Wednesday, May 11, 2005

oleeeee

Eu sei que fui uma bad bad girl. Voltei sexta-feira da Espanha, hoje já é quarta e só agora resolvi pôr o focinho para for a. A viagem foi Linda, meus caros. Escrevi mais de 15 páginas todos os dias. Não vou colocar tudo aqui porque perde a graça. Se quiserem, espere a publicação e compre meu livro depois. Por enquanto, um tira-gosto:

25/4

All my life is changing every day, every possible way. Estou no avião, me encolhendo entre babãe e a parede do avião, ouvindo Dreams, porque tem tudo a ver, apesar de não ser exatamente o ambiente perfeito para uma escritora de prima como eu. Mas meu dia vai chegar. Enquanto isso, meu nariz está mais sêco que panetone velho. Meus olhos ardem e estou baxtant inquieta. Talvez pela falta de espaço, talvez por estar voando – apesar de eu nunca ter tido viadagens para voar. O negócio é que agora, pelo menos, tenho meu notebook. Ligo e encontro parte do meu mundo onde quer que eu esteja. Você pode não achar isso importante, mas não preciso de garantias alheias. Morar longe de onde nasci e cresci já é desenraizamento demais para alguém que ainda não morreu, como eu.

26/4

Parecia que não ia rolar, mas conseguimos. Chegamos em Málaga às 10h da noite sem lugar para ficar. Depois de a malar rodar duas vezes na alfândega em nossa frente para só então babãe resolver reconhecer sua própria mala (que, “gozado, está mais clara…”), mais um parto para descobrir onde comprar tarjetas telefônicas. E mais outro parto para descobrir como fazer uso delas. Primeiro hotel que ligamos: lotado. Meda, pânica, horrora, desespera. Segunto hotel: transferiram tanto a ligação que babãe se enfezou e desligou. Terceiro hotel: caro. Quarto e último: cá estamos. Não podia ter dado mais certo. Saímos correndo feito vacas no cio quando soubemos que o último trem para Torremolinos, onde estaria nosso HOTEL MIAMI, sairia em cinco minutos. Só que o trajeto do aeroporto à estação de trem foi estrategicamente construído para que se perca o trem. Você tem que tipo correr com o trolley, uma coisa assim meio Jamaica Abaixo de Zero, só que com subidas e descidas, pontes, escadas, mãe fazendo embaixada com seu agasalho que ela não viu despencar. Coisas assim. Quando chegamos no trem, o maquinista esperando claramente por piedade, minha testa era toda suor. Minha mão ficou toda estourada de tanto carregar o trolley e a mala. Tudo isso acompanhado da interminente ladainha de babãe: “ai, não, filha, não vou correr, já passei da idade” ou da variável: “ai, não, filha, não vou correr, meu joelho está doendo”. Meu amém era “vem, caceta!”

Depois de quase um ano longe da areia, finalmente afundei meus dedinhos todos naquele monte de pontinhos quentes. Uma massagem na alma. A praia de Torremolinos é uma delicia, não muito cheia, fofa, adorei ter ficado hospedada aqui. Depois de catar conchinha e pedrinhas, resolvemos pegar um AUTOBUS e ir até Marbella, que fica a uns 40km de Torremolinos. Chegamos lá, mais praia. Até me aventurei a vestir meu maiô, sacar minha touca e meus óculos. Vesti e tudo mais, mas a primeira mergulhada que dei senti um demônio apertando o punho com toda a força contra meu crânio. O inferno, my friends, é um dia pelando com água gelada. Você escolhe morrer queimado ou congelado, tendo a outra alternativa ao alcance das mãos. Mas nada tinha de inferno, Bia, que exagero. Só estava de fato baxtant fria a água. Dei duas, três, quatro braçadas e tive de parar porque o ar não vinha por mais que eu puxasse. Fiquei até com medo. Saí rapidinho do mar. Quem sabe amanhã?

27/4

Hoje foi dia de Málaga. Málaga mesmo, cidade grande. Não a Great Málaga, dentro da qual está Torremolinos. A cidade é bem grande, mas linda. Primeiro fomos para a Playa Malagueta – aliás, anotem, pimenta malagueta vem de Málaga, daí no nome – com muito, muito filtro solar. Depoius visitamos todos os pontos turísticos da cidade, já que compramos um daqueles tickets de sightseeing bus e nos deixamos levar. Visitamos uma arena de touros, um forte de um século bem remoto do qual não me alembro, chamado Castillo de Gibralfaro, o pico do dia, na minha opinião. Paisagens maravilhosas, o forte totalmente conservado por centenas de anos e, o melhor de tudo, não tinha aquela frescurite que muitos locais turísticos tem: podíamos andar por todo o forte, nos perder sem plaquinhas pentelhas ensinando como nos achar, mecher, balançar, cheirar, sentar, lamber, não havia cordas separando nada de nada. Inclusive, se você quisesse se matar, também podia. O Castillo fica no ponto mais alto da cidade, e das beiradas pode-se entender bem o conceito de VERTIGEM. Penhascos aos montes. Penhascos de gente grande mesmo. Penhascos rock n’ roll.

28/4

O inferno. Eu e uma mala com mais de 25 kilos. O inferno em sua nova variável. Claro que lá tinham coisas minhas e de babãe. Eu diria 1/4 minhas, 3/4 de babãe. Mas como sou jovem e forte e touro da família e tenho as costas boas (ao contrário do resto da família), sempre sobra para eu “provar” essa força. Quer dizer, antes era prova, hoje é vergonha na cara mesmo. Não faria babãe, cheia de ai minhas costas, ai meu joelho, carregar aquele peso todo nem que fosse por um segundo. Mas talvez se ela tivesse que passar pela experiência de carregar a mala por um doído segundo, teria feito sua parte da malinha um ‘cadim mais modesta.

Oh well, reclamar para quê? Já foi. Arrumamos tudo, demos mais uma volta na praia para dar tchau a Málaga, lugar apaixonante a que pretendo um dia voltar muitíssimo bem acompanhada, preferivelmente. Um povo caloroso, sorridente, chavequeiro na medida certa “solo ayudé porque mucho me gusto su hija” disse um bravo espanholinho que levou a mala e seus 25 quilos escada acima na estação de trem em Málaga. Vejam que fofo, além de ter levado minha mala, conseguiu me elogiar e de um jeito dulcíssimo, approaching babãe. Eles são assim lá. Não há como não sorrir em dobro. Além do mais, com aquele cheiro, que pulmão não respiraria feliz? Málaga, especialmente Marbella, é o lugar mais cheiroso a que fui. Cheiroso de cheiro natural. Intrínseco, estranho mesmo, o vento tem cheiro, e nnao o cheiro vem com o vento, entende? Não te culpo; é difícil explicar.

29/4

O mundo é pequeno demais ou o tempo é tão curto que nos permite viajar em idéias. Provavelmente se tivesse um mês inteiro pela frente eu acharia pouco e sentiria por não ter um mês e um dia. Ah, um dia a mais é sempre o dia a mais que falta para visitar AQUELE lugar, numa viagem como a nossa, sem destino, só a passagem de ida e a de volta. Hoje, depois do jantar, ficamos a elucubrar sobre o que faremos de nossa próxima e última semana. Nossa reserva em Sevilla vai até domingo, depois de amanhã. Amanhã ligaremos para os hotéis em Granada com uma certa dose de desespero, já que só hoje “realizamos” que terça-feira é feriado nacional e, logo, Granada-Alhambra-Generalife – nossos planos para os três dias seguintes a Sevilla – correm um certo risco de morte em nossa trajetória. Amanhã a viagem tomará um rumo mais definido, já que ligaremos manhosas para todos os hotéis de Granada que nos foi recomendados. Caso não haja vagas nem para dormir no quarto das camareiras, aí teremos que abrir mão de Granada e ir a Alicante. MAS, como nada em uma viagem é tragédia, se não formos a Granada, as chances de irmos a Ibiza crescem. É aí que entra a primeira sentença que escrevi hoje. Se tivéssemos mais um, talvez dois diazinhos a mais, poderíamos fazer tudo: Granada (e Alhambra-Generalife – alias, pausa infame, só decoro o nome Generalife porque imagino uma companhia de seguros), Alicante, Ibiza e um gostinho de Valência.

30/4

O dia hoje foi o pior da viagem até agora. Nada de muito ruim aconteceu, mas, sinceramente, acho que ficamos tempo demais em Sevilla. Em um dia inteiro poderíamos ter varrido isso tudo. Hoje ficamos até três da tarde resolvendo nossa ida a Granada. Só depois das três fomos até o centro velho terminar de ver o que faltava e, surprise, surprise, era só uma atração, a Plaza de Toros de la Maestranza. Muito legal a visita. Mas durou meia hora. Era visita guiada e acabou, cuspiram-nos à rua. É sério. O dia começou mesmo às 15h e terminou de render às 15:30h. Depois disso almoçamos num restaurante que nem era lá dessas coisas e voltamos para o hotel porque estava quente demais, de novo. Aliás, minto. Antes de voltarmos entramos num café que servia os malditos churros. Eu cismei com os churros e agora já os comi. Gorda.

1/5

De qualquer maneira, a temperatura está mais aceitável. Chegamos na estação de trem e fomos comprar a passagem de trem para Alicante direto. Não há viagem direto para Alicante. Decidimos ir de ônibus então; deixaríamos para procurar a rodoviária depois. O primeiro parto do dia foi achar um taxi da estação de ônibus para o hotel. Domingo, feriado, hora da siesta. Tudo junto. Claro que não tinha taxi. Uma fila imensa e nenhum. No final das contas, depois de meia hora, conseguimos pegar um, meio que acotovelando os outros. Chegamos no hotel, uma graça, mas eu não poderia perder tempo novamente. O dia anterior em Sevilla tinha sido meio fiasco. Eu tinha que make it up to it hoje. Largamos as malas no quarto e saímos, rumo a Alhambra.

A cidade está cheia. Terça-feira é o maldito feriado nacional. Mil festas acontecendo – religiosas, as far as I’m concerned. Está tudo apinhado. Mesmo sabendo que os ingressos estavam todos esgotados, resolvemos tentar a sorte. Logicamente não conseguimos. Mas a viagem valeu a pena de qualquer jeito. Mesmo sem poder entrar no negócio propriamente dito, pudemos visitar parte das ruínas, ter uma vista linda da cidade, cheirar todo aquele cheiro que entorpece meus pulmões. Fomos até o lugar de venda de tickets, mas não tinha mais nenhum para aquele dia e, se quiséssemos ir amanhã, teríamos que ESTAR LÁ às 7 da matina, sem garantia de ingresso. Decidimos que não. Ficamos por lá, passeando, vendo o que podia ser visto sem ingresso, e voltamos à cidade.

2/5

Ok. Sem Alhambra, sem Sierra Nevada, o que há para fazer em Granada? Simples: Granada! Resolvemos explorar a cidade e foi bem gostoso. Começamos pela capela real, em que estão os sarcófagos de Felipe, o Belo, e Juana, a Louca (hahaha). Maravilhosa. Meu apreço por igrejas tem me surpreendido. Embora eu tenha ficado um pouco impressionada demais com as imagens de San Juan Batista sendo decapitado e San Juan Evangelista sendo queimado dentro de um caldeirão, uma espécie de sopa santa. Assustador. Eu diria até de um certo mau gosto. Fiquei imaginando se eu fosse uma criança que morasse lá e fosse obrigada a assistir à missa naquela capela todo domingo - partindo do pressuposto de que eu era uma criança da famíloia real, já que a capela era de uso exclusivo da realeza. Eu teria acessos de choro antes e pesadelos terríveis depois. Ficaria hipnotizada nas duas imagens esculpidas na parede do altar, entre outras dez imagens. Eu não conseguiria prestar atenção em nenhuma palavra do padre.

3/5

Chegamos em Alicante após seis horas de viagem. Legal, nosso destino final, Dênia, fica há 100km de Alicante. Havia um ônibus saindo de Alicante meia hora após nossa chegada na rodoviária. Tudo muito tranqüilo para o padrão Singer de contratempos. No final das contas, 100km foram percorridos em exatas três (3) horas. A porra do busão foi pingando, entrando em cada vilinha para deixar e recolher formiguinhas. Não acabava mais. Eu já não via mais graça alguma em paisagens, escritinhos em catalão, escarpas, praias. Tudo o que eu queria era sair daquele ônibus cheio de pessoas tossindo, espirrando, umas até catarrando, juro. Ficar em pé no chão novamente, caminhar, respirar, me afundar na areia da praia. Não é pedir muito.

4/5

Do hotel fomos à praia. Andamos até um ponto que parecia mais habitado. A praia de Denia não é maravilhosa, mas é calma, e tudo de que precisávamos era paz. Claro que 100% paz nunca acontece na minha vida. Apareceu um tarado, que ficava fazendo gestos para mim de longe, mudando de posição na praia para pegar o “melhor ângulo” de visão, não parava de fazer gestos do tipo “vamoali?” ou “faz um topless, faz?” – como vocês devem saber, topless é comum na Europa. Várias tiazonas de maminhas aos aires, como se diz em Portugal. O ápice da taradice foi quando ele começou a pôr a mão para dentro da calça e ao mesmo tempo fazer um “venhaqui” com o indicador. Como homem é bobo.


And that’s all for now, folks. Muita merda tem acontecido e a cas ameaça cair pro meu lado. De novo. Mas eu agüento, até quando não der para agüentar mais. Depois explico melhor. Agora, fiquem com o que aconteceu de bom.

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