Monday, October 03, 2005

the only way is out

Você acredita no que eu escrevo? Pois não acredite. A partir de agora eu não acredito mais no que digo e penso. Tudo de que tenho certeza absoluta sempre vai ter um ponto de interrogação no final, daqui para frente, até eu aprender a me entender, me conhecer, saber quem sou e não quem gostaria de ser. É muito fácil fingir que sou o que gostaria de ser o tempo todo. Eu visto uma máscara (minha preferida é a de nada-me-abala-a-vida-é-uma-festa) e ela só cai quando a vida anda na minha direção, quando trombo com fatos que, na teoria, nem chegariam a ser fatos, tão insignificantes. Várias coisas disputam meu pensamento agora. Eu fico meio perdida, porque são pensamentos genuínos, a partir de coisas reais. Minha máscara está caindo e não aprendi a viver sem ela ainda. Tenho medo de chorar e a lágrima furar minha cara. Tenho medo de abraçar e quebrar os ossos. Tenho medo. Sou, enfim, uma pessoa como você. Uma vez uma leitora me disse que sonhou comigo e eu era uma espécie de Angelina Jolie naquele filme que ela era heroína de não me lembro o quê. Eu achei uma graça, mas fiquei a pensar se é essa a imagem que passo: de uma super-heroína cuja vida é cool e cujos obstáculos fazem cócegas. Não fazem.

A partir de agora, não acreditem mais no que eu digo. Acreditem apenas no que questiono. A dúvida é minha única certeza.

***

Fim de semana agitado. Alucinada. Dormi quase nada, mas trabalhei. Me arrastei o dia inteiro. Já está virando hobby esse negócio de dormir no quartinho de primeiros-socorros. Nada como um bom cochilo na maca. Sábado foi o housewarming da Fru e da Bruna. Foi uma delícia rever tanta gente legal que acabei perdendo o contato porque sou uma anta de tetas workaholic. Tudo culpa minha. A Paulinha, por exemplo, é uma amiga da PUC que está aqui já faz três meses e sábado foi a primeira vez em que a vi. Claro que minha vida está uma correria e yadda yadda, mas eu podia ter dado um jeito. No final, combinamos de nos encontrar com mais freqüência, já que ela está morando em Bermondsey, não muito longe de mim. Também reencontrei a Camila, ex-flatmate do Ernesto, uma fofa que é a enxaqueca em pessoa, mas é fofa. Poucos sabem o quanto ela é doce.

Enfim, levei meus flatmates, Mr. Australia e Mr. Suécia, para a festa. Eles se divertiram. Bastante. Mas, sei lá, se pudesse voltar no tempo acho que não os teria levado, não. Mas xapralá. Eu me diverti, eles se divertiram, todos se divertiram e é isso que importa, ou que deveria importar. Se ficou um gosto amargo no final é porque eu precisava aprender - mais uma vez, mais uma vez - que não há doce absoluto. Até quindim tem seu lado perversamente amargo. Não há exceções. Um dia, um dia eu quero voltar a ser imaculada. Quero voltar a ser pura. Voltar a pensar que existe certo e errado e que eu saio ganhando fazendo o certo. Um dia quero escolher o Bem novamente, acreditar que há essa alternativa. Acreditar que uma porta quadrada, definida, iluminada, me espera em alguma ponta do labirinto. Chega de portas semi-abertas. Chega de portas semi-fechadas.

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