Sunday, October 16, 2005

floco de neve

Hoje meu avô faria 93 aninhos. Noventa e três aninhos se não tivesse partido alguns meses atrás, como leitores mais assíduos e mais memoriados hão de se lembrar.

Hoje tentei não pensar nisso para não deixar o dia pesado, mas todo mundo quis me lembrar. Todo mundo me perguntou que dia era hoje. Sixteenth of October. Eu tentava dizer da maneira mais vazia possível. Como se fosse apenas mais um dia como a maioria, mais um dia para carregar nas costas. Mas não é. Esse é o primeiro dia 16 de outubro em que não falo "feliz aniversário" para ninguém. É o primeiro 16 de outubro que me vem em gotas de saudade, uma saudade que sei que nunca irei saciar, por isso uma saudade serena e doída, saudade

Hoje meu velhinho faria noventa e três anos. Onde ele estiver, aqueles olhinhos cheios de história continuarão morando em mim. Quer ele queira, quer não. Eu só sinto muito e continuo sentindo muito por não ter podido me despedir. Sem a despedida, ainda fico meio perdida. Algumas vezes na última semana me deparei com a dúvida do que minha irmã poderia comprar para dar para meu avô em meu nome. Preciso entender de uma vez por todas que o que posso dar a ele não se compra e é bem mais precioso. Hoje, vovinho, te entrego meu pensamento. Todo ele foi seu. Todas as linhas que meus olhos correram lendo, vendo, piscando, não distraíram meu cérebro de você. Te dei minha saudade doce e doída de aniversário. Aceite, é de coração.

**

Fim de semana besta, gripe besta. Em menos de uma semana a Fru volta pro Brasil. Acho que ainda não caiu a ficha. Não sei se quero que caia também. Dói. Cansei de doer.

Provavelmente nos veremos algumas vezes essa semana, antes do tchau derradeiro. E nem é um tchau tão sofrido por que nos veremos de novo em dois meses, no Brasil. Mas mesmo assim, ela sabe o papel importante que tem aqui dentro. Amiga que mora com a gente e continua amiga, é amiga pra vida inteira! Eu não tenho dúvidas de que minha pequena, apesar de todos os encalços, obstáculos, pedras no sapato e chiliques, é a minha pequena para sempre. Agora fodeu. Você sabe que pode cometer a maior cagada que uma amiga pode cometer e eu vou continuar te amando da mesma forma. Puta da vida, te xingando, chorando ou triste. Mas o amor é o mesmo. Sempre. Amo você. Amo tudo o que vivemos e passaria por tudo quantas vezes mais forem necessárias. E pediria desculpas mil vezes e aceitaria mil desculpas suas. Vale a pena passar pelo que for para te ter ao lado, all the way, ocupando o pódio do meu coração.

**

Ontem assisti “Lucia e o Sexo” na TV. Na verdade, eu ia assistir “A Excêntrica Família de Antonia”, que havia gravado no Sky. Mas acabei deletando o filme sem saber direito porquê. De qualquer forma, valeu. “Lucia e o Sexo” é fabuloso. Roteiro incrível, diálogos bem bolados, trama contagiante e, claro, tema que nunca se esgota: sexo. Ou melhor, amor. Apesar de tantas cenas de sexo, esse é um filme, acima de tudo, sobre o amor.

Ontem, também, tive o primeiro encontro com um novo morador da casa: um rato. Ele me saudou passando correndo sobre meus pés descalços. Era um rato gelado. Fiquei apavorada. Não gritei nem nada, mas senti a adrenalina subindo minha espinha e meu pé se fechou numa bola que nem bailarina seria capaz. Subi correndo as escadas e me enfiei debaixo do meu edredon. Custei a dormir e pedi a Morfeu que me poupasse de sonhar com ratos, porque seria uma brincadeira de deveras mau gosto. Batizei o novo inquilino de Little Izac.

No comments: