Friday, September 21, 2007

Injustificável, eu sei.

Mas then again, quem disse que preciso me justificar?

Thursday, September 06, 2007

a senha do inbox dele - ou o passaporte para a merda


Aí um dia eu tive a oportunidade de ver a senha dele. Ele tapou meus olhos, mas eu vi por entre seus dedos. E eu tentei não decorar mas não consegui. E daí fui dormir, e quando acordar quis ter esquecido, mas não esqueci.

A senha. A senha do email. Descobrir senha é hoje o que ouvir na extensão do telefone era há 20 anos e o que procurar marcas de batom, arranhões ou perfumes pouco familiares eram há 30.

E eu “sem querer” memorizei. E fiquei com aquela informação pesando. Eu poderia ler todos os emails dele. Eu poderia escarafunchar cada mensagem enviada, cada mensagem recebida. Eu podia. A Verdade vem dos emails. As maiores Verdades do século 21 foram descobertas fuxicando emails alheios. E justo eu, curiosa, curiosíssima, mas orgulhosa demais para perguntar qualquer coisa, com aquela maldita informação preciosa.

Hoje está tudo bem, mas vai que um dia me bate aquela insegurançazinha, aquele deseperinho, aquele vaziozinho tão mulherzinha? Aí posso recorrer ao poço da Verdade, o inbox dele. Sim, posso! Posso descobrir coisas e passar horas me divertindo ou me flagelando. Até inventar eu posso, sob o pretexto de poder inferir. E ele nunca vai saber.

Mas eu vou. Vou sempre saber. Vou sempre hesitar. Vou sempre desconfiar. Por mais que não queira. E odeio não poder controlar sentimentos tão reptícios. Odeio saber que eles vão estar sempre a espreita.

E num impulso de boa índole, de quem quer que as coisas realmente funcionem, falei assim que lembrei que não havia esquecido: “eu memorizei sua senha”. Ele só acreditou quando eu falei. Franziu a testa meio bravo, mas acho que foi puro reflexo. É chato se sentir desmascarado mesmo quando nada aconteceu. Foi uma desmascarização em potencial. Mas eu fiz o que era certo, o que era direito. E eu sei que no fundo fiz um gesto respeitoso e respeitável.

Ele mudou a senha e eu continuo confortavelmente longe do que nem meu é.

Porque é assim: relacionamento tem sempre milhares de pontos prontos para encrespar, milhares de começos de fins. É muito fácil se deixar seduzir – quem não faria a festa com a senha de email do amado? Mas há conseqüências. Sempre há. E eu não estou a fim de encrespar linhas tão lisas. Com orgulho eu afastei um dos muitos começos de fins que assombram os relacionamentos.

Fui daquele melhor tipo de medroso: o que tem medo de foder com o que está muito, muito bom.

Tuesday, September 04, 2007

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Bem ela não está. Leucemia galopante (que termo, que termo). E quando eu perguntei inocentemente se eu ainda a veria, mamãe respondeu: imagino que não, mas eu entendi: óbvio que não. E aí doeu um pouquinho porque aquela história de que para sempre é tempo demais é clichê mas é verdade. De qualquer maneira, guardo uma foto dela no meu celular. E quando aperta eu dou zoom na foto, ora nos olhinhos quae fechados de tanta ruga, ora na boca cheia de linhas mas com um digno batom, ora na orelhinha que carregou tantos brincos, ora na cabecinha branca e cuidada por fora, desgastada por dentro. Minha vó. Ela ainda não se foi, mas já aperta a saudade e a garganta e o estômago. Afinal, é quase aritmético que não vou mais a ver.

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Contagem regressiva para minha mudança. É domingo, minha gente, é domingo!

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Sobre o post anterior, parem de perguntar, please. Se quisesse falar eu falava. Passou e não me abalou. Só na hora. Agora estou de novo inalterada no caminho que escolhi. Nunca acreditei em uruca anyway.

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Semana agitada. Ontem fui ver a casa nova mais uma vez, eu e Byrifoy queríamos rever detalhes importantes. É, de fato, uma casa pequena. Terei que deixar coisas pelo caminho. Estou me desfazendo de tranqueiras com um sorriso de orelha a orelha. É bom precisar de menos.

Hoje depois do trabalho, talvez, vou encontrar a Carol, amiga da PUC que veio passar uma semana em Londres. Amanhã é dia de horas de papo com a amada Bobby. Faz ridículos meses que não nos vemos. Quinta eu queria já estar com o contrato da casa assinado, idealmente, para parar de panicar. Nada assinado e em teoria nos mudamos no domingo.

Sexta e sábado – empacotar, empacotar.

Domingo – mudar. E soltar uma grande e merecida bufada ao final do dia.