Thursday, December 28, 2006

merda

Escrevi um monte e esse blogger idiota apagou.

Resumindo: feliz ano novo.

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Tá. Passados alguns minutos de ira e barriga vazia. Eu tinha dito várias coisas fofas sobre o ano novo, e sobre meus dias em Campos do Jordão, e sobre os por vir em Boiçucanga, e sobre emails que ainda não foram respondidos mas que serão, e sobre saudades.

Não vou escrever tudo de novo. Mas quem me conhece só precisa dos tópicos para saber exatamente o que vou dizer. E feliz ano novo de novo.

Tuesday, December 26, 2006

até depois

As novidades são, resumidamente, as seguintes:

* Estou finalmente queimada. Mais do que gostaria, apesar do fator 38 do bloqueador solar. Diz que é pra passar mais de uma vez, né? É que eu não gosto.

* O natal foi bem tradicional. Ganhei cachecóis, sempre bem vindos, da tia Miriam.

* Amanhã cedinho estou indo para Campos do Jordão. Nadar, andar a cavalo e saltar de asa-delta se a profecia se realizar. Eu não acredito muito em profecias, mas que seria dugarái, isso seria.

Sunday, December 24, 2006

bom natal, e boa noite

Apesar da chuva que tem me irritado como a qualquer um em meu lugar ocorreria, estou amando tudo aqui. Hoje diz que é natal. Vou na Bathatha, é claro. Ontem fui no Salve Jorge, conhecer o boteco a que minha irmã vai toda semana. Ontem também, fui na piscina, e hoje também. Também fui na Saraiva e comprei dois livros pra mim. Tudo garante um ano muy hispânico para mim em termos de leitura.

Diz que é natal e eu ainda não tive uma brilhante idéia para fazer o embrulho do presente das meninas. Pensei em jornal, pensei em papel alumínio, tudo bem low key. Pensei em procurar algo guardado nas gavetas que não sei mais o que guardam. Preguiça de revirar. Sempre acabo fazendo alguma cagada no natal na casa da Bathatha. Alguns anos atrás foi o doce de banana que inventei de fazer e confundi a canela com pimenta do reino. E levei o doce assim mesmo. E todo mundo adorou.

Acho que se eu embrulhar o presente em papel filme vão achar arty. Sempre enganei bem.

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Ano passado vi bem mais gente. Umas 20 pessoas devem ter ido no meu bota-dentro. Esse ano diminuiu. É triste, mas incrivelmente esperado. Quem não é meu já foi. Quem é, sempre será.

E quem está faltando, façavor de me ligar. Você e você e você e você, que não lêem meu blog, têm o número.

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Voltei hoje, então repito. Feliz natal a todos. Não faça cara de caneca se ganhar uma caneca de presente. E se beber não dirija. E se dirigir dê carona. E se a noite ficar um saco, cante Esquadros baixinho na cabeça. E se não adiantar, diga boa noite a todos e vá dormir. E decida que 2007 será o ano em que você não se forçará a nada de que não precise.

Saturday, December 23, 2006

da terrinha

Tudo indicava que o dia 20/12 seria mais um daqueles dias em que tudo dá errado, já que é o dia em que vou viajar. Dessa vez meu realismo me fez pessimista. Errei em todas as previsões. Comecei o dia bem, cheguei no trabalho em ponto, trabalhei bem durante todo o dia, pulei o almoço e às 2.30pm já estava indo para casa, terminar de arrumar nada, porque já estava tudo arrumado mas eu ansiosa não conseguia admitir.

Fiquei fazendo hora mesmo, sem entender minha pressa em sair do trabalho, minha pressa em fazer tudo really. Ansiedade pura. Fui para o aeroporto bem antes com medo das cagadas de antemão. Já sou ressabiada. E na verdade foi bom porque o metrô estava todo merdoso como era de se esperar. Mas cheguei a tempo de ir com calma. Cheguei lá e deu de cara com a Rapha, uma amiga da Bru que também virou minha amiga. Coincidência pura já que estaríamos no mesmo vôo e só não sentamos uma ao lado da outra porque os dois bebezões queria ir na janela. E no final das contas, foi até bom. Tive o rabo sem precedentes de não ter ninguém ao meu lado de forma que pude usufruir de maneira mais completas os inigualáveis efeitos do amigo Lexotan. Claro que atrás de mim um rapaz em seus 11 anos, cheio de gordurinhas e cara de peste, se pôs a chutar meu banco. Mas como cansei dessa vida, logo antes do avião decolar virei para trás e falei pra não começar pelamordedeus. O menino até me chutou depois algumas vezes, e eu me vingava deitando o banco ao máximo, o que o emputecia já que ele estava na última fileira e seu banco não deitava. Haha. Duas pessoas com a mesma idade mental, claramente.

E deu tudo certo. Vi um capítulo de Friends antes do jantar, jantei antes de capotar, tomei café antes de aterrissar. Foi tudo rápido e quase indolor. Pouca fila na alfândega, nada a declarar, sinal verde, minha mãe e minha irmã me esperando, abraços, aê brasilzão, calor, sol, buzina, fumaça, cadê o carro. Cadê o carro? Claro, estava sendo resgatada do aeroporto por duas mulheres tão quanto ou mais ansiosas que eu. Não se lembraram de ver onde deixaram o carro. Demorou uma meia hora para elas atinarem que o carro estava exatamente onde eu falei que deveria estar assim que chegamos no estacionamento. Mais uma hora e meia no trânsito *goshtoso* da marginal. Brasilzão. Homens sem camisa dirigindo caminhões e girando o pescoço para ver qualquer par de pernas nos carros ao lado. Brasilzão. Carros cortando, tirando finas. Brasilzão. Escorts 86 soltando fumaça preta, buracos na rua, vendedores ambulantes tirando proveito do caos do Natal para andar tranqüilamente por entre os carros em plena marginal. Pessoas tirando caca de nariz e jogando a meleca pela janela. Brasilzão. Finalmente cheguei.

Em casa, quase tudo igual. Um ou outro quadro de babãe pendurado na parede, uma mesinha e um abajour novos, nova torradeira, novas toalhas, novos azuleijos na beira da piscina. Tudo salta aos olhos.

Esqueci onde ficavam os copos, esqueci meu atalho preferido pra chegar à Rua dos Pinheiros. Esqueci nomes de atores e atrizes. Esqueci que se dá gorjeta em cabeleireiro.

Estou amando cada minuto, mesmo aqueles que parecem perdidos. Exatamente como era antes. O tempo passa mais devagar, os sorrisos ficam mais tempo nos rostos, as noites parecem mais descansadas. Tudo na minha cabeça, mas é assim. É mais real quando é só na minha cabeça.

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Ontem foi meu bota-dentro e amei cada pessoinha que foi e cada papo, e cada novidade, e cada minuto mesmo. Que saudade, que saudade. Eu nem sabia para onde olhar, de onde ouvir, para quem falar. Eu deveria virar dez, na verdade.

Inclusive, para as fofas que me cobraram, minha lista de livros de 2006 sairá em breve, quando eu voltar pra Londres, já que tá naquele computador.

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Ainda não pude aproveitar todo o calor brasileiro de que todos me falaram. Hoje, por exemplo, só choveu. Deu para dar um pulinho e umas braçadas reles na piscina do prédio. Não muitas porque tinha acabado de comer (arroz, feijão, farofa de banana e frango, sorry). E tomei um nada de sol que deve ter me queimado porque estou um papel.

E já deu para conhecer o consultório (nem tão) novo da minha irmã, e a casa (nem tão nova) do Putão, e passear na João Cachoeira, e no Extra, e comer Temaki e comprar blusinha, e comprar saia, e ver minha vó que parece cinco anos mais velha a cada ano. Toda pequena, toda enrugada, chorando e rindo ao mesmo tempo. Já não faz mais diferença.

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Ontem cheguei do bota-dentro e resolvi olhar quem estava online. E quem estava era quem eu queria. Adorei. E deu saudades. Estranho. Preciso morder bochechas.

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Feliz natal, se eu não voltar aqui amanhã.

Wednesday, December 20, 2006

últimos acordes

Que sensação mais estranha, meu deus. Estou indo, tchau Londres, tchau frio, tchau trabalho. Estou indo ver tanta gente que eu amo. Estou indo e estou com medo. Deve ser medo da ansiedade que vou passar. Sou patética.

Planos. Não quero fazer muitos mas eles aparecem e exigem uma posição. E embora eu dê risada, é uma risada meio de nervoso, porque sei que se não planejar vou apenas perder meu tempo. E não tenho muito.

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Dizem que está quente demais enquanto aqui eu digo que está frio demais. Um choque, desconfio. Um choque não apenas térmico. Aqui tá frio, mas por dentro eu tô quentinha. Estou acostumada com choques térmicos e outros choques também.

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Tentarei atualizar isso aqui enquanto estiver no Brasil mas não quero garantir nada. Não cobrem.

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O sistema de comentários voltou a funcionar. E para quem reclamava que meus posts apareciam cortados no final, isso também deve ter sido consertado.

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Vou embora! Stay gold.

Monday, December 18, 2006

testando

O novo sistema do Blogger.com. Porque sou uma garota que crê em versões betas.

quase lá

Pronto, pronto. Aqui está. Nada aconteceu, não fui seqüestrada, não estou tendo crises existenciais, não esqueci minha senha no Blogger. Gente mimada.

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Meu último fim de semana aqui antes de ir para a terrinha foi bom. Me fez pensar muito, apesar de ter passado rápido. Me fez pensar o quanto estou bem aqui agora. Depois em outro lugar, não sei. Agora tá bom. Aqui tá bom. Aqui agora tá doce sem perder as borboletas, you know what I mean.

Não fiz muita coisa mas fiz muita coisa. Frio apertando mas realmente não estou preocupada. Ficar grudada é a solução. No que quer que emita calor.

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Depois de amanhã. Estou aqui repassando over and over tudo o que tenho que fazer até quarta. Hoje, por exemplo, vou passar no médico e arrumar as malas - quando tudo o que eu queria era dormir, dormir, dormir. Por que ficamos com mais sono quanto mais o tempo passa? Minha nova moda é dormir no meio dos filmes, algo que nunca fazia antes (a não ser dopada, claro). Meu deus do céu, vou fazer 27 anos.

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Alguém tire os malditos chocolates da minha frente. Alguém os faça parar de correr para minha boca. Alguém me explique porque comi todas as minhas unhas. Alguém concorde comigo que meu remédio vai ter que subir porque tá foda. Alguém?

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Para quem não está sabendo ainda, dia 22/12, sexta, vai ter festinha para moi no Corleone. Quem quiser mais detalhes me manda um email. Vou estar lá, bonitinha, bufando de calor e sorrindo muito.

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Eu estou muito feliz de ir pro Brasil. Mas eu também vou ficar com saudades. *Você* sabe do que eu tô falando.

Wednesday, December 13, 2006

party mood

Hoje é dia de festa de gala. Como se não bastassem três garrafas de vinho e uma de champagne, os fornecedores ainda gastam os tubos nos levando para jantar. O de hoje, em especial, promete, por ser black-tie. A inglesada aqui está em pólvora. Vestidos e smokings, escovas no cabelo, inclusive eu, que não ia me dar a trabalho algum, acabei comprando um vestido longo.

Saio daqui e, junto com mais duas colegas, vamos a casa de uma outra, onde nos vestiremos e iremos para o lugar, um galpão em Cobham. Até na volta nossos fornecedores pensaram: vão pagar táxi para levar todo mundo para casa. Haja grana.

Pior é que eu nem tava a fim de ir nem nada, mas já que entrei nesse barco, vou com ele até o final. Me animei. Trouxe estojo de maquiagem e meia-calça (ugh), vários pares de brinco para experimentar e receber (ou não) aplausos de minhas fiéis colegas.

Viram, até minha escrita ficou mais fútil.

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Sim, é verdade, o sistema de comentários não está funcionando. Sim, pode ser que seja a primeira manifestação do meu inferno astral. Not that bothered, really.

Querem falar algo? Me escrevam! Aliás tem um monte de gente que lê meu blog calado. Chegou a hora de se manifestar! Estou de ótimo humor.

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Em uma semana estarei voando. E como estarei lexotanicamente dopada, é como se hoje já fosse amanhã. Entenderam?

Tuesday, December 12, 2006

lembrança da Suiça

quick thought of the day

Dizem os místicos que meu inferno astral começou ontem. E digo eu que se o que começou ontem foi inferno astral, já sei para onde quero ir quando eu morrer.

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Senhoras e senhores, eis que passou por mim o fim de semana mais estranho deste ano. Consegui sentir coisas opostas ao mesmo tempo e não surtar. Palmas para mim.

Nove dias e estou no Brasil. Oito e estou voando. Não dá para acreditar.

Thursday, December 07, 2006

loads of sugar in my bowl

Então começou a temporada de festas, também conhecida como temporada dos quilos a mais ou temporada do não reclama que a comida é de graça. Ano passado foi assim. E a associação dessas festas com minha expectativa de ir ao Brasil é direta. Acho que o dia em que não passar o final de ano no Brasil, ainda assim, vou sentir que vou, já que as festas de fim de ano me lembram essa ansiedade.

Ansiedade, ansiedade, ansiedade. Ontem eu cosegui controlar. Mas essa é que é a merda. Eu *tenho* que controlar. Ela não é controlada sozinha. Eu *tenho* que prestar atenção, eu *tenho* que me desgastar. É que nem andar de salto. Eu tenho que prestar atenção quando ando de salto porque, sendo double-jointed, viro o pé com a facilidade e indoloridade com que pisco. O único detalhe é que vira e mexe caio no chão. O mesmo acontece com a ansiedade.

Mas chega de falar no diabo, porque assim é só ele na minha vida. Ano que vem vou re-focar meus pensamentos. Todo ano falo isso. Mas ano que vem, ano que vem. O livro, ano que vem. E perder os quilos ingleses que ganhei, ano que vem. E cozinhar mais e nadar mais, ano que vem. Mais potássio e menos carboidratos, ano que vem.

Dois mil e sete vai ser uma beleza. Muni’dimais.

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Ontem reli alguns textos meus. Sabe, às vezes eu tenho uns repentes divinos. Mas é muito de vez em quando. Eu preciso me concentrar em não querer ser isso ou aquilo. Preciso mexer menos no cabelo e mais no que realmente interessa. Preciso esquecer que o tempo passa e que é isso que mata, é isso que mata e cura também. Preciso esquecer que sou levada na maioria das vezes, embora acredite piamente que levo.

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Tive um sonho lindo esta noite. Eu me hospedava num hotel com minha família, mas eles iam para um lado e eu ia para outro. Eu estava num lugar de montanhas com neve, e passeava sozinha num trenó que ia escorregando pelas montanhas. Eu via paisagens lindas que lembrava de ter visto antes em cartões postais. Um dia nublado, mas claro. Eu acima das nuvens e muito frio na barriga. Eu conhecia a ilha inteira e no final conseguia voltar pra casa.

Lembrei do sonho quando escovava os dentes, de olhos fechados. Foi bom.

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Ontem eu comecei um processo novo na minha cabeça. Meu pequeno Projeto de Bem Com a Vida. Ando me estressando com muita facilidade sobre coisas de que não tenho controle. Vamos ver se dá certo. Na real, vamos ver o quanto dura.

Wednesday, December 06, 2006

de volta ao presente

Deve ser a expectativa de ir pro Brasil. É, deve ser. Nenhum chocolate é suficientemente doce, nenhum abraço é suficientemente apertado, nenhum grito é suficientemente agudo, nenhum sono é suficientemente pesado.

Ontem, no trem, de novo. Um saco. Não sei nem porque ainda me abalo. A gente tinha que se acostumar com coisas que fazem parte da vida, não? Não, comigo não. As coisas que fazem parte da vida sempre voltam como se chegassem pela primeira vez. O inferno do desconhecido embora eu já esteja cansada de conhecer. O negócio é que é questão de sabedoria. E é isso que me falta.

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Minha Piu me insistiu para colocar alguns dos diálogos que tivemos dia desses aqui no blog mas, minha pequena, eles não ficam tão bem escritos quanto falados. Tem nada não.

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Fui nadar na segunda-feira, depois de semanas parada. Que vergonha, que fiasco. Mas foi bom rever todo mundo. Só foi ruim perceber o quanto fiquei fora de forma. Depois de uma hora de treino tive que sair. Não era cansaço cardiovascular. Era cansaço muscular.

O foda é que tá ficando muito frio.

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Preciso comprar um vestido de festa. Que saco. Nunca gostei de ter que comprar roupa. Experimentei um ou outro vestido numa loja legalzinha daqui. E daí que fiquei parecendo um bolo de noiva. Sei não, se pá vou chocar aparecendo no jantar de gala de calça de moletom.
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Vou nada.

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Catorze dias para eu me mandar. Vocês não estão entendendo. Tudo isso, essa falta de extremos, ou essa falta de mansidão que satisfaça, todo o turbilhão e as lágrimas que saem em forma de riso nervoso, e os risos que saem só nos olhos, pinicando o nariz, tudo isso só pode ter a ver com minha ida para a terrinha.

Preciso confessar uma coisa. Da última vez que fui ao Brasil, senti mais como se estivesse voltando para casa. Acho que é normal, né? Acho que é normal, sim. O tempo define o que é seu, o que não é mais, e o que nunca foi. Mas obviamente minha empolgação não é menor. Talvez diferente. Mais madura. Vou ficar menos tempo, vou ter que escolher mais. Vou ter que me dividir e me multiplicar. E além de tudo, vou ter que descansar. Porque estou exausta. Não sei bem de quê, mas estou exausta.

Ah, e para deixar registrado, estou feliz. 2006 foi um ano dugarái. (Babái, dugarái é só uma versão adaptada de “do caralho”, tá?) E quem está por aqui lendo e ajudou na “caralhice” do ano, você e você e você e você, nem preciso dizer nada, néam? I’m chuffed.

Monday, December 04, 2006

de quinta para frente

Vamos lá, acabar logo com esse diário pós-bordo, que já dando no saco e tem mil novas coisas para escrever.

Quinta, 23/11

Acordar cedo mais uma vez, e aproveitar o último dia do Alexandre. Não temos do que reclamar. Primeiro fomos a Grindewald (ou algo assim, o tempo está passando e vou esquecendo dos nomes). De lá fomos a Lucerna, uma vilinha toda linda, com um lago famoso no meio. Rodamos a cidade a pé e de carro, e subimos o morro para ver uma muralha medieval, tudo sempre muito bom. Bom demais. Naquele dia o Alexandre voltaria para Londres e eu continuaria a viagem sozinha, mas a verdade é que eu queria que ele continuasse lá comigo até o final. Mas ele, diferentemente de mim, é um mocinho muito dos responsáveis. De Lucerna continuamos passando por estradas estoanteantemente belas até chegar em Genebra. Antes disso, inclusive, quase fomos parados pela polícia na estrada. Mas isso é outra história. Sim, outra história.

Em Genebra foi meio caos. Alexandre tinha hora para chegar no aeroporto e eu não tinha albergue reservado nem nada, como sempre fazendo tudo torto, pela metade, avacalhado. O único albergue que achei na cidade estava lotado. Sorte é que ficava perto do segundo único albergue da cidade. Foi para lá que fui, já aflita porque o Alexandre ia perder o avião (apesar de que nem teria sido tão ruim assim, hohoho). Cheguei no albergue e uma excursão de 734876273 de italianos estava na minha frente, gritando, gesticulando, atrasando tudo. Eu já não estava no melhor dos humores. Mas respirei, relaxei, esperei. Bonitinha. Como era de se esperar. Consegui uma cama num quarto de seis. Foi tranqüilo, mais do que eu pensei que seria.

Sexta 24/11

Acordei às 7 da manhã porque em albergue é assim, um acorda, o outro acorda também e tudo acontece numa sucessão de sacolas do tipo barulhentas, e coisas que caem e luzes que acendem e celulares, malditos celulares (lembrando que eu havia perdido o meu, logo estava sem alarme, logo precisaria das sacolas barulhentas e das coisas que caem e das luzes que acendem para acordar a tempo de ir para Basel no dia seguinte e pegar o vôo de volta pra Londres).

Às 8h já estava na rua passeando. Grande erro, grande erro. Comecei a andar desenfreadamente. Andei em todas as ruas possíveis e imagináveis (algumas mais de uma vez) do centro histórico. Vi a catedral, vi casas onde moraram pessoas famosas, fui em tudo o que meu guia sublinhava. Chegou meio-dia e eu tinha visto tudo o que queria. E estava exausta. Sentei para tomar um café por meia hora. Continuava exausta. Andei mais um pouco para ver se era psicológico. Não era. Decidi dar um tempo. Ir pro albergue, sei lá, tomar um banho, tentar carregar meu iPod. A vida tem outra cor com iPod nos ouvidos.

Cheguei lá e bati com a cara na porta. O albergue ficava *fechado* até 2pm. Tive que tomar mais uma café, fazer hora mesmo, comprar besteiras. Cheguei no albergue, tomei banho, deixei meu iPod, o Nano Singer, carregando, pronto, melhor assim.

Saí de novo. Dessa vez passeei pelo parque à beira da Baía de Genebra, onde tem o Jardim Botânico e, mais além, a Universidade de Genebra e, mais além ainda, a ONU e outros órgãos internacionais. Uma delícia. Andei muito, andei demais, meu joelho doía, meu tornozelo também, mas tudo estava ficando cada vez melhor. Ao final do passeio, uma dor feliz de ter que voltar tudo a pé para o albergue. Cheguei lá exausta de novo, 5pm. Resolvi ler um pouquinho, só um pouquinho, terminar meu livro. Dormi. Acordei às 8pm, de novo com a corda toda. Me vesti e fui passear pela Rue Mont Blanc. Bati mais perna. Voltei umas 10pm e achei que seria difícil dormir de novo. Não foi.

Sábado, 25/11

Dia de partir. Acordei às 8am e tive que sair em jejum já que havia perdido o cartãozinho do café-da-manhã. A estação do trem de Genebra ficava a uns 10 minutos a pé de onde eu estava. Peguei o trem que ia direto a Basel. Duas horas de viagem, estou eu em Basel, nos achados e perdidos, perguntando do meu celular, fazendo mímica porque a mocinha não falava inglês. Eu – não – celular. Eu – cadê – celular. Uma hora ela entendeu e me deu um website pra entrar. Eu já sabia que o telefone tinha virado história.

Peguei um ônibus de lá até o aeroporto onde esperei horas e horas e horas. Voei ao lado de um alemão simpático que tentou me acalmar (não sei por que fiquei ansiosa com a decolagem) e me impressionar com seus estudos de árabe. Pegamos também o ônibus para Victoria, onde expliquei para o gajo como ir aonde ele precisava ir. Cheguei em casa, feliz de estar em casa, mas mais feliz por ter tido uma semana incrível, com mil histórias para contar, outras que não se sai contando, mas que estão guardadas aqui.

Voltarei, logo, para a Suíça.

Friday, December 01, 2006

ouvindo agora e sorrindo de leve

I can't believe that life's so complex
When I just want to sit here and watch you undress

Does it have to be a life full of dread
I wanna chase you round the table, I wanna touch your head

I can't believe that the axis turns on suffering
When you taste so good

You're the only story that I never told
You're my dirty little secret, wanna keep you so


Quando nada mais torcer seu estômago, ouça PJ Harvey.

Quando tudo torcer seu estômago mas mesmo assim você quer mais, ouça PJ Harvey.

Só não ouça PJ Harvey quando você quer almofadas em todas as quinas da vida.

Thursday, November 30, 2006

Quarta 22/11













Toc toc toc – Good morniiiing (ficando agudo no final). Era o Walter vindo nos acordar para o café-da-manhã. A gente deixava escrito na porta do quarto o que queríamos e a que horas e ele vinha acordar e levar o café.


Comemos bem, fizemos sanduichinhos para levar na viagem. Era o dia de subir o Jungfraujoch, alardeado como topo da Europa (not really, but hey). De trenzinho, claro. Uma explicação mais científica pode ser obtida no site de Sir Rubenzão, vulgo Alexandre.


A passagem é cara, mas foi um dinheiro muito bem gasto. Valeu cada puto. Paisagens de tirar o fôlego e fazer hesitar quem diz que só curte praia. Sem brincadeira, um dos lugares mais bonitos que já visitei. Acho que à beleza do lugar, somou-se o fato de a gente nunca ver neve, então tudo fica ainda mais impressionante. No topo chegou a fazer -19 graus celsius. Eu não estava preparada e ainda por cima perdi meu gorrinho. Minha luva é do tipo deditos, que deixa a ponta dos dedos de fora. Cagada, cagada. Quase gangrenei.

Teve ainda o palácio de gelo, e a já antológica cena de eu chutando a grade para voar neve para todo lado e acertando um japa furioso que estava, fazer o quê?, na rota do vento. “YOU! COME HERE!” ele gritou. Eu ri e Rubenzão enrubesceu por mim.


A viagem de trem de volta também foi bonita, mas já estávamos muito cansados. Não sei se pela altitude, ou pelo frio, ou por passar o dia de lá pra cá mesmo. Provavelmente tudo junto. Certo é que voltamos pro Walter acabados e felizes. Jantamos fondue com vinho branco (eu juro que bebi um pouco!). Encerramos o dia com classe. Perfeito. Não mudaria nada. Tá, quem sabe mudaria o fato de ter perdido o gorrinho. Mas mais nada. Nada como viajar para um lugar ótimo em ótima companhia.

Terça, 21/11

Foi esse o dia em que acordei coçando. Pulgas, imagino. Pulgas para todos os lados. Pulgas me picando as canelas, os braços, os ombros, o mindinho do pé, até. Pulgas. Só em mim. Flá ganha casquinhas. Flá ganha refrigerantes. Eu ganho pulgas.



Último dia para a Flá, tínhamos que aproveitar, apesar da chuva fina. Pegamos o bondinho e fomos conhecer downtown Basel, que é uma fofura. Cidadezinha do tipo caixinha de música. Quase do tipo origami. Visitamos o prédio da prefeitura, a catedral, atravessamos pontes e vimos mercadinho de natal. É tudo tão harmônico que é difícil imaginar alguém morrendo ou alguém roubando. Ou até alguém tropeçando (tirando eu, claro).



Fomos pegar nossas trouxas no hotel e partir para a estação de trem, de onde eu ia para Interlaken e Flá ia para o aeroporto. Um cafezinho, compra passagem, tudo com calma, tudo certo. O trem é absurdamente luxuoso e obviamente fiquei roxa de vergonha ao perceber que tinha comprado a passagem errada, que custava metade do preço da certa. Mas tá valendo, tá valendo. A gente tenta. A gente é gringo, a gente pode. E foi no trem mesmo que percebi que meu celular não estava mais comigo. Perdi. Não sei onde, nem como, não sei se deixei em algum lugar de burra ou se foi delicadamente retirado de meus pertences. De novo. Meu celular de poucos meses de idade. Igual ao do ano passado (que foi tacitamente roubado, diga-se). Alguns meses de alegria e acabou. Foi-se. Eu ainda tinha esperança de fazê-lo funcionar chegando em Interlaken, para poder me comunicar com o Alexandre, que me encontraria lá. Agora nem o número dele eu tinha, para ligar de algum telefone público se desse algum pau. Minha cara.

A viagem de trem foi linda. Passei por Bern (capital, sabiam?), mais trocentas vilinhas que não cansei de olhar, e fiz todo o contorno em um dos lagos que dá razão ao nome do meu destino. Interlaken fica entre dois lagos cujos nomes me fogem e não quero pesquisar porque estou com sono e ninguém me paga para pesquisar e escrever aqui. Uma cidade pequena e fofa, de novo origami, de novo musicbox. É cheio disso na Suíça. Eu me sentia até mais correta andando pelas ruas em linha reta e sem me perder.



Mala nas costas, comecei a andar em uma só rua, que era a mesma que levaria à casa do Walter, onde tínhamos reserva. Cheguei lá, abri a porta, não havia recepção. Comecei a subir as escadas sem saber direito por quê. No meio do caminho um senhor de meia idade (com cara de Geraldo, segundo Alexandre) vem ao meu encontro. Um inglês primoroso em que só se utiliza o presente dos verbos mais elementares. Uma graça. Uma figura. Nosso quarto era gigantesco, inclusive com um piano que não tocava (acho que está na moda na Suíça).

Aí chegou a pior hora, que era a hora de morrer de fome enquanto esperava Sir Alexandre chegar porque não tinha recepção na casa do Walter e ele então não saberia nada, não entenderia nada. E estava chovendo, e eu estava nos alpes, porra. Ansiosa que só.

Resolvi entrar na internet, achar alguém que tinha o número do Alexandre no MSN (valeu, Nica!) e pedir pra explicar pra ele que o nosso quarto era o seis, e que eu estava indo para algum lugar, de guarda-chuva e fome e ansiedade, algum lugar que eu não sabia. Só pensava em decorar o caminho da volta.

Acabei achando um único lugar aberto. Comprei um sanduíche, Pringles e um chocolate de ovomaltine. Voltei. Quando chego no Walter, Alexandre e o carro chegam trazidos pelo GPS. Enrolação básica e saímos para jantar no centro da cidade. O sanduíche ficou para a história.

Wednesday, November 29, 2006

Segunda, 20/11

Acordar cedo e ir. Era o plano. Não foi bem assim. O despertador não tocou porque a bateria do meu celular acabou (o começo do fim de minha curta relação com meu novo celular). E só um chuveiro funcionava. Acabamos saindo mais de uma hora depois do planejado. Estando de férias, nada era ruim.



Fomos para Konstanz parando em várias vilinhas. O melhor jeito de se viajar pela Europa é assim: de trem, pegando o maior número de paradas possível.

Descemos e saímos andando, rumo ao lago, para achar um lugar pra comer. Os poucos restaurantes por ali estavam fechados. Acabamos indo, de novo, num Mc Donald’s, onde, mais uma vez, Flávia ganha um refrigerante de graça e eu não. Nice again.




Passeamos em volta do lago e inclusive nele, ouso dizer.



Tá, dei um passo dentro do lago, para catar pedrinha e para dizer que experimentei as águas do famigerado lago. As fotos não me deixam mentir.

Mais um dia de bater muita perna. Depois do lago fomos passear pela cidadezinha, até anoitecer e chegar a hora de pegar o trem de novo, dessa vez para Basel, onde passaríamos apenas uma noite e no dia seguinte, hora do almoço, a Flá pegaria o avião de volta.

Chegamos em Basel sem saber para onde ir. Já era de noite e começamos a andar, caladas pra economizar energia. Nada de hostel, hotel, nada de nada. Só avenidas grandes e casas do estilo cohab. Percebemos logo que estávamos no lado *errado* da cidade. Continuamos mesmo assim, porque não tinha o que fazer. Depois de uns vinte minutos começaram a aparecer as primeiras placas pro Zentrum e para hotéis.

Acabamos ficando num hotel, pagando mais do que gostaríamos de ter pago, mas tendo mais conforto do que esperávamos. Apesar disso, minha cama estava decididamente com pulgas, das quais ainda hoje me lembro posto que não parei de me coçar ainda. Vale lembrar que Flá não ficou com uma só mordida. Nice again.

Bom, depois de acharmos o hotel, deixamos as coisas e fomos para a balada. Quer dizer, na verdade ficamos uns 15 minutos no lugar, mas gosto de dizer que fomos para a balada.



Era o Bar Rouge, no 31º andar do prédio do Ramada. Cheio de homens brancos em trajes sociais pretos, rodando o gelo do uísque com o dedo após um dia de boring meetings. Cansamos rápido. Era tudo muito rouge e estranho.

Na volta paramos num Piano Bar sem piano para comer algo. Descobrimos então que Suíça é cara.

Tuesday, November 28, 2006

rough rough rough

Interrompemos a programação para minha crise de mau humor.

Ainda vou me arrepender desses repentes na world wide web, mas que se exploda. Nada deu muito errado, mas quase nada deu slightly certo.

Tô entediada, com dores, puta da vida com várias pessoas sem motivo, e não, machinhos, não estou de TPM. Pior de tudo é que sei o motivo e me odeio por isso.

Mas vai passar, vai passar. Já tá passando. Aliás, tinha quase ido embora quando queimei meu pé tentando ser zen e tomando um banho de banheira. Aí voltou.

Amanhã acordo nova, independentemente de hoje. Mas hoje seria um dia menos nulo com um cafuné.

Monday, November 27, 2006

Sábado, 19/11



Esse era *o* dia de ver Munique. Tínhamos que make the most of it. Fizemos mesmo. Batemos muita perna. Fomos primeiro no Palácio de Nyphenburg ou algo assim, que tem a ver com ninfas, sim. Uma das salas contava com 38 (38?) quadros de mulheres que o rei (algum rei) achava belas. O mais legal no palácio, no entanto, é o jardim.



De lá fomos para o centro de Munique onde, entre outros BELVEDERES (das palavras que soam algo que não são) visitamos o Residenz, onde vários reis moraram.



O maior palácio que já visitei, nunca tinha ido a um lugar com tantas salas de acesso a público. Lindo, lindo. No final eu e a Flá estávamos levantando a bandeira branca.



Também andamos muito por áreas que, não estivéssemos perdidas, jamais conheceríamos. O lado bom de fazer merda sem o nervoso de perder tempo.

Precisávamos sentar. Fomos atrás de um restaurante típico indicado por uma pessoa típica, mas não decorei o nome do restaurante a tempo de perguntar para outra pessoa como chegar lá. Eu só lembrava o nome da estação de trem. Giselastrasse.



Acabamos indo num restaurante com cara de típico e bom, eu achei. As garçonetes vestiam vestidinhos com mangas bufantes. Os garçons traziam um cantil pendurado. Fofo. Tudo fofo. E germanicamente incompreensível.

Sexta, 18/11

Mudei de idéia, vou postar dia por dia.

**

Depois de uma noite cheia de gente em casa, acordamos Flá e eu já sabendo que teríamos que largar a casa na bagunça mesmo. Não daria tempo de muito mais que fazer as malas. Conseguimos sair na hora que planejamos, mas planejamos errado e perdemos o ônibus para o aeroporto. Pegamos o seguinte e, sem crise, deu tudo certo. Foi tudo bem tranqüilo. Check in sem problemas, nenhuma criança chutando meu assento no avião, nenhuma turbulência fazendo suar frio, chegamos em Munique com classe. Nada dava errado. Pegamos o trem certo, descemos na estação certa, tudo estava certo demais. Certo demais. Isso tinha que estar errado. Como eu não fui perceber? Nada dá tão certo sempre.

Chegamos no albergue às 22h para descobrirmos que tinham trocado as bolas (bolas estas que não fiz questão de entender porque estava irritada, e irritada não entendo nada). Resumindo: o albergue onde fiz reserva não tinha mais vaga para nós. Simples assim. Ignoraram nosso booking. E não tinha solução outra que não fosse nos mandar de mala-bem-pesada e tudo para ooooutro albergue. Fomos. Deu tudo certo, mas foi a maior perda de tempo, ainda mais que no dia seguinte teríamos de voltar para o albergue original, fazer check in de novo yadda yadda.

Ainda na sexta precisávamos considerar o dia útil e fomos reconhecer a área. Andamos por aí. Terminamos no Mc Donald’s onde a Flá ganhou um sorvete de casquinha de graça, e eu não. Nice.

Sunday, November 26, 2006

de volta

Amo a Suíça a partir da semana passada.

A real é que tenho zilhões de coisas para escrever, palavras entupidas na ponta dos dedos querendo sair, mas agora não vai dar pra mergulhar aqui porque não estou exatamente concentrada com a Flá me perguntando o que cozinhar e o Felipe, amigo dela, discutindo as peculiaridades das línguas estrangeiras.

Não reclamo, fiquei dois dias muda, viajando sozinha, agora quero mais é ser interrompida nos meus mais tortuosos pensamentos.

Jajá escrevo o maior post que a blogosfera jamais testemunhou. Jajá não é necessariamenre hoje, mas é em algum momento.

Thursday, November 16, 2006

outros olhos

Bom é assim. Odeio morrer de sono, mas adoro lembrar da causa.

Continuo rodando mais rápido que a rotação da Terra mas, hey, isso eu já esperava. Eu sempre soube. Sempre foi assim. É inerente. Me surpreende o fato de eu ainda me surpreender.

Eu posso estar pacífica, mas ainda carrego um mundo refletido nos olhos. Não dá para ficar tranqüila assim. Eu fico o tempo todo me coçando para lembrar que existem coceiras que estejam no corpo, e não na alma.

É que eu sempre me perco quando começo a andar sozinha, mas then again, já me acostumei. Sei que vou me perder mesmo, que seja rápido, e que eu me divirta com minha miséria, e que eu conheça estradas mais bonitas que as principais, e que eu ache a certa por acaso, porque de propósito nunca vai rolar. E que a certa nunca seja a certa, apenas a menos errada. Ou a mais divertida. Porque não preciso de tanto assim para me divertir. Acho que fiquei menos exigente com a idade. Ou o mundo é que me parece mais patético. Pode ser, pode ser. Não sei. Não preciso.

**

Amei falar com minha Fru no telefone. Amei falar com meu Putão no Skype. Que saudade, que saudade. Tá chegando.

**

Sabe que eu me acho a pessoa menos romântica do mundo (enquanto o mundo acho o contrário), mas não tem como ouvir By Your Side sem se derreter. Uma das melhores músicas dos últimos tempos, que até meu iTunes parece gostar. E eu gosto que ele goste.

I will show you, you'll so much better than you know.

Mas é depois de amanhã que eu viajo e nem tenho nada pronto, nada planejado, nem um guia, nem um mapa, nem sei a mala que vou levar e quanto dinheiro devo tirar, não sei nem de que aeroporto sai meu vôo. Não sei a hora do meu vôo. Muito trabalho, e muitas outras coisas disputando lugar na minha cabeça.

Mas ninguém deve pensar em mais nada quando se ouve By Your Side. É sacanagem, é injusto, é errado. Eu paro o que quer que esteja fazendo para aproveitar os poucos minutos de romantismo que existem em mim. Não importa quem esteja na roda. Nem que esteja a minha volta. Nem o que eu tenha feito de errado. Nem o que você esteja fazendo de errado. Todo mundo menos nós.

Yeah, the white men in the black suits, they are diminishing.
I really hope they go away
I hope they find a nice place
I hope they find it some way
I hope they go away.

É por aí.

Wednesday, November 15, 2006

conta até quatro, solta, conta até quatro, puxa

Contando as horas para sábado. Vocês sabem o quanto mereço? Não, não sabem. Eu merecia um ano de férias - mas then again, só eu acho isso. Oh, mundo capitalista e taylorista, pai de todas as injustiças e conflitos entre irmãos. Oh.

**

Passei por um momento de epifania mágico. Na verdade sonhei com uma descoberta revolucionária. Sonhei que existia um mercado com um hidratante só para bunda! Não tente entender!

Sonhei que comprava, tinha achado a idéia genial, mas que na embalagem dizia que era feito de material alucionógeno. A-ham.

**

Mais um feriado no Brasil. Se tem algo de que sinto falta é do fervor religioso do meu país que me permitiu por tantos anos ter tantos feriados. Viva a República Federativa do Brasil. Sip sip hurray.

**

Cólica. E olha que não sou dessas. E ansiosa. E olha que sou bem dessas. Mas hoje vou na dotôra, ver se está tudo nos conformes no quesito cachola. Well, nos conformes nunca vai estar. Vamos ver se ela, a cachola, está confortavelmente desconfortável, apenas.

**

Pode ser que eu tenha feito merda. Pode ser. Mas não estou pensando mal de mim. Pode ser que eu me arrependa, pode ser que eu me censure ainda mais, pode ser que eu seja uma pessoa pior a partir de agora, um-dois-e-já.

Still, sou eu. Os outros podem, mas eu não posso pensar mal de mim. É assim que me protejo do que existe de ruim tentando contaminar o (resto) que tenho de bom.

Monday, November 13, 2006

it's a mess but it's working

Metade de mim diz que sou uma ótima pessoa. A outra metade é toda tentativa de negação. Eu já entendi que preciso somar e dividir por dois. Eu só não consegui ainda.

Cabeça atordoada demais com pessoas demais. Essa viagem veio a calhar. Nem escrever destravada estou conseguindo.

E nem tentem entender toda a dimensão porque poucas pessoas conseguem ver o quadro completo. Partes dele são lindas, invejáveis até. Ele inteiro, not too sure.

Please please please
No apologies
At best they buy you time
Until you’re next step out of line
Please please please
No more remedies
My method is uncertain
It's a mess but it's working

And maybe if you want to try it out
You won't like it when you're crying out

Give me something familiar
Somethin' similar
To what we know already
That will keep us steady
Steady, steady
Steady going nowhere


Tenho que deixar a Fiona cantar mais vezes. Ela manda bem melhor que eu.

**

Expectativas para ir ao Brasil crescendo a dimensões pantagruélicas. Um mês e uma semana to go.

(Na verdade eu só queria usar a palavra “pantagruélica”.)

**

Eu já escrevi vinte coisas e quase vinte eu apaguei.

**


Na verdade eu travo assim porque sei que tem muita gente lendo isso aqui. E tem muita gente querendo doer menos, e outra gente querendo doer mais, e eu só escrevo para mim, só para mim. Não se iludam. Mas estamos todos aqui, no mesmo mundo ao mesmo tempo. É claro que você e você e você também vão estar aqui. Eu não quero machucar. Eu só aprendi a não doer junto. Será que fiquei dura demais? Eu não sei, mas sinceramente prefiro assim.

Thursday, November 09, 2006

fuck my way up

Acabou meu remédio e eu esqueci de pegar a receita. Tudo errado, tudo errado... Estou mais lentinha por isso. Se tudo ficar torto, é culpa da minha antidopagem.

E estou meio entediada aqui. O ano está acabando, meu chefe jumping up and down para atingirmos a meta, mas sem budget não há muito o que uma mera executiva possa fazer. Eu espero apenas. Enquanto isso leio poesias – Rilke especificamente – e mastigo qualquer coisa.

**

Eu nunca vou ser o tipo de moça terninho. O tipo que limpa nervosamente a boca com o guardanapo quando come. O tipo que sonha com cavalos sendo alimentados com muesli. Eu nunca serei mocinha, dessas que secam o cabelo. De manhã e à noite. Daquelas que comem maçãs em vez de chocolate. Eu nunca vou me comportar como se espera. Eu nunca vou deixar de franzir a testa porque franzir a testa dá rugas. Eu não penso no quanto preciso fazer a unha. Eu não me preocupo se saí com uma meia de cada par. Eu não me preocupo com pares em geral, nem com meias. Eu acordo todos os dias às 7:28h porque odeio tudo o que é redondo.

Poucas vezes errei de caminho, mas é só porque os caminhos são tão tortuosos, tão sinuosos, que é difícil dizer quando terminei um e comecei outro, quando realmente escolhi ou quando fui a esmo. Na maioria das vezes, vou a esmo. Acredito demais nas minhas entranhas. Desconfio muito da minha capacidade de planejamento. Não sei o que vou estar fazendo daqui a cinco anos e chego atrasada em entrevistas de emprego (mas não me atraso para mais nada).

Odeio uniformidade, odeio unilateralidade, odeio unidireção, odeio “unis” em geral, inclusive uniões. Não acredito em uniões, para ser sincera. Acredito em andar junto. Fundir, não.

Acredito em caminhos tortos, mas não em errados. Nem em certos. Apenas espertos ou burros. Para caminho não se dá nota. Porque notas têm que partir de uma certeza absoluta e ir baixando quanto mais se afasta disso. Só que ninguém sabe de nada, ninguém tem o direito de saber mais, nem a capacidade. Ninguém entenderia porque um caminho limpo e reto me deixaria deprimida. Ninguém entende quando choro estando tudo, tudo bem.

E foda-se.

Não entendo como há gente to tipo terninho, do tipo que limpa nervosamente a boca com o guardanapo, do tipo que sonha com cavalos e seca o cabelo. Não entendo, não faz parte do meu mundo, rio de ironia (são pessoas que ainda não entenderam que vão morrer). Ou de tédio. Rio dos textos lineares. Acho graça em quem tenta fazer da literatura uma arte exata (se isso existe). Não rio de raiva (embora possa acontecer). Rio porque acho fofo. Elementar. Uma infamiliaridade com a escrita igual a que eu tenho com um pincel. Ou com um guardanapo grande.

Mas tento ao máximo respeitar. Tem gente que sabe onde vai estar daqui a um mês e realmente sabe. Eu não sei. Eu prefiro ser surpreendida no meio do caminho. Mudar meu curso, voltar, cortar caminho, ser pega pela polícia, chutar e ser presa, chorar, depois rir de tudo e vir contar. Não sei o que me fará feliz. Sei o que me faz.

Ah, chega.

Wednesday, November 08, 2006

Bukowski

ANOTHER BED
from: Love is a Mad Dog from Hell

another bed
another women

more curtains
another bathroom
another kitchen

other eyes
other hair
other
feet and toes.

everybodys looking.
the eternal search.

you stay in bed
she gets dressed for work
and you wonder what happened
to the last one
and the one after that...
it's all so comfortable-
this love making
this sleeping together
the gentle kindness...

after she leaves you get up and use her
bathroom,

it's all so intimate and strange.
you go back to bed and
sleep another hour.

when you leave its with sadness
but you'll se her again
whether it works or not.
you drive down to the shore and sit
in your car. it's almost noon.

-another bed, other ears, other
ear rings, other mouths, other slippers, other
dresses

colors, doors, phone numbers.

you were once strong enough to live alone.
for a man nearing sixty you should be more
sensible.

you start the car and shift,
thinking, I'll phone Jeanie when I get in,
I haven't seen her since Friday.



Ah, esse Hank...

Tuesday, November 07, 2006

alone we stand, together we fall apart

Unusual day this was.

Dormi pouco mas acordei bem. Mas o que me intrigou mesmo veio de fora. Recebi email de pessoas que menos esperava. Aliás, quase nunca espero anyway. Descobri que minha resistência a frustrações é baixa, então prefiro não esperar nada nunca. Mando emails e depois esqueço, porque a idéia de nunca receber uma resposta me é insuportável.

Emails bons, quase todos. Amigos que devo reencontrar em breve. Pessoas que sabem que vou pro Brasil e resolvem que sou importante. Pessoas que não me conhecem mas me acham que conhecem por causa do meu blog (acho o máximo, só não consigo entender). E outras pessoas. Sempre têm as que intrigam mais.

Baby, baby, você dançou. Agora é tarde, néam? Sim, agora é tarde. Sou eu quem digo, sou eu quem julgo. Só de farra, vamos trocar de papéis, sim? Agora você massageia e eu piso.

**

E ando pensando bobagens. Bobagens boas. Mas nem vale a pena me esticar aqui. Porque as pessoas lêem e depois vêm pedir further explanations que na esmagadora maioria das vezes eu não tô a fim de dar– se estivesse escreveria porque, acreditem, eu sei escrever claro também.

Mas tá legal, tá legal. Tá rolando, tá rolando. Estou falando da vida. Está andando conforme é empurrada. Finalmente funcionando Segundo as leis da física. O problema é quando dou aquele tapão e tudo sai voando descarrilhado. Ainda não. Por isso estou sorrindo mais.

**

E em uma semana e meia apenas estarei de malas prontas. Não vejo a hora, não vejo a hora. Estou cansada. Estou senhora.

Monday, November 06, 2006

no such thing as saving love for later

Após dois dias off sick, tenho uma montanha de trabalho me esperando. E pouca disposição, já que ainda há restos de resfriado correndo por aí.

Mas vou fazendo sem pensar porque se eu convencer meu corpo de que ele pode, a cabeça vai atrás. Sempre foi assim comigo.

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O fim de semana foi bom. Quieto. Dormi muito, como precisava. Saí pouco, porque já tá frio. Fizemos uma sessão de filme em casa na sexta. O frio foi suficiente para convencer meia dúzia de marmanjos a comparecerem. Compramos pipoca e sorvete e panqueca. O filme que escolhemos, Hostel, foi uma bosta. Todo o resto foi bom.

Sábado foi dia do transporte em Londres foder com minha paciência once again. Metrô fechado, outro atrasado, ônibus parado, um carnaval, minha gente, um carnaval. Demorei mais de uma hora pra chegar em Central London. Fomos no cinema, assistir Red Road, um filme escocês que eu adorei, embora seja meio deprimente e embora eu tenha que assistir de novo quando chegar em DVD, dessa vez com legendas. O filme se passa no pior que há de Glasgow.

Domingo foi dia de fogos. Remember, remember the 5th of November etc. Fomos no Victoria Park, em Bethnal Green, assistir à queima de fogos. Viagem longa para fogos curtos e reles. Na verdade, achei a queima linda. Uns fogos que nunca tinha visto, emocionante mesmo. Só que viajamos bagarái pra chegar lá e assistir a, sei lá, 10 minutos de festa. If I had to do it all again I wouldn’t.

Em suma, aproveitei a maior parte do tempo em ótima companhia.

Mas como sou um bebezão, it’s never enough. Em Londres aprendi a ser carente. Nunca fui. Aqui sou um pouco. Não muito porque esse é um sentimento que me irrita e me intimida. Mas confesso que fiquei um pouco mais, ou ao menos aprendi a enxergar.

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Sonhei com montanhas.

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Falei com minha Piu no Skype com webcam pela primeira vez. Foi lindo. Ela estava usando o pijama que mais amo No. 2, também conhecido como Cecilinha.

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Já falei que arranjei companhia pra minha viagem? Arranjei. Uma para a parte da Alemanha, outra para parte da parte da Suíça. O que me deixa apenas duas noites on my own. Should be fun.

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Saving love for later – there’s no such thing. Aprendi isso na marra, claro. “Vou ficar aqui guardando seu amor para quando você voltar”. Frases que falamos para preencher vazios doídos. Eu fiz e você fez e eles fizeram. Todos mentimos, percebemos e ficamos quietos. Digerindo a mentira mútua.

Estava lendo o blog de uma menina cujo amado foi morar fora. E ela disse isso, que estará guardando o amor para quando ele voltar. E a vontade que tive era de dizer que não, que tá tudo errado, que ela ainda não sabe, mas isso não existe. Que, day in day out, deparo-me com alguém que acabou de descobrir a verdade, como eu uma vez descobri. Dói saber que amor não é tão forte como um dia acreditamos. Que acaba a maioria sabe depois dos 20. Mas não que acaba antes do que esperamos.

Então se um dia ela vier parar aqui, lendo este post, que seja rápido - indolor é impossível. Mas que faça sentido. Que ela não me xingue, não me odeie, não me ache uma burra generalista. Porque não estou sendo burra nem generalista. Vai ser assim.

Enfim, há várias formas de se tapar o sol com a peneira. Mas já adianto, nenhuma delas vai evitar queimaduras.

Wednesday, November 01, 2006

32 merdas

Hoje o dia começou assim: derrubei leite no sofá, esqueci o mapa do lugar pra onde ia em Richmond e esqueci o celular em casa e esqueci o iPod. Existe um psicanalista (só podia) que afirma que temos que ter 32 furstrações diárias, entre grandes e ínfimas, para que o dia seja completo. Considerando que em menos de uma hora já foram 4, em 24 serão 96, o que deveria fazer, segunda a matermática do nosso amigo, com que eu não tenha mais nenhuma frustração nos próximos dois dias.

Mas como eu duvido, desde já declaro que o psicanalista que afirmou isso e cujo nome não me lembro, só fala merda.

**

Continua inundando. Impressionante. Sorrisinho rasgado. As coisas não eram assim quando não éramos tão comunicáveis. Agora sou sempre achada. E adoro. E adoro reclamar adorando. Some sugar in my bowl, you know. Nina Simone continua tentando habitar meu corpo. Eu deixaria fácil, se ela quisesse mesmo. Já pensou uma blueseira loira de olhos claros? A voz, temporariamente, eu já tenho.

**

Ontem fui num pub e veio uma menina vestida de bruxa absurdamente apertável (aqui não posso fazer essas coisas, fiquei na vontade) dizer trick or treat. Peguei umas moedas da bolsa e dei pra ela. Mas acho que ela tava superafim de fazer o trick, então mesmo recebendo o treat. Ela virou as pálpebras pra fora e falou “looks like you’ll have a trick!” E eu respondi, “but, sweetheart, I just gave you your treat!”. Ela ficou me olhando meio encafifada, quase com medo. Abri um sorriso. Ela ficou ainda mais assustada. Aí eu percebi que ela ia correr mas ainda deu tempo de acrescentar: “hey! Stop doing that to your eyes. An angel will come and blow and you’ll be like that forever! Seriously!”

Ela recuou, de costas mesmo, e já armou o bico. Eu não queria fazê-la chorar, mas virar as pálpebras daquele jeito não pode fazer bem. Eu fiz isso pelo bem dela. Eu juro. E vai que realmente passa um anjo, sopra, e ela fica daquele jeito? Foi assim que eu, pelo menos, parei de brincar de ser vesga quando era criança.

Tuesday, October 31, 2006

life's short but sweet for certain

Sonhei que entrava numa piscine escura e cheia de bichos escuros. Nadava um pouco. Não estava exatamente à vontade, mas não importava muito. Nadei, e os bichos começaram a sair da piscina. Marrons. Sumiam, subiam em árvores, e eu continuava nadando. Era um dia cinza. Meu pai me assistia de longe. Nadei, nadei, nadei, até que estivesse eu e apenas eu na piscina. Não foi um sonho ruim.

**

Talvez por não ser negona essa voz de Nina Simone fique patética em mim. Estou tomando pastilhas, para ver se volto a ser mocinha. Enquanto isso eu sigo cantando baixinho, pra não assustar os transeuntes: do I move you?

**

Voltamos uma hora. Saio do trabalho e já está escuro. É apenas o começo de mais um inverno londrino. Hoje, Halloween, o começo das sombras compridas. Boo.

Monday, October 30, 2006

…and pleases me

Eu nem deveria falar muito. Eu queria falar muito though.

Porque quando chove, inunda.

Mas eu não deveria falar e, for a change, devo fazer o que deveria, e não o que quero. Porque fazer o que quero é uma delícia até a hora que acaba e chega a conta.

O fim de semana? Em uma palavra? Surreal. Surreal bom, que fique claro. Mas surreal. Todas as noites mal dormidas. Mais uma vez, happy and bleeding como eu gosto, já que nunca mais vou saber o que é ser feliz apenas. Que jorra sangue então. Vamos fazer bem feito. Eu não estou aqui para assistir todo mundo passando. Eu estou aqui para passar também. E não me iludo que haverá no fim do caminho alguém esperando que eu pare. E não iludo ninguém também ameaçando desacelerar. Não quero dormir sempre bem, nem sempre mal. Não quero um coração sempre abaixo dos 100bpm. Não quero também sempre acima.

Ah, e odeio mais ou menos também.

Não quero e odeio demais, e sempre me iludo de que sou o oposto, de que amo e quero e só digo sim.

Mentira.

**

Vi a peça do Kevin Spacey e, não sei se foi a peça ou a companhia, mas dei umas piscadas de mais de um minuto, desconfio. Três horas de peça em que só se fala, fala, fala. Três personagens. Nada muda. Só se fala. E falar não resolve nada, a gente sabe. E só se fala com sotaque irlandês e dos EUA do começo do século.

Não tinha jeito. Não tinha.

Vi uns filmes também, mas acho que não estava no clima de entender nada. Li pouco por falta de tempo para deixar os olhos abertos e parados.

Passeei. Sim, andei de bicicleta, eu confesso. Comprei uma bicicleta, eu confesso. Não quero saber de babãe e Piu achando que eu vou morrer. Não vou, tá? É só uma bicicleta.

**

Estou sem voz e feliz. Na verdade, voz grossa. Nina Simone na vitrola. Sempre, sempre bom.

Thursday, October 26, 2006

feliz com éfe minúsculo

Às vezes sinto que a vida tá tão boa que eu preciso reclamar, só para poder mostrar ao mundo e aos demônios que mesmo estando tão feliz eu não estou tão feliz. Só para efeito de driblagem mesmo. Porque a verdade é que não posso reclamar. Estou caindo de sono e quasi-gripada. Estou com frio a maior parte do tempo. Quando não estou com frio, estou com calor. Nunca estou apenas. E estou feliz. Talvez não seja, ainda, a Felicidade, dessas com efe maiúsculo. Mas é felicidade. Efêmera, plástica, alienante, ouso dizer até traiçoeira. Mas felicidade pode ser qualquer coisa se ainda assim for felicidade.

**

Ontem recebi uma notícia que me arrepiou a espinha. Uma das minhas melhores amigas, a Cá, está grávida. Depois apenas alguns meses de casamento. Como ela queria. Exatamente como ela queria. Eu tenho mil perguntas pra fazer. E quero ouvir sua vozinha, para ver se está diferente ou se continua fofa e infantil. Quero que ela fale “estojo” para mim como só ela sabe. Quando eu for pro Brasil eu vou poder ver o little bump que já vai estar lá. Eu não me agüento. Esses dois, a Cá e o Rô, são muito fofos. Eles vão dar à luz a mais fofa das criaturas. E eu não vou estar por perto para ser a amiga preferida da mamãe. Mas não pensemos nisso, não. Minha Cá vai ser babãe e eu é que tô aqui, quase explodindo, querendo abraçá-los muito mas, na falta da presença física, eu abraço a mim mesma. Não é a mesma coisa, mas já alivia.

O negócio é que falta de abraço e de choro de alegria da dor no coração.

**

Mudanças internas. Pessoinhas indo e vindo, nessa ordem, porque não cabe mais ninguém vindo sem alguém antes indo. Tô completamente lotada. Se um quer entrar, tem que esperar o outro sair.

Engraçado é que ainda assim a gente se pega pensando em quem saiu por livre e espontânea vontade, em vez de dar as boas vindas em quem quer entrar e fazer *o bem*. Ah, eu não tô sabendo explicar. Talvez porque não esteja sabendo entender.

(Mas a gente sempre pensa mais em quem partiu do que em quem está aqui. Ser humano vive de passado e, paradoxalmente, morre de saudade.)

Anyway, outras coisas eu já entendi, porque sagacidade é meu outro nome. Seja bem vindo e, diferentemente deles, vê se fica para uma temporada, assim, mais longa, néam? Porque não dá para conhecer um país só em algumas semanas. É preciso anos, e mesmo assim... Explicando, bem vindo ao meu país, que já afugentou multidões. Vez ou outra rola um terremoto, um tornado, um deslizamento, nada que mate, mas assusta e eu vou entender se você picar a mula. Só não vou gostar. É só o que quero dizer.

Sunday, October 22, 2006

happy and bleeding

Talvez eu tenha desistido cedo demais. Mas sou impaciente, preciso resolver tudo antes de começar a doer, porque eu suporto a mais intense das tristezas, mas não agüento a mais sutil das angústias.

Você me angustiava e é por isso que tive que deixar tudo para trás. Talvez você nem saiba e me ache louca. Talvez você nem saiba que sou capaz de querer tanto calada. Estou mal acostumada. Geralmente quieta consigo o que quero. Com você não, mas ao invés de me mudar, você só me deu preguiça. Não vou correr atrás porque meu joelho dói. Assim sendo, deixa eu explicar: não é que a fila anda; a fila *já andou*.

**

E falando em impaciência, também não tenho saco para pensar demais sobre coisas simples. Acabei de bookar minha viagem para Alemanha e Suíça. Saio de Londres dia 18/11 direto para Munique, onde devo encontrar a Fezinha, amiga de colégio. Tenho certeza que vai ser demais, porque perdemos muito o contato mas sempre gostamos muito uma da outra. Devo ficar em Munique uns dois dias e, de lá, seguir para oeste, pegar a Baviera de trem ou ônibus, parar em Heidelberg para uma noite, continuar, parar onde me der na telha até chegar na Suíça pelo sudoeste. Aí descer até Interlaken, passar uns dois dias lá também, passar por Lucerna e chegar em Basel, onde pego o vôo de volta a Londres no dia 25/11.

Com quem eu vou? Que eu saiba, com mais ninguém. A não ser que alguém se junte a mim de última hora, há tempos quero a experiência de viajar sozinha. Companhia é sempre bom, mas minha companhia já é ótima.

Não sei. Bookei. O resto acontecerá sozinho.

**

Mais uma semana recheada. Está difícil achar um espaço pra natação, mas quando sobra, nado bem. E quando não sobra, é por um ótimo motivo. Ótimo motivo.

Vidinha boa.

Monday, October 16, 2006

16 de outubro

Tá, tá. Parem de reclamar. Estou aqui, bem, ou pelo menos viva e tirando um sarro, sempre. Debochada que só. Sobrevivi à semana do cão. Fluoxetina já deita confortável e rola suave nas minhas veias. Até suave demais. Dá um soniiiinho. Mas já estou quase normal. Completamente normal talvez na próxima encarnação. Tenho fé. Não sou uma alma danada.

Um pouquinho, talvez.

**

Hoje, né? Se ele estivesse aqui ainda, eu teria lhe enchido de beijos. Se ele estivesse aqui ainda eu ansearia por ouvir sua voz. Se ele estivesse aqui ainda eu daria um presente, não é todo dia que se faz 94 anos. Se ele estivesse aqui ainda eu lamentaria não estar ao seu lado.

Ele não está mais aqui, mas fiz todas essas coisas mesmo assim. Mandei beijos, anseio por ouvir sua voz, darei-lhe um presente hoje à noite - quietinha, na cama, olhando para a foto mais linda do mundo que me encara toda noite - e lamento não estar ao seu lado. De alguma maneira inexplicavelmente forte ele ainda vive dentro de mim. Enquanto houver memórias, há você, vô. As velinhas já se apagaram todas, mas ainda assim, meu amor, feliz aniversário.

**

Ei, você, você mesmo, don’t you look at me with worried eyes, all I know is I wanna be with you. Que gracinha que ele tava ontem, meu deus do céu. Que merda de cara linda.

Mas tô na minha, tô na minha. Na minha e na de outros, mas não na sua. Só que, olha, a porta tá encostada. Se você tentar abrir, consegue. OLHA A DICA ESCANCARADA COMO VOCÊ GOSTA! Seize it, babe, seize it.

**

O sol brilha. Mas já tá frio. Logo mais o sol já nem esquentará mais e, mais uma vez, tenho que recorrer à lã de cordeiro para me aquecer. Porque se for contar com qualquer outra forma de aquecimento morrerei de hipotermia. E, aqui entre nós, nunca fui de colocar minha vida no calor dos outros. Calor alheio será bem vindo mas, sorry, não insubstituível. No final das contas, sou eu quem aqueço o cobertor que me aquece. Todos os cobertores de nada adiantarão se não houver calor aqui dentro. Vamos lá, força.

Monday, October 09, 2006

fluoxo intenso

Esse foi um dos fins de semanas mais estranhos da minha vida. Eu tive o dom de marcar programas com mais ou menos 7 pessoas diferentes, e, como de costume, fui deixando combinado after combinado pelo caminho. Mas foi diferente dessa vez. Sexta fui nadar. Achei que estaria com disposição para sair depois já que o pessoal tinha ido para um pub em Piccadilly. Mas nadei mal. O corpo pesado, fazia cada chegada me arrastando, não ornava mesmo. Saí do treino na metade. Fui para casa e não conseguia pensar em sair apesar de ter tido dito para uma galera que iria.

Instead, fiquei em casa. Sozinha, mas não completamente. Fiquei uma hora no telefone. Com quem? Ah, conto depois. Para quem merece saber.

Dormi quase tão pesado quanto nadei. Acordei com o telefone e era a tia Eva, amiga da minha mãe de décadas. Marcamos de nos encontrar em Leicester Square. Querida Flá veio junto, claro. Mandamos um Busaba delicioso. Meio spicy. Me deu uma leve diarréia. Pequenos sustos nossos de cada dia. Poderia ser, mas não foi. Era algo mais.

Calma.

Passeamos depois do almoço por Trafalgar Square, St Martins-in-the-fields e tal. Encontramos o Chris, que continua absolutamente igual. Me deu uma vela de presente que lia “they didnt have your name”. Tendeu? Todo engraçadinho. Ele tava vestindo uma jaqueta muito fedida. Mas eu não falei nada, juro. Doce Chris não muda. Carente que só.

E aí chegou a noite e fomos para mais uma festa na Casa Oval. O sono começou a pesar novamente, mas era um sono quase químico. Não existe sono assim sem ser sono induzido. Eu olhava para as pessoas e tinha medo de piscar no meio das conversas, porque achava que se piscasse não abriria mais os olhos até o dia seguinte. Até bate desesperinho de não ter forças para voltar para casa. Mas em Londres a gente sempre tira força de algum buraco. Cheguei em casa às 4am, convencida de que a noite fora ótima. Foi, sim.

E domingo foi mais um domingo. Acordei tarde, fui para minha antiga casa no leste encontrar meus ex-flatmates (leia-se Mr Australia apenas). Sei lá. Nada. Foi legal ir na minha ex-casa, mas meio estranho ver que as novas moradoras se adaptaram tão bem, e que uma delas mora no quarto que foi meu, e que uma delas inclusive vez ou outra escapole para debaixo do edredon do Mr Australia. Sim, ele me contou. Mas não teve o efeito desejado. Eu estava numb.

Calma.

Fomos apenas eu e Mr Australia no cinema. Assistir The Departed, o novo do Scorcese. Adoramos. Muito tiro e sangue e inteligência. Eu quase dormi nas partes silenciosas.

Numb.

Foi na volta para casa que percebi que havia algo errado. Aí lembrei que mudei de medicação e que sou uma fodida de pular de um remédio para o outro como se mudasse de marca de bala. Claro, sem ninguém para me guiar eu faço tudo do jeito merdoso que sempre fiz. Sistem a público de saúde. Não pago nada mas me fodo.

**

Mas passou, viu? Ou vai passar. Estou no trabalho sem a menor chance de fazer qualquer coisa. Consegui aprovar uns panfletos e emendar umas cartas e corrigir uns erros e foi isso. Meu dia poderia ter sido feito em meia hora. Cá estou, três da tarde, ensaiando como dizer para o meu chefe que estou me sentindo meio mal e quero ir para casa, sem passar por louca ou mentirosa. Sou um pouco dos dois, mas se ele acreditasse que era apenas enxaqueca, ficaria mais fácil para todo mundo.

É isso.

Off I go.

Tuesday, October 03, 2006

restos do dia

Um sono, mas um so-no. Inacreditável. Tenho dormido bem, toda noite a noite toda. Não há razão para ficar cansada. A tiróide vai bem, obrigada. Nada de novo no front. Espero que não seja uma gripe de emboscada.

Mas hoje eu vou nadar, enquanto a gripe não vem.

**

Claro que sim. Eu sempre digo sim. Você já devia saber.

Mas também devia saber que, assim como com você, com os outros também é assim.

Você tinha tudo para ser exclusividade.

Não é mais. Continua querido, mas agora é um querido entre muitos. Back to zero.

Monday, October 02, 2006

debaixo d'água

Um pouco mais calma, obrigada.

Fim de semana cheio de festas e sonhos. De verdade. Fui a muitas festas e dormi tanto que tive os mais diversos sonhos e pesadelos. Inclusive sonhei que morava numa casa meio selvagem, com gatos e plantas subindo pelas paredes. E sonhei que nunca conseguia chegar à escola porque o ônibus demorava ou porque me batia desespero e, o mais gostoso de todos, sonhei que respirava debaixo d’água, e dormia por 20 minutos no fundo de uma piscina. Só de lembrar me encho de paz.

E festas. A primeira na casa Oval, a segunda na casa do Henrique. Ambas muito boas.

Também comprei produtos de Aloe Vera que a Broo tá vendendo. Carinhos, mas parecem bons.

E ainda estou com aquele apertozinho chato no coração, mas está passando. Há de me surpreender a rapidez com que vai passar.

Uma pena acabar assim.

Thursday, September 28, 2006

plumas e chumbo

Engraçado é que eu fiz toda uma festa porque finalmente estaria com nova medicação, aí ontem fui no médico e peguei a receita, fui na farmácia e peguei o remédio e, hoje de manhã, na hora de tomar, por algum motivo não tive coragem. Tomei o velho de guerra.

Será que estou mais louca do que pensava?

Sei lá, não é a minha psiquiatra falando e ouvindo por uma hora para depois decidir se os prós superam os contras na troca dos remédios. É uma clínica geral do NHS (o sistema público de saúde daqui) que eu nem escolhi, mas me foi designada, que em cinco minutos de consulta, contando tirar minha pressão e ouvir outras lamúrias (eg tiróide, pílula etc) decide que devo tentar um novo remédio.

Não, não estou louca. Mas vou tentar. Tô com medo porque minha Piu disse que no começo eu vou piorar. Cara, se piorar explode. Sou uma bomba relógio ambulante. Preciso de um nada para estourar. Não, não pode piorar. Ainda não decidi o que vou fazer.

**

Os adjetivos que meu técnico usa para se dirigir a mim valem uma listagem. Não sei de onde ele tira. Outro dia ele perguntou para a Flá, que pacientemente assistia ao meu treino, se eu era famosa no Brasil. Mas hein?! Que pergunta é essa, minha gente?

Ontem ele me fala, na saída da piscina: Beatrice, you’re a gift from heaven!

Arregalei os olhos incrédula. Ele não me conhece. I can well be a gift from hell.

**

Mais um fim de semana todo agitado. Amanhã tem festa, sábado tem festa, a Broo vem pra Londres, vai ter um “chazinho” lá em casa, só para a mulherada. Esses são os planos. Na real, só deus sabe.

**

Voltando a enxergar tons, nada como cores pastéis depois de se ofuscar e só ver preto e branco. A começar pela beleza monótona do cinza, que me mostra que existe vida entre o oito e o oitenta. Repara só que eu não saio mais tanto da linha. Não fico semanas muito bem e semanas muito mal. Não. Minha vida vem se acinzentando e, juro, dou graças a deus. Só depois de uma vida que oscila entre preto e branco é que somos capaz de admirar a monotonia do cinza. Bem vindo. Inunde-me de imensidão imparcial. Ajude-me a não sorrir e nem franzir. Não no espaço de um segundo, pelo menos. Tenho certeza de que ser cinza não é perder o brilho.

E se eu paro e penso em um rosto qualquer, não é no seu rosto que eu penso. Não consigo me reter por muito tempo nas lembranças que você me emprestou. O problema, meu caro, é que tenho tantas lembranças, vivi minha curta vida com tanta riqueza, que é realmente um mérito estar entre as mais remotas. Não é o seu caso (I wish I could say otherwise). Então, toma de volta, eu tenho mais palavras e imagens para ocupar minha cabeça. Na verdade não sei o que fazer com um ou outro respingo de alegria. Penso em jogar para cima e dar a quem primeiro pegar. Penso em rasgar e jogar no lixo reciclável. Penso em mandar empalhar porque um dia vai valer uma fortuna – antigüidades, você sabe, respingos de alegria empoeirados.

Nem sei se essa idéia de confrontar vai dar certo. Você quer ouvir e eu também. Ninguém quer falar. Vai ser um diálogo bastante silencioso. Vamos ouvir a chuva cair e afundar em melancolia e aí sim será o fim. O fim das nossas poucas lembranças. O laço que fecha o embrulho. Pequeno embrulho. De conteúdo frágil e embalagem forte. Plumas numa caixa de chumbo. É assim que vejo o que houve. A bela história poderia flutuar, viajar mundos, papéis e cabeças (inclusive a minha, mil vezes), mas dentro do caixão de chumbo que você escolheu para nossas lembranças, baby, elas vão afundar.

Dê apenas algumas semanas e não se falará mais nisso.

Wednesday, September 27, 2006

rútilos

Meia hora para ir embora. E depois mais uma hora até o médico, onde pego meus exames, faço mais alguns e discuto a troca do medicamento.

**

Depois do médico vou nadar, claro. Ainda é segredo porque há grandes chances de eu dar pra trás, mas estou escalada para nadar 100m borboleta nos Speedo Meets de outubro, novembro e dezembro. Isso significa que toda a negada com mais de 17 anos que aspire um dia fazer parte do GB team, estará lá, com garra e sem celulites, para meu desespero.

Sou monga ou o quê?

**

De uma coisa estou cada vez mais convencida: não sou uma pessoa lá tão fácil de bancar. E não culpo banana algum por não conseguir. Eu consigo ver uma menina meio morena, cabelo meio comprido, meio magra meio gorda, meio alta meio baixa, constantemente proto-sorridente, meio sentada no colo de cada homem que não soube me bancar. Eu consigo ver uma menina meio burra, meio esperta, meio bonita, mas nem tanto, meio estridente e meio egoísta.

Eu não consigo ver outra coisa.

Eu não consigo me ver plantada, sem brilho e sem vontade, no seu colo. Eu me vejo silenciosa, mas não silenciada. Eu não consigo me ver sem escrever. Eu não consigo pensar em parar de escrever no meu blog porque sei que você lê. Todos os homens que tentaram intereferir no que eu escrevo perderam a batalha. E você não é, nem de longe, o cavaleiro mais valente.

**

Ano que vem já estou com duas viagens em planejamento. Uma, em março, para Hungria com a Edina, minha amiga do trabalho. A outra, em junho, para ilhas gregas com pessoas a confirmar. Será um swim trek. Há que dar certo. Porque preciso de algo para me confortar pelo pouco tempo que ficarei na terrinha no final do ano.

**

Ontem fiz Reiki. Quer dizer, fui feita Reike. Quem fez foi a Adriana que, toda sweet, foi lá em casa aplicar. Adorei.

Monday, September 25, 2006

doze almas

Cheguei no trabalho. Doze peixes morreram no aquário. O escritório pareceu bem mais morto, apesar do volume de coisas a fazer. E meu chefe meio cabisbaixo. Geralmente ele ilumina qualquer segunda-feira.

Minha mãe está com o pé quebrado, meu pai com rotavírus e minha irmã está, como eu, achando o mundo todo meio estranho, sendo que sabemos deep inside que estranhas somos nós.

Esqueci o guarda-chuva no trabalho sexta-feira e cheguei hoje encharcada. Derrubei um litro de água na minha escrivaninha e quase chorei por isso. Passei o almoço todo lendo Hilda e mais Hilda. Não estou trabalhando. Até agora, só atendi telefonemas. Emendei uma ou outra coisa. E mesmo assim, foi nas coxas. Coisa que odeio fazer. Mas não conseguiria fazer diferente. Hoje é a segunda mais típica da minha vida. Cinza, errada, ressaca de um fim de semana que foi como vinho barato, enxugado da boca com as costas das mãos. Enxugadas as mãos em algum lugar que não lembro, porque nem foi de propósito.

Não consigo parar quieta. Tô com vontade de sentar no colo de alguém e apenas me deixar abraçar em silêncio. Mas como isso não acontece, me contento em resmungar para dentro e balançar as pernas sem parar. Pular de site em site em busca de absolutamente nada, já que não sei o que procuro – então como saber quando encontro? Vontade mesmo era de dormir. Hoje o despertador tocou e eu simplesmente não acreditei que aquela seria a primeira de cinco manhãs em que eu teria que acordar forçada.

Essa semana vou ao médico, ver o resultado dos meus exames e mudar minha medicação para pânico. Minha última chance, já que a ciência e seus dedicados homens ainda não apareceram com nova poção mágica no mercado.

E o fim de semana passou como bala. Quando eu vi, já tinha me atravessado e me jogado de joelhos num chão duro. Mas com todo mundo olhando, claro, eu sorri e fiz piadas e fui a Bia de sempre, embora com *sono*, a nova palavra da moda para mal-humorada. Mas é só isso que vou perder nessa história. Um fim de semana e nada mais. Quem sabe algumas horas de trabalho também. Mas ganho com inspiração; Nada como uma boa derrapada na merda para me inspirar. Obrigada por foder com minha vida de novo! Só assim mesmo para eu desembestar a escrever.

De resto, uma vontade visceral de nadar até o peito rasgar. E é o grande plano to look forward to tonight.

Mas doze peixes morreram no aquário do trabalho. E por isso, e só por isso, estou triste hoje.

alimento da alma

Roberta: oi minha amadinha...re-lendo o seu texto sua coisa
me: pois eh, visceral, ne?
Roberta: que inspirada ne escritorinha favorita. fabulous!!
me: vc achou? que bom
Roberta: chegou a dar um pouco de dor nas axilas
do caralho..
devo me preocupar?
me: ehhehhe
nao, pequena, nao
eu eh que preciso crescer
Roberta: prioridades sao prioridades
adorei essa parte
me: sua fofa
Roberta: É isso então. O oxigênio não chega aos meus membros porque há um coração inteiro a ser levantado. Prioridades são prioridades. Fico então de braços e pernas bambos, inundados de gás carbônico que não sai nem a crises de tosse, nem a natação furiosa, nem a gritos da alma.

ge-ni-al
me: brigada, princesa
vc eh q eh doce
Roberta: eu tbem to em inferno emocional, sonhei com o john
aquele puto
Roberta: ja arruinou meu dia...mas esse cara vai pagar caro, ah vai
te prometo bibi
me: mulheres vingativas, uni-vos!
Roberta: siiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm
e eh indeed um prato que se come frio
eh um carpaccio, um sushi a vinganca
eles hao de pagar (risada de vilao em desenho animado)
me: um gazpacho catarrado
hahahahah
Roberta: eh cheio de catarro!!!
hehehehehe
Roberta: acabei de mandar esse email pra ele, saying are you insane or what?
heheheheheeh
me: vamos mandar essa gente sem expressao morrer engasgada no proprio sentimento
nem q seja de raiva
Roberta: ele vai ter que ler o que tenta esquecer
hahahaha
me: ai deus. nao vai fazer besteira, menininha
Roberta: gente sem expressao eh fria
o pior tipo
Roberta: eu ja to ate comecando a ficar com pena
me: eu tb
perdidinhos
quase sub-humanos

(...)

me: maditos robos
a gente tb deve ser uma aberracao pra gostar de robos como se fosse gente
Roberta: nos too somos aberracoes
temos a missao de salvar o mundo e dar alma aos robos
me: hahahahah
exatamente
mas acho q eles nao querem
estao bem assim
Roberta: uma maldicao que comecou no reinado de julio cesar
me: e so servem pra isso mesmo. serem robos
Roberta: cleopatra mesmo tentou fazer algo e SE FODEU
me: estao ali. fingem que sao felizes ou tristes, fingem que respiram, fingem q se divertem ou se entediam, mas na verdade nao tem nada la
Roberta: na-da
na-da
eu estou exausta desta minha missao
essa eh a ultima vinganca dai deu...pagina virada
me: concordo
pq ficar pendurada num robo pelo sentimento de vinganca eh uma merda. ele nem vai sentir. a dor eh toda sua
Roberta: ele ha de sentir. infelizmente as palavras nao o tocam, ele nem responde
me: ja dizia minha querida Hilda: Embora se mova o trem, tu não te moves de ti.
Roberta: hahahahahahahaha
porque se dizem que a vaca eh pintada..
Roberta: qual a historia behind hilda?
me: Hilda Hilst
a melhor escritora brasileira
e talvez ateh do mundo
Roberta: sabia que vc amava ela
ai que fofa, talvez ateh do mundo
me: talvez
Roberta: meiguinha
me: E hoje, repetindo Bataille:
"Sinto-me livre para fracassar".
Roberta: eu nao gosto de perder...mas nao tenho medo de fracassar
nos duas hj estamos perfeitas para uma praia de inverno na varanda de uma casa de praia com muito cha e cobertor tapando as pernas e falando mal dos que merecem ou dos que nao merecem ser mencionados
me: verdade. aquele vento frio enxugando as lagrimas antes delas cairem
Roberta: que livro da hilda vc tem aqui?
me: aqui acho q soh o Rutilos
Roberta: e as duas tomando cha e divagando, olhando pro mar just for the sake of it
me: ateh ver peixinhos no ceu
Roberta: um dia chuvoso, ne?
me: sim, chuvoso e frio
paia de agasalho de moleton
O vento parou, eis o recado para o outro: sê fiel a ti mesmo e um dia serás livre. Prendem-me.

merda, nao vou conseguir trabalhar direito hj
Roberta: hahahahaha
to rachando o bico pensando justamente isso
me: q merda de cabeca viajante
Roberta: ainda bem que minha reuniao no office eh so amanha, que hj nao vai prestar
me: e romantica pra porra
Roberta: to com minha cabeca em mercurio
ou mergulho
me: pois eh
to indo prum meeting
Roberta: romantica e vingativa: what a weird combination
me: quero me matar
ja volto
Roberta: vai la
nao te mata antes de falar comigo
me: ok. com vc e com a Hilda
Roberta: ela em segundo
me: claro claro! sempre
vc sabe q eu te amo
ela, eu venero
eh diferente
Roberta: ta bom
diferente
nem vem com a veneracao demasiada que eu fico com ciume
hahahahhahaa
as duas merecem hospicio de frente pro mar
eu e tu
deus eh mais
me: hahaha
deus eh dez
e ta do nosso lado
porque somos loucas, mas somos do bem
Roberta: true
somos pobres mas somos limpas
me: isso
e deus da o frio conforme o cobertor. (hahahahha)
mas se pudermos fazer os malditos passarem frio, ah, seria otimo
Roberta: vou pensar o que farei HOJE para um mundo melhor, AKA o que farei para arruinar um pouco o dia dele
Roberta: so tenho duas maneiras de machuca-lo: gastos e pequenos gestos(lembra-lo de quanto o pau dele eh pequeno)

(…)

me: hilario
acabo de derrubar um litro de agua sobre minha escrivaninha
e sobre mim
estou taaao feliz
puta da vida e com frio e feeling sorry for my miserable self
Roberta: dont!!!!
its just a bad day
to indo pra rua nessa puta chuva agora
fica quentinha ai no office que amanha melhora
o que nao nos mata nos deixa mais fortes (e mais traumatizadas, e mais fodidas e menos confiantes etc)
me: tomara meu doce, tomara
Roberta: mas c'est la vie, innit?
me: mas la vie en rose
e eu odeio rosa
sempre fui uma crianca azul
enfim
q horas vc entra hj?
Roberta: eu nao entro hj, minha reuniao eh so amanha e eu nao vou a deli...eu tenho que resolver coisas pessoais, banco do brasil (mandar money br), imobiliaria levar uns documentos e ai meu curso
tudo na rua, um saco, mas amanha sera um novo dia
enquanto isso eu sempre posso me divertir pensando em como foder o j
me: nos juntas somos um perigo, meu deus
Roberta: enfim, acordamos assim hj
mas somos imprevisiveis
amanha podemos estar cagando e andando
going: who the fuck are them?
Roberta: gotta go my love
escreva bastante se puder
ou apenas vomite
tire algum proveito dessa canalhice
me: pode deixar, amada
te amo
Roberta: te amo too
estarei de volta soon
ai falamos mais
beijo na bochecha
rosa
(nao da pra ser azul)

Friday, September 22, 2006

looking out

Fim de semana está aí. Quanta alegria, quanto calor – not! Está chovendo. Foi babãe me deixar para Londres voltar a ser Londres. O plano para amanhã era nadar dos ponds de Hampstead Heath. Digamos que o plano será adiado para...well, ano que vem. Acabou o verão. Agora é de verdade.

Nadarei hoje, menos pelo exercício que pela possibilidade de liberar tensão. Ando extremamente ansiosa. Meu médico aqui, inclusive, quer mudar minha medicação pra pânico. De sertralina para fluoxetina. Eu não sei, né? Sei nada não sinhô. O dotô mandô eu faço ou me esborracho.

Fim de semana promissor. Eu conto, eu conto. Ou não.

Wednesday, September 20, 2006

eixos da loucura

Pela primeira vez em anos eu quero escrever o que sinto e não consigo. Sempre saiu como uma enxurrada. Mas agora estou com os dedos prontos para digitar e não consigo decidir para que lado vou. Estou feliz e triste e tranqüila e ansiosa. Estou tudo ao mesmo tempo. Estou um hotpot de sentimentos, virado à moda da casa. Picadinho ao New Deck. Todos os sabores ao mesmo tempo na minha boca, chamando meu paladar de débil mental.

Disse tchau para babãe, enquanto disse oi para minha vida nos eixos. Eu quero eixos, também. Por mais descarrilhada que seja, ou queira ser, eu preciso ter do que descarrilhar. Se nunca houve trilho, não há como sair do caminho. Para ser louco, há que ser preso.

Mas babãe já foi eixo antes. Onde foi que o trem mudou de trilho que ninguém me avisou? Quando é que ter mãe ou pai ou até minha Piu por perto deixou de ser eixo para ser belvedere? Eu não sei e, como quase tudo, me assusta.

Pronto, consegui.

**

A despedida da babãe foi rápida e indolor. Hoje de manhã, saindo pro trabalho. Durou um minuto e meio, creio. Não mais. Foi tempo suficiente para seus olhos encherem de lágrimas, mas não para que escorressem.

Em três meses estarei no Brasil. Três mesezinhos. Nada. Passa logo. Por menos tempo que da última vez, é verdade. Terei que bookar direitinho o espaço de cada querido. Devo chegar na terrinha dia 21 de dezembro e voltar pra cá dia 5 de janeiro. O aniversário será frio, escuro e choroso, mas há que se fazer sacrifícios se os planos para 2007 são (obriguê, Piu!) viajar mais pela Europa.

**

Festas festas festas. O timing foi perfeito. Babãe se vai e as festas começam a acontecer novamente por aqui. Se eu fosse um pouco mais umbiguenta, diria que esperaram por mim. Esperaram nada. Good timing, that was. Esse fim de semana e o próximo. Aguardem.

**

Saudade, saudade, maldição que terei ao meu lado para o resto da vida. Metade de mim sempre será saudade. A outra metade será saudade sendo matada.

Não sei se são hormônios ou a posição dos astros ou energia em movimento, mas me deu uma vontade gigantesca de dizer que amo quem eu amo. Uma vontade quase urgente. Amo gente demais e isso às vezes atrapalha minha rotina. Me faz largar o que for para me certificar de que minha mensagem foi passada com sucesso para todos os destinatários.

Amo. Sempre amando. Aliás, não à toa, a personagem principal do meu livro chama Amanda. Amor em gerúndio. Condição: amor.

E é por isso que já ouvi Inverno milhares de vezes e continuo querendo chorar toda vez que ouço novamente.

Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só
Num deserto sem saudade sem remorso só
Sem amarras barco embriagado ao mar

Monday, September 18, 2006

uma idéia para deus

De novo aquela puxadinha sem sistema para expelir.

Se eu fosse dizer o que falta ao corpo humano para ser perfeito, diria que falta um cu, ou qualquer buraco equivalente, capaz de expelir angústia. Não seria perfeito?

Pois então, deus, fica aqui minha sugestão para os próximos milhões de anos, se é que até lá o senhor ainda terá saco de continuar fazendo e desfazendo gente.

Pois eu preciso, porque explodo de um jeito todo torto, todo primitivo. Explodo por todos os poros.

Mas enquanto espero deus me envoluir, vou arranjando soluções-tampão, o que, modéstia a parte (ou *modeste a parte* como li outro dia), sei fazer bem.

**

Mais um fim de semana cheio de acontecimentos. Se chamássemos fim de semana de começo da semana acho que minha implicància com os domingos estaria 50% resolvida.

Mas voltando. Vou resumir porque senão fica um saco. Sexta ao chegar do trabalho, inspirada, resolvi correr com a Flá. Babãe deu sua caminhada à base do que-belas-flores! Dessa vez, com uma pessoa um pouco mais sensata que eu para estabelecer o ritmo, corri por 20 minutos. Um aproveitamento de 100% sobre a vez que saí correndo pelo parque feito um avestruz para me mostrar para os marmanjos e, apesar de morta, não ia parar na hora em que alguém estivesse vendo. Porque sou o centro do universo, eu sei. Estava o parque todo vendo como corre bem aquela avestruzinha das bochechas vermelhas. Me poupe, né, eguinho?

Do parque pro banho, do banho pro restaurante. Fomos no indiano perto de casa e ganhei todas as calorias que perdi correndo.

Sábado quis me enforcar por acordar às 7:30h e depois de muita manha fomos ao Shakespeare Globe, o teatro em que as peças do Shakespeare eram (e são) encenadas. Muito legal. Muito bonito. E tal. Mas achei caro pro que oferece. Sou mais um dia comprar ingressos para ver uma Macbeth da vida do que ouvir guia engraçadinho tirando sarro da calamidade sanitária de teatros em tempos escatológicos.

De lá caminhamos pelo South Bank até o Borough Market, o queridinho dos businessmen que têm culinária como hobby. Mercado lotado, um monte de gente aproveitando as amostras de degustação para pular o almoço, empurra-empurra quase brasileiro, aquela alegria, aquele calor humano. Eca.

Abreviei o passeio e tratei de sair de lá assim que houvesse brecha. Não precisou muito porque babãe e Flá já estavam de saco cheio do tumulto também. Voltamos ao South Bank, vimos ferinhas e pessoas querendo e conseguindo aparecer. Vimos de tudo e não compramos nada. Ou quase nada.

Babãe derrotada e Flá com amigos em Londres, fui encontrar minha turma, que já nem lembrava mais meu nome. Refresquei a memória e reaprendi alguns nomes também (haha). Foi legal. É bom voltar.

Domingo quis me enforcar por acordar às 11:30h mas me arrumei rapidão para ir a Trafalgar Square, onde ocorria o festival judáico. Foi legal pelas músicas, mas aí entrou uma falação do prefeito, e a feirinha e a comida deixaram a desejar. Rodamos aquilo desviando de policiais óbvios e à paisana, que às dúzias tentaram e conseguiram garantir uma festa sem explosões.

Resolvemos então aproveitar que esse fim de semana foi o London Open House, um evento em que vários prédios da cidade, fechados ao público normalmente, abrem por apenas dois dias para visitas gratuitas. Fomos no New Parliament, em frente ao incansável Big Ben. Foi legal.

E depois mais andanças pelo South Bank, bateria de escola de samba, homens-bonecos, comida, coreano vendendo qualquer coisa que faça barulho e fascine criancinhas. Gente esparramada na grama, comendo um frango ou fumando maconha. Um domingo típico.

Voltamos para casa. Canseira. Um fim de semana inteiro de andanças e até correiranças. Pena que passou tão rápido.

O últibo fim de sebâda com babãe e seus bibos.

Tuesday, September 12, 2006

uma vida inteira pra mim

Ah, então vamos brincar de quem agüenta mais tempo calado? Olha que eu ganho... Olha que você depois vai vir me implorar para pararmos com essa brincadeira de mau gosto.

Mas tudo bem. Tudo bem. Tudo vai ficar bem se no final das contas você disser que ficou com saudades.

Mas vai ter que falar.

I’ve got my feet on the ground and I don’t wanna sleep to dream.

**

Vidinha, assim, tranqüila. Babãe na área significa mimos. Café-da-manhã na mesa, supermercado feito, quarto limpo. Coisas que eu normalmente faço quando me sobra uma esquina no tempo. O que raramente acontece porque estou sempre inventando coisas e reclamando da falta de tempo e corneteando para o mundo todo que não quero, não posso, ser apenas mais uma.

Trabalhando, nadando quando dá. Fazendo programas turísticos. Greenwich e Sinatra no sábado, Kew Gardens no domingo. Eu adoro o pretexto de ter visitas para ter que bater perna por essa cidade maravilhosa. Engraçado que quando vim morar em Londres eu nunca tinha posto o pé na cidade, mas de alguma forma sabia que seria a *minha* cidade, que eu viajaria o mundo e continuaria sentindo que moro na melhor cidade do mundo. Eu estava certa. Amo Londres. Viajei para vários lugares da Europa e, por mais que tenha me encantado com muitos, nenhum é tão encantador e tão a miha cara quanto Londres. Aiai. Declarando meu amor à cidade. Não imaginei que iria por aí quando comecei a escrever este post.

**

Now now, resolvi que no final do ano eu vou me dar um aumento. Isso porque vou pedir ao chefe e, se ele não der, vou procurar outro. Sendo assim, de qualquer maneira eu vou me dar um aumento, por bem ou por mal. Adoro meu trabalho, adoro as pessoas etc, mas tenho que crescer, néam? Eu já fui promovida. Agora falta ganhar mais.

**

E os Master Nationals estão aí, na porta, e eu já estou sendo relativamente cobrada, mas acho que vou me dar uma de João-sem-braço porque não estou com vontade de passar nervoso-vergonha-tristeza. Talvez eu vá assistir e torcer. Go Wandsworth, go. C’est tout.

**

Preciso só deixar registradas aqui duas Bobbyces, porque se eu não tomo nota elas se perdem no buraco negro do esquecimento, um triste fim para tão gracioso espetáculo.

O primeiro, há poucas semanas, quando Bobbynha disse que fazendo assim e assado a gente resolve duas coisas *com uma coelhada só*. DOCE. FOFA. MORRI. DOEU. Mas sofri em silêncio com esses sentimentos porque falávamos de algo sério.

E o outro, ontem, em meio a uma conversa com várias flechas e gráficos saindo para todos os lados e apontando para mil coisas que só nós entendemos, ela estava a matutar sobre o nine-eleven e saiu sixteen-nine. Algo assim bem Bobby. Quem a conhece sabe. E custou para ela voltar encontrar os números certos. Dessa vez eu nem me segurei nem nada. Se ela estivesse do meu lado a bochecha sofreria as conseqüências. Ah, sofreria.

Thursday, September 07, 2006

Wednesday, September 06, 2006

paz armada

Meus olhos já não são mais os mesmos. Oito horas por dia na frente do computador já são suficientes para ficarem vermelhos. E eu, teimosa, estou aqui, na frente do computador mais uma vez, escrevendo mais uma vez, porque agora é a hora que dá (tempo e inspiração).

Está tudo corrido. Tenho que me dividir entre o trabalho e a babãe na area. Sei que ela tenta não interferir na minha vida para não me atrapalhar, mas se não interferisse seria até estranho. De qualquer forma, segunda feira fui nadar. E meu técnico, Tony, perguntou se eu havia treinado durante as “ferias” porque eu estava “fit”. Agradeci o elogio mas falei para ele não se iludir. Nadei bem por vontade acumulada de nadar. Acho que fazia uns dez dias que não caía n’água. E 4km passaram sem que eu percebesse. Claro que depois morri e tive cãimbra e yadda yadda. Mas foi a glória. Tentarei amanhã, eu juro. Juro, juro. Que tentarei.

**

E depois da pataquada de babãe comprando ingresso para Chicago tendo confundido com Sinatra (eu assisti a Chicago há mais ou menos um mês, quando minha Piu estava aqui), ela garante que dessa vez comprou certo. Sabadanoite. Veremos!

**

Ontem, antes de irmos ao teatro (porque, sim, assisti novamente a Chicago, e lembrava de pequenos detalhes que são só detalhes mas que se repetem e fazem, afinal, a diferença), fomos comer num restaurante tailandês. Um filhadaputa pediu um prato com sei lá que veneno mas que fez o nariz de todo mundo escorrer e a garganta de todo mundo coçar. De verdade. All of a sudden o restaurante todo tossia. Uma cena digna de Hiroshima. O horror.

Queria saber que tempero é aquele para o caso de, ah, sei lá, precisar para uma vigancinha, dessas de se pôr em prato que se come frio. Temos sempre que ter uma carta na manga para as necessidades de manter saudável aquele lado maldoso gostosinho.

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Por ora é isso. Tenho dormido com a Flá porque babãe, como poucos sabem, ronca. Quanto? O suficiente para eu dormir com a Flá. Não lembro se já falei da Flá aqui. Irmã da Broo e minha nova flatmate, quem, inclusive, já foi chamada de minha irmã também. Anyway, gosto de pensar que somos, assim, uma pequena família em Londres.

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Sexta-feira vou ao medico. Nada demais, imagino. Problemas e exams de rotina. Há que ser.

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Recebi uma das melhores notícias do ano: a possibilidade REAL de minha Bathatha vir passar um mês, UM MÊS INTEIRINHO comigo. Não poderia querer melhor notícia. Claro que ela vai ficar comigo. Claro que vou tentar faze-la perder o avião de volta. Claro que ela vai se apaixonar por Londres como eu sempre previ e, quem sabe um dia, se planejar para ser, mais uma vez, minha vizinha.

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Tenho sentido bichos caminharem sobre meu corpo. Passo a mão e não tem nada. Mal sinal.