Sunday, May 15, 2005

no white flag above my door

Acho que já está na hora de colocar algo de novo aqui. Essa semana foi ridiculamente surreal. Eu não entendi nada. Ainda estou meio sem entender. E, se fosse uma dessas punhetadoras mentais, ficaria o resto dos meus dias tentando entender. A verdade é que, tal como a morte, eu nunca vou entender. Não em vida.

Pedi demissão.

Na verdade, fui obrigada a pedir demissão.

Sexta foi meu último dia e segunda vou lá entregar a resignation letter e me despedir de todos. Foi assim, de repente. Antes de ir para a Espanha, eu era um a estrela. Star mesmo, minha chefe usava essa palavra. Agora, de repente, virei uma decepção, não correspondo às expectativas de minhas chefes e não sou uma pessoa commercial-driven. Mas, duh, isso eles já deviam saber. Ninguém se forma jornalista para escrever em números.

Não queiram entender, também. Fiquei tão chocada quanto qualquer um dentro daquela empresa. Inclusive a ucraniana que senta ao meu lado e que acompanhou tudo. O fato é o seguinte: eu não consegui meet the target por um motivo simples, eu estava viajando. Das 3,5 semanas de campanha, duas eu estava na Espanha. Como fazer para meet the target? Imnpossível. Se minha chefe fosse um pouco mais assertiva, não teria me deixado viajar.

Agora, meus amigos, estou vivendo de reservas. E reservas não duram para sempre. No meu caso, duram por uns 2 ou 3 meses. Eu ainda vou receber o salário por mais um mês sem precisar dar as caras no trabalho, segundo o generoso chefão. Se depois desse período de um mês eu ainda estiver desempregada, esse mesmo generoso chefão me passará uns freelas e uns trabalhos temporaries. Aí você vai dizer, puxa, Bia, que chefe mais legal, e eu vou te responder, enfia essa legaleza no cu e roda.

Amanhã ainda é dia. Depois disso, estou de novo com um mundo de possibilidades, e é só isso que me motiva. Saber que tenho um currículo recheado de coisas factíveis nas mais diversas áreas.

Minha cabeça não pára. Preciso arranjar um jeito de me sustentar senão vou ter que voltar pro Brasil do jeito que menos quero: com uma mão na frente e outra atrás. Mas vou virar essa merda. Aquele não era o único emprego do mundo. Na verdade, é apenas um cocozinho perto do que sei que ainda vou viver. Dias inteiros para escolher o que deve ser ou não parte do meu futuro. Vou começar a me divertir. Atualizações aqui. Naquele ritmo de Brasil grande, quase-sempre, não-me-cobrem.

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