Thursday, August 31, 2006

voltando

Eu tenho certeza de que todos vocês, estando no meu lugar, também ficariam dias e mais dias sem escrever. Por falta de tempo para deixar me invadir por uma angústia inspiradora. Não se enganem: a angústia continua aqui, mas é outra angústia, mais cruel porque não há tempo para exorcizá-la.

Vou resumir.

Acabou o frila que eu fazia para o Observatório e, embora tenha adorado, deu. Fiquei muito cansada trabalhando em dobro e aos fins de semana. Mas, claro, adorei. O feedback do público também foi ótimo e ressucitei a paixão por aquele lugarzinho especial que me abrigou por quase quatro anos.

Fui para Lisboa. Encontrei babãe. Visitei tudo, não paramos. Não paramos mesmo. Tanto que acabei mais cansada depois do que antes da viagem. Passamos um dia na praia, Cascais e Estoril. Passamos um dia na montanha, Sintra. Foi bom. Foi muito bom. Só sol.

E voltamos para Londres numa viagem pesadelável, em que ficamos empacadas em filas com pessoas peidando, e o metrô quebrado, e babãe caindo de joelho no chão porque não enxergava nada na escada. O inferno, o inferno.

Passou. Chegamos bem, apesar de não inteiras. Eu, pelo menos, quebrada. Mais pela perspectiva de acordar cedo do que de dormir tarde. Retomei a labuta. Liguei para quem me ligou, textei quem me textou, aos poucos escrevo para quem me escreveu. E tudo vai voltar ao normal. Porque precisa, sabe? Sou uma dessas pessoas horríveis que precisam sempre voltar pro marasmo para poder ser quase feliz. E sou uma dessas pessoas horríveis que precisam também estar no olho do furacão para se sentir vivas. Sou várias dessas pessoas de quem adoramos falar.

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Ainda não voltei a nadar decentemente. Ainda não voltei a escrever decentemente. Ainda falta alguém. Ainda falta tempo e espaço. Mas calma. Estou quase voltando.

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