Friday, March 16, 2007

22

Eu tinha 22 quando saiu isso aqui:

Dezembrando

Talvez eu tenha sido meio sacana com você
Jamais se deixaria confundir por uma mulher
Foi melhor cairmos fora do caminho
(um do outro).
Até quis te reencontrar, te ligar, dizer um oi,
como
vai.
Mas você estranharia.
Você estranhava muita coisa em mim
Você não trazia poesia no olhar.
Falta de aparatos poéticos da sua cabeça
(quase genial).
A força das palavras em que tropeçamos não causava efeito em você
Preciso, embora doa o coração
Eu nunca gostei de coisas simples anyway
De repente ele não fez mais
(diferença).
De repente minha vida continuava igual, como sempre fora.
De repente ele foi
(uma invenção da minha cabeça).
Vinte minutos e, bom, então a gente se fala
Por alguns instantes achei que fosse uma balsa
A balsa oscilava em mar pouco mareado, mas ainda assim mar.
O leve balanço da balsa.
O balanço que a princípio assusta mas depois embala.
O balanço de uma balsa tão pequena como uma cama
(de solteiro),
que não te dará
(respostas), mas que não mais virará.
Um balanço cativante, que simula o coito.
Um balanço que te leva para outras águas sem você
(perceber). Sempre.
Voz que podia ser de engano
Deus é a resolução
(de uma equação)
É o delírio epifânico do conjunto solução
São vários livros que se abrem e se fecham a todo instante
É que aqui sou eu, sabe? E só.
Não tem ninguém
participando
Conselho de amigo: bico calado.
(ou eu atiro).

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