Thursday, May 26, 2005

bambole

Então vai ser assim. Semana que vem me mudo para Southampton, mas só por uma semana mesmo. Isso é, se eu arranjar lugar para ficar. Senão vou comutar todos os dias da semana que vem. Southampton fica no sul, na praia, 90km a oeste de Brighton, uns 120km ao sul de Londres. E é lá que farei meu curso de salva vidas. Eu disse que não estou para brincadeira, não disse? Pois liguei para a Dona Vaca que disse ter me mandado o formulario para o curso que estaria acontecendo em Londres, e ela disse que mandou e eu nunca recebi. E quando liguei para cobrar ela disse que agora não tinha mais vagas. Não pensei duas vezes. Abri o mapa da Inglaterra, vi as regiões ao redor e fui atrás de cursos nessas regiões. Southampton foi a escolhida. Começo segunda, me qualifico no sábado. E eu vou, porque se parar eu paro mesmo.

O emprego que eu queria já foi ocupado por outra pessoa.

Aiai.

Hoje fui em outra entrevista. Dessa vez menti um pouco. Tá difícil conseguir emprego falando a verdade. Disse que amaria fazer certas coisas que nem amaria. Disse que fico feliz com coisas que don’t move me at all.

Viram? Já virei rata de escritório. Eca. Isso nunca. Vou sempre voltar para casa e tentar lembrar de como eu realmente sou. Mesmo que só eu lembre.

Enfim.

Finalmente chegou aqui a caixa que babãe tinha mandado do Brasil em março, repito, março. Não, a culpa não foi dos correios. Minha mãezinha linda não pôs o número da minha casa no endereço. A caixa voltou e ela teve que mandar de novo. Não tinha mesmo que ser minha mãe?

Mas finalmente chegou. Abri e encontrei um cachecol lindo, branco, quentinho, acolhedor. Uma canga azul magavilhosa que estou usando agora porque, acreditem, faz calor. Um guia de turismo da Europa deeeeste tamanho que o Neal me mandou de aniversário. E um livro que eu queria muito, O Vendedor de Passados. Este foi presente de aniversário do meu avô. Ele ainda estava vivo quando minha mãe me mandou a caixa. A dedicatória, foi ele quem ditou para minha irmã escrever. E ele assinou. Com uma mão trêmula, mas forte. Posso imaginar sua carinha. Uma assinatura trêmula e forte. Porque mesmo esmorecendo ele não perde as forças. Um dia quero ser que nem ele.

E o Chris. Tivemos uma longa conversa ontem. Ele chorou. Eu não. Não tinha porquê. A dor era só dele, que tinha feito merda. Me pediu mil perdões, disse que está com mil problemas mas que em (mil) dias vai começar uma terapia, porque está fodido, porque a vida nese exato momenbto fede, porque, hoje, não é bom ser ele.

Só ouvi. E o abracei. E disse que é só não parar para não me perder. Porque qualquer bambolê cai sem a rebolada.

E eu repito isso a mim todos os dias, como um mantra: é só rebolar para ele continuar rodando. Mas se parar de rebolar, pode dançar twist que ele não sobe de novo.

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