Thursday, March 15, 2007

atenção: "clothes!"

Dois sacos de lixo inteiros, cheios até a boca, com uma página de caderno grudada onde se lê “clothes!”, assim, com ponto de exclamação para salientar a urgência. Clothes! Muitas roupas que joguei fora. Muitas delas extremamente usáveis ainda, mas não por mim, que sou uma senhoura de fina classe. Mentira, joguei fora echarpes também. Pensei em guardar para dar para babãe, ela sim uma senhoura de fina classe. Mas aí de repente me deu vontade de me libertar do que quer que fosse que estivesse me prendendo àquelas roupas. E joguei tudo fora. Com o sinal “clothes!” para mostrar que é um saco cheio de coisas úteis, que não é pra ir pra qualquer lixo, que ali tem coisa valiosa para qualquer pessoa, não só para o lixeiro.

“Clothes!”, quase gritando: por favor abra o saco e salve roupas lindas, algumas semi-novas, da morte prematura. Tem de tudo lá: gorros, cachecóis, sobretudos com microfuros – mas ainda assim sobretudos -, restos de perfume, restos de cosméticos, um quadro meio rachado que tenho há anos e nunca pendurei, bolsinhas que não usei, até ceroulas tem. E, pecado dos pecados, um livro. Tem um livro que comecei a ler e larguei no meio e não achei que valia o peso de carregá-lo comigo. Um pecado que não me incomoda. A livros ruins têm que ser dado o devido desvalor.

Vou parar de pensar nos dois sacos “clothes!” agora, *1 2 e já*.

Vou parar de pensar em outras coisas que possam estar contribuindo de maneira direta ou não para o processo mingüante de minha sanidade mental.

*1 2 e já*.

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O que sonhei essa noite? Sonhei que havia uma velha numa piscina, e a velha parou de respirar. Fui até a borda e segurei seu braço direito, mas percebi que, antes de tentar ressuscitá-la, ela voltaria a respirar. E voltou. Deu uma leve tossida e perguntou o que tinha acontecido. Ficou assustada, poderia ter morrido. Eu sentei na beira da piscina e deitei sua cabeça no meu colo. Ela começou a chorar. Fazia tempo que ninguém lhe fazia cafuné. Depois de um tempo começamos a conversar. E aí eu entendi que acabou o ar da velha por causa da solidão.

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Ontem eu fiz tanta, mas tanta coisa. Eu fiz muita coisa mental, eu fiz muita coisa física. O dia durou umas 40 horas e eu terminei o que comecei. Também venci um medo bobo que, na minha cabeça boba, era gigantesco. Venci, então, mais um medo bobamente gigantesco. Eu até conto se você perguntar. É só perguntar com jeito.

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Saudade da minha irmã e da energia que ela irradia. Meu solzinho pontudo e folgado.

E saudade de babãe e babái também. Por que fico assim sempre que minha vida muda? Vontade de voltar para a época em que só mudavam as professoras da escola? Vontade de não ter controle sobre as mudanças? Babãe e Piu é que estão certas: manha, pura manha. Engole esse deschoro.

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