Thursday, September 28, 2006

plumas e chumbo

Engraçado é que eu fiz toda uma festa porque finalmente estaria com nova medicação, aí ontem fui no médico e peguei a receita, fui na farmácia e peguei o remédio e, hoje de manhã, na hora de tomar, por algum motivo não tive coragem. Tomei o velho de guerra.

Será que estou mais louca do que pensava?

Sei lá, não é a minha psiquiatra falando e ouvindo por uma hora para depois decidir se os prós superam os contras na troca dos remédios. É uma clínica geral do NHS (o sistema público de saúde daqui) que eu nem escolhi, mas me foi designada, que em cinco minutos de consulta, contando tirar minha pressão e ouvir outras lamúrias (eg tiróide, pílula etc) decide que devo tentar um novo remédio.

Não, não estou louca. Mas vou tentar. Tô com medo porque minha Piu disse que no começo eu vou piorar. Cara, se piorar explode. Sou uma bomba relógio ambulante. Preciso de um nada para estourar. Não, não pode piorar. Ainda não decidi o que vou fazer.

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Os adjetivos que meu técnico usa para se dirigir a mim valem uma listagem. Não sei de onde ele tira. Outro dia ele perguntou para a Flá, que pacientemente assistia ao meu treino, se eu era famosa no Brasil. Mas hein?! Que pergunta é essa, minha gente?

Ontem ele me fala, na saída da piscina: Beatrice, you’re a gift from heaven!

Arregalei os olhos incrédula. Ele não me conhece. I can well be a gift from hell.

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Mais um fim de semana todo agitado. Amanhã tem festa, sábado tem festa, a Broo vem pra Londres, vai ter um “chazinho” lá em casa, só para a mulherada. Esses são os planos. Na real, só deus sabe.

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Voltando a enxergar tons, nada como cores pastéis depois de se ofuscar e só ver preto e branco. A começar pela beleza monótona do cinza, que me mostra que existe vida entre o oito e o oitenta. Repara só que eu não saio mais tanto da linha. Não fico semanas muito bem e semanas muito mal. Não. Minha vida vem se acinzentando e, juro, dou graças a deus. Só depois de uma vida que oscila entre preto e branco é que somos capaz de admirar a monotonia do cinza. Bem vindo. Inunde-me de imensidão imparcial. Ajude-me a não sorrir e nem franzir. Não no espaço de um segundo, pelo menos. Tenho certeza de que ser cinza não é perder o brilho.

E se eu paro e penso em um rosto qualquer, não é no seu rosto que eu penso. Não consigo me reter por muito tempo nas lembranças que você me emprestou. O problema, meu caro, é que tenho tantas lembranças, vivi minha curta vida com tanta riqueza, que é realmente um mérito estar entre as mais remotas. Não é o seu caso (I wish I could say otherwise). Então, toma de volta, eu tenho mais palavras e imagens para ocupar minha cabeça. Na verdade não sei o que fazer com um ou outro respingo de alegria. Penso em jogar para cima e dar a quem primeiro pegar. Penso em rasgar e jogar no lixo reciclável. Penso em mandar empalhar porque um dia vai valer uma fortuna – antigüidades, você sabe, respingos de alegria empoeirados.

Nem sei se essa idéia de confrontar vai dar certo. Você quer ouvir e eu também. Ninguém quer falar. Vai ser um diálogo bastante silencioso. Vamos ouvir a chuva cair e afundar em melancolia e aí sim será o fim. O fim das nossas poucas lembranças. O laço que fecha o embrulho. Pequeno embrulho. De conteúdo frágil e embalagem forte. Plumas numa caixa de chumbo. É assim que vejo o que houve. A bela história poderia flutuar, viajar mundos, papéis e cabeças (inclusive a minha, mil vezes), mas dentro do caixão de chumbo que você escolheu para nossas lembranças, baby, elas vão afundar.

Dê apenas algumas semanas e não se falará mais nisso.

Wednesday, September 27, 2006

rútilos

Meia hora para ir embora. E depois mais uma hora até o médico, onde pego meus exames, faço mais alguns e discuto a troca do medicamento.

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Depois do médico vou nadar, claro. Ainda é segredo porque há grandes chances de eu dar pra trás, mas estou escalada para nadar 100m borboleta nos Speedo Meets de outubro, novembro e dezembro. Isso significa que toda a negada com mais de 17 anos que aspire um dia fazer parte do GB team, estará lá, com garra e sem celulites, para meu desespero.

Sou monga ou o quê?

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De uma coisa estou cada vez mais convencida: não sou uma pessoa lá tão fácil de bancar. E não culpo banana algum por não conseguir. Eu consigo ver uma menina meio morena, cabelo meio comprido, meio magra meio gorda, meio alta meio baixa, constantemente proto-sorridente, meio sentada no colo de cada homem que não soube me bancar. Eu consigo ver uma menina meio burra, meio esperta, meio bonita, mas nem tanto, meio estridente e meio egoísta.

Eu não consigo ver outra coisa.

Eu não consigo me ver plantada, sem brilho e sem vontade, no seu colo. Eu me vejo silenciosa, mas não silenciada. Eu não consigo me ver sem escrever. Eu não consigo pensar em parar de escrever no meu blog porque sei que você lê. Todos os homens que tentaram intereferir no que eu escrevo perderam a batalha. E você não é, nem de longe, o cavaleiro mais valente.

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Ano que vem já estou com duas viagens em planejamento. Uma, em março, para Hungria com a Edina, minha amiga do trabalho. A outra, em junho, para ilhas gregas com pessoas a confirmar. Será um swim trek. Há que dar certo. Porque preciso de algo para me confortar pelo pouco tempo que ficarei na terrinha no final do ano.

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Ontem fiz Reiki. Quer dizer, fui feita Reike. Quem fez foi a Adriana que, toda sweet, foi lá em casa aplicar. Adorei.

Monday, September 25, 2006

doze almas

Cheguei no trabalho. Doze peixes morreram no aquário. O escritório pareceu bem mais morto, apesar do volume de coisas a fazer. E meu chefe meio cabisbaixo. Geralmente ele ilumina qualquer segunda-feira.

Minha mãe está com o pé quebrado, meu pai com rotavírus e minha irmã está, como eu, achando o mundo todo meio estranho, sendo que sabemos deep inside que estranhas somos nós.

Esqueci o guarda-chuva no trabalho sexta-feira e cheguei hoje encharcada. Derrubei um litro de água na minha escrivaninha e quase chorei por isso. Passei o almoço todo lendo Hilda e mais Hilda. Não estou trabalhando. Até agora, só atendi telefonemas. Emendei uma ou outra coisa. E mesmo assim, foi nas coxas. Coisa que odeio fazer. Mas não conseguiria fazer diferente. Hoje é a segunda mais típica da minha vida. Cinza, errada, ressaca de um fim de semana que foi como vinho barato, enxugado da boca com as costas das mãos. Enxugadas as mãos em algum lugar que não lembro, porque nem foi de propósito.

Não consigo parar quieta. Tô com vontade de sentar no colo de alguém e apenas me deixar abraçar em silêncio. Mas como isso não acontece, me contento em resmungar para dentro e balançar as pernas sem parar. Pular de site em site em busca de absolutamente nada, já que não sei o que procuro – então como saber quando encontro? Vontade mesmo era de dormir. Hoje o despertador tocou e eu simplesmente não acreditei que aquela seria a primeira de cinco manhãs em que eu teria que acordar forçada.

Essa semana vou ao médico, ver o resultado dos meus exames e mudar minha medicação para pânico. Minha última chance, já que a ciência e seus dedicados homens ainda não apareceram com nova poção mágica no mercado.

E o fim de semana passou como bala. Quando eu vi, já tinha me atravessado e me jogado de joelhos num chão duro. Mas com todo mundo olhando, claro, eu sorri e fiz piadas e fui a Bia de sempre, embora com *sono*, a nova palavra da moda para mal-humorada. Mas é só isso que vou perder nessa história. Um fim de semana e nada mais. Quem sabe algumas horas de trabalho também. Mas ganho com inspiração; Nada como uma boa derrapada na merda para me inspirar. Obrigada por foder com minha vida de novo! Só assim mesmo para eu desembestar a escrever.

De resto, uma vontade visceral de nadar até o peito rasgar. E é o grande plano to look forward to tonight.

Mas doze peixes morreram no aquário do trabalho. E por isso, e só por isso, estou triste hoje.

alimento da alma

Roberta: oi minha amadinha...re-lendo o seu texto sua coisa
me: pois eh, visceral, ne?
Roberta: que inspirada ne escritorinha favorita. fabulous!!
me: vc achou? que bom
Roberta: chegou a dar um pouco de dor nas axilas
do caralho..
devo me preocupar?
me: ehhehhe
nao, pequena, nao
eu eh que preciso crescer
Roberta: prioridades sao prioridades
adorei essa parte
me: sua fofa
Roberta: É isso então. O oxigênio não chega aos meus membros porque há um coração inteiro a ser levantado. Prioridades são prioridades. Fico então de braços e pernas bambos, inundados de gás carbônico que não sai nem a crises de tosse, nem a natação furiosa, nem a gritos da alma.

ge-ni-al
me: brigada, princesa
vc eh q eh doce
Roberta: eu tbem to em inferno emocional, sonhei com o john
aquele puto
Roberta: ja arruinou meu dia...mas esse cara vai pagar caro, ah vai
te prometo bibi
me: mulheres vingativas, uni-vos!
Roberta: siiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm
e eh indeed um prato que se come frio
eh um carpaccio, um sushi a vinganca
eles hao de pagar (risada de vilao em desenho animado)
me: um gazpacho catarrado
hahahahah
Roberta: eh cheio de catarro!!!
hehehehehe
Roberta: acabei de mandar esse email pra ele, saying are you insane or what?
heheheheheeh
me: vamos mandar essa gente sem expressao morrer engasgada no proprio sentimento
nem q seja de raiva
Roberta: ele vai ter que ler o que tenta esquecer
hahahaha
me: ai deus. nao vai fazer besteira, menininha
Roberta: gente sem expressao eh fria
o pior tipo
Roberta: eu ja to ate comecando a ficar com pena
me: eu tb
perdidinhos
quase sub-humanos

(...)

me: maditos robos
a gente tb deve ser uma aberracao pra gostar de robos como se fosse gente
Roberta: nos too somos aberracoes
temos a missao de salvar o mundo e dar alma aos robos
me: hahahahah
exatamente
mas acho q eles nao querem
estao bem assim
Roberta: uma maldicao que comecou no reinado de julio cesar
me: e so servem pra isso mesmo. serem robos
Roberta: cleopatra mesmo tentou fazer algo e SE FODEU
me: estao ali. fingem que sao felizes ou tristes, fingem que respiram, fingem q se divertem ou se entediam, mas na verdade nao tem nada la
Roberta: na-da
na-da
eu estou exausta desta minha missao
essa eh a ultima vinganca dai deu...pagina virada
me: concordo
pq ficar pendurada num robo pelo sentimento de vinganca eh uma merda. ele nem vai sentir. a dor eh toda sua
Roberta: ele ha de sentir. infelizmente as palavras nao o tocam, ele nem responde
me: ja dizia minha querida Hilda: Embora se mova o trem, tu não te moves de ti.
Roberta: hahahahahahahaha
porque se dizem que a vaca eh pintada..
Roberta: qual a historia behind hilda?
me: Hilda Hilst
a melhor escritora brasileira
e talvez ateh do mundo
Roberta: sabia que vc amava ela
ai que fofa, talvez ateh do mundo
me: talvez
Roberta: meiguinha
me: E hoje, repetindo Bataille:
"Sinto-me livre para fracassar".
Roberta: eu nao gosto de perder...mas nao tenho medo de fracassar
nos duas hj estamos perfeitas para uma praia de inverno na varanda de uma casa de praia com muito cha e cobertor tapando as pernas e falando mal dos que merecem ou dos que nao merecem ser mencionados
me: verdade. aquele vento frio enxugando as lagrimas antes delas cairem
Roberta: que livro da hilda vc tem aqui?
me: aqui acho q soh o Rutilos
Roberta: e as duas tomando cha e divagando, olhando pro mar just for the sake of it
me: ateh ver peixinhos no ceu
Roberta: um dia chuvoso, ne?
me: sim, chuvoso e frio
paia de agasalho de moleton
O vento parou, eis o recado para o outro: sê fiel a ti mesmo e um dia serás livre. Prendem-me.

merda, nao vou conseguir trabalhar direito hj
Roberta: hahahahaha
to rachando o bico pensando justamente isso
me: q merda de cabeca viajante
Roberta: ainda bem que minha reuniao no office eh so amanha, que hj nao vai prestar
me: e romantica pra porra
Roberta: to com minha cabeca em mercurio
ou mergulho
me: pois eh
to indo prum meeting
Roberta: romantica e vingativa: what a weird combination
me: quero me matar
ja volto
Roberta: vai la
nao te mata antes de falar comigo
me: ok. com vc e com a Hilda
Roberta: ela em segundo
me: claro claro! sempre
vc sabe q eu te amo
ela, eu venero
eh diferente
Roberta: ta bom
diferente
nem vem com a veneracao demasiada que eu fico com ciume
hahahahhahaa
as duas merecem hospicio de frente pro mar
eu e tu
deus eh mais
me: hahaha
deus eh dez
e ta do nosso lado
porque somos loucas, mas somos do bem
Roberta: true
somos pobres mas somos limpas
me: isso
e deus da o frio conforme o cobertor. (hahahahha)
mas se pudermos fazer os malditos passarem frio, ah, seria otimo
Roberta: vou pensar o que farei HOJE para um mundo melhor, AKA o que farei para arruinar um pouco o dia dele
Roberta: so tenho duas maneiras de machuca-lo: gastos e pequenos gestos(lembra-lo de quanto o pau dele eh pequeno)

(…)

me: hilario
acabo de derrubar um litro de agua sobre minha escrivaninha
e sobre mim
estou taaao feliz
puta da vida e com frio e feeling sorry for my miserable self
Roberta: dont!!!!
its just a bad day
to indo pra rua nessa puta chuva agora
fica quentinha ai no office que amanha melhora
o que nao nos mata nos deixa mais fortes (e mais traumatizadas, e mais fodidas e menos confiantes etc)
me: tomara meu doce, tomara
Roberta: mas c'est la vie, innit?
me: mas la vie en rose
e eu odeio rosa
sempre fui uma crianca azul
enfim
q horas vc entra hj?
Roberta: eu nao entro hj, minha reuniao eh so amanha e eu nao vou a deli...eu tenho que resolver coisas pessoais, banco do brasil (mandar money br), imobiliaria levar uns documentos e ai meu curso
tudo na rua, um saco, mas amanha sera um novo dia
enquanto isso eu sempre posso me divertir pensando em como foder o j
me: nos juntas somos um perigo, meu deus
Roberta: enfim, acordamos assim hj
mas somos imprevisiveis
amanha podemos estar cagando e andando
going: who the fuck are them?
Roberta: gotta go my love
escreva bastante se puder
ou apenas vomite
tire algum proveito dessa canalhice
me: pode deixar, amada
te amo
Roberta: te amo too
estarei de volta soon
ai falamos mais
beijo na bochecha
rosa
(nao da pra ser azul)

Friday, September 22, 2006

looking out

Fim de semana está aí. Quanta alegria, quanto calor – not! Está chovendo. Foi babãe me deixar para Londres voltar a ser Londres. O plano para amanhã era nadar dos ponds de Hampstead Heath. Digamos que o plano será adiado para...well, ano que vem. Acabou o verão. Agora é de verdade.

Nadarei hoje, menos pelo exercício que pela possibilidade de liberar tensão. Ando extremamente ansiosa. Meu médico aqui, inclusive, quer mudar minha medicação pra pânico. De sertralina para fluoxetina. Eu não sei, né? Sei nada não sinhô. O dotô mandô eu faço ou me esborracho.

Fim de semana promissor. Eu conto, eu conto. Ou não.

Wednesday, September 20, 2006

eixos da loucura

Pela primeira vez em anos eu quero escrever o que sinto e não consigo. Sempre saiu como uma enxurrada. Mas agora estou com os dedos prontos para digitar e não consigo decidir para que lado vou. Estou feliz e triste e tranqüila e ansiosa. Estou tudo ao mesmo tempo. Estou um hotpot de sentimentos, virado à moda da casa. Picadinho ao New Deck. Todos os sabores ao mesmo tempo na minha boca, chamando meu paladar de débil mental.

Disse tchau para babãe, enquanto disse oi para minha vida nos eixos. Eu quero eixos, também. Por mais descarrilhada que seja, ou queira ser, eu preciso ter do que descarrilhar. Se nunca houve trilho, não há como sair do caminho. Para ser louco, há que ser preso.

Mas babãe já foi eixo antes. Onde foi que o trem mudou de trilho que ninguém me avisou? Quando é que ter mãe ou pai ou até minha Piu por perto deixou de ser eixo para ser belvedere? Eu não sei e, como quase tudo, me assusta.

Pronto, consegui.

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A despedida da babãe foi rápida e indolor. Hoje de manhã, saindo pro trabalho. Durou um minuto e meio, creio. Não mais. Foi tempo suficiente para seus olhos encherem de lágrimas, mas não para que escorressem.

Em três meses estarei no Brasil. Três mesezinhos. Nada. Passa logo. Por menos tempo que da última vez, é verdade. Terei que bookar direitinho o espaço de cada querido. Devo chegar na terrinha dia 21 de dezembro e voltar pra cá dia 5 de janeiro. O aniversário será frio, escuro e choroso, mas há que se fazer sacrifícios se os planos para 2007 são (obriguê, Piu!) viajar mais pela Europa.

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Festas festas festas. O timing foi perfeito. Babãe se vai e as festas começam a acontecer novamente por aqui. Se eu fosse um pouco mais umbiguenta, diria que esperaram por mim. Esperaram nada. Good timing, that was. Esse fim de semana e o próximo. Aguardem.

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Saudade, saudade, maldição que terei ao meu lado para o resto da vida. Metade de mim sempre será saudade. A outra metade será saudade sendo matada.

Não sei se são hormônios ou a posição dos astros ou energia em movimento, mas me deu uma vontade gigantesca de dizer que amo quem eu amo. Uma vontade quase urgente. Amo gente demais e isso às vezes atrapalha minha rotina. Me faz largar o que for para me certificar de que minha mensagem foi passada com sucesso para todos os destinatários.

Amo. Sempre amando. Aliás, não à toa, a personagem principal do meu livro chama Amanda. Amor em gerúndio. Condição: amor.

E é por isso que já ouvi Inverno milhares de vezes e continuo querendo chorar toda vez que ouço novamente.

Lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só
Num deserto sem saudade sem remorso só
Sem amarras barco embriagado ao mar

Monday, September 18, 2006

uma idéia para deus

De novo aquela puxadinha sem sistema para expelir.

Se eu fosse dizer o que falta ao corpo humano para ser perfeito, diria que falta um cu, ou qualquer buraco equivalente, capaz de expelir angústia. Não seria perfeito?

Pois então, deus, fica aqui minha sugestão para os próximos milhões de anos, se é que até lá o senhor ainda terá saco de continuar fazendo e desfazendo gente.

Pois eu preciso, porque explodo de um jeito todo torto, todo primitivo. Explodo por todos os poros.

Mas enquanto espero deus me envoluir, vou arranjando soluções-tampão, o que, modéstia a parte (ou *modeste a parte* como li outro dia), sei fazer bem.

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Mais um fim de semana cheio de acontecimentos. Se chamássemos fim de semana de começo da semana acho que minha implicància com os domingos estaria 50% resolvida.

Mas voltando. Vou resumir porque senão fica um saco. Sexta ao chegar do trabalho, inspirada, resolvi correr com a Flá. Babãe deu sua caminhada à base do que-belas-flores! Dessa vez, com uma pessoa um pouco mais sensata que eu para estabelecer o ritmo, corri por 20 minutos. Um aproveitamento de 100% sobre a vez que saí correndo pelo parque feito um avestruz para me mostrar para os marmanjos e, apesar de morta, não ia parar na hora em que alguém estivesse vendo. Porque sou o centro do universo, eu sei. Estava o parque todo vendo como corre bem aquela avestruzinha das bochechas vermelhas. Me poupe, né, eguinho?

Do parque pro banho, do banho pro restaurante. Fomos no indiano perto de casa e ganhei todas as calorias que perdi correndo.

Sábado quis me enforcar por acordar às 7:30h e depois de muita manha fomos ao Shakespeare Globe, o teatro em que as peças do Shakespeare eram (e são) encenadas. Muito legal. Muito bonito. E tal. Mas achei caro pro que oferece. Sou mais um dia comprar ingressos para ver uma Macbeth da vida do que ouvir guia engraçadinho tirando sarro da calamidade sanitária de teatros em tempos escatológicos.

De lá caminhamos pelo South Bank até o Borough Market, o queridinho dos businessmen que têm culinária como hobby. Mercado lotado, um monte de gente aproveitando as amostras de degustação para pular o almoço, empurra-empurra quase brasileiro, aquela alegria, aquele calor humano. Eca.

Abreviei o passeio e tratei de sair de lá assim que houvesse brecha. Não precisou muito porque babãe e Flá já estavam de saco cheio do tumulto também. Voltamos ao South Bank, vimos ferinhas e pessoas querendo e conseguindo aparecer. Vimos de tudo e não compramos nada. Ou quase nada.

Babãe derrotada e Flá com amigos em Londres, fui encontrar minha turma, que já nem lembrava mais meu nome. Refresquei a memória e reaprendi alguns nomes também (haha). Foi legal. É bom voltar.

Domingo quis me enforcar por acordar às 11:30h mas me arrumei rapidão para ir a Trafalgar Square, onde ocorria o festival judáico. Foi legal pelas músicas, mas aí entrou uma falação do prefeito, e a feirinha e a comida deixaram a desejar. Rodamos aquilo desviando de policiais óbvios e à paisana, que às dúzias tentaram e conseguiram garantir uma festa sem explosões.

Resolvemos então aproveitar que esse fim de semana foi o London Open House, um evento em que vários prédios da cidade, fechados ao público normalmente, abrem por apenas dois dias para visitas gratuitas. Fomos no New Parliament, em frente ao incansável Big Ben. Foi legal.

E depois mais andanças pelo South Bank, bateria de escola de samba, homens-bonecos, comida, coreano vendendo qualquer coisa que faça barulho e fascine criancinhas. Gente esparramada na grama, comendo um frango ou fumando maconha. Um domingo típico.

Voltamos para casa. Canseira. Um fim de semana inteiro de andanças e até correiranças. Pena que passou tão rápido.

O últibo fim de sebâda com babãe e seus bibos.

Tuesday, September 12, 2006

uma vida inteira pra mim

Ah, então vamos brincar de quem agüenta mais tempo calado? Olha que eu ganho... Olha que você depois vai vir me implorar para pararmos com essa brincadeira de mau gosto.

Mas tudo bem. Tudo bem. Tudo vai ficar bem se no final das contas você disser que ficou com saudades.

Mas vai ter que falar.

I’ve got my feet on the ground and I don’t wanna sleep to dream.

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Vidinha, assim, tranqüila. Babãe na área significa mimos. Café-da-manhã na mesa, supermercado feito, quarto limpo. Coisas que eu normalmente faço quando me sobra uma esquina no tempo. O que raramente acontece porque estou sempre inventando coisas e reclamando da falta de tempo e corneteando para o mundo todo que não quero, não posso, ser apenas mais uma.

Trabalhando, nadando quando dá. Fazendo programas turísticos. Greenwich e Sinatra no sábado, Kew Gardens no domingo. Eu adoro o pretexto de ter visitas para ter que bater perna por essa cidade maravilhosa. Engraçado que quando vim morar em Londres eu nunca tinha posto o pé na cidade, mas de alguma forma sabia que seria a *minha* cidade, que eu viajaria o mundo e continuaria sentindo que moro na melhor cidade do mundo. Eu estava certa. Amo Londres. Viajei para vários lugares da Europa e, por mais que tenha me encantado com muitos, nenhum é tão encantador e tão a miha cara quanto Londres. Aiai. Declarando meu amor à cidade. Não imaginei que iria por aí quando comecei a escrever este post.

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Now now, resolvi que no final do ano eu vou me dar um aumento. Isso porque vou pedir ao chefe e, se ele não der, vou procurar outro. Sendo assim, de qualquer maneira eu vou me dar um aumento, por bem ou por mal. Adoro meu trabalho, adoro as pessoas etc, mas tenho que crescer, néam? Eu já fui promovida. Agora falta ganhar mais.

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E os Master Nationals estão aí, na porta, e eu já estou sendo relativamente cobrada, mas acho que vou me dar uma de João-sem-braço porque não estou com vontade de passar nervoso-vergonha-tristeza. Talvez eu vá assistir e torcer. Go Wandsworth, go. C’est tout.

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Preciso só deixar registradas aqui duas Bobbyces, porque se eu não tomo nota elas se perdem no buraco negro do esquecimento, um triste fim para tão gracioso espetáculo.

O primeiro, há poucas semanas, quando Bobbynha disse que fazendo assim e assado a gente resolve duas coisas *com uma coelhada só*. DOCE. FOFA. MORRI. DOEU. Mas sofri em silêncio com esses sentimentos porque falávamos de algo sério.

E o outro, ontem, em meio a uma conversa com várias flechas e gráficos saindo para todos os lados e apontando para mil coisas que só nós entendemos, ela estava a matutar sobre o nine-eleven e saiu sixteen-nine. Algo assim bem Bobby. Quem a conhece sabe. E custou para ela voltar encontrar os números certos. Dessa vez eu nem me segurei nem nada. Se ela estivesse do meu lado a bochecha sofreria as conseqüências. Ah, sofreria.

Thursday, September 07, 2006

fotas de Portugal

Esqueci de falar. Estão aqui.

Wednesday, September 06, 2006

paz armada

Meus olhos já não são mais os mesmos. Oito horas por dia na frente do computador já são suficientes para ficarem vermelhos. E eu, teimosa, estou aqui, na frente do computador mais uma vez, escrevendo mais uma vez, porque agora é a hora que dá (tempo e inspiração).

Está tudo corrido. Tenho que me dividir entre o trabalho e a babãe na area. Sei que ela tenta não interferir na minha vida para não me atrapalhar, mas se não interferisse seria até estranho. De qualquer forma, segunda feira fui nadar. E meu técnico, Tony, perguntou se eu havia treinado durante as “ferias” porque eu estava “fit”. Agradeci o elogio mas falei para ele não se iludir. Nadei bem por vontade acumulada de nadar. Acho que fazia uns dez dias que não caía n’água. E 4km passaram sem que eu percebesse. Claro que depois morri e tive cãimbra e yadda yadda. Mas foi a glória. Tentarei amanhã, eu juro. Juro, juro. Que tentarei.

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E depois da pataquada de babãe comprando ingresso para Chicago tendo confundido com Sinatra (eu assisti a Chicago há mais ou menos um mês, quando minha Piu estava aqui), ela garante que dessa vez comprou certo. Sabadanoite. Veremos!

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Ontem, antes de irmos ao teatro (porque, sim, assisti novamente a Chicago, e lembrava de pequenos detalhes que são só detalhes mas que se repetem e fazem, afinal, a diferença), fomos comer num restaurante tailandês. Um filhadaputa pediu um prato com sei lá que veneno mas que fez o nariz de todo mundo escorrer e a garganta de todo mundo coçar. De verdade. All of a sudden o restaurante todo tossia. Uma cena digna de Hiroshima. O horror.

Queria saber que tempero é aquele para o caso de, ah, sei lá, precisar para uma vigancinha, dessas de se pôr em prato que se come frio. Temos sempre que ter uma carta na manga para as necessidades de manter saudável aquele lado maldoso gostosinho.

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Por ora é isso. Tenho dormido com a Flá porque babãe, como poucos sabem, ronca. Quanto? O suficiente para eu dormir com a Flá. Não lembro se já falei da Flá aqui. Irmã da Broo e minha nova flatmate, quem, inclusive, já foi chamada de minha irmã também. Anyway, gosto de pensar que somos, assim, uma pequena família em Londres.

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Sexta-feira vou ao medico. Nada demais, imagino. Problemas e exams de rotina. Há que ser.

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Recebi uma das melhores notícias do ano: a possibilidade REAL de minha Bathatha vir passar um mês, UM MÊS INTEIRINHO comigo. Não poderia querer melhor notícia. Claro que ela vai ficar comigo. Claro que vou tentar faze-la perder o avião de volta. Claro que ela vai se apaixonar por Londres como eu sempre previ e, quem sabe um dia, se planejar para ser, mais uma vez, minha vizinha.

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Tenho sentido bichos caminharem sobre meu corpo. Passo a mão e não tem nada. Mal sinal.

Thursday, August 31, 2006

voltando

Eu tenho certeza de que todos vocês, estando no meu lugar, também ficariam dias e mais dias sem escrever. Por falta de tempo para deixar me invadir por uma angústia inspiradora. Não se enganem: a angústia continua aqui, mas é outra angústia, mais cruel porque não há tempo para exorcizá-la.

Vou resumir.

Acabou o frila que eu fazia para o Observatório e, embora tenha adorado, deu. Fiquei muito cansada trabalhando em dobro e aos fins de semana. Mas, claro, adorei. O feedback do público também foi ótimo e ressucitei a paixão por aquele lugarzinho especial que me abrigou por quase quatro anos.

Fui para Lisboa. Encontrei babãe. Visitei tudo, não paramos. Não paramos mesmo. Tanto que acabei mais cansada depois do que antes da viagem. Passamos um dia na praia, Cascais e Estoril. Passamos um dia na montanha, Sintra. Foi bom. Foi muito bom. Só sol.

E voltamos para Londres numa viagem pesadelável, em que ficamos empacadas em filas com pessoas peidando, e o metrô quebrado, e babãe caindo de joelho no chão porque não enxergava nada na escada. O inferno, o inferno.

Passou. Chegamos bem, apesar de não inteiras. Eu, pelo menos, quebrada. Mais pela perspectiva de acordar cedo do que de dormir tarde. Retomei a labuta. Liguei para quem me ligou, textei quem me textou, aos poucos escrevo para quem me escreveu. E tudo vai voltar ao normal. Porque precisa, sabe? Sou uma dessas pessoas horríveis que precisam sempre voltar pro marasmo para poder ser quase feliz. E sou uma dessas pessoas horríveis que precisam também estar no olho do furacão para se sentir vivas. Sou várias dessas pessoas de quem adoramos falar.

**

Ainda não voltei a nadar decentemente. Ainda não voltei a escrever decentemente. Ainda falta alguém. Ainda falta tempo e espaço. Mas calma. Estou quase voltando.

Wednesday, August 16, 2006

the way I treat life

Agora melhor. A perspectiva de poder ir para cama bem cedo não significa que eu vá, de fato, para cama bem cedo. Mas só de saber que posso, que posso porque não tenho mais nada para fazer, só isso basta para me deixar serena. Eu tava precisando. Eu tô precisando. Eu e uma banheira e o shisha e a Nina Simone. Como nem tudo é perfeito, faltou sugar in my bowl, mas acho que se houvesse, eu reclamaria, e preferiria a simplicidade de eu e apenas eu, coisa que eu apreciava muito no passado, que desaprendi e estou reaprendendo. Não é me enclausurar. Não. É apenas saber, now and then, marcar um encontro inadiável comigo mesma. E uma banheira, ou uma piscina, ou uma tela em branco do Word. Qualquer coisa que me faça virar os olhos e não ter olhos para mais ninguém, a não ser para dentro.

Morar sozinha é isso aí.

Mas estão acabando meus dias de andar pelada pela casa, tomar banho de porta aberta, ocupar cada espaço da casa, largar a toalha, fechar a vida para o mundo num espaço que é só meu. Sábado a irmã da Broo chega em Londres e vai morar comigo. Ela é um doce, não tenho dúvidas de que nos daremos extremamente bem. Na verdade, acho que ela está chegando em ótima hora. Mais um pouco e a casa virava casulo. Preciso lembrar de não ser grande demais, porque pretendo um dia dividir minha vida, meu tempo, meu espaço, com mais uma pessoa, e depois mais uma ou duas, se tudo acontecer conforme eu sempre ensaiei.

Estou feliz com a chegada da Flá. Vai ser um desafio para nós duas, já que não nos conhecemos tão bem assim. Ela chega verdinha do Brasil. Toda aquela expectativa de vou-viver-em-Londres que é uma delícia. Uma sensação que ainda me assalta de vez em quando, mas que depois de dois anos e bolinha por aqui vai ficando na memória. Uma brisa gostosa que vez ou outra sopra meu cerebelo e me lembra com ternura que *não sou daqui*.

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Não foi nada, gente. O estresse está todo nos aeroportos. Nada mudou na vida em Londres. E como só vou pegar avião no fim da semana que vem, tem tempo de sobra para as coisas se aquietarem em Heathrow. É notícia todo dia, toda hora, claro. Mas tudo se restringe aos aeroportos e suas desgraçadas filas e suas desgraçadas regras e suas desgraçadas falhas.

Esquenta não.

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O que sinto mais falta da minha infância é a capacidade de gostar que se estendia ad infinitum na minha cabeça. Agora não. Agora esqueço bem mais rápido. Agora um pouco de tudo o que era docemente platônico vive, mais uma vez, no fundo da minha cabeça, em forma de memória.

Agora, alguns meses são suficientes para algo que me ocupava a cabeça durante todo o dia, não ser mais que reflexo de um tempo distante. Alguns meses já são um tempo distante. Onde foi parar a sabedoria da velhice? Eu fico mais velha mas parece que tudo o que pára fica realmente para trás. Não tenho mais paciência de esperar. Se não for agora, não é.

Não é.

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Ando muito espuleta.

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Mas espuletagem tem um preço. Primeiro veio no sábado à noite, quando tive a infelicidade de assistir, antes de dormir, a Vanilla Sky. Rapaz, entrei numa paranóia dessas que fazia tempo. Nada estava no lugar, meu mundo é um caos e eu sou um bebezão incapaz de: trabalhar; cuidar de uma casa; cuidar da minha saúde; ter relacionamentos, todos e quaisquer. Em alguns segundos eu me anulei. Virei pó. virei uma boneca com braços e pernas tortas cujo olho não fecha mais se deitada. Deitei na cama, sentei de novo, me olhei no espelho e comecei a chorar. Meu mundo não sobreviveria àquela noite. Meu mundo estava desabado e só eu não via. Como sobreviver àquela noite? Eu não sabia. Eram 2 da manhã quando resolvi ligar para minha Piu. Ela não estava. Para minha Bobby. Ela não atendeu. Antes de continuar com as tentativas frustradas de falar com alguém que me trouxesse pro chão, lembrei que felicidade e tranqüilidade, para mim, responde putamerdamente rápido pelo nome de Rivotril. E lá fui eu. Em menos de uma hora estava lutando com os olhos para continuarem abertos e avançarem mais um pouco no espetacular Bricklane.

Aí a noite passou, e veio o dia, e foi, e veio a segunda. E no final do dia aconteceu. Estava no trem voltando pro trabalho e começou. Aperto na garganta, palpitação, suor frio, desespero, maldito trem que não pára, mas se parar eu também não desço, então fodeu, fodeu mesmo, vou ficar para sempre derretendo e gelando naquele banco sujo de trem. Quando passei para o metrô, piorou. O cara da minha frente deve ter percebido, porque me olhava genuinamente preocupado.

Aos poucos foi passando, passando, uma eternidade de 30 minutos para chegar em casa. Uma eternidade horrível. Juro que parecia que 15 minutos haviam se passado entre uma estação e outra.

Quando cheguei em casa, passou completamente.

Perigoso, isso.

Saturday, August 12, 2006

Ain't got no, I got life

Deve ter sido a picada da abelha.

Mandei uma velha æshut up" no ônibus. Mas ela mereceu. Ando sem o menor controle sobre minha língua. E não tenho o menor receio em colocar velha folgada no lugar dela. Não é porque é velha que pode tudo. Se pudesse tudo, estaria andando de carro, táxi, whatever, e não de busão. Mandei-a calar a boca e ouvi risos abafados atrás. Uma senhorinha muito arredia, isso sim.

Ontem saí do trabalho e fui ao supermercado. Enchi uma cesta. Quando estava a um passo do caixa, recuei. Voltei para os corredores do supermercado, devolvi tudo. Tudo parecia imensamente superficial. Para que queijo brie? Para que crumpets? Para que barrinhas de cereal?

Fui deixando tudo pelo caminho, num Budismo desenfreado e mal-interpretado pela minha cabeça. Saí de mãos e estômago vazios. Continuei andando rumo à estação de trem. Olhei no relógio e vi que não daria tempo de pegar o trem das 17:36. Entrei em outro supermercado. Peguei algumas coisas, mas na hora de pagar, só passei os dois litros de coca-light.

Aí, claro, cheguei em casa e não tinha o que comer.

Hoje acordei com a macaca. Fui correr. Eu. Correr. Eu não corro, eu só nado. Mas fui correr. Shorts e top e tudo mais, presilhinha para segurar a franja, iPod. Corri. E corri rápido demais, porque cansei rápido demais. Foi bom. Acho que estava precisando sentir meu peito gritar. Correr rápido, bem rápido, até além do não-agüento, é um jeito.

Sim, sim, com certeza foi a picada de abelha.

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Ontem fui assistir a Nacho Libre, com Jack Black. Achei que fosse me divertir porque o diretor é o mesmo do Napoleon Dynamite. Porra nenhuma. Fraquinho. Não gastem dinheiro, não.

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A situação nos aeroportos está ridícula, mas fora deles, a vida está normal. Ninguém mudou rotina nenhuma, e não senti que trens, metrôs e ônibus estão com maior segurança. Garanto que os riscos com terroristas aqui são menores que os riscos com PCC ou Comando Vermelho ou Terceiro Comando daí.

Não que eu queira nivelar por baixo. Não é bem uma questnao de querer nos tempos atuais.

Tuesday, August 08, 2006

cadeira errada

Realmente correndo. E com dor na coluna, nuns nervos aí. Devo ir num massagista ou algo do gênero no meu lunch break. Carregar dois trabalhos nas costas ao mesmo tempo, além de cuidar de uma casa, nao é missão para qualquer um. Ontem fechei o notebook às 22:30h. E, claro, não consegui dormir. Hoje acordei toda devagar. A dor nas costas piorou. Deve ser a maldita cadeira que a maldita landlady enfiou naquela casa.

Uma vaca, essa mulher, uma vaca. Eu queria muito um dia sentar com ela para um café com biscoitos, sabe? Queria entender por que ela faz das menores coisas as maiores e mais trágicas. Agora ela resolveu que quer receber o aluguel diretamente, e não via agência. Só que a agência disse que não. E como eu já criei o maldito standing order faz menos de um mês, não vou mudar, não. Ela que agüente mais uma pequena razão para reclamar muito da vida. Ela gosta.

Mas tem tanta coisa mais interessante para falar, por que uma velha caquética que não significa nada para mim precisa ocupar espaço, não? Não precisa.

O frila vai muito bem, obrigada. Até melhor que a encomenda, com alguns artigos gerando respostas e mais respostas apaixonadas. Acho ótimo. E sinto saudades desse trabalho com feedback direto do público.

Aiai.

Não se dêem ao trabalho de assistir a Miami Vice.

Oito de agosto meus amigos, oito de agosto. O tempo voando e eu rodopiando junto. Tentando não derrubar as bandeijas, mas às vezes acontece de copos virarem. Entendo que são frustrações nossas de cada dia, mas ainda me sinto injustiçada pelas pequenas desgraças diárias.

Sim, definitivamente um massagista.

Tuesday, August 01, 2006

who am I to be blues

Cantando para mim mesma como se fosse uma diva.

Que semana, que semana.

Trabalhando muito para pagar as contas, e também por amor.

E trabalhando para ser uma pessoa melhor. Cansei de levar na cabeça a paulada que um dia, sem lembrar, eu mesma dei.

É isso. Abraçar árvores só pra ver se é bom mesmo como dizem os loucos, acolher refugiados, patrocinar quem pedala 783658726287 de milhas em prol de uma caridade para ajudar na pesquisa para leucemia, conversar com pessoas desinteressantes - vontade genuína de achar alguma luz em cada ser-, doar escondido para não precisar ser condecorado.

O ano não precisou virar para eu ter minhas resoluções, bonitinhas, todas guardadas, etiquetadas em ordem alfabética para facilitar o acesso. E elas aparecem o tempo todo. A maioria, sem prazo para acabar.

Assim, não sei, a vida parece durar mais. E não me custa nada. Ou quase nada. O preço vale anyway.

It's a new dawn
It's a new day
And I'm feeling good

(no repeat)

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Voltei a nadar e, rapaz, confesso que ontem saí roxa da piscina. Bochechas roxas de cansaço. Foi um treino puxado, séries puxadas que, somadas, davam mais de 3km. Foi gostoso, mas está na hora de arregaçar as mangas (que mangas?) e nadar de verdade. Estou decidida. Amanhã, amanhã.

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Minha pequena se foi. Fez uma zona imensa na casa, e agora olho o que falta para ajeitar e a vontade que me dá é de bagunçar tudo de novo só para lembrar dela.

Foi ruim nossa despedida. Ofereceram overbooking. Ela aceitou, mas, ao contrário do que aconteceu no ano passado, dessa vez eles não quiseram mais brincar. Às nove ela sai correndo para despachar a mala e passar por todas as barreiras que se passa num aeroporto, inclusive meu abraço. Como as outras barreiras, essa teve que ser feita às pressas. Eu deveria ter segurado mais um pouco. Quem sabe assim ela não perdia o vôo?

Na próxima vez serei mais exigente e, da minha barreira, ela não passa sem bens a declarar.

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E ele, hein?! Vai ou não vai?

Porque, sabe, a vida acontece. Comigo, então, acontece bastante. A vida acontece duas vezes mais que a rotação da terra, porque senão fico entediada.

Não é nem uma questão de odiar o muro e os que nele se empoleiram. É uma questão de eles não durarem muito tempo na minha vida.

Mas por enquanto tenho lembranças. E isso está sendo o suficiente para me manter longe do tédio. Até quando não for mais.

Sunday, July 30, 2006

C'est Paris once again

Fotas, fotas, fotas!



Essa é do D'Orsay, mas tem muitas outras aqui.

Aos defensores de Paris, repito (porque em dezembro de 2004/janeiro de 2005 também estive lá: o parisiense não merece a cidade que tem. É porco, é fedido, é ranzinza. Não dá. Eu até aceito ser chamada de rabugenta. Mas é uma rabugem fofa. Eu sei. Eles não. Eles são muito malas. Eu não consigo entender. Taí um lugar em que jamais moraria, Paris.

E morri de calor e quase morri mesmo. Mesmo, mesmo. Desidratei. Desesperei. No meio da noite pedi socorro para minha irmã, que tentou arrancar um gesto de compaixão do peito de um senhor com óculos e sem desodorantes que esperava algo acontecer às 3h da manhã e 33 graus celsius. Aí aparece uma menina dizendo que sua irmã está passando mal enquanto milhares de pessoas estão desmaiando e algumas dúzias morrendo com o calor pela Europa. E ele era francês. Fechou a cara. Disse que estava calor para todo mundo. Eu não precisei de muito tempo para arquitetar o seqüestro do ar condicionado do lounge do hotel. Era um desses pimpolhos portáteis. Desci de pijama. Eu e meu pijama mui brasileiro e meu mau humor que desarmaria qualquer tentativa de intervenção. Eu, meu pijama mui brasileiro, o mau humor e uma ruiva de "olheira". Se alguém aparecesse a senha seria SUJOU e eu sentaria o pimpolho no chão.

Água para todos os lados, um elevador que demora mais ou menos 37 minutos para fechar as portas, mas eu levaria aquilo até as últimas conseqüências. Quase chorei quando vi que o bichinho funcionava. Funcionava, esfriava, ventava, oscilava, fazia tudo, ele. Só não me fez cafuné mas mesmo assim dormi flutuando.

E, olha, o calor foi realmente um problema. No primeiro dia, principalmente. Mesmo assim, heroína que sou, fiz aquilo tudo: torre eiffel-barquinho no Sena-Notre Dame-St Germain-Champs Elisée-Arco do Triunfo-D'Orsay-Sacre Coeur. Só faltou o Louvre, mas em dois dias e meio fica difícil fazer tudo. E eu chorava só de pensar em ficar em fila debaixo do sol.


(mau humor no barquinho no Sena -- clique na foto para ampliar)

Foi isso. Amamos Paris, odiamos os parisienses. Chegamos em Londres e mais uma vez tive a deliciosa sensação de voltar para casa após uma pequena e doce guerra.

Wednesday, July 26, 2006

ta dificil

Ta dificil, pessoinhas, ta dificil e vou explicar brevemente por que:

Quatro dias longe do trabalho fodem tudo. Me atolei.

Minha irma estah aqui, o que faz com que meu tempo seja bastaaante canalizado.

Comecei o frila para o meu antigo trabalho, o que me deixara com ainda menos buracos livres no trabalho para atualizar o blog.

Entao eh isso. Vou tentar, now and then, mas nao cobrem porque ta foda.

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Paris foi bom, mas foi um inferno. Conto depois. Juro.

Wednesday, July 19, 2006

Paris 40 graus

Sim, sim, continuo aqui. Correndo mais que o vento. Morrendo de calor. La fora, 37 graus. Saudades do inverno, juro!

Minha Piu na area tambem ajuda a tumultuar! Fico com ela quando nao estou trabalhando. Fomos ver "Stomp" no domingo (sensacional, um dos melhores shows que ja vi na vida) e "Avenue Q" ontem (mais ou menos. Eh um musical super aclamado na Broadway mas nao adianta, nao curto essa coisa de boneco). Passamos o sabado em Brighton, pegando um sol de rachar (juro). Eu nadei meus 15 minutinhos – nao mais porque a agua ainda (sempre) esta muito fria. Aa noite fomoa na festa de uns amigos, housewarming, aquela coisa de sempre. Muito legal. Deveras, deveras.

(Nao sei, esse calor me tira a inspiracao! Cade o frio para me fazer doer o peito? Soh assim escrevo bem.)

Enfim, estou com minha amada Piu, essa pessoinha tao querida. Amanha vamos a Paris. Dizem que la tambem estah bem quente. Eu nunca pensei que essa seria uma preocupacao minha morando na Europa. Estou obcecada com noticias do tempo.

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Estou fazendo minha primeira venda via eBay. Dois tickets de adulto para a Eurodisney. Sim sim, minha princesinha caiu em si e viu que Paris tem bem mais a oferecer do que o Mickey e a Minnie e o Pluto e o Pateta. La vie en rose, ma non troppo afinal. A torre Eiffel que não se foda mais, certo? Certo.

Amanhã, então, voamos a Paris, eu e minha bola de fogo. Vai ser deveras histórica essa viagem. Watch this space.

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Quente. Muito quente. Estou com pena de minha condição de usuária do transporte público nessa cidade. A gente sofre e nem se diverte.

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Esse mês de agosto promete ser uma correria. De fim de julho a fim de agosto voltarei ao meu emprego do coração, como redatora do melhor site crítico da rede, in my humble opinion. Sempre falei de peito estufado que quatro anos no Observatório me fizeram uma jornalista com algo mais. Bem mais. Vai ser bom voltar por um mês. Minha vida mudou tanto... E no entanto voltarei a fazer o que fazia há seis anos no Brasil. Gostoso. Por um mês é gostoso.

E no final, quase como se eu já previsse e me desse de presente, a viagem com babãe para Lisboa. Para fechar agosto em grande estilo.

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Comigo é assim: esse negócio de "beija, beija, tá calor, tá calor" é mais "deixa, (me) deixa, tá calor, tá calor". Entenderam? Não, né? Legal.

Thursday, July 13, 2006

so be it

Em caso de tedio, eu escrevo. Nao que nao haja coisas para fazer no trabalho. Tem e muita. Mas estou entediada. Simples assim. Quero fazer o que tenho que fazer, mas nao consigo. Olho para onde tenho que olhar e nao foco. Uma porcaria. Me deem um travesseiro e eu faco da minha escrivaninha o mais confortavel dos futons.

A realidade eh que o tedio se mistura e se soma ao sono. Tenho dormido pouco, como ja expliquei, mas agora estah comecando a pegar. Dormi pouquissimo na segunda, na terca nao deu para por em dia, ontem fui nadar e cheguei pilhada, hoje tem festa do Ernesto, amanha cedo chega minha Piu e sabado cedo vamos para Brighton. E a noite tem outra festa. Nao posso reclamar, eu sei, mas reclamo. Fui atropelada por bicicletas de afeto. E caminhoes de preguica.

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A verdade eh que achei que rolaria pelo menos, eu disse pelo menos, uma mensagem de texto de tchau. Mas nao rolou. Oh well. Por que nao estou surpresa?

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Tem alguem que logo logo estah indo para o aeroporto de Guarulhos rumo a Heathrow… Quem?? Quem?? Quem te ama??

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Na minha vida posso dizer que ja fiz muito joguinho, e ja fui sincera alem do necessario. Hoje em dia, ja nao sei mais dizer. Eh triste.

Tuesday, July 11, 2006

faraway

Sei que faz tempo. Nao deveria. Estou com tudo entalado, querendo sair. Eh assim quando acumula. Tanta coisa acontecendo tao rapido que eh dificil focar – que nem os olhos dos outros no metro.

Mas estou mais viva que nunca. Dormindo menos, comendo menos – nadando menos, confesso. Reclamando menos. Porque ultimamente ha bem pouco de que reclamar. Deixa eu ver… Babai veio e foi. Isso eh triste. Estou com muito trabalho. Isso eh de um triste quase feliz. Estou nadando pouco. Eh triste que o dia soh tenha 24 horas. A Broo se foi. Isso eh triste, sim.

E soh. Nada mais me aborrece. Minha Piu estarah aqui em poucos dias. Vou buscar minha fogueteira no aeroporto na sexta. Nao poderia pedir mais.

O trabalho vai muito bem. Cada vez mais responsabilidades caem nas minhas maos, e eu nem tremo nas bases. Acho que aprendi mesmo a enganar.

E tem tambem o coracao, neam? Que estah sempre mais acelerado que o normal, voces ja sabem, mas raramente me surpreende com isso. Hoje estou surpresa. Voces ja dormiram mal aa noite, acordaram um bagaco e ficaram felizes cada momento do dia seguinte em que sentiu essa *bagaceria* porque o motivo eh adoravel? Porque eh otimo lembrar? Por que eu sou assim, tao filme?

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Aproveitei o unico fim de semana babaiano para rodar a cidade. Sexta uncle John e Jane vieram em casa e saimos para jantar. Foi muito bom. Biggles, o cao amado, tambem veio, e agora eh o papel de parede do meu celular.

Sabado fomos no Victoria & Albert museum ver uma exposicao sobre Modernismo. Achei meio pequena, mas bem legal. Quebrou um pouco do meu preconceito contra essas expressoes muderrrnas. Mas soh um pouco. Ainda sou uma mocinha de familia, que gosta dos impressionistas e suas donzelas rechonchudas e rosadas.

De la fomos aa Waterstones de Piccadilly, acho que a maior livraria de Londres. Me perdi, me perdi. Quase terminei um Bukowsky sem piscar.

Aa noite fomos passear e jantar em Putney. Vimos a Alemanha ganhar o terceiro lugar o que, por um lado, me enfureceu, por outro me fez chegar em segundo lugar no bolao do escritorio, ja que era essa a posicao que eu havia previsto para os anfitrioes.

E domingo viemos para o lugar em que mais tempo passo: Kingston. Babai viu onde trabalho, mas fomos adiante, ateh o rio, onde estava tendo uma regata. Passeamos, passeamos, voltamos. Assistimos aa final da Copa em casa e saimos para jantar num indiano la perto, divino.

Pronto. Aqui estah meu fim de semana a la meu-diario. Ha muito mais alem disso, claro, porque eu estava parada enquanto minha cabeca dancava a mais doce valsa.

Puta merda, como sou romantica.