Thursday, July 22, 2004

princípio, meio, fim

Amanhã acaba. Em uma semana a cor do pecado que eu, acreditem, consegui pegar estará desbotando e eu voltarei à minha busca alucinada por um emprego. Acabou a mamata de acordar para almoçar. Acabou a dúvida entre ir para o Cliff Bay nadar no mar ou ficar pela piscina da Quinta de Santa Luzia.

Acabou e eu nem estou triste. Primeiro, porque recebi um convite para voltar no Natal e ano-novo, o que não sei realmente se vai rolar porque tudo indica que estarei com duas pessoas amadíssimas, Frubosa e Titi, por aqui comigo. Claro que se eles disserem que os três podem vir para a Ilha, eles não têm como recusar. Mas acho meio difícil. Em segundo lugar, porque estou a fim de assentar minha vida em Londres. Começar uma rotina, levar uma vida um pouco mais regrada, que é do que mais reclamo mas de que acabo setindo falta afinal.

Sem falar do resto. Assim, eu até tento não demonstrar, mas é difícil. Esses dias na Madeira foram paradisíacos, totalmente dignos de um conto de fadas. Mas foi muito complicado ver as famílias (minha família, mas mesmo assim) todas unidas, à vontade. Senti falta dos momentos de intimidade com minha família, com meus amigos, com qualquer pessoa com quem eu podia ser realmente espontânea. Não que eu não tenha sido aqui. Claro que fui. Mas eu era o centro das atenções, a half-Blandy que ninguém conhecia, que veio do Brasil, que nada, que escreve, que fala português. Então eu acabava pensando algumas vezes além do convencional antes de falar o que me viesse na cabeça.

É por essas e outras que não vejo a hora de Fru e Ti chegarem. Seria exponencialmente mais difícil sem eles. E sei que para eles também seria mais difícil sem mim. Nada como uma relação de mutualismo.

Mas chega de divagar. Desacostumei a pensar durante esses dias de torpor (uh!). Nadei quase todos os dias, dormi quase sempre muito bem, comi feito uma porca, pensei muito em babái e aprendi muito sobre sua família e sobre ele, descobri que família importa muito, me apaixonei pela Madeira, não me entediei em um só momento (juro, juro). É por tudo isso que essa foi só a primeira vez.

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