Meda, panica, horrora, desespera, socorra, muita socorra.

Esta no top 3 piores lugares onde ja fiquei.

Mas como um todo, valeu muito. Cansamos mas passeamos e pegamos a TV. Ja temos planos para o final de semana: nao fazer absolutamente nada.

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Havia um gatinho no meu caminho, para os desavisados. Uma bela pantera, eu diria. Mas ja foi embora. Sailed away in a grey sky morning. Ele ainda nao sabe, claro, mas ja dancou. Ele nao sabe que eu sei que ele tem namorada e ela estah gravida. Puta brincadeira de mau gosto, amigao.

Desencantei. Nao vale o trampo.

Friday, March 24, 2006

hungry for a little more

Estou correndo mais que minhas pernas. Mas ja nem sinto.

No Brasil as coisas tambem tem estado estranhas. Muita coisa ruim, gente morrendo e muita incerteza. Eu tento ficar na superficie. Afinal, aqui as coisas vao bem, apesar do cinza nosso de todo dia.

Hoje vamos no Ikea, eu, Broo e o Ma. Aproveitar que estamos de carro. Alugamos um carro para o fim de semana para aproveitar que temos que buscar a TV em Cannock e passear por Oxford e pelas Midlands. Nao que seja assim indispensavel ir para as Midlands do ponto de vista turistico. Parece que eh uma bosta. Mas eu quero muito ver o que eh uma bosta para os padroes ingleses. Eles, que nao sabem direito o que eh realmente bosta.

E passei uma tarde profundamente entediada numa conferencia da empresa. Estrategicamente, sentei na janela para olhar a vista de Sandown Park. Linda, linda. E nao absorvi lhufas, ou muito pouco, do que foi dito. Porque o assunto era chato e porque ainda nao entendo nada dos planos da empresa ainda.

Mas OK. Tres horas de falacao e eu louca para ir embora, ja sem achar posicao confortavel na cadeira. Oh well, sobrevivi.

Tuesday, March 21, 2006

along came Bobby

Mudei. Eu e Broo. Nova casa, novos horarios, novas vizinhancas, novo landlord, novas idiossincrasias na casa, novos mercadinhos de esquina. Ontem, voltando do trabalho, sai do metro e virei para o lado errado. Ainda me acostumando. Se bem que eu sempre ia no sebo da Clodomiro Amazonas e, ao sair, nunca sabia para que lado virar para voltar para casa. E morei no Itaim Bibi por mais de 20 anos.

Economizo uma hora por dia em viagem. Muita gente nao sabe a real diferenca que isso faz. Por outro lado, meu quarto eh bem, bem pequeno. Ainda estou tentando entender como vou por todas as minhas coisas la e ainda ser capaz de andar la dentro. Mas por outro lado estou mais perto de tudo. Mas pago mais aluguel. Mas pago menos em transporte. Mas mais em Council Tax. Mas agora moro com a Broo e morar com uma amiga eh bem melhor que morar com um bando que foi juntado por um site de flatshare na internet. E moro com uma pessoa, alem de mim, e nao tres. Tem pros e contras, como qualquer escolha que se faz desde os dois anos de idade. Ateh antes. Mas nesse caso ha mais pros. Estou feliz. Muito feliz. Eu no meu quarto pequeno. Estou realmente feliz.

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A unica coisa que ja estah me tirando do serio em menos de 100 horas vivendo naquela casa eh a vaca da landlady. Que ja se revelou uma vaca desde o primeiro instante. Mas deixe estar. Deixe estar e aquela anta vai sentir o gosto azedo da minha ira.

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Domingo fui ver Tsotsi, o filme sul-africano que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Muito, muito bom. Cenas fortissimas, apesar do enredo se revelar ligeiramente americanizado. Vale a pena. Poderia ateh ser um filme brasileiro. Vao ver, vao ver.

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Terminei Of Mice and Men, do Steinbeck. Escuta, como eh que um livro pode ser tao completo e bom com tao poucas paginas?

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Ontem foi o penultimo dia do meu curso na Birkbeck College. Vou sentir saudades... E ja vou pensando aqui em algum outro curso para fazer mais para frente. Se bem que vai ter o swimming club e...

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Quem? Quem? Quem eh que chegou do Brasil? Londres voltou a ficar mais colorida, pelo menos a meus olhos: Bobbynha estah na area! Nada como aqueles "ta-tchaus" amados, os croc crocs que nao canso de ouvir, tanta, tanta historia para contar e lembrar. Faz meses, mas parece decadas, que estivemos juntas. Todo dia, todo dia, vivendo sob o mesmo teto, dormindo, acordando, indo andar de manha ateh o trabalho. Tudo, tudo junto. Eh claro que a falta que ela fez ficou muito maior que qualquer outra falta. Eramos praticamente casadas.

Saudade de voce, esposinha.

Friday, March 17, 2006

love

Para alguem que amo – com muito, muito amor

Hoje meus pensamentos estavam todos com uma das pessoas que mais amo. Hoje meus pensamentos todos estavam no coracaozao dessa pessoinha que conheco ha 20 anos e cuja presence eh tao forte que ha 20 anos passo sequer um dia sem pensar nela.

Ela, minha Bathathinha, toda especial, toda e sempre. Hoje toda minha energia eh sua. E toda a forca que te faltar eh minha. Hoje, e sempre que for preciso.

Fica com Deus, Thatha. Porque Ele, eu sei, eu vi, Ele estah com voce.

Wednesday, March 15, 2006

stay with me

Sei que faz tempo. Estive doente. Ainda estou, para ser sincera. Não fui trabalhar. É uma gripe que dura cinco dias, me disse o cara da farmácia. Acho que ele só queria mesmo era vender mais. “Eu saro rápido”. Comprei a caixa menor. Aí “realizei” que aqui não tem esse tipo de malandragem. E toca voltar à farmácia e comprar mais uma caixa, o que tornou tudo mais caro. E para completar, aquela cara do farmacêutico de eu-já-sabia que eu, do alto do meu nariz entupido, tive que engolir.

Junto com a gripe, os preparativos para a mudança. Tudo o que é livro, DVD e utensílios de cozinha já foram devidamente encaixotados. Ainda falta o mundo de roupas. Não sei como vou conseguir empacotar tudo. Já pedi para o Chris me emprestar uma mala, e estou contando fielmente com isso.

Broo também está toda ansiosa. Na verdade não vejo a hora de me mudar para estabelecer paz de novo aqui dentro. Morar mais perto do trabalho, economizar tempo e dinheiro, viver numa casa menos povoada. Quer dizer, esse começo vai ser esquema asilo. O Má, alguma-coisa da Broo, vai ficar lá, e trará junto mais dois amigos para passar o fim de semana. Vai ser uma bela experiência antropológica já que o apê é, apesar de lindo, deveras pequeno. Tudo é festa. E mais dois, numa altura dessa, significa maior força-tarefa na mudança. Estou feliz com a possibilidade de apenas dizer isso-vai-aqui, isso-vai-ali. Sem riscos para minha frágil coluna de nadadora.

Obviamente quando tudo passar e eu voltar a navegar em águas mansas, todosm os planos que estavam on hold voltam a funcionar, ao menos na minha cabeça perturbada. O Edu, meu técnico no Brasil, me passou um treino intensivo de cinco dias para antes do teste no clube de natação. Olha, vou dizer, não vejo a hora de entrar em forma novamente. Tá foda.

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Sábado foi o housewarming da Joo. A Joo chegou aqui faz menos de dois meses. Ela é amiga da Rê e chegou como se chega: desamparada, ansiosa, estranha, desconfortável. Mas aprendeu rapidinho a sobreviver nisso aqui que se chama primeiro mundo. A festa foi um sucesso e eu, apesar da gripe (que obviamente piorou), me diverti como se estivesse bêbada. Quase agi como se estivesse bêbada também, mas aí é que agradeço à Nossa Senhora da Sobriedade, essa que abençoa pobres almas segundos antes de cometer a Cagada do Ano.

A verdade é que, novamente, voltei a aproveitar festas. Tenho minhas fases ostra. Não saio nem arrastada, não tenho o menor saco de me deslocar para a puta que o pariu para falar frivolidades e arranjar desculpas para não beber e perguntar coisas fúteis a pessoas que não conheço e nem quero conhecer e que não me conhecem e nem querem me conhecer. Ganho mais em casa, sem passar frio, vendo TV, lendo um livro, resolvendo algo que tem que ser resolvido, escrevendo, até cansar e dormir. Com festas e baladas não é assim. Ainda não entendo porque tem fases em que vou. Como esta. Não entendo direito por quê estou me divertindo, mas estou. Não entendo o propósito, mas vou. Sei lá, deve ser bom, uma coisa assim mais humana. Um dia vou entender melhor.

E falando em farra, Broo e eu já começamos a planejar o nosso housewarming. Engraçado é que antes de pensarmos na festa, pensamos nas regras dela. Tipo, proibido fumar dentro da casa, sujou-limpou, utensílios descartáveis. Enfim, mudar já dá trabalho demais para vir baderneiro e dar ainda mais trabalho. Percebam que posso estar em festa mode-on mas jamais deixo a rabugem. E ela jamais me deixa.

Monday, March 06, 2006

who wants to live forever?

Estah dificil de me concentrar. Ontem acordei e fiquei olhando para o ceu. As nuvens, impassiveis, passavam. Eu nao sabendo como fazer a cabeca parar. Eu e Broo achamos nossa casa, nossa casinha, pequena porem fofa, na Fulham High Street. Uma grana violenta. Tive que badernar minha conta reserva. Ah, mas foda-se. Preciso de qualquer jeito, nao preciso? Entao pronto.

A casa estah a passos de ser nossa. Ja preenchemos a papelada, ja demos referencia, ja pagamos um deposito para nos garantir. Agora comeca toda a outra parte. Tenho que pensar em etapas senao fica tudo acavalado, e esse blog, entre outras coisas, me serve de organizador de ideias selvagens e arredias.

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Depois de amanha serah o enterro do meu tio-avo. Faltarei no trabalho para ir ao funeral, em Brighton. Ele vai ser enterrado e sobre seu tumulo sera plantada uma arvore. Coisa mais linda. Uma arvore que vai se alimentar de meu tio-avo para crescer forte. Um ciclo perfeito, da terra aa terra, do poh ao poh.

Ele vai ser enterrado no mesmo dia em que meu avo morreu no ano passado.

Mesmo nao querendo romantizar tanto para sofrer menos, nao consigo deixar de ficar assombrada e maravilhada com a estranha coincidencia.

A partir do dia 8, o mel das abelhas de Brighton serah mais doce.

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Fim de semana bem legal. Sexta fui ao show de uma banda chamada “The Go! Team” com um amigo. Legal. Legalzinha. Para ser sincera, gostei mais da banda que abriu o show, um trio chamado “The Grates”. Mas sempre sou do contra.

Sabado foi dia de trabalhar um pouco, nadar mais um pouco, e depois ir para a casa da Broo. Assistimos a Hitchiker. Que grandecissima bosta. Nunca mais confio de olhos fechados no gosto da Broo.

Iamos numa boate (!) dancar salsa (?) mas acabei puxando o cordao do desanimo e ninguem foi no final. Pior: ficamos em casa, pusemos salsa no som e comecamos a dancar. Nada como dancar sem querer seduzir. Adorei.

E dormi por la mesmo. Acordei com o ceu azul gritando para mim. Ficamos todos preguicosos ateh meu querido australiano nos chamar para um churrasco em casa. Bem legal, bem legal. Adormeci comendo meu ultimo pecado, bolo de chocolate com sorvete de creme, antes de voltar para minha dieta emergencial, tambem chamada de cala a boca.

Chega. Preciso voltar a me concentrar. Preciso me organizar. Preciso talvez fazer listas, e listas de listas. Preciso quem sabe de ajuda, mas nao muito. O suficiente para eu entender que posso ser ajudada. Preciso de um ou outro olhar preocupado, seguido do olhar doce e sereno do eu-ja-sabia. Preciso que alguem me puxe pela mao, mesmo sem saber direito onde estah me levando. Eu, preguicosa, confortavel e alienada, prometo que nao pergunto.