Wednesday, November 30, 2005

o sorriso no rosto cansado

Começou a ventar mesmo e meu coração não pára mais. Quanto mais quieta eu fico, menos escuto. Não deveria ser assim. Mas eu vou tirar o dedão da tecla espaço. Vou revolucionar essa merdinha de mundo meu.

Amanhã começo o novo trabalho. Vai dar certo mesmo que dê errado. A três semanas de ir para o Brasil, fica difícil tirar o sorriso do meu rosto cansado.

Mas vez ou outra acontece.

A gente sempre recebe as notícias mais doídas quando não agüentamos mais doer? Tá certo que eu tenho doído pouco, mas simplesmente porque minha cota para esse ano foi atingida, tipo, no primeiro semestre. E tudo o que houve de ruim no segundo semestre fica de quitação da dívida da vida para comigo para 2006. Eu deixei que a vida me fodesse de propósito, para fazer do que vem agora algo mais especial.

Eu desci degraus despencando. Está na hora descer como uma mocinha. Não preciso ser arrastada para a realidade. Vou sozinha, a meu tempo, o sorriso no rosto cansado.

Acho que estou viciada em saudades. Cada vez que chega mais perto de eu matá-la, mais eu a sinto pulsando, quase que uma entidade fora de mim que me assombra e me testa e me sangra.

Meu estômago, um poço de adrenalina com caroços de expectativa e medo. Será que ainda sou eu mesma para quem me conheceu antes de eu vir para cá? Sou tão volúvel assim? Gosto das mesmas coisas? Me incomodo com os mesmos cheiros? Escrevo do mesmo jeito? Me digam, escrevo do mesmo jeito?

Escócia e Irlanda

Achem o álbum "Escocia e...", cuja capa duas meninas fofas e bochechudas ilustram. O link é esse aqui. Divirtam-se!

Monday, November 28, 2005

das coisas escondidas atrás da cabeça

Hoje saía do curso de Imprensa Britânica na University of London com minha colega Emma, uma garota brilhante que anunciou que conseguiu um novo emprego numa revista financeira. Ela disse que, apesar de o emprego ser legal, ela vai começar lá embaixo, na base da hierarquia. E eu, sem nem perceber, soltei uma verdade linda, que deveria, inclusive, servir para mim: "É bem melhor olhar para o topo da montanha com preguiça de escalar, mas enfim escalar; que ser jogada no meio da escalada e ficar o tempo todo com medo de cair, afinal você ainda não conhece a montanha".

Que bonito. Ela olhou para mim. Eu calei a boca e olhei para ela. Ela sorriu: "For fuck's sake, é a mais pura verdade".

Eu queria muitas vezes entender as coisas que eu falo como as outras pessoas entendem. É legal me ver de fora, parece. Eu também quero achar legal.

E falando em curso, recebi meu essay de volta, corrigido ou, como prefere o professor, "comentado". Com nota e tudo. Dizem as boas línguas que minha nota foi das mais altas. O comentário foi favorável mesmo, com críticas esperadas, como das minhas longas (e portuguesas) frases e da minha vontade de querer dizer várias coisas ao mesmo tempo. Sim, sim, sou ansiosa até em ensaios.

Mas tá beleza. Fiquei satisfeita com o resultado. "Um ótimo começo", disse Prof. Caplan.

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Vocês têm noção de que em 23 dias estou aí? Meda, pânica, horrora, desespera, socorra, não vou conseguir nem a pau nem a pedra emagrecer como queria. Hoje mesmo, do alto de meu regime, engoli quase sem sentir o gosto um pedaço de bolo de chocolate pelo aniversário da Louise, uma Manager lá da Cannons.

E agora começo a pensar no que levar para o Brasil. Não tenho roupas de verão. Não tenho idéias. Não tenho nem vontade. Quero fazer uma mochila e ir. E só depois me preocupar em como voltar. Mas não vai ser assim. De uma coisa eu sei: vou contrabandear Havaianas. Comprar a dérreal e vender a £8. Aiai.

E já podem ir me informando quando estarão por Sampa para me visitar. Fim de ano toido mundo zarpa, mas quero todos os meus amados comigo, pelo menos por um fim de semana. Façavor então. Meu aniversário, 11 de janeiro, podem reservar. Quem disser que não pode vai realmente me emputecer. Vocês sabem (ou não) do que sou capaz emputecida.

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Quinta-feira começo meu novo emprego. Vamos chamá-lo de WK, para deixar tudo mais fácil (o nome da maledeta é Wolters Kluwer, no one deserves ter que escrever isso toda vez). Tô meio que borrando as calças. Uma mistura de ansiedade boa, recomeço; com uma ansiedade ruim, traumas da nossa amiga BMI. Um medo daqueles bem Bia de não estar de acordo com as expectativas alheias. De novamente me descobrir uma farsa de, yadda yadda, lá vou eu outra vez me convencer de que o mundo está errado de me ver como sou, na pretensão autista de saber, só eu, quem realmente sou.

Não, de novo não. Prometo evitar doravante.

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Fim de semana todo gostoso, a não ser por um detalhe de domingo à noite. Sábado aquela palhaçada de ter que trabalhar. Eu fiquei meio doente, estranha, não sei. Resistência baixa, me arrastei pela academia e pela piscina e pelo clientes, com um sorriso doído no rosto. O corpo todo dolorido, implorando sossego. Claro que não dei. Saí do trabalho às 6pm e fui para Leicester Square, encontrar Broo e Renata para comermos um japa. Olha, que japa fenomenal aquele. Então fizemos umas extravagâncias em lojinhas e viemos aqui para casa. Elas se divertiram com a Sky. Eu, já mais para lá do que para cá, despenquei.

Dia seguinte fomos a Greenwich. Olha, desculpem, quem não vai a Greenwich não conhece Londres direito. Sério. E agora Greenwich fica walking distance de casa. Um mercado liiiiindo, cheio de coisas compráveis (eu me segurei, foram só dois livrinhos). Um parque todo cores de outono, esquilos, crianças almofadadas e cachorros correndo atrás do rabo de outros cachorros. Aquela cena de cinema. Subimos até o Royal Observatory, onde passa o meridiano de Greenwich, e ficamos com um pé no oriente e o outro no ocidente, e o mundo realmente parecia que estava prestes a mudar toda vez que eu passava para o outro lado. Um balé de iminências na minha cabeça.

Voltamos para casa, onde Mr Austrália cozinharia seu Lamb Perfeito. Na verdade, ele já cozinhou melhores. Mas a abóbora estava algo assim entre o sublime e o carnal. Alucinantemente bom, como nunca cogitamos ser possível com uma abóbora.

Comemos, tudo muito bom, tudo muito bem. Aquela horinha pós-refeição e tal. Fomos para fora de casa. Frio. Entramos. Quente. Sentei. Comecei a me sentir estranha. Eis o detalhe de domingo à noite que impediu que meu fim de semana fosse, enfim, depois de muito tempo, finalmente, bom.

Pânico. Mas dessa vez foi sério. Me tranquei no banheiro. Tudo sumiu, comecei a suar, respirar acelerado, meu coração gelado no meio do meu sangue quente. O peito apertado e ao mesmo tempo querendo estourar minha pele. Tudo desconfortável no saco que carrega meus órgãos. Sentei na provada. Sentei no chão. Levantei. Sentei de novo. Me olhei no espelho. BRANCA. Comecei a chorar, aquele choro seco de desespero. Vou ficar aqui até passar. Melhorou. Desço. Piorou. Mas não subo. Fico. Sento. Tento entender. Broo e Rê cada uma com uma mão. As palavras saindo da minha boca bem antes do que o planejado. Ou chegando aos meus ouvidos depois do que deveriam.

Tentei ignorar, mas minha mão tremia. Um tremor forte, que chegou a me impedir de dar uma garfada no doce que as meninas tentaram me enfiar goela abaixo.

Nada pior que estar atenta a todo e qualquer potencial problema no seu corpo. Pânico, entre outras coisas, é fechar o ouvido para o que está fora, fechar a cabeça para as razões do mundo, e criar suas próprias razões e sensações, e diagnosticar, e ouvir apenas o que se passa dentro. Autismo mesmo. Não queria me ver nesse estado.

Agora PASSOU. Não precisam se preocupar. E eu tive todo o suporte de que precisei.

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Myriam de volta ao Brasil. Mais uma que se vai.

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Se eu realmente conseguir encontrar no Brasil todo mundo que está falando que eu vou encontrar, vai ser difícil voltar...

Wednesday, November 23, 2005

fim de outono

Voltar foi difícil. Sinal de que a viagem foi boa. Boa demais. Edinburgo é uma cidade absurdamente fofa, é toda escurinha, como se fosse de brinquedo, tirada de uma história da carochinha mesmo. Dizem que a cidade é assombrada - mais um de seus charmes. Ela é fria, mas o povo é quente. Acho que por sobrevivência eles têm que ser mesmo. Dias ainda mais curtos que os londrinos, mas sol, sol, céu sem uma única nuvem. Poçass d'água congeladas, tartan para todos os lados, gaita de fole tocando em todo lugar, homens de saia - eu nunca pensei que fosse achar homem de saia charmoso. Ainda quero voltar para a Escócia, visitar os lagos de Inverness e dar um pulo em Glasgow. Quem sabe numa época um pouquinho mais quente.

Irlanda também é linda. Para falar a verdade mesmo, foi meio decepcionante. Acho que eu tava esperando demais. Mas fizemos tudo conforme o figurino. Visitamos igrejas e castelos, batemos muita perna, fomos em pubs na fábrica da Guiness em Dublin e beijamos a pedra de Blarney, no castelo de Blarney, o melhor programa da viagem, na minha opinião - mesmo minha câmera digital tendo despencado uns 20m, do alto da torre do castelo. Fiquei amiga de um velhinho no ônibus de Dublin a Cork, um velhinho veterinário e fazendeiro que mora numa cidade perdida no centro da Irlanda. Conhecemos pessoas estranhas também pelos albergues. Albergue é albergue, né, minha gente... Aquela palhaçada de chegar no quarto e ter gente dormindo na sua cama, ou de não suportar os cheiros do próximo, tudo esperado e, obviamente, concretizado.

Broo é uma ótima companhia de viagem. Temos o mesmo pique, as mesmas vontades, as mesmas neuras e o mesmo timing. Claro que ela sempre demora mais para se vestir, mas isso desde que vim ao mundo é assim. Não sou de muita enrolação e já cresci sabendo esperar o outro que, dentro de sua humanidade, não faz tudo voando feito eu.

Fotos em breve no meu albinho virtual.

Ah, e o trampo na editora foi confirmado. A partir de 1o. de dezembro sou uma executivammmmm de marketingmmmmmmm. Palmas para mim, que vou ao Brasil sem precisar em como correr atrás do prejú quando voltar.

Faltam 28 dias. Estou começando a ficar assustada.

Tuesday, November 15, 2005

antes de partir

Último post antes de ir para Escócia + Irlanda. Vocês querem saber a previsão do tempo?
Quinta-feira, snow showers em Edinburgh, onde chegamos. Sexta, sol (sensação térmica de 0oC). Sábado, mostly cloudy em Dublin (pelo menos a temperatura é de 4 a 11oC). Domingo e segunda alternando nuvens e sol em Cork, temperatura sobe (6 a 10oC, maravilha).

Pelo menos não vai chover, segundo os meteorologistas.

Estou toda empacotada já. Meu agasalho mais quente (e um dos mais feios também) já está separado. Meias-calças de lã, bota de neve comprada no Brasil (?), pijama de flanela, gorro, cachecóis, tudo, não estou esquecendo nada. Sou dessas pessoas irritantes que sabem que não esqueceram nada antes de viajar, ao contrário de quase toda a humanidade. Como sou especial.

Amanhã vou trabalhar com a mala já. Saio de lá e vou para a Bru, onde passo a noite - ou metade dela, já que acordamos às 5h para ir ao aeroporto. Não vejo a hora. Eu mereço tanto. Mas taaaanto.

Quando voltar prometo relatos detalhados. Podem cobrar.

Sunday, November 13, 2005

shadow boxer

Tenho por princípio nunca fechar portas, mas como mantê-las abertas o tempo todo se em certos dias o vento quer derrubar tudo?

Está ficando muito frio. Hoje senti falta de gorro, minha orelha quase congelou quando resolvi passear por Leicester Square depois do trabalho. Eu até queria estar com alguém ao lado, mas tenho certeza de que não seria boa companhia. Aliás, não seria companhia. Não tava a fim de falar, de sorrir, de interjeitar. Nem de ouvir, o mais inofensivo dos atos. Nem isso. Mas aí, andando em meio àquele mundo de gente, fui parar no Soho, a única parte de Londres, ao lado de Brixton, que realmente nunca dorme. Entrei numa loja, experimentei uma bota linda, mas só tinha tamanho grande demais ou pequeno demais. Saí, entrei na Soho Books, livraria de precinhos camaradas e artigos alternativos e uma loja de DVDs pornográficos no subsolo. Mas nada me chamou a atenção. Saí, ainda sem querer parar. Resolvi que precisava comer. Ali no Soho era meio complicado; mais capaz de eu ser comida.

Voltei para a civilização. Parei num pub que adoro. Aí pensei que era deprimente demais sentar sozinha e comer sozinha e olhar para o nada ou fingir que lia. Resolvi não entrar. E fiquei pensando, puta merda, como sou normal. Sou como qualquer outra dessas meninas que não querem ser vistas sozinhas, que não agüentam um olhar de piedade alheia mesmo quando sabem que não há nada de que sentir pena nelas. Apenas volúveis aos olhares de fora, de pessoas que nunca mais farão parte da sua vida a não ser naquele instante. Por que querer parecer algo para pessoas que jamais vão me ver de novo e, pior, na verdade nem estão prestando tanta atenção assim na minha condição de sozinha?

Continuei andando. Outro restaurante. Um vietnamita. Vontade de entrar. Passo reto. Vai que não é bom. Uma volta por fora em Leicester Square. Quanta gente andando na rua nesse frio. Será que as facas vêm de dentro mesmo? Eu achava que estava sendo furada pelo vento, mas talvez não. Quando minhas três camadas de roupas não são mais suficientes para me manterem nas condições normais de temperatura e pressão, e meu estômago ronca e minha bexiga aperta, resolvo parar. Um italiano ali, um rice and noodles, um Subway, um Pizza Hut. Rice and noodles. Arroz misto e frango agridoce numa caixa de papelão. “Eat in or take away?” Take away, respondi, quase ofendida. “No, no, sorry, eat in. Yes, eat in”. A atendente sorriu, quase complacente. Ela entende. Ou estava apenas sendo educada quando na verdade queria me chamar de stupid cow. Sentei num banquinho e comi. Peguei o celular. Ligo para a Piu. Nada. A Broo está com o papi dela que vai embora amanhã. Ernesto em Barcelona, Marinella em Amsterdã. Myriam sempre cheia das baladas. Chris. Ficamos de nos ver nesse fim de semana, certo? Certo. Liguei, chama e ninguém atende. Caixa postal. Não deixo recado. Acabo de comer, só então percebendo o rombo que havia no meu estômago. Mais um passeio pela praça. Paro no All Bar One para fazer xixi. Uma vontade imensa de ser segura o suficiente para ficar lá sozinha sem fechar a cara e o coração. Mas não consigo, pelo jeito. Não sou tão cool assim.

Faço xixi e vou embora. Minha Piu me liga. Falo com ela um tequinho, um tequinho antes de dar uma leve desmoronada em meu regime e comprar um waffle com sorvete do Ben & Jerry. Malditos todos os fabricantes de açúcar foda do planeta. Eu estava indo tão bem. Mas amanhã eu volto, prometo. Fui para casa para constatar, um ‘cadim mais, que meus queridos flatmates têm me irritado. Não sei explicar bem porquê. Irritaram sem fazer nada demais. Agora escrevo, fone nos ouvidos, eles estão deitados às minhas costas, vendo TV, inofensivos, cansados também, porque todos nós estamos sempre cansados mesmo quando acabamos de descansar. O fracasso do ser humano é deixar que o cansaço dite quando se deve descansar.

E me imaginando terminando de escrever isso aqui e indo ler meu livro na cama, ou respondendo um email, ou qualquer outra coisa que seja minha e só minha e que me deixe nesse meu autismo que tanto cultivo para depois escrever, aqui, reclamando.

Saturday, November 12, 2005

troca de guarda

Faltando ainda 38 dias para ir ao Brasil e eu me pego já pensando em cada momento, cada coisinha, desde o pouso do avião. até as pessoas me esperando no aeroporto, até a chegada em casa, o barulho da porta rangendo, o cheiro de feijão da Ligia, os cheiros, os cheiros. O calor, o mal-jeito jeitoso do brasileiro. Tudo. Acho que vou entrar em parafuso.

Enquanto isso, para tentar segurar a ansiedade (ficar nessas por mais 38 dias vai ser bastaaaante sofrido), penso na viagem da semana que vem. E penso que preciso resolver minhas pendências empregatícias logo. E penso que a idéia de mudar de casa vai ter que ser bem considerável nos próximos meses. E penso que dia 3 de dezembro vou para Brighton comemorar mais um aninho dos 95 que meu tio-avô viveu até hoje. Aquela coisa fofa.

Enfim, hoje foi mais um sábado de trabalho, amanhã mais um domingo de trabalho, e assim vou apagando, um a um, os fins de semana que não existiram em 2005. Ontem fui assistir a The Constant Gardener, o novo filme do Fernando Meirelles cujo nome em português ignoro. Achei muito bom, mas prefiri Cidade de Deus. Aliás, engraçadíssimo: estava saindo do cinema em Kilburn, na companhia da Broo (bem melhor que Bru, não?), Paulinha e Renata, quando vejo aquele poste com um chumaço branco no topo: uncle John! Uncle John e a Bruxa foram ver o mesmo filme, uma sessão mais tarde. Foi tudo bem rápido porque a bruxa da Bruxa estava ansiosa para entrar logo (isso porque aqui cinema tem cadeira marcada, mas enfim, bruxa é bruxa). Saindo do cinema fomos num pub-restaurante foférrimo, sugestão da Broo, que já foi uma Garota de Kilburn.

E aí dormi na casa da Broo e mais uma vez descobri que felicidade responde pelo nome de FUTON. Dormi como um anjo naquele futon duro e confortável. Preciso comprar um ou minhas costas vão morrer.

Agora estou aqui, insistindo para assistir a um filme que os meninos não querem assistir, eles, malditos monopolizadores da TV e do DVD e da Sky. Eu nunca peço porra nenhuma, porque nunca estou em casa ou acordada para ficar vendo programas. Quando peço, uma vez, uminha, para assistir a um filme, recebo um NAO e um olhar indignado, tipo, já-vimos-esse-filme.

Fodam-se. Vou ler e dormir que ganho mais.

Não, vou lutar pelos meus direitos de moradora dessa casa, malditos sacos de testosterona mal-conduzida. Vou lutar e depois conto como foi. Estou ficando de mau humor.

Wednesday, November 09, 2005

rápidas

* Estou de regime e agora é sério (tem que ser, tem que ser, não quero chegar no Brasil um balão).

* Eu e Bru já bookamos os albergues em que ficaremos. Daqui a uma semana voamos para Escócia. Hurrah!

* Aiai. Tô cansada, viu? Amanhã trabalho das 8am até 10:30pm. Sério.

* O trabalho de Kingston, tudo indica, vai rolar. Eu já comecei a achar que era lenda, mas a moça da agência disse que o chefão estava todo angustiado pensando que com a demora da papelada eu poderia desistir da vaga.

* Entreguei meu primeiro essay para o curso na Birkbeck. Eu gostei, apesar de não ter dado tempo de revisar.

* Ando de saco cheio do Mr. Suécia. Ele é meio tantan. E em dezembro teremos nova flatmate, uma alemã que parece ser bem legal. Ela vai ficar no lugar da sul-africana. Não ficarei em luto com a partida.

* Faltam 41 dias.

Friday, November 04, 2005

no chão

Essa noite dormi no chão. Me enchi o saco do colchão, arregacei um lençol e me mudei para o chão. Queria dormir no que fosse mais duro possível. Dormi feito anjo. E minhas costas estão melhor hoje. O negócio vai ser repetir a dose, até resolver comprar um colchão decente afinal.

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A sentença daquele lance do carro roubado finalmente saiu. Não poderia ter sido mais positiva, segundo meus advogados Ivan (oficial) e Thathá (especial). Fiquei muito feliz. Após dois anos na justiça, o caso foi finalmente julgado. Só que agora eles podem recorrer e aí são mais não sei quantos anos. Eles vão recorrer, obviamente. Quanto mais for possível usar do poder judiciário para postergar uma dívida (o bom e velho empurrando com a barriga), mais se fará uso disso. Babacas. Anyway, terão que pagar, uma hora ou outra. Não quero saber de onde vem o dinheiro, mas ele tem que vir. E virá.

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Quarta-feira fui com a Marinella num workshop chamado Landmark Forum. Já ouviram falar? Bom, resumindo, é um empresa que vende felicidade. Eles garantem que após três dias de curso intensivo, você será uma nova pessoa, capaz de resolver todo e cada problema da sua vida. Você será capaz de descobrir quem são realmente as pessoas que te cercam e quem é a pessoa mais importante na sua vida, você.

Na boa, se eu conseguir isso em três dias é capaz de ao final deles me sucidar. Pela estupidez de não ser capaz de descobrir em 25 anos o que completos estranhos desvelam em três dias. Ao preço de £300. Ótimas intenções, tenho certeza, mas thanks but no thanks.

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Daqui a pouco vou encontrar os queridos Marius e Steeeeeve, da BMI, antigo trampo, lembram? Marius, a bicha romena que eu adoro, Steeeeve, que ameaçou me roubar do Chris (na verdade eu ameacei largar do Chris por ele, ele não fez patavinas, do alto de seu topete cor-de-burro-quando-foge). Vai ser legal. E no fim de semana vou tentar dar um jeito de encontrar o Chris depois do trampo. Porque eu e ele não temos mais nada a ver, e exatamente por isso nada nos impede de encontros fortuitos e felizes.

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Ontem, Sam e eu, daydreaming na recepção da Cannons, resolvemos que ela vai comigo pro Brasil ano que vem e eu vou para Nova Zelândia e Hong Kong com ela. Ela é neo-zelandeza e hong-konguiana (como se chama quem vem de Hong Kong?). Uma fofa. Minha maior companhia no Cannons. Fofa demais. Tem até foto nossa na recepção da Cannons no meu álbum do Yahoo.

Mas foi só um daydreaming. Pouco depois ela disse que iria fazer bronzeamento artificial, mas que odiava aquelas cápsulas em que não se pode fazer nada, apenas existir na cápsula, e por isso ela conta. Conta, fica contando. Um, dois, três... Não é MUITO FOFO?

Vou sentir falta da Sam quando deixar a Cannons.

Wednesday, November 02, 2005

inscrições abertas

Venham, venham! Essa oportunidade é única. Estou anunciando espaços livres no meu coração. Não só no sentido amor carnal. Não. Esse não anuncio porque não garanto poder proporcionar. Anuncio vagas no estacionamento apenas. Estou aberta a ser legal com as pessoas, a deixá-las entrar na minha vida. Estou aberta a gostar. A fazer amigos. A poder passar com alguém(ns) o pouco do tempo que nos sobra - que parece muito tempo quando se está sozinha.

Estou me sentindo assim, completamente abandonada, cheia de tiradas e cometários que só faço pensar. Minha boca está atrofiando. Não falo mais português, estou realmente pensando mais em inglês que em português ultimamente. Como é que se pode ser uma pessoa complexa em duas línguas? Isso me faz duas vezes mais complexa que o resto do mundo, ou meia vez?

Isso realmente importa? No momento o que importa é que minha vida está ficando mais interessante. Não sou mais aquela pessoa resmungando que a vida foi filha da puta o ano todo, e que várias vezes pensei em dar um fim (à filhadaputagem, não à vida) a isso a meu bronco e estúpido modo. Mas não. Eu soube esperar. Eu soube me desesperar driblando o acelerador do meu coração. E minha vida começa a ter alguma cor, com dinheiro no bolso, novo emprego, ida ao Brasil, um curso legal. Só falta as pessoinhas para ocupar as vagas vazias. Falta com quem dividir isso tudo. Todo dia. Minha vida inteira me acostumei a falar da minha vida, mesmo quando não queria. Não dá para ficar sem isso de uma hora para a outra. As vagas estão abertas até eu dizer chega.

Tuesday, November 01, 2005

agora é oficial

Estou viciada em Su Doku.

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Dias lindos têm feito aqui. Daqueles de pendurar a roupa no varal de fora. Algo errado, muito errado. Eu finjo que não é comigo. Já basta a escuridão que é às 5pm. Que o sol e céu azul sejam eternos enquanto durem. Meteorologistas (catastrofistas?) estimam que este será o inverno mais frio dos últimos 40 anos. Bem possível que eu já tenha escrito isso aqui. Só lembrando. Mas eu não penso, não penso. Saio de casa de óculos escuros e guarda-chuva, just in case, just in case. Precaução é sobrevivência em Londres.

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Estou ficando realmente viciada em Su Doku.

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Estou ficando realmente irritada com meu colchão. Acho que vai ser o presente que vou me dar quando começar no novo trampo.

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Um mundo de saudades invade o mundo de verdades. Acho que a perspectiva de reencontrar meus amados todos faz com que eu me permita sentir saudades. Saudades que sempre estiveram aqui mas a que nunca pude dar vazão porque simplesmente, se desse vazão, eu voltava, ou morria, ou enlouquecia, qualquer coisa que eu não quero agora. Saudade só é dor boa de sentir quando está prestes a não ser mais. Que nem sauna. Sauna só é boa quando há um chuveiro gelado por perto.

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Vocês sabem o que é Su Doku? Nãããão? Pois pesquisem. Hoje vou trabalhar fazendo Su Doku no trem.

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Falei que ontem saí com o Chris antes do meu curso? E que ele está vindo morar em Canary Wharf? E que nos abraçamos muito e que foi bom? E que nos beijamos? Ahn, e que estou viciada em Su Doku?

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E o curso, o curso. Ensaio maldito. Comecei a pescar umas coisinhas já. Uma hora eu sento a bunda e sai tudo numa rajada (soou meio mal, mas deu para sacar). Comigo é assim. Se pá, hoje decido que jornal vou analisar. Estou entre o Daily Mail, o Daily Mirror e o Evening Standard. Me divirto à beça com os tablóides. Eles pecam pela obviedade. Vai ser fácil analisar a semiótica de um jornal que não esconde a que veio.

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Aiai. Estou cheia de amor para dar.