Saturday, February 28, 2009

Camboja e nos derretendo

25/2

Entao ontem a noite nos despedimos de Henrique e Carol. Eles seguiriam pelo Vietnam e nos iriamos direto pro Camboja. Foi bom ter viajado com eles um tempo. Tirou um pouco a gente da ostra.

O aeroporto de Luang Prabang parece um galpao, assim como todos os outros aeroportos do Laos. Foi uma surpresa chegar em Siam Reap, no Camboja, e ver que la tudo era completamente diferente. Parecia aeroporto de primeiro mundo. Visto foi processado super rapido e logo estavamos desembaracados com malas em punho. Vale o desafio para os companheiros viajantes: quem conseguir arrancar um sorriso da tripulacao da Vietnam Airlines ganha um beijo. Se eles sao amostra do que encontrariamos no Vietnam, estou feliz com nossa decisao de ir direto pro Camboja.

Pegamos uma moto-taxi (sim, cada um vai em uma moto com um motorista) ateh o guest house que escolhemos, Shadow of Angkor. La estava cheio mas eles estavam abrindo o Shadow of Ankor II, atravessando o rio. Fomos ateh la e ficamos surpresos com o nivel do quarto. Algo de hotel 3 ou 4 estrelas, com certeza o melhor quarto da viagem ateh agora. Ateh box pro chuveiro tem, um luxo! O senao eh que o lugar ainda ta meio em obras, entao nao tem restaurante, a piscina estah vazia e, perceberiamos depois, ha muita martelada desde 7 da manha.

Enfim, achamos que por 15 dolares a noite estavamos fazendo um otimo negocio, e realmente estavamos. Quando ficar pronto, o quarto em que estamos, com varanda, ar condicionado central, frigobar etc, vai custar 40 dolares por noite.

Deixamos tudo no quarto e fomos almocar no Khmer Kitchen, um restaurante despretencioso que ja recebeu o Mick Jagger e nem por isso inflacionou os pratos, more than fair enough. Fiz a besteira de pedir um Khmer curry. Nao pelo gosto, estava mravilhoso, mas com o calor do Camboja nao cai muito bem. Eu, que ja bufava, fiquei ainda mais bufenta, mesmo com o ventilador de teto direto na minha cabeca.

O calor do Camboja eh algo inexplicavel. Alem do sol constante, eh umido que doi. Voce anda cinco minutos e ja estah molhado de suor. Eu, pelo menos, que suo muito. Eh um saco. Nao tem roupa que fique seca, nem cabelo que fique limpo.

Voltamos do almoco pro quarto e fomos tomar uma chuveirada. Cansados da viagem e sem coragem de enfrentar o calor, ficamos no bem bom do ar condicionado do quarto por varias horas, assistindo filmes e lendo. Soh saimos para jantar, na esperanca de que a noite fosse fresca. Engano. A noite eh muito abafada, nada como no Laos. Impressionante, porque Siam Reap fica no norte do Camboja, nao longe da fronteira com o Laos. Enfim, pelo menos tem muito lugar com ventilacaao potente e ar condicionado por aqui. Senao eu estaria frita. Realmente enlouqueceria, desconfio.

Jantamos no Butterfly Garden, um restaurante que alega ter cerca de mil borboletas voando sobre seus jardins. O lugar eh uma graca. Tem um aspecto de jardim bem fechado, quase uma florestinha, com brejos e varios sapos. Alias, vi mais sapos do que borboletas, mas enfim, eles nao iriam propagandear o lugar como jardim dos sapos, nao eh mesmo, pessoal?

Comemos muito bem em uns sofazoes com almofadas. Aqui come-se bem, mas paga-se o preco tambem. Nada demais, coisa de 3 a 5 dolares o prato, mas sabemos que para os locais o que eles cobram eh uma fortuna.

26/2

Ainda nao seria hoje que iriamos a Angkor Wat. Temos tempo em Siam Reap e nao queremos fazer nada desnecessariamente correndo. Tiramos o dia para dar uma passeada na regiao central. Fomos ateh um templo budista proximo ao hotel e muito bonito. Depois fomos ateh os jardins reais. Lindo, mas ja estava quente demais e eu ja molhava, emburradamente, minha camiseta.

Fomos entao atras de ar condicionado para almocar. Encontramos refugio no Blue Pumpkin, um lugar bem legal e moderninho, claramente para o gosto dos farang (turistas). Nao reclamei. O lugar eh todo branco e bem descontraido. A comida eh gostosa e ha acesso wi-fi gratuito.

De la, fomos very naughty indeed e passamos no Swensen's. Aqui tambem tem e, tal como em Bangkok, do lado da nossa guesthouse. Dividimos um sorvetao e fomos hibernar um pouco no quarto.

Logo mais um tuk-tuk passou para nos pegar. Fomos ateh o ticket booth de Angkor Wat para comprar ingressos para amanha. Depois, o tuk-tuk nos levou para uma colina dentro de Angkor Wat em que poderiamos ver o por-do-sol. A subida foi meio dolorosa por causa do calor. Alem disso, tinha muita gente, mais precisamente muitos japoneses. Ale inclusive levantou um ponto importante: ha mais maquinas fotograficas do que pessoas naquele lugar. Incomoda um pouco porque a cada passo que voce da voce meio que entra sem querer na foto/pose alheia. Fica dificil andar sem atrapalhar as fotos e chega um ponto em que voce realmente liga o foda-se e anda como se fosse dono do lugar, tao irritante eh.

Mas irritacoes aa parte, o lugar eh lindo, no meio da floresta. Assistimos ao por do sol la de cima de um dos monumentos de respeitaveis mil anos de idade.

Na volta, pedimos pro motorista nos deixar no night market. Passeamos bastante, compramos um pouco (cada um uma camiseta) e jantamos por la mesmo. Na volta, passamos pela “Pub Street”, a rua de baladas da turistada. Um negocio impressionante. Luzes coloridas vindas de todos os lados, restaurantes, bares, casas de massagem, lojas. Muita gente na rua e cambojanos oferecendo maconha a metros de um policial. Uma loucura. A meca de quem viaja pela Asia em busca de vida noturna e um pouco de amor.

Voltamos para o hotel e dormiremos cedo. Amanha o dia sera longo e comecara aas 6 da manha.

27/2

Nao foi facil acordar, mas nos arrastamos ateh um lugar para tomar cafeh da manha. Nosso tuk-tuk driver nos pegaria ali mesmo aas 7am. Fomos de la para Angkor Wat direto. Nao eram nem 8am quando entramos la e eu ja estava suando. Rodamos Angkor Wat e ficamos ligeiramente decepcionados. Achamos que seria bem maior e impressionante, e duvidamos de nossa capacidade de apreciar historia antiga. Simplesmente nao conseguimos ser tocados profundamente pelo que viamos (um problema que tenho com artes plasticas em geral).

Terminamos Angkor Wat em 1,5h e seguimos para Angkor Thom. Entramos em Angkor Thom pelo portao do sul e fomos direto ao Bayon, onde ficam as esculturas de torsos de budas gigantes em pedras. Tudo muito conservado e impressionante, mas eu ja derretia dentro de minha blusa. Paramos para uma reidratada com agua de coco e seguimos para ver o terraco dos elefantes, ainda dentro de Angkor Thom.

De la encontramos nosso tuk-tuk driver para nos levar a mais uma ruina, Ta Phrom. Foi la que Angelina Jolie filmou Tomb Raider, para quem interessar possa. Foi o lugar mais impressionante dos tres. Isso porque a selva mais ou menos tomou conta dos templos e ha arvores que parecem ter nascido das proprias pedras das ruinas. O resultado eh fantastico e valeu a pena me derreter como eu ja me derretia. Eram 11am e eu estava exausta de tanto passar calor. Minha pressao tambem caia paulatinamente, dado que eu nao parava de suar. Ao ponto de meu cabelo ficar enxarcado, e minha camiseta ficar uniformemente mais escura devido ao suor molhando-a por completo. Nao estou exagerando, eh como passear numa sauna. Um guia me mostrou um termometro de bolso que ele tinha e, na sombra, marcava 35 graus. Soh para se ter uma ideia.

Ta Phrom foi nosso ultimo templo. O calor soh pioraria dali para frente e, por mais que houvesse ainda um mundo de templos e ruinas para ver, cheguei no ponto em que em vez de esculturas eu soh via pedras. E nao duvido que se tivesse insistido em ver mais do lugar, nao demoraria para que eu nao visse absolutamente nada – eu nao estava la muito longe de desmaiar.

Fomos prudentes e pegamos o tuk-tuk de volta. Chegamos no hotel, tomamos um banho merecido e saimos para almocar. Fiz questao de ar condicionado e entao acabamos repetindo o Blue Pumpkin.

De la fomos fazer uma merecida massagem tradicional Khmer e saimos nas nuvens. Acho que a melhor massagem que fizemos ateh agora, depois da tailandesa. Eu saia de la quase zen quando a minha massagista foi abrir a porta de cortininha para eu sair e o bastao de madeira macica que segurava a cortina caiu com tudo bem na minha cabeca. Por muito pouco nao pegou meus oculos escuros. Eu teria ficado bem chateada se quebrassem meus oculos. Eles nao foram exatamente baratos. Achei que devido aa pancada eles fossem dar um descontinho na massagem, mas nao. Soh um “sorry” e assunto encerrado.

Dali para frente comecou uma dor de cabeca que se estenderia e acentuaria pelo resto do dia.

Voltamos para o hotel e resolvemos nadar, ja que mais cedo nos informaram de que a piscina estava cheia e pronta para ser usada pelos hospedes. Mas chegamos la embaixo e a agua estava marrom esverdeada, quase preta. Algo muito errado estava acontecendo e eles, naturalmente, pediram para que ninguem entrasse na agua. Sinceramente, pelo nivel do negocio, nao acho que poderemos nadar na piscina. Vamos embora dia 1o. de marco e duvido que ateh la eles tenham entendido o que houve e como consertar.

Ale ficou por la mesmo, lendo nas cadeiras. Eu preferi voltar pro quarto e deitar. Minha cabeca doia mais e eu estava com sono.

Soh acordei pra la de 8 da noite. Meio sem fome, mas fomos jantar no Butterfly Garden. Tomei um Nurofen e a dor de cabeca amenizou. Eu ainda estava cansada e, apesar de ter dormido bastante horas antes, consegui pegar no sono bem rapido.

Tuesday, February 24, 2009

os ultimos dias no Laos

21/2

Acordei depois de 11 horas ininterruptas de sono. Encontramos Carol e Henrique na padaria escandinava (sim, eh uma rede por todo o Laos turistico aparentemente) e depois de um cafeh demorado, resolvemoss fazer uma massagem tipica do Laos. Eh parecida com a tailandesa, muito gostosa, relaxante, mas vigorosa.

De la o calor pegou e tinhamos que fazer decisoes rapidas (porque quanto mais tarde, mas o sol vai subindo) e certas (porque andar debaixo desse sol eh quase a morte para branquelos como nos). E acho que o sol afetou nossas ideias. Acabamos comprando um buda deitado de madeira e nao sobrou dinheiro para almocarmos. Tivemos que dividir um sanduiche e depois comer umas Oreo para disfarcar

O calor estava tanto que nao ousamos por o peh para fora do quarto. Instead, resolvemos tomar decisoes importantes. Resolvemos pular o Vietnam e re-incluir a Indonesia. Pensamos muito e achamos que a chance de nao gostarmos na Indonesia eh bem mais baixa. Uma pena termos gastado dinheiro com o visto do Vietnam, mas acho que tomamos a melhor decisao que podiamos ter tomado. Acho que quando se estah viajando, nao se deve ir a um lugar se nao se estah com vontade. E nao queriamos ir pro Vietnam mais. Os relatos nos desanimaram completamente, e a ideia de gastar tempo em um lugar desagradavel enquanto tinha um paraiso na Indonesia nos esperando foi mais que suficiente para tomarmos a decisao.

O plano agora eh voarmos de Luang Prabang direto para Siam Reap, no Camboja. Ainda temos alguns dias de Luang Prabang para curtir. Amanha, por exemplo, compramos um tour que nos levarah para andar de caiaque no rio (com direito a algumas rapidas), entrar na caverna Pak Ou, visitar o vilarejo onde eles produzem o Lao Lao (uisque do Laos, aparentemente ruim pra burro), e encerrar com um passeio de elefante pela floresta.

Tudo decidido, fomos jantar e comprar o tour. Depois do jantar voltei para o hotel e o Ale foi com o Henrique para o Bar Lao Lao.

Fiquei escrevendo meu diario de bordo ateh que nao muito mais de uma hora depois o Ale volta pro quarto, uma cara ruim. Estava enjoado e queria vomitar. Enquanto ele fazia o servico, eu corria ateh o quarto da Carol para pegar um Eno ou equivalente. Voltei, preparei, e ele vomitou um pouco mais. Fiquei com noh na garganta, juro. Vontade de chorar por ele. Sei que vomitar para ele nao eh nada demais, mas se fosse eu naquela situacao... gente, nao consigo me imaginar em uma situacao de maior sofrimento do que a de ter que vomitar. E de ver meu amor mal, fiquei bem chateada. Mas se deus quiser ele vai acordar bem amanha para podermos passear.

22/2

Despertador tocou para irmos andar de caiaque mas eu ja sabia. Nao haveria como. Ale acordou ainda enjoado e, claro, fraco. Era dia de ficar de enfermeira de um doente muito amado e mimado. Deixei ele no quarto e fui tenta adiar nosso passeio. Deu tudo certo, vamos amanha. Tomei cafeh da manha e levei um bagel para o Ale. Quando cheguei de novo no quarto Ale ja estava em peh e com vontade de comer bolo. Melhor sinal impossivel. Fiquei feliz da vida e sai com ele para a padaria escandinava, onde ele pode comer o bolo de banana que queria.

Ao longo do dia ele se sentiria melhor. Aproveitamos que seria um dia devagar para resolver coisas. Mudamos nossa passagem do Camboja pra Tailandia pro dia 1/3, e compramos nossa passagem de Luang Prabang para Siam Reap (Camboja) para o dia 25/2.

Mais tarde fomos almocar num restaurante perto da nossa guest house e encontramos o Mickey e a Susannah, casal ingles que viajou no busao com a gente de Pakse a Vientiane. Ale comeu bem, inclusive bastante do meu prato, mais um otimo sinal de que as coisas estavam voltando ao normal. Ficamos conversando ateh o calor ficar insuportavel para mim. Voltei pro quarto, tomei uma ducha gelada e deitei embaixo do ventilador. Nosso quarto eh super fresquinho, alias ficamos bem satisfeitos com o lugar que escolhemos.

Dormimos um pouco, afinal a noite tinha sido ruim para ambos. Ale, claro, doente. E eu fiquei meio alerta, com sono leve, a noite toda, para cuidar do meu menino. Acordamos ja na hora de jantar. Fomos com Henrique e Carol para o night market. Ale quis comer bolo de limao (ele cismou com bolo) e shake de frutas. Eu comi um sanduiche de frango. Sentamos num cantinho la em que soh os laolitos sentam e um gato muito amado se engracou conosco. Ficava pulando do meu colo pro do Alexandre. Sem, claro, tirar o olho do peixe do Henrique.

Fomos dormir cedo porque dia seguinte seria dia de passear, sim.

23/2

Acordei antes do despertador e chequei se Ale estava bem para andar de caiaque. Ele estava, entao nos aprontamos e aas 9am estavamos la, esperando a van.

Outras 3 pessoas se juntaram a nos 4 e seguimos para o rio Nam Am (ou Nam Khan, nao lembro). Fomos deixados la com caiaques duplos e um guia que se dizia chamar William mas na verdade se chamava Pantamar (???).

Logo de cara o Time Pato se encaixou nas remadas e foi muito, muito divertido (aa parte algumas vezes em que Mr Pato deu remadas em minha cabeca – com capacete, thank god).

Passamos por algumas corredeiras, mas tudo bem suave. Uma delicia o contraste da agua com as pedras passando rapido no fundo. Deu uma vontade imensa de cair n'agua, principalmente porque ja estava muito quente, e o rio era muito limpo. Depois de uns 40 minutos remando, paramos na areia em uma prainha para admirar a vista e tirar fotos. Uma pedra gigantesca aa frente, perto da qual logo mais passariamos com o caiaque. O paraiso, gente. Nos sentiamos o casal mais sortudo do mundo por estarmos ali, naquele momento.

Depois de muito admirar (e queimar os pes na areia quente), voltamos ao caiaque. Continuamos remando, passamos pela pedra majestosa e dei meus urros para testar o eco, que era absurdo.

Depois seguimos pelo rio por mais uns 40 minutos e estacionamos em uma vila, onde ficavam os elefantes. Eram dois amados gorduchos e sujoes, esperando por nos quatro (os outros 3 quiseram fazer apenas caiaque e nos soh os encontrariamos no final do passeio). Subimos no elefantinho e fomos, floresta adentro, passear. Foi gostoso, mas ficamos meio com pena dos elefantes. Tadinhos, carregando pessoas nesse calor! Mas parece que pra eles isso nao eh nada. Esses sao elefantes em recuperacao de uma pratica bem mais vil, a dos madeireiros que os faziam carregar centenas de quilos de madeira nas costas, por horas a fio, todo dia.

Ou essa eh a historia que nos contaram para nao acharmos que havia abuso com os elefantinhos camaradas.

Enfim, o passeio durou uma hora, durante o qual nosso simpatico elefantinho brincou com galhos pelo caminho (parecia um ritual de auto-flagelacao, mas ele parecia estar se divertindo), comeu muito mato gostoso, tomou banho no laguinho, cuspiu na gente via tromba, cuspiu poh, tambem via tromba, fez xixi e abanou muito as orelhas amadas.

Findo o passeio, era hora de almocar. Nosso guia nos deu nossas marmitinhas e comemos um arroz com frango e vegetais bem simples e saboroso. Depois compramos bananas para dar pros elefantinhos. Tenho fotos e ateh filminhos registrados. Ta bem engracado.

Deixamos entao os elefantinhos para traz e pegamos novamente o caiaque. Atravessamos o rio para visitar a caverna Pak Ou (Buda). Eh legal, mas estavamos exaustos. A caverna eh considerada sagrada e tem centenas de estatuas do Buda. Vimos tudo sentados em umas cadeiras porque ja tinhamos subido muitas escadas para chegar la. Vimos tambem alguns passarinhos sendo soltos. Em todo templo budista daqui sempre tem gente vendendo uma gaiolinha de palha com um passarinho dentro. Voce compra, ai faz um pedido e solta o passarinho da gaiola. Eh uma pratica errada, claro, porque nenhum passarinho tinha que ser preso em primeira instancia, mas enfim, vai discutir com tradicoes locais de sabe-se la quantos anos? Nao vai.

Da caverna pegamos novamente o caiaque e seguimos por mais 40 minutos para nossa ultima para, a vila em que se produz o uisque lao lao. A essa altura, o pacato e limpido Nam Khan ja tinha desembocado no Mekong e remavamos em agua bem mais turva. O Ale estava bem cansado por causa do bug, que o deixou bem fraco, entao essa ultima perna com o caiaque foi praticamente em meia fase. Chegamos no vilarejo, sem muito folego para passear. Ainda estava bem quente e Ale precisava de algo com acucar. Achamos um restaurante com coca. Depois de uns 10 minutos, entramos todos na van e voltamos para Luang Prabang.

Fomos correndo para o chuveiro. Estavamos imundos, claro. Depois fomos comer como se nao houvesse amanha. Dormimos como anjos.

24/2

Depois de uma otima noite de sono, acordamos bem menos doloridos do que esperavamos. Resolvemos entao ter um dia bem devagar, para descansar do anterior.

Tomamos cafeh, voltamos pro quarto e depois de muito enrolar, dormimos novamente. Acordamos aas 2pm, fomos ali bater um crepe e voltamos pro hotel.

O calor estava absurdo e resolvemos tentar nadar num rio, o Nam Phu. Foi uma ideia meio de jerico: o rio eh meio sujo e com uma correnteza forte. Ainda assim, nao nos demos por vencidos e gastamos uns 15 minutos sentados, os quatro, e jogando pedrinhas para ver se elas quicavam.

Voltamos pro hotel loucos por um banho. Depois do banho saimos para jantar e mais um dia passou, em ritmo de Laos. Nosso ultimo dia. Gostamos muito do Laos. Nao da para explicar o carinho que pegamos pelo pais e pelo povo. Eh tudo o que um pais precisa ser, really. Tudo o que diz o establishment, o Laos faz o contrario. Nos amamos o Laos para sempre.

Amanha eh levantar cedo pra voar para o Camboja. Aguardem noticias de la!

Saturday, February 21, 2009

Luang Prabang, a nossa joia

17/2

A noite foi tudo o que achavamos que seria. Um inferno. Devo ter dormido no maximo umas 3 ou 4 horas. O fedor do banheiro era insuportavel e, ao ficar no lado do corredor, todo mundo que ia ou vinha sem querer passava a mao na minha bunda para se apoiar no railing da cama.

Ale tambem dormiu mal e acordamos bem de mau humor. Mas enfim, chegamos vivos e isso eh o mais importante. Da rodoviaria fomos levados de tuk-tuk ao centro da cidade. Rachamos o tuk-tuk com uma inglesa e dois noruegueses para baratear. Ele nos deixou em Namphu Square e de la cada um tomaria seu rumo. Nos quatro resolvemos primeiro tomar cafeh da manha na padaria escandinava que tem na praca, para depois eu e Carol sairmos a procura de guest house. Rodamos por uma hora e nao achamos nada que gostassemos por um preco acessivel. Acabamos num guest house bem simples e mais em conta.

Fizemos check-in e fomos resolver algumas pendencias. Compramos passagem de Vientiane para Luang Prabang (viagem que leva 40 minutos de aviao e mais de 8 horas de onibus. Imaginem a estrada! Toda tortuosa devido aas montanhas), levamos roupas para lavar, resolvemos algumas coisas por internet e finalmente, quando o sol ja estava a pino, fomos almocar num restairante chamado Sabaydee. Bem simpatico e gostoso, mas logo de cara percebemos que vamos gastar bastante dinheiro na capital.

Estavamos, naturalmente, um caco. Resolvemos tirar uma soneca e mais tarde fazer massagem. Aconteceu que nao conseguimos acordar da soneca a tempo. Quando vimos ja estava na hora de jantar.

Como ainda estava muito quente, fomos na padaria escandinava de novo, porque la tem ar condicionado e uma baguetona que o Ale tava de olho desde de manha. Depois do jantar passamos num internet cafeh e pude falar com babae, babai e minha Piu amada. Fiquei realizada! Nao fiz nada o dia todo e mesmo assim foi um dia bom.

18/2

Comecamos o dia cedo e mesmo com um calor dos infernos, conseguimos ver as duas principais atracoes de Vientiane, Pha That Luang, que eh a estupa dourada, e o Wat Si Saket, que eh um templo budista. Legais etc mas, sinceramente, ja tivemos nossa dose de templos e fica bem dificil absorver qualquer coisa depois de India e Nepal. Conclusao? Podiamos ter pulado Vientiane. Ou pelo menos ter usado o lugar de base para ir a Vang Vieng, um lugar que dizem ser lindo e onde se pode fazer tubings deliciosos(tubing eh aquela pratica de se enfiar em um boiao e descer rio abaixo. No Brasil acho que chama boia-cross mas posso estar viajando). Enfim, nao fomos. Ficamos na capital vendo templo e estupa e passando muito calor e pagando caro para qualquer coisa. Valeu a licao.

De noite paramos no mesmo internet cafeh do dia anterior para darmos uma olhada em nosso saldo de viagem. Ficamos estarrecidos de ver que soh tinhamos mais USD500 no cartao conjunto! Depois do panico inicial, fomos jantar para discutir a situacao, porque de barriga vazia nenhuma decisao eh sabia.

Passamos o jantar discutindo a questao e chegamos a conclusao de que sim, sem duvida haviam fraudado o nosso cartao, que nao teriamos gasto mais de USD2,000 assim em 40 dias.

Voltamos pro internet cafeh, liguei pra Londres e fiz o cara me dizer, um por um, quais foram os valores dos gastos, onde eles foram feitos e em que dia.

Para nosso desespero, tudo bateu. Sim, tinhamos gasto mais ou menos o dobro do que haviamos estimado. Nossa capacidade de budgeting eh claramente fraca, mas nao imaginei que fosse estar tao perto do vermelho.

Claro que nao eh vermelho de fato. Quando acabar esse cartao conjunto, tenho meu cartao do banco normal, que uso em Londres. E pais alexandrinos e biaceos nao precisam se preocupar.

Mas levantamos um baque. E depois voltamos pro bar onde haviamos jantado, e ouvimos um duo laolito (quem vem do Laos eh o que? Para nos eh laolito) cantando e tocando, muito direitinho, musicas ocidentais. E o susto do dinheiro e a certeza de que estah tudo bem, e a musica de fundo, e meu homem bonito do meu lado, me deu uma certeza de que tudo daria certo porque amo muito e sou muito amada. E me derreti nos bracos do meu namorado ouvindo musicas devidamente piegas. E se pudesse reviveria mil vezes esses pequenos repentes adolescentes que ainda cismo em ter. Cansada e feliz.

19/2

Acordamos cedo, corremos ateh a padaria escandinava, fechamos tudo e fomos para o aeroporto. Voamos para Luang Prabang via Lao Airlines, uma linha aerea que nao divulga dados de acidentes aereos, entao imaginem! Voamos num desses avioes pequenos, que da pra ver as helices rodando do lado de fora da turbina. Curti, nao fossem as centenas de mosquitos (vivos e famintos) dentro do aviao.

Chegamos em Luang Prabang e foi tudo muito facil. Um tuk-tuk nos levou ao hotel que escolhemos, mas acabamos ficando em outro.

Comecei a sentir um mal estar, mas achei que era por causa do calor. Tomei um banho gelado forcado pelo meu namorado e fomos almocar num restaurante na beira do Mekong. Nao consegui comer mais que tres garfadas do prato do Alexandre.

Encontramos uma brasileira que se sentou aa nossa mesa e que ja viaja ha 10 meses. Ela tambem mora em Londres e acabou de passar pelo Vietnam. Nao foram boas as reviews da moca. Nos, que ja nao estavamos com muita vontade de ir para o Vietnam, ficamos ainda mais brochados. Algumas pessoas ja falaram que o pais, principalmente o norte, nao eh muito amigavel. Ao mesmo tempo, queria muito visitar Halong Bay.

A tarde, para mim, foi perdida. Diarreia novamente, a terceira da Asia, minha gente. Ateh cogitei um rotavirus, apesar de nao ter vomitado, mas do jeito que sou cagada (sem trocadilhos, plis), eh capaz que tenha tido o dom de pegar 3 berebas diferentes e todas elas terem me feito passar mal. Eu, que achei que tinha um sistema imune exemplar. Ra!

Mesmo sofrendo em posicao fetal (sofro, sofro), estava feliz de estar em Luang Prabang. A cidade eh uma graca! Eu moraria aqui facil. Extremamente civilizada, arborizada, arquitetura linda, povo tranquilo... Lugar absolutamente imperdivel para quem vem pras bandas do sudeste asiatico.

Mas nao era hoje que eu conheceria a perola que eh Luang Prabang.

Do quarto do nosso hotel, andamos nem 100m ateh o restaurante mais proximo, onde pedi um pao com polenguinho. Consegui comer um terco. Tambem tive que deixar Ale e amigos na mesa para me retirar. Estava um caco.

Fui dormir bem chateada. E mais uma vez, tive uma noite do cao. Dormi muito mal, acordei no meio da noite, tive mais diarreia, tive mais um ataque de panico (desta vez, na verdade, consegui controlar com respiracao), e precisei de muito colo, o que me foi prontamente dado.

A unica conclusao a que posso chegar eh de que era infundado meu medo de que meu relacionamento fosse piorar com a viagem devido a passarmos muito tempo junto. Na verdade, ssoh nos aproximou. Estamos melhores do que nunca, agora com mais milhares de historias em comum. O que mais une um casal do que as historias vividas?

Cada dia que passa na viagem tenho mais certeza de que fiz a melhor escolha da minha vida.

20/2

Nao sei se foi halopatia ou amor, mas acordei muito bem, morrendo de fome. Procurei nao exagerar no cafeh da manha porque meu estomago ainda estava sensivel.

Resolvemos, entao, passar o dia na cachoeira Tat Kuang Si. Eh um dos lugares mais lindos a que ja foi.

Na entrada, tem uma ONG que cuida de ursos. Tem um monte de urso (de verdade) em recuperacao. Sao ursos asiaticos que foram mantidos em cativeiro e abusados – parece que a bile do urso tem usos medicinais, entao nego abre uma ferida no figado do bichinho e nao deixa fechar, fica drenando a bile. Fiquei moida por dentro. Tao adoraveis, os ursinhos asiaticos. Tinham alguns que estavam bem magrinhos. Outros, ja mais rechochudos, se esbaldavam na balancinha ou em algum outro brinquedo, ou tiravam uma bela soneca numa rede para ursos. Umas coisas amadas.

De la seguimos a trilha para a cachoeira. A cachoeira vai descendo em camadas de piscinas naturais turquesa. Me esbaldei nas piscinas, saltei com o Ale de uma cachoeira de uns 6 metros de altura (adorei, mas desci os 6m gritando alto o suficiente para ser captada por radares americanos), tirei muitas fotos e fiz filminhos do Ale pulando de uma corda em cima de uma arvore direto na cachoeira, esse espuleta. Fiquei com o coracao na mao, mas ele sabe o que faz.

E cada vez que subiamos mais um pouco a trilha, paravamos em mais piscinas naturais e em mais quedas d'agua, ateh chegar ao topo, de onde se ve a principal e majestosa queda.

Acho que foi a tarde mais agradavel que tivemos ateh agora. E me recuperei 100%, claro.

Saimos de la na hora que fechavam o parque florestal. Devoramos um sanduiche ja no tuk-tuk de volta.

Exaustos, Ale e eu ainda nos forcamos a sair para jantar porque sabiamos que ficariamos com fome no meio da noite e nao haveria nada para comer. Fomos no night market, gigantesco, que se estende por mais de 1km evende principalmente artesanato e tecido, mas tabem comida. Pedi um prato vegetariano pequeno, ja que estava sem fome e nao queria forcar meu estomago ainda debilitado.

Dormi que nem uma pedra.

Thursday, February 19, 2009

a vida no Laos, como eu disse, passa devagar

13/2

Apesar de termos acordado meio tarde, achamos que mereciamos, e o plano era, em todo caso, nao fazer nada de uma cachoeira para a outra. Nao tem hora marcada para isso.

Depois de um cafeh da manha leve, fomos direto para a cachoeira que fica na frente do hotel. Nadamos em piscinas naturais, fizemos hidromassagem na cachoeira e nos sentimos completamente energizados. Desde que comecamos a viagem estavamos esperando pelo momento contato-com-a-natureza. Eu, no caso, nao via a hora de entrar na agua. Fosse de lago, rio, mar ou cachoeira. E calhou de ser nesse lugar fantastico chamado Tadlo. Depois de nos esbaldarmos por horas nas aguas e nas pedras na cachoeira, fomos almocar numa outra guest house que tem vista para o rio. Entre mastigadas, vimos varias criancas brincando e um bufalo tomando banho e atravessando o rio a nado.

Depois do almoco, eu e Ale fomos dar mais um mergulho. E o dia passou devagar, em ritmo de Laos. Um dia perfeito de ponta a ponta. Tirando o fato de o Ale ter queimado demais as costas.

Muito hidratante depois, tivemos mais uma noite de sono boa.

14/2

Infelizmente ja era dia de deixar Tadlo – uma pena, foi um de nossos lugares preferidos ateh agora. Acordamos cedo para podermos conhecer a outra cachoeira pela manha. Demos uma nadada e tiramos varias fotos. Tinhamos a cachoeira toda para nos e foi bem romantico. A gente nem sabia, nem lembrava, mas estava casal melado em pleno Valentine's Day.

Depois da nadada, tomamos um banho e subimos no chiqueirinho de uma caminhonete. Isso ja estah virando rotina no Laos. Fomos levados ateh a rua principal, que na verdade eh a estrada. Esperamos o busao que no final das contas estava mais de meia hora atrasado (o tempo passa devagar no Laos). Chegamos em Pakse e depois de muito confabular, decidimos passar a noite la. Nao era o ideal porque nao tem muito o que fazer em Pakse. Queriamos mesmo era ter ido direto para Si Phan Don, mas o onibus que levava era trevas demais (um tuk-tuk glamourisado que levaria o dobro de tempo necessario) e uma van de ultima hora sairia muito caro (leia-se: a galera da estacao de onibus tentou meter a faca achando que a gente tava desesperado para ir pra Si Phan Don e nao era o caso, embora quisessemos).

Chegamos em Pakse, fizemos o check-in e fomos almocar. Ganhei uma rosa do Ale de Valentine's Day. Achei fofesimo e o cobri de beijos e amassos, no meu melhor estilo Felicia.

Depois do almoco fomos Carol e eu tentamos descobrir de onde sai o barco para Si Phan Don. Ir de barco era uma das opcoes – por ser barato e legal, era a primeira opcao -, mas percebemos que estavamos longe demais do ponto de saida do barco e ouvimos rumores de que era furada. Entao resolvemos que iriamos de van, mesmo pagando um pouco mais.

Tiramos dinheiro suficiente para mais uns dois dias ja que em Si Phan Don nao ha ATMs e nem money exchange bureaus. Na volta, comemos um docinho de uma velhinha muito fofa na rua. Era tipo pastel brasileiro, mas o recheio era uma cocada bem molhada com leite condensado. Divino, needless to say.

Fomos dormir sem muito enrolar porque no dia seguinte teriamos de acordar cedo.

15/2

Levantamos e arrumamos malas, fomos tomar cafeh e partimos na van para Si Phan Don. Si Phan Don sao as famosas “4 mil ilhas”, apelidadas de Bahamas da Asia. Sao varias ilhas no rio Mekong na fronteira do Laos com o Camboja. Chegamos no lugar de onde saiam os barcos e pegamos um barco para Don Khon, uma dessas ilhotas. De todas as ilhas apenas uma (que nao era a nossa) tem eletricidade. Chegamos em Don Khon, que eh supostamente a mais gracinha, mais exotica das ilhas, e ficamos um pouco frustrados porue nao conseguiamos achar acomodacao decente. Ou era desembolsar 35 dolares para ficar num lugar mais ou menos mais pra menos, ou era pagar bem barato (tipo US$5) por um quarto mequetrefe com o minimo do minimo. Optamos pela segunda opcao. Ficamos num guest house que custava 50.000 kip (tipo 5 dolares) o quarto. Nele, uma cama de casal grande, uma rede de mosquito, e um banheiro sem descarga (tudo na base do baldinho, minha gente).

Meu grande medo era de noite. Sem ventilador nem nada, e sendo o lugar absolutamente boiling hot mesmo de noite, temi por minha sanidade e integridade fisica e mental. Tenho pavor de passar calor.

De qualquer maneira, estavamos instalados numa bngalo de frente para o rio, e naquele lugar eh bem dificil reclamar.

Almocamos – o almoco levou tipo 2 horas para chegar a vida passa devagar no Laos) e Henrique e Carol foram cochilar. Eu e Ale pusemos roupa de banho e fomos mergulhar no rio. Depois alugamos uma bicicleta e fomos explorar a ilha. Pedalamos ateh a principal atracao que eh uma cachoeira maravilhosa, mas nao dessas de nadar devido aa forca da agua. Tentamos achar alguns pontos com piscina natural para podermos nos refrescar mas todas estavam cheias de musgos e liquens, e deu nojinho. Pedalamos de volta – alias, esse passeio de bicicleta tambem estah entre os top 10 da viagem ateh agora, apesar de as bicicletas nao terem freio e eu ter quase capotado varias vezes – e fomos mergulhar mais uma vez no rio.

Nadar no rio nunca eh tao legal quanto nadar no mar ou numa represa. No rio voce fica constantemente preocupado com a correnteza e com o que tem embaixo e naao da para ver. Muito bicho, planta e nojinhos. Mas deu para refrescar bem. De noite jantamos num lugar mais ou menos perto e voltamos a luz de lanterna para o nosso bangalozinho.

16/2

Ao contrario do que imaginei, dormi bem a noite. Nao foi nem de longe a melhor noite que tive na viagem, foi uma das piores, inclusive. Mas nao passei mal de calor como estimado. Em vez disso, foi o Ale quem dormiu muito mal. Acordou banhado de suor varias vezes e nao conseguia dormir depois. A experiencia estava sendo um pouco “roots” demais e tomamos uma decisao radical: nesse dia mesmo pegariamos um overnight bus para Vientiane.

Claro que queriamos ter passado mais tempo em Si Phan Don. Claro que tinha mais coisas para ver (mas no muito mais). Claro que nao queriamos ficar viajando praticamente todo dia. Mas nao tinhamos escolha. O Ale tinha dormido mal e eu nao tava exatamente em polvorosa para passar mais um dia de calor intenso. Entao estava decidido. Duramos 24 horas num lugar que muita gente consegue ir para uma semana e termina por um mes. Eh assim mesmo.

Tomamos cafeh, arrumamos as coisas e pegamos o barco para nos levar para a main land. De la, pegamos um mini-bus para Pakse e em Pakse esperamos por muitas horas ateh a hora do nosso onibus sleeper sair. Mas foram horas ativas. Pude checar meus emails num internet cafeh do lado da estacao, almocamos, fizemos amigos (ingleses todos, surpreendentemente abertos), jogamos mau-mau, jogamos expectativa e quando piscamos o tempo havia passado.

Chegou a hora de entrar no busao e, decepcao profunda, nao era bem o que tinham nos dito. Nao era double decker e as camas nao eram espacosas como indicavam as fotos. Acho que resolveram mudar, para pior, nosso onibus. Para completar, nossas camas ficavam grudadas no banheiro, que, naturalmente nao tinha janela e fedia horrores.

Mais uma noite do cao, tudo indicava. Pelo menos dormi grudada no meu amor.

Tuesday, February 17, 2009

o post mais longo da historia

Peguem um cafezinho e uns biscoitinhos porque este eh longo. E tudo indica que o proximo tambem serah1!!

3/2

Acordei algumas vezes durante a noite para ir ao banheiro. Nada legal, nada divertido. Principalmente porque hoje seria dia de pegar estrada, pelo menos 5h, de Pokhara a Kathmandu.

Aproveitamos a manha para resolver algumas coisas pela cidade. No final da manha fomos para o hotel onde estavam Henrique e Carol e de la voltamos, de carona com o motorista que eles contrataram, para Kathmandu. A viagem nao foi das mais agradaveis. Fiquei espremida entre Ale e Henrique no carro e, para completar, o motorista era um maniaco das trevas que dirigia como se nao houvesse amanha.

Pelo menos a vista eh linda e paramos para almocar num lugar com comida ruim mas vista linda, de frente para um rio ultraconvidativo, ao lado de uma ponte pensil que, nao fosse a diarreia ter me deixado bem abatida, eu teria atravessado pulando, para dar emocao.

Chegamos no caos que eh o que chamamos carinhosamente de KathmanCU. Voltamos ao mesmo hotel e, inclusive, ao mesmo quarto em que encontrei um pobre rato morto na privada. Arrumamos nossas coisas e fomos vender o nosso Lonely Planet do Nepal e comprar a faca Khukhuri pela qual o Alexandre estava louco. Sao os facos utilizados pelos Gorkha, uns missionarios guerrilheiros considerados uma das melhores fighting forces do mundo. Parece que para ser um gorkha voce precisa ser de uma casta especifica e, alem disso, carregar 25kg numa cesta subindo uma montanha por varios quilometros. Sounds like fun, eh?

Faca comprada (linda por sinal), fomos jantar no Tashi Delek. Bem gostosinho. Eu ainda estava bem mal da barriga e sem fome. Comi um prato leve para nao ir dormir de barriga vazia e acabou-se mais um dia.

4/2

Barriga melhor. Acordei com fome, um bom sinal. Ainda assim, tive minhas viagens ao banheiro no meio da noite.

Nao hvia muito tempo para fazer nada. Tomamos cafeh da manha, arrumamos o resto das coisas que precisava ser arrumado e logo o taxi com Carol e Henrique rumo ao aeroporto chegou. O aeroporto internacional d de Kathmandu eh um verdadeiro inferno. Dica para quem pensa em ir para la: se nao quiser perder o aviao, chegue com folga. Nos chegamos 2h antes da decolagem e mesmo assim foi apertado. Noventa filas para noventa security checks. Placas muito confusas, taxa de saida do pais (???) etc etc etc.

Oh well, sobrevivemos. Gente, Thai Airwyas eh TU-DO. Acho que a melhor companhia aerea com que ja voei. Aviao impecavel, comida deliciosa (masaman curry, yum), comissarias simpaticas e bancos espacosos.

A viagem para Bangkok durou 3 horas e 40 minutos. Do aviao tivemos uma vista espetacular dos himalaias. A melhor de todas, na verdade. Tentamos achar o Everest. Ele provavelmente passou por nossos olhos estupefatos, mas nao soubemos reconhecer o monstro mais alto em meio a tantos monstros altos.

Do aviao tambem pudemos ver as terras bem pouco habitadas de Burma. Cada paisagem maravilhosa e desertica. Praias completamente inabitadas por centenas de quilometros. Parece que naquela area ha uma minoria muculmana ortodoxa e nomade e que alem deles, ninguem mais anda por aquelas bandas. Fiquei besta. Como pode nao ter ninguem num lugar com um potencial paradisiaco daqueles?

Finalmente chegamos em Bangkok. O aeroporto, aberto em 2006, eh o must dos musts em aeroportos. Tudo supermoderno e bonito. Filas pequenas e pessoal treinado. Ale e Henrique, que nao tem passaporte europeu, precisaram mostrar a carteira de vacinacao com febre amarela em dia. Pegamos as malas, fomos para o ponto de taxi e, de la, para o hotel em que Henrique e Carol tinham reserva. Chegamos la e estava lotado. Eu e Ale saimos por ai procurando vaga e achamos no Erawan Guest House um quarto muito bom com ar-condicionado, embora ligeiramente acima de nosso budget. Soh poderemos ficar aqui por 2 noites.

A cidade estah estourando de turistas. E, inacreditavel, as 11 da noite, em pleno inverno, estava 30 graus. Nenhuma brisa. Desespero. Se eh assim de noite, o que vou fazer com o dia? Tenho desespero de dias quentes demais, apesar da constante reclamacao do frio ingles. E eh desespero mesmo. Comeco a ficar abobada, nao consigo pensar, soh fico parada e suo, ateh sair correndo para qualquer buraco com ar-condicionado.

Depois de resolvidos os hoteis, eu e Ale fomos jantar na rua. Peguei um Pad Thai desses de comer na sarjeta, um milho verde e, de sobremesa, melancia! Meu deus, o paraiso culinario eh aqui.

Depois fomos a um restaurante bem cool na frente do nosso hotel e ficamos jogando conversa fora. Eu ja estava sendo devorada por mosquitos e continuava com muito calor. Resolvi ir pro quarto me enfiar no ar condicionado e dormir para regularizar o jet lag. Agora estamos, se nao me engano, 9 horas aa frente
do Brasil.

5/2

Nosso primeiro dia na Tailandia foi bem tranquilo e responsavel. Tinhamos uma serie de coisas a resolver. Primeiro fomos lavar roupa.

Dai, fomos a um servico de shipping e mandamos uma caixa por navio para o Brasil para o endereco da binha bae, que deve chegar em 2 ou 3 meses, ou seja, very likely que eu esteja por la para receber.

Depois procuramos outro hotel para mudar amanha, ja que o nosso soh tem vaga por 2 noites (a gente nao fazia ideia de que Bangkok estaria tao cheia).

Mais tarde pesquisamos precos de visto pro Vietna e escolhemos a agencia mais barata. Nossos passaportes estao em vossos poderes, entao ateh terca-feira ficaremos quietinhos aqui por Bangkok e arredores.

Por fim, fizemos uma massagem tailandesa de uma hora cada. Sim, porque relaxar eh nossa obrigacao quando se estah de ferias, hehe. Entre uma atividade e outra do dia corriamos para o ar condicionado do quarto ou para uma chuveirada gelada. Alias, teve uma corrida pro ar condicionado que em vez de ser pro quarto foi pro Swensen's, uma cadeia de sorvetes americana very very naughty. Deliciously so.

Antes de terminar o dia, o Alexandre percebeu que havia perdido seu cartao do banco. Toca cancelar tudo via Skype. Mas tudo foi resolvido e o cartao nao foi usado. Precisando, a gente usa soh o meu.

De noite estavamos ja cansados por causa do calor. Jantamos com Carol e Henrique, que tambem passaram o dia resolvendo pepinos, e fomos nos embalar. Just another day in Bangkok.

6/2

Levantamos tarde. A janela do quarto eh muito pequena, entao nao entra luz, entao parece que eh noite quando eh dia. Era tipo 10:30. Um crime para quem estah viajando e conhecendo lugares novos. Mas aconteceu. Tomamos cafeh e mudamos para nosso novo hotel. Uma espelunca. Desconfiamos que seja na verdade soh um antro de putaria mesmo, lugar em que os branquelas levam as prostitutas tailandesas para a intimidade. Mas na verdade eh soh mais um guest house mesmo, dos bens sujinhos, com camas durinhas.

Deixamos nossas coisas e saimos por ai para explorar um pouco a cidade (ou melhor, o bairro) a peh. Vimos alguns budas (um imenso, em peh; outro imenso, sentado – cada posicao do Buda tem todo um significado pros budistas). Caminhando de um Buda ao outro, passamos por um mercado com algumas iguarias unicas, fresquinhas: sapos, cobras, lesmas, fresquinhas fresquinhas, prontas para serem embaladas e cozinhadas na tranquilidade do lar.

Nem preciso dizer que mil vezes eca, ne? E nos andando de chinelo pelo mercado e aquela aguinha de feira de peixe batendo na nossa perna e entrando por entre os dedos. Nada gostoso. Enfim, um lado de Bangkok que bem poucos turistas conhecem.

Quando resolvemos almocar, ja bem tarde, nada mais me apetecia. Eu soh queria me enfiar num lugar com ar-condicionado, nem que fosse um Burguer King. Acabamos indo para um lugar sem ar-condicionado, mas razoavel, a que sempre vamos. Tomei um suco bem gelado de papaya, e depois outro de melancia. Estranhamente nao estava com fome, entao nao forcei. Ale bebeu umas Tigers e rumamos ao hotel depois de encontrar Henrique e Carol e combinar de sair cedo no dia seguinte para evitar o pior do calor.

7/2

E demorou mas aconteceu. Peguei alguma bacteria ou protozoario ou ameba do mal. Bem do mal. Em uma noite de muitas idas ao banheiro consegui terminar um rolo de papel higienico inteirinho. Nao preciso dizer mais, ne? Quase nao dormi. De 15 em 15 minutos acordava com colica. Daquelas do tipo punhal mesmo. Quando o despertador tocou eu quis chorar. O Alexandre teve de encontrar com nossos amigos para explicar o probleminha e comprar remedios para mim. Ele voltou com bolachas, suco de maca, remedio para colica e anti-diarreia. Esta nao seria sua unica ida aa farmacia. Nao conseguia comer nada, me forcei a deglutir um par de biscoitos secos, soh para poder tomar os remedios.

Realmente a diarreia parou totalmente. A colica melhorou, mas ainda sentia dores por todo o corpo. Febre. Em plena Bangkok, mais de 30 graus, eu quis tomar um banho quente, muito quente. O Ale inclusive se queimou no chuveiro quando achei minha temperatura ideal. Depois, prudentemente, e para meu desespero, ele diminuiu a temperatura.

Entao la foi Alexandre amado, de novo, na farmacia. Dessa vez ele voltou com antibiotico e antiprotozoario. Fiz um esforco sobrenatural para almocar umas cinco garfadas de sopa de arroz com legumes e frango. E quando foi para jantar, eu achei que estava melhor. Topei irmos a China Town, conhecer aquelas bandas e jantar num chines. Grande erro. O cheiro me deu nausea ao ponto de nao poder nem olhar para o cardapio. No desespero, comecei a chorar. Parecia que eu nao ia melhorar nunca, e eu sabia que precisava comer se quisesse encurtar aquela porra toda.

Mas consegui comer qualquer coisa e voltamos voando para o quarto. Tomei meu anti-vomito e dormi uma noite linda e sem sonhos, completamente dopada.

8/2

Acordei bem melhor. Ainda mal, mas resolvi nao tomar mais antidiarreia e anticolica, soh antiameba e antibiotico mesmo. Resolvemos mudar de hotel de novo, para o original. Eles agora tinham quartos livres, e ja bookamos para mais 3 noites. Aproveitando que eu estava me recuperando, resolvemos passear de novo. Fomos para Wat Pho, onde fica o maior dos Budas, de mais de 40 metros de cumprimento. O Wat todo eh muito legal e o Buda gigante eh impressionante, impossivel de fotografar em um unico shot.

De la pegamos um taxi para a estacao de trem. Compramos nossas passagens para Ubon - de la pegaremos um onibus que cruzara com o Laos na fronteira sul.

Passagens resolvidas, pegamos mais um taxi para Siam Square, a regiao dos shoppings e predios modernos que eh impressionante, mas nada que tire folego de quem mora em Sao Paulo. Almocamos num restaurante bacaninha num dos shoppings, sob um delcioso ar-condicionado. Ainda nao muito bem, optei pelo franguinho grelhado com salada e batata. Alexandre comeu um ribeye stake como ha muito vinha sonhando. De la voltamos para o hotel – ja era final da tarde e o dia tinha sido muito bem aproveitado.

9/2

As estripolias took their toll. Acordei novamente esquisita e a barriga recomecou com suas desagradaveis atividades. Mais um dia de ficar no quarto do hotel lendo (terminei \the White Tiger e comecei The Beach, livro mais previsivel impossivel para quem vai/estah na Tailandia), jogando Expectativa com o ever so patient Ale amado, e ver o que rola no mundo pela CNN. Saimos um pouco para comer etc, mas nada demais. Esse bug realmente me pegou mas teria de ir embora na marra: decidimos no dia seguinte ir a Kanchanaburi, cidade que fica ha 2h de Bangkok, onde fica a ponte to rio Kwait e o Tiger temple.

Entao era isso. Dormir cedo e tomar os medicamentos bonitinha porque amanha eu passeio nem que amarrada.

10/2

E minhas preces foram ouvidas. Acordei boa. Tomei um cafeh da manha bem fraquinho pro estomago nao embrulhar na viagem. Pegamos o minibus com mais dois casais e fomos. Primeiro nos deixaram num Bangalo delicioso, na beira do rio, para almocar. Comemos e tiramos algumas fotos bem legais dos bangalos e do rio.

De la fomos para o Tiger temple, um templo budista em que tigres sao criados e cuidados – e extrema/estranhamente doceis. Passamos a mao em varios tigres e temos dezenas de fotos para atestar! Eles sao maravilhosos, e tem patas e dentes capazes de arrancar nossa cabeca com um espirro, entao ficamos bem espertos, carinho soh na bunda deles, nada de chegar perto da cabeca.

Na verdade eles estavam tao quietinhos que desconfiamos que eles pudessem estar dopados, mas pode ser que soh estivessem letargicos apos a refeicao – turistas soh podem mexer nos tigres entre 2pm e 4pm, acho que o motivo eh esse, de ser uma hora em que mais estao com sono. Havia outros bichos para vermos, mas o calor estava pegando e queriamos mais do que tudo voltar pro ar condicionado do minibus.

Com a viagem, ficamos amigos de um casal de medicos indianos, de Mumbai, que morou 3 meses na Coreia do Sul e estava passeando antes de voltar pra casa. Pessoal bem legal.

Antes de voltar a Bangkok, passamos na ponte do rio Kwai. Eh bem bonitinho, e passa o Death Train apitando e tudo, uma graca. Com certeza eu poderia escrever mais se tivesse entendido o contexto historico da ponte, mas nao procurei saber entao eh isso. Googlem “Ponte Rio Kwai” se quiserem mais informacoes.

Chegamos em Bangkok de noitinha e estavamos secos por uma porcaria. Eu, completamente recuperada, estava morrendo de fome. Fomos entao no Burguer King. Sim, meus amigos, minha gente, mandei um Double Cheese Burguer com batatas fritas e, sabe o que? Saimos de la e fomos no Swensen's e dividimos um sorvetao. E quer saber? Me senti otima. Renovada. Purificada. Soh a junkie food salva.

Dia otimo que selou a morte do bicho escroto que comia nas minhas entranhas.

11/2

Acordamos tarde e arrumamos todas as nossas coisas. Saimos do hotel e, meio sem saber o que fazer com o dia livre, resolvemos fazer o que mais estavamos com vontade de fazer: nadar! Fomos num hotel em que pagavamos 200 Bahts (£4) para poder usar a piscina e ficamos a tarde toda la, de papo pro ar, no rooftop do hotel, mergulhando e deixando que os chafarizes de elefantinho nos gelasse a cabeca.

O Alexandre inclusive ganhou uma fan la, Maisy. Ela tem 5 anos e eh de Devon, Inglaterra. Ela perguntou pra ele se ele estava “in love with” me. Ao que ele respondeu, “of course, she's my girlfriend!” e ela disse: “that's bad luck!”

Voltamos para o hotel para pegar as malas que deixamos guardadas e fomos rumo aa estacao de trem. Encontramos Henrique e Carol la e subimos no trem.

Nosso trem ia para Ubon Ratchachani, quase na fronteira sul com o Laos. O trem saiu 8:30pm e chegou no dia seguinte aas 7am. Fomos de primeira classe, para podermos ficar num quartinho, com cama de verdade e espaco soh nosso, que podiamos trancar.

Olha, podia ter sido pior. Nosso quartinho tinha porta pro quartinho do Henrique e da Carol, entao pudemos jogar Expectativa e socializar um pouco. Em vez das dezenas de baratas que matamos, poderia haver ratos. E eu impressionantemente consegui dormir, mesmo sabendo que poderia haver baratinhas subindo em mim. E nao consegui jantar, mas o Ale pediu um prato la e eu filei bastante. No final, deu tudo muito certo e recomendo a viagem de trem noturno pela Tailandia para todos que nao tem pavor de barata.

12/2

“Bang, bang bang! Seven minutes! Ubon Ratchanchani in 7 minutes!” Foi assim que fomos acordados. Juro. Porra. Sete minutos para acordar, lavar o rosto, arrumar as coisas e fazer um xixi? Um pouco militar, eu achei, mas assim foi feito. Fomos escurracados do trem e uma nuvem de touts veio nos oferecer taxi para a estacao de onibus, de onde pegariamos o onibus que entraria no Laos. Depois de muito regatear, fechamos com um cara que tinha uma caminhonete e fomos, de mala e cuia no chiqueirinho, por 15km de estrada.

Depois de comprar as passagens que nos levariam para Pakse, resolvemos tomar cafeh da manha. Soh que nao tinha cafeh da manha as we know it. O jeito foi mandar um Pad Thai aas 8 da manha. Exceto que eu nao achei prudente faze-lo com o corpo ainda baqueado do virus/bacteria/ameba e o Ale comprou uma bolachinha seca para mim.

Pouco depois estavamos de novo na estrada. Depois de duas horas mais ou meno, o onibus parou para os gringos pegarem o visto. Foi tudo em ritmo de Laos Grande. Demorou pacas, foi bem confuso e quente, mas pegamos nosso visto. O problema foi a Carol, que resolveu pagar 5 dolares a mesmo e carimbar o passaporte brasileiro dela, em vez do europeu. Mas ela usou o europeu para sair da Tailandia. Ja imaginm o rolo nao? Foi um erro bem primario, eu achei, ainda mais que a Carol ja viajou bastante e deveria ter previsto que nao se pode usar aleatoriamente os dois passaportes.

Foi mais ou menos uma hora esperando os dois resolverem o drama. Achei que o onibus ia embora sem eles, inclusive. Mas no final deu tudo certo. Chegamos em Pakse, mas dai tivemos que pegar um tuk-tuk ateh a outra estacao de onibus. Ja estava cansada, morrendo de fome (ainda nao tinha comido nada e eram 3 da tarde) e a barriga comecando movimentos peristalticos inconvenientes. Finalmente subimos no onibus e fomos para Tadlo, nosso destino final. Mais uma hora e meia de estrada. Pelo menos tirei uma soneca.

Chegamos em Tadlo e um tuk-tuk nos levou para a area dos hoteis e guest houses, na beira do rio. Depois de um momento tenso na escolha de quartos (os hoteis pareciam bem cheios e insisti em procurarmos mais antes de fecharmos num moquifo. Henrique e Carol ficaram no moquifo, eu e Alexandre olhar mais e achamos um quarto otimo em outro hotel, maravilhoso, com vista pra cachoeira).

Ainda tinha luz, entao eu e Alexandre fomos correndo trocar de roupa para mergulhar na cachoeira. Foi delicioso. O tipo de experiencia que ansiavamos por ter: soh nos dois numa cachoeira idilica no entardecer de um vilarejo perdido no sul do Laos. E ai, nesses cinco unicos minutos que conseguimos ficar na cachoeira, toda a viagem desde Bangkok, todo o perrengue, a enchecao de saco, o calor, tudo valeu a pena.

Saimos da cachoeira, tomamos um banho caprichado e fomos jantar – outra coisa que eu ansiava ferozmente uma vez que ja eram quase 7 da noite e eu nao tinha comida nem uma misera refeicao no dia.

Marcamos de encontrar Carol e Henrique em nosso hotel para jantar. Eles ficaram estupefatos com o hotel e no dia seguinte viriam se hospedar aqui tambem.

Jantamos a luz de vela com o som da cachoeira estourando ao fundo. Bolas de luzes coloridas enfeitavam as arvores do hotel. Estavamos realmente vivendo um sonho muito bom. O jantar estava excelente (comemos o prato tipico, de frango com pimenta e menta, divino!) e o ceu absurdamente estrelado. Deitamos um pouco numa dessas cadeiras de madeira reclinaveis e ficamos falando besteira e olhando o ceu.

Logo o sono bateu, claro. Tinhamos passado uma noite ruim no trem e um dia bem cheio e chato de viagem. Quando deitei nem lembro de ter fechado os olhos. Eram umas 10 da noite. Fui abrir de novo os olhos 12 horas depois.

Monday, February 16, 2009

rapida

Soh para dizer que estamos vivos. Morrendo de calor e amando o sul do Laos. Entrem no Google images e ponham Tadlo. Depois ponham Si Phan Don. Ai voces vao entender.

Estamos pegando o onibus noturno para Vientiane. De la o acesso deve ser mais facil e poderei postar todas as novidades que tenho escrito.

No mais tudo otimo. Estou surpresa que ninguem mais comenta no blog. Se estiver escrevendo para ninguem, eu paro!

Pronto, falei.

E deixando a mimagem de lado, estamos nos divertindo muito, tirando varias fotos e gastando o minimo possivel. Resolvemos que teremos de tirar a Indonesia da jogada, infelizmente... Simplesmente nao vai dar tempo e os voos vao encarecer demais. Vai ter que ser numa proxima vez...

Wednesday, February 11, 2009

off to Laos

Gente, tenho escrito no meu notebook mas nao to com acesso wireless entao nao estah dando pra passar tudo pro blog.

Resumindo porque soh tenho mais 8 minutos de internet: Bangkok eh uma puta cidade, apesar do calor. Eh uma Sao Paulo que deu certo. Limpa, transito intenso mas fluido, com bem menos violencia. Gostamos.

Ontem fomos a Kanchanburi e visitamos a ponte do rio Kwai e o Tiger Temple. Passamos a mao em varios tigres. Fotos provarao!

Hoje estamos indo para o Laos. Pegaremos um overnight train para a fronteira sul e chegaremos em Pakse amanha na metade do dia. Nao sei como eh o acesso a internet de la, entao nao prometo muito.

Estamos ja sonhando com a parte PRAIA da viagem, mas ainda falta um teco. De Pakse vamos a Luang Prabang, norte do Laos, e de la entraremos no Vietnam. Desceremos a costa toda e entraremos no Cambodia pelo sul, via rio Mekong. Temos 3,5 semanas para completar o circuito!

Ateh o proximo ost, seja ele de onde for!

Saturday, February 07, 2009

fotos novas

Pessoinhas, cliquem no slideshow na coluna aa direita do blog. Estou subindo fotos compulsivamente ennquanto perco um dia de cama com diarreia e febre, tomando antibiotico e anti-ameba (ninguem merece), para matar o que houver para matar.

O lado bom, para voces, eh que finalmente estou subindo as fotos.

Friday, February 06, 2009

Fim de Nepal, comeco de Tailandia

2/2

Mesmo indo dormir as 8:30pm da noite anterior, hoje acordei aas 7:30am, me sentindo bem melhor. Encontramos Carol e Henrique e resolvemos ir a outro lago, Begnas Tal, que eh vizinho de mais outro, Rupa Tal. Comecamos a caminhada ao redor do lago e por dentro da montanha que separa os dois lagos. Foi cansativo novamente, mas muito bonito. Paramos para tomar uma Sprite num restaurante bem alto com vista para os dois lagos. De la, seguimos de volta para o Begnas, mas no outro lado. Nos perdemos um pouco, nos enfiamos no meio da mata mesmo, uma taturana grudou no tenis da Carol e o Henrique caiu (ele nega, diz que apenas escorregou e dobrou o joelho, mas acho que isso eh mero eufemismo). Eu quase atolei na lama e o Alexandre passou ileso a experiencia.

No final, conseguimos chegar num vilarejo na beira do lado com um restaurante e seu peixe frito pescado no dia, no lago. Abocanhamos os bichinhos e prosseguimos para o barco. Tive de falar grosso com os tiozinhos do barco porque em cima da hora queriam que nos 4 fossemos em 2 barcos para nao ter “overload”. Ele soh falava “boat overload, boat overload” e eu falando: “no. wrong. Not nice”. No basico do meu ingles chamando o cara de canalhinha ribeirinho. No final, conseguimos que fosse do nosso jeito. O tiozinho remou por quase uma hora e tivemos umas das vistas mais bonitas ateh agora. O Begnas eh bem mais unspoilt que o Phewa e vimos um monte de peixes pela agua. E quase nada de lixo. Tambem vimos uma cobra e um monte de nepales jogando pedras na coitada.

Voltamos para Pokhara no final do dia e fomos direto almojantar. De la fomos os quatro ao nosso hotel e, novamente, eu nao me sentia muito bem. Fui deitar cedo. Em meio a mais um dia de sol na cabeca comecava minha segunda diarreia asiatica.

E em Londres parece que neva horrores...

3/2

Acordei algumas vezes durante a noite para ir ao banheiro. Nada legal, nada divertido. Principalmente porque hoje seria dia de pegar estrada, pelo menos 5h, de Pokhara a Kathmandu.

Aproveitamos a manha para resolver algumas coisas pela cidade. No final da manha fomos para o hotel onde estavam Henrique e Carol e de la voltamos, de carona com o motorista que eles contrataram, para Kathmandu. A viagem nao foi das mais agradaveis. Fiquei espremida entre Ale e Henrique no carro e, para completar, o motorista era um maniaco das trevas que dirigia como se nao houvesse amanha.

Pelo menos a vista eh linda e paramos para almocar num lugar com comida ruim mas vista linda, de frente para um rio ultraconvidativo, ao lado de uma ponte pensil que, nao fosse a diarreia ter me deixado bem abatida, eu teria atravessado pulando, para dar emocao.

Chegamos no caos que eh o que chamamos carinhosamente de KathmanCU. Voltamos ao mesmo hotel e, inclusive, ao mesmo quarto em que encontrei um pobre rato morto na privada. Arrumamos nossas coisas e fomos vender o nosso Lonely Planet do Nepal e comprar a faca Khukhuri pela qual o Alexandre estava louco. Sao os facos utilizados pelos Gorkha, uns missionarios guerrilheiros considerados uma das melhores fighting forces do mundo. Parece que para ser um gorkha voce precisa ser de uma casta especifica e, alem disso, carregar 25kg numa cesta subindo uma montanha por varios quilometros. Sounds like fun, eh?

Faca comprada (linda por sinal), fomos jantar no Tashi Delek. Bem gostosinho. Eu ainda estava bem mal da barriga e sem fome. Comi um prato leve para nao ir dormir de barriga vazia e acabou-se mais um dia.

4/2

Barriga melhor. Acordei com fome, um bom sinal. Ainda assim, tive minhas viagens ao banheiro no meio da noite.

Nao hvia muito tempo para fazer nada. Tomamos cafeh da manha, arrumamos o resto das coisas que precisava ser arrumado e logo o taxi com Carol e Henrique rumo ao aeroporto chegou. O aeroporto internacional d de Kathmandu eh um verdadeiro inferno. Dica para quem pensa em ir para la: se nao quiser perder o aviao, chegue com folga. Nos chegamos 2h antes da decolagem e mesmo assim foi apertado. Noventa filas para noventa security checks. Placas muito confusas, taxa de saida do pais (???) etc etc etc.

Oh well, sobrevivemos. Gente, Thai Airwyas eh TU-DO. Acho que a melhor companhia aerea com que ja voei. Aviao impecavel, comida deliciosa (masaman curry, yum), comissarias simpaticas e bancos espacosos.

A viagem para Bangkok durou 3 horas e 40 minutos. Do aviao tivemos uma vista espetacular dos himalaias. A melhor de todas, na verdade. Tentamos achar o Everest. Ele provavelmente passou por nossos olhos estupefatos, mas nao soubemos reconhecer o monstro mais alto em meio a tantos monstros altos.

Do aviao tambem pudemos ver as terras bem pouco habitadas de Burma. Cada paisagem maravilhosa e desertica. Praias completamente inabitadas por centenas de quilometros. Parece que naquela area ha uma minoria muculmana ortodoxa e nomade e que alem deles, ninguem mais anda por aquelas bandas. Fiquei besta. Como pode nao ter ninguem num lugar com um potencial paradisiaco daqueles?

Finalmente chegamos em Bangkok. O aeroporto, aberto em 2006, eh o must dos musts em aeroportos. Tudo supermoderno e bonito. Filas pequenas e pessoal treinado. Ale e Henrique, que nao tem passaporte europeu, precisaram mostrar a carteira de vacinacao com febre amarela em dia. Pegamos as malas, fomos para o ponto de taxi e, de la, para o hotel em que Henrique e Carol tinham reserva. Chegamos la e estava lotado. Eu e Ale saimos por ai procurando vaga e achamos no Erawan Guest House um quarto muito bom com ar-condicionado, embora ligeiramente acima de nosso budget. Soh poderemos ficar aqui por 2 noites.

A cidade estah estourando de turistas. E, inacreditavel, as 11 da noite, em pleno inverno, estava 30 graus. Nenhuma brisa. Desespero. Se eh assim de noite, o que vou fazer com o dia? Tenho desespero de dias quentes demais, apesar da constante reclamacao do frio ingles. E eh desespero mesmo. Comeco a ficar abobada, nao consigo pensar, soh fico parada e suo, ateh sair correndo para qualquer buraco com ar-condicionado.

Depois de resolvidos os hoteis, eu e Ale fomos jantar na rua. Peguei um Pad Thai desses de comer na sarjeta, um milho verde e, de sobremesa, melancia! Meu deus, o paraiso culinario eh aqui.

Depois fomos a um restaurante bem cool na frente do nosso hotel e ficamos jogando conversa fora. Eu ja estava sendo devorada por mosquitos e continuava com muito calor. Resolvi ir pro quarto me enfiar no ar condicionado e dormir para regularizar o jet lag. Agora estamos, se nao me engano, 9 horas aa frente
do Brasil.

Wednesday, February 04, 2009

1/2 - caminhada a World Peace Pagoda

Queridos! Chegamos em Bangkok hoje, 4/2, e estah um calor infernal. Por enquanto estamos adorando o que vimos. Mas nao vou me adiantar muito e tentarei postar em breve os ultimos dias de Nepal.

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1/2

Comecamos o dia cedo. Henrique e Carol passaram no hotel e pegamos um barco de um extremo da lagoa ateh o outro, de onde comecava a caminhada para a World Peace Pagoda. Achei meio cansativa – tenho problemas serios com subidas, odeio-as, mas valeu cada degrau. Chegando la a vista eh linda, e a estupa tambem, ao contrario do que pensavamos. Tinha um buda imenso e mais utras imagens de Buda em outras encarnacoes. Demos a volta e ficamos um tempo admirando a paisagem. Tentamos dissuadir uns canadenses a irem para India, mas sem sucesso. Acho realmente que todo mundo tem que ir uma vez na vida. Eh que nem Marmite, ou coentro, ou queijo roquefort: ou voce ama, ou odeia.

Depois de passarmos bastante tempo na estupa, comecamos a pegar outra trilha para voltar. Na saida, passamos por um templo budista em que a monja estava praticando mantras e prostracoes.Entrei no templo e fiquei ensaiando o mantra “Na Mu Myo Ho Ren Ge Kyo” se nao me falha a memoria, que ela repetia ritmadamente conforme batia com dois paus numa especie de tambor. O mantra, aparentemente, foi uma das frases que Siddartha falou antes de morrer, que consiste em algo proximo de “que o mundo se limpe de tanta tragedia e miseria que vi durante minha vida”. Mas olha, se tiver algum budista ortodoxo aqui lendo, por faor me corrija. Posso estar viajando. E criancas, nao usem isso de referencia para a escola porque pode estar redondamente errado.

Enfim, naquela hora o significado era importante, mas nao fundamental. Adorei fazer um pouco parte. O cheiro, os sons e tudo o que havia ali para ser visto convidavam. A monja tambem foi muito querida e, percebendo meu interesse, me deu uns livros para folhear.

Voltei a trilha inteira entoando o mantra, ora em voz alta, ora na minha cabeca. Foi gostoso.

No caminho da volta passamos por um restaurante que chamava Don't Pass Me By. Resolvemos atender aos pedidos do nome e nos estrupiamos. Na verdade, meu prato estava okayzinho, mas nada demais. O do resto idem. O negocio piorou quando o Alexandre bateu a cabeca para entrar no banheiro e quebrou os oculos e fez um mini-galo (ta, a culpa nao eh do restaurante, mas calma). Ai que a moussaka do Alexandre e do Henrique nao tinha berinjela, e eh meio estranho moussaka nao ter berinjela. Mas tinha feijao, assim como todos os outros pratos. Bem esquisito. Ainda teve o evento da cerveja, que todo mundo achou que tinha gosto estranho mas assumiu que era problema da cerveja nepalesa. Soh alguem que nao bebe como eu foi ter a ideia de checar a data de validade da maldita, e eis que estava vencida. Para completar, um cabelo preto e grosso na comida do Henrique. Bem nao-voltavel.

Resolvemos entao ir cada um para seu quarto, tomar banho, descansar etc para se encontrar mais tarde para jantar.

Eu nao tava cem porcento, com dor de cabeca desde a caminhada, devido ao sol constante na cabeca, e a uma azia chata que tem me atrapalhado um pouco, e acho que deve-se aa quantidade de pimenta e temperos que tenho comido por aqui. Resolvi pular o jantar. O Alexandre foi encontrar com eles e, dez minutos depois de ter batido a porta, interrompi a leitura do meu livro e mergulhei nos bracos de Morfeu. Eram 8:30 da noite.

Monday, February 02, 2009

31/1 - pro mundo inteiro acordar, e a gente dormir

Chegou o dia em que eu mais esperava: o dia de nao fazer nada. Simplesmente resolvemos que hoje seriamos os seres mais preguicosos do universo, e cumprimos. O maximo que fizemos foi um passeinho devagar pela principal rua de Pokhara. Parada para um macchiato, folheada em algunss livros, nada relevante, como tinha de ser. Ficamos lendo nossos livros ateh bater sono, e tirando sonecas ateh bater fome, e comer ateh bater sono de novo, e assim o dia passou e chegou a noite.

Conseguimos nos comunicar com Carol e Henrique, que finalmente chegaram em Pokhara. Eles estao num hotel nao muito longe do nosso. Nos encontramos num restaurante bem decente e ficamos horas de papo sobre o absurdo que eh a India (eles nao gostaram; nos ateh que gostamos mas respiramos aliviados quando saimos de la), aventuras que ja tinhamos passado, fotos, historias, muita risada. Foi bom. E agora nossa viagem deu uma juntada e provavelmente voces ouviram muito ainda desse casal porque o plano, em tese, eh fazer o mesmo roteiro pelo proximo mes, rodando o norte da Tailandia e a Indochina.

Claro que tudo depende da vontade de cada casal. Poder que aa gente se apaixone pelo Laos e eles nao vejam a hora de sumir dali. Nesse caso, seguiremos caminhos separados e soh nos encontraremos de novo se calhar. Mas que eh legal viajar a quatro, isso eh.

Saimos do restaurante a procura de uma tungba para eles tomarem mas nao acharam e, ja altas horas (9 e meia da noite em pleno sabado), muitos restaurantes estavam fechando. No final fomos num lugar em que nao tinha tungba mas tinha momo de banana com cobertura de chocolate. Bem aa minha balada.

Fomos dormir no doce silencio e com um sorriso imenso no rosto – os nepaleses Newari barulhentos tinham picado a mula: o gerente do hotel se recusou a estender a estadia deles por mais uma noite devido ao numero de reclamacoes. See, we're not that bad. Eles eh que realmente extrapolaram.

Sunday, February 01, 2009

30/1 - Sarangkot, o nariz nos Himalaias

Acordamos, ainda escuro, com a porra da familia nepalesa urrante. Quem me conhece sabe o quanto odeio ser acordada desnecessariamente por gritos e passos.

Levantamos antes do que gostariamos e nos perguntamos como essa gente consegue ir dormir depois da gente, acordar antes, e ainda estar feliz? Enfim, fomos reclamar com o cara do hotel. Que se a gritaria nao arrefecesse mudariamos de hotel, que nao eh possivel, isso aqui eh um hotel e eles nao sao os unicos hospedes, que isso e aquilo. O cara prometeu falar com os nepaleses, o que acredito ter feito, visto que o gordao chefaao da tribo estava nos fuzilando com o olhar quando voltamos pro hotel no final do dia. Oh well.

Resolvemos alugar uma moto. Bem meia-boca, mas era o que tinha. Saimos de Pokhara para Sarangkot, de onde se tem uma vista estonteante dos himalaias, mais especificamente da Annapurna Range. Realmente o passeio eh sensacional. Estacionamos a moto e ainda subimos por mais ou menos 40 minutos. Foi bem dificil, o ar estava rarefeito e a subida era bem vertical, mas eventualmente, parando para pegar ar varias vezes, chegamos. E valeu a pena. Queria colocar algumas fotos para voces nao terem que simplesmente acreditar nas minhas palavras, mas com essa conexao fica realmente dificil.

Aproveitamos que estavamos com a moto e resolvemos ir por ai. Procuramos o gorge (como eh em portugues?) do rio Seti, nao achamos, fomos por ai pela Old City de Pokhara e nao achamos nada demais. Comemos poeira na estrada, encontramos o gorge do rio Seti quando nao estavamos mais procurando, paramos num monasterio e resolvemos ir o tanto quanto a existencia de uma estrada permitia no lado norte do Phewa Tal. Nos deparamos com galinhas e patos suicidas na estrada, vacas, bois e bufalos calmamente transformando a estrada em caos, passamos por buracos e buzinamos muito, ao estilo nepalo-indiano. Uma experiencia inesquecivel e carregada de adrenalina, como gostamos.

La no norte do lago, antes de entregarmos a moto, ainda vimos o para-hawking, uma tecnica desenvolvida aqui, aparentemente, em que se salta de paragliding com uma ave de rapina guiando o caminho. Deve ser lindo, voar e seguir uma ave que sempre voou e sabe o que esth fazendo, conhece corrente, pressao, temperatura, tudo melhor que qualquer profissional. Vimos as aves chegando, vimos outras presas no centro de para-hawking, e fomos ciceroneados por um ingles muito gente boa e eloquente – possivelmente ja estah no Nepal por tempo suficiente para ter deixado a inglesice de lado.

Voltamos pro hotel sem antes encontrarmos Matias, nosso amigo argentino com quem vivemos cruzando pela rua. Tambem paramos numa livraria para comprar livros. Acabei de terminar How to be Good, ddo Nick Hornby (as usual, fantastico)| e comprei The White Tiger, vencedor do Booker Price esse ano e que se passa numa India nada sagrada. O Alexandre comprou Into Thin Air, sobre uma subida ao Everest em 96 que deu muito errado.

Fomos para o hotel e mergulhamos em nossas leituras. Fomos no mesmo restaurante tibetano de sempre e voltamos pro hotel felizes. Foi um dia muito bom.