Monday, September 25, 2006

doze almas

Cheguei no trabalho. Doze peixes morreram no aquário. O escritório pareceu bem mais morto, apesar do volume de coisas a fazer. E meu chefe meio cabisbaixo. Geralmente ele ilumina qualquer segunda-feira.

Minha mãe está com o pé quebrado, meu pai com rotavírus e minha irmã está, como eu, achando o mundo todo meio estranho, sendo que sabemos deep inside que estranhas somos nós.

Esqueci o guarda-chuva no trabalho sexta-feira e cheguei hoje encharcada. Derrubei um litro de água na minha escrivaninha e quase chorei por isso. Passei o almoço todo lendo Hilda e mais Hilda. Não estou trabalhando. Até agora, só atendi telefonemas. Emendei uma ou outra coisa. E mesmo assim, foi nas coxas. Coisa que odeio fazer. Mas não conseguiria fazer diferente. Hoje é a segunda mais típica da minha vida. Cinza, errada, ressaca de um fim de semana que foi como vinho barato, enxugado da boca com as costas das mãos. Enxugadas as mãos em algum lugar que não lembro, porque nem foi de propósito.

Não consigo parar quieta. Tô com vontade de sentar no colo de alguém e apenas me deixar abraçar em silêncio. Mas como isso não acontece, me contento em resmungar para dentro e balançar as pernas sem parar. Pular de site em site em busca de absolutamente nada, já que não sei o que procuro – então como saber quando encontro? Vontade mesmo era de dormir. Hoje o despertador tocou e eu simplesmente não acreditei que aquela seria a primeira de cinco manhãs em que eu teria que acordar forçada.

Essa semana vou ao médico, ver o resultado dos meus exames e mudar minha medicação para pânico. Minha última chance, já que a ciência e seus dedicados homens ainda não apareceram com nova poção mágica no mercado.

E o fim de semana passou como bala. Quando eu vi, já tinha me atravessado e me jogado de joelhos num chão duro. Mas com todo mundo olhando, claro, eu sorri e fiz piadas e fui a Bia de sempre, embora com *sono*, a nova palavra da moda para mal-humorada. Mas é só isso que vou perder nessa história. Um fim de semana e nada mais. Quem sabe algumas horas de trabalho também. Mas ganho com inspiração; Nada como uma boa derrapada na merda para me inspirar. Obrigada por foder com minha vida de novo! Só assim mesmo para eu desembestar a escrever.

De resto, uma vontade visceral de nadar até o peito rasgar. E é o grande plano to look forward to tonight.

Mas doze peixes morreram no aquário do trabalho. E por isso, e só por isso, estou triste hoje.

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