Tuesday, June 24, 2014

sobre cavalgar leões

Hoje é um dia memorável. Talvez amanhã eu já nem lembre mais disso. Mas hoje, hoje é memorável. Hoje eu percebi que escolhi a minha vida, e que escolhi errado, provavelmente porque ponho outras pessoas à minha frente. Hoje entendi o desconforto que me causa quando alguém sugere que eu mude quando reclamo, simplesmente porque tenho essa opção. Hoje eu achei que talvez, só talvez seja possível me apoderar de minha própria vida, e realmente segurar com força as rédeas do futuro. Porque se eu soltar de novo posso não achar mais.

Mas com tranquilidade, que chega de correria e choro por uma vida. Porque meu filho está crescendo rápido demais, porque não vou aceitar perder esse período de tempo ínfimo que é minha vida a partir de agora até quando acabar.

Cansar, cansa. Muito. Tenho ímpetos de dormir para sempre, só porque dormir é bom demais e não escolho mais quando posso. E isso também é passageiro. Assim como meu filho querer meu colo. Pensar que isso vai acabar é uma tortura diária a que me submeto.

Falei, falei, e ainda não falei porque hoje é um dia memorável. Hoje eu decidi que vou desacelerar. Percebi que não quero estar na posição que estou no meu trabalho. Quero descer de degrau. Quero trabalhar menos. Quero menos pressão, mesmo que por menos dinheiro. Quando percebi que todos os meus melhores esforços estavam direcionados para um trabalho que não estava exatamente motivante, decidi que era hora de pisar no freio. Porque eu breco, sim, e evito capotar. Estou descobrindo isso agora, depois de muitos acidentes. Mas até alguém cabeça dura como eu uma hora aprende, não?

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Sobre amizades. Aqui está difícil, vou confessar. Mais que quando cheguei em Londres, 10 anos atrás claro.

Aí que fui lá, fiz uma amizade super gostosa e leve com uma pessoa cujo marido se deu bem com meu marido e cuja filha tem praticamente a idade do Leo. Show! Aí a família amiga resolve mudar pra Miami. Fim da história.

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Mas pra não ficar só no lamento, um casal de amigos muito querido vai se mudar de Londres para cá. Será fim do rótulo de família que chuta pedrinhas?

Tuesday, May 20, 2014

shift

Amanhã meu filho completa 17 meses. E só depois de 17 meses começo (vejam bem, começo) a pensar que preciso cuidar mais de mim, do meu marido, enfim, de uma vida além-nenê. Não é fácil. Há 17 meses tenho uma relação simbiótica com meu filho. melhorou um pouco quando voltei a trabalhar, mas parece que por causa disso, nas horas que consigo passar com ele, quero espremer tudo, não perder um segundo. É sofrido.

O lado bom disso tudo é que minha relação com meu filho é extremamente sincronizada. Entendo ele muito bem. O lado ruim é sacrificar todo o resto.

Sei lá. Amanhã tenho médica. Da cabeça. Vamos ver o que ela diz. Estou querendo fazer o "shift" mas não sei se sozinha consigo. 

Monday, May 19, 2014

Go, go, go!

Há quase dezessete meses que sou mãe. Ficou mais fácil. Todo mundo que vira mãe fala que vai ficando mais difícil com o passar do tempo porque os problemas vão ficando mais complexo. Bom, eu acho que vai ficando mais fácil. Pra começar, gosto de problemas mais complexos. E para arrebatar, não há problema tão catastrófico para mim quanto a privação de sono. Além da Depressão Pós Parto, que hoje é passado, mas que ainda me arranca lágrimas quando lembro do que aconteceu comigo.

Não vou dizer que minha rotina é fácil. Moro em Nova York com marido e filho, trabalho o dia todo (opção) e meu filho fica a maior parte dos dias no daycare, de onde já voltou mordido, para aguçar bem minha culpa. Chego em casa e mal tenho tempo de brincar com ele. Jantar banho, mamar, dormir. E aí é a hora de se preocupar com os outros dias - o que meu filho vai comer? tem roupa limpa? estou dando verdura o suficiente? Sim, a rotina é exaustiva. Mas foi uma escolha. Não troco pela vida que tinha no Brasil, not for a minute. Novs York é perfeita? Longe, bem longe disso. As pessoas são grossas, há uma tensão constante para que as coisas aconteçam sempre com muita eficiência sem nenhuma razão. Às vezes estou num café sem nenhum cliente na fila, mas as atendentes querem me atender voando, querem que chegue lá já sabendo o que quero. É assim em todo lugar. MAS, again, não troco pelos problemas que tinha que encarar no Brasil. Antes impaciência do que malandragem.

Ainda não achei a vida que me satisfaz. Não sei nem se isso realmente existe. Pelo menos para mim. Mas sei que ainda há mudanças possíveis para que a vida seja melhor. Por ora, vamos tentando terminar cada dia como se fosse um milagre quando tudo dá tempo, e tudo dá certo.