Monday, March 30, 2015

muita ira nessa hora

E o que fazer com a ira quando se tem uma criança de 2 anos? Uma criança toda boazinha que de repente resolveu se rebelar (o tempo todo, contra tudo, sem qualquer lógica aparente)? Uma criança que já tem idade para manipulações rebuscadas mas ainda não entende o que é castigo? E como fico eu, com tanta ira? Difícil é me por no lugar do meu filho. Eu tento fazer isso o tempo todo, pela minha sanidade. Mas nem sempre consigo me conter nesse patamar zen budista e acabo explodindo também. Eu, que não tenho pavio nem um pouco comprido (mas que ultimamente vinha exercendo um alongamento inimaginável entre o atear fogo e o explodir).

Hoje foi assim: cheguei no meu limite. Estava num dia já meio da pá virada, mas tudo piorou com o mau humor pós-soneca do meu filho no carro. E no carro não tem pra onde fugir. Então toca aguentar meia hora de choramingo porque a porra da naninha não estava lá. Já me conhecendo, fiquei na farmácia e deixei que os outros seguissem adiante. Eu ganharia tempo para que ele parasse de pentelhar e para que eu esfriasse também.

Chegando em casa, recebi o boletim informativo de que ele já havia batido duas vezes na "fofó". Depois bateu em mim também, e já com o saco na Lua, coloquei-o de castigo. Aparentemente não escolhi um local adequado para o castigo, pois meu marido resolveu tirá-lo de lá antes que eu julgasse apropriado. Totalmente castrada resolvi que mais uma frustração e ia tudo pelos ares. Para evitar, saí, levei meu livro. Tentei meditar. Li. Tentei meditar de novo. Não consegui. Quis chorar mas as lágrimas não saiam. Precocemente, voltei para casa. E o ciclo se repetiu: filho me bate, é posto de castigo, marido pergunta o que há de errado e o pega no colo para dar mais uma reforçadinha no comportamento errado. E eu, de novo, me sinto castrada. Ou, sei lá, uma má mãe. Alguém incapaz de tomar decisões pela educação do meu filho. Alguém intolerante, impaciente, estourado. Violento até (sem nunca ter agido com violência, ressalto). Enfim, alguém sem perfil pra maternidade, ou pro casamento, ou pra qualquer relação social que envolva convívio diário.

Hoje estou assim. Todas as mães passam por dias assim, certo? Fazia muito tempo que não acontecia de sentir esse aperto no peito de não querer mais brincar. Esse desespero de se descobrir mãe para sempre, e incapaz de sê-lo. De se descobrir esposa e querer sair pra comprar cigarro e não voltar mais. Essa vontade de gritar e correr livre até ser atropelada.

Já estive assim antes. Não é novidade. Novidade é tudo isso voltar agora com tanta força, depois de tanto tempo dormente. Mas é isso, esses sentimentos são como vulcões. Eles adormecem mas estão lá. Imprevisíveis e mortais.

Enfim, torço para que tudo isso morra com o fim do dia. Estou cansada demais.

No comments: